sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Kirk Douglas: A Vida e a Obra de um Último Durão da Sétima Arte.


Kirk Douglas, lenda viva da Sétima Arte, completou em 9 de dezembro último seu centésimo aniversário. Entre os grandes ídolos das telas, Douglas tem incontestável lugar no rol dos grandes astros de Hollywood. Ele conduziu sua carreira vitoriosa graças a força de sua inteligência e tenacidade, obstáculos que teriam derrubado outros mais fortes do que ele. Astro de grandes clássicos da história do cinema, como Sem Lei e Sem Alma, Homem Sem Rumo, Duelo de Titãs, A Montanha dos Sete Abutres, Glória Feita de Sangue, Sete Dias de Maio, Ulysses, Chaga de Fogo, Spartacus, entre outros - foi um ator prolífico que cativou e vem cativando por mais de seis décadas. Kirk trabalhou com grandes cineastas, como Stanley Kubrick, Billy Wilder, William Wyler, Vincente Minnelli, Raoul Walsh, Anthony Mann, Robert Aldrich, Michael Curtiz, Brian De Palma, entre outros. Ele jamais ganhou um Oscar por suas atuações embora indicado três vezes ao prêmio (exceto um honorário em 1996 agraciado pelo conjunto da obra), mas se tornou um dos maiores campeões de bilheteria de todos os tempos, amado por fãs do mundo inteiro. O Blog em homenagem aos cem anos em vida deste grande ídolo fará uma retrospectiva de sua vida e carreira. Com vocês:






KIRK DOUGLAS
Ator, Produtor, e Diretor

Issur Danielovitch, que o mundo conhece como KIRK DOUGLAS, nasceu a 9 dezembro de 1916 em Amsterdam, Nova Iorque. Seus pais, lavradores judeus-russos, originários de uma vila ao sul de Moscou, chegaram aos Estados Unidos em 1910. A saga de Kirk é típica da expressão dos farrapos à fortuna, e Amsterdam é o nome de uma pequena cidade onde ele nasceu no Vale de Mohawk, a trinta milhas de Albany, capital do estado de Nova Iorque. Douglas era o único menino entre as seis filhas de um casal de imigrantes analfabetos russos. Por conta das fábricas em Amsterdam não darem empregos para judeus, seu pai passou a vida negociando ferro velho.

O jovem Kirk aos 16 anos.
Douglas lembraria tempos depois: “Quando garoto, eu vendia balas e pipocas aos trabalhadores de moinhos por estas redondezas. Assim eu podia comprar leite e pão para que minha família tivesse sua sobremesa a noite. Tudo que tínhamos para ser consumido não deixávamos sobrar nem um pouquinho, e esse hábito eu preservo até hoje” – Conta Douglas em uma entrevista filmada em 1979. Com a idade de treze anos, Kirk, ou melhor, o menino Issur, começou a trabalhar para poder estudar. Em sua ambição em mudar de vida, contava com o apoio e o encorajamento da mãe, Bryna. E sem dúvida, trabalhou muito para vencer. Em sua infância e juventude, além da pobreza, os inimigos maiores eram a fome e o antissemitismo, e talvez o pior: seu pai, em não encoraja-lo ou salva-lo do afogamento da suavidade e maciez de sua mãe e de suas irmãs. 

Kirk aos 21 anos.
Kirk nos tempos de universidade.
Entretanto, depois de uma fase de muito esforço e tenacidade na St. Lawrence College onde tirou seu diploma é que pôde ingressar na Academia de Arte Dramática de Nova Iorque. Quando ficou adulto, Douglas voltou-se compulsivamente para a sedução. Em 1989, quando lançou sua autobiografia, The Ragman’ Son (no Brasil, O Filho do Trapeiro), ele afirma que se sentia ameaçado e perseguido por ele mesmo desde a infância. Essa imagem aparece grifada o tempo todo em seu livro, onde reafirma sua fraqueza e vulnerabilidade. Contudo, nem só de traumas viveu Kirk em relação a família. Ele sempre admitiu que seus pais lhe deram também armas para vencer na vida e lutar. Douglas possuía coordenação motora que permitiu a ele ser campeão de luta livre na universidade (modalidade esportiva de combate que usou em Ulysses em 1954) e até mesmo lhe possibilitaram ser seu próprio dublê em algumas cenas perigosas para o cinema.  Havia nele o Sex Appeal que o tornava irresistível não apenas para as mulheres (que ele nunca conseguia resistir), mas também para as plateias de todo o mundo que faziam fila para ver suas dezenas de filmes.

Kirk e sua primeira esposa, Diana.

Diana e Kirk, e os filhos Michael e Joel
Depois de sua graduação na Academia de Artes Dramáticas, chegou a Broadway onde apareceu em alguns shows. Em 1943, casou-se com Diana Dill Douglas, quando ambos ainda eram estudantes de Arte Dramática em Nova Iorque. Seu filho, o igualmente futuro astro Michael nasceu em 1944, e em 1947, nasceria Joel. Kirk e Diana se divorciaram em 1951.  Em 1954, Kirk se casa com Anne Douglas, que lhe deu mais dois filhos, Peter (nascido em 1955) e Eric (nascido em 1958 e morto em 2004, por overdose acidental).

Kirk e sua segunda e atual esposa Anne, e os filhos
Peter e Eric
Nem tudo saiu como Kirk planejava em sua vida. Ele lamenta, por exemplo, de não ter se tornado um “grande astro dos palcos americanos”. Queixa-se de ter sido mal tratado por alguns colegas de trabalho e sempre tentou, frequentemente com sucesso, acertar as contas (em especial, com Burt Lancaster). A vida de Kirk Douglas não é como um roteiro de um filme de segunda classe, mas como seus trabalhos mais duradouros do cinema, sempre em busca de algo tão cheia de energia e compromissos quanto um punho fechado para um soco. 




A ESTRÉIA EM HOLLYWOOD
Os Primeiros Filmes
Kirk em seu primeiro filme: O TEMPO NÃO APAGA (1946),
com Barbara Stanwyck.
Antes de ingressar na Marinha durante a II Grande Guerra, Kirk, que já tinha o nome artístico de Izzy Demsky, mudou legalmente para “Kirk Douglas”. Com o fim da Guerra, Douglas voltou para Nova Iorque, onde começou a atuar no rádio e em comerciais de televisão, enquanto tentava entrar para a Broadway.Com a ajuda de sua amiga e colega de St. Lawrence, Lauren Bacall (1924-2014), já estrela em Hollywood e casada com Humphrey Bogart (1899-1957), Kirk consegue seu primeiro papel, no filme O Tempo Não Apaga (The Strange Love of Martha Ivers), de Lewis Millestone (1895-1980), estrelado por Barbara Stanwick e Van Heflin em 1946. Kirk contava com 29 anos de idade. 


Com Barbara Stanwyck e Van Heflin: O TEMPO NÃO APAGA (1946).
O primeiro filme de Kirk Douglas.
Abraçado a Rosalind Russell, observados por Michael
Redgrave e Nancy Coleman: CONFLITO DE PAIXÕES (1947).
A estreia de Kirk gerou admirações e elogios por parte da crítica e do público, mas até que seu nome fosse definitivamente consagrado pelas plateias, o jovem e iniciante ator partiu para papéis menores, como em Conflito de Paixões (Mourning Becomes Electra), de Dudley Nichols, com Rosalind Russell e Michael Redgrave, em 1947, e Fuga Ao Passado (Out of the Past), noir expressivo dirigido por Jacques Tourneur e estrelado por Robert Mitchum e Jane Greer. Nesta fita, Douglas já era o terceiro nome principal do elenco.


Kirk no primeiro filme em parceria com Burt Lancaster:
ESTRANHA FASCINAÇÃO (1948) - Com Lizabeth Scott.
Com Robert Mitchum: FUGA AO PASSADO (1947)

Com Linda Darnell e Paul Douglas: QUEM É O INFIEL (1949)
Em 1948, Douglas inicia uma parceria com o ator Burt Lancaster (1913-1994), que tornaria seu colega em mais seis filmes, em Estranha Fascinação (I Walk Alone), dirigido por Byron Haskin tendo Lizabeth Scott como a mulher com quem os dois disputam. Ainda no mesmo ano, Kirk investe em uma comédia romântica, Minha Secretária Favorita (My Dear Secretary), de Charles Martin, ao lado de Laraine Day e Keenan Wynn. Em 1949, Douglas encabeça no drama romântico Quem é o Infiel (A Letter to Three Wives), de Joseph L. Mankiewicz, com as beldades Jeanne Crain, Linda Darnell, e Ann Sothern.




O INVENCIVEL (1949)
A consagração em Hollywood e a Primeira Indicação ao Oscar.

Kirk é O INVENCÍVEL (1949): Primeiro papel de consagração.
O nome de Kirk Douglas se consagrou em definitivo nas telas do cinema através de um dos maiores filmes sobre o submundo do Boxe, O Invencível (Champion)em 1949 e sob direção de Mark Robson. Douglas, um verdadeiro atleta e ginasta nos tempos de universidade e adepto de boxe e luta livre, se entregou de corpo e alma no papel de Midge Kelly, um aventureiro desempregado e sem rumo que junto com seu irmão Connie (Arthur Kennedy, 1914-1990) andam por trens e estradas, até que a sorte bate quando Kelly é descoberto por um treinador de boxe (Paul Stewart, 1908-1986) e com ele passa a ser treinado no pugilismo. 


Com Marilyn Maxwell: O INVENCÍVEL (1949)


Com Ruth Roman: O INVENCÍVEL (1949)
Os implacáveis punhos de Midge Kelly: O INVENCÍVEL (1949)

Kelly se torna um exímio campeão, mas com o sucesso e o dinheiro, lhe sobe também a prepotência, achando-se no direito de abusar das pessoas, principalmente das mulheres. Junto com Punhos de Campeão (The Set Up, 1949), de Robert Wise, realizado no mesmo ano, O Invencível figura entre os maiores filmes a ter como tema o Boxe, com um elenco onde despontam Marilyn Maxwell (1920-1972), Ruth Roman (1922-1999), e Lola Albright. Com O Invencível, Kirk conseguiu sua primeira indicação da Academia de Hollywood para melhor ator do ano de 1949, concorrendo com John Wayne (Iwo Jima, o Portal da Glória), Gregory Peck (Almas em Chamas), Richard Todd (Coração Amargurado), e Broderick Crawford (A Grande Ilusão). Mas Crawford ganhou o prêmio na noite de 23 de março de 1950. Embora não tivesse ganho a estatueta, Kirk Douglas se consagraria desde então como um dos mais absolutos astros do cinema de todos os tempos. 

Com Lauren Bacall: ÊXITO FUGAZ (1950)

         A DÉCADA DE 1950
Com Doris Day: ÊXITO FUGAZ (1950)
Após o estrondoso sucesso de O Invencível, Kirk inicia os anos 50 com um sucesso atrás do outro. Êxito Fugaz (Young Man with a Horn) de Michael Curtiz em 1950, como um jovem trompetista dividido no amor entre Lauren Bacall e Doris Day. Em 1951, Douglas estrela seu primeiro Western, Embrutecidos pela Violência (Along the Great Divide), de Raoul Walsh, ao lado de Virginia Mayo e Walter Brennan. 


EMBRUTECIDOS PELA VIOLÊNCIA (1951): O Primeiro
Western de Kirk, com Virginia Mayo.
A MONTANHA DOS SETE ABUTRES (1951) de Billy Wilder.
Ainda em 1951, Kirk estrela o que é considerada uma de suas melhores performances, no clássico A Montanha dos Sete Abutres (Ace in the Hole), sob direção de Billy Wilder, uma denúncia contra o jornalismo sensacionalista, com Douglas no papel de Chuck Tatum, um repórter que explora em proveito próprio uma história sobre um homem preso numa caverna, onde a situação piora quando toda a farsa sai do controle de Tatum. No mesmo ano, outro ótimo filme de outro grande cineasta, William Wyler: Chaga de Fogo (Detective Story), com Douglas no papel do implacável detetive James McLeod. Durão e cínico, McLeod acredita numa interpretação estrita da lei e não em dar a outra face. No elenco, a bela Eleanor Parker (1922-2013) como sua esposa, com quem vem a descobrir uma traição.


CHAGA DE FOGO (1951) de William Wyler. Com Eleanor Parker
O RIO DA AVENTURA (1952), com Dewey Martin


Em 1952, Douglas estrela outros dois faroestes: O Rio da Aventura (The Big Sky), de Howard Hawks, e Floresta Maldita (The Big Trees), de Felix E. Feist. No ano seguinte, estrela um clássico de Vincent Minnelli, Assim Estava Escrito (The Bad and the Beautiful), junto a Lana Turner, Dick Powell, e Walter Pidgeon, onde obteve sua segunda indicação para o Oscar, concorrendo com Marlon Brando (Viva Zapata), Jose Ferrer (Moulin Rouge), Alec Guinness (O Mistério da Torre), e Gary Cooper (Matar ou Morrer), mas Cooper foi o ganhador da noite conquistando o seu segundo prêmio(a primeira fora em Sargento York, em 1941). 

Com Lana Turner: ASSIM ESTAVA ESCRITO (1952).
A segunda indicação de Kirk para o Oscar.
No mesmo ano, Kirk estrelou O Malabarista (The Juggler), de Edward Dmytryk, um drama psicológico onde Douglas exerce um estilo perturbador. Em 1953, Kirk atua pela primeira vez fora dos Estados Unidos, em Mais Forte que a Morte (Un Acte d' amour), um drama de guerra dirigido por Anatole Litvak.

Kirk Douglas é ULYSSES (1954)
Com Silvana Mangano: ULYSSES (1954)

Em combate de Luta Livre com o lutador profissional italiano
Umberto Silvestri em ULYSSES (1954)
Em 1954, outro trabalho europeu, dessa vez um épico mitológico a italiana, Ulysses (Ulisse), do diretor Mario Camerini e produção de Dino de Laurenttis e Carlo Ponti, ao lado de Silvana Mangano, Anthony Quinn (com quem faria parceria em mais dois outros filmes) e Rossana Podesta. Na fita, Douglas trava um combate de luta livre com o lutador italiano Umberto Silvestre.Ainda em 1954, Douglas estrela ao lado de James Mason e Peter Lorre em 20.000 Léguas Submarinas (20,000 Leagues Under the Sea), de Richard Fleischer para os estúdios Disney. 


Walt Disney mostra a Kirk Douglas um modelo em maquete do
famoso Naútilus do Capitão Nemo para divulgação de

20.000 LÉGUAS SUBMARINAS (1954).
Kirk Douglas como Ned Land, e James Mason, Peter Lorre,
e Paul Lukas: 20.000 LÉGUAS SUBMARINAS (1954).
Kirk é Ned Land: 20.000 LÉGUAS SUBMARINAS (1954)
Baseado no célebre romance escrito em 1870 por Júlio Verne (1828-1905), Douglas vive o cínico e destemido Ned Land, que entra em conflito com o Capitão Nemo, vivido por Mason. Uma característica marcante em Kirk no papel é que ele canta e toca banjo, o que ele faria novamente em um outro trabalho, o western Homem Sem Rumo, no ano seguinte.



KIRK DOUGLAS:
MAN OF THE WEST
Com William Campbell: HOMEM SEM RUMO (1955).
Um Western Classe A de King Vidor.
Kirk Douglas seria também um dos grandes ícones do gênero do western, pois soube incorporar a figura mítica e destemida do cowboy segundo sua legenda romântica. Um bom exemplar é Homem Sem Rumo (Man Without a Star), realizado em 1955 por um grande cineasta, King Vidor (1894-1982), que seguido de Embrutecidos pela Violência, realizado por Raoul Walsh quatro anos antes, fica entre os grandes faroestes estrelados pelo ator. O elenco é de primeiro time, pois conta com as presenças da bela Jeanne Crain, da talentosa Claire Trevor (atriz ganhadora do Oscar), e dos coadjuvantes Jack Elam e Jay C. Flippen. 


Tocando Banjo para Claire Trevor: HOMEM SEM RUMO (1955)
Furioso em HOMEM SEM RUMO (1955)

Em luta com Richard Boone em HOMEM SEM RUMO (1955)
Vale destacar também a presença do notório vilão Richard Boone (1917-1981). Vidor havia dirigido, em 1946, outro clássico do western, Duelo ao Sol (Duel in The Sun), e Man Without a Star lembrava, em alguns pontos, o erotismo desta outra fita, onde as brilhantes atuações de Douglas e Boone reforçaram com que o filme resultasse num vigoroso espetáculo ao estilo, com ação máscula e humor salutar a se combinar. A cena final com Richard Boone e Kirk Douglas trocando socos nas cercas de arame farpado (e naturalmente com Kirk como vencedor), é tida como um dos momentos mais antológicos do faroeste americano no cinema.


A UM PASSO DA MORTE (1955). Com Elsa Martinelli
A Um Passo da Morte (The Indian Fighter, 1955), de Andre De Toth, traz Douglas como um batedor lutando contra índios hostis, ao lado de Elsa Martinelli e Walter Matthau.


SEM LEI E SEM ALMA (1957). Segundo encontro com Burt
Lancaster.
Sem Lei e Sem Alma (The Gunfight OK Corral, 1957), releitura do famoso confronto do OK. Corral traz a segunda parceria entre Burt Lancaster e Douglas, respectivamente nos papéis do delegado Wyatt Earp e do jogador alcoólatra e tuberculoso Doc Holliday. Dirigido por John Sturges, tem como destaque a trilha sonora de Dimitri Tiomkin (1894-1979) e a canção “Gunfight of The Ok Corral” cantada pelo fenomenal Frankie Laine (1913-2007), famoso cantor de baladas ao estilo do Velho Oeste. 


Com Carolyn Jones: DUELO DE TITÃS (1959)
Duelo de Titãs (Last Train from Gun Hill, 1959) registra novamente o encontro de Douglas com outro monstro sagrado das telas, Anthony Quinn (1915-2001), num faroeste cheio de tensão, com Kirk como um delegado que vai de trem a uma cidade para prender os assassinos de sua esposa índia, e vem a descobrir que um deles é filho de seu melhor amigo, hoje um barão do gado, vivido por Quinn. Sob direção também de John Sturges (1910-1992), e trilha de Dimitri Tiomkin, vale destacar as presenças de Carolyn Jones (1930-1983) e Earl Holliman, vivendo o filho de Quinn. 




SEDE DE VIVER
Kirk como Vincent Van Gogh
Em sua autobiografia publicada em 1988, Kirk Douglas fala sobre sua atuação como o pintor Vincent Van Gogh (1853-1890) na obra de Vincente Minnelli Sede de Viver (Lust for Life), realizada em 1956:

- Estive perto de me perder no personagem de Van Gogh em Lust for Life. Não só me parecia com ele, mas também estava com a mesma idade dele quando ele se matou. As vezes precisava me conter para não levar a mão à orelha e verificar se ainda estava no lugar. Foi uma experiência assustadora, uma loucura. Só de lembrar, me estremece. Acho que nunca mais poderia repetir esse papel.


Com Anthony Quinn: SEDE DE VIVER (1956).
SEDE DE VIVER é uma superprodução baseada em livro de Irving Stone, que deu a Douglas sua terceira e última indicação para o Oscar de melhor ator de 1956, mas perdeu para Yul Brynner, que havia ganho neste ano por O Rei e Eu (The King and I), entretanto, o amigo Anthony Quinn, que interpretou o pintor Paul Gauguin, ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante pelo mesmo filme. Todavia, Kirk recebeu o prêmio do Círculo dos Críticos de Nova Iorque e o Globo de Ouro de melhor ator dramático de 1957 por seu magnífico desempenho como o atormentado e sofrido artista.


SEDE DE VIVER (1956): Terceira e última indicação de Kirk ao Oscar
Depois de uma exibição privada de Sede de Viver, seu amigo John Wayne criticou-o:

-Kirk!!! Como é que você pode fazer um papel como esse? Restam tão pouco ...de nós! Precisamos representar papéis fortes, de homens durões. E não esses afeminados fraquinhos.

O nobre Douglas explicou a Wayne:

- John, eu sou um ator. Gosto de fazer papéis interessantes. É tudo faz de conta, John. A coisa não é real. E você mesmo sabe que não é John Wayne. 

SEDE DE VIVER ainda tem como destaque a inesquecível trilha de Miklos Rozsa. 


Com o diretor Stanley Kubrick, no set de GLORIA FEITA DE SANGUE

GLORIA FEITA DE SANGUE
Com Adolphe Menjou: GLÓRIA FEITA DE SANGUE (1957)
Glória Feita de Sangue (Paths of Glory), baseado no livro de Humphrey Cobb, versa sobre um episódio real da Primeira Guerra Mundial envolvendo o exército francês. Dois generais, em busca de holofotes, mandam um regimento de soldados em uma missão suicida, para tomar um forte sob comando dos alemães. O coronel do regimento, vivido por Douglas, leva a missão a cabo, bastante a contragosto, apenas para ver dezenas de seus homens serem dizimados.

Kirk no sucesso GLÓRIA FEITA DE SANGUE (1957)
Em meio à batalha, vários soldados, temendo pela vida, recuam para seus postos ou se negam a sequer sair das trincheiras onde estão acampados. Dirigido por Stanley Kubrick (1928-1999), a fita transforma-se em um tenso drama de tribunal, que traz à tona as ações hipócritas e vergonhosas promovida pela dupla de generais franceses. O coronel interpretado por Kirk assume a defesa dos soldados acusados de “covardia”, em um desempenho magistral do ator.


Com Timothy Carey: GLÓRIA FEITA DE SANGUE (1957)
Por destacar o episódio vergonhoso envolvendo o julgamento dos soldados franceses, Glória Feita de Sangue foi banido da França durante quase 20 anos. Por outro lado, foi o filme que chamou a atenção dos executivos de Hollywood para Stanley Kubrick. Tanto que seu próximo filme foi o épico Spartacus (1960). Kirk Douglas, que produziria esta superprodução, o contrataria após o início das filmagens, no lugar do diretor Anthony Mann, que seria despedido por Kirk.


Kirk, com Ernest Borgnine, Janet Leigh, e Tony Curtis:
VIKINGS, OS CONQUISTADORES (1958)

ENCERRANDO A DÉCADA DE 1950 COM DOIS ÉPICOS
VIKINGS, OS CONQUISTADORES (1958):
Kirk Douglas e Tony Curtis.
Em 1958, Kirk Douglas embarca para a Itália juntamente com Tony Curtis (1925-2010), Janet Leigh (1927-2004), e Ernest Borgnine (1917-2012) para filmar Vikings, Os Conquistadores (The Vikings), sob direção de Richard Fleischer (1916-2006), uma brilhante aventura épica conduzida pela trilha de Mario Nascimbene.


O DISCÍPULO DO DIABO (1959): Burt Lancaster, Laurence Olivier,
Kirk Douglas
No ano seguinte, nova parceria com Burt Lancaster, com O Discípulo do Diabo (The Devil's Disciple), um épico com toques de comédia sob direção de Guy Hamilton, e também estrelado por Laurence Olivier, versando sobre um revolucionário (Douglas) preso por engano, pelos ingleses, no lugar do reverendo de seu povoado durante a Guerra da Independência Americana.


A DÉCADA DE 1960
O NONO MANDAMENTO (1960). Com Kim Novak
Kirk inicia com chave de ouro a década de 1960, começando com o drama O Nono Mandamento (Strangers When We Meet), sob direção de Richard Quine, em 1960, tendo na trama um tórrido romance com Kim Novak. Douglas interpreta um arquiteto casado (sua esposa é vivida por Barbara Rush) que tem um relacionamento fora de seu casamento (com Novak), mas seu vizinho (Walter Matthau) se interessa pela mulher do arquiteto. Uma fita em estilo sensual que já dava grandes avanços contra o código Hays de censura.





SPARTACUS

Reza a lenda que Kirk Douglas ficou empolgado com o sucesso de Ben-Hur dirigido por William Wyler e estrelado por Charlton Heston, lançado em 1959. Douglas também queria estrelar e produzir um épico igualmente retumbante. Douglas ambicionava o papel principal do sucesso de Wyler que acabou nas mãos de Heston, muito embora Wyler tivesse oferecido o papel de Messala a Kirk, mas este não aceitou, parte esta que depois coube a Stephen Boyd.


Kirk Douglas em SPARTACUS (1960)
Recusando o papel de coadjuvante em Ben-Hur, Douglas, sob a égide de sua produtora, a Bryna Production Company, empresa fundada por Kirk em 1955, tendo como inspiração a Hetch-Hill-Lancaster productions, de Burt Lancaster. A Bryna produziria muitos sucessos de Kirk e o nome da firma foi em homenagem a sua mãe. Através de sua produtora, quis dar uma resposta ao então campeão absoluto dos Oscars (até 1998, quando Ben-Hur empatou com Titanic), e resolveu produzir um épico bem diferente dos que vinham sendo produzidos naquela época. Grande parte das produções ao estilo vinham sendo lançados, geralmente, em teor bíblico. Mas Kirk queria realizar algo que não tivesse teor religioso, mas sim político, que fosse uma alusão aos tempos vividos pelos Estados Unidos no então momento. Daí, em 1960, nasce o projeto para realizar Spartacus (Spartacus, 1960).


A Revolta dos Escravos em SPARTACUS (1960). Com Kirk,
John Ireland.
Sendo assim, Douglas e sua produtora negociou os direitos da controversa história da obra literária lançada em 1952, escrita por Howard Fast (1914-2003), que tornou-se uma leitura popular nos meios comunistas. Para adaptar o romance de Fast, Kirk contratou Dalton Trumbo (1905-1976), um dos “Dez de Hollywood”, que havia sido preso por se recusar a cooperar para o Comitê de Atividades Antiamericanas e teve que escrever roteiros sob pseudônimos por mais de uma década. Logo, Kirk Douglas também entrou para a história por ajudar a destruir a lista negra ao permitir que um dos perseguidos pelo "Caça às Bruxas" usasse seu próprio nome nos créditos de Spartacus. Com seus 12 milhões de dólares, Spartacus foi um dos mais custosos filmes daquele então período. 


Kirk e Jean Simmons, como a mulher de Spartacus.
O orçamento começou a subir quando o diretor Anthony Mann foi despedido depois das filmagens já iniciadas, após longa discussão com Kirk Douglas. Logo, Mann foi substituído por Stanley Kubrick, que havia dirigido Douglas em Glória feita de Sangue três anos antes. Kubrick foi contratado apenas para dirigir, e não ser o “autor”, mas mostrou seu talento em um grande número de inventivas sequências. As lutas de gladiadores, algumas vezes de chocante violência, têm uma vívida proximidade e a climática batalha entre escravos e as legiões romanas- com mais de dez mil extras na cena- tem uma grandeza de tirar o fôlego. 


O Cast de SPARTACUS (1960)
Tony Curtis, Jean Simmons, Kirk Douglas.


SPARTACUS foi lançado a 7 de outubro de 1960, em uma pré-estreia em Nova Iorque, e acabou arrebatando quatro Oscars: melhor ator coadjuvante (Peter Ustinov, 1921-2004), melhor direção de arte colorida, melhor fotografia colorida e melhor figurino colorido. O elenco all star constituído por Douglas, Peter Ustinov, Laurence Olivier, Jean Simmons, Charles Laughton (um ídolo de Kirk), e Tony Curtis, ainda realçam mais este valoroso espetáculo.


O ator e produtor Kirk Douglas conversando com o elenco
de SPARTACUS (1960)
Kirk comemorando o aniversário de Peter Ustinov, junto a
Jean Simmons e Stanley Kubrick no set de SPARTACUS (1960)

A colunista Hedda Hopper (1885-1966) denunciou Kirk Douglas por contratar Trumbo e a Legião Americana fez piquete na pré-estreia em Los Angeles, no dia 7 de outubro de 1960. O Bom Douglas não se deixou intimidar, e mandou uma resposta para Hedda e seus aliados, contratando Dalton Trumbo para escrever o roteiro de mais dois filmes para ele. Kirk recordou isso em uma recente entrevista para um jornal:

Foi uma época vergonhosa, especialmente porque éramos todos uns hipócritas. Contratávamos os profissionais que estavam na lista negra e usávamos o talento deles pagando salários menores. Eu já queria Dalton para “Sua última façanha”, mas pedi para escrever “Spartacus” primeiro. “Spartacus” foi muito perseguido pela colunista Hedda Hopper e pela Legião Americana por termos usado o livro de Howard Fast, um comunista, e pelo roteiro de Dalton, que estava na lista negra por ser comunista.


Stanley Kubrick observa Woody Strode e Kirk Douglas
Sobre a direção de Kubrick em Spartacus, o velho astro declarou em recente entrevista para um famoso jornal brasileiro:

- Eu assisti a “O grande golpe” e achei interessante. Liguei para o diretor, que era o Kubrick, que me ofereceu “Glória feita de sangue”. Adorei o roteiro. Quando nos encontramos, ele tinha rescrito tudo para ficar mais comercial. Insisti para fazermos a primeira versão. Ele estava certo, o filme não foi bem, mas a crítica adorou. Kubrick tinha um talento supremo, mas era um cara muito difícil. Tudo tinha que ser do jeito dele, e mudava as coisas a todo momento. Em “Spartacus”, a cena que ficou mais famosa é aquela em que todos gritam “Eu sou Spartacus”, e Kubrick detestava, mas teve que filmar, já que eu era o produtor e assinava os cheques.


O ULTIMO POR DO SOL
Kirk, Carol Lynley, Dorothy Malone, e Rock Hudson:
O ÚLTIMO PÔR DO SOL (1961).
Em 1961, após o sucesso do épico Spartacus, Kirk Douglas atua em um novo western, desta vez sendo o antagonista de Rock Hudson (1925-1985) e entre os dois está a bela Dorothy Malone, em O Último Pôr do Sol (The Last Sunset), sob direção de Robert Aldrich (1918-1983). Um faroeste cheio de ação e tensão ao estilo do cineasta, onde Douglas, um fora da lei, entra em conflito com o lawman vivido por Rock, por causa da esposa deste vivida por Malone, onde a filha dela, vivida por Carol Lynley, nem escapa das investidas de Kirk. O Western teve a colaboração do roteirista Dalton Trumbo.


Kirk e Dorothy Malone em O ÚLTIMO PÔR DO SOL (1961)
Trumbo ainda colaborou em seguida para outro trabalho de Kirk, e um dos mais famosos: Sua Última Façanha (Lonely Are the Brave), dirigido por David Miller, onde evoca a desmistificação do cowboy dos tempos modernos, onde Douglas interpreta um detento que como última façanha de sua vida tenta concretizar sua fuga da penitenciária.Douglas sempre declarou que Sua última Façanha é seu filme preferido.


 TRABALHOS PRINCIPAIS NA DÉCADA DE 1960
Kirk e Edward G. Robinson no set de CIDADE DOS DESILUDIDOS (1962)
Entre 1962 a 1969, Kirk Douglas foi um astro ativo em um dos grandes campeões de bilheteria neste período, trabalhando para grandes cineastas. Reencontrou Vincente Minnelli para fazerem A Cidade dos Desiludidos (Two Weeks in Another Town) em 1962, rodado na Itália, onde novamente entra como tema o mesmo percurso de Assim Estava Escrito, realizado com o mesmo diretor dez anos antes, tendo como pano de fundo o mundo do cinema. Cidade dos Desiludidos contou com os astros Edward G. Robinson, Cyd Charise, Claire Trevor, e George Hamilton. 


A LISTA DE ADRIAN MESSENGER (1963)
Entre 1963 a 1964, Kirk realiza outros dois filmes ao lado do “amigo” Burt Lancaster: A Lista de Adrian Messenger (The List of Adrian Messenger), produção trazendo grandes astros das telas em participações ligeiras, como Tony Curtis, Robert Mitchum, o próprio Burt Lancaster, e Kirk Douglas em quatro papéis diferentes.


Outra vez com Lancaster, em SETE DIAS DE MAIO (1964)
Sete Dias de Maio  (Seven Days in May), realizado em 1964 e dirigido por John Frankenheimer, une novamente Lancaster & Douglas numa história curiosa sobre um Golpe de Estado em Washington contra o Presidente dos EUA (vivido por Fredric March), promovido por um general de cinco estrelas interpretado por Burt Lancaster, mas o amigo e oficial subordinado deste vivido por Douglas, não apoia as iniciativas de seu superior.


Com John Wayne: A PRIMEIRA VITÓRIA (1965)
Entre 1965 e 1967, Kirk atua em três filmes com John Wayne. Amigos muito embora tivessem pensamentos diferentes sobre política, os dois atuam juntos no bélico A Primeira Vitória (In Harm's Way), sob direção de Otto Preminger, um drama de guerra ao estilo “tele-novela”, com um bom elenco onde despontam Patricia Neal, Paula Prentiss, Brandon De Wilde, Burgess Meredith, e Dana Andrews.


Com Senta Berger: A SOMBRA DE UM GIGANTE (1966)
Novamente com John Wayne em GIGANTES EM LUTA (1967)


A Sombra de Um Gigante (Cast a Giant Shadow), em 1966 sob direção de Melville Shavelson é outro espetáculo sobre a II Guerra, onde além de unirem Wayne & Douglas, traz um grande elenco de celebridades, como Yul Brynner, Frank Sinatra, Angie Dickinson, e Senta Berger. Em 1967, Douglas e o Duke partem para o Velho Oeste e estão novamente juntos em Gigantes em Luta (The War Wagon), sob direção do especialista de aventuras ao estilo Burt Kennedy, como dois foras da lei que querem resgatar um alto carregamento em ouro que está num vagão blindado.


Com Richard Harris: OS HERÓIS DE TELEMARK (1966)
Como o General Patton em PARIS ESTA EM CHAMAS? (1966)
Entre 1965 e 1966, Douglas participa de dois filmes de guerra. A aventura Os Heróis de Telemark (The Heroes of Telemark), sob direção de Anthony Mann (com quem já havia esquecido os entendimentos sobre a direção de Spartacus, em 1960) e ao lado de Richard Harris (1930-2002); e no europeu Paris está em Chamas? (Paris brûle-t-il?), direção de René Clément, e constelados por grandes estrelas como Jean Paul-Belmondo, Alain Delon, Leslie Caron, Charles Boyer, Jean-Pierre Cassel, George Chakiris, Gert Fröbe, Glenn Ford, e Kirk Douglas vivendo o General George S. Patton.


Com Robert Mithum e Richard Widmark: DESBRAVANDO O OESTE (1967)
Com Faye Dunaway: MOVIDOS PELO ÓDIO (1969), de Elia Kazan
Encerrando a década de 1960, Douglas faz um western de aventuras para Andrew V. McLaglen, Desbravando o Oeste (The Way West), onde divide as atenções com Robert Mitchum e Richard Widmark; Entre o Desejo e A Morte (A Lovely Way to Die), em 1968, uma aventura a moda 007 de espionagem, contracenando com a bela Sylva Koscina (1933-1994); e uma obra de Elia Kazan, Movidos pelo Ódio (The Arrangement), em 1969, drama familiar sobre um homem que tenta o suicídio e que mesmo sendo um executivo bem sucedido, ele relembra fatos de sua vida, como o envolvimento com uma mulher mais jovem (Faye Dunaway)e os problemas com a esposa (Deborah Kerr).


Com Henry Fonda, no faroeste debochado NINHO DE COBRAS (1970)

TRABALHOS PRINCIPAIS NA DÉCADA DE 1970
O FAROL DO FIM DO MUNDO (1971)
Kirk Douglas abre os anos de 1970 com toda a disposição e vigor, tanto que aparece nu pela primeira vez no cínico e humorístico western Ninho de Cobras (There Was a Crooked Man...), de Joseph L. Mankiewicz, onde atua com Henry Fonda, em 1970. Em 1971, Douglas estrela outra aventura baseada na obra literária de Julio Verne, O Farol do Fim do Mundo (The Light at the Edge of the World), com Yul Brynner e Samantha Eggar e direção de Kevin Billington.


Com Johnny Cash: O DUELO (1971)
Com Florinda Bolkan: UM TOQUE DE MESTRE (1972)
Ainda em 1971, Douglas estrela com o cantor Johnny Cash o faroeste O Duelo (A Gunfight), sob direção de Lamont Johnson. No mesmo ano, roda na França Como Agarrar um Espião (Catch Me a Spy), de Dick Clement, com Marlène Jobert. Ainda na Europa e no ano seguinte, Kirk filma ao lado de Giuliano Gemma e da brasileira Florinda Bolkan Um Toque de Mestre (Un uomo da rispettare), direção de Michele Lupo.

 Kirk Douglas na TV
Kirk como Mr. Hyde, na adaptação televisiva e musical de
O MÉDICO E O MONSTRO (1973)
Os anos de 1970 foram prolíficos para a história da televisão americana, e astros do cinema também queriam fazer investimentos na telinha, e isso não foi exceção para Kirk Douglas. Em 1973, Kirk estreou o telefilme O Médico e o Monstro (Dr. Jekyll and Mr. Hyde), dirigido por David Winters e baseado no célebre livro de Robert Louis Stevenson, em uma versão musical da história, onde Douglas vive o atormentado médico já vivido no cinema por Fredric March e Spencer Tracy.


Kirk em UM ASSASSINO NA CIDADE (1973)
No mesmo ano de 1973, Kirk estrela outro trabalho televisivo, Um Assassino na Cidade (Mousey), sob direção de Daniel Petrie, ao lado de Jean Seberg (1934-1979), onde vive um professor ridicularizado pelos alunos e que vem a se tornar um violento assassino numa pacata cidade após o divórcio da esposa.


VITÓRIA EM ETEBBE (1976)
Em 1976, Kirk participa de Vitória em Etebbe (Victory at Entebbe), sob direção de Marvin J. Chomsky. A dramática história da missão de resgate contraterrorista levada a cabo pelas Forças de Defesa de Israel no Aeroporto Internacional de Entebbe em Uganda no dia 4 de julho de 1976. Com Douglas ainda participam Burt Lancaster, Richard Dreyfuss, Elizabeth Taylor, Linda Blair, e Helmut Berger. A mesma trama foi levada aos cinemas no mesmo ano como Resgate Fantástico (Raid On Entebbe), sob direção de Irvin Kershner e estrelado por Charles Bronson e Peter Finch.


THE MONEYCHANGERS (1976)- MINISÉRIE
Ainda em 1976, Douglas participa da minissérie Arthur Hailey's the Moneychangers, exibida em quatro capítulos e baseada no romance de Arthur Hailey, reunindo uma constelação milionária de estrelas, como Christopher Plummer, Susan Flannery, Anne Baxter, Ralph Bellamy, Joan Collins, Jean Peters, Lorne Greene, entre outros. 

Kirk Douglas, o Diretor
AS AVENTURAS DE UM VELHACO (1973)
Em 1973, Kirk estreia atrás das câmeras (e na frente delas) em As Aventuras de um Velhaco (Scalawag), uma aventura dos sete mares onde tem no elenco Mark Lester, Neville Brand, e Lesley Anne-Down.


AMBIÇÃO ACIMA DA LEI (1975)
Ambição Acima da Lei (Posse), segundo filme para o cinema dirigido pelo ator onde também estrela, é um faroeste que entusiasmou os críticos por seu substrato de alegoria política, justamente quando os EUA, em 1975 (ano em que foi produzido) padecia das agruras recentes do Vietnã e a consciência americana clamava por honra e dignidade.


Rendido por Bruce Dern: AMBIÇÃO ACIMA DA LEI (1975)
Douglas interpreta um delegado que está em campanha para o Senado, e que para conseguir votos e simpatia do eleitorado, caça um foragido da lei muito astuto, vivido por Bruce Dern. Longe de ser o “mocinho”, o delegado vivido por Douglas é o retrato da manipulação e da propaganda enganosa perante um povo acovardado, que aos poucos, percebe que ele não é aquilo que ele diz ser.


Kirk Douglas, ator e diretor de AMBIÇÃO ACIMA DA LEI (1975)
Sobre a arte da direção, Kirk Douglas declarou em uma entrevista realizada em setembro de 1978:

- Esperei demais para enfrentar a direção cinematográfica.Mas foi uma experiência excitante, embora eu não tivesse obtido o sucesso que esperava. O primeiro filme que fiz (As Aventuras de um Velhaco)se destinava as crianças, mas era forte demais para elas e insuficientemente dramático para adultos. Em "Posse" (Ambição Acima da Lei), quis fazer um western diferente, que poderia ser intitulado de "Western Watergate". Aí raciocinei: em todos os filmes de mocinho há sempre um xerife procurando bandidos. E se meu xerife fosse um homem com ambições políticas que desejasse ser Presidente dos EUA? Mas o filme foi um fracasso nos Estados Unidos e fez sucesso na Inglaterra. Por isso me convenci que é mais fácil ser ator do que diretor. E também é mais fácil obter dinheiro quando, além de dirigir um filme, você o interpreta também. Depois de ter experimentado a direção, tenho mais simpatias pelos atores, é uma profissão solitária. A câmera é fria mas ela registra tudo que esta diante dela. Portanto fica fácil dizer: Isto esta bem, isto esta mal, por trás da câmera. Mas quando estamos diante dela, corremos riscos maiores. Hoje sou muito compreensivo com atores, mas não quero mais dirigir filmes. 


OUTROS TRABALHOS IMPORTANTES PARA CINEMA
Com Deborah Raffin: UMA VEZ SÓ NÃO BASTA (1975)
Em 1975, Kirk atua no drama Uma Vez Só não Basta (Once Is Not Enough), sob direção de Guy Green e estrelado por David Janssen, George Hamilton, Alexis Smith, e Deborah Raffin, baseado no último Best Seller de Jacqueline Susann (1918–1974).


HOLOCAUSTO 2000
Em 1977, Douglas investe em uma obra de ficção e horror rodada na Itália, Holocausto 2000 (Holocaust 2000), do diretor Alberto De Martino, contracenando com Agostina Belli. Nessa película, o astro Douglas aparece pela segunda vez nu (a primeira havia sido em Ninho de Cobras,1970)e a cena foi sugerida pelo próprio ator ao diretor italiano, mas conforme Douglas em depoimento, não há nada de pornográfico, mas do anticristo voltando para destruir a humanidade. E tal cena foi feita a uma certa distância estando Kirk de costas.

A FURIA 

Em 1977, Kirk Douglas participa de um dos trabalhos mais polêmicos do diretor Brian De Palma, A Fúria (The Fury). Apesar das críticas negativas, o grande público gostou do “show” de pirotecnia e o filme arrecadou 10,8 milhões de dólares só no mercado norte-americano. Imantação sobrenatural, horror explícito, e suspense, são as marcas registradas desse grande espetáculo, que versa sobre um ex agente secreto (Douglas)que vai em busca do filho paranormal de 20 anos (Andrew Stevens) sequestrado por um ex amigo do pai, vivido por John Cassavetes (1929-1989).


Com Andrew Stevens, em A FÚRIA (1977), de Brian De Palma
Apesar de sua visão antissionista, Douglas sempre se declarou favorável ao Estado de Israel e chegou a se justificar:

- Em outros tempos, eu acreditava que um ator podia e devia usar seu trabalho como veículo de suas ideias e convicções. Hoje, não penso mais assim. É uma atitude ingênua e serve para criar certa confusão em torno do trabalho do ator porque o público acaba confundindo em uma coisa só interpretação e engajamento. Mas falando de "The Fury", posso dizer que não poderia recusar um filme tão interessante feito por um diretor tão talentoso. "The Fury" vai provocar muitas reações fortes, ninguém vai ficar indiferente. Vi as reações das plateias quando fui ao lançamento em Tóquio. 


A FÚRIA de Kirk Douglas
Para Kirk, trabalhar com o diretor Brian De Palma foi um prazer e declarou em uma entrevista na época do lançamento: 

- “É como trabalhar com um de meus filhos, muito estimulante. Além disso, diretores como ele tem muito respeito pelos trabalhos de outrora. De Palma brincava comigo durante as filmagens, me fazendo adivinhar cenas de certos filmes que interpretei. Ele representava para mim cenas que eu já havia esquecido há muito tempo”.

Em 1979, Kirk faria outro filme para De Palma, Terapia de Doidos (Home Movies), uma comédia "fora de praia" ao estilo do cineasta, sem muito sucesso.

 CACTUS JACK – O VILAO
Com Ann-Margret e Arnold Schwarzenegger em
CACTUS JACK, O VILÃO (1979)
Paródia dos filmes de faroeste com gags de desenhos animados, pela primeira vez em sua longa e rica carreira, Kirk Douglas interpreta um papel mais do que cômico no western humorístico Cactus Jack, o Vilão (The Villain), realizado em 1979 e dirigido por um especialista em ação, Hal Needham, ex dublê e ator. 



Douglas interpreta o fora da lei Cactus Jack Slade, que espera a chegada de um trem para atacar, mas ao invés disso, resolver perseguir uma bela mulher (Ann-Margret) e seu “protetor” musculoso (Arnold Schwarzenegger). O “Vilão” do título original se afronta com a bela e o fortão no cenário do grandioso Monument Valley, terra dos heroicos pioneiros da grande América. Entretanto, o "duelo" é cercado de ironias e paródias digna dos grandes Cartoons. Com a baixa dos faroestes nas bilheterias (o gênero praticamente estava se extinguindo no final da década de 1970) e a ideia de ver Douglas num papel não muito digno de sua personalidade e talento não tiveram a aprovação do grande público.


OS ANOS DE 1980
Com Farrah Fawcett em SATURNO 3 (1980)
NIMITZ- DE VOLTA AO INFERNO (1980)


A década de 1980 continua sendo uma das mais produtivas na carreira de Kirk Douglas. Em 1980, estrelou com a pantera Farrah Fawcett (1947-2009) a ficção com tons de erotismo Saturno 3 (Saturn 3), sob direção de Stanley Donen. No mesmo ano, estrelou Nimitz - De Volta ao Inferno (The Final Countdown), sob direção de Don Taylor, uma mistura de filme de guerra com ficção científica, ao narrar sobre um porta-aviões moderno que se desloca misteriosamente para o ano de 1941, próximo ao Havaí, poucas horas antes do ataque japonês a Pearl Harbor.

Com John Schneider: CAÇADA IMPIEDOSA (1983)
Abraçando Pat Morrita, ao lado de Dorothy McGuire, e
Elizabeth Montgomery sentada: AMOS (1985)

Em 1983, Kirk estrela com o ídolo televisivo do momento, John Schneider (astro da série Os Gatões, 1979-1985)o policial Caçada Impiedosa (Eddie Macon's Run), sob direção de Jeff Kanew, onde interpreta um implacável detetive que persegue um jovem presidiário, vivido por Schneider. Em 1985, Douglas estrela um trabalho para a televisão, ao lado da “feiticeira” Elizabeth Montgomery (1933-1995) o drama Amos (Amos), baseado no romance de Stanley Gordon West, sobre um idoso que perde sua esposa em um acidente e sem parentes próximos por perto acaba indo para um asilo, onde sofre maus tratos da enfermeira vivida por Montgomery, contudo não se deixando abalar pelas agressões. Na época, Douglas, aos 68 anos,  fez uma campanha massiva perante o Senado Americano contra o abuso e o abandono de idosos.


BURT LANCASTER E
OS  ÚLTIMOS DURÕES
O RELACIONAMENTO ENTRE KIRK & BURT.
Burt Lancaster & Kirk Douglas. "Grandes Amigos" perante a
Imprensa e o público.


Hoje, sabe-se que a relação entre estes dois titãs da cinematografia mundial, Burt Lancaster e Kirk Douglas, fora das telas não era das melhores. Poderia se imaginar grandes bons amigos por atuarem juntos em sete filmes - Vitória em Entebbe (1976) (TV), Os Últimos Durões (1986), Sete Dias de maio (1964), A Lista de Adrian Messenger (1963), Estranha Fascinação (1948), Sem Lei e Sem Alma (1957), e O Discípulo do Diabo (1959), devido em grande parte ao fascínio que os dois grandes astros exerciam nas telas. Contudo, o elo entre os dois não passava apenas de uma grande jogada publicitária promovida pelo agente de Kirk Douglas. Muitas vezes, Burt tratava Douglas com ironia, algumas vezes com crueldade, e as vezes indiferença. Contudo, houve poucos momentos que os dois pudessem realmente se entender.
SEM LEI E SEM ALMA (1957) de John Sturges.
Grande Sucesso da dupla.
Recentemente, numa entrevista concedida ao jornal O Globo, por email, Kirk chegou a mencionar Burt Lancaster e John Wayne em suas lembranças:

- Em “Sem lei e sem alma”, o nome do Burt Lancaster era o primeiro, mas ganhei o dobro do salário dele, porque Burt tinha contrato com o estúdio, e eu não. Interessante que fiz sete filmes com ele, e as pessoas acham que éramos superamigos. Não tínhamos uma relação de amizade fora do ciclo de trabalho. Nos respeitávamos, mas nunca fomos grandes amigos. E a gente até competia bastante. Num outro exemplo, fiz quatro filmes com o John Wayne, e a gente discutia política o tempo todo. Mas sinto falta deles todos.

OS ÚLTIMOS DURÕES (1986): O Último encontro de duas inegáveis
lendas do cinema internacional: Burt Lancaster e Kirk Douglas.
OS ÚLTIMOS DURÕES (1986)


Burt e Kirk se reencontraram pela última vez nas telas em Os Últimos Durões (Tough Guys), em 1986, sob direção de Jeff Kanew. Lancaster, na época com 73 anos e Douglas, prestes a fazer 70, são duas legendas homenageadas nesta comédia que nada mais é do que uma crítica a sociedade e de como ela trata seus idosos, sendo dois assaltantes veteranos, que mesmo depois de ter cumprido mais de 30 anos de prisão e sendo humilhados pelas pessoas, eles decidem dar uma última cartada: assaltar um trem que está prestes a se aposentar depois de 50 anos de serviços, e provar que são mesmo Os Últimos Durões.

OUTROS TRABALHOS
Com Mia Sara: QUEENIE (1987) - Para a TV
Kirk encerrou com estilo o fim da década de 1980, realizando alguns poucos trabalhos para televisão, como a minissérie Queenie, realizada em 1987.

Em aparição cameo em OSCAR, MINHA FILHA QUER CASAR (1991)
VERAZ (1991)
Em 1991, Kirk é convidado a viver por poucos momentos (e sem créditos) o pai de Sylvester Stallone na comédia Oscar, Minha Filha quer Casar (Oscar), sob direção de John Landis. Douglas aceitou o papel após a recusa de Victor Mature. No mesmo ano, Douglas embarca para a França e estrela uma produção local, Veraz, sob direção de Xavier Castano, nunca exibido no Brasil.

Com Michael J. Fox: OS PUXA SACOS (1994)
Com Lauren Bacall, em EM BUSCA DOS DIAMANTES (1999)

Reminiscências de Midge Kelly em EM BUSCA DOS DIAMANTES(1999), filme para a Miramax.
Em 1994, Douglas vira “tio” de Michael J. Fox na comédia Os Puxa Sacos (Greedy), de Jonnathan Lynn. Em 1999, se une a amiga e benfeitora Lauren Bacall em outra comédia para a Miramax, Em Busca dos Diamantes (Diamonds), sob direção de John Asher, co-estrelado por Dan Aykroyd. Detalhe: Douglas vive um ex-pugilista, e reminiscências de seu Midge Kelly do clássico O Invencível de 1949 são mesmo inevitáveis, já que tem como missão inspirar e ajudar um jovem lutador.
Kirk com seu filho Michael e seu neto Cameron:
ACONTECE NAS MELHORES FAMÍLIAS (2003)
Com sua ex-esposa na vida real, Diana Douglas:
ACONTECE NAS MELHORES FAMÍLIAS (2003)
Em 2003, Kirk Douglas realiza o sonho de trabalhar ao lado do filho Michael Douglas, do neto Cameron Douglas, e ainda de soma, a ex-mulher do ator (e amiga), Diana Douglas, mãe de Michael, na comédia Acontece nas Melhores Famílias (It Runs in the Family), do diretor Fred Schepisi. Diana Douglas viria a falecer em 2015. 

CASAMENTO E FAMÍLIA

Kirk e Diana Douglas. Diana era mãe do ator
Michael Douglas.
Como se sabe, Diana Douglas foi a primeira esposa de Kirk Douglas. Se conheceram quando ela estudava arte dramática em Nova Iorque e se divorciaram em 1951. 


Kirk e sua segunda esposa - Anne Buydens Douglas.
Casados há 63 anos.
Kirk e Anne

Kirk e Anne Douglas.
Em 1954, durante o Festival de Cinema em Cannes, conheceu Anne Buydens, de origem belga. Se apaixonaram e se casaram 29 de maio de 1954, e desde então, Anne Douglas tem formado com o marido Kirk um dos mais extraordinários casais de Hollywood, uma coisa muito rara, ao longo de mais de 60 anos de união.


Kirk e os filhos Peter e Eric.
Anne e Kirk em 2006
Anne deu mais dois filhos para Kirk: Peter (nascido em 1955) e Eric (nascido em 1958). Eric viria a falecer em 2004, por abuso de barbitúricos. Kirk Douglas ainda é avô de sete netos: Cameron Douglas (nascido em 13 Dezembro de 1978), Dylan Michael Douglas (nascido em 8 de agosto de 2000), Carys Zeta Douglas (nascido a 20 de abril de 2003)- filhos Michael Douglas; e Kelsey (nascido em 1992), Tyler (nascido em 1996), Ryan (nascido em 2000) e Jason (nascido em 2003)- filhos de seu outro filho, Peter Douglas.


Na França, onde Kirk recebeu a Legião de Honra, em 1985.
Ao lado, a esposa Anne, o Filho Michael Douglas, e a atriz
Gina Lollobrigida.
Kirk, cercado da nora Catherine Zeta-Jones, da esposa Anne e
do filho Michael.
Kirk declarou há alguns dias quando perguntado sobre a relação com os filhos:


- Michael e Joel são filhos do meu primeiro casamento, que não durou muito. Eu chegava a fazer três filmes por ano e nunca estava em casa. Fui um pai ausente. Joel se tornou produtor. Michael ganhou dois Oscars (produtor e ator) antes de mim. Só ganhei pelo reconhecimento da minha obra cinematográfica. No meu segundo casamento tive mais dois filhos: Peter e Eric. Eu estava muito mais presente, mas acabei perdendo o mais novo, Eric, de overdose, em 2004. Ele era um comediante de stand up tentando encontrar seu lugar no mundo. Infelizmente não aguentou a pressão de ter pai e irmão famosos e bem-sucedidos.



KIRK DOUGLAS, O FILHO DO TRAPEIRO

Em 1978, Kirk Douglas almejava escrever sua autobiografia. Contudo, seus projetos literários não ficariam apenas com um único livro. Kirk declarou em entrevista neste mesmo ano o que achava de sua carreira como escritor:

-Tenho dois livros em projeto. O primeiro é um romance, e o segundo é a história da minha vida. Este último pode parecer banal, mas está na moda os atores contarem sobre suas vidas. Mas o meu propósito seria diferente porque meu propósito é contar aos meus quatro filhos certos episódios de minha vida que eles desconhecem. Creio também que represento o último ator de certa época, a do filho de emigrantes que chega ao auge do sucesso e da celebridade graças ao esforço pessoal. Meus pais eram pobres e analfabetos, minha mãe aprendeu a ler e a escrever comigo. Dei um Salto da Idade Média, representada pelo obscurantismo de minha família, para a época moderna porque pude frequentar a universidade e aprender minha profissão.


O FILHO DO TRAPEIRO - Livro autobiográfico de Kirk Douglas.
Edição lançada no Brasil.
THE RANGMAN’S SON (o Filho do Trapeiro), de autoria de Kirk Douglas, já foi publicado no Brasil pela Editora Civilização Brasileira. No livro, Kirk chega a contar como deu carona certa vez a um marinheiro, e quando o rapaz entrou no carro e reconheceu o famoso motorista, exclamou muito surpreso: “Você sabe quem é você???”

Para Douglas refletir sobre isso não foi piada. Foi uma pergunta que ele diversas vezes fez ao longo da vida. Precisava saber quem era para representar os papéis que fez: “Você pode estar representando alguém que perdeu todo o controle de seus sentidos, mas deve haver uma parte de você dirigindo tudo”.


Anne e Kirk: Uma união de mais de 60 anos.
Em abril de 2017, Kirk lançará um novo livro sobre a
vida do casal.
Kirk levou 25 anos para escrever sua autobiografia. Entre outros detalhes, ele admite que era um sedutor incorrigível, fato talvez que levou a sua separação da esposa Diana. A se levar a sério a sinceridade de Douglas, estaríamos diante de um garanhão soberbo, de inesgotável vitalidade e infinita capacidade de se interessar por qualquer espécie de saias.Renunciando ao relato de casos menos importantes, o ator esmiúça com a alegria de um fauno empedernido suas performances sexuais com algum dos grandes mitos do cinema.


Kirk e Rita Hayworth: Um breve namoro!
Com Rita Hayworth, por exemplo, sugere que não buscou a famosa Gilda, mas a mulher despida do mito, o que parece tê-la envaidecido. Com Joan Crawford, a experiência foi traumática. Porém, segundo Douglas, a experiência mais traumática foi por conta de seu longo noivado com Pier Angeli, a quem considerava como um modelo de virtude até o dia em que ela o traía com uma constância verdadeiramente espantosa.


Kirk e Pier Angeli
Num balanço geral do livro, mesmo que Douglas aborde alguns assuntos pertinentes, como o Macarthismo, a hipocrisia dos agentes cinematográficos, e o despotismo dos grandes estúdios, a impressão que fica é a de um autor muito preso as minúcias, empenhado em relatar, de modo cronológico, seus trabalhos.


Kirk e Anne, em evento beneficente, saboreando guloseimas.
Ainda assim, mantém uma atividade literária invejável até hoje e vai lançar seu 12º livro em abril de 2017: “Kirk and Anne: a Hollywood life”, sobre as mais de seis décadas de seu casamento com Anne Douglas, também atriz, de 97 anos.


Capa da Revista Manchete de 1963.
Kirk Douglas e Anne no Rio de Janeiro, em pleno carnaval.
KIRK DOUGLAS E O BRASIL
Kirk em folia no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, fantasiado
de Spartacus.
Kirk Douglas já visitou nosso país. Já esteve em São Paulo, Rio de Janeiro, e em Brasília. No Rio de Janeiro, passou o carnaval de 1963, e ele e sua esposa Anne ficaram hospedados no famoso Copacabana-Palace. Douglas ainda brincou o carnaval fantasiado de gladiador, bem ao estilo Spartacus, no Theatro Municipal.

PROBLEMAS DE SAÚDE

Kirk de braços dados com seu filho Michael, saindo de uma
fisioterapia.
No início da década de 1980, Kirk Douglas já enfrentava alguns problemas cardíacos, o que fez com que implantassem no ator um marca-passo. Em 1991, escapou vivo de um acidente de helicóptero, no qual dois tripulantes morreram. Teve o corpo todo queimado, mas se recuperou. 


Em 1996 um derrame afetou parcialmente sua capacidade de falar, mas veio a se recuperar com o auxílio de uma fonoaudióloga, que inclusive o preparou para o discurso de agradecimento à premiação do Oscar, quando recebeu das mãos de seus filhos uma estatueta em honra a sua obra cinematográfica.

Kirk e Michael Douglas
Kirk Douglas também se arrepende de ter feito muitas cenas de ação em seus filmes sem dublês. Por conta disso, ele hoje tem uma grave crise na coluna e seus joelhos são próteses. 


POLÍTICA

O roteirista Dalton Trumbo
Inimigo figadal das políticas de opressão, Kirk Douglas sempre foi membro do Partido Democrata Americano e foi extremo opositor da perseguição promovida pelo Senador Joseph McCarthy aos “comunistas” de Hollywood. Recuperou o escritor Dalton Trumbo, um dos banidos pelo comitê de Atividades Antiamericanas, e foi defensor incessante de inúmeras causas.

Em 2015, foi lançado o filme Trumbo - A Lista Negra (Trumbo), do diretor Jay Roach, onde o roteirista é vivido por Bryan Cranston, e Dean O' Gorman interpreta Kirk Douglas, com Helen Mirren vivendo a grotesca Hedda Hopper, Michael Stuhlbarg no papel de Edward G. Robinson, e David James Elliott como John Wayne. 


Kirk e Anne - 2013
Patriota, Douglas já fez censuras aos europeus que criticavam os Estados Unidos:

-Esses que criticam a América são os que não conhecem verdadeiramente. Caso contrário, nunca criticariam. Meus pais eram russos emigrantes. Eu não tinha nada e hoje sou milionário. Isso é possível num país que estimula o homem e o ajuda a forçar seu próprio sucesso. Amo os Estados Unidos porque este é o único país do mundo onde o sonho pode se tornar realidade – Declarou Douglas a uma entrevista concedida em 1979.


A estrela de Kirk no Calçadão da Fama.
Recebeu do Presidente Bill Clinton a mais alta condecoração civil dos Estados Unidos, a President Medal of Freedom, em 1994. Em 2016, prestes a completar seu centenário, foi questionado sobre a polêmica eleição americana e em quem votaria, se em Hillary Clinton ou em Donald Trump:

- Não quero opinar sobre esta eleição, não tenho mais idade para polêmicas, mas eu sempre fui membro do Partido Democrata –frisou Douglas.




O CINEMA MODERNO

Kirk Douglas sempre foi considerado uma pessoa gentil para com os jornalistas e fãs. Uma vez ele foi questionado, no fim dos anos de 1970, sobre a nova geração de atores que tomava conta do mercado americano no então período, como Dustin Hofmann, Robert De Niro, e Al Pacino:

-São todos muito talentosos – disse Kirk – o único defeito deles é serem parecidos uns com os outros. Isto os limita. Um ator tem que variar sua interpretação.


Sobre a moda dos “filmes-disco”, no fim dos anos 70, como Os Embalos de Sábado a Noite, frisou Kirk Douglas: 

- Primeiro foi a voga dos filmes de catástrofe. Depois veio a dos filmes de efeitos especiais. Finamente, entramos na fase do “filme-disco”. Tudo isso é muito mal para o cinema, porque diminui a qualidade da arte cinematográfica. É preciso lutar contra os filmes que não ajudam a levantar o nível de produção e realização.

Sobre qual o diretor com quem mais gostou de trabalhar, Kirk respondeu:

- Todos foram muito bons. Não tenho nenhum preferido, e cada um tinha suas qualidades e estilos.


Quando recentemente questionado neste ano de 2016, sobre que tipo de cinema o fascinava, Kirk respondeu:

- Não vou mais ao cinema, só vejo o que o Michael (Michael Douglas, seu filho) faz. E tem um fato curioso: fui convidado para fazer o Coronel Trautman, amigo do Rambo, no primeiro filme. Sugeri que meu personagem matasse o Rambo no final, não concordaram, acabei desistindo. E quase evitei que o (Sylvester) Stallone faturasse milhões com todas aquelas sequências. Já me encontrei com ele e rimos muito disso. 


CEM ANOS DE UM MITO VIVO
DAS TELAS
O Patriarca Kirk Douglas, cercado pela família, para comemorar
seus cem anos.
Kirk Douglas comemorou no último dia 9 de dezembro seu centésimo aniversário! A festa de 100 anos de idade do ator foi organizada por seu filho, Michael Douglas e sua nora, Catherine Zeta-Jones, conforme o próprio Kirk contou para a revista Closer Weekly:

- Vamos receber na festa umas 200 pessoas, e isso é tudo que eu sei. Meu único trabalho é ficar bem e descansar para que eu possa aparecer e ser charmoso. E, claro, treinar meu discurso que estou praticando com o meu terapeuta da fala para que as pessoas me entendam.

Kirk recebendo beijos de seu filho Michael e de sua nora
Catherine Zeta-Jones.
Kirk cercado pelos amigos, em celebração de seu centenário.


Quando Kirk foi questionado sobre sua longevidade, se ele teria algum segredo para chegar aos cem anos, ele respondeu:

- Sempre me pedem conselhos sobre viver uma vida longa e saudável. Eu não tenho nenhum. Eu acredito, no entanto, que temos um propósito para estar aqui. Eu fui poupado depois de um acidente de helicóptero e um derrame para fazer mais bem no mundo antes de deixá-lo.


Michael Douglas faz a apresentação da homenagem ao pai.
E além de comemorar seus 100 anos de idade, neste corrente ano o ator também completou 63 anos de casado com Anne, que tem 97 anos de idade. E o ator não perdeu a oportunidade de se declarar para a esposa e atribuir a ela o segredo para viver tanto tempo:

- Eu tive a sorte de encontrar minha alma gêmea há 63 anos atrás, e eu acredito que o nosso maravilhoso casamento e as nossas conversas noturnas me ajudaram a sobreviver a todas as coisas.


Um brinde a um dos maiores astros de todos os tempos!!!
Parabéns a Kirk Douglas!!!


Parabéns para você, KIRK DOUGLAS! Que ainda alcance muitos anos pela frente, sendo sempre um exemplo de superação e força, e além disso, de um legado vivo que proporcionou para as plateias do mundo toda sua arte e estilo. Os fãs e admiradores agradecem pelas suas interpretações, onde você foi, sem dúvida, o grande detentor de muitos dos grandes clássicos assinados por grandes diretores. A você, Kirk, sempre o amaremos. Céu e Terra passarão, mas as suas performances serão eternas: Midge Kelly, Ricky Martin, Chuck Tatum, Detetive James McLeod, Van Gogh, Jonathan Shields, Ulysses, Ned Land, Dempsey Rae, Coronel Dax, Doc Holliday, Marechal Matt Morgan, Spartacus...e tantos e tantos outros que cativaram os amantes da Sétima Arte ao longo de sete décadas, e com certeza, ainda cativarão gerações que estão por vir. Deus o abençoe, Kirk, HOJE E SEMPRE, a você e toda sua família.


VIDA LONGA PARA “SPARTACUS”
Vida longa para Kirk DOUGLAS!

Por Paulo Telles.
17 de dezembro de 2016


Filmografia


Como Ator

1946 – O TEMPO NÃO APAGA (The Strange Love of Martha Ivers). Direção: Lewis Milestone.
1947 – CONFLITO DE PAIXÕES (Mourning Becomes Electra).
Direção: Dudley Nichols.
1947 – FUGA AO PASSADO (Out of the Past).
Direção: Jacques Tourneur


ESTRANHA FASCINAÇÃO (1948): O Primeiro Filme de Kirk com Burt.
1948 – ESTRANHA FASCINAÇÃO (I Walk Alone).
Direção: Byron Haskin
1948- AS MURALHAS DE JERICÓ (The Walls of Jericho).
Direção: John M. Stahl
1948 – MINHA SECRETÁRIA FAVORITA (My Dear Secretary).
Direção: Charles Martin.


Com Marilyn Maxwell: O INVENCÍVEL (1949)
1949- QUEM É O INFIEL? (A Letter to Three Wives).
Direção: Joseph L. Mankiewicz
1949- O INVENCÍVEL (Champion).
Direção: Mark Robson.
1950- ÊXITO FUGAZ (Young Man with a Horn)
Direção: Michael Curtiz.
1950- ALGEMAS DE CRISTAL (The Glass Menagerie)
Direção: Irving Rapper
1951 – EMBRUTECIDOS PELA VIOLÊNCIA (Along the Great Divide).
Direção: Raoul Walsh
1951 – A MONTANHA DOS SETE ABUTRES (Ace in the Hole).
Direção: Billy Wilder.


CHAGA DE FOGO (1951), de William Wyler
1951- CHAGA DE FOGO (Detective Story)
Direção: William Wyler.
1951- FLORESTA MALDITA (The Big Trees).
Direção: Felix E. Feist
1952- O RIO DA AVENTURA (The Big Sky).
Direção: Howard Hawks
1952 – ASSIM ESTAVA ESCRITO (The Bad and the Beautiful)
Direção: Vincente Minnelli


Como palhaço em O MALABARISTA (1953)
1953- A HISTÓRIA DE TRÊS AMORES (The Story of Three Loves)
Direção: Vincente Minnelli, Gottfried Reinhardt
1953- O MALABARISTA (The Juggler)
Direção: Edward Dmytryk
1953- MAIS FORTE QUE A MORTE (Un acte d'amour)
Direção: Anatole Litvak


Com Rossana Podesta: ULYSSES (1954)
1954- ULYSSES (Ulisse).
Direção: Mario Camerini
1954- 20.000 LÉGUAS SUBMARINAS (20,000 Leagues Under the Sea)
Direção: Richard Fleischer


Com Bella Darvi: CAMINHO SEM VOLTA (1955)
1955 – CAMINHO SEM VOLTA (The Racers)
Direção: Henry Hathaway
1955- HOMEM SEM RUMO (Man Without a Star)
Direção: King Vidor
1955- A UM PASSO DA MORTE (The Indian Fighter)
Direção: Andre De Toth.



SEDE DE VIVER (1957): Anthony Quinn e Kirk Douglas.
Divulgação do filme nas salas do Rio de Janeiro.
1956 – SEDE DE VIVER (Lust for Life)
Direção: Vincente Minnelli
1957- LÁBIOS SELADOS (Top Secret Affair)
Direção: H.C.Porter
1957- SEM LEI E SEM ALMA (Gunfight OK Corral)
Direção: John Sturges
1957- GLÓRIA FEITA DE SANGUE (Paths of Glory)
Direção: Stanley Kubrick


Com Janet Leigh: VIKINGS, OS CONQUISTADORES (1958)
1958- VIKINGS, OS CONQUISTADORES (The Vikings)
Direção: Richard Fleischer
1959- DUELO DE TITÃS (Last Train from Gun Hill)
Direção: John Sturges
1959- O DISCÍPULO DO DIABO (The Devil's Disciple)
Direção: Guy Hamilton
1960- O NONO MANDAMENTO (Strangers When We Meet)
Direção: Richard Quine


Lançamento de SPARTACUS nas salas cariocas, em 1961.
SUA ÚLTIMA FAÇANHA (1962): O Filme predileto de Kirk.
1960- SPARTACUS (Spartacus).
Direção: Stanley Kubrick
1961- CIDADE SEM COMPAIXÃO (Town Without Pity)
Direção: Gottfried Reinhardt
1962- SUA ÚLTIMA FAÇANHA (Lonely Are the Brave)
Direção: David Miller


Com Cyd Charise: CIDADE DOS DESILUDIDOS (1962)
1962- A CIDADE DOS DESILUDIDOS (Two Weeks in Another Town)
Direção: Vincente Minnelli.
1963- SEDE DE VINGANÇA (The Hook)
Direção: George Seaton;
1963- A LISTA DE ADRIAN MESSENGER (The List of Adrian Messenger)
Direção: John Huston
1963- POR AMOR OU POR DINHEIRO (For Love or Money)
Direção: Michael Gordon


SETE DIAS DE MAIO (1964) - Lancaster e Douglas
1964- SETE DIAS DE MAIO (Seven Days in May)
Direção: John Frankenheimer
1965- A PRIMEIRA VITÓRIA (n Harm's Way)
Direção: Otto Preminger
1966- OS HERÓIS DE TELEMARK (The Heroes of Telemark)
Direção: Anthony Mann.
1966-  A SOMBRA DE UM GIGANTE (Cast a Giant Shadow)
Direção: Melville Shavelson


A SOMBRA DE UM GIGANTE (1966): Com John Wayne
1966- PARIS ESTA EM CHAMAS? (Paris brûle-t-il?)
Direção: Rene Clement
1967- DESBRAVANDO O OESTE (The Way West)
Direção: Andrew V. Mclaglen
1967- GIGANTES EM LUTA (The War Wagon)
Direção: Burt Kennedy
1968- ENTRE O DESEJO E A MORTE (A Lovely Way to Die)
Direção: David Lowell Rich
1968- SANGUE DE IRMÃOS (The Brotherhood)
Direção: Martin Ritt
1969- MOVIDOS PELO ÓDIO (The Arrangement)
Direção: Elia Kazan
1970-NINHO DE COBRAS (There Was a Crooked Man...)
Direção: Joseph L. Mankiewicz


Capa de DVD em edição americana do filme
O FAROL DO FIM DO MUNDO (1971)
1971- O FAROL DO FIM DO MUNDO (The Light at the Edge of the World)
Direção: Kevin Billington
1971-O DUELO (A Gunfight)
Direcão: Lamont Johnson
1971- COMO AGARRAR UM ESPIÃO (Catch Me a Spy)
Direção: Dick Clement
1972 – UM TOQUE DE MESTRE (Un uomo da rispettare)
Direção: Michele Lupo
1973- AS AVENTURAS DE UM VELHACO (Scalawag)
Direção: Kirk Douglas


NINHO DE COBRAS (1970)
1975- AMBIÇÃO ACIMA DA LEI (Posse)
Direção: Kirk Douglas
1975- UMA VEZ SÓ NÃO BASTA (Once Is Not Enough)
Direção: Guy Green
1977- HOLOCAUSTO 2000 (Holocaust 2000)
Direção: Alberto De Martino
1977- A FÚRIA (The Fury)
Direção: Brian De Palma
1979- CACTUS JACK, O VILÃO (The Villain)
Direção: Hal Needham
1979- TERAPIA DE DOIDOS (Home Movies)
Direção: Brian De Palma


Com Farrah Fawcett: SATURNO 3 (1980)
1980- SATURNO 3 (Saturn 3)
Direção: Stanley Donen
1980- NIMITZ, DE VOLTA AO INFERNO (The Final Countdown)
Direção: Don Taylor
1982- HERANÇA DE UM VALENTE (The Man from Snowy River)
Direção: George Miller
1983- CAÇADA IMPIEDOSA (Eddie Macon's Run)
Direção: Jeff Kanew
1986- OS ÚLTIMOS DURÕES (Tough Guys)
Direção: Jeff Kanew
1991- OSCAR, MINHA FILHA QUER CASAR (Oscar)
Direção: John Landis


VERAZ (1991) -Não exibido no Brasil e inédito aqui.
1991 – VERAZ (Veraz)
Direção: Xavier Castano
1994- OS PUXA SACOS (Greedy)
Direção: Jonathan Lynn
1999- EM BUSCA DOS DIAMANTES (Diamonds)
Direção: John Asher
2003- ACONTECE NAS MELHORES FAMÍLIAS (It Runs in the Family)
Direção: Fred Schepisi

PARA TELEVISÃO

1954- THE JACK BENNY SHOW – Levado ao ar em 17 de outubro de 1954. Direção: Ralph Levy
1973- O MÉDICO E O MONSTRO (Dr. Jekyll and Mr. Hyde)
Direção: David Winters
1973- UM ASSASSINO NA CIDADE (Mousey)
Direção: Daniel Petrie
1976- VITÓRIA EM ETEBBE (Victory at Entebbe)
Direção: Marvin J. Chomsky
1976- THE MONEYCHANGERS
Direção: Sem Informação
1982- LEMBRANÇAS DE UM AMOR (Remembrance of Love)
Direção: Jack Smight
1984- DUELO DE AMIGOS (Draw!)
Direção: Steven Hilliard Stern
1985- AMOS (Amos)
Direção: Michael Tuchner
1987- QUEENIE (Queenie)
Direção:  Sem Informação


Com Jason Robards, na adaptação televisiva de
O VENTO SERÁ TUA HERANÇA (1988)
O VENTO SERÁ TUA HERANÇA (1988-TV). Kirk
no personagem que foi de Fredric March no
cinema.
1988- O VENTO SERÁ TUA HERANÇA (Inherit the Wind)
Direção: David Greene.
1991- CONTOS DA CRIPTA – Episódio: Yellow – Levado ao ar em 28 de agosto de 1991. Direção: Robert Zemeckis
1992- O SEGREDO (The Secret)
Direção: Karen Arthur
1996- OS SIMPSONS –Episódio: The Day the Violence Died. Levado ao ar em 17 de março de 1996. Apenas dublagem.
Direção: Wesley Archer
2000- O TOQUE DE UM ANJO: Episódio: Bar Mitzvah. Levado ao ar em 12 de março de 2000.
Direção: Jeff Kanew
2008- Meurtres à l'Empire State Building. Direção: William Karel.


Um verdadeiro Mestre.
COMO PRODUTOR
 1975- Ambição Acima da Lei
 1971- O Duelo
 1971- O Farol do Fim do Mundo
 1971- Árvore da Solidão
 1968- Sangue de Irmãos
 1966- Grand Prix
 1960- Spartacus
 1960- O Nono Mandamento
1957- Glória Feita de Sangue
COMO DIRETOR
1973- As Aventuras de Um Velhaco
1975- Ambição Acima da Lei

Produção e pesquisa
De
PAULO TELLES

Outras Matérias

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