domingo, 28 de agosto de 2016

Ben-Hur: A Saga Imortal Através dos Tempos – Parte 2


Continuando a matéria sobre BEN-HUR onde já foi abordada sobre a origem do romance publicado em 1880 e escrito pelo General Lewis Wallace (1827-1905), militar e político americano, herói da União durante a Guerra Civil Americana (1861-1865), como também sobre as três versões cinematográficas (1907, 1926, e 1959), sendo que a mais popular é a dirigida por William Wyler e estrelada por Charlton Heston, insuperável em prêmios da Academia (11 Oscars), inesgotável em arte e estilo.

Agora em vista da nova versão que já chegou aos cinemas, sob direção do russo Timur Bekmambetov e  estrelada por Jack Huston no papel principal, Morgan Freeman como Ilderin, e o brasileiro Rodrigo Santoro como Jesus Cristo, daremos prosseguimento a matéria contando sobre outras homenagens que a superprodução de Wyler recebeu ao redor do mundo e a essência do filme de 1959. Também será falado de versões do romance de Wallace em desenho animado, sendo que em uma delas o veterano Charlton Heston, então com 80 anos, emprestou sua voz para dublar o personagem. A versão televisiva de 2010 e comentários do editor sobre a nova versão também serão consideradas.

Fiquem agora com a segunda parte de BEN-HUR: A SAGA IMORTAL ATRAVÉS DOS TEMPOS.

Boa Leitura!
Por PAULO TELLES

A primeira Parte se encontra neste link: 



I –A ESSÊNCIA DE BEN-HUR DE 1959

Indelevelmente, de todos os superespetáculos épicos-religiosos que já assistimos – tais como Quo Vadis (1951), O Manto Sagrado (1953), e Os Dez Mandamentos (1956), todos estes espetaculares – inquestionavelmente Ben-Hur dirigido por William Wyler (1902-1981) talvez seja o Rei de todos os shows cinematográficos das grandes superproduções do cinema pós-moderno.  As mais devidas honras promovidas pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas a lhe conferir testifica a qualidade de obra prima da Sétima Arte.

Charlton Heston e William Wyler durante as filmagens.
Podem existir poucas pessoas no mundo que não apreciam o filme, entretanto, não há como negar que a fita de Wyler (um dos maiores artesãos que o cinema já possuiu, embora não gostasse de ser rotulado como um “autor”, segundo a crítica francesa) possui esplêndidas qualidades artesanais e que acabou constituindo num bom espetáculo de entretenimento popular, onde no Brasil (assim como pelo restante do mundo) ficou em cartaz por mais de 20 anos nas salas de cinema sempre em reprises constantes, especialmente durante os períodos de Semana Santa ou Natal. 

Stephen Boyd, Charlton Heston, Haya Harareet, e Ramon Novarro
(o "Ben-Hur" de 1926) - Na noite da premiere de BEN-HUR em 1959.
Ben-Hur é pictoricamente espetacular, graças à primorosa fotografia colorida de Robert Surtess (1906-1985), bastante valorizada pela câmera 65mm, além da cuidadosa e brilhante reconstituição de época de fastígio romano e dos primeiros anos do Cristianismo. Riqueza e pobreza, simplicidade e sofisticação, combinam-se para dar ao espetáculo uma impressão realística da Roma Antiga, garbosa e conquistadora, e da Judeia oprimida e conquistada.  E isso tudo acompanhado da marcante trilha sonora do incomparável Miklos Rozsa (1907-1995), que por sua composição para o filme acabou arrebatando o Oscar de melhor compositor de 1959. Rozsa se tornou um ás das composições cinematográficas para o gênero épico, pois já havia feito trilhas para os filmes Quo Vadis (1951), Ivanhoé, o Vingador do Rei (1952), e Os Cavaleiros da Távola Redonda (1953), e depois de sua premiação por Ben-Hur (o mesmo compositor já havia ganhado o mesmo prêmio pela composição para o filme Quando Fala o Coração em 1946), ainda comporia para El-Cid (1961) e Rei dos Reis (1961). 


Ben-Hur com sua amada romana Flávia (vivida pela italiana
Marina Berti). Um breve relacionamento em Roma, não
muito explorado na obra de Wyler.
Charlton Heston, Stephen Boyd, e Terence Longdon, numa cena
de BEN-HUR, 1959.
Ben-Hur preso as galés.
Sobre Ben-Hur de 1959, trata-se de um épico grandioso e espetacular sobre a agitada e emocionante vida de um príncipe hebreu que, devido a inesperadas circunstâncias, se torna escravo, nobre romano, e é aclamado como herói das corridas de quadrigas,  e cujo destino se cruza, por mais de uma vez, com o de Jesus Cristo. William Wyler, dispondo de um orçamento fantástico, assinou um filme admirável, pela sua dimensão aventureira, romântica, religiosa, mística e heroica, que continua até hoje, passados quase 60 anos de seu lançamento, impressionar pela sua grandiosidade espetacular e pela sua comovente dimensão humana. 

Maria e José chegando a Belém para o Censo de Augusto,
e o nascimento do Redentor.
O Poder e a Glória de Roma.
O Ano do Senhor. É onde começa a história.
Entretanto, em sua essência, é muito mais do que um superespetáculo em sua grandeza épica de cenários, figurinos, e atores inesquecíveis, que fez arrastar multidões aos cinemas de todo mundo. É também um filme cuja história retrata a trajetória de um judeu que vive um conflito entre sua fé, seu patriotismo, nutrido posteriormente pelo desejo de vingança, e por fim ao amor e redenção.

OS TRÊS REIS MAGOS de BEN-HUR de 1959: Finlay Currie
(Balthazar), Richard Hale (Gaspar) e Reginald Lal Sing (Melchior)
Ben-Hur recebido em Roma.
Messala (Stephen Boyd) cruel com Tirzah (Cathy O' Donnell) e
Miriam (Martha Scott).
Sem dúvida, Charlton Heston dá vida ao personagem, em uma atuação segura, viril, e sólida, ao contrário do “quase menino” feito por Ramon Novarro na versão muda de 1926 dirigida por Fred Niblo. O Ben-Hur de Wyler já é um homem formado e bem feito como príncipe e homem de negócios em Jerusalém, mas de índole pacífica, que não esperaria jamais uma traição vinda de um amigo que o tem como um irmão. Stephen Boyd (1931-1977) também esta soberbo como o infame Messala, onde este ator irlandês conseguiu também atingir seu sucesso. 

Charlton Heston como Judah Ben-Hur.
Ben-Hur enfrentando nas pistas seu maior inimigo.
A essência do filme de 1959 não esta apenas na religiosidade e nos conflitos do personagem principal. A grande sequencia da Corrida de Quadrigas, anunciado pelo Departamento da MGM como o Climax Máximus da História do Cinema, foi essencial para o sucesso deste clássico, uma cena que dura apenas quinze minutos nas telas e que propriamente a corrida dita foi filmada em nove meses.  Do momento inicial das fanfarras até que o herói vence e é coroado pelos louros, a sequencia é empolgante e superlativa, seja pela beleza da sua composição plástica, seja pelo emprego admirável da câmera. Aplausos para Andrew Marton (1904-1992) e Yakima Canutt (1895-1986) que foram responsáveis pelo soberbo espetáculo, juntamente com o diretor William Wyler (embora não tenha dirigido esta cena marcante das corridas por determinação sua no contrato, já que o cineasta supervisionou a mesma sequencia na versão de 1926). 

Ben-Hur encontra Jesus de Nazaré.
Wyler realizou muito mais do que um filme ganhador de prêmios, ou um espetáculo grandioso ou visualmente bonito. Ele conseguiu realizar uma obra prima sobre as atitudes humanas através da fé ou do ódio, sendo assim uma poderosa essência de como uma obra cinematográfica pode levar um espectador a seus questionamentos ou reflexões. E não foi a toa, pois em 1995, durante as celebrações do Centenário do Cinema, Ben-Hur figurou numa lista de 45 filmes na categoria de Religião promovida pelo Vaticano, juntamente ao lado de obras culturais como O Evangelho Segundo São Mateus (1964), de Pier Paolo Pasolini, Nazarin (1959), de Luis Buñuel, e A Paixão de Joana D’Arc (1928), de Carl Dreyer. Afinal, trata-se de um filme capaz de subverter alguns dos preceitos mais fulcrais de todos os gêneros nos quais se insere, injetando ação em uma história religiosa e arrependimento em uma trama de vingança. No percurso, Ben-Hur transforma-se na obra cristã por excelência, pois indo além da encenação de um relato evangélico, busca traduzir fielmente a noção da misericórdia.


Uma das cenas mais memoráveis do clássico de 1959.
II –O CRISTO SEM FACE DE WYLER

Realmente tocante em sua essência é como o cineasta William Wyler apresentou Cristo do nascimento até sua crucificação, sendo que Jesus é um personagem incidental na trama, mas sua presença é marcante quando ela aparece. Entretanto, sua face nunca é mostrada.

Ben-Hur amparando Jesus durante sua caminhada ao Golghota.
A PAIXÃO DE CRISTO segundo William Wyler em BEN-HUR (1959)
A escolha de não mostrar o rosto de Jesus partiu de Wyler, como uma demonstração de respeito ao autor do romance que deu origem ao seu filme, Lewis Wallace (1827-1905). Considerava essa uma forma de referenciar a crença na divindade de Cristo. Nesse contexto, dar-lhe um rosto seria necessariamente torná-lo mundano segundo sua concepção. Entretanto, este pensamento não vinha só de Wyler. Muitos cineastas de sua época não ousavam mostrar uma face para Jesus se ele não fosse um personagem central, tal como ocorreu nas obras religiosas Quo Vadis (1951) e O Manto Sagrado (1953).

Charlton Heston e Jeffrey Hunter (que foi "Cristo" em REI DOS REIS,
de Nicholas Ray, em 1961) num evento em 1962. Ao fundo, o perfil da
Senhora Heston, Ligia Clarke.
Cecil B. DeMille ousou fazer isso quando lançou sua obra mais importante sobre a vida de Jesus, O Rei dos Reis, em 1927, ainda na fase silenciosa do cinema, com H. B Warner no papel de Cristo. Depois de muito tempo, em 1961, Jesus voltou a ser o centro das atenções para uma fita própria, e Nicholas Ray lançou Rei dos Reis, onde Jeffrey Hunter foi o primeiro ator do cinema contemporâneo a expressar o rosto de Jesus Cristo, com sua apolínea beleza e olhos azuis que fez ser consagrado por alguns críticos como o “mais belo Cristo do Cinema”.

A FACE DE JESUS segundo William Wyler que as câmeras
não focalizaram, o ator Claude Heater, intérprete de Jesus no
BEN-HUR de 1959.
Claude Heater, ator, cantor, e barítono.
No caso do filme Ben-Hur de 1959, cabe aqui destacar a atuação de Claude Heater, que personificou o “Cristo sem face” para William Wyler. Heater nasceu a 25 de outubro de 1927, em Oakland, Califórnia. Sua família era de Mórmons e foi missionário até 19 anos quando decidiu se dedicar a música. Quando serviu na Marinha Americana, entre 1945 e 1946, Heater entrou num curso para aperfeiçoar sua voz, já que manifestava desejo de ser cantor. 

Claude Heater - conceituado barítono e artista.
Adquirindo voz e dicção perfeitas, principalmente como tenor, Claude Heater estreou na Broadway em 1950, onde cantava e fazia até shows de malabarismos. A carreira de Heater em outros espetáculos teatrais e nas óperas chegou tanto ao ápice que recebeu convites para trabalhar na Europa. No final da década de 1950, Claude Heater já era um nome conhecido entre todos os envolvidos nas camadas teatrais dos Estados Unidos e era requisitado frequentemente pelos dramaturgos para algum papel em operetas importantes.

Teste de Claude Heater para o papel de Jesus em BEN-HUR (1959)
Em uma coluna da famosa Louella Parsons (1881-1972), fofoqueira de Hollywood, datado de 31 de julho de 1958, ela menciona Heater: "A difícil tarefa de lançar o papel de Jesus em “Ben-Hur” foi concluída em Roma e surgiu de uma forma incomum. Harry Henningson, o gerente de produção, foi para o concerto de uma jovem cantora americana em Roma e ouviu Claude Heater, cuja voz não é apenas magnífica, mas ele tem um rosto espiritual bonito. Henningson disse a William Wyler e Sam Zimbalist sobre o jovem Heater, e como resultado, fizeram com ele um teste e lhe deram o papel de Jesus. Agora aqui a parte mais estranha: Wyler e Zimbalist tiveram que ir a Europa encontrar esse menino que nasceu em Oakland, Califórnia".

O SERMÃO DA MONTANHA - Uma das cenas em que o rosto de Cristo
nunca é focalizado na versão de BEN-HUR (1959).
Como havia restrições no cinema americano em não exibir a imagem de Jesus ou mesmo mostrar sua voz, a menos que Cristo fosse um personagem central, houve algumas discussões em se fazer duas versões para o filme de 1959. Entretanto, nas primeiras rodagens com Claude Heater, William Wyler ficou satisfeito com o resultado de não mostrar o rosto do cantor e barítono para as plateias, embora fosse um homem muito bonito. 

O diretor William Wyler dando instruções a Claude Heater.
Wyler jamais mostra o rosto do Cristo de Heater, mas lhe dá sempre uma suavidade confortadora, chegando a atingir uma elevação comovente tanto nas sequencias do julgamento de Jesus por Pilatos (Frank Thring), o caminho para o calvário, e a agonia na cruz. 

Jesus é julgado por Pilatos (Frank Thring)
A morte de Jesus.
Após seu trabalho em Ben-Hur de 1959, Heater nunca mais voltou ao cinema, se dedicando sempre ao teatro e as óperas, aonde no ramo teatral chegou também a dirigir grandes espetáculos tanto nos Estados Unidos como pelo resto da Europa. Mas realizou um trabalho na TV belga em 1970, Tristão e Isolda, onde fez o papel de Tristão.

Claude Heater em TRISTÃO E ISOLDA, filme para a televisão
belga em 1970.
Em 2003, Claude Heater e o astro Charlton Heston se reencontraram
em Los Angeles para uma exibição especial do clássico de Wyler.
Em 2003, Claude Heater e Charlton Heston se reencontraram num evento nas dependências da Academia de Artes e Ciências de Los Angeles, para uma exibição especial de Ben-Hur de William Wyler, como os dois últimos astros sobreviventes até então deste grandioso épico.  Heater ainda vive e ainda se dedica a trabalhos no teatro como tenor, produtor, e diretor, e tem um site que ele mesmo administra: http://www.claudeheater.com/


Charlton Heston colhendo os louros em Cannes para a
exibição de BEN-HUR.

III – A GLÓRIA EM CANNES

A posição de Ben-Hur na História da Sétima Arte corresponde no setor material aquela que Cidadão Kane (de Orson Welles, 1941) representa no plano estritamente artístico. Se a obra de Welles reuniu todos os recursos de expressão até então utilizados por diversas escolas no campo visual e sonoro, se tornando o coroamento de sua época e o resumo final de uma fase de investigações estilísticas do cinema, Ben-Hur de William Wyler por sua vez marcou o ponto alto até então na exploração das possibilidades técnicas e materiais da Sétima Arte.

Charlton Heston, Stephen Boyd, e William Wyler.

O cineasta Wyler em ação.
Esta produção colossal reduz as dimensões liliputianas tudo que se fez até hoje em matéria de superespetáculos, mesmo com obras modernas como O Gladiador, de 2000. Afinal, foram dez anos de preparos, um ano para elaborar o roteiro e mais um ano consumido de filmagens. Cem mil figurantes (e tudo sem efeito de computador ou efeitos visuais modernos). Um equipamento elétrico capaz de iluminar uma cidade grande. 375.000 metros de rolo de película. 50 galeras de tamanho real construídas especialmente para as sequencias da batalha naval num lago artificial dos estúdios de Cinecittá, em Roma. Seis câmeras gigantes de 65, ao custo de cada uma US$ 100.000 dólares. Quarteirões inteiros da velha Jerusalém reconstruídos.  

Todo o Cast e equipe posando para uma foto na Arena das corridas.
Cenários com mais 3 hectares para a famosa corrida de quadrigas. Todo esse enorme esforço teve bom resultado. Ben-Hur de William Wyler obteve sucesso comercial nos Estados Unidos, na Inglaterra, e no Japão, indicando que a Metro não teve dificuldades em recuperar mais do que os bons US$ 15.000.000 de dólares de sua produção (uma quantia titânica para a época, ainda mais para um estúdio a beira da falência).

William Wyler se "arriscando" a conduzir uma das quadrigas
Falando aos jornalistas no XIII Festival de Cannes em maio de 1960 quando o filme abriu o evento, William Wyler, falando num francês praticamente sem sotaque, chamou a atenção para o fato de ser o filme, assim como o romance original de Lewis Wallace, uma história de aventuras, antes de tudo, não se devendo excluir do gênero o estilo mais do que ela comporta. E ainda frisou aos jornalistas franceses que seu filme tinha uma profunda mensagem política, pregação de paz e concórdia mundial, sendo uma mensagem de 2000 anos e hoje essencial diante do domínio bélico armazenado pelas nações.

O cineasta Wyler ainda declarou em Cannes:

Jerusalém conquistava para lutar contra os romanos, a liberdade. Hoje, luta  para manter a liberdade ameaçada pelo árabes”. 

Jack Hawkins, Haya Harareet, e Charlton Heston, em intervalo
de filmagem.
Judah e Esther (Haya Harareet)
Wyler ainda deplorou o fato de o filme ter sido proibido pela República Árabe Unida, por dois motivos: havia uma atriz israelense no elenco, Haya Harareet, que viveu Esther (a amada de Ben-Hur) e a caracterização do ator inglês Hugh Griffith (1912-1980), que deu vida ao Xeique Ilderin. Sua atuação considerada pitoresca e divertida por Wyler rendeu ao ator o Oscar de melhor ator coadjuvante, mas os árabes não gostaram nem um pouco da interpretação feita pelo ator inglês. Griffith não estava presente na cerimônia de premiação, sendo representado pelo cineasta para o recebimento do Oscar. 

Ben-Hur e o Xeique Ilderin (Hugh Griffith)
Por conta desses boicotes promovidos pelos árabes a sua obra cinematográfica, o cineasta ainda falou:

São boicotadas na República Árabe Unida as obras em que participaram Edward G. Robinson e Elizabeth Taylor, porque esses artistas contribuíram para a criação e o desenvolvimento do Estado de Israel. Ora, assim sendo, também deveriam ser interditados pelos árabes todos os filmes de Hollywood, pois neles há sempre um ator, um diretor, um produtor ou técnico, que de uma maneira ou outra, ajudaram o Estado de Israel”. 

Charlton Heston carregando o filho Fraser, que cumprimenta
William Wyler, numa pausa das filmagens. 
Apesar dos protestos e críticas bem construtivas do inteligente cineasta contra a ridícula censura, a noite em Cannes foi memorável, e Ben-Hur de 1959 foi aplaudido de pé por mais de 200.000 espectadores e convidados em um dos mais badalados festivais de cinema do mundo.

Charlton Heston e sua publicidade para BEN-HUR, em 1960.
IV- CHARLTON HESTON


A força de Ben-Hur, através de Charlton Heston.
Charlton Heston é uma fortaleza – Declarou William Wyler – ele não poderia ter dado conta de seu papel se não fosse um homem de excepcional força física e resistência, além de ser um ator talentoso. O seu desempenho foi de alto nível. Assim o cineasta William Wyler definiu Charlton Heston.  

Ben-Hur subjugado pelos romanos.
Ben-Hur como remador das galés.
Heston, por sua vez, definiu a si mesmo quando entrevistado em janeiro de 1960:“Conservo-me em boa forma com exercícios. Exercícios enfadonhos e detestáveis. Minha alimentação se resume a bifes e saladas, e tomo constantemente banhos a vapor. Tudo isso me aborrece, mas tenho que estar em forma para ajustar aos meus papéis. Dirigir aquela quadriga em “Ben-Hur” não foi brincadeira, e não tive substitutos na maioria das cenas".

Ben-Hur Vitorioso.
E Heston ainda falou mais sobre seu trabalho em Ben-Hur:

 “Passei nove meses em ensaios e filmagens, em loucas corridas naquela quadriga e fugindo daquela galera em fogo com vigas em brasa desabando sobre mim. Quando ao fim de semana anunciava meu desejo de dar um passeio a cavalo, o diretor (Wyler) e o produtor (Sam Zimbalist) se alarmavam: “Você esta louco, Chuck! Você pode se machucar!””

Adotado por Quintus Árrius, assume Ben-Hur uma identidade romana:
QUINTUS ÁRRIUS, O MOÇO.
Ben-Hur finalmente conquista a liberdade através do
cônsul Quintus Árrius (Jack Hawkins)
Quando Heston foi questionado sobre isso e de declarar estar um pouco farto dos filmes épicos, tendo a oportunidade em atuar em um novo filme do gênero, El-Cid, de Anthony Mann, prestes a ser rodado na Espanha:

“Sim, é verdade que falei que estava um pouco cansado de trabalhar no estilo épico. Eu queria um papel que pudesse me fazer por as mãos no bolso. Não há bolsos em túnicas, togas, mantas, ou batinas como devem saber. Na verdade atuei em um não faz muito tempo: “O NAVIO CONDENADO”, com Gary Cooper, mas infelizmente ninguém foi assisti-lo. E os produtores disseram: “ Estão vendo? Ponham Heston com roupas modernas que ele fracassa””.

Ben-Hur, o Herói símbolo de luta pela liberdade.
Ainda na mesma entrevista, Heston declara:-“Sei que não sou uma grande atração de bilheteria, mas não sou falsamente modesto. Acho que me saí bem em “BEN-HUR”, e acredito nas minhas próprias opiniões. Me lembro bem do que aconteceu durante as filmagens de “DA TERRA NASCEM OS HOMENS”, sob direção de William Wyler. Discordei dele no desempenho de uma cena e discutimos. Entretanto, tirei uma lição com isso, visto que Wyler me fez lembrar de seu currículo e de toda sua obra cinematográfica, sendo que três deles foram premiados com o Oscar. Logo, só pude me calar e dizer a Wyler que faria o que ele quisesse”.

Pôncio Pilatos (Frank Thring) e Judah Ben-Hur (Charlton Heston)
Por sua atuação na obra de Wyler, Heston ganhou o Oscar de melhor ator de 1959. Na premiação, dedicou a estatueta a Sam Zimbalist, produtor do épico, que morreu de um súbito ataque do coração perto do fim das filmagens. O astro se imortalizou no papel de Ben-Hur e se consagraria ainda mais em outros personagens épicos e históricos. Havia interpretado Moisés em Os Dez Mandamentos (1956), o Presidente Andrew Jackson em O Destino me Persegue (1953) e em Lafitte, o Corsário (1958), e ainda seria El-Cid (1961), Michelangelo em Agonia e Êxtase (1965), São João Batista em A Maior História de Todos os Tempos (1965), Cardeal Richelieu em Os Três Mosqueteiros (1974), e São Thomas Morus na refilmagem para a TV de O Homem que não Vendeu sua Alma, em 1988. Um ator como poucos que exercia carisma em seus desempenhos, e convencia como ninguém como o herói épico ou ícone histórico por excelência.

O jornalista Artur da Távola (1936-2008)

V- ARTUR DA TÁVOLA SOBRE BEN-HUR DE 1959

Depois de 20 anos em temporadas nos cinemas brasileiros (muitos destes já extintos), e principalmente em exibições nas épocas de Semana Santa ou Natal, Ben-Hur estreou na TV brasileira em início de setembro de 1984, pela Rede Globo de Televisão, sendo o épico de William Wyler de quase 4 horas de projeção exibido em duas partes no horário nobre. 

BEN-HUR (1959): Sucesso nos cinemas de todo o Brasil até as
décadas de 1970 e início de 80
O sucesso do filme de William Wyler foi tão estrondoso após
o seu lançamento que o público carioca exigiu mais alguns dias
de exibição
Na coluna do saudoso jornalista, crítico, escritor, político, e notável humanista, o saudoso Artur da Távola (1936-2008), em um de seus artigos dominicais no Jornal O Globo, pela “Revista da TV” a 9 de setembro de 1984, dedicou umas breves linhas para falar de Ben-Hur com Charlton Heston em sua primeira exibição pela TV brasileira.  Abaixo, será reproduzida a pequena matéria que o grande crítico escreveu sobre a obra prima de William Wyler:

Charlton Heston é BEN-HUR (1959)
Ben-Hur Não Envelheceu

De Artur da Távola
(originalmente de sua coluna da “Revista da TV”, Jornal O Globo, a 9/9/1984, domingo).

Uma das oportunidades trazidas pela televisão é a de funcionar como cinemateca. Permite ver velhos filmes com outros (novos) olhos. O caso de Ben-Hur é bastante expressivo. Revi-o esta semana. Cresceu em meu conceito. O mesmo ocorrera este ano com filmes como Dr.Jivago e Guerra e Paz. Revê-los levou-me a considera-los melhores que a época do lançamento.

Por causa do gênero sempre semelhante e das concessões ao grandioso que Hollywood precisava fazer devido à sua vinculação ao gosto médio do mercado mundial, a gente se acostumou a ver os filmes épicos ou bíblicos todos da mesma maneira. E não são. Ben-Hur possui sequencias lindíssimas e intensas, não tivesse a dirigi-lo o Mestre William Wyler.

Vendo esses filmes hoje sem a preocupação artística ou puramente artística da época de sua exibição, mas apreciando-os pelo exercício mitológico neles contido, devo confessar a alegria por realizar uma leitura completamente nova, surpreendente até para mim.
Artur da Távola




Vi- CHARLTON HESTON VOLTA A INTERPRETAR O PERSONAGEM EM DESENHO ANIMADO.

Cartaz divulgando o desenho, tendo Charlton Heston emprestando
sua voz ao personagem.
Em 2003, Charlton Heston, que completava então 80 anos, voltou a viver o personagem que o consagrou nas telas de cinema, Judah Ben-Hur, num desenho animado baseado no clássico romance literário de Lewis Wallace: Ben-Hur- Um Conto de Cristo.  O filho do ator, Fraser Heston, foi um dos produtores executivos da animação (que teve o roteiro da escritora Abi Estrin Cunningham) que trazia de volta o pai ao personagem apenas em dublagem. A direção ficou a cargo de William R. Kowalchuk Jr.

O próprio Heston faz a apresentação do desenho animado.
O desenho teve a apresentação do próprio Charlton Heston, que fez questão de explicar a essência da obra original de Wallace, que como militar e estrategista de guerra, poderia ter redigido uma obra sobre guerreiros e batalhas. Contudo, o escritor decidiu escrever uma história de fé, amor, perdão, e redenção. Ele ainda disse que as adaptações podiam variar de acordo com cada roteirista, podendo até mesmo ao fim Ben-Hur e Messala se perdoar e reconciliarem.

O desenho BEN-HUR, realizado em 2003.
O anime foi produzido por uma empresa cristã canadense, a Agamemnon Films. Heston era um dos poucos sobreviventes do filme que o consagrou em 1959, e para substituir os atores já falecidos da obra original de William Wyler em suas respectivas partes para a animação, como Stephen Boyd, Jack Hawkins, Cathy O’ Donnell, Hugh Griffith, ou Finlay Currie - entraram Duncan Fraser (como Messala), Richard Newman (como Quintus Árrius), Willow Johnson (como Tirzah), Dale Wilson (como Xeique Ilderin), e Long John Baldry (como Balthazar) que emprestaram suas vozes para esses personagens. O desenho difere muito do filme de 1959 (e tem metragem de 80 minutos), tendo uma linguagem mais apurada para o público infantil, mas a essência da obra de Wallace prevalece, onde Charlton Heston emprestou sua voz ao personagem principal em uma de suas últimas e marcantes atividades artísticas.

Poster da minissérie para a TV de 2010.
ViI- A MINISSÉRIE TELEVISIVA DE 2010

Joseph Morgan é Ben-Hur na versão televisiva canadense
de 2010, tendo ainda Kristin Kreug como Tirzah e Alex Kingston
como a mãe do herói, Ruth.
Em 2010, a emissora televisiva canadense CBC produziu (em preparo de dois anos) a primeira adaptação para TV do romance de Lewis Wallace Ben-Hur. A adaptação ficou a cargo de Alan Sharp, com direção de Steve Shill e produção de David Wyler, filho do cineasta William Wyler (diretor do clássico de 1959), para a Muse Entertainment, empresa canadense, em associação à Drimtim Entertainment, da Espanha, Zak Productions, de Marrocos, e Akkord Film, da Alemanha.

Seria Joseph Morgan uma cópia juvenil de Charlton Heston?
Para o papel-título convocaram o inglês Joseph Morgan, de 28 anos, que fisicamente lembra um “Charlton Heston juvenil”, magro e louro embora não tão alto quanto o intérprete da versão cinematográfica de 1959. Até o figurino de Morgan lembra o utilizado por Heston em sua versão clássica. Contudo, sua atuação como o herói de Lewis Wallace é sem o brilho e a solidez que tanto consagrou o astro da versão absoluta para o cinema que tantos louros obteve da Academia de Artes e Ciências 50 anos antes. 


Stephen Campbell Moore é Messala.
Kristin Kreug, Simon Andreu, e Alex Kingston - BEN-HUR (2010)
A versão televisiva de 2010 esta disponível em DVD no Brasil.
Filmada em Marrocos, a produção também traz no elenco os atores Stephen Campbell Moore, que interpreta Messala;  Emily VanCamp no papel de Esther; Ray Winstone como Quintus Árrius; Kristin Kreuk, a Lana Wood da série de TV Smalville, como Tirzah; Ben Cross como o imperador Tibério; Alex Kingston como Ruth, aqui o nome dada a mãe de Ben-Hur; Simon Andreu  como Simonides; e o paquistanês Art Malik como o Xeique Ilderin. 



 ViII- BEN-HUR 2016
Uma Crítica do Editor.



Com um orçamento de 100 milhões de dólares, este é o remake mais recente (seus produtores alegam que é um reboot, ou seja, uma releitura do personagem) e polêmico do livro de Lewis Wallace, que até aqui, já tem quatro versões cinematográficas, uma para a TV como minissérie, e outras poucas adaptações em desenho animado, sendo que a mais popular é o desenho produzido em 2003 e que tem Charlton Heston dublando o personagem.


Jack Huston, Toby Kebbell, e o diretor Timur Bekmambetov.
BEN-HUR (2016)
Desta vez, a religiosidade esta mais ativa, afinal a obra presente foi produzida por especialistas em filmes religiosos, liderados pela atriz Roman Downey, que produz filmes para católicos ou crentes consumidores, e O Filho de Deus foi uma destas fitas já produzidas. O cineasta desta nova versão é o russo Timur Bekmambetov, emigrado para os Estados Unidos e que por lá fez O Procurado com Angelina Jolie, Guardiões da Noite, e Abraham Lincoln Caçador de Vampiros. Em verdade, é um mestre nos efeitos digitais, testificado na Corrida de Quadrigas (e não bigas!), contudo tudo margeia a falsidade e artifícios, e não como no filme de 1959 dirigido pelo Mestre Wyler, que foi tudo íntegro, pra valer, e a custoso trabalho de operários, dublês, e mesmo dos atores principais para a sequencia, e no caso Charlton Heston e Stephen Boyd, que precisaram de três meses de treino com Yakima Canutt.


Jack Huston é o novo BEN-HUR (2016)
A corrida de Quadrigas foi filmada no mesmo estúdio da versão de 1959, em Cinecittá, próximo à Roma. Contudo, a corrida de 1959 supera a de 2016, por justamente ser mais longa e de ter o maior número de figurantes, sem precisar dos recursos digitais para ampliar plateias de um estádio (como feito em Gladiador, de Ridley Scott, em 2000). 



Nesta versão de 2016, a adaptação feita por Keith R. Clarke e John Ridley colocam Ben-Hur e Messala como irmãos adotivos. No filme de 1959, eram amigos de infância, “como se fossem irmãos”, e o roteiro frisava que o comportamento de Messala sofreu transformação quando este se deixou guiar pela corrupção romana. Pelo fato dos dois já terem sido amigos, e Messala levar a cabo todo ódio que sentia pelo ex-amigo que jurou vingança, torna a obra clássica de William Wyler muito mais dramática. 


Judah Ben-Hur é traído pelo irmão romano.
Morgan Freeman é o Xeique Ilderin.
No novo filme, não existem personagens centrais que são muito importantes para a trama, como o cônsul Quintus Árrius, vivido por Jack Hawkins na versão de 1959. Ele era o esteio do personagem principal, pois este acabou lhe salvando a vida durante o ataque pirata nas galés. Aqui, esse personagem foi eliminado, e o esteio se transferiu para o Xeique Ilderin, que na versão de 2016, é vivido pelo talentoso Morgan Freeman. 


Ilderin ajuda Ben-Hur a executar sua vingança.
BEN-HUR (2016)
Ben-Hur escapa de um naufrágio após sua galera onde estava aprisionado ser destruída, e vai parar as margens de uma praia, onde é salvo por Ilderin. Este o ampara e começa a treina-lo para um dos esportes mais violentos da antiguidade, as corridas de quadrigas, e só assim, ele conseguirá sua revanche contra o irmão Messala e decidirá os pontos. No filme original de 1959, assim como no romance original de Wallace, Ben-Hur se torna um atleta na modalidade em Roma, e quando conhece o llderin ele já é um auriga experiente. 


Ben-Hur pronto para a Corrida de Quadrigas.
Rodrigo Santoro e Jack Huston na divulgação do filme em São Paulo.
E quanto aos atores? Morgan Freeman dispensa comentários por seu brilhantismo em qualquer papel, onde pode valorizar um pouco o filme. Mas voltemos nossas atenções ao britânico Jack Huston, que interpreta Judah Ben-Hur. Oriundo do clã dos Huston – neto do lendário cineasta John Huston (1906-1987) e sobrinho da atriz Angelica Huston – Jack pode ser carismático, mas não convence nada em um papel que exige certa virilidade e atletismo. Mesmo o ar voluntarioso de Charlton Heston  fazia o espectador se convencer de que ele sabia conciliar seu porte físico à sua arte dramática para o papel. Por isso que até hoje fica difícil de imaginar outro ator que não seja Charlton para Ben-Hur, que pudesse ser altivo, mas ao mesmo tempo, soubesse ser humano e sofrido. Logo, Jack Huston não se encaixa em nenhum momento como o personagem de Lewis Wallace, embora seja um bom ator. 


Toby Kebbell é um violento Messala.
Haluk Belginer é Simonides. Nazarin Boniadi é Esther.
Toby Kebbell vive Messala, que aqui ganha até um sobrenome, Messala Severus, muito mais violento que Stephen Boyd da versão de 1959. Já a atriz Nazanin Boniadi que faz a Esther (aqui esposa de Ben-Hur) não tem a beleza da israelense Haya Harareet que foi a Esther de Wyler na versão de 1959, mas executa bem a sua parte. Ayelet Zurer, atriz também israelense, vive a mãe do herói, que na versão atual recebe o nome de Naomi (na versão de 1959, a personagem vivida por Martha Scott recebe o nome de Miriam, e na versão televisiva de 2010, o nome de Ruth). 


O brasileiro Rodrigo Santoro como Jesus Cristo.
Rodrigo Santoro, um dos pontos positivos do filme.
Deus tem um Plano Pra você
E nosso Rodrigo Santoro? Juntamente com Morgan Freeman, Santoro é um dos poucos que sustenta esta versão atual, mesmo atuando em quatro cenas como Jesus Cristo, incluindo a morte na cruz. Mesmo que ao contrário de Claude Heater, onde pode mostrar finalmente o “rosto de Jesus”, as cenas não são tão memoráveis como as de 1959, embora nesta adaptação atual tenha uma mensagem do Redentor para com o herói quando este lhe dá água no caminho do deserto e lhe diz: “Deus tem um plano pra você”. Isso já era perceptível mesmo na versão de William Wyler, sem qualquer dialogo entre Ben-Hur e Cristo.


Ben-Hur tenta ajudar Jesus no caminho do Calvário.
A Paixão de Cristo na versão de BEN-HUR 2016

Em suma, a versão atual de 2016, em nenhuma circunstância, pode ser comparada com as versões cinematográficas anteriores (1907, 1926, e 1959 principalmente). Seus produtores e o diretor alertam que se trata de outro universo para a história escrita por Lewis Wallace no século retrasado. Vale lembrar que mesmo  se tratando de um remake, isto sem dúvida não isentará a superioridade do filme dirigido por William Wyler, que obteve as láureas máximas da Sétima Arte, consagradamente uma obra prima do cinema. Além disso, refilmagens tem 95% de chances de não darem certo, e tendo em vista esta estimativa, os mais saudosistas não tem o que temer nada, e podem e até devem assistir a nova versão de 2016 sem receios. Para os mais jovens, pode apetecer a curiosidade de conhecer a versão de Wyler (disponível em DVD e Blu-Ray no Brasil pela Warner) depois de conhecer a versão moderna do diretor russo Timur Bekmambetov, pois são justamente os remakes que podem motivar a curiosidade de conhecer uma versão anterior da mesma trama.



Então, sem preconceitos ou receios, podemos assistir esta nova adaptação para as telas de um grande clássico da literatura mundial publicada em 1880, se tornando um dos livros mais vendidos e lidos de toda a História. É verdade que não temos um ator a altura do papel como Charlton Heston, e nem um diretor versátil e de índole criativa como William Wyler, mas para os modernos padrões cinematográficos, tem ótimos atores como Morgan Freeman e o brasileiro Rodrigo Santoro, e um roteiro no mínimo interessante. A trilha sonora de Marco Beltrami não transmite a mesma emoção da versão de Wyler composta por Miklos Rozsa em 1959. A atual adaptação pode ser sim um bom filme, mas não passará disso, pois a versão cinematográfica estrelada por Heston ainda é uma obra insuperável e inesgotável, persistindo as ações do tempo e do vento. Alguém se habilita a fazer uma nova versão da pintura Monalisa de Leonardo Da Vinci? Pode sair bonito, mas nunca será como o original, e muito menos superior. 


Por Paulo Telles


Assista ao trailer do novo filme
Legendado




ESPECIAL: DOIS TRAILERS ORIGINAIS  DO
FILME DE 1959
Estrelando CHARLTON HESTON.
Dirigido por WILLIAM WYLER




PRODUÇÃO E PESQUISA
PAULO TELLES

21 comentários:

  1. Um post grandioso como o filme de 1959. Muitos detalhes que eu realmente desconhecia sobre o filme. Não haverá outro Ben Hur como Charlton Heston e nem Messala como Stephen Boyd.
    A versão de 2016 comete vários deslizes, como a canção ao final do filme e um Wow! de Ben Hur ao admirar os detalhes da armadura de Messala.
    Vou seguir o seu blog. Gostaria que seguisse o meu: revistacinetv.blogspot.com.br

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    1. Boa tarde Valdemir! Agradeço pelo comentário e vou agora mesmo visitar e seguir seu espaço. Saudações do editor.

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    2. Saudações Valdemir. Parabéns pelo seu espaço! Sobre este novo BEN-HUR suas palavras só vem a confirmar as minhas, já expressadas no meu blog referente a matéria sobre o personagem. Jack Huston é bom ator, mas longe de ser Ben-Hur. Quanto a asssitir a nova versão acho válida, porque simplesmente é impossível passar por cima de uma obra original que tantos louros ganhou da Academia de Cinema, portanto sem receios. Estou seguindo seu blog e interliguei seu espaço com o meu no Blogrool para fins de recomendação. Agradeço por fazer o mesmo. Abraços!

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  2. Eu gostei da nova versão do filme,embora obviamente seria até injusto de minha parte fazer uma comparação com o de 1959,que é simplesmente maravilhoso. Eu já vi o Ben-hur de 1959 tantas vezes que foi muito estranho ver as mudanças que foram feitas nessa nova versão. Mas palmas para o Rodrigo Santoro que fez Jesus com muita dignidade. Realmente não dá pra imaginar outro ator fazendo esse papel, o melhor de Charlton Heston.

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    1. Saudações Yara, seja bem vinda! Agradeço pelos comentários. Evitando ou não comparações entre uma versão e outra, o fato é que a versão de 1959 se tornou definitivamente uma obra prima do cinema, ganhando todas as láureas da Academia e se firmando como um clássico absoluto do cinema, sem discussão. Entretanto, o novo filme deve ser apreciado em um novo formato, mas as presenças de Rodrigo Santoro e Morgan Freeman fazem a diferença. Entretanto, só não passou de um “bom filme de aventura”, que brutalmente foi esmagado pelas bilheterias e já é considerada um dos piores insucessos comerciais deste ano de 2016. Por isso que eu digo que “remakes” tem 95 a 98% de chance de dar errado.

      Obrigado por seguir o espaço e abraços do editor.

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  3. Telles,

    Na minha concepção eu não considero possibilidades de Ben Hur vir a ser o Rei dos filmes biblicos e sim esta certeza. Nada nunca chegará, sequer, ao calcanhar de Ben Hur.

    É muito dificil se falar de uma pelicula quando ela é dividida em 2 partes. Isto porque normalmente não nos lembramos o que já dissemos na parte anterior ao estar falando da 2a.
    Mas, Ben Hur é um filme que é dono de grandes cenas e momentos do cinema e há espaço para dizer ainda muito sobre ele.

    Quem não se recorda de Messala dizendo para Judah; "Vocês são um povo conquistado". Ou mesmo outra frase de Messala: "Sabe como se combate uma idéia? Com outra idéia"

    Cenas então? Como se descrever ao pé da letra e da emoção o momento em que é negado água para Judah numa parada no deserto?

    Todos bebem, os animais bebem, o centurião desperdiça água e Judah, no auge de sua agonia e de lábios ressequidos, roga, enquanto esfrega o dorso da mão na boca; "Deus, me ajude.

    E a ajuda vem. Vê-se uma mão pegando água com uma cabaça. Era O HOMEM. ELE chega, se ajoelha ao seu lado, lhe molha a testa, toca em seu dedo com seu indicador (no meu ver lhe passava energia naquela momento), lhe sacia a sede e nenhum guarda tem força fisica ou espiritual para impedir o momento.

    Em seguida Hur se afasta com os demais prisioneiros, agora saciada a sede pela água dada por aquele Homem estranho, e volta-se constantemente para fitar sua figura imponente e sempre de costas para a tela.

    É sem duvida para mim a mais bela cena do filme e do cinema em geral. É uma sequencia onde a musica de Miklos incendeia a tela e nossos interiores, nos fazendo vitimas emocionais de todo aquele passar de instantes.

    E é de momentos parecidos em emoções como este que o filme do Wyler se mostra no seu inteiriço de mais de 3 horas de duração. Cada momento é mais forte e emocionante que outro, cada cena mais bela que outra e cada paisagem, ou fotografia, nos faz extasiar em estar a fitar coisas tão belas. Jamais algo feito em 65mm se havia visto e, como cita o editor, o fotografo tirou todos os proveitos do novo processo.

    Por diversas vezes eu coloco a fita no DVD apenas para ver até o momento em que Cristo nasce, a chegada dos Reis Magos, aquela estrela a cortar o céu, com muita gente vendo com curiosidade espantosa aquele momento estranho no espaço.
    Naquele momento um bezerro saltita perto de onde o Homem nasceu e é aí que entra, num arrebatamento quase que celestial e retumbante, a maravilhosa musica tema da fita, esta beleza de sonoridade criada pelo genio Rozca. Momento inesquecivel e arrebatador!

    É tanto para se dizer deste filme que vou, desta vez, precisar de 3 momentos. Vou encerrar aqui o PRIMEIRO. No SEGUNDO ainda falo do filme de 1959 e no 3o. o demais.

    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Uma das coisas mais fascinantes do filme que sem dúvida esqueci de mencionar na matéria são os diálogos inteligentes da obra. Esta do Messala dizer que uma ideia só se combate com outra é sensacional. BEN-HUR é cheio de falas inesquecíveis, graças a um roteiro escrito a quatro mãos, mas só um foi creditado, o que acho particularmente uma injustiça visto que renomados escritores como Gore Vidal e Christopher Fry deram uma enorme contribuição. Mas prossigamos!

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  4. Telles, (Parte 2)

    Conforme alardeado, e de fato, "A Corrida de Quádrigas é Mesmo O Clímax Máximo da Historia do Cinema". Acredito nisso, e poucos não concordam com a sugestão, pois nunca se viu na Sétima Arte momento de mais intensa grandiosidade.

    Sobre uma das falas de Wyler para seu filme, eu concordo plenamente que a fita é um filme de aventuras, vingança, política e até de inveja, milagres, amor, ódio, liberdade e muito mais. Ben Hur é uma fita completa.
    Acho até que ele poderia ter se privado de citar aos franceses dados assim. Nem mesmo entendo o porque dele fazer tantas ressalvas sobre seu filme, que é uma fita livre de qualquer crivo negativo ou qualquer mácula que seja.

    Sobre o Claude Heater eu adorei conhecer sua historia de vida. Nunca havia ouvido falar dele. E na foto que o vi caracterizado de Jesus o achei perfeito, assim como observei em seu rosto uma das mais marcantes faces para interpretar o Homem.

    Desconhecia sua existencia e também sua vida artistica. E, segundo entendi na leitura, ele parece ser o único ainda em vida do filme do Heston.
    Ótima escolha para o papel, mesmo não mostrando a face. Cito isto porque, até mesmo pelas costas ele endossa presença e segurança como ELE.

    Observei o orgulho do Charlton Heston a segurar sua cria externando seu ar de felicidade. Não é para menos. Afinal era um belo garoto e que se transformou num homem, também do cinema.

    Assisti dele como diretor o filme "Alaska, Uma Aventura Inacreditável", fita bem ajustada e deliciosa de ver. E com seu pai no elenco.
    Que maravilha e orgulho dirigir o meu proprio pai, deve ter dito para si mesmo o Fraser Heston.

    Achei muito piada quem citou que o Heston somente representava "bem" Travestido de personagens que interpretasse papéis de filmes épicos ou biblicos.

    Isto não deixou mesmo de ser dito como situação para o Heston sentir-se melhor nestes trajes, já que citou que gostaria de fazer outros papéis onde pudesse meter as mãos nos bolsos e etc.

    Ora: o Heston fez filmes formidáveis afora estes papéis. Senão vejamos alguns exemplos; Terremoto/75, No Mundo de 2020/73, O Destino Me Persegue/53 (formidável pelicula), Da Terra Nascem Os Homens/58, A Marca da Maldade/58 e O Maior Espetáculo da Terra/52, para ilustrar apenas alguns poucos.

    Sobre a corrida de Quadrigas eu achava que ela levara apenas 3 mesis para ser filmada e não nove. Mas, posso imaginar o quanto de trabalho deve ter dado ao Andrew e seu companheiro fazer tudo aquilo e com aquela perfeição.

    A respeito de todos os sets de filmagem nem precisamos dizer mais nada. Porém, a cena onde o Judah descobre na Cidade dos Leprosos seus parentes, é de doer. Mais ainda no momento em que ele as carrega, sob os protestos delas, e sem qualquer receio de ficar contaminado pela moléstia, para fora dali. Perfitissima cena. Enorme em termos de fé e amor.

    Enfim, acabo de falar do grande espetáculo que foi o filme que William Wyler fez em 1959 e que considero a Obra Prima do Cinema. Claro que sem desvalorizar outros grandes espetáculos, como ...E O Vento Levou/39, principalmente.

    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Fraser Heston, hoje com um pouco mais de sessenta anos, é diretor e produtor executivo. Ele dirigiu o pai em ALASKA, e assisti este filme em 1998. Em 1979, ele escreveu o roteiro para o filme HOMENS DA MONTANHA, estrelado pelo pai. Foi o bebê Moisés em OS DEZ MANDAMENTOS, e se tornou o ator mais jovem a "assinar" um contrato para um filme: cinco meses de vida.

      Pode ter sido uma piada "triste" de quem se referiu a Heston saber apenas interpretar pesonagens históricos, épicos, ou bíblicos. Mas convenhamos que mesmo alguns dos melhores atores considerados de grande talento pela crítica não conseguem chegar a este patamar. Mas Heston prevaleceu em filmes com temáticas contemporâneas, como A MARCA DA MALDADE (1958), de Orson Welles, que é uma fita que não envelheceu e cuja o tema é de grande revelia para os nossos dias (corrupção policial), vivendo Vargas, um detetive mexicano que enfrenta o corrupto Quinlan, vivido soberbamente por Orson Welles.

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  5. Telles,

    Sem desejar desmerecer qualquer trabalho cinematográfico, mesmo com o tema Ben Hur, eu informo não conhecer qualquer outra coisa feita sobre a obra do Lew Wallace que não seja o filme do Wyler.

    A minha verdade é a seguinte: por amar tanto o filme de 1959, qualquer outra coisa feita sobre o tema, com toda certeza, iria me desagradar. Nada no mundo que se faça se comparará ao filme do Heston e, por isso, não sinto prazer em ver outra coisa.

    Não vos digo isso por qualquer outra razão senão para expor toda minha sinceridade. Repito que nada poderá ser feito que me dê mais agrado que o filme do Wyler. E por isto não me arrisco a ver nada mais feito sobre o livro do Lewis.

    Para lhe ser muito mais sincero ainda, vou informar uma coisa que não crerás; eu não vou nem assistir ao novo filme. Ainda que passe na TV, ainda que me dêm um DVD, ainda que paguem meu ingresso para ir ve-lo no cinema, eu não o verei.
    De decepções na vida já chegam as que cruzo diariamente.

    E, para vos ser mais sincero ainda informo; de tanta indignação, ( porque acho que ninguém jamais deveria tentar repetir um remake de Ben Hur depois da maravilha que foi o filme de 1959, simplesmente porque nada baterá ou agradará ao bom cinéfilo que viu o filme do Wyler vendo outra coisa qualquer sobre o tema), eu nem consegui ler direito ou com atenção sua postagem sobre o filme de 2016.

    Acho que tudo não passa de um egopismo meu. Mas não consegui digerir o inicio de sua escrita sobre o filme e então não fui adiante. Não consegui e não entendo porque TEIMAMARAM em fazer uma versão nova deste filme. É perda de tempo e eu não tenho tempo a perder indo conhecer algo que não me dirá absolutamente nada.

    Que o amigo me saiba perdoar pela sinceridade, mas não li o restante de vosso suado trabalho. Não consegui e não tenho vergonha de dizer, utilizando com o amigo toda a minha lisura de caráter.

    Parabenizo ao jovem Paulo Telles por este trabalho enorme e muito cuidadoso. O abraço por toda e qualquer informação nova que me fez conhecer do filme do Heston, assim como peço mais uma vez me perdoar pela falha de, pela primeira vez, não ler um vosso trabalho. Não consegui, não pude, não deu.

    Enorme abraço de seu amigo, que acaba de vos enviar um email sobre o que me mandaste no dia 07/09.

    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Jurandir, meu amigo!

      Veja bem: todos temos arbítrio de decidirmos e de escolhermos nossos gostos e opções, concorda? eu apenas dei uma ideia (que pode se combater com outra, quem sabe?) que o filme pode ser visto sem preocupações de se superar a uma obra premiada como a de 1959. Isso, como sabemos, é meramente IMPOSSÍVEL.

      Contudo, em meu papel de editor (e nem tanto de crítico), acho que o filme deve ser assistido, uma vez que para se traçar um comentário é preciso ver e conhecer. Mas eu ao assistir, estou certo desde então que o filme, por mais efeitos digitais e fotografia moderna que tenha, e ainda tendo apenas dois bons atores no elenco fazendo papéis ainda que de coadjuvantes (Morgan Freeman e Rodrigo Santoro), e Jack Huston (bom ator também) ser um pagável Ben-Hur - não superá em nenhum momento a obra original de William Wyler de 1959.

      É como digo, "remakes" tendem muitas vezes ao fracasso e, lamentavelmente, BEN-HUR de 2016 já perdeu dinheiro e já é considerada um dos fiascos deste ano. Mas a pergunta que não quer calar: PARA QUE REMEXER NUMA OBRA QUE DEU CERTO, GANHOU 11 PRÊMIOS DA ACADEMIA E AINDA OUTRAS HOMENAGENS AO REDOR DO MUNDO? Se problemas, pois as refilmagens apenas incentivam a cinéfilos de verdade conhecerem a obra original, e esta é indubitavelmente, a do diretor William Wyler.

      Obrigado pelo "jovem" meu amigo, ainda que já tenha passado dos 45, rsrs. Obrigado pelos comentários ilustrativos meu amigo baiano, e um forte abraço do editor carioca.

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  6. Telles,

    Dois toques aqui neste email referente a duas respostas suas. Veja:

    1 - Eu vi "Homens dsa Montanhas" lá pelos anos 80. Achei um filme lindissimo, com uma fotografia de invejar e jamais soube que era do Fraser. O tenho aqui anotado em meus alfarrábios, mas não tem o nome do diretor, que agora o porei.

    Recordo do Heston no filme e das fotografias do alto, não lembro se de avião ou helicóptero. Mas é um filme muito belo e que nunca tive oportunidade de reve-lo ou mesmo de comenta-lo com alguem. Não fosse você e essa mente maravilhosa, ele seguiria aqui em branco, sem o diretor e sem eu jamais voltar a falar nele. Valeu o informe.Você é retado!

    2 - É aquilo que se comenta no futebol: "TIME QUE ESTÁ GANHANDO NÃO SE MEXE".

    Vale o mesmo para Ben Hur. E é como tocou: para que tentar refazer algo como aquila beleza, aquela maravilha, aquele esplendor de filme?
    Burrice. E que somente serão gerados comentários negativos, tenho quase certeza disso.

    Minha filha o assistiu e veio logo me falar: "Painho? Nunca vi decepção tamanha! O filme chega a ser ruim!" Disse-me ela e levou minha copia de Ben Hur para rever e apagar de vez o 2016 da mente. Então meu amigo? Para que eu vou ver algo assim. Nunca.

    Posso até confessar que ela não gostou do filme em cima de tudo que já conhecia de Ben Hur/59 e das dezenas de vezes que assistimos juntos aqui em casa e que ficou encarnado nela tal qual em mim.
    Assim, nada que visse, ainda que melhor que o 2016, sua reação seria diferente.

    Abração e desculpe as 3 partes em tamanho monstruoso cada delas.

    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Olá Ju!

      O filme HOMENS DA MONTANHA, estrelado por Charlton Heston, tem direção de Richard Lang e o roteiro de Fraser Clarke Heston, filho do ator.

      Quanto a polêmica de se ver a refilmagem, sou da seguinte opinião de que antes de qualquer crítica definitiva, deve ser avaliada antes de tudo, mesmo que seja a pior das decepções. Claro que não tem como comparar uma Obra Prima, em arte e estilo, como foi o filme de William Wyler. Não defendo em hipotese nenhuma o "remake", só acho que para traçar alguma crítica primeiro deve se conhecer, mesmo sabendo das probabilidades de um remake quase nunca dar certo.

      Mas como somos em geral mais "saudosistas", não devemos temer nada, pois por mais evoluída tecnologia que podemos ter, e de uma plateia mais jovem que sequer conhece a obra original, ou mesmo ouvira falar de William Wyler ou Charlton Heston (o que é lamentável), não adianta fazer remontagens ou reciclar aquilo que já é CONSAGRADO ipisis literis em toda cinematografia mundial. Que os "remakes", ou "reboots", ou "o diabo a quatro", sejam meros incentivos para os mais jovens e os menos instruídos em Sétima Arte a conhecer a obra laureada de William Wyler, um dos grandes cineastas que já passou por esse mundo.

      Abraços do editor carioca!

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  7. NOBRE AMIGO, AMIGO PAULO, MAIS UM VEZ DOU MEUS SINCEROS PARABÉNS, TAL QUAL O FILME, UM COLOSSO DE TRABALHO.
    NÃO OBSTANTE DEVO REALÇAR QUE O ASPECTO RELIGIOSO SEJA O MENOS EXALTADO PELA MAIORIA DESTE MONUMENTAL LONGA METRAGEM, E A TRAMA DE SUPERAÇÃO E UMA TERRÍVEL VINGANÇA DE SEU PROTAGONISTA ECLÍPSA, ATÉ CERTO PONTO A MENSAGEM CRISTÃ, POSTO QUE ERA JUSTAMENTE ESSE ÚLTIMO ELEMENTO QUE MAIS SE DESTACA NAS INSPIRADAS PÁGINAS DO LIVRO ORIGINAL, ESCRITO PELO GENERAL ESTADUNIDENSE LEW WALACE.
    COMO VOCÊ SALIENTOU LEW WALLACE FALACEU DOIS ANOS ANTES DESTA CÉLEBRE OBRA SER REALIZADA, POR ISSO MESMO OS DIREITOS DO FAMOSO LIVRO PASSARAM PARA OS HERDEIROS DELE, QUE OS PROTEGIA SEVERAMENTE. A KALEM COMPANY FEZ QUE ERA DE PRAXE NAQUELES TEMPOS, ADAPTANDO BEN-HUR, SEM PAGAR UM TOSTÃO SEQUER PELOS DIREITOS, O QUE LEVOU A FAMILIA DE WALLACE A ENTRAR COM UMA AÇÃO PARA EXIGIR SEUS DIREITOS. O PROCESSO FOI PARAR NA SUPREMA CORTE ESTADUNIDENSE, E OS PRODUTORES PERDERAM A AÇÃO, SENDO OBRIGADOS A RESSARCIR EM 25 MIL DOLARES OS DONOS DOS DIREITOS AUTORAIS. O QUE LEVOU A LEGISLAÇÃO QUE HOJE PROTEGE OS AUTORES DE TEREM SUAS OBRAS ADAPTADAS PARA O CINEMA, SEM A DEVIDA AUTORIZAÇÃO.
    A ONDA DE FILMES COM VALORES CRISTÃOS FOI DEVIDO À CAÇA ÀS BRUXAS DO COMUNISMO, COMO VOCÊ TEM CONHECIMENTO, DESFALCOU IMPORTANTES NOMES DO CINEMA ESTADUNIDENSE, CONDENADOS NA LISTA NEGRA DOS SUPOSTOS “SUBVERSIVOS” QUE INFESTARAM A MECA DO CINEMA. DESTARTE ARRANHADOS EM SUA CREDIBILIDADE PERANTE A OPINIÃO PÚBLICA, OS ESTÚDIOS REAGIRAM ENERGICAMENTE REAFIRMANDO O SEU COMPROMISSO COM OS VALORES CRISTÃOS, EM OPOSIÇÃO À PREGAÇÃO COMUNISTA, DANDO INICIO ASSIM À ONDA DOS FILMES BIBLICOS E RELIGIOSOS, TAIS COMO, SANSÃO DE DALILA, O MANTO SAGRADO, DEMETRIUS, O GLADIADOR, OS DEZ MANDAMENTOS, ETC.
    CONCERNENTE AO GRANDE DIRETOR WILLIAM WYLER QUE DECLAROU EM UMA ENTREVISTA, ALGUNS ANOS DEPOIS, QUE ACHAVA IRÔNICO QUE UM JUDEU COMO ELE DIRIGISSE UM FILME SOBRE A VIDA DE JESUS CRISTO, PORÉM ESTAVA DECIDO A FAZER UM GRANDE TRABALHO QUE AGRADASSE AO PÚBLICO, INDEPENDENTEMENTE DE SUAS CRENÇAS RELIGIOSAS.
    AINDA COM RELAÇÃO A CAÇA À BRUXAS DO COMUNISMO, TAMBÉM DENOMINADO MACARTHISMO, HÁ NESTE GRANDE FILME, UMA FALA, NA QUAL WYLER QUE FOI GRANDE OPONENTE, QUANDO MESSALA PRATICAMENTE EXIGE, QUE BEN-HUR JUDAH REVELE OS NOMES DOS CONSPIRADORES CONTRA O DOMINIO ROMANO NA JUDEIA....

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    1. Prezado amigo Edivaldo, Boa noite!
      Em primeiro lugar obrigado por participar tão ativamente neste setor de comentários, comentários seus estes que só realçam mais minha matéria, tanto para meu próprio conhecimento como também para o conhecimento dos leitores.
      Um fato curioso é que quando o filme de 1907 foi lançado, a primeira montagem cinematográfica, se desconhecia o que hoje é chamado de DIREITOS AUTORAIS, ou Copyright, e vc como advogado, entende do assunto. A Kalem, a produtora do filme, se deu muito mal, mas com isso, tanto ela quanto outros “produtores independentes” aprenderam a lição que não se deve, sem autorização, filmar obras que tem como detentor um membro autoral.
      Os filmes bíblicos de Hollywood chegaram no auge justamente na década de 1950, e como vc bem expressou, Edivaldo, um dos motivos para a onda deste estilo foi justamente acabar com o suposto comunismo em Hollywood, e tentar influencias as plateias sobre os perigos do socialismo. Até bem pouco tempo, não havia pensado muito nesse assunto, mas seja como for, estas produções deram muita renda e público, mas com o passar dos anos, evidente que como “comer bife com batata fritas todos os dias”, vc enjoa.
      A Alusão ao “caça as bruxas” em BEN-HUR de 1959 é bem explícita, quando Messala pressiona Judah para que dê nomes de conspiradores.

      Paulo Telles

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  8. CONTINUANDO...
    O ESCRITOR RENOMADO GORE VIDAL, QUE CONSIDERAVA A OBRA DE LEW WALLACE UM LIXO E UMA TREMENDA BOBAGEM, RESISTIU O QUANTO PODE, PARA ACEITAR O ENCARGO DE ROTERISTA. SOMENTE ACEITOU SOB UMA CONDIÇÃO: QUE TIVESSE INTEIRA LIBERDADE DE FAZER MODIFICAÇÕES SIGNIFICATIVAS, CONCERNENTE À AMIZADE ENTRE OS PRINCIPAIS PERSONAGENS, JUDAH BEN-HUR E MESSALA. HOMOSSEXUAL ASSUMIDO, GORE VIDAL, PROPÔS QUE O ROTEIRO INSTISLASSE SUTILMENTE UMA RELAÇÃO ENTRE OS DOIS PERSONAGENS, QUE IA MUITO MAIS QUE UMA RELAÇÃO DE AMOR FRATERNAL. AO OUVIR TAL ASSERTIVA, WYLER FICOU HORRORIZADO, EXCLAMANDO: “GORE, VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO COM BEN-HUR”! GORE BATEU O PÉ, REPLICANDO: “SE NÃO FOR ASSIM COMO EU QUERO, NÃO TEREMOS NENHUM BEN-HUR”.
    WYLER, DE INICIO RELUTOU, MAS ACABOU CEDENDO, COM A CONDIÇÃO DE QUE O RELACIONAMENTO AMOROSO NÃO FOSSE FEITO DE MANEIRA EXPLICITA, E QUE CHARLTON HESTON, JAMAIS SOUBESSE. PORTANTO O BEIJO GAY ESTAVA DETERMINANTE VETADO, POR WYLER...
    VIDAL, É CLARO, PROCUROU SE MANTER FIEL A AQUILO QUE FOI DETERMINADO POR WYLER, PORÉM, NÃO MUITO, OU SEJA, A CENA INICIAL DO REENCONTRO ENTRE OS PERSONAGENS, POSSUI UMA FORTE CONOTAÇÃO HOMOERÓTICA, TANTO NO ABRAÇO AFETUOSO, BEM COMO NOS OLHARES ENTRE AMBOS. A ATRAÇÃO MÚTUA QUE NUTREM UM PELO OUTRO, É EXPRESSA PELOS SEMBLANTES DOS ATORES, BEM COMO PELOS DIÁLOGOS ARDILOSAMENTE AMBÍGUOS. SEGUIDO DE LANCES MARCADOS PELA SIMBOLOGIA, PRINCIPALMENTE, QUANDO OS DOIS MEDEM FORÇAS, ATIRANDO LANÇAS – SIMBOLOS FÁLICOS – NO CENTRO DE UMA VIGA DE MADEIRA, EM FORMA DE CRUZ, AOS BRADOS DE “ABAIXO EROS! VIVA MARTE”! ESTE PROFUNDO RELACIONAMENTO EMOCIONAL, FOI AMPLAMENTE BENÉFICO PARA HISTÓRIA, COLABORANDO AMPLAMENTE, AO DESENLACE ENTRE OS PRINCIPAIS PERSONAGENS, NOTADAMENTE AO ÓDIO DE MESSALA E A TRANSFORMAÇÃO INTERIOR DE BEN-HUR JUDAH, EM SEU CAMINHO PARA SE LIBERTAR DA ESCRAVIDÃO, ACEITANDO OS ENSINAMENTOS DE JESUS CRISTO.
    O RELACIONAMENTO HOMOERÓTICO, SUPRACITADO, ALGUNS ANOS DEPOIS, WYLER FOI ACOMETIDO POR CONVINIÊNCIA DE UMA AMNÉSIA DE ARAQUE, QUANDO FOI PERGUNTADO A RESPEITO DE DITA CONVERSA, ELE DISSE QUE NÃO SE LEMBRAVA QUE TAL CONVERSA TENHA ACONTECIDO, O QUE PROVOCOU UMA INDIGNAÇÃO E UM CERTO RESSENTIMENTO DE GORE VIDAL. ALIÁS, DIGA-SE TAMBÉM NO QUE DIZ RESPEITO AO CLIMA HOMOERÓTICO, SE PRESTARMOS BEM ATENÇÃO, ESTA SITUAÇÃO NÃO SE LIMITA A JUDAH E MESSALA, MAS TAMBÉM AO HERÓI E ARRIUS, ISTO SEM FALAR NOS TREJEITOS DE PONCIO PILATOS...
    AO FINAL DA GRANDE BATALHA DE QUADRIGAS QUANDO MESSALA SAI MORTALMENTE, FERIDO, AO SER ATENDIDO PELO MÉDICO QUE QUERIA CORTAR-LHE AS PERNAS, MESSALA AOS BRADOS DIZ: NÃO, NÃO O RECEBEREI SOMENTE COM A METADE DO MEU CORPO! ALIÁS- DIGA-SE, A MELHOR INTERPRETAÇÃO DE STEPHEN BOYD, ATIGINDO O ÁPICE DE SUA INTERPRETAÇÃO.

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    1. A passagem marcante e lendária da cena do brinde ente Messala e Ben-Hur rendeu muitas histórias e anedotas. Gore Vidal era um ateu declarado, mas ao mesmo tempo ele sentia atração pelo cristianismo, tanto que uma de suas obras literárias mais célebres, chamado JULIANO (que conta a história do imperador romano que tentou restituir o paganismo) ele tinha conhecimentos sólidos da formação da Igreja Católica. Mas ao ser convidado a escrever o roteiro para o filme, ele teve que ter acesso ao romance de Wallace, tanto teve que uma das falas do clássico, “Fora Eros e Viva Marte” foi tirada do livro original.

      Percebo que, naturalmente, William Wyler deveria ter se chocado com a prensa do escritor Gore Vidal (que particularmente considero um gênio da literatura), contudo sem perder este talento da escrita, foi inteligente em fazer as coisas ainda que disfarçadamente, dando sugestões ao espectador, como na cena em que eles fazem o brinde com os braços cruzados. Eu mesmo quando vi o filme pela primeira vez, aos 14 anos, percebi algo de muito estranho, pois amigos não fazem brindes como se fossem noivos brindando num casamento.
      O lado mais “gay” estava com Stephen Boyd, já que Charlton Heston interpretou naturalmente, como um amigo revendo outro depois de anos. Nota-se o olhar de alegria e o brilho nos olhos do ator irlandês (que dizem que na vida real era mesmo gay), e quando a amizade se rompe, quando Ben-Hur se nega a entregar seus compatriotas, o olhar e a expressão de Messala são de ódio, como se fosse de um “ente amado traído”.

      Vamos prosseguir!
      Paulo Telles

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  9. CONTINUANDO...

    COMO VOCÊ DISSE A CÂMERA 65MM FORAM EXCLUSIVAS PARA ESTE ÉPICO, TODAVIA O USO DESTA CÂMERA SOMENTE SE JUSTIFICOU DEVIDO À RODAGEM DA ESPETACULAR SEQUENCIA DE 11 MINUTOS, NA MONTAGEM FINAL, DA CORRIDA DE QUADRIGAS (4 CAVALOS), QUE MUITOS TEIMAM EM DIZER BIGAS (DOIS CAVALOS). PARA EVITAR QUE OS ACIDENTES QUE ACONTECERAM NO BEN-HUR SILENCIOSO, VOLTASSEM ACONTECER, TODA SEQUÊNCIA LEVOU CERCA DE UM ANO ENTRE A PREPARAÇÃO, OS ENSAIOS E AS FILMAGENS. SENDO CERTO QUE CHARLTON HESTON E STEPHEN BOYD, TIVERAM AO LADO OS MELHORES DUBLÊS DE HOLLYWOOD, COMANDADOS PELO EXPERIANTE DIRETOR DE SEGUNDA UNIDADE, YAKIMA CANUTT. ELES TREINARAM COM 78 CAVALOS DURANTE 4 MESES SEGUIDOS, ATÉ SE FAMILIALIZAREM COM AS QUADRIGAS E COM OS ANIMAIS. E POR INCRIVEL QUE PAREÇA, NINGUÉM MORREU OU FICOU SERIAMENTE FERIDO. APENAS DOIS ACIDENTES ACONTECERAM: O PRIMEIRO ENVOLVEU JOE CANUTT, FILHO DE YAKIMA, QUE FOI DUBLÊ DE CHARLTON HESTON, NAS TOMADAS DE PLANOS GERAIS. EM DETERMINADO MOMENTO A QUADRIGA EM QUE ELE CONDUZIA PASSOU POR CIMA DE UM AMONTADO DE MADEIRAS, E JOE FOI LANÇADO PARA O ALTO E CAIU NA FRENTE DO CARRO (ESTA CENA FOI MANTIDA NO FILME, PORTANTO NÃO SE TRATA DE ENCENAÇÃO). FELIZMENTE PARA TODOS, JOE CANUTT SOFREU APENAS UM CORTE NO QUEIXO; OUTRO INCIDENTE FOI MAIS GRAVE, PELO MENOS SOB O PONTO DE VISTA FINANCEIRO, POIS CUSTOU A BAGATELA DE 100 MIL DOLARES, PARA O ESTUDIO. UMA DAS QUADRIGAS AO REALIZAR UM VOLTA DE 180 GRAUS NO ESTÁDIO A TODA VELOCIDADE, A PARELHA DE CAVALOS NÃO CONSEGUIU DESVIAR A TEMPO DE UMA DAS PRECIOSAS CÂMERAS 65MM, QUE FICOU ESTRAÇALHADA.
    REFERENTE A MONUMENTAL TRILHA SONORA AO TODO MIKLOS ROSZA PASSOU QUASE DOIS ANOS PESQUISANDO E COMPONDO. DESTA FORMA ESTE ÉPICO SE BENEFICIOU, MORMENTE PORQUE A HISTÓRIA REQUERIA UMA ENORME VARIDADE DE COMPOSIÇÕES, QUE IAM DO SENTIMENTAL AO MAIS DRAMÁTICO DOS CONFLITOS PESSOAIS E RELIGIOSOS DA VIDA DE CRISTO, ATÉ ÁS BATALHAS E MARCHAS DE CUNHO MILITARES. PARA BUSCAR INSPIRAÇÃO PARA ESSAS MARCHAS, O CÉLEBRE COMPOSITOR, SE DEU AO TRABALHO DE SUBIR ATÉ O ALTO DO MONTE PALATINO, UMA DAS SETE COLINAS DE ROMA. NUM DOMINGO, ANTERIOR AO NATAL DE 1958, ELE PODE OBSERVAR A PAISAGEM QUE SE DESCORTINAVA NO VALE ABAIXO E QUE ABARCAVA AS RUINAS DO FÓRUM ROMANO, DA VIA SACRA E DO CIRCO. POIS BEM, ENQUANTO CONTEMPLAVA ESTE CENÁRIO, VEIO-LHE À MENTE O RITMO MARCIAL, EM QUE AS CENAS DAS PROCISSÕES DAS TROPAS ROMANAS DEVERIAM TER, ASSIM DOMINADO PELA EMPOLGAÇÃO, COMEÇOU A ASSOBIAR ALGUNS TRECHOS, O QUE QUE DEIXOU ATÔNITAS DUAS JOVENS ITALIANAS QUE POR ALI PASSAVAM. DESTA FORMA O PANORAMA HISTÓRICO EXIGIU QUE ESTE GRANDE COMPOSITOR MESCLASSE FRAGMENTOS DE ESTILOS DIFERENTES, GREGOS, HEBRAICOS E ORIENTAIS AOS TEMAS ROMANOS, DE FORMA TÃO INTEGRADA AO ENREDO DO FILME QUE TRILHA SONORA, QUE OCUPA UM TERÇO DO TEMPO TOTAL DE PROJEÇÃO, QUE SE TORNOU COMPONENTE DA PRÓPRIA NARRATIVA, TANTO QUANTO DO ROTEIRO E DE DIREÇÃO.
    É CERTO QUE A MAIORIA DOS CRÍTICOS LOUVOU O FILME COMO UM DOS MAIORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS – “A QUALIDADE ARTÍSTICA E O BOM GOSTO DO MR. WYLER PREVALECERAM PARA FAZER DESSE FILME UM DRAMA RICO E BRILHANTE QUE EM MUITO TRANSCENDE OS LIMITES DO ESPETÁCULO”, ESCREVEU O CRÍTICO DO THE NEW YORK TIMES. “ A GENIALIDADE IMPAR DE WYLER COMO DIRETOR É QUE ELE CONSEGUE LIDAR COM AS MULTIDÕES E AINDA ASSIM HUMANIZÁ-LAS”, DISSE O CRÍTICO DO LOS ANGELES EXAMINER. LEO MISCHKIN, DO MORNING TELEGRAPH, SINTETIZOU O SENTIMENTO GERAL DE ESTUPEFAÇÃO QUANDO AFIRMOU QUE BEN-HUR É O MAIOR COISA NAS TELAS... TODO ESTE ENTUSIÁSMO COM ESTA SUPERPRODUÇÃO SE REFLETIU NAS PREMIAÇÕES, SALIENTADAS POR VOCÊ

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    1. Felizmente, Edivaldo, nenhum óbito referente a corrida de quadrigas foi registrado (fossem com os dublês e os próprios cavalos), muito embora a perda registrada foi justamente quem financiou e planejou este grande espetáculo, SAM ZIMBALIST, que morreu de um ataque cardíaco pouco antes de terminar as filmagens. Claro, uma das câmeras 65, por mais cara que tivesse sido, “sofreu óbito”, mas pior fosse uma vida humana. Vale lembrar que na versão de 1926, estrelada por Ramon Novarro, vários cavalos morreram e um dublê perdeu a vida, e não demorou muito, a MGM (que também produziu o filme de 1959) teve que pagar prejuízos.

      Sobre o Mestre dos Mestres das trilhas de cinema, o célebre MIKLOS ROZSA, na certa ele teve suas inspirações, e ele subir no Monte Palatino, uma das famosas Sete Colinas de Roma, para ter inspirações para a composição do filme é mesmo um momento mágico. Mágico mesmo!

      Paulo Telles.

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  10. CONTINUANDO...
    PORÉM A CRÍTICA EUROPÉIA NÃO FOI NADA BENÉFICO COM O DIRETOR WYLER, QUE O CONSIDEROU UM REALIZADOR MERCENÁRIO, MUITO MAIS PREOCUPADO COM OS LUCROS DO QUE COM A PARTE ARTÍSTICA. A PRINCIPAL OJEÇÃO AO DIRETOR VEIO DA FAMOSA REVISTA FRANCESA DO “CAHIERS DU CINEMA”, CUJOS REDATORES, ATÉ ENTÃO, O TINHAM EM ALTA ESTIMA, COMO UM DOS GRANDES MESTRES DO CINEMA CLÁSSICO. NOMES COMO FRANÇOIS TRUFFAUT, JEAN-LUC GODARD E CLAUDIO CHABROL, NÃO POUPARAM CRÍTICAS AO FILME. NAQUELE MESMO ANO DE 1959, ELES E UM PUNHADO DE OUTROS JOVENS REVOLUCIONÁRIOS, ESTREARIAM ATRÁS DAS CÂMERAS EM PRODUÇÕES QUE MUDARIAM A ESTÉTICA CINEMATOGRÁFICA, NUMA TENTATIVA DE SEPULTAR O ACADEMICISMO DOS REALIZADORES DE GERAÇÕES ANTERIORES, NO MOVIMENTO QUE PASSOU A SER DENOMINADO DE “NOUVALLE VAGUE” UMA NOVA ONDA, OU NUMA VERSÃO LIVRE JOVEM GUARDA, A QUAL DEFLAGOU CORRENTES SIMILARES EM TODO MUNDO, NO BRASIL INCLUSIVE, O CHAMADO CINEMA NOVO. É EVIDENTE QUE WYLER NÃO GOSTOU, EM REPRESÁLIA, COMO FRANCÊS QUE ERA, MANDOU IMPRIMIR CARTÕES COM SE NOME, ONDE ESTAVA ESCRITO “A.V.” DE “ANCIENT VAGUE, OU SEJA VELHA ONDA OU VELHA GUARDA.
    EM SINTESE, ESTE ÉPICO INAUGUROU UMA VERTENTE QUE SERIA EXPLORADA NA DÉCADA DE 60, POR STANLEY KUBRICK, EM SPARTACUS, E MORMENTE, POR DAVID LEAN, EM LAWRENCE DA ARABIA E DR. JIVAGO.
    ALGO QUE CHAMOU ATENÇÃO E AVULTA EM BEN-HUR, SILENCIOSO FOI NA CENA DAS PARTES COLORIDAS ONDE APARECE NUM DESFILE ROMANO, “DAPHNE CENE”, MOÇAS COM SEIOS DE FORA. AINDA NESTE ÉPICO NA PARTE COLORIDA O ATOR RAMON NAVARRO APARECE COM OS LÁBIOS PINTADOS. PARA MIM FOI UMA NOVIDADE EM FILMES COLORIDOS, UMA VEZ QUE EU JÁ TINHA CONHECIMENTO, MORMENTE EM WESTERNS DO CINEMA SILENCIOSO. CONTINUANDO OS ATORES PRINCIPAIS, NA PARTE, NÃO COLORIDA, APARECEREM COM OS LÁBIOS PINTADOS, ALÉM DE TEREM SUA SOBRANCELHAS EXAGERADAMENTE FINAS -TIPO SOBRANCELHAS FEMININAS.
    EM TEMPO – NA VERSÃO DO WYLER, A AMANTE EGIPCIA DE MESSALA FOI SUPRIMIDA, E DO ELENCO PRINCIPAL O ÚNICO ATOR DE OLHOS CASTANHOS É STEPHEN BOYD, QUE USOU LENTES DE CONTATO...
    UM CURIOSIDADE, PARA ÉPICA VERSÃO PROTAGONIZADA POR RAMON NAVARRO, UM DO ATORES QUE FOI COGITADO, PARA O PAPEL DE BEN-HUR FOI O ASTRO DO GENERO WESTERN BUCK JONES, E COMO EXTRA APARECE MYRNA LOY, QUE ANOS DEPOIS SE TRANSFORMOU NUMA GRANDE ESTRELA.
    NÃO SOU FÃ DE LISTAS, MAS SE TIVESSE QUE FAZER UMA LISTA DOS MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS, CERTAMENTE, BEN-HUR ESTARIA NESTA LISTA... ALIÁS , DIGA-SE, QUE BEN-HUR É UM ÉPICO QUE MUDOU O CINEMA!
    COM ESTE COMENTÁRIO, ESPERO TER DADO UMA PEQUENA COLOBORAÇÃO PARA O SEU COLOSSO TRABALHO!

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    1. Amigo Edivaldo!

      Como disse anteriormente, sua colaboração foi gratificante para minha matéria, e não foi pequena. Agradeço sinceramente sua participação, ainda reafirmando que BEN-HUR de 1959 foi um DIVISOR DE ÁGUAS para o mundo da Sétima Arte, e influenciou outras grandes superproduções posteriores como bem temos conhecimento – DR JIVAGO, A QUEDA DO IMPÉRIO ROMANO, REI DOS REIS, LAWRENCE DA ARÁBIA, e etc!

      Valeu Coronel Lancaster por sua participação! Forte abraço do Editor!

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