sábado, 19 de março de 2016

Jerry Lewis: O Mito Vivo da Comédia Mundial.



Esta semana, Jerry Lewis, verdadeira lenda viva da comédia cinematográfica, completou 90 anos. Um dos artistas mais famosos de todos os tempos, amado por gerações, que também tem grandes fãs no Brasil, graças às exibições de seus filmes pela TV no fim da década de 1970, onde uma emissora até o prestigiou com um festival dedicado a ele aos Domingos. Em homenagem a este Rei da Comédia e Gênio do Humor, o Blog FILMES ANTIGOS CLUB – A NOSTALGIA DO CINEMA – tem o prazer de fazer uma retrospectiva deste grande gênio que se notabilizou pelo estilo pastelão de se fazer rir (além disso, Lewis é ator, diretor, produtor, roteirista, cantor, e showman), e que ao longo de mais de 60 anos de carreira realizou grandes trabalhos no cinema, embora nem sempre sua vida fosse cheia de risos. A vida e a obra de JERRY LEWIS, na primeira biografia de 2016.

Por Paulo Telles.


O cinema já possuiu uma elite de grandes artistas comediantes. Fazer rir é muito mais difícil do que se imagina, afinal, arrancar gargalhadas do público não é tarefa para qualquer um. Charles Chaplin (O Rei de todos os gênios da comédia), Buster Keaton, Stan Laurel & Oliver Hardy, Abbot & Costello, Os Três Patetas, foram nomes que compuseram a história da comédia clássica no cinema americano, sem contar outros que viriam no futuro, como Danny Kaye, Peter Sellers, Mel Brooks, e é claro...JERRY LEWIS. Este então, talvez o mais famoso e o mais popular comediante do cinema contemporâneo, lenda viva da cinematografia mundial, que celebra seus 90 anos de vida e é o biografado deste tópico.


Jerry Lewis, ao lado da mãe, em Palm Springs, aos 8 anos de idade.
O verdadeiro nome de Jerry Lewis é Joseph Levitch, nascido a 16 de março de 1926, em Newark, Nova Jersey. Jerry já nasceu em um ambiente artístico, de origem judaica. Seu pai, Daniel Levitch (1902-1980), era mestre de Cerimônias e ator de vaudeville (um gênero de entretenimento de variedades predominante nos Estados Unidos e Canadá do início dos anos 1880 ao início dos anos 1930), e usava o nome Danny Lewis como nome artístico. Sua mãe, Rachel "Rae" Brodsky, era pianista de uma rádio.


O Jovem Jerry Lewis, já fazendo sucesso nos palcos, aos 19 anos.
Aos cinco anos de idade, já atuava nos palcos ao lado da mãe, e aos quinze tinha descoberto o seu talento, em que consistia em dublar canções em um fonógrafo. Primeiramente, ele iria usar como nome artístico o nome "Joey Lewis", mas depois acabou mudando para "Jerry Lewis" para evitar confusões com o nome de outro comediante, Joe E. Lewis, e com o do campeão de boxe, Joe Louis Lewis. Ainda haveria o nome de um cantor de Rock famoso, Jerry Lee Lewis, que mesmo depois da consagração do comediante, ainda haveria confusão entre os dois artistas. Embora expulso de uma escola por agredir um professor que falou mal dos judeus, Jerry Lewis se formou na  Irvington High School em Irvington, Nova Jersey. Durante a permanência na escola, Jerry era conhecido pelo apelido de Ugly Fool (idiota feio), devido às suas palhaçadas permanentes e a um aspecto pouco atraente. Com a idade de 10 anos, ele já montava com os companheiros do colégio um espetáculo para a um teatro escolar, e aos 17 já era um grande imitador de comediantes.

Após isso, Lewis acabou atuando em night clubs, e é num desses momentos que vem a ocorrer uma grande transição em sua vida, onde o mundo do cinema lhe abriu as portas. Contudo, ele não foi só. 


Dean Martin & Jerry Lewis: Uma das maiores duplas cômicas que o cinema já possuiu.
DEAN MARTIN, O INÍCIO DA PARCERIA.
Numa das apresentações em que Lewis trabalhou em um night club, outro colega comediante (mas não carismático), que faria um dueto com Jerry adoeceu e precisou ser substituído. Não achando ninguém mais neste setor da comédia, recorreram a um crooner que fazia muito sucesso no estabelecimento, que cantava, mas não tinha experiência nenhuma em fazer rir, pois não era comediante. Seu nome era Dino Paul Crocetti, mais tarde conhecido como Dean Martin (1917-1995). Isso já era o ano de 1946, após o fim da Segunda Guerra Mundial. Jerry tinha 20 anos e Martin, 29. Lewis já era casado com a cantora Patti Palmer, sua primeira mulher, com quem ficou casado até 1980, e com quem teve seis filhos.


Martin & Lewis, sucesso na Rádio, em 1948
De puro improviso, Martin & Lewis, conseguiram fazer sucesso na primeira apresentação, e nascia daí uma das mais famosas duplas cômicas de todos os tempos, e uma das mais famosas do cinema. Os dois se distinguiam em relação a outras duplas dos anos de 1940, por se interagirem um com o outro durante as apresentações ao invés de seguir um roteiro. A dupla consistia em Martin ser sempre o certinho e o galã, enquanto Lewis era o palhaço que às vezes atrapalhava a vida de Martin. Em 1948, eles já eram populares nas casas de shows de todo Estados Unidos e já tinham seu próprio programa de rádio. Depois de algumas aparições na TV (que já estava avançando em território americano, e no programa The Colgate Comedy Hour), é que a dupla recebeu convite para fazer um teste para o cinema, na Paramount Pictures.


Martin & Lewis no primeiro filme: A AMIGA DA ONÇA, em 1949, ao lado de Marie Wilson e Don De Fore.

A AMIGA DA ONÇA – O PRIMEIRO FILME
Dirigido por George Marshall (1891-1975), A AMIGA DA ONÇA (My Friend Irma), produzido em 1949, foi o primeiro trabalho da dupla Lewis & Martin, muito embora os dois fossem coadjuvantes. Os astros principais eram John Lund (1911-1992), Diana Lynn (1926-1971), Don De Fore (1913-1993), e Marie Wilson (1916-1972), mas foi o suficiente para que os dois fossem nitidamente notados pelo público, que gostou e exigiu que nos próximos filmes eles fossem os astros principais. A seguir veio MINHA AMIGA MALUCA (My Friend Irma Goes West), em 1950 e sob direção de Hal Waker (1896-1972), sequencia de A Amiga da Onça.


Martin & Lewis em MINHA AMIGA MALUCA, em 1950: Marie Wilson e John Lund.
O PALHAÇO DO BATALHÃO: O primeiro filme em que Martin & Lewis são verdadeiramente os astros.
O primeiro filme em que a dupla foi protagonista é O PALHAÇO DO BATALHÃO (At War with the Army), também sob direção de Hal Walker. Nesta fita, Lewis, faz um soldado trapalhão que perturba a ordem do seu batalhão, mas tem a simpatia de seu sargento, que é muito popular com as mulheres (vivido naturalmente por Martin).


Poster de O MARUJO FOI NA ONDA
Lewis e Martin, com Lizabeth Scott: MORRENDO DE MEDO (1952)
Martin & Lewis dançando mambo com a nossa Carmem Miranda: MORRENDO DE MEDO, em 1952.
Jerry Lewis e Carmem Miranda: O Rei do Riso e a nossa Pequena Notável.
A partir daí, o estilo da dupla iniciava sua consagração cinematográfica. Entre 1950 a 1953, atuando sob a mesma fórmula que tanto sucesso outrora fez Laurel & Hardy (os fabulosos O Gordo e o Magro), só que readaptados para os anos de 1950, eles estrelaram: O FILHINHO DE PAPAI (That’s My Boy), de Hal Walker, em 1951; O BIRUTA E O FOLGADO (The Stooge), dirigido por Norman Taurog (1899-1981) em 1951; O MARUJO FOI NA ONDA (Sailor Beware), de Hal Walker, em 1952; MALUCOS NO AR (Jumping Jack), de Norman Taurog, em 1952; e MORRENDO DE MEDO (Scared Stiff), de George Marshall, em 1953, com Lizabeth Scott (1922-2015) e ainda tendo a participação da nossa pequena notável, Carmem Miranda (1909-1955), aonde Jerry chega a imitar o estilo confundível de nossa eterna estrela.



MARTIN & LEWIS, AGORA EM CORES.

A BARBADA DO BIRUTA (Money From Home), sob direção de George Marshall, em 1953, foi o primeiro filme colorido da dupla Martin & Lewis. Em cores, também seguiu o divertidíssimo A FARRA DOS MALANDROS (Living It Up), em 1954, sob direção de Norman Taurog, tendo como estrela a querida Janet Leigh (1927-2004), um remake disfarçado de Nada é Sagrado, estrelado por Carole Lombard e Fredric March em 1937, dirigido por William A Wellman.

A dupla com Janet Leigh: A FARRA DOS MALANDROS, em 1954
Jerry como palhaço em O REI DO CIRCO, em 1954
Jerry alienado por gibis, em ARTISTAS E MODELOS, 1955
O REI DO CIRCO (3 Ring Circus), de Joseph Prevney (1911-1998), acabou se firmando como um dos filmes mais populares da dupla, onde conta com as participações de Joanne Dru (1922-1996) e Zsa Zsa Gabor, em 1954; Uma divertida refilmagem de A Incrível Suzana, de 1942, dirigida por Billy Wilder e estrelada por Ginger Rogers, onde Jerry Lewis repete o papel de Ginger em sua forma masculina, em O MENINÃO (You're Never Too Young), ao lado de Martin, e com Raymond Burr (1917-1993) e Nina Foch (1924-2008).


Jerry levando uma coça de Raymond Burr sob os olhares de Veda Ann Borg: O MENINÃO, em 1955
Jerry Lewis e Dean Martin em O MENINÃO
Martin & Lewis com Shirley MacLaine: ARTISTAS E MODELOS, em 1955
ARTISTAS E MODELOS (Artists and Models) de Frank Tashlin (1913-1972) em 1955, reunindo junto à dupla Dorothy Malone e Shirley MacLaine, e em participação especial, Anita Ekberg (1931-2015); E uma paródia dos filmes de cowboy em O REI DO LAÇO (Pardners), de Norman Taurog, em 1956.



O FIM DA DUPLA, E O ÚLTIMO FILME.
Já em 1954, Dean Martin achava que sua carreira estava sendo ofuscada pelo brilho de Jerry Lewis. Os dois, que além de serem colegas de trabalho, eram amigos, que muitas vezes saiam juntos com suas respectivas esposas, sentiram que a relação estava esfriando. A desconsideração de Martin pelo trabalho veio à tona no respectivo ano, quando a revista Look Magazine publicou como capa de sua revista a foto da dupla, mas, com a parte de Martin rasgada. 


Martin & Lewis: O REI DO LAÇO, 1956. Uma paródia dos faroestes das matinés.
A Dupla em seu último filme: OU VAI OU RACHA, em 1957. Com Pat Crowley.


Em 1957, foi lançado o último trabalho da dupla, OU VAI OU RACHA (Hollywood or Bust), dirigida por Frank Tashlin, e tendo como estrelas Pat Crowley e Anita Ekberg, mas a dupla já havia se desintegrado no ano anterior, a 25 de julho de 1956. A separação acabou afetando Jerry Lewis, que tinha Martin em alta cota, mas o cantor preferiu viver sua própria carreira no cinema. Lewis admite até hoje que nunca assistiu a Ou Vai ou Racha por conta da lembrança desta separação, sendo o último trabalho que os dois realizaram juntos para o cinema.Tempos depois, em uma entrevista, Jerry admitiu que tivesse culpa no rompimento:

-Provoquei o rompimento. Tínhamos chegado ao auge e pensei: “Por que esperar a derrota? Por que não sair como um campeão?” -  Sempre lembro do triste e devastador momento em que Joe Louis caiu a nocaute nas cordas, As pessoas ficam ambiciosas, e não sabem quando devem parar. – Disse Lewis.


Martin & Lewis, personagens de Histórias em Quadrinhos.
Jerry Lewis encontra o Super-Homem. "As Aventuras de Jerry Lewis" já foram editadas no Brasil pela EBAL.
Quando a dupla estava no auge da popularidade, a DC Comics chegou a publicar nos Estados Unidos, histórias em quadrinhos da dupla, The Adventures of Dean Martin and Jerry Lewis, entre 1952 a 1957, consistindo em histórias fantasiosas com Martin & Lewis se metendo em aventuras. Mesmo depois de um ano após a separação deles, as revistas continuavam a ser publicadas, com a DC Comics a faturar com o nome dos dois artistas, mas depois resolveram tirar Martin e os gibis passaram a ser editados como The Adventures of Jerry Lewis, tendo apenas Jerry Lewis como personagem principal. Ao decorrer dessa última série, Lewis às vezes se encontrava com Super-Homem, Batman e com outros heróis e vilões da DC Comics. Tais revistas do Jerry Lewis em quadrinhos chegaram a ser publicadas no Brasil, pela Editora Brasil-América (EBAL), a mesma editora que outrora publicava também as histórias do Batman e Super-Homem.


Martin e Lewis - Uma Dupla Inesquecível. 
Para surpresa de Jerry Lewis, Frank Sinatra leva Dean Martin ao Telethon e reencontra seu ex-partner, em 1976.
Seu velho amigo Dean Martin, separados por quase 20 anos. O início de uma reconciliação.
Dean Martin & Jerry Lewis, reconciliados pela VOZ.
Dean Martin e Jerry Lewis continuaram a fazer sucesso em suas respectivas carreiras solo, mas com o passar dos anos, nenhum deles comentava sobre os motivos da desintegração da dupla ou que queriam uma reunião. A última vez que os dois seriam vistos juntos em público foi em 1976, no programa beneficente de Lewis, o Jerry Lewis MDA Telethon.


Celebridades ao encontro de Martin & Lewis


Martin & Lewis, com Audrey Hepburn
Jerry Lewis, somente, junto a Gary Cooper, Charlton Heston, Cecil B. DeMille, e Yul Brynner, na premiere de OS DEZ MANDAMENTOS, 1956
Martin e Lewis descansando no intervalo de O MARUJO FOI NA ONDA recebem a visita do grande astro da Paramount: Alan Ladd.
Martin e Lewis, com Harpo Marx
A dupla com Bob Hope
Martin e Lewis dando um carinho em Marilyn Monroe.
A reunião foi feita de surpresa, planejada por Frank Sinatra (1915-1998). O livro biográfico de Lewis, Dean & Me: A Love Story, publicado em 2005, o comediante conta sobre sua amizade com Martin. A dupla finalmente se reconciliou em 1987, após a morte do filho de Martin, Dean Paul Martin, num acidente de helicóptero. Os dois voltaram e se reunir novamente em Las Vegas, quando Sinatra fez uma surpresa para Jerry em seu aniversário, levando Martin ao show do comediante. Dean Martin morreu em 1995.



A CARREIRA SOLO E DE SUCESSO. 
Depois da separação da dupla, Lewis continuou na Paramount e se tornou um artista top com o seu primeiro filme solo, O DELINQUENTE DELICADO (The Delicate Delinquent), de 1957, dirigido por Don McGuire (1919-1999), onde brilham com Lewis  Darren McGavin (1922–2006) e Martha Hyer (1924–2014); O BAMBA DO REGIMENTO (The Sad Sack), ainda de 1957 e dirigido por George Marshall, com David Wayne (1914-1995) e Phyllis Kirk (1927-2006).


O DELINQUENTE DELICADO, o primeiro filme solo de Lewis, com Darren McGavin, 1957.
Lewis no meio das beldades Marilyn Maxwell e Connie Stevens: BANCANDO A AMA SECA, 1957.
Jerry com Suzanne Pleshette: O REI DOS MÁGICOS, 1958.
BANCANDO A AMA SECA (Rock-a-Bye Baby), de 1958, e sob direção novamente de Frank Tashlin, que trabalhava com os desenhos Looney Tunes da Warner. Lewis partiu para um novo tipo de comédia nos filmes dirigidos por Tashlin. Bancando a ama Seca foi o primeiro filme solo em cores do comediante e ainda tinham as beldades louras Marilyn Maxwell (1920-1972) e Connie Stevens no elenco. Com Tashlin ainda fez no mesmo ano O REI DOS MÁGICOS (The Geisha Boy), contracenando com Marie McDonald (1923–1965) e Suzanne Pleshette (1937–2008), que fazia sua estreia no cinema.


Jerry interpretando ele mesmo: O MOCINHO ENCRENQUEIRO.
JERRY LEWIS, DIRETOR E PRODUTOR.
Apesar de fazerem sucesso, os filmes O Delinquente Delicado, Bancando a Ama Seca, e O Rei dos Mágicos, produzidos por Hal B. Wallis (1899-1986) para a Paramount, não agradou Lewis em relação a comédia, pois segundo ele, não fazia o seu tipo. Em 1960, Lewis terminou seu contrato com Wallis com o filme RABO DE FOGUETE (Visit to a Small Planet), fita esta dirigida por Norman Taurog e tendo no elenco Fred Clark (1914-1968), Joan Blackman, e Earl Holliman. 


Jerry em RABO DE FOGUETE, 1960
Jerry dançando com a italiana Anna Maria Alberghetti: CINDERELO SEM SAPATO, em 1960.
Feito isso, partiu para a produção com o filme CINDERELO SEM SAPATO (Cinderfella), que foi lançado no Natal de 1960, a pedido do próprio Lewis, e a Paramount, querendo um filme estrelado por ele para o mês de julho do mesmo ano, mandou o comediante fazer mais um filme. Cinderelo sem sapato  é a versão masculina do conto da Cinderela. onde Lewis, em ótima forma, canta e repete os trejeitos de cara e corpo que lhe garantiram um lugar de destaque entre os grandes cômicos americanos.


Poster americano de O MENSAGEIRO TRAPALHÃO
Jerry às voltas com o fusca: O MENSAGEIRO TRAPALHÃO, em 1960
Foi aí que Lewis estreou na direção com O MENSAGEIRO TRAPALHÃO (The Bellboy). Esse filme teve o Fontainebleu Hotel de Miami como cenário e produzido com pouco orçamento, curto ou quase nenhum roteiro, e filmagem feita às pressas, com Jerry Lewis trabalhando com o filme de dia e fazendo suas apresentações no mesmo local à noite. Jerry redigiu o roteiro, e durante as filmagens, ele usou a técnica em usar câmeras e circuitos monitores, o que ajudava em poder rever a suas cenas após de terem sido filmadas. Um clássico do gênero, onde Lewis não fala uma só palavra, onde ele homenageia os cômicos do cinema mudo. Uma gag hilariante uma atrás da outra, como na cena em que ele tira o motor de um fusca achando que é uma bagagem de hóspede e mistura todas as chaves dos apartamentos na portaria do hotel, e entre tantas e tantas confusões, que chegam a ser surrealistas.


Jerry é o TERROR DAS MULHERES, em 1961.
Jerry ao lado de George Raft: O TERROR DAS MULHERES.
Em 1961, Jerry roda o que é considerada sua comédia solo mais popular, O TERROR DAS MULHERES (The Ladies Man), cujo roteiro de sua autoria teve a colaboração de Bill Richmond, e ainda contando com a participação de George Raft (1901-1980) fazendo uma paródia dele mesmo como gangster. 


O MOCINHO ENCRENQUEIRO - 1961
Jerry e Adam Cartwright, ou melhor, Pernell Roberts, em participação no MOCINHO ENCRENQUEIRO.
No mesmo ano, Jerry dirige MOCINHO ENCRENQUEIRO (The Errand Boy), onde segue o mesmo esquema de Mensageiro Trapalhão no ano anterior, com muitas piadas e pouca história, desta vez vivendo um operário desajeitado que arruma confusão em Hollywood (principalmente nos estúdios da Paramount), onde conta com a participação de Brian Donlevy (1899-1972) no elenco, e ainda com a breve presença da “Família Cartwright” da série televisiva BONANZA, representados por Lorne Greene (1915-1987), Pernell Roberts (1928-2010), Michael Landon (1936-1991) e Dan Blocker (1928-1972). Jerry decidiu chama-los por improviso, já que uma das séries televisivas mais populares de todos os tempos (durou 15 anos na TV) e de grande audiência no então momento era rodada nos estúdios da Paramount Pictures, e na ocasião da filmagem de Mocinho Encrenqueiro, Jerry visitou os astros da série que estavam filmando mais um episódio em um dos sets daquele estúdio.


O DETETIVE MIXURUCA, 1962
Em 1962, Jerry volta só a atuar, e sob a direção (mais uma vez) de Frank Tashlin, em O DETETIVE MIXURUCA (It's Only Mone), mas ao contrário dos filmes anteriores sob a parceria entre Lewis e Tashlin, o produto não foi bem sucedido nas bilheterias.



O PROFESSOR ALOPRADO, SEU CLÁSSICO ABSOLUTO.
Em 1962, Jerry Lewis já havia anunciado que faria uma versão cômica de O Médico e o Monstro, o clássico literário de Robert Louis Stevenson (1850-1894), já levada inúmeras vezes as telas de cinema, sendo que as versões mais famosas são as estreladas por John Barrymore (1920), Fredric March (1931), e Spencer Tracy (1941).  Mas estaria mais para uma paródia, chamando a atenção da beleza interior do ser humano, em contraste com o que existe externamente nele. O PROFESSOR ALOPRADO (The Nutty Professor), realizado em 1963, é considerado a maior obra clássica de Jerry Lewis.Contudo,a obra prima de Jerry se tornou mais do que uma paródia do clássico romance de Louis Stevenson. Jerry, em seu quarto filme como diretor, construiu uma trama original, que na base no humor, se aprofunda na rejeição e na auto-apreciação, temas que até o então momento jamais haviam sido utilizados com tanta intensidade no cinema americano.


O PROFESSOR ALOPRADO - A comédia mais clássica de Jerry Lewis, com Stella Stevens.
Nada parece dar certo para o aloprado professor.
Novamente com a colaboração mútua de Bill Richmond para a elaboração do roteiro, Jerry embarca novamente na direção e atuando como o desajeitado e tímido professor Julius Kelp, intelectualmente brilhante, mas impopular com os alunos e as mulheres por seu aspecto. Ele acaba se apaixonando por uma de suas alunas, Stella Purdy (Stella Stevens), que ao contrário dos demais alunos não o ridiculariza. Certo dia, ele faz uma fórmula capaz de se transformar num homem atraente e bem apessoado para as mulheres, se denominando Buddy Love, e consegue conquistar Stella. Mas ela percebe que Buddy não tem a beleza interior de Julius, seu professor, pois o acha arrogante e convencido. Ao fim, Julius se arrepende da transformação e conta a verdade para a Stella, que o ama. Jerry aqui além de estrelar, dirigir, e escrever o roteiro, também canta. 


O Professor e sua fórmula que o transformará em...
Buddy Love, o cara irresistível para as mulheres.
Buddy Love: inspiração em Dean Martin?
Há quem diga que Lewis se inspirou no ex-parceiro Dean Martin para compor o “outro elo” de Julius, Buddy Love, numa posição que até ridiculariza o ex-parceiro, mas o comediante nunca confirmou isso. Em 1996, Eddie Murphy estrelou um remake deste grande clássico, dirigido por Tom Shadyac, sob a colaboração de Jerry Lewis que colaborou nas coordenações do roteiro, já que se trata de uma história original de sua autoria. Entretanto, por mais que Murphy seja um dos melhores comediantes dos últimos anos e a refilmagem não seja ruim, ainda assim a versão com Jerry é imensamente insuperável.


DEU A LOUCA NO MUNDO (1963) - Aparição Cameo.
Outros filmes entre 1963 a 1965.
Em 1963, Jerry fez uma ponta cameo em DEU A LOUCA NO MUNDO (It's a Mad, Mad, Mad, Mad World), a doida comédia de longa duração (160 minutos) dirigida por Stanley Kramer (1913-2001), que contou com vários astros e estrelas do passado. No mesmo ano, atuou novamente para Frank Tashlin em ERRADO PRA CACHORRO (Who's Minding the Store?), uma fita mediana se compararmos aos filmes anteriores do comediante feitas na década de 1950, mas que trouxe no elenco as presenças de Jill St. John, Ray Walston (1914-2001), e da talentosa Agnes Moorehead (1900-1974), além de uma cena antológica: a famosa mímica de Jerry "teclando" numa imaginária máquina de escrever.


ERRADO PRA CACHORRO (1963). Com Jill St. John.
Lewis rodeado por Peter Lorre, Kennan Wynn, John Carradine, Ina Balin, Everett Sloane, e Phill Harris.        O OTÁRIO (1964).
O BAGUNCEIRO ARRUMADINHO, 1965.
Os filmes seguintes não trouxeram inovações: O OTÁRIO (The Patsy), de 1964, traz Jerry novamente na direção e registra o último desempenho do ator Peter Lorre (1904-1964); O BAGUNCEIRO ARRUMADINHO (The Disorderly Orderly), de 1965 e dirigido pelo seu constante parceiro Frank Tashlin, foi mais uma fita que não trouxe novidades para o público.


Com Donna Butterworth: UMA FAMILIA FULEIRA, 1965
Uma das caracterizações de Jerry em UMA FAMILIA FULEIRA.
Seis dos personagens vividos por Lewis.
Em 1966, Lewis dirige UMA FAMÍLIA FULEIRA (The Family Jewels), onde o comediante representa sete personagens. O simpático argumento, escrito por Lewis junto a Bill Richmond, apresenta Jerry interpretando um motorista atolado querendo adotar uma menina órfã que tinha recebido uma herança milionária do falecido pai, só que o motorista terá que competir com outros seis candidatos tios da menina, todos vividos por Lewis. O filme foi um sucesso, mas a fórmula que Jerry vinha usando desde que praticamente no seu começo de carreira, pareciam obsoletas para o novo padrão de Hollywood. Por isso, precisou mudar um pouco o estilo.


Jerry com Tony Curtis: BOEING BOEING, 1965.
Mudança de estilo.
Em 1965, Jerry Lewis contracenou com seu amigo Tony Curtis (1925-2010) em BOEING BOEING (Boeing Boeing), dirigido por John Rich (1925-2012), onde viveu um jornalista invejoso do colega vivido por Curtis por este ser mais popular entre as aeromoças, onde havia sempre uma competição entre eles. Uma comédia onde Jerry faz uma atuação cômica bem diferente das demais, onde mudou um pouco seu estilo, transformando-se em um galã ora sério, ora engraçado. Antes era o "patinho feio" do início de carreira ao lado de Dean Martin, ora infantil ou adolescente cheio de candura e adepto do pastelão. Agora estava sendo o atraente e sofisticado galã engraçado sem apelar para o ridículo e sem perder, obviamente, seu espírito cômico.  Seguramente, Jerry é o primeiro comediante considerado galã da história de Hollywood, e isto porque também teve como par romântico as mais lindas atrizes de Hollywood, como Janet Leigh, Stella Stevens, Connie Stevens, Jill St. John, Susan Oliver, Ina Balin, Leslie Parrish, Mary Ann Mobley, entre outras.


Susan Oliver arrancando um beijo do atrapalhado Jerry em O BAGUNCEIRO ARRUMADINHO.
Esta mudança foi analisada pelo próprio Lewis, que viu a evolução dos tempos e precisava se reinventar se não quisesse perder as plateias. Logo, Boeing Boeing, apesar dessa mudança do comediante e ainda tendo Tony Curtis ao seu lado no estrelado, não foi bem sucedido nem em crítica e nem em público, se tornando um dos seus fracassos comerciais (e seu último filme para a Paramount, depois de 17 anos de contrato). Aos 40 anos de idade, Jerry via declinar sua carreira aos poucos, por isso resolveu sair da Paramount e assinar contrato com a Columbia Pictures, onde realizou alguns trabalhos.


Com Janet Leigh em um sofá: 3 EM UM SOFÁ (1966)
Com Leslie Parrish: 3 EM UM SOFÁ
Gila Golan, Leslie Parrish, e Mary Ann Mobley, as beldades de 3 EM UM SOFÁ.
Para a Columbia, Jerry dirigiu e atuou em TRÊS EM UM SOFÁ (Three on a Couch), onde pôde confirmar seu novo estilo de fazer comédia, sendo galã, às vezes sério, mas sem perder a graça, onde se envolve com as pacientes de sua esposa (Janet Leigh) que é médica psiquiatra, através de várias diferentes identidades.  Ainda em 1966, atuou em UM BIRUTA EM ÓRBITA (Way... Way Out), dirigido por Gordon Douglas (1907-1993). No ano seguinte, Jerry dirige e estrela no divertido O FOFOQUEIRO (The Big Mouth), onde volta à parceria entre o comediante e Bill Richmond no argumento.


Com Anita Ekberg: O BIRUTA EM ÓRBITA (1966)
UM GOLPE DAS ARÁBIAS (1969) - Com Terry-Thomas.
Com Anne Francis: DE CANIÇO E SAMBURÁ (1969).
Em 1968, Jerry filma em Londres UM GOLPE NAS ARÁBIAS (Don't Raise the Bridge, Lower the River), sob direção de seu xará, Jerry Paris (1925-1986), contracenando com Terry-Thomas (1911-1990). Em 1969, depois de um longo tempo, voltou a atuar em um filme para George Marshall, DE CANIÇO E SAMBURÁ (Hook, Line and Sinker), onde contracena com Peter Lawford (1923-1984), e Anne Francis (1930-2011).



UMA DUPLA EM SINUCA, A ARTE DA DIREÇÃO.
Apesar das dificuldades de ser um campeão de bilheteria no final da década de 1960, dirigindo e atuando em seus filmes, Jerry Lewis foi um cineasta extremamente dedicado ao seu trabalho artístico. Por isso, fica difícil associa-lo ao comediante de olhos rolando no acompanhamento levado ao extremo da irresponsabilidade e do non-sense. Por trás disso, existe nos filmes de Lewis como diretor um estudo das possibilidades do elemento de comicidade, pois levava muito a sério o seu trabalho profissional. Nesta época, Lewis dava aulas de direção na University of Southern California, em Los Angeles, e chegou a ter como alunos ilustres Steven Spielberg e George Lucas. Seus alunos conheciam perfeitamente a dedicação de Lewis como cineasta, sabiam tão bem disso quanto os técnicos e artistas que trabalhavam com ele nos sets de filmagem.


O Cineasta Jerry Lewis com seus dois astros principais: Sammy Davies Jr e Peter Lawford, em UMA DUPLA EM SINUCA, de 1970.
O único filme que dirigiu sem atuar como astro, completamente atrás das câmeras, UMA DUPLA EM SINUCA (One More Time), em 1970, trás dois amigos de longa data, Sammy Davies Jr (1925-1990) e Peter Lawford (1923-1984), que repetem seus papéis dando sequencia a um filme anterior, Uma Dupla em Ponto de Bala (Salt and Pepper), de 1968 e dirigido por Richard Donner. Aqui na fita dirigida por Lewis, Charles Salt (Davies Jr) e Christopher Pepper (Lawford) são dois proprietários de um Night Club em Londres às voltas com a Interpol, contrabandistas de diamantes, e um bando de garotas.



Para dirigir o filme, Jerry se preocupou em desenvolver um esforço consciente para superar as imposições que agiam sobre ele de seu incomum talento como ator e comediante. Um analista da obra de Jerry chegou a observar que ele serviu como inspiração Stephen Leacock, que “se atirou no quarto sobre o cavalo e, neste, disparou loucamente em todas as direções. Seja como diretor ou como ator, Jerry Lewis demonstra uma admirável economia, um senso preciso de quando e como as gargalhadas dever surgir, e por isso, um excepcional ritmo cômico”- assim declarou este crítico.



Com efeito, foi justamente esse ritmo cômico somado a esta dedicação que o ajudaram a juntar 180 milhões de dólares em seus 37 filmes realizados como diretor e produtor até 1970.Assim definiu Jerry Lewis, em uma reportagem feita para O Globo, em 1971, sobre ser diretor e a sensação de estar “no paraíso”: “Não tenho de me barbear duas vezes ao dia, não mudo de roupa cinco ou seis vezes, e não sou obrigado a me maquiar. Mas falando sério, fiquei no início um pouco assustado e temeroso, mas agora bem no fundo, sei que é isso que realmente quero, desesperadamente. Meu ego pode não se satisfazer totalmente com esse papel detrás das câmeras, mas de uma coisa estou certo: a direção é a coisa mais satisfatória que eu posso fazer”. 



QUAL O CAMINHO DA GUERRA? A GUERRA PARTICULAR DE JERRY LEWIS.
Em 1970, Jerry volta a atuar e a dirigir uma sátira da II Guerra, QUAL O CAMINHO PARA A GUERRA (Which Way to the Front?). Como em todos os filmes que ele atua e dirige, ele age como um verdadeiro Showman, sendo o ator, diretor, produtor, e claro, criador e inovador. Jerry interpreta um dos “homens mais ricos do mundo”, Brendan Byers III, que frustrado por não ter sido aceito pelo exército americano durante a II Guerra, monta seu próprio exército para lutar contra os alemães.Um hábito em dizer que uma tomada de cena de Lewis raramente se encerra com a palavra “corta” do diretor, pois um desempenho do ator-comediante e diretor se recusa a se encerrar naquele ponto e se diz mesmo que algumas de suas melhores interpretações foram dadas quando a câmera silenciou  e ele continuou discutindo a cena ou analisando o que aconteceu ou o que ainda estava para acontecer. Ou mais: diria coisas imprevistas ou exorbitantes. Assim era a “guerra particular” do artista Jerry Lewis.



Jerry Lewis dirige, produz, e estrela QUAL SERÁ O CAMINHO PARA GUERRA? em 1970
O Diretor Jerry Lewis também é um amante da fotografia.
A atividade diante das câmeras, bem como atrás dela como diretor, foi fundamental para Jerry Lewis. Seu interesse no filme em produção excedia qualquer expectativa e vai desde ao menor diálogo do roteiro até a costura das calças de um extra, ou as almofadas de um sofá. Jerry foi um cineasta que tudo anotava ou vistoriava.Não bastava apenas conhecer bem seu próprio trabalho e o de todos que o cercavam, para manter tudo sobre rígido controle. Ele sempre arranjava uma coisinha extra e inesperada, como por exemplo, fotografar as cenas alguns minutos antes de mandar rodar em sua cadeira de diretor, pois é um dos hobbies deste genial artista: a fotografia. Jerry sempre foi fanático por fotografias. Jerry entende de fotografia, segundo se diz, até mais do que a maioria dos fotógrafos profissionais.



O DIA EM QUE O PALHAÇO CHOROU. O FILME SÉRIO DE LEWIS.
O Rei da Comédia Jerry Lewis, apesar de ter seu nome fortemente associado ao gênero, é um artista eclético. Em 1972, Lewis resolveu dirigir na Suécia o filme O DIA EM QUE O PALHAÇO CHOROU (The Day the Clown Cried), um drama onde Lewis interpreta o palhaço de circo decadente Helmut Doork, que no começo da Segunda Guerra Mundial, é despedido e preso por zombar de Hitler. Acaba parando em um campo de concentração para presos políticos em Auschwitz. E sendo um palhaço com algum sucesso entre as crianças judias, ele arranja um trabalho por lá: levar as crianças enquanto se divertem com ele, sem suspeitar que ele esteja, na verdade, indo para a câmara de gás com elas.


Jerry Lewis é Helmut Doork, um palhaço dramático
O DIA EM QUE O PALHAÇO CHOROU, de 1972. O filme que Lewis não lançou.
O roteiro com 164 páginas sobre a história de um palhaço que leva criança para fornos em Auschwitz virou objeto de lenda. O filme nunca foi lançado comercialmente, pois Jerry foi impedido de lança-lo por problemas judiciais com os autores do livro em que foi baseado o roteiro. Jerry se quebrou financeiramente, pois além dos problemas de lança-lo nas salas de exibição, ainda teve que pagar dívidas trabalhistas.





Lewis nunca escondeu que esta foi uma das suas frustrações e que gostaria de ter conseguido levar o projeto até ao fim. Em 2009, numa entrevista à Entertainment Weekly, reconheceu que não estava insatisfeito com o trabalho que tinha feito, pelo contrário, tinha orgulho nele. Mas não queria ninguém visse o filme enquanto ele vivesse. "Depois que eu morrer, sabe-se lá o que acontecerá." Se alguém assistir, "vai ver um filme dos diabos", garantiu. Porém, noutra entrevista, em 2013, no Festival de Cannes, afirmou, no entanto, que sentia vergonha pelo resultado: "É mau, mau, mau. Podia ter sido poderoso, mas escorreguei".



Após O Dia em que o Palhaço Chorou, Jerry Lewis ficaria oito anos sem atuar ou dirigir um filme.



TELETHON
Em 1966, Jerry Lewis criou a Jerry Lewis MDAA Telethon Labor Day, uma maratona televisiva que seria realizada no dia do trabalho, nos Estados Unidos. Todo o dinheiro arrecadado iria para a Associação de Distrofia Muscular (MDAA). O comediante, na realidade, fez seu primeiro show em benefício das Associações de Distrofia Muscular da América em 1952, após um apelo de um membro da equipe que trabalhou com ele no programa de TV The Colgate Comedy. O ator iria sediar vários shows beneficentes em Nova York ainda ao lado de Dean Martin, promovendo a luta contra a distrofia muscular e o sucesso desses shows convenceram o artista de que uma maratona iria arrecadar mais fundos para a causa. 



Em 1966, os organizadores da maratona escolheram o Dia do Trabalho para ser a data anual para a transmissão, pois esse era o único período de tempo em que podiam encontrar as pessoas em casa. Alguns argumentaram que seria um fracasso, já que muitos viajavam no feriado, mas Lewis não acreditou nisso e insistiu que esse seria o período adequado. Logo, o primeiro Jerry Lewis MDAA Labor Day Telethon foi realizado a 4 de setembro de 1966, sendo apresentado do Nova York American Hotel. Provando que os céticos a seu trabalho humanístico estavam errados, o evento foi tão bem sucedido que o comediante teve que subir ao palco sete vezes para mudar os números.

- Sofro do mal de tentar fazer com que tudo seja perfeito para todo mundo, mas não é fácil. Certa vez minha avó disse: “Você vai ser muito infeliz, pois o que pretende fazer não é possível”. – Disse certa vez Lewis. Jerry sempre foi persuasivo. Sempre tentou mudar as coisas com grande intensidade que chegava a ser quase ameaçador, segundo declarou:

-Me considero uma pessoa emotiva. Fico emocionado até quando minha roupa chega da lavanderia. É perda de tempo olhar as coisas sem ter um ponto de vista. É assim que eu sou.

Sobre a atrofia muscular, Jerry declarava quase que com tremor:
-Odeio essa maldita doença. É o único ódio produtivo que eu tenho. Não há palavras para expressar o que eu sinto sobre ela. Tenho vontade de matar a primeira coisa palpável.


Jerry comanda o TELETHON, na década de 1980
Os instintos éticos de Jerry Lewis e a agressividade de sua personalidade se fundem, se transformando num humanista beligerante, sempre em constante guerra, seja consigo ou com o sistema de Hollywood.  A impressionante quantia de 227 milhões de dólares que ele recolheu em benefício dos centros de pesquisa para a atrofia muscular é uma prova disso.  O comediante nunca revelou o motivo de seu interesse pela doença, mas sabia rebater seus acusadores, quando alegavam que seu Telethon era um programa de sentimentalismo barato e egocêntrico:

-Tenho toda a força do mundo para lutar contra esses imbecis. Eles não falam das 135 mil pessoas aflitas que me chamam de seu herói. Se eles falassem, seriam esmagados. E os idiotas que vem me perguntar o quanto ganho com essa ação? Pois é, e ainda temos que sorrir, porque existe ainda na grande maioria dos estados a Pena de Morte. – Declarou Jerry Lewis.


Jerry com uma pequena fã, que sofre de distrofia muscular.
O Telethon se estendeu com Jerry até o ano de 2011. Em 2010, foi anunciado que a maratona do ano seguinte duraria apenas seis horas ao invés de 21, como acontecera nos tempos idos e que não contaria mais com Jerry Lewis até o ano seguinte, que a partir da década de 1980 aparecia cada vez menos devido a problemas de saúde.


Jerry com sua "legião de Honra" no pescoço.
JERRY LEWIS, ÍDOLO NA EUROPA.
Vale lembrar que o maior fan club desse astro da comédia fica na Europa, contudo é na França que o grande comediante é maior ovacionado. Jerry Lewis ganhou grande popularidade em território francês, sendo constantemente aclamado por alguns críticos franceses da revista Cahiers du Cinéma por sua comédia escrachada, em parte também por ter tomado controle da maioria de seus filmes como um renomado cineasta, comparável aos lendários diretores Howard Hawks e Alfred Hitchcock. 

- Em Bruxelas há um verdadeiro culto do qual participaram mais de dez mil membros. Quando chego, eles usam todos os policias de que dispõem e ainda pedem emprestado de outros países. Na Espanha é uma loucura! Às vezes demoro três horas para ir de avião até o meu carro. Em Estocolmo, apostavam a respeito de quantas pessoas estavam me seguindo. Mas o mais inacreditável é na França. Toda vez que meu ego fica abalado, vou a Paris para revigora-lo – Declarou Lewis.



O carinho que os franceses têm por Jerry é quase lendário. Ele é o Roi du Crazy (o Rei da Loucura), o sábio da comédia cinematográfica. Os críticos escrevem tratados sobre sua importância filosófica, e quando um crítico americano entrevistou o diretor francês Alain Resnais (1922-2014), o primeiro comentário do cineasta soou responder uma pergunta sobre outra: “Você viu O PROFESSOR ALOPRADO, não viu?”.

Em março de 2006, o Ministério da Cultura da França premiou Jerry Lewis com a Légion d'Honneur, o nomeando-o como "O palhaço favorito dos Franceses". Desculpou-se na cerimónia por não falar a língua francesa, mas afirmou: “Até mesmo os franceses não podem entender a minha língua, mas sempre ouvem o meu coração”.


JERRY LEWIS NA TV.
Na televisão, Jerry Lewis chegou a ter três programas chamados The Jerry Lewis Show. O primeiro foi em 1957 na NBC, o segundo foi em 1963 na ABC que tinha sido um fracasso de audiência e cancelado 13 semanas depois, e o terceiro em 1967 na NBC novamente. Nesse intervalo, Lewis ainda fez pontas em duas famosas séries televisivas: Ben Casey, em 1965 e estrelado por Vince Edwards (1928-1996), onde ele mesmo dirigiu o episódio em que participou, e em Batman, em 1966 e estrelado por Adam West, onde o comediante foi uma das tantas celebridades que apareciam na janela vendo a Dupla Dinâmica escalar as paredes.


Jerry dirigiu e participou de um dos episódios da série de TV BEN CASEY, junto a Vince Edwards e Sam Jaffe.
Jerry no famoso quadro da janela, na série BATMAN, em 1966
Jerry se entretendo com Adam West e Cesar Romero em uma pausa das filmagens de BATMAN, em 1966
Lewis e seus personagens populares foram transformados em desenho em Will the Real Jerry Lewis Please Sit Down? O desenho da Filmation foi transmitido pelo canal ABC em 1970, e teve somente 18 episódios. A série estrelou David L. Lander fazendo a voz de Lewis.


Jerry Lewis em desenhos animado, em 1970.
No SATURDAY NIGHT LIVE, ao lado de Eddie Murphy, 1984.
Jerry em O HOMEM DA MÁFIA, onde atuou em 6 episódios, entre 1988 a 1989
Em 1984, Lewis teve o seu próprio talk show que durou somente cinco semanas, e no mesmo ano fez uma participação no programa Saturday Night Live, ao lado de Eddie Murphy. Em 1988 e 1989, Jerry Lewis fez uma participação extraordinariamente especial na série de TV O Homem da Máfia, estrelado por Ken Wahl, onde Lewis faz um papel sério, de um empresário judeu envolvido com o crime organizado, em seis episódios.




FESTIVAL JERRY LEWIS NA TV BRASILEIRA
Em 1978, a Rede Globo exibiu o FESTIVAL JERRY LEWIS, em cartaz por quase um ano, sempre aos Domingos às cinco da tarde. Clássicos como Ou Vai Ou Racha, Artistas e Modelos, O Meninão, entre outros, apresentaram para uma nova plateia, através da TV, a arte do grande comediante, que assim, conquistava o público mais jovem, cerca entre sete a 20 anos de idade. Este mesmo público hoje, que comportam pessoas entre seus 45 a 60 anos de idade, não puderam ver Jerry Lewis nas telas do cinema, mas a grande maioria o acompanhou pela televisão, e foi através deste veículo e deste festival pela TV que a nova geração pôde conhecer o trabalho deste grande gênio do humor mundial.


UM TRAPALHÃO MANDANDO BRASA, em 1980, com Susan Oliver e Roger C. Carmel.
A VOLTA AO CINEMA.
Quase dez anos sem estrelar ou dirigir um filme, Jerry Lewis retornou aos cinemas em 1980, com o filme UM TRAPALHÃO MANDANDO BRASA (Hardly Working), em que estrelou e dirigiu, ao lado de Susan Oliver (1932-1990) e Roger. C. Carmel (1932-1986). Mesmo tendo sido um fracasso de crítica, o filme arrecadou 50 milhões de dólares nas bilheterias.


Poster de UM TRAPALHÃO MANDANDO BRASA
Jerry junto à duas lendas da comédia, Marty Feldman e Madeline Khan, em OS TRAPALHÕES DO FUTURO, em 1982.
O filme a seguir, Jerry contracenou com a talentosa Madeline Kahn (1942–1999) e o lendário Marty Feldman (1934–1982), dois grandes nomes da comédia cinematográfica americana, no hilário TRAPALHÕES DO FUTURO (Slapstick), dirigido por Steven Paul, em 1982. Uma comédia de ficção cientifica onde Jerry, juntamente com Feldman (em seu último filme) e Khan, são três irmãos gêmeos que agem como idiotas quando separados, mas unidos se tornam um ser absolutamente genial.


Junto à Robert DeNiro: O REI DA COMÉDIA, em 1982.
Com Martin Scorsese, num intervalo de O REI DA COMÉDIA
Ainda em 1982, Jerry recebe convite do diretor Martin Scorsese para estrelar junto a Robert De Niro o excelente O REI DA COMÉDIA (The King of Comedy), onde Jerry mais uma vez tem um desempenho sério, como um apresentador de TV, Jerry Langford, que é perseguido e sequestrado por dois fãs obsessivos vividos por Robert DeNiro e Sandra Bernhard. Nesta obra, Lewis parece desconstruir sua própria imagem (com fama de intragável com colegas de elenco e diretores). Assim, Lewis declarou sobre o filme que fez para Scorsese:

- O problema maior em “O Rei da Comédia” era que ali o meu trabalho não era atuar. Era eu ser eu mesmo, bancar minha história, reinventa-la.


Com Francine York, em AS LOUCURAS DE JERRY LEWIS, 1983.
Em 1983, Jerry Lewis, aos 57 anos de idade, volta as suas origens cômicas em Smorgasbord, que aqui no Brasil se chamou AS LOUCURAS DE JERRY LEWIS (Smorgasbord), onde atua e dirige, tendo novamente o velho colaborador Bill Richmond ajudando-o no script.


LUTA PELA VIDA, com Patty Duke, filme para TV em 1987.
Em 1987, se junta à lendária Patty Duke e a Morgan Freeman, em um drama para a TV, LUTA PELA VIDA (Fight For Life), dirigido por Elliot Silverstein, onde Lewis vive um médico oftalmologista, Dr. Bernard Abrahams, que descobre que sua filha tem um tipo de epilepsia que pode mata-la, mas acaba descobrindo que existe um novo medicamento que poderá salvar a vida da menina, mas o governo americano não libera o uso do medicamento por desconhecer suas contraindicações, fazendo com que o médico vá até as últimas consequências para que consiga a liberação do remédio. A atuação de Lewis foi elogiada pela crítica dos Estados Unidos.


Com Peter Falk: COOKIE, em 1989.
Com Johnny Depp, em ARIZONA DREANS, UM SONHO AMERICANO, 1992.
Em 1989, Lewis atua no cômico, mas violento, COOKIE (Cookie), da cineasta Susan Seidelman, em um pequeno papel marcante e seriamente vilanesco, ao lado de Dianne Wiest e Peter Falk (1927-2011).Em 1992, Jerry contracena com Johnny Depp e Fay Dunaway em ARIZONA DREAM, UM SONHO AMERICANO (Arizona Dream), de Emir Kusturica. 



PROBLEMAS DE SAÚDE.
Apesar da longa vida que tem vivido Jerry teve problemas de saúde desde a juventude. Teve problemas estomacais durante as filmagens de Ou Vai ou Racha, em 1956. Durante a produção de Cinderelo sem Sapato, em 1960, sofreu um pequeno infarto e teve que ser levado para o hospital. Lewis sofreu por anos de dores nas costas, decorrentes de uma queda que quase o deixou paralisado durante uma apresentação no Sands Hotel, em Las Vegas em 1965. Acabou se viciando em Percodan, para aliviar a dor, mas diz que desde 1978 está longe dos remédios. Em seu livro autobiográfico, Jerry chegou a sofrer depressão por conta da medicação, e já estava pensando no suicídio, que só não cometeu porque um de seus filhos o pegou em flagrante com a arma na mão.



Em dezembro de 1982, Lewis tinha sofrido um sério ataque cardíaco e um menos grave anos depois, em 2006, enquanto seguia voo de Nova York para Califórnia. Ele passou por um cateterismo cardíaco, e dois stents foram colocados em uma de suas artérias, a qual estava 90% bloqueada. A cirurgia foi um sucesso e fez com que voltasse a bombear sangue ao coração. Contudo, isso fez com que repercutisse em problemas posteriores. O cateterismo fez com que Lewis cancelasse vários compromissos, mas a sua recuperação foi ótima.Em 1999, sua viagem na Austrália foi cancelada quando foi hospitalizado em Darwin com meningite viral. Ficou doente por mais de cinco meses. Foi divulgado pela imprensa australiana que a seguradora que cobre seu plano de saúde havia se recusado a pagar seu tratamento. Todo esse problema fez com que o comediante processasse a seguradora.



Em abril de 2002, Lewis passou por uma "sinergia" de neura estimulador, causado pelo Medtronic, que tinha sido implantado em suas costas, ajudando-o a reduzir o desconforto que sentia. Lewis agora é um dos porta-voz da Medtronic. O comediante ainda combateu um câncer de próstata, diabetes, e fibrose pulmonar, e teve dois ataques cardíacos. O tratamento com Prednisona contra a fibrose pulmonar fez com que ele engordasse muito, mudando totalmente a sua aparência. Em setembro de 2001, Jerry ficou sem condições de aparecer em um evento beneficente produzido pelo comediante Steve Alan Green no London Palladium. Alguns meses depois, Lewis se submeteu a uma longa reabilitação, que o impediu de voltar a trabalhar. A 12 de junho de 2012, ele foi parar no hospital após um evento no Nova York Frades' Club. Esta notícia mais recente de saúde obrigou-o a cancelar um espetáculo em Sydney, Austrália.

Jerry e sua primeira esposa, Patti, durante o evento do Oscar em 1954.
Vida familiar.
Jerry Lewis casou duas vezes: A primeira esposa foi Patti Palmer. Ela foi cantora e tinha trabalhado com Ted Fio Rito, e depois com Lewis quando os dois tinham se conhecido. Lewis só foi trabalhar solo e depois com Dean Martin, quando Palmer engravidou do primeiro filho. Os dois se casaram a 3 de outubro de 1944 e separou-se em setembro de 1980. 


Jerry e Patty, em 1946.
Jerry e Patti com seus dois filhos.

Da união, Jerry teve seis filhos: Gary Harold Lee Levitch (nascido a 31 de julho de 1945). O nome de Gary foi legalmente mudado para Gary Lewis. Gary entrou no mundo musical na década de 1960, como vocalista da banda Gary Lewis & the Playboys; Ronald Lewis (adotado em julho de 1950); Scott Lewis (nascido em fevereiro de 1956); Christopher Joseph Lewis (nascido em outubro de 1957); Anthony Lewis (nascido em outubro de 1959); e Joseph Lewis (nascido em janeiro de 1964). Morreu de overdose de drogas aos 45 anos.

Jerry e sua segunda esposa, SanDee, ao lado da filha do casal Danielle
Sua segunda e atual esposa é SanDee Pitnick. Casaram-se no dia 13 de fevereiro de 1983. Lewis na época tinha 56 anos. Os dois casaram-se em Key Biscayne, na Flórida. À época, SanDee tinha 32 anos e era dançarina, e da união adotaram uma filha, Danielle Sarah Lewis, em 1992. Atualmente, Lewis reside em Las Vegas.  



OSCAR HUMANITÁRIO.
No 81º evento do Oscar, realizado em fevereiro de 2009, Jerry Lewis, aos 83 anos, foi agraciado com  um prêmio da Academia de Artes e Ciências de Hollywood, um Oscar humanitário, o Jean Hersholt Humanitarian Award, por sua contribuição a Sétima Arte através de seus desempenhos e de seus serviços humanitários. No mesmo ano, ganhou uma estrela da Calçada da Fama de Nova Jersey.



RISOS EM CANNES
Afastado do cinema desde 1995 quando fez RIR É VIVER (Funny Bones), de Peter Chelson, Jerry Lewis voltava à tela como protagonista no filme Max Rose, em 2013. No filme, que é um drama, Lewis vive um pianista de jazz de 87 anos (sua idade real na época), que abdicou da carreira pela família e pelos filhos. Quando fica viúvo, ele descobre que a mulher com quem viveu durante 65 anos talvez não tenha sido feliz com ele, e seu casamento tenha se baseado numa mentira. O eterno comediante foi a Cannes para divulgar seu mais recente trabalho, e para a alegria dos jornalistas e espectadores, o veterano astro do humor provocou risos.  


Jerry em MAX ROSE, um dos trabalhos mais recentes do ator.
Jerry e sua coletiva em Cannes, em 2013.
Como amante de fotografia, Jerry nunca se desapega de sua Canon.
O festival quebrou o protocolo e promoveu uma entrevista coletiva com Lewis antes mesmo de exibir o filme.Lewis matou os jornalistas de rir a cada resposta. "Esse foi o melhor roteiro que recebi nos últimos 40 anos. E Daniel (se referia ao cineasta Daniel Noah, que o dirigiu em Max Rose) me trouxe os US$ 3 milhões que eu pedi, foi perfeito", brincou pra começar.




Quando pediram a um repórter para levantar a voz para que Lewis entendesse a pergunta, desdenhou: "Por que você está gritando?". Quando ele abaixou a voz, mandou: "Desculpe, não estou entendendo, você pode falar mais alto?” - Outro repórter pediu para ele comentar sua relação com Dean Martin. "Ele morreu, você soube? Quando eu cheguei aqui e vi que ele não estava, sabia que algo estava errado." Ao ser indagado sobre as mudanças no humor americano, deu uma lição: "Não existe humor americano. Humor é humor, riso é riso. Se você faz um humor engraçado, as pessoas vão rir. Se você esticar muito a corda ou se esforçar demais, as pessoas não vão rir."


Jerry ao lado de nosso Leandro Hassum, em ATÉ QUE A SORTE NOS SEPARE 2, em 2013.
ATÉ QUE A SORTE NOS SEPARE 2.
Quando Jerry Lewis ainda estava em Cannes para promover Max Rose, o veterano comediante já estava em fase de negociação para uma pequena, mas importante participação na comédia nacional ATÉ QUE A SORTE NOS SEPARE 2, para viver o atendente de um cassino de Las Vegas, bem parecido com o que viveu em Mensageiro Trapalhão em 1960. O filme foi dirigido em 2013 por Roberto Santucci e estrelado por Leandro Hassum, com Lewis provando que mesmo em breve aparição ao lado do nosso talentoso comediante brasileiro, ainda é o legítimo Rei da Comédia.



JERRY POR JERRY.
Envolvido em causas humanitárias e em shows de cassinos (apesar da pouca frequência devido a idade), a verdade é que Jerry Lewis passou duas décadas com antipatias pelas regras de Hollywood, que passaram a limitar papéis para comediantes mais velhos. Sua experiência com um cineasta sérvio, Emir Kusturica, que o dirigiu em Arizona Dreans, ao lado de Johnny Depp, tirou do veterano artista seu interesse pelo cinema. Até mesmo a Imprensa ele tentou evitar. 



Chegou a cobrar 25 mil dólares para conceder entrevistas internacionais aos jornais do mundo. Assim declarou:

-Tudo que eu fiz na vida deu muito trabalho. Às vezes, eu esbarro com gente que acredita ser fácil fazer rir. Fazer rir demanda uma energia brutal. Eu tenho a consciência de que errei muitas vezes no curso desses anos, ao longo dos 64 anos que faço cinema.



Seu último filme a ser lançado ainda para o próximo ano (2017), Big Finish, sob direção de Martin Guigui, Lewis contracena com as igualmente veteranas Debbie Reynolds e Mary Tyler Moore, sobre a saga dos moradores de um asilo ameaçado pela crise econômica dos Estados Unidos, na época da Depressão. O comediante vê este seu novo trabalho como reciclagem de seus dotes para piadas:

-Quando eu chego a um filme, qualquer que seja ele, venho com mil ideias para oferecer a um diretor. Essa forma de apresentar um tipo de riso que não soe artificial. Uma comédia, por exemplo, precisa ser bem redigida, ter capricho, e não soar forçada.



Sobre a nova safra de comediantes americanos, Jerry desabafa:

- Eu convivi com várias gerações de pessoas do humor, de Cary Grant a Burt Reynolds. Hoje, eu não acho graça em ver as pessoas tentando reproduzir modelos passados. Nos filmes mais recentes, o barato é outro: criar.

Parabéns, Jerry Lewis! Uma longa vida, uma linda carreira, e uma legião de fãs em todo o mundo que prestigiam o eterno mito vivo da comédia, ativíssimo e que não sonha em parar.






Filmografia


Dean Martin e Jerry em O MARUJO FOI NA ONDA, 1952
1-A AMIGA DA ONÇA (My Friend Irma) – 1949. Direção: George Marshall.
2- MINHA AMIGA MALUCA (My Friend Irma Goes West) – 1950. Direção: Hal Walker
3- O PALHAÇO DO BATALHÃO (At War with the Army) – 1950. Direção: Hal Walker
4- O FILHINHO DE PAPAI (That's My Boy) – 1951. Direção: Hal Walker
5-O BIRUTA E O FOLGADO (The Stooge) - 1951. Direção: Norman Taurog


Divulgação de MALUCOS NO AR nas nossas salas cariocas (já extintas).
Observem a divulgação: "A Nova Dupla Cômica do Cinema" - O MARUJO FOI NA ONDA nos cinemas cariocas em 1953.
Imitando Carmem Miranda, em MORRENDO DE MEDO, 1952.
6-O MARUJO FOI NA ONDA (Sailor Beware)- 1952. Direção: Hal Walker.
7-MALUCOS DO AR (Jumping Jacks) - 1952. Direção: Norman Taurog.
8-DE TANGA E SARONGE (Road to Bali) - 1952. Direção: Hal Walker.
9-MORRENDO DE MEDO (Scared Stiff) - 1953. Direção: George Marshall.
10-SOFRENDO DA BOLA (The Caddy) - 1953. Direção: Norman Taurog.
11-A BARBADA DO BIRUTA (Money from Home) - 1953. Direção: George Marshall.

O REI DO CIRCO, 1954.
Descansando com o diretor George Marshall e a atriz Phyllis Kirk, no intervalo de O BAMBA DO REGIMENTO, 1957.
Com Shirley MacLaine, em ARTISTAS E MODELOS, 1956.
12- A FARRA DOS MALANDROS (Living It Up) - 1954. Direção: Norman Taurog.
13-O REI DO CIRCO (3 Ring Circus) - 1954. Direção: Joseph Prevney.
14-O MENINÃO (You're Never Too Young) - 1955. Direção: Norman Taurog
15-ARTISTAS E MODELOS (Artists and Models) - 1955. Direção: Frank Tashlin.


Sendo encarado por pistoleiros e por Lon Chaney Jr: O REI DO LAÇO, 1956.
16-O REI DO LAÇO (Pardners) - 1956. Direção: Norman Taurog.
17-OU VAI OU RACHA (Hollywood or Bust) - 1956. Direção: Frank Tashlin.
18- O DELINQUENTE DELICADO (The Delicate Delinquent) - 1957. Direção: Don McGuire
19-O BAMBA DO REGIMENTO (The Sad Sack) - 1957. Direção: George Marshall


Jerry e outros rebel boys em O DELINQUENTE DELICADO, 1958
BANCANDO A AMA SECA em cartaz nos cinemas do Rio de Janeiro, no fim da década de 1950.
O REI DOS MÁGICOS (1958)
BANCANDO A AMA SECA (1957)
20-BANCANDO A AMA SECA (Rock-a-Bye Baby) - 1958. Direção: Frank Tashlin
21-O REI DOS MÁGICOS (The Geisha Boy) - 1958. Direção: Frank Tashlin.
22-A CANOA FUROU (Don't Give Up the Ship) - 1959. Direção: Norman Taurog
23-AS AVENTURAS DE FERDINANDO (Li'l Abner )- 1959. Direção: Melvin Frank
24-RABO DE FOGUETE (Visit to a Small Planet) - 1960. Direção: Norman Taurog.


CINDERELO SEM SAPATO estreou no nosso Natal de 1962.
RABO DE FOGUETE em exibição nos cinemas do Rio de Janeiro, em 1961.
25-O MENSAGEIRO TRAPALHÃO (The Bellboy)- 1960. Direção: Jerry Lewis.
26-CINDERELO SEM SAPATO (Cinderfella) - 1960. Direção: Frank Tashlin
27-O TERROR DAS MULHERES (The Ladies Man) - 1961. Direção: Jerry Lewis.
28- O MOCINHO ENCRENQUEIRO (The Errand Boy) - 1961. Direção: Jerry Lewis
29-O DETETIVE MIXURUCA (It's Only Money) - 1962. Direção: Frank Tashlin
30-O PROFESSOR ALOPRADO (The Nutty Professor) - 1963. Direção: Jerry Lewis


O DETETIVE MIXURUCA nos cinemas do Rio de Janeiro na década em 1963
Jerry divertindo os fotógrafos em Cannes, 1967.
A Famosa mímica de Jerry "batendo na máquina de escrever" em ERRADO PRA CACHORRO (1963) 
31- DEU A LOUCA NO MUNDO (It's a Mad, Mad, Mad, Mad World ) - 1963. Direção: Stanley Kramer.
32-ERRADO PRA CACHORRO (Who's Minding the Store?) - 1963. Direção: Frank Tashlin
33-O OTÁRIO (The Patsy) - 1963. Direção: Jerry Lewis
34-O BAGUNCEIRO ARRUMADINHO (The Disorderly Orderly) - 1964. Direção: Frank Tashlin


Em Cartaz UMA FAMÍLIA FULEIRA nas salas cariocas em 1966
35-UMA FAMÍLIA FULEIRA (The Family Jewels) - 1965. Direção: Jerry Lewis.
36- BOEING BOEING (Boeing Boeing)- 1965. Direção:John Rich.
37-3 EM UM SOFÁ (Three on a Couch) - 1966. Direção: Jerry Lewis.
38-O BIRUTA EM ÓRBITA (Way... Way Out) - 1966. Direção: Gordon Douglas.
39-O FOFOQUEIRO (The Big Mouth) - 1967. Direção: Jerry Lewis.
40-UM GOLPE DAS ARÁBIAS (Don't Raise the Bridge, Lower the River) - 1968. Direção: Jerry Paris.


Com Peter Lawford em DE CANIÇO E SAMBURÁ, 1969
UM GOLPE DAS ARÁBIAS
41-DE CANIÇO E SAMBURÁ (Hook, Line and Sinker) - 1969. Direção: George Marshall.
42-UMA DUPLA EM SINUCA (One More Time) - 1970. Direção: Jerry Lewis. OBS: Só direção.
43- QUAL O CAMINHO PARA A GUERRA? (Which Way to the Front?) - 1970. Direção: Jerry Lewis.
44- O DIA EM QUE O PALHAÇO CHOROU (The Day the Clown Cried) - 1972. Direção: Jerry Lewis
45-UM TRAPALHÃO MANDANDO BRASA (Hardly Working) - 1980. Direção: Jerry Lewis
46-TRAPALHÕES DO FUTURO (Slapstick) - 1982. Direção: Steven Paul.
47-O REI DA COMÉDIA (The King of Comedy) - 1982. Direção: Martin Scorsese.
48- AS LOUCURAS DE JERRY LEWIS (Smorgasbord) - 1983. Direção: Jerry Lewis
49-LUTA PELA VIDA (Fight for Life) - 1987. Direção: Elliot Silverstein (para TV)


Reencontrando Stella Stevens, sua estrela de O PROFESSOR ALOPRADO (1963) num evento a 12 de outubro de 2004.
Entre os nossos Leandro Hassum e Marcius Melhem: ATÉ QUE A SORTE NOS SEPARE 2, em 2013.
50-COOKIE (Cookie) - 1989. Direção: Susan Seidelman
51- ARIZONA DREAN - UM SONHO AMERICANO (Arizona Dreans) - 1992. Direção: Emir Kusturica
52- RIR É VIVER (Funny Bones) - 1995. Direção: Peter Chelsom.
53-MAX ROSE (Max Rose) - 2013. Direção: Daniel Noah
54-ATÉ QUE A SORTE NOS SEPARE 2 - 2013. Direção: Roberto Santucci.
55- THE TRUST (2016) - Direção:  Alex Brewer e Benjamin Brewer
56- BIG FINISH (anunciado para 2017) - Direção de Martin Guigui.


TELEVISÃO
1- THE COLGATE COMEDY - 1949
2- THE JERRY LEWIS SHOW (1957)
3-STARTIME (Episódio: O CANTOR DE JAZZ) - 6 de outubro de 1959
4-THE JERRY LEWIS SHOW (1963)
5-BEN CASEY (Episódio: Um pequeno combate contra as sombras) - 8 de março de 1965- Direção Jerry Lewis
6-BATMAN (Episódio: O Traça Traça do Massacre) - Direção Larry Pearce - em 20 de abril de 1966
7- THE JERRY LEWIS SHOW - 1967
8-THE SATURDAY NIGHT LIVE – 1984
9-O HOMEM DA MÁFIA – Em 6 episódios, produzidos entre 14 de dezembro de 1988 a 25 de janeiro de 1989.
9-LEI E ORDEM, UNIDADE DE VÍTIMAS ESPECIAIS (Episódio: O Tio) - 16 de outubro de 2006
9- TELETHON (de 1966 a 2011)



PRODUÇÃO E PESQUISA: 
PAULO TELLES

9 comentários:

  1. Parabéns pelo belíssimo artigo.

    Jerry Lewis merece todas as homenagens possíveis.

    Sobre a separação de Lewis e Dean Martin, existem muitas histórias e uma é retratada na entrelinhas de um filme chamado "A Verdade Nua" (Where the Truth Lies) dirigido por Atom Egoyan em 2005.

    Abraço

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    Respostas
    1. Existem várias conjecturas ou mesmo lendas sobre a separação de Martin e Lewis, mas nunca se soube os reais motivos a não ser pelos breves comentários do próprio Lewis. Sobre o referido filme, cheguei a assistir em um canal por assinatura há alguns anos.

      Obrigado pela leitura. Abraços do editor.

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    2. Olhe...posso dizer que a matéria postada aqui se não for a melhor está entre as melhores que já vi na vida sobre esse mito, esse gênio Jerry Lewis, amo seus filmes, principalmente aqueles mais clássicos, mas todos no geral, ele merece o título de "Rei da Comédia", ainda está vivo em plena atividade, claro que de acordo com suas possibilidades físicas..gênio..Vida Longa ao rei

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  2. Telles,

    Que belo sorriso tinha a linda e talentosa Audrey Hepburn!

    Bem, uma postagem super merecida, um presente aos milhares de fãs do Jerry e belas lembranças à tona.

    Vi tudo o que o Jerru fez sozinho e com a dupla apenas uns 4, sendo que os descobri em O Rei Do Laço e não mais parei. E vi todos seus filmes no cinema, onde as gritarias e risos muito altos era a marca do ambiente.

    O que mais me faz sentir bem são motivos que devem agradar a todos também;
    1 - O Martin se foi, mas o Jerry segue vivo e ainda soltando suas piadinhas. Sensacional!
    2 - Ambos terem se dado bem em suas carreiras solo

    Porém, louvo em principio, mesmo não interessando muito o rompimento dos dois como se deu ou quem foi o culpado, a capacidade do Jerry em passar a ser roteirista, produtor, diretor, ou seja, ele era tudo nos filmes que fez solo.

    Enquanto o Martin, também um bom ator, mas que apesar disso tudo não teve uma carreira solo mais solida e completa tal qual seu ex-companheiro. O que não altara muito quase nada, já que o Lewis tinha um talento nato para tais funções e o Martin fez grandes trabalhos como Deus Sabe Quanto Amei, ao lado do amigo Sinatra e mais uma série de westerns de classe, no entanto sem participar diretamente da criação dos filmes.

    jurandir_+lima@bol.com.br

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  3. Nobre Ju!

    Fico imaginando as inevitáveis gargalhadas das plateias nas salas de exibição para assistir a um filme com Jerry Lewis. Quanto a Martin e Lewis se darem bem separadamente, cada um com sua carreira solo, Lewis foi bem mais sucedido.

    Martin só alavancou mesmo quando começou a atuar ao lado de Frank Sinatra, e com ele formou a RAT PACK, onde se integraram Sammy Davies Jr, Peter Lawford, e Shirley Maclaine, e eles juntos fizeram alguns filmes, entre os quais se destacava ONZE HOMENS E UM SEGREDO, de 1960. Há quem diga que Martin era canastrão, mas tenho minhas dúvidas. Em OS DEUSES VENCIDOS, com Brando e Monty Clift, ele teve uma ótima atuação. Mas Martin superava Lewis no canto, naturalmente.

    Abraços do editor.

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  4. NOBRE AMIGO, SEM A MENOR DÚVIDA, O MELHOR TRABALHO QUE LI A RESPEITO DO GRANDE JERRY LEWIS!
    VIBRANTE, SOBERBO, EMOCIONANTE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    EDDIE LANCASTER.

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  5. Excelente matéria sobre um dos maiores comediantes do mundo.
    Pesquisa primorosa!
    Parabéns!

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    Respostas
    1. Obrigado Ana. Saudações do editor e uma ótima semana.

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