terça-feira, 17 de maio de 2016

Gregory Peck: Tributo ao Galã das Causas Sociais- 1ª Parte


Ao longo de mais de 60 anos de carreira, Gregory Peck (1916-2003) personificou papéis de homens íntegros e de bom moço nas telas, personalidade esta que levou também em sua vida pessoal ao abraçar causas humanitárias. Mas, além disso, foi o galã das épocas douradas da Sétima Arte (entre suas Leading Ladys, passaram Ingrid Bergman, Jennifer Jones, Carroll Baker, Ava Gardner, Lauren Baccal, Sophia Loren, Susan Hayward), onde estreou diversos clássicos famosos de grande gosto do público, como “As Chaves do Reino”, “Virtude Selvagem”, “Duelo ao Sol”, “O Homem do Terno Cinzento”, “Os Canhões de Navarone”, e muito mais. Foi também o ator preferido de muitos cineastas renomados (passaram Alfred Hitchcook, Henry King, William Wyler, Fred Zinnemann, e outros).

Embora tivesse um talento limitado e não muito vibrante (sem o talento de Spencer Tracy ou de Fredric March, ou a energia de Kirk Douglas), porém, Gregory Peck irradiava integridade, consideração, honestidade, e solicitude, conseguindo atrair plateias, especialmente o público feminino.

Ganhou o Oscar pela sua atuação como o advogado Atticus Finch no clássico anti-racista “ O Sol é Para Todos”, de Robert Muligan, em 1963. Duas semanas antes de sua morte, em 2003, o personagem vivido por Peck no filme de Mulligan foi eleito como o “maior herói do cinema americano”. Celebrando o centenário do ator (ocorrido em abril), vamos relembrar os grandes momentos e os grandes clássicos que este eterno galã das telas participou, uma retrospectiva de sua vida e sua obra cinematográfica, que serão traçadas em duas partes. A Primeira, já aqui presente, e a segunda e última parte, na próxima semana. 

A VIDA E A OBRA DE GREGORY PECK
1ª pARTE
Por Paulo Telles




Eldred Gregory Peck nasceu na pequena cidade de La Jolla (hoje San Diego), sul da Califórnia, numa ensolarada manhã de 5 de abril de 1916. O pai descendia de irlandeses e tentou estudar medicina, mas logo se frustrou pelo curso, acabando por ser proprietário de uma farmácia em La Jolla. A mãe, Bernice, uma católica devota, se contentava apenas em ser dona de casa. Na infância e adolescência, Gregory frequentou escolas católicas em San Diego, e viveu grande parte na companhia de sua mãe e de sua avó materna. Seus pais se separaram quando Peck tinha dois anos de idade.

Gregory Peck aos 4 anos de idade.
Contrariamente do que acontece quando muitos filhos são criados longe do pai, em um lar onde se domina as mulheres, Gregory não sofreu influência dominante da mãe. Viveu grande parte da adolescência em Saint Louis, Missouri. Mais tarde indo para San Francisco, Califórnia, foi viver com um tio condutor de bondes. Muitas vezes visitava o pai em La Jolla, e os dois se mantiveram amigos. Quando Peck tinha seis anos, os pais finalmente se divorciaram, não por animosidade, mas porque o pai do futuro astro de Hollywood não tinha condições de sustentar a família. Em sua autobiografia, Peck declarou que seu pai havia sido um péssimo negociante, forçando-o a vender a farmácia, e posteriormente indo trabalhar numa drogaria, em troca de um modesto salário.

Tanto sua mãe quanto seu pai voltaram a casar. Gregory viveu algum tempo com o pai e a madrasta até tornar a residir com sua mãe e o padrasto.  Para satisfazer a vontade do pai, Peck pensou em ser médico, mas o dinheiro era escasso para pagar os estudos universitários. Assim, Peck se dirigiu ao San Diego State College, até conseguir economizar bastante para ingressar na Universidade de Berkeley, em San Francisco. E fez isso trabalhando duro: guiando caminhões.

O jovem Gregory.
Em Berkeley, ele terminou os estudos, e foi lá mesmo que começou a florescer seu interesse pelas artes cênicas.  Dono de excelente voz e ótima dicção chegou a ganhar vários prêmios em oratória, e não muito depois, se juntou a uma trupe de teatro dentro da universidade. 
Por um acaso (e espantoso!), sua primeira peça no teatro da universidade foi Moby Dick, baseado na obra literária de Herman Melville (1819-1891), publicada em 1851. O romance seria tema de um dos mais famosos filmes de sua filmografia tempos depois. Na peça, Peck viveu Starbuck, papel que seria vivido por Leo Genn na versão estrelada por Gregory anos mais tarde em filme dirigido por John Huston. 

A AFINIDADE COM A POLÍTICA
Durante a plena mocidade de Gregory Peck, os Estados Unidos viveu sua grande crise econômica, com a miséria rondando milhares de famílias. Era a época da Depressão dos anos de 1930, com crises e greves. O Fascismo e o Nazismo invadindo a Europa; uma tremenda guerra civil na Espanha. E o jovem Peck não poderia ficar alheio a todos estes acontecimentos. Ele mesmo confidenciou durante toda sua vida que ele, como um estudante, sofria influências de ideias políticas. Peck leu New Masses, um jornal de tendência comunista, simpatizando com os legalistas espanhóis contra as tropas do General Franco. Foi também um adepto fervoroso do governo Roosevelt, tão combatido pela Imprensa, pelos trustes, e pelos banqueiros de sua terra. 


Entretanto, isso não o tornou um “militante vermelho”. Com o passar dos anos, com a América recobrando o ânimo da gestão de Roosevelt, mesmo combatida injustamente, o seu entusiasmo pela politica foi se desanimando, dando prioridade ao teatro a partir de 1939, quando embarcou para Nova York. A Broadway iria, em breve, conhecer sua arte.

O TEATRO
1939 era o ano da Feira de Nova York, e nela, o jovem Peck conseguiu um emprego em um parque de diversões graças a sua bela voz e dicção perfeita para atrair o público. A ronda que fazia aos agentes teatrais não poderia ser em vão, pois era um rapaz de bela estampa possuidora de uma linda voz, e um talento que parecia aguardar a primeira oportunidade. Acabou ganhando uma bolsa de estudos no Neiborhood Playhouse. Estudava de noite e, de dia, trabalhava como guia no Rockfeller Center. Não demorou, e a sorte lhe sorriu, quando o empresário Guthrie McClintic, marido da atriz Katharine Cornell, o viu representar e lhe deu um papel ao lado da esposa na peça The Doctor’s Dillemma.

Greg acompanhado de sua primeira esposa, Greta.
Em 1942, Peck já era galã de Wendy Barrie em Morning Star, escrita pelo ator Rhys Williams, e nela apareciam (além de Williams) Gladys Cooper, Jill Esmond, Brenda Forbes, e Nicholas Joy. Na empresa de Cornell, Peck conheceu Greta Konem, uma cabeleireira finlandesa, um pouco mais velha que ele, não muito bonita mais extremamente simpática. No dia 4 de outubro de 1942, Greg e Greta se casaram. 


O CINEMA - HOLLYWOOD
Em 1944, em plena guerra, Peck tentou se alistar, mas foi recusado pelo Exército por sofrer de um mal na coluna (durante oito anos, o ator usou um colete de aço). Não partindo para lutar na Guerra, Greg foi para Hollywood, onde realizou um teste, onde foi imediatamente aprovado. Logo, foi contratado pelo produtor-roteirista Casey Robinson (1903-1979) para ser o galã de Tamara Toumanova (1919-1996), que futuramente seria esposa de Casey e era bailarina do Balé Russo, radicada nos Estados Unidos. O filme foi Quando a Neve Tornar a Cair/Days of Glory, dirigido por Jacques Tourneur (1904-1977), onde narrava a história de guerrilheiros russos em combate contra os nazistas. A partir de então, Peck nunca mais deixaria o cinema, e marcaria seu terreno como um dos mais populares e mais bem pagos atores de sua geração.

Greg em seu primeiro filme, com Tamara Toumanova: QUANDO A NEVE TORNAR A CAIR, em 1944.
Com Ingrid Bergman no clássico de Hitchcock QUANDO FALA O CORAÇÃO, em 1945
Seu primeiro filme, porém, não foi grande sucesso, mas fez o ator receber convites de vários estúdios. Isto é importante em salientar porque muitos atores de sua geração eram empregados de determinados estúdios. Tyrone Power (20ª Century Fox), John Wayne (Republic), Gary Cooper (Paramount), Spencer Tracy (Metro), Robert Taylor (Metro), Robert Ryan (RKO), William Holden (Paramount) - só estes para menção - eram astros exclusivos de cada uma destas empresas, contudo não foi dessa forma para Gregory Peck, que foi um dos primeiros astros Free Lancer que não se prendeu a um contrato com algum estúdio cinematográfico.

O VALE DA DECISÃO, com Greer Garson, em 1945.
Com Ingrid Bergman: QUANDO FALA O CORAÇÃO, em 1945
Looby Card de QUANDO FALA O CORAÇÃO
No ano seguinte, 1945, Peck já era um astro promissor em Hollywood, e atuou em seu primeiro filme importante, sob direção de Alfred Hitchcock (1899-1980) : Quando Fala o Coração/Spellbound, onde foi o galã de Ingrid Bergman (1915-1982), sendo a película indicada ao Oscar para melhor filme do ano e com trilha sonora marcante de Miklos Rozsa (1907-1995). A seguir veio O Vale da Decisão/The Valey of Decision, ao lado da fenomenal Greer Garson (1904-1996), sendo ela indicada para melhor atriz, sob direção de Tay Garnett (1894-1977)..

Com Edmund Gwenn: AS CHAVES DO REINO, 1945
Gregory Peck como o Padre Missionário Francis Chrisholm: AS CHAVES DO REINO, em 1945.
Ainda no mesmo ano, Peck aceitou fazer o papel de um padre em As Chaves do Reino/The Keys of the Kingdom, até mesmo para agradar a mãe católica. Dirigido por John M. Stahl (1886-1950), aqui Greg recebeu sua primeira indicação ao Oscar para melhor ator, no papel do Padre escocês Francis Chisholm, que exercia seu ministério na China no século XIX. Foi o segundo filme do astro em Hollywood.

Looby Card de VIRTUDE SELVAGEM, de 1946.
Com Claude Jarman Jr: VIRTUDE SELVAGEM, 1946
Entre Jarman Jr e Jane Wyman: VIRTUDE SELVAGEM.
Em 1946, o ator recebeu sua segunda indicação para o Oscar, no pastoril Virtude Selvagem/The Yearling, seu primeiro filme colorido, que também teve indicações para o Oscar de melhor filme, melhor diretor (Clarence Brown, 1890-1987), e melhor atriz (Jane Wyman, 1917-2007), ganhando apenas na categoria de Fotografia a Cores. 


Duelo ao sol: O primeiro Western.

Sob forte influência de seu produtor David O Selznick (1902-1965), Duelo Ao Sol/ Duel of The Sun foi o primeiro Western da carreira de Gregory Peck, realizado em 1946, sob direção de King Vidor (1894-1982). Ao longo da sua carreira, Peck protagonizaria grandes filmes no gênero, se notabilizando como um dos grandes Mens of The West no cinema. 

Gregory Peck e Jennifer Jones, no erotizante DUELO AO SOL, em 1946.
Abraçando Jennifer Jones: DUELO AO SOL, 1946
Enfrentando o irmão Joseph Cotten: DUELO AO SOL
Aqui, por incrível que pareça, ele faz um raríssimo vilão, cujas figuras maiores no centro das atenções são Jennifer Jones (1919-2009), Lionel Barrymore (1878-1954), e a lendária Lilian Gish (1893-1993). Mais detalhes sobre esta obra prima da Sétima Arte (o filme que introduziu o chamado “beijo francês” no cinema americano, com forte teor de ousadia e erotismo por parte do casal Peck & Jones) acesse o link e conheça mais sobre a produção em http://articlesfilmesantigosclub.blogspot.com.br/2014/01/duelo-ao-sol-um-western-de-ousadia-e.html, uma das mais milionárias da década de 1940.




A LUZ É PARA TODOS
Em 1947, Peck atua em outro trabalho importante, que desta vez ganhou o Oscar por melhor filme e sua terceira indicação para melhor ator: A Luz é Para Todos/Gentleman’s Agreement, onde Greg vive um jornalista americano que se faz passar por judeu para sentir o amargo sabor do antissemitismo. Dirigido por Elia Kazan (1909-2003)  e produzido por Darryl F. Zanuck  (1902-1979) tem roteiro baseado no livro do mesmo nome de Laura Z. Hobson (1900-1986).

Como o jornalista Philip Green: A LUZ É PARA TODOS, 1947
Assistindo John Garfield brigar, sob os olhares de Celeste Holm: A LUZ É PARA TODOS, de Elia Kazan, 1947.
Com Celest Holm: A LUZ É PARA TODOS.
Ganhador de três Oscars (incluindo melhor filme do ano de 1947), foi dos primeiros filmes a abordar diretamente o preconceito racial. O orçamento do filme foi de dois milhões de dólares e tornou-se a maior bilheteria dos estúdios 20ª Century Fox em 1948. Além de Peck brilham nomes como Dorothy McGuire (1916-2001), John Garfield (1913-1952), Celeste Holm (1917-2012), Anne Ravere (1903-1990), June Havoc (1912-2010), Albert Decker (1905-1968), e Jane Wyatt (1910-2006).

Outros sucessos no fim da década de 1940
Ainda em 1947, Gregory Peck atuou em Covardia/The Macombe Affair, do cineasta húngaro Zoltan Korda (1895-1961), que o crítico James Agee (1909-1955) considerou como o melhor filme baseado num texto de Ernest Hemingway realizado até então. Em 1948, mais uma parceria com o Mestre do Suspense Alfred Hitchcock, em Agonia de Amor/The Paradise Case, e ainda seu segundo Western, Céu Amarelo/Yellow Sky, de William A. Wellman (1896-1975), contracenando com Anne Baxter (1923-1985) e Richard Widmark (1914-2008).

Com Joan Bennett e Robert Preston: COVARDIA (1947)
Com Ann Todd: AGONIA DE AMOR (1947)
Com Anne Baxter, no Western CÉU AMARELO (1948)
Com uma dezena de filmes num espaço de oito anos de carreira, Gregory Peck já solidava sua personalidade cinematográfica. Ele irradiava integridade, honestidade, e solicitude, embora sua presença não fosse vibrante. Muitos de suas grandes atuações de deveram a personagens que se encontravam em situações críticas, forçados em agir em desacordo com suas convicções, como em Almas em Chamas/Twelve O’ Clock High, em 1949, onde Peck vive o General Savage, que tem que mandar seus comandados a uma possível morte, em missões aéreas, durante a Segunda Guerra Mundial. 

Como o General Savage em ALMAS EM CHAMAS, 1949
Com Hugh Marlowe: ALMAS EM CHAMAS, 1949
Looby Card de ALMAS EM CHAMAS
Essa fita, a primeira que fez em parceria com Henry King (1886-1982), diretor que aproveitou muito com o estilo sério e elegante de representação do ator, sendo sucesso de bilheteria (originando até mesmo uma série de TV), proporcionando ainda a Peck outra indicação para o Oscar, mas ainda não foi dessa vez alcançada a tão almejada estatueta, pois o premiado foi o ator Dean Jagger (1903-1991) que faturou o Oscar de melhor ator coadjuvante pelo papel do Major Stovall. 


QUASE MARCUS VINÍCIUS.
Em 1949, Gregory Peck partiu para Roma, para filmar Quo Vadis/Quo Vadis, que seria o primeiro filme americano produzido a cores nos famosos estúdios de Cinecittá. As filmagens começaram sob a direção de John Huston, com Peck fazendo a parte do oficial romano Marcus Vinicius e Elizabeth Taylor como Lygia, sua amada cristã. As filmagens já haviam consumido 12 anos de preparativos. Contudo, durante a produção, o Chefão da Metro, Louis B. Mayer (1884-1957), não gostou do roteiro, que queria um épico religioso aos moldes de Cecil B. DeMille, e não um tratamento moderno, no então momento, para Nero (papel já assumido pelo brilhante Peter Ustinov), assemelhando-o a Adolf Hitler em sua obstinada perseguição aos Cristãos, seu protótipo parceiro de loucura. Afinal, não fazia muito tempo, a Segunda Guerra ainda fazia parte desgostosa na lembrança de muitos.

O teste de figurino de Peck para o papel de Marcus Vinicius em QUO VADIS.
Huston não gostou das interferências de Mayer e resolveu abandonar a direção do espetáculo, e gastos em Roma começaram a ficar dispendiosos (cerca de dois milhões de dólares já haviam sido gastos e nada). Logo, Gregory Peck também abandonou o filme (acabou contraindo uma infecção nos olhos) e Liz Taylor (que alegou outros projetos, mas acabou numa ponta de multidão no filme). Só Peter Ustinov e seu Nero foram mantidos. Mudados roteiro, diretor e atores centrais, a produção seguiu seu curso em Cinecittá durante sete meses, e Robert Taylor assumiu o papel outrora destinado à Peck e Deborah Kerr o papel destinado à Elizabeth Taylor, e o grande espetáculo épico religioso lançado nos cinemas americanos em 1951. 

Looby Card de O MATADOR, de 1950
O Matador - Um dos melhores Westerns de todos os tempos.
Um dos primeiros filmes do gênero a abordar psicologicamente o mito do homem do Velho Oeste Americano (nascendo assim outro contexto para o gênero, o Western Psicológico), O Matador/The Gunfight, de 1950, traz Peck como Jimmy Ringo, um temível pistoleiro que quer abandonar as pistolas e viver em paz com sua esposa (Helen Westcott, 1928-1998) e seu filho, que ele ainda não conhece. Mas sua fama de “matador” e grande pistoleiro, na mesma medida que faz temer alguns, outros já não o temem e querem desafia-lo, com intuito de conseguir fama. Jimmy não consegue a paz que almeja e é obrigado a empunhar de novo as pistolas. 

Gregory Peck, imortalizado como Jimmy Ringo.
O temído, e ao mesmo tempo, desafiado, Jimmy Ringo.
Gregory Peck em um de seus papéis mais notáveis no gênero Western.
Dirigido por Henry King (que havia dirigido Peck em Alma em Chamas no ano anterior), é considerado uma das maiores obras primas do Far-West cinematográfico, um profundo estudo acurado dos mitos e da sociedade vivente do Velho Oeste, que eletrizavam seus ídolos quando ao mesmo tempo podiam critica-los ou mesmo desafia-los.

Com Barbara Payton: RESISTÊNCIA HEROICA, em 1951.
Em 1951, Peck atuou em outro faroeste, Resistência Heroica/Only The Valiant, dirigido por Gordon Douglas (1907-1993), onde ele viveu um Capitão da Cavalaria Americana que precisa destacar soldados para uma missão quase suicida: entregar as autoridades um chefe apache para ser julgado. Western feito com categoria por um grande artesão, aonde o destaque maior vai para Ward Bond (1903-1960) em uma grande atuação, e onde Peck teve como par romântico a bela e promissora Barbara Payton (1927-1967), que lamentavelmente teria sua carreira jogada por água a baixo por conta de sua vida desregrada.

A DÉCADA DE 1950
Os saudosos anos dourados de 1950 foram produtivos para Gregory Peck. Em 1951, o diretor Henry King, aproveitando o “porte de rei” de Gregory Peck, o fez encarnar o Rei Davi no bíblico Davi e Bethsebá/David and Bethseba, contracenando com Susan Hayward (1918-1975). Uma obra religiosa que inaugurou junto com Sansão e Dalila (1949) e Quo Vadis (1951) um rosário de épicos bíblicos em Hollywood que vigoraria por quase toda década de 1950. No ano seguinte, Peck novamente atua ao lado de Hayward e junto a Ava Gardner (1924-1990) em As Neves do Kilimanjaro/The Snows of Kilimanjaro, sob direção novamente de Henry King.

Como o Rei Davi, ao lado de sua rainha Susan Hayward, no bíblico DAVI E BETHSEBÁ, em 1951.
Com Ava Gardner, em AS NEVES DO KILIMANJARO, 1952.
Com Ann Blyth, a esquerda, em O MUNDO EM SEUS BRAÇOS, de Raoul Walsh, em 1952.
Em O Mundo em Seus Braços/ The World in His Arms, ainda de 1952, Peck é um aventureiro do mar que fará de tudo para conquistar a mulher que ama, uma condessa russa vivida por Ann Blyth, um dos melhores exemplares de filme de aventura e romance dirigido por um lendário cineasta, Raoul Walsh (1887-1980), e ainda tendo Anthony Quinn (1915-2001) vivendo um marujo português.

Como o Capitão inglês Horatio Hornblower: FALCÃO DOS MARES, de Raoul Walsh, em 1952
Com Virginia Mayo: FALCÃO DOS MARES.
No mesmo ano, ainda com o cineasta Walsh, Greg realizou O Falcão dos Mares/Captain Horatio Hornblower, aventura clássica da Warner, que fez muito sucesso, ao lado da bela Virginia Mayo (1920-2005).  Para o papel principal, que exigia um ator britânico (quem sabe Stewart Granger?), Peck ainda tentou ensaiar um sotaque inglês, mas logo foi abandonada esta ideia (o ator nunca foi bom para sotaques) e apesar desta deficiência se comportou bem como o Capitão Horatio Hornblower, um personagem que tem aspectos de anti-herói.  


A PRINCESA E O PLEBEU – CLÁSSICO DOS FILMES DE ROMANCE, OBRA MESTRA DE WILLIAM WYLER.
Um projeto para A Princesa e o Plebeu/Roman Holiday já existia nas gavetas da RKO, que tinha em mente Frank Capra para dirigir e Cary Grant e Elizabeth Taylor para estrear. Mas com o fim da Segunda Guerra Mundial, os diretores Frank Capra, George Stevens, e William Wyler, formaram uma sociedade comercial, a Liberty Films, como companhia produtora independente, fazendo contrato com a RKO Radio Pictures para realizar nove filmes, um negócio que envolveria um investimento de 15 milhões de dólares. Uma das propriedades literárias adquiridas por Capra era a história de A Princesa e o Plebeu, que ele tinha planos de rodar com Elizabeth Taylor e Cary Grant.

Greg com Audrey Hepburn: A PRINCESA E O PLEBEU (1952)
Entretanto, no fim dos anos de 1940, houve um verdadeiro tumulto financeiro para a indústria de filmes nos Estados Unidos e diante disso, a nova companhia logo se encontrou em terríveis dificuldades, com Hollywood tomada de assalto pelo Comitê de Atividades Antiamericanas e pela decisão do departamento de justiça, que por lei votada no congresso, obrigou as grandes empresas produtoras a se desvincular de suas cadeias de cinema.

A PRINCESA E O PLEBEU
Além disso, depois dos decepcionantes resultados financeiros da segunda produção da Liberty Films, Sua Esposa e o Mundo/State of Union, de 1948, dirigido por Frank Capra, com Spencer Tracy e Katharine Hepburn e produzida pela MGM, (já que a RKO não tinha recursos para bancar o projeto), os sócios defrontaram-se com incontornável adversidade econômico-financeira e decidiram vender a Liberty Films para a Paramount Pictures, tendo no “kit”, além de instalações e estoques, as propriedades literárias, incluindo Roman Holiday, com Frank Capra planejando dirigir sob a égide do estúdio.

William Wyler dirigindo Peck e Audrey em A PRINCESA E O PLEBEU
Entretanto, O Chefe da Paramount Pictures, Barney Balaban, decidiu que nenhum filme do estúdio poderia ultrapassar o valor de um milhão de dólares. Considerando que esse limitado apoio financeiro não lhe daria condições para levar a cabo a produção e levar seus projetos adiantes conforme suas intenções, Frank Capra abandonou o projeto.


A Paramount então ofereceu o filme a William Wyler (1902-1981), que queria muito fazê-lo e aceitou, com a condição de lhe ser permitido filmar na “Cidade Eterna”, Roma. Disse Wyler aos magnatas da Paramount: “Não precisaremos reconstruir aqui (em Hollywood) o coliseu, as escadarias da Praça de Espanha, ou a Fonte dos Desejos. Ou rodarei o filme inteiro em Roma ou não o farei”.


E Gregory Peck?

Os magnatas da Paramount toparam as condições de William Wyler. Seria o primeiro filme americano a ser rodado na Europa, no pós-guerra. Wyler prontamente enviou o roteiro a Gregory Peck, pois o queria no papel do jornalista americano Joe Bradley. Peck leu o roteiro, e de início ficou um pouco desanimado, porque viu que a “Princesa” era o verdadeiro destaque do filme, e devolveu o roteiro a Wyler, explicando suas razões.
Não esperando por aquilo, Wyler ficou atônito: “Você me surpreendeu, Greg. Se não gostou da história, tudo bem. Mas recusar o papel porque a parte do outro personagem é um pouco melhor do que a que lhe foi oferecida não é razão para não fazê-lo. Jamais pensei que você fosse daquele tipo que mede o tamanho dos papéis”.

O cineasta Wyler em ação.
Foi, sem dúvida, um artificioso apelo a um ator que sempre foi conhecido e respeitado pelo altruísmo. E funcionou. Peck pensou novamente no caso, mudou de ideia e assinou contrato para fazer o filme. Para a atriz para viver a “Princesa”, Wyler chegou a exaustão na busca da intérprete. O papel, segundo os “cartolas” da Paramount, exigia uma “cara nova”, desconhecida do público. Wyler fez diversos testes com atrizes, cujas belezas eram óbvias em Hollywood, apreciou e descartou um monte delas. Entretanto, decidiu que poderia usar Jean Simmons, então contratada de Howard Hughes da RKO Radio. Mas Hughes pediu pelos serviços da atriz um preço considerado muito alto, fora que ele poderia cede-la comente após o cumprimento de seus compromissos com a RKO, o que resultaria em exorbitante atraso para o início das filmagens. Logo, Simmons teve que ser descartada das considerações de Wyler. A atriz nunca perdoou o cineasta.

A PRINCESA E O PLEBEU, um dos mais belos clássicos românticos do cinema.
Assim, a favorecida foi a anglo-irlandesa Audrey Hepburn (1929-1993), nascida em Bruxelas que era uma das candidatas a uma entrevista com Wyler durante uma parada em Londres. O diretor se impressionou com a delicada aparência de Audrey e de seu porte gracioso, providenciando imediatamente um teste para ela, que lhe seria posteriormente enviado a Roma para apreciação. Quando fez a projeção do material recebido, Wyler ficou convencido que Audrey Hepburn era a sua “Princesa” no filme.

As filmagens em Roma tiveram início em junho de 1952. E Gregory Peck recordaria o primeiro dia: “Willy Wyler reuniu todo o elenco e disse:É Bom que saibam, meus jovens, que há apenas uma Prima Donna neste filme – e SOU EU! Quero que tenham isso em mente até o fim de nosso trabalho””. 

Divulgação do filme nas salas cariocas em 1953
Audrey angariou o Oscar de melhor atriz pelo papel em sua grande estreia cinematográfica, e a obra prima de Wyler ainda faturou o Oscar de melhor figurino (em preto & branco) e melhor história original. Na década de 1970 chegou a ser proposta uma sequência para A Princesa e o Plebeu, que reuniria mais uma vez Audrey Hepburn e Gregory Peck (que se tornaram grandes amigos ao longo da vida). No filme, Ann já seria uma rainha e Joe Bradley um romancista de sucesso, com a história central se passando entre seus filhos, que se apaixonariam. Porém, tal filme nunca chegou a sair do papel.

Outros sucessos da década de 50.
Um dos astros mais prolíferos da década, Gregory Peck arrecada um sucesso após outro. Em 1954, contracenou com Broderick Crawford (1912-1986) e Rita Gam (1928-2016) em A Sombra da Noite/Night People, de Nunnally Johnson (1897–1977), um criminal detetivesco que se passa na Alemanha.

Com Rita Gam (falecida em março deste ano) em A SOMBRA DA NOITE, em 1954.
Com Jennifer Jones: O HOMEM DO TERNO CINZENTO, em 1956.
Uma incursão pela comédia em Loucuras de um Milionário/Man with a Million, de Ronald Neame (1911–2010), ainda em 1954; e O Homem do Terno Cinzento/The Man in the Gray Flannel Suit, de 1956, também dirigido por Nunnaly Johnson, um drama familiar e profissional onde Peck voltou a atuar com Jennifer Jones, e ainda no elenco o talentoso Fredric March (1897-1975). 

Looby Card de MOBY DICK - 1956

MOBY DICK
Voltando ao tema que iniciou em seus primeiros anos no teatro na universidade, Peck estrela Moby Dick/Moby Dick em 1956, readaptação para o cinema do romance homônimo de Herman Melville. Dirigido por John Huston (1908-1987) e já levada às telas duas vezes antes (em 1926 e em 1930, ambas as versões estreladas por John Barrymore como o Capitão Ahab). A Warner Brothers, o estúdio produtor do filme, queria em 1943 fazer uma refilmagem do livro com direção de Lewis Millestone  e com Errol Flynn como Ahab, contudo a ideia não foi avante. Até que em 1953, Huston convenceu a mesma Warner a bancar uma grande produção para o livro de Melville.

MOBY DICK: Gregory Peck, Leo Genn, e Harry Andrews.
Gregory Peck foi escolhido a dedo por John Huston para o papel do amargurado, vingativo, e transtornado Capitão Ahab, que em sua sandice obsessiva, quer capturar uma baleia branca que mutilou sua perna. No elenco desponta Richard Basehart (1917-1984) como Ismael, o único sobrevivente de um bote de homens entre os quais estava Ahab, que morreram tentando capturar a baleia, e ainda em destaque, o inglês Leo Genn (1905-1978), no papel do imediato Starbuck.

Peck como o transtornado Capitão Ahab.
Apesar de bem sucedido nas bilheterias, a atuação de Gregory Peck foi criticada. Mas John Huston defendeu o ator, e ao longo de sua vida o cineasta sempre considerou um de seus melhores filmes e um de seus prediletos, considerando uma injustiça as criticas a atuação de Peck como Ahab.  Huston declarou:

“Pessoalmente, acho que Greg Peck deu dignidade ao papel de forma soberba. Ele revelou a obsessão de Ahab através das palavras ditas suavemente, numa perturbadora, controlada intensidade de pensamento e ação, como se sua alma tivesse sido trespassada por um relâmpago. Fora do bombástico e desvairado psicótico do romance original e nem como foi retratado por John Barrymore, como os fãs costumam lembrar”. 

John Huston e o cast de MOBY DICK, onde se acentuam na foto Gregory Peck, Leo Genn, Tamba Allemby, Friedrich Von Ledebur,
Edric Connor, e Royal Dano.
Além do elogio do cineasta, Peck ainda demonstrou grande coragem durante as filmagens, pois as sequencias finais tiveram que ser feitas sem dublês, por causa dos Close-Ups. A baleia era, na verdade, um enorme cilindro, ajustado para girar numa marcha continua e havia o perigo da engrenagem parar enquanto o ator tivesse submerso.


Peck, THE MAN OF THE WEST, em dois grandes classicos do faroeste Americano.

Aos 42 anos, Gregory Peck já era um astro rico das telas de cinema, apesar de ainda não ter conquistado um prêmio da Academia. Em 1958, Greg investiu em dois eletrizantes Westerns, ambos dirigidos por competentes cineastas: Da Terra Nascem os Homens/The Big Country, e O Estigma da Crueldade/The Bravados. O primeiro, dirigido pelo nobre William Wyler (1902-1981), e o segundo pelo constante parceiro Henry King (1886-1982).

Looby Card de DA TERRA NASCEM OS HOMENS, 1958
DA TERRA NASCEM OS HOMENS foi um dos primeiros filmes a divulgar em tons pacifistas o gênero estritamente americano por excelência.  William Wyler certamente foi um dos maiores cineastas de todos os tempos, mas  nunca se considerou um “autor de filmes” e nunca foi esta a sua pretensão, e por isso era ignorado pela turma francesa do Cahiers du Cinéma, legião esta que, justamente, inventou o conceito do “cineasta ser o artesão da obra”. Trabalhava por encomenda sim, muitas vezes para produtores independentes (como Samuel Goldwyn). Não é possível se detectar um estilo de narrativa, um tipo de fotografia, ou sequer um ângulo favorito, em que não haja a participação de Wyler.

Peck abraçado a Carroll Baker, sob os olhares ciumentos de Charlton Heston: DA TERRA NASCEM OS HOMENS, 1958
THE BIG COUNTRY é também o primeiro Western a ser, de fato, uma superprodução, já que, em 1958, a televisão invadia os lares americanos, lançando muitas séries de faroestes, como As Aventuras de Rin Tin Tin, The Lone Ranger (Zorro & Tonto), Paladino do Oeste, Gunsmoke, o Homem do Rifle, entre outros - e, no entanto, seria imperioso um investimento alto para não perder a concorrência com a telinha.  Para isto, nada como reunir um cineasta premiado e de renome internacional, atores consagrados, um compositor que pudesse prender o espectador com a trilha sonora, e um fotógrafo que pudesse dar todo o panorama que nenhum televisor poderia enquadrar.

Gregory Peck é o dandy do Leste James McKay
O resultado deste esforço épico foi uma obra de 165 minutos de duração e que custou cinco milhões de dólares, causando grande impacto e levando o público aos cinemas e definitivamente marcou aqueles que o assistiram por suas cenas de inigualável e impressionante beleza visual. Baseada no conto Ambush at Blanco Canyon de Donald Hamilton (o mesmo autor de Um Pecado em Cada Alma, e os livros do espião Matt Helm) e adaptada por Jessamyn West (1902-1984, autora Sublime Tentação, obra de Wyler, com Gary Cooper), Da Terra Nascem os Homens é considerado um exemplar dos mais sublimes do Far-West cinematográfico.

Elenco em ação, sob o olhar lá de cima do diretor William Wyler:
DA TERRA NASCEM OS HOMENS - 1958.
Gregory Peck, astro e co-produtor do filme, conversando com Wyler, e ao lado do ator, Carroll Baker.
William Wyler e Gregory Peck eram grandes amigos, inclusive foi o próprio ator que coproduziu este fascinante superespectáculo. Porém, durante as filmagens, Peck e Wyler se desentenderam feio. Tudo porque Wyler, um perfeccionista ao extremo, fazia questão de repetir muitas cenas as quais Gregory Peck, como coprodutor, reprovava e achava que estavam perfeitas. O cineasta disse a jornalistas – e fez questão de dizer que estava falando em on, para publicar – que não voltaria a dirigir o ator nem por um milhão de dólares. Com efeito, ambos jamais voltariam a se falar, até Wyler falecer em 1981.

Chuck Connors, um dos grandes inimigos do pacífico Peck no filme.
O Major Terrill (Charles Bickford) com Julia (Jean Simmons) e McKay (Peck)
Uma obra de efeito esplendoroso, aqui ritmados pela música vibrante de Jerome Moross (1913-1983), onde Gregory Peck vive um dandy do Leste, James McCkay, que vai visitar a noiva Patricia Terrill (Carrol Baker) e encontra uma região abalada pelo conflito de terras: dois barões de gado, o pai de Patricia, Major Henry Terrill (Charles Bickford, 1889-1967) e Rufus Hannessey (Burl Ives, 1909-1995, que conquistou o Oscar de melhor ator coadjuvante pelo papel) disputam o rancho pertencente a Julia Maragon (Jean Simmons, 1929-2010). Para evitar mais conflitos, o pacifista McCkay compra o rancho e a água de Julia com intuito de servir aos dois opositores, mas para isso, ele terá que enfrentar a ira de Buck (Chuck Connors, 1921-1992), filho de Rufus, que tem interesse em Julia (e ela por McCkay ) – e também os ciúmes do capataz do rancho do Major Henry, Steve Leach (Charlton Heston), que se interessa por Patricia, e chama McCkay para uma briga que se desenrola por longas horas da manhã. 

Para salvar Julia, o pacífico McKay (Peck) recorre a violência, desferindo um soco em Buck (Chuck Connors)
Steve Leach (Charlton Heston) e McKay (Peck), em uma implacável luta de socos.
A saudosa jornalista Dulce Damasceno de Brito (1926-2008), que na época era correspondente da revista O Cruzeiro e também do Diário dos Associados, visitou o set durante as filmagens e acompanhou Peck e Heston em uma pré-encenação para a cena da luta que estava por rodar, e tudo sem dublês (que foram utilizados apenas para as cenas de longa distância em algumas sequencias). 

Poster de O ESTIGMA DA CRUELDADE
Ao contrário de James McCkay, Peck é um vingador e parte com tudo em O ESTIGMA DA CRUELDADE, no papel de Jim Douglas, que chega a Rio Arriba , uma pequena cidade de fronteira do Oeste, para presenciar o enforcamento de quatro homens que ele acredita que estupraram e mataram sua esposa. Os quatro homens são vividos por Stephen Boyd (1931-1977), Lee Van Cleef (1925-1989), Albert Salmi (1928-1990), e Henry Silva.

Jim Douglas (Gregory Peck) olhando um por um os condenados que ele acredita que mataram sua mulher.
Os quatro bandidos da esquerda para a direita:
Stephen Boyd, Albert Salmi, Lee Van Cleef, Henry Silva.
 Olhar com desejo de Justiça e Vingança.
Reencontra uma antiga amiga, Josefa Velarde (Joan Collins), mas Douglas parece mudado socialmente, amargurado e desejoso por justiça. Faltando poucas horas para a execução, Simms (Joe DeRita, 1909-1993, que seria o último dos Três Patetas), um falso carrasco, ajuda os condenados a fugir. Simms é morto pelo xerife Elroy Sanchez (Herbert Rudley, 1910-2006), que mesmo ferido avisa da fuga. Os criminosos por garantia raptam Emma (Kathleen Gallant), uma jovem mulher, como refém. Enquanto os moradores da cidadela planeiam logo sair na captura do bando, Jim prefere descansar um pouco. A ideia de várias pessoas compondo o grupo de captura não lhe agrada, pois os mais lentos irão atrasar os mais rápidos.

Jim Douglas e sua amiga Josefa, vivida por Joan Collins.
Um índio (vivido por Henry Silva) faz parte do bando e, confiantes nele, os homens fogem pelas montanhas ao invés do deserto. Só que não sabem que Jim conhece a região e é um grande rastreador, não se deixando enganar pelos truques do índio. Assim, parece que nada será capaz de deter a vingança de Douglas, embora ele comece a se questionar: nenhum deles parece conhecer a mulher que aparece na fotografia que ele carrega consigo o tempo todo.

Jim Douglas, um personagem que acaba tendo a Redenção em O ESTIGMA DA CRUELDADE.
Baseado no livro de Frank O’ Rourke (1916-1989), o mesmo autor de Os Profissionais, e com roteiro do competente Philip Yordan (1914-2003), o mesmo de Johnny Guitar, The Bravados constitui a ser um dos mais brilhantes westerns com base psicológica já feita, pois remete a uma reflexão: será que temos o direito de sermos juiz, júri, e executor, com risco de condenarmos pessoas inocentes por crimes que não cometeram? Assim, o personagem de Gregory Peck nesta obra dirigida por Henry King vem a cair em si em um momento de confissão a um padre, vivido por Andrew Duggan (1923-1988), onde Jim Douglas tem a Redenção. 

GRANDES SUCESSOS NO FIM DOS ANOS 50
Em 1957, Gregory Peck atuou com Lauren Bacall (1924-2014) em Teu Nome é Mulher/Designing Woman, do diretor Vincente Minnelli (1903-1986), remake disfarçado de A Mulher do Dia, dirigido em 1942 por George Stevens e que tinha como principais o casal Spencer Tracy e Katharine Hepburn. Uma comédia de fino trato que somente um cineasta ao porte de Minnelli poderia conceber. 

Com Lauren Bacall em TEU NOME É MULHER (1957)
Com Rip Torn no bélico OS BRAVOS MORREM DE PÉ, em 1959.
Em 1959, Peck atuou no bélico Os Bravos Morrem de Pé/Pork Chop Hill, sob direção de Lewis Millestone (1895-1980), eletrizante fita de guerra onde despontavam os estreantes Harry Guardino (1925-1995), George Peppard (1928-1994), e Rip Torn.

A HORA FINAL: Peck, Ava Gardner, Donna Anderson, e Anthony Perkins. 1959
Com Deborah Kerr: O ÍDOLO DE CRISTAL - 1959

Ainda em 1959, Peck viveu o intelectual F. Scott Fitzgerald (1896-1940) no biográfico O Ídolo de Cristal/Beloved Infidel, novamente sob a direção do amigo Henry King (1886-1982), com a fascinante Deborah Kerr (1921-2007); e encerrando com chave de ouro a década, Peck parte para A Hora Final/On the Beach, de Stanley Kramer (1913-2001), um drama sobre a guerra nuclear onde despontam Ava Gardner, Fred Astaire (1899-1987) e Anthony Perkins (1932-1992).

DIVÓRCIO, E O SEGUNDO CASAMENTO.
Em 1944, nasceu o primeiro filho de Peck, Jonathan. Em 1946, nasceu o segundo, Stephen. E o terceiro, em 1949, Carey Paul. Em 1950, a vida dos Peck pareceu harmoniosa, se bem que de vez em quando, as colunas de fofocas de Hollywood divulgassem uma escapada romântica ou outra do astro. 

Peck, com sua primeira esposa, Greta, e os filhos Jonathan e Stephen.
Com os três filhos com Greta.
Mas não demoraria para o amor entre Greg e Greta esfriar, e pouco tempo depois, se divorciaram. Greta jamais parece ter deixado de amar o ator (quatro anos mais jovem que ela), a quem conhecera em Nova York, mas resignada, compreendeu a inutilidade de prendê-lo. Gregory foi extremamente generoso com ela, lhe dando grande parte de seus bens, mantendo sua pensão alimentícia.

Peck e sua segunda esposa, Veronique, com quem casou no final de 1955.
A 31 de dezembro de 1955, Gregory Peck contraiu núpcias com a bailarina francesa Veronique Passani, com quem o ator já mantinha uma relação poucos meses antes. O casal teve dois filhos: Tony Peck (nascido em 1956) e Cecília Peck (nascida em 1958). Ela passou a se chamar Veronique Peck.

Com Veronique e os filhos com quem teve com ela, Tony e Cecilia.

O filho mais velho de Greg, Jonathan, se suicidou em 1975 por uso excessivo de antidepressivos, algo que abalou profundamente o ator até o fim da vida. Seu segundo casamento durou 48 anos, até seu falecimento. A primeira esposa, Greta, faleceu em 2008. Veronique morreu em 2012. 

Looby Card de OS CANHÕES DE NAVARONE.
OS CANHÕES DE NAVARONE – UM CLÁSSICO DOS FILMES DE AVENTURA
Os Canhões de Navarone/Guns of Navarone abriu com chave de ouro a carreira do ator na década de 1960. Produzido em 1961, arrecadando nas bilheterias 13 milhões de dólares (só no mercado americano), é referência espetacular de filme de aventura, mobilizando um grande elenco, liderados por Gregory Peck: Anthony Quinn (1915-2001), David Niven (1909-1983), Irene Papas, Stanley Baker (1927-1977), James Darren (o Tony Newman da série de TV “O Túnel do Tempo”), e a prematuramente falecida Gia Scala (1934-1972).

Peck ao lado de outro astro, Anthony Quinn: OS CANHÕES DE NAVARONE - 1961
Peck com David Niven, Gia Scala, e James Darren:
OS CANHÕES DE NAVARONE (1961)
O superespectáculo de ação escrito e produzido por Carl Foreman (roteirista de Matar ou Morrer e A Ponte do Rio Kwai) e dirigido por J. Lee Thompson (1914-2002), e rodado em locações na Ilha de Rhodes, Grécia, concorreu em várias categorias para o Oscar (inclusive a de melhor filme), levando apenas as estatuetas por melhores efeitos especiais, por sinal, muito justa para a estrepitosa galeria de cenas de combate, rodeada de muitos tiros e explosões. Foram necessários dois anos de filmagem para transpor a tela o Best Seller de Alistair Maclean (1922-1987), o mesmo autor de O Desáfio das Águias, levada ao cinema em 1968, com Richard Burton e Clint Eastwood.

David Niven e Gregory Peck em ação!
Anthony Quinn. Stanley Baker, James Darren, David Niven, e Gregory Peck: OS CANHÕES DE NAVARONE.
Em destaque, a excelente fotografia de Oswald Morris (1915-2014), e a trilha sonora consagrada de um dos grandes mestres do soundtrack para a Sétima Arte, Dimitri Tiomkin (1889-1979), o mesmo compositor de Matar ou Morrer, a quem o mesmo Carl Foreman (1914-1984) confiou um de seus scores mais favoritos e apreciados para o cinema. 

UM EXERCÍCIO DE SUSPENSE COM ROBERT MITCHUM.
Em 1962, Peck contracenou com o astro Robert Mitchum (1917-1997) no suspense inebriante Círculo do Medo/Cape Fear, dirigido por J. Lee Thompson, que no ano anterior filmou com Greg o bem sucedido Os Canhões de Navarore. 

Gregory Peck, Martim Balsam, e Robert Mitchum:
O CÍRCULO DO MEDO (1962).
A história, baseada em livro de John D. MacDonald (1916-1986) e tendo no roteiro James R. Webb (1909-1974), contou ainda com as presenças de Polly Bergen (1930-2014), Martin Balsan (1919-1996) e Telly Savalas (1922-1994), este iniciando no cinema. Após cumprir pena Max Cady (Mitchum), um perigoso psicopata, pretende vingar-se de Sam Bowden (Gregory Peck), um advogado que testemunhou decisivamente para a sua condenação. Extremamente frio e calculista, ele planeja vingar-se do advogado e da sua família.

Bob Mitchum aplicando um "mata leão" em Peck:
O CÍRCULO DO MEDO (1962).
O argumento teria um remake trinta anos depois, sob os auspícios de Martin Scorsese, com o mesmo título original e título diferente aqui no Brasil, Cabo do Medo, onde os astros da versão original de J. Lee Thompson (Gregory Peck, Robert Mitchum, e Martin Balsan), fariam participações especiais.

A CONQUISTA DO OESTE.
Ainda em 1962, Gregory Peck participou da epopeia cinematográfica da MGM em Cinerama, A Conquista do Oeste/ How The West Was Won – uma superprodução dirigida por três diretores: John Ford (1895-1973), Henry Hathaway (1898-1985) e George Marshal (1891-1975). No Brasil, o filme foi exibido somente em 1965 e com cópias em Cinemascope.

Gregory em Cinerama: A CONQUISTA DO OESTE (1962)
Interesse romântico por Debbie Reynolds:
A CONQUISTA DO OESTE (1962)
Com roteiro de James R. Webb (Círculo do Medo), com base em diversas reportagens sugeridas pela Revista Life, trata-se de diversos aspectos da Colonização do Velho Oeste através de três gerações de uma família de pioneiros, ao longo de 155 minutos de duração e com narração de Spencer Tracy (1900-1967). 

Divulgação do filme nas saudosas salas do Metro Boavista e do Pax Ipanema, Rio de Janeiro, em 1970.
O elenco all-star, além de Peck, reuniam: Carroll Baker, James Stewart (1908-1997), Richard Widmark (1914-2008), Lee J. Cobb (1911-1976), Karl Malden (1912-2009), Henry Fonda (1905-1982), Carolyn Jones (1930-1983), George Peppard (1928-1994), Debbie Reynolds, Russ Tramblyn, Robert Preston (1917-1987), Eli Wallach (1915-2014), Agnes Moorehead (1900-1974), e John Wayne (1907-1979). Na obra, Peck viveu o aventureiro e jogador Cleave Van Valen, no episódio The Plains (as planícies), dirigido por Henry Hathaway, que tem um caso romântico com a pioneira Lilith Prescrott, vivida por Debbie Reynolds, durante a conquista do Velho Oeste americano.

O SOL É PARA TODOS – FINALMENTE O CONSAGRADO OSCAR.
Ator voltado para a humanidade, Gregory Peck aceitou fazer o advogado sulista Atticus Finch, no drama antirracista O Sol é Para Todos/ To Kill a Mockingbird, baseado no famoso livro de Harper Lee (1926-2016), escritora recém falecida, com roteiro adaptado por Horton Foote (1916-2009) e direção de Robert Mulligan (1925-2008).

Gregory Peck como o advogado Atticus Finch, o maior
"herói do Cinema"
Greg instruí a pequena atriz Mary Badham, durante uma pausa das filmagens.
Considerado um dos grandes filmes de tribunais, a obra apresenta, sob a ótica de duas crianças, preceitos básicos como a ética e a dignidade. Mockingbird ao título original é um pássaro americano, algumas vezes chamado de cotovia. Após a Crise de 1929, os habitantes da pacata Maycomb, no Alabama, são na grande maioria pequenos agricultores. Em 1932, vivem ali os irmãos Jem (Phillip Alford) e Scout Finch (Mary Badham), órfãos de mãe criados pela babá negra Calpurnia (Estelle Evans, 1906-1985) e o pai Atticus Finch (Peck), advogado íntegro e respeitado na cidade, que atende gratuitamente aos mais pobres.
A infância dividida entre a escola e as fantasias acerca do vizinho, o "malvado" Sr. Radley (Robert Duvall), cede espaço ao contato com a discriminação quando seu pai resolve defender o negro Tom Robinson (Brook Peters, 1927-2005), acusado de ter estuprado uma moça branca. A conservadora cidade se volta contra ele, apesar da inocência do rapaz ser evidente.

Atticus Finch em defesa de seu cliente, vivido por Brook Peters:
O SOL É PARA TODOS (1963)
Peck com a escritora Harper Lee, autora do romance que originou o filme.
O SOL É PARA TODOS concorreu ao Oscar de melhor filme (perdendo para Lawrence da Arábia, o grande favorito do ano de 1962), melhor direção, fotografia, trilha sonora, e atriz coadjuvante (para Mary Badham), mas ganhou para melhor ator (Gregory Peck), melhor roteiro adaptado (Horton Foote), e melhor direção de arte em preto & branco.

Peck na noite do Oscar de 1963, ao lado de Sophia Loren, e com
Joan Crawford (recebendo o Oscar por Anne Bancroft por O Milagre de Anne Sulivan), e Maximilian Schell 
Peck, um dos ganhadores da noite, ao lado de Patty Duke, Joan Crawford, e Ed Begley
Depois de quatro indicações ao Oscar – em 1945, 1946, 1947 e 1949 – a emoção de Gregory Peck foi bem evidente na noite de 8 de abril de 1963, no Auditório Cívico de Santa Monica. O ator declarou durante sua premiação que, em 20 anos de carreira, Atticus Finch foi o personagem que mais se aproximou dele. 

Outros sucessos da década de 1960
Com o Oscar então conquistado, a carreira de Peck que já estava em alta se elevou ainda mais. Em 1963, Peck atuou ao lado de Tony Curtis (1925-2010) e Angie Dickinson na comédia de guerra Pavilhão 7/Captain Newman, M.D, dirigido por David Miller (1909-1992).

Peck com Tony Curtis em PAVILHÃO 7 (1963)
Com Angie Dickinson - PAVILHÃO 7 (1963)
Veio então, no ano seguinte, um dos filmes mais importantes do ator dirigido por um dos grandes cineastas do século XX, Fred Zinnemann (1907-1997), o mesmo diretor de Matar ou Morrer – A Voz do Sangue/Behold a Pale Horse. O filme apresenta um problema político, a Guerra Civil Espanhola, sob uma ótica ética individual, onde Peck vive o espanhol Manuel Artiguez, exilado na França que após vinte anos depois da Guerra Civil, atravessa os Pirineus, retorna a Espanha para rever a mãe doente. Mas acaba caindo numa armadilha preparada por seu perseguidor, Vinolas, vivido por Anthony Quinn.

Com Anthony Quinn e Omar Sharif: A VOZ DO SANGUE (1964)
Com Diane Baker: MIRAGEM (1965)
Miragem/Mirage, de 1965, dirigido por Edward Dmytryk (1908-1999), é um thriller de suspense a moda de Hitchcock, com Diane Baker e Walter Matthau (1920-2000).

Com Sophia Loren, em ARABESQUE (1966)
Com Sophia Loren em ARABESQUE
Arabesque/Arabesque, no ano seguinte, é outro exercício de suspense, desta vez dirigido por Stanley Donen, baseado no romance de Gordon Cotler The Cypher, onde Peck teve como sua parceira de aventura a divina Sophia Loren. Peck é o Professor David Pollock  um especialista em hieróglifos arábicos da Universidade de Oxford. Hassan Jena (Carl Duering), primeiro-ministro de um país do Oriente Médio, convence Pollock a se infiltrar na organização de um homem chamado Beshraavi (Alan Badel, 1923-1982), envolvido num plano contra o primeiro-ministro. A natureza do plano aparentemente está escondida num código escrito em hieróglifos. A amante de Beshraavi, Yasmin Azir (Loren), também está ligada ao plano. Ela ajuda o professor a fugir, dizendo ter sido sequestrada e ameaçada de morte por Pollock. Aventura e suspense em estilo Hitchcockniano do começo ao fim.

A GRANDE AMEAÇA (1969)
SEM RUMO AO ESPAÇO.
Em 1969, encerrando a década vitoriosa de 1960, Peck atuou em dois trabalhos importantes: A Grande Ameaça/The Chairman, dirigido por J. Lee Thompson, onde Peck é John Hathaway, um cientista ganhador do prêmio Nobel enviado para a China para tentar recuperar uma nova enzima que permite plantar em qualquer clima. E em seguida, aproveitando o embalo da ida do homem à lua, Peck atua em Sem Rumo ao Espaço/Marooned, dirigido pelo competente John Sturges (1910-1992), um drama com mistura de ficção científica onde Peck precisa monitorar a vida de três astronautas que quando se preparavam para voltar a Terra percebem que a nave em que estão sofre um problema grave.

A VOLTA AOS WESTERNS.
Gregory Peck já era um nome considerado no gênero Western, graças as suas incríveis e inesquecíveis performances em Duelo ao Sol, Céu Amarelo, O Matador, Resistência Heroica, Da Terra Nascem os Homens, e O Estigma da Crueldade. No final da década de 1960, o grande astro protagonizou dois espetaculares exemplares do gênero: A Noite da Emboscada/The Stalking Moon e O Ouro de MacKenna/MacKenna’s Gold.

A NOITE DA EMBOSCADA: Greg e Eva Marie Saint
Peck é o batedor Sam Warner, que se defende de uma perseguição
Ele luta com um inimigo nunca focalizado.
A NOITE DA EMBOSCADA, dirigido por Robert Mulligan (que dirigiu Peck em O Sol é para Todos), produzido em 1968, conta a história de Sam Warner (Peck), um veterano batedor que no Arizona de 1881 ajuda uma mulher branca (vivida pela notável Eva-Marie Saint) que dez anos antes havia sido raptada pelos apaches e tem um filho mestiço. O trio sofre perseguições sem tréguas do pai da criança, um guerreiro sanguinário que a câmera nunca focaliza, fixando apenas o rastro que ele vai deixando a sua passagem. Este faroeste foi planejado para ser dirigido por George Stevens (Shane), mas acabou sendo realizado pelo diretor Mulligan, se tratando de um exercício de tensão aliado ao espírito  aventuroso do Western, tendo como temática as relações entre as duas culturas e  o da reintegração do branco cativo ao meio original em que vive.

O OURO DE MACKENNA: Com Omar Sharif.
MacKenna (Gregory Peck), aprisionado pelo bando de Colorado
(Omar Sharif)
O OURO DE MACKENNA, de 1969, é um western em superprodução de Carl Foreman e Dimitri Tiomkin (o roteirista e o compositor do clássico Matar ou Morrer, de Fred Zinnemann) e realizado pela equipe de Os Canhões de Navarone, realizado em 1961 voltando a reunir o ator Gregory Peck e o diretor J. Lee Thompson. No Arizona de 1872, o xerife MacKenna (Peck) cai prisioneiro de Colorado (Omar Sharif, 1932-2015) e é forçado a guia-lo até o Vale do Ouro, outrora tido como sagrado pelos apaches. Ao bando, unem-se alguns cidadãos da cidade de  Hadleyburg, onde Mackenna mantém a lei, bem como um traiçoeiro sargento da Cavalaria (Telly Savalas, 1922-1994).

Mackenna em ação!
Os apaches de Colorado, sob liderança de Hachita (Ted Cassidy)
Ao lado de Mackenna, esta Inga (Camila Sparv), uma jovem prisioneira do bando que teve o pai, um juiz, assassinado por Colorado. Entre os dois, nasce interesse recíproco, o que provoca ciúmes na índia Hesh-ke (Julia Newman, a “Mulher Gato” do seriado Batman da TV, nadando nua para as câmeras), sem contar o perigo do trajeto, cheio de perigos e muitos incidentes, sempre contando com a ameaça constante dos apaches. Os “Cidadãos de Hadleyburg” são vividos como notificado nos créditos de abertura pelos seguintes “cavalheiros”: Eli Wallach (1915-2014), Lee J. Cobb (1911-1976), Raymond Massey (1896-1973), Anthony Quayle (1913-1989), Burgess Meredith (1907-1997), e Edward G. Robinson (1893-1973). Um espetáculo de grande agilidade que remete ao tema da ganância (já antes explorada em obras como O Tesouro de Sierra Madre), que também serviu de resposta para os faroestes italianos, muito em moda no período de sua produção. 


PRESIDENTE DA ACADEMIA DE ARTES E
CIÊNCIAS DE HOLLYWOOD
Gregory Peck sempre foi um interessado por assuntos políticos e causas sociais, tendo sido fervoroso propagandista da candidatura dos Kennedy. Lutou durante toda sua vida contra qualquer tipo de preconceito, e em 1967, gravou (de graça) um documentário de duas horas para a TV americana, explicando ao povo americano os problemas da África, das novas nações, e da desumanidade de como se portam as leis racistas da África do Sul. Assim foi sua vida até o fim: Cinema e Causas Sociais.

Gregory Peck, Presidente da Academia de Artes e Ciências
Cinematográficas.
Um homem inteligente e digno de quem Hollywood se orgulhou por anos. Houve uma época em que Peck pretendia deixar o cinema e apenas abraçar as causas humanitárias. Não mais com o ardor da mocidade quando começou na época de universidade, mas com a reflexão da meia idade, sempre consciente do que fez e do que disse, sempre pelos verdadeiros Direitos Humanos, pensando em seus semelhantes quando poderia viver muito bem do ócio, de coquetel a coquetel. Entretanto, Peck não era assim.

Peck em reunião com os notáveis Rock Hudson, Cary Grant.
e Marlon Brando.
O Partido Democrata chegou a cogitar o nome de Gregory Peck para Governador da Califórnia na década de 1960, para enfrentar Ronald Reagan, então do Partido Republicano. Entretanto, Peck não deu bola e recusou “tão amado convite”. Por todo este humanitarismo, Hollywood o convidou a presidir a Presidência da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, onde foi o gestor entre 1967 a 1970. 

Em 1968, recebeu o prêmio humanitário Jean Hersholt. Peck declarou durante a premiação:
-“ Eu não sou um “fazedor de bondade”, e fico constrangido quando me classificam de humanista. Eu simplesmente participo das atividades dos quais piamente acredito”.


Fim da primeira parte
A conclusão da vida e da obra de GREGORY PECK, o galã das causas sociais, pode ser acessado no link:

A SEGUNDA E ÚLTIMA PARTE DO ARTIGO A DISPOSIÇÃO NO LINK:.
http://articlesfilmesantigosclub.blogspot.com.br/2016/05/gregory-peck-tributo-ao-gala-das-causas_30.html

PRODUÇÃO E PESQUISA
PAULO TELLES

17 comentários:

  1. Telles,

    Tenho certeza de que Quo Vadis com o Peck, a Liz e o Huston seria muito mais Quo Vadis/51.
    Claro que o filme é magnifico, mesmo com a Kerr, o Taylor e o Le Roy, outro trio sensacional e muito forte, porém ainda aposto mais no primeiro time.

    Vim a conhecer o trabalho de Peck, por muita sorte minha, num de seus mais belos filmes, Virtude Salvagem/46, uma pelicula encantadora, dona de belissimos cenários e muito bem interpretada e dirigida. Jane Wyman está ótima como sua esposa e mãe do pequeno filho único. Tal qual Peck, ela, a Wyman, merecia nesta fita olhos melhores dos distribuidores de Oscars.

    A marca registrada deste ator, que jamais observei em seu trabalho qualquer limitação de seu talento, era de fato seu estilo sério, elegante e imperioso de representar.
    Seu timbre de voz estalava em nossos ouvidos tão suntuosamente que logo do inicio de suas aparições as fitas eram dominadas por aquele tom de voz imperdoavelmente forte, potente e inigualável.

    O grande cineasta Henry King o administrou por coisa de meia duzia de vezes, tendo em Almas em Chamas/49, o preferido de muitos. No entanto, é Estigma da Crueldade/58, o meu preferido e, em seguida, O Matador/50, ou até vice versa, não importa muito.

    Não conheço muitos de seus trabalhos, como Covardia/47, baseado em obra do Hemingway.
    Vamos tratar tratar aqui, mais uma vez, de uma nova discordância deste comentarista com relação a mais um ponto colocado por nosso editor, onde considero da Obra de Hemingway Adeus Às Armas/57 e E Agora Brilha O Sol/59, do Henry King, seus dois mais expressivos trabalhos. Isso sem colocar a qui sua magnifica escrita de Hemingway & Guelhorn, que veio a resultar no excelente filme do Kaufman/12.

    Dentre todos os astros com quem assisti a rosários de titulos, o Peck foi um dos mais afortunados e visto por este comentarista, que o viu em mais de 23 trabalhos. Todos, quase sem excessão, obras bem interpretados e sucessos da Sétima Arte.

    Reconheço que deveria me conter um pouco mais neste ponto acima, já que, como citei, não conheço a obra Covardia/47.

    De toda forma estamos falando de Peck e sobre este encontraríamos debates mil a expor.
    No entanto, vamos ficar apenas no talento deste grande homem que foi magnifico dentro e fora das telas.

    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Olá Ju!

      Com certeza, um QUO VADIS tendo na direção John Huston, e Peck e Liz nos papéis centrais tenho certeza que se sobressairia muito mais no que na versão dirigida por LeRoy e tendo Robert Taylor e Deborah Kerr. O filme é perfeito, mas ora ou outra cai na carolice exacerbada o que tenho certeza que Huston evitaria, e sem contar como seria rodada a cena em que os cristãos são martirizados pelos leões, o que saiu meio que artificial na direção de LeRoy. Com Huston acredito que não sairia assim. Mas isso são apenas conjecturas que tiramos e é outra história.

      Somos dois, pois também aprendi a conhecer Peck em VIRTUDE SELVAGEM, mas creio que deva ter assistido no cinema. Eu vi na TV nos anos 70 (pela Rede Globo) quando eu ainda era criança, e quando faziam as chamadas para o filme na TV, o nome de Gregory Peck era mencionado ao tom de louvor praticamente. Foi a partir de então que foi florescendo em mim o amor pelo cinema, ou devo dizer os primórdios. Fui conhecendo a Jane Wyman depois em outras fitas. Com certeza os olhos foram vistos, mas o páreo foi grande na ocasião do Oscar. Assim acontece, justiça para uns, e injustiça para outros.

      Vc disse bem: a marca registrada de Gregory Peck era sua voz, inconfundível, que era de impor o respeito dos fãs e de seus admiradores. Henry King soube aproveitar as qualidades do ator sem dúvida, e até podemos dizer que foi ele que moldou Peck em seu estilo cinematográfico, assim como Ford fez com John Wayne a partir em NO TEMPO DAS DILIGÊNCIAS, em 1939. Para mim, Jimmy Ringo é seu maior papel no gênero WESTERN, muito embora ESTIGMA DA CRUELDADE seja de eletrizar. Mas não podemos deixar de enquadrar NA TERRA NASCEM OS HOMENS, que embora dirigido por William Wyler, também foi um dos mais destacados filmes de Peck no faroeste.

      Também não conheço esse filme, COVARDIA, de 1947, só soube através das pesquisas feitas para esta matéria. Saindo um pouco do tema, ao falar das obras de Hemingway no cinema, claro que todas as adaptações feitas foram de boas para sensacionais. A minha preferida é E AGORA BRILHA O SOL, por exemplo. Tanto que quando revejo o filme, analiso o papel de Mel Ferrer. Não que eu não goste de Ferrer, pelo contrário, mas imagino mais Charlton Heston nessa parte que coube a Ferrer. E sem contar que ainda vemos as últimas atuações de Tyrone Power e Mel Ferrer, que viriam a falecer em 1958 e 1959, respectivamente.

      Praticamente, não há um filme ruim estrelado por Peck, mas sempre o classificamos. Uns podem ser bons, ótimos, e excelentes. Na segunda parte da matéria, exporei sua intensa filmografia. Mas com certeza, Peck foi um herói, dentro e fora das telas, graças ao seu engajamento em causas humanitárias e sociais.

      Um grande abraço


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  2. Olá, Paulo!

    Sem sombra de dúvida esta é a mais completa e abrangente matéria sobre o astro Gregory Peck que vi pela internet, e olha que é apenas a 1ª parte rs...
    Tudo muito bem explicado e detalhado, todos os filmes, vida pessoal, fotos, cartazes de filmes, etc...
    Comprei há pouco tempo o DVD original de VIRTUDE SELVAGEM. Ainda está lacrado, nunca o assisti. Mas depois de teus comentários e do amigo Juranda, certamente que o verei em breve.
    Deu vontade de rever E AGORA BRILHA O SOL, também devido aos comentários dos amigos.
    Aliás, sou suspeito para falar de Henry King, um dos meus três diretores favoritos e que tanto trabalhou com Gregory Peck. Uma das razões pelas quais Estigma da Crueldade é reverenciado até hoje como um dos melhores filmes do gênero western, é devido ao seu surpreendente e inesperado final. Precisemos que Henry King é o responsável único por isso. Ao alterar o roteiro original de Philip Yordan, o diretor executou uma das mais acertadas e felizes decisões de sua longa carreira de meio século de cinema. Escutemos King: “A propósito de Gregory Peck, foi unicamente pela amizade dele que aceitei rodar Estigma da Crueldade, roteiro que inicialmente recusei por tê-lo achado sem pé nem cabeça. Mas Peck o amava tanto que eu disse a mim mesmo que não o abandonaria. Tomei meu avião e parti rumo ao leste, levando o roteiro que Buddy Adler havia pedido para que eu lesse. Durante o meu retorno, parei em pleno deserto em Winslow, Arizona, e o reli. Inicialmente, tratava-se de quatro bandidos que violam uma mulher, matam-na e em seguida são presos pelo assalto de um banco. O marido da mulher assassinada vem vê-los na prisão, mas eles fogem graças a um cúmplice. O marido os caça e os mata um por um, exceto o quarto por ele ter mulher e filhos. Achei completamente idiota o sujeito poupar um assassino simplesmente porque este tem mulher e filhos. Então ponderei: supomos que nenhum desses homens seja culpado. Havia no roteiro original um personagem bastante desenvolvido: um vizinho que intervinha numa cena e que informava os bandidos fugitivos. Então disse a mim mesmo: por que não fazer deste homem o culpado, por que não fazê-lo atribuir o seu crime a esses desconhecidos que passam por sua casa? Contei minha idéia a Buddy Adler, que a achou muito boa. “Mas o que dirá Peck?” ele me perguntou. “Não tema nada. Ele adora tudo que é insólito e inabitual.”
    Uma jogada de mestre!

    Um grande abraço aos amigos e meus parabéns ao Paulo por esta magnífica reportagem!

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    1. Saudações amigo Thomaz, bom tê-lo aqui presente!

      Não demore em assistir, rapaz! VIRTUDE SELVAGEM é um dos mais belos filmes de todos os tempos, um conto sobre a infância contada de maneira pastoral. Peck, ainda bem jovem (ainda não havia completado 30 anos) sendo pai do menino vivido por Claude Jarman Jr, que na época tinha 12 anos de idade. Sobre ESTIGMA DA CRUELDADE, realmente é um western surpreendente, e não sabia destes detalhes todos de sua produção, aliás, agradeço de imenso sua colaboração, pois só vem a enriquecer mais a presente matéria.

      A Conclusão será publicada até o próximo domingo. Grande abraço Thomaz, e obrigado mais uma vez.

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  3. Thomaz,

    Que bacana seu comentário que passou a ser informativo, criativo e até direcional. Um bom trabalho seu que vou enumerar aqui o que me encheu de prazer ler. Sou detalhista, portanto segura aí:

    -- Virtude Selvagem; não fizeste nada mais acertado na vida que obter esta obra do Clarence com o Peck e a Wyman. Uma linda obra que irá ficar em sua mente por anos e anos. O cenário é perfeito e Peck e seu pequeno Jarman vivem momentos lindos, familiar e de um valor sem qualidades para enumerar. Uma aquisição de enorme valor cinematográfico, que desejaria ter uma copia dele se não fosse incomodar demais. Faz isso para o amigo bahiano, por favor, e envia junto com o Os Sinos de Adano.

    Henry King; o que narraste sobre Estigma da Crueldade foi de um conteudo infinito de informativo e saudável de conhecer.
    Não sabia nada disso de que o Peck era louco pela obra, enquanto o King a odiava. Que amizade existia entre eles grande o bastante para o diretor aceitar dirigir o filme apenas para por agrados no amigo. Por fim terminou por fazer um dos mais sérios e contundentes trabalhos seus ao lado do grande ator.
    Lembra da cena onde o Peck vai matar o Lee Van Cleef, naquela relva ressequida e rasa? Recorda que o Cleef, vendo que o homem ia mesmo lhe fulminar por algo que não fizera e que não havia jeito de convencer o vingador de que dizia a verdade? Pois é, amigo.
    O Cleef, no auge do seu desespero, juntou as mãos e pediu para Nossa Senhora lhe ajudar, no instante em que o disparo é solto e ele arreia por terra sem vida.
    Cena forte, dura, que acho ter saído da mente do King ou do Peck, num dos mais vigorosos momentos deste western quase sem máculas. Classico. Tão classico como o outro que fez com o Peck 8 anos antes.
    E as mortes do Boyd e do outro dependurado das árvoras são também cenas duras. Somente o Silva escapou e porque Jesus o ajudou, sendo aí esclarecido todos os erros que o cometera. Perfeito, perfeito.
    Não sei o que a Collins faz na fita, mas tinha de haver uma mocinha, mas ela está sem chão ou nada.

    Comentário do amigo perfeito e bem redigido, compreensivo e informativo de tal ordem que até o nosso caro Telles se entusiasmou com as informações. Uma beleza. Faça comentários desta ordem sempre que se propuser a dizer algo sobre qualquer outra fita.

    Abraço grande

    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Thomaz e Jurandir!

      ESTIGMA DA CRUELDADE para mim esta entre os melhores westerns estrelados por Peck, talvez o segundo depois de O MATADOR, realizado pelo mesmo diretor, Henry King. A fita tão foi influenciável na carreira do ator que ele chegou a comprar 600 cabeças de gado e um rancho na Califórnia, virando mesmo um autêntico cowboy.

      Realmente uma pergunta que não quer calar ainda se tratando deste western e que sou mesmo obrigado a concordar: o que Joan Collins faz na fita. Não que ela seja indesejável, pelo contrário. Mas pouco faz no papel, que não fica muito claro se ela nutre ou não algum interesse romântico pelo personagem de Peck, se tratando de uma velha amiga que só ficou sabendo do desfortuno de Jim Douglas quando este chega a cidade para assistir ao enforcamento dos acusados. Enfim, a história é perfeita.

      Um grande abraço aos meus nobres Jurandir e Thomaz.

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  4. Telles,

    Como este comentário estava quase pronto e aconteceu algo de errado com o computador e ele desapareceu, fiquei esperando para ver se o que fiz sobre o Thomaz entraria para repetir este aqui.

    Pontos de visão alternativos são as razões que nos levam a ver filmes e deles tirarmos conclusões individuais e, por conseguinte, falarmos deles sob nossos pontos de visão.

    Concordo plenamente que o Quo Vadis do Huston poderia sim ser uma fita muito mais empolgante além de expurgadas algumas cenas ou conceitos que o Le Roy fez perdurar.

    Entretanto, atinente às cenas dentro da Arena eu as achei até muito bem coordenadas, haja visto que falamos de um filme feito apenas um ano antes de Sansão e Dalila, onde o Mature tem problemas com um mesmo felino e também observamos cenas muito bem arrumadas.

    E, ainda na Arena de Quo Vadis, vemos a cena do touro solto para destruir a jovem Kerr, que é defendida a unhas e dentes pelo gigante Ursus, numa cena quase que eletrizante, se colocarmos que tudo foi feito 66 anos atrás.

    Um outro espetacular momento, se observada a cena com atenção e dando-lhe o valor justo, a cena onde o Ursus luta com um gladiador fortissimo defendendo o Taylor que estava à cata dos cristãos, temos um outro instante de rara encenação de efeito beirando o real e a conclusão da vitoria do gigante atirando o homenzarrão no fosso, depois de derrota-lo.

    Ainda com referencia a efeitos ou momentos do filme, vemos a cena do incendio de parte da cidade de Roma com muitos momentos de alguma originalidade, porque a cena foi de intensa grandiosidade e com muitos extras envolvidos no incidente.

    Assim, bom amigo, achei que algumas cenas do filme poderiam sim serem excluidas, como muitos momentos desnecessários de insistentes cenas de Nero com suas musicas e mais algumas bestialidades mantidas. Mas o efeito final da obra do Le Roy tem muito seu valor.

    No geral, o Le Roy terminou construindo um grande filme e que este, em mãos de um diretor mais afeito a grandes momentos no cinema, poderia ter rendido uma pelicula de maior empolgação e com momentos mais relevantes, deixando de manter outras de menor originalidade.

    Abração do bahiano

    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Verdade Jurandir.

      O QUO VADIS dirigido por LeRoy há exatos 65 anos realmente foi uma fita impressionável na época de seu lançamento, obtendo até mesmo o título de “colossal” pelo fato de sua produção ter sido caríssima, suntuosa, e de abrigar a tela panorâmica muito antes do surgimento do Cinemascope, que revolucionou para sempre a estética do cinema, e como bem sabemos, o primeiro filme a ser lançado com este formato foi O MANTO SAGRADO, em 1953. A partir daí, QUO VADIS perdeu o título de “colossal” para os épicos que viriam um pouco mais depois, como OS DEZ MANDAMENTOS, BEN-HUR, SPARTACUS, e EL-CID.

      Mas pense bem, amigo baiano. Como seria QUO VADIS dirigido por John Huston? Acredito seriamente que seria muito mais técnico a primeira vista, sem apelar muito para vários artifícios que pouco convenceria o espectador moderno. Acredito que moldar Nero a um Hitler seria, no mínimo, curioso, e no mais, ele faria um épico religioso com pouca carolice.

      Mas Louis B. Mayer não viu dessa forma. Queria um épico religioso por completo, logo, mandou que mudassem o script e escalassem novos atores centrais, já que Gregory Peck, que só realizou duas semanas de trabalho e ainda saiu com uma infecção na vista, foi substituído por Robert Taylor. Mas sem dúvida, com LeRoy na direção, a obra veio a se tornar um grande clássico também.

      Abraços do editor.

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  5. Olá, amigos Paulo e Jurandir!
    Fico honrado por terem apreciado meu humilde 'complemento' nesta matéria de Gregory Peck. Quanto ao diretor Mervyn LeRoy, sei que era um dos contratados da MGM, o que já o torna um profissional de respeito. Dele assisti apenas Quo Vadis (1951), Quatro Destinos (1949) e Alma no Lodo (1931). Mas sei de outros de seus filmes que são muito bem comentados pelos adeptos da cinefilia, como Sede de Escândalo (1931), Na Noite do Passado (1942, indicado a 7 Oscars), Mister Roberts (1955), Tara Maldita (1956) e Em Busca de um Sonho (1962). Espero poder conferir pelo menos mais estas 4 obras deste diretor.
    Um abraço a todos!

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    1. Saudações meu amigo Thomaz! E a Ti, Jurandir!

      Com certeza o cineasta Mervyn LeRoy deveria ser muito mais lembrado. Como eu disse para o nosso querido Jurandir, ele estava longe de ser um John Huston, mas realizou obras imortalizadas pelo cinema. ALMA DO LODO, por exemplo, quem pode ignorar este trabalho, ainda mais com a atuação de Edward G. Robinson, que a partir deste filme se tornou um grande astro (ainda que pequeno na estatura).

      MISTER ROBERTS ele dividiu os louros da direção com o Mestre John Ford. E por que? Ford brigou com o astro do filme, Henry Fonda, que fez o mesmo papel na Broadway. A discussão entre o diretor e o astro principal era como deveria ser tratado o personagem, Mr Roberts, no cinema. Ford queria de um modo, e Fonda queria a forma como foi tratado na peça em que ele mesmo atuou.

      Há quem diga que a briga foi tão feia que chegaram as vias de fato, onde foi rompida a amizade entre os dois. Assim, Ford saiu e foi escalado para terminar os trabalhos...Mervyn LeRoy.

      Mas pode estar certo que qualquer obra de LeRoy merece uma revisita e uma análise acurada.

      Abraços do editor.

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  6. Epa, Telles, Epa!

    Não conhecia este detalhe de Peck já ter iniciado a fazer a fita Quo Vadis! Para mim ele e a Liz apenas haviam sido escalados para os papéis principais. Porém, por alguma coisa não dar certo, assim como com o diretor Huston, foram todos substituidos.

    Juro que me contas uma novidade e que pediria abrir mais um pouco para o bahiano, pois dela nada sei.

    Sobre a Collins, a belissima Collins em Estigma, acho que foi como eu sugeri; o filme precisava de uma mocinha e ela foi escolhida.

    Porém, a trama central e que move a fita, é perfeita com ou sem a Joan. E ao final, ela nem comprometeu e nem deu ressalvas à fita. Somente o King e o Peck foram os donos fundamentais do western, com o Cleef, o Boyd e o Henry Silva dando um sensacional apoio para o maior engrandecimento dela.

    Me fale mais e abração do bahiano

    Jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Pois é Ju! Aquele senhor, chefão da MGM, Mr. Louis B. Mayer não gostou do script, e além disso, colocou John Huston contra a parede. Você imagina John Huston sendo pressionado, um cineasta conhecido por sua determinação e ousadia? Lógico que não!

      Sobre Peck, ele abandonou o filme por conta própria após duas semanas de filmagem por conta da saúde, tanto é que saiu com uma infecção na vista (talvez um calázio), e foi substituído por Robert Taylor. Liz Taylor foi substituída por Deborah Kerr, mas não ficou por completa fora das filmagens, pois ela pode ser vista em cenas de multidão entre inúmeros extras, assim como outra atriz de sucesso, Sophia Loren, que pode ser vista entre o populacho na inesquecível Marcha do Palácio de Nero, onde ela acena para Marcus Vinicius.

      Falando ainda em ESTIGMA DA CRUELDADE, posso dizer que Collins era muito bonita, mas nunca foi realmente grande atriz. Mas fez grande sucesso porque era um dos grandes nomes femininos na metade dos anos de 1950. Acho que pô-la no filme foi mais para uma estratégia que não foi devidamente trabalhada. Contudo é como você bem disse, Jurandir: com ou sem Joan, este faroeste é perfeito.

      Abraços do editor

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  7. Olha, Thomaz, Veja bem;

    Acho um tanto quando diminuto, sem ofensas, este vosso alerta sobre o magnifico Mervin Le Roy.

    Se pegares a filmografia deste enorme diretor irás encontrar preciosidades, coisas lindas, como este Alma no Lodo, que não vi e que tu exalta. Se puder e o tiver eu o desejaria ter. Deve ser uma espetáculo!

    Pois vou te dizer mais uma pequena consideração deste diretor: quando eu tinha coisa de 13 anos eu vi uma fita com o Frederich March e a Olivia de Havilland. Foi um filme de 1936 e que eu, mesmo jovem como era, o filme até hoje ronda minha cabeça pelo conteúdo de sua narrativa. Obra Prima, jovem Thomaz.

    Por coincidencia eu recebi ontem um panfleto de Clasicos do Cinema, que me envia a toda hora titulos e mais titulos para ver se eu os compro, mas são caros demais! Não compro então por este motivo.

    E ontem veio justamente o filme que enlevo aqui que foi o sensacional ADVERSIDADE (Anthony Adverse) ainda lembro o titulo em inglês para o amigo perceber a importância que este clássico teve na minha vida.

    Estou encaminhando para ti o folheto para conheceres sua sinopse e ver que conteudo!

    Fico bem comigo mesmo em conhecer que meus amigos gostam de filmes bons sem se importar em que ano ou épocas foram feitos.

    Uma outra fita que lhe recomendo é Juarez/39, do Dieterle, que neste mesmo ano fez O Corcunda de Notre Dame com a Maureen O'Hara aos 19 anos.

    Observe que eu lhe afirmo que jamais irá ver nada igual no cinema a respeito da vida de Benito Juarez, o grande presidente Mexicano, como verá nesta fita Juarez.

    Existem mais dois filmes que preciso lhe recomendar.
    Também com o Paul Muni é o magistral Terra dos Deuses/37. Uma obra que vai fazer você ficar parado e refletindo sobre a vida.

    Eu não tenho nenhum dos dois, mas tenho o belissimo e imperdivel Amar Foi Minha Ruina/46, do Dahl. Este filme eu lhe mando a hora que desejar para que tu assista uma coisa tão bela quanto muitos poucos espetáculos cinematográficos já viste.

    Abração senão não paro mais de falar.

    jurandir_lima@bol.com.br

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  8. Telles,

    Não esquecer que a Joan Collins, mesmo sem ser uma atriz de talento enlevado, acabou com a paz de Jack Hawkins no filme do Hawks, Terra dos Faraós/55, enlouquecendo o ator, na vida real, com aquela sua beleza infernal.

    Um ano depois, em 1956, foi a vez da mulher enlouquecer o Richard Burton em A Intocável.

    Ela era um monstro de bela! Em Terra dos Faraós ela está que é lindeza só, completamente deslumbrante!

    Está aí, possivelmente, sua beleza ser a razão de sua inclusão no filme do King, Estigma da Crueldade/58.

    Abraço

    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Olá Ju!

      Com certeza, Joan Collins foi uma das mulheres mais belas do cinema, e não faz muito tempo, ela ainda causava atrativos. Lembre-se que ela foi uma das grandes protagonistas em 1984 e 1985 da famosa série de TV DINASTIA, já levada ao ar no Brasil pela Rede Bandeirantes. Na época, aos 50 anos de idade, pousou nua para a Playboy americana. E não decepcionou amigo!

      Sobre este episódio durante a produção de TERRA DOS FARAÓS envolvendo ela e Jack Hawkins (o notável Quintus Árius de BEN-HUR) desconhecia. Mas quem não ficaria doido pela bela Joan, não é mesmo?

      Abraços do editor carioca!

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