sexta-feira, 1 de agosto de 2014

A Saga de Audie Murphy – Parte 1.


A um longo tempo que um verdadeiro amigo meu, de longa data, me pede para publicar uma matéria exclusiva sobre um dos mais famosos cowboys do cinema. Talvez ele não seja tão popular às plateias mais jovens, pois não era tão famoso como John Wayne, ou Randolph Scott, ícones do faroeste americano. Mas é conhecido pelos amantes do gênero WESTERN e conquistou fãs pelo mundo todo, inclusive no Brasil, graças as suas exibições em nossa telinha nas sessões Western e Bang Bang por aqui, tão reprisadas em nossa televisão brasileira.

O amigo a quem me refiro se chama Jorge Luis Nascimento, fã de carteirinha deste cowboy, e o ídolo a ser focado nesta matéria (que terá ainda mais três sequencias) é nada mais do que AUDIE LEON MURPHY (1924-1971), cuja memória nos Estados Unidos é mais lembrada como Herói americano da II Guerra Mundial, e tão pouco como cowboy de Hollywood. 

É verdade que nunca foi um astro de primeira grandeza na Meca do Cinema, mas fez seu nome na Sétima Arte conseguindo gerar admiradores de seu trabalho e de suas eletrizantes fitas de aventuras. Aliás, aventuras não faltam na vida deste astro, fossem dentro ou fora das telas.

Vamos falar de sua vida nos campos do Texas como meeiro de algodão na infância e adolescência, sua entrada na II Guerra, suas conquistas por bravura, a entrada em Hollywood, seus dois casamentos, traumas pós-guerras, sua briga num bar onde foi acusado de tentar matar um homem, tendo que responder processo, e seu trágico fim num acidente aéreo, que acabou por lhe tirar a vida a 28 de maio de 1971, com apenas 47 anos de idade.

Esta matéria tem como coautor o amigo Jorge, que graças a ele, foi fornecido vasto material para a implantação deste tópico, que vai passar a homenagear desde já um juvenil ídolo cowboy das antigas matinês. Com vocês:


Audie murphy


AUDIE LEON MURPHY nasceu a 20 de junho de 1924, filho de pobres meeiros de algodão no Texas, mas ganhou fama nacional como o mais condecorado soldado de combate dos Estados Unidos da América na Segunda Guerra Mundial. Entre seus 33 prêmios e condecorações, esta a Medalha de Honra do Congresso Americano, a mais alta condecoração militar por bravura que pode ser dado a qualquer americano, por "bravura e intrepidez visível com o risco de por sua vida acima e além do cumprimento do dever".


Ele também recebeu condecorações fora dos Estados Unidos, incluindo cinco delas da França e Bélgica. Foi a ele creditado matando mais de 240 inimigos enquanto ferido e capturando outros mais, se tornando uma lenda dentro da divisão da 3ª infantaria, sua companhia.


Começando seu serviço como um soldado no Exército, Audie rapidamente subiu para o posto de Sargento, recebendo uma comissão do "campo de batalha", como 2 º Tenente, já que foi ferido três vezes, lutando em 9 grandes campanhas em todo o território europeu, e sobrevivendo à guerra.

Uma fase de transição

O PEQUENO AUDIE, AOS CINCO ANOS
Filho de Emmet e Josie Bell Murphy, Audie nasceu numa fazenda de agricultores, perto da pequena cidade de Kingston, no Texas - e nos seus primeiros meses, passava muito tempo preso à um balanço de bebê enquanto sua mãe trabalhava em um cultivo de algodão perto de casa. Desde pequeno, ajudava carregando madeira para casa e caçando animais para que eles pudessem ter o que comer.

Algumas vezes, ele se dava ao luxo de ter um cartucho no seu rifle para trazer comida para uma família de nove irmãos. Sua precisão em atirar tinha de ser exata ou eles não teriam o que comer. Isto foi muito importante para sua futura carreira militar, pois mais tarde, no front da II Guerra, nos piores combates que travou, a sua precisão em atirar no alvo não somente salvou sua vida, mas também as vidas de seus companheiros de luta.

O PEQUENO AUDIE com seus dois outros irmãos
A irmã de Audie, chamada Billie, conta uma história um tanto cômica que ocorreu durante a fase de crescimento dele. Segundo ela, Audie gostava de fazer piadas e brincadeiras. Ela se lembrou de que, um dia, Audie ofereceu aos parentes alguns pedaços de doces. Quando as pessoas provaram, descobriram que era um pedaço de sabão chamado Lifebowy.

Quando Audie tinha 12 anos, seu pai abandonou a família, e por isso, teve que deixar a escola, estudando até o 5º grau, e foi trabalhar nas lavouras. Em 1941, quando Audie tinha 16 anos, sua mãe faleceu. Isso foi um choque para ele, pois ele adorava de imenso a Srª Josie Murphy, sua genitora.  Pouco tempo depois, ele foi trabalhar num posto de gasolina onde havia uma loja de conveniências. Tendo que trabalhar, não tinha ninguém que pudesse cuidar dos seus três irmãos menores, o que levou Audie a tomar uma extrema decisão difícil de coloca-los em um orfanato, já que não havia outra opção. Audie chorou a morte de sua mãe durante toda sua vida. Mas fez uma promessa: que quando tudo se endireitasse, ele tiraria seus irmãos menores do orfanato. 


A carreira militar

Na bomba atirada pelos japoneses, em Pearl Harbor, a 6 de dezembro de 1941, surtiu o estímulo de muitos americanos a serem voluntários e entrar na II Guerra. O jovem Audie tentou se alistar no dia 20 de junho de 1942 na Marinha, já que tinha 18 anos. Não foi aceito porque o peso dele estava abaixo do permitido. Tentou depois se alistar como paraquedista, porque segundo ele, eles “usavam lindas botas”, mas de novo foi rejeitado pelo mesmo motivo anterior. Finalmente, ele tentou a infantaria. Lá, eles não fizeram perguntas e deixaram ele se alistar. Ao contrário das instituições anteriores que o rejeitaram para o serviço militar, a Infantaria alegou que Audie era leve sobre os pés e que ele seria um bom soldado.



Murphy nunca tinha estado a mais de cem milhas longe de casa e ele foi de ônibus para o centro de iniciação e treinamento de infantaria. Durante uma sessão de treinamento no acampamento, ele sofreu derrotas e humilhações, chegando mesmo a passar mal ou a desmaiar. Os comandantes da corporação tentaram transferi-lo para a cozinha e para o treinamento dos padeiros por causa de sua “cara de bebê tão jovem”, mas Audie insistiu em se tornar um soldado de batalha.

Depois de 13 semanas de treinamento intensivo básico ele foi enviado para o Forte Meade em Maryland, para um treinamento avançado na infantaria.


Em fevereiro de 1943, em Casablanca, na África do Norte, ele fez a sua 1ª viagem de missão como substituto. Ele foi transferido para as respectivas Companhias B, 1º batalhão, 15º Regimento de Infantaria, e 3ª Divisão de Infantaria do porto Lyautey. Nesta última, Audie ficou por toda a guerra. Mais ou menos um ano depois, ele foi promovido comandante de sua unidade.


NO FRONT


Ao chegar a Sicília, na Italia, ele teve o seu 1º encontro com a morte.

Audie matou dois soldados italianos que tentavam escapar em magníficos cavalos brancos. Quando questionado pelo líder do seu pelotão porque ele tinha feito isso, ele respondeu:

“Isto é meu trabalho!”


Não demorou muito, Audie contraiu malária quando esteve ainda pela Sicília, e isso foi muito incomodativo para ele durante toda sua vida. A doença o levou para o hospital em Salerno e, em algumas ocasiões eventuais durante a guerra que as sequelas da doença o pegavam de surpresa.

Em agosto de 1944, a divisão de Murphy se mudou para o sul da França como parte da Operação Dragoon. Foi lá que seu melhor amigo, Lattie Tipton, foi atraído para campo aberto e foi morto por um soldado alemão que fingia rendição.


Enfurecido por este ato, Murphy matou o alemão que tinha matado seu amigo. Ele então comandou uma ação arriscada quando subiu num tanque em chamas e metralhou todos os soldados alemães (estima-se em 240) que vinham atacar sua companhia. Por este feito heroico, Murphy recebeu o Distinguished Service Cross, a primeira de muitas de suas condecorações.



Antes do seu 21º aniversário e depois de mais de 2 anos e meio no mar, a maioria em linha de missão a frente de combate, Audie Murphy voltou para sua casa no final da II Guerra Mundial, com todas as condecorações de valor que um país pode conceder a um soldado.


Audie testemunhou a morte de centenas de companheiros e soldados inimigos. Dotado de grande coragem diante desses horrores, ele foi premiado com 33 condecorações nos Estados Unidos, incluindo três Purple Hearts – medalhas concedidas pelos Estados Unidos aos seus soldados feridos em batalha (como no caso de Audie). Murphy participou em nove campanhas de batalha, incluindo o ataque aos desembarcadores na Sicília e sul da França. A sua fama lhe deu o título de “o mais condecorado soldado americano da II Guerra Mundial”.



PÓS-GUERRA

A volta de Audie para sua casa em Fammersville, Texas, em 1945, foi completamente cheia de excitação. A família dele e todos os amigos lhe deram boas vindas de herói. Audie nunca gostou de falar em público e fugiu para não ser o centro das atenções. Em uma ocasião em um jantar cerimonial, oferecido em sua honra em San Antonio (Texas), Audie sorrateiramente saiu e se instalou em um hotel local, e dormiu a noite inteira.


Quando estava em Nova York, ele teve um dia inteiro de homenagem no Elbet’s field. Ele estava perplexo com toda gratidão americana. Visitou hospitais e deu apoio aos soldados feridos. Audie não se sentia confortável junto dos civis e ainda dedicou bastante tempo para as pessoas que se relacionava. Os soldados e a guerra ainda estavam bem profundos no coração e na mente de Audie, e isto impregnou por quase toda sua vida.


Audie retornou a Europa em 1948 em nome do Exército e ofereceu seus respeitos para aqueles que tinham morrido. Enquanto ele esteve lá, ele provou emoções diferentes, estando entristecido pela futilidade da guerra, tudo isso pela consideração que tinha pelas crianças. Audie amava crianças e demostrava isso.


Aqui uma pequena nota da irmã mais nova de Audie, pouco tempo depois dele ter voltado da guerra para casa. Ela relata que Audie adquiriu uma casa de 2 pisos para a irmã mais velha Corine viver com o marido e seus filhos.  Isso possibilitou que os três irmãos mais novos de Audie fossem tirados do orfanato e voltassem a se reunir com os outros membros da família. Murphy tinha jurado fazer isso antes de ir para o Exército e ele conseguiu cumprir a promessa.

Enquanto Audie esteve na casa dos seus familiares, sua irmã Billie lembra que o irmão condecorado comprou para ela o seu 1º par de meias de nylon, sapatos de couro envernizado para os domingos, e o mais bonito vestido do mundo. Isto era uma coisa que a irmã costumava se lembrar por todos os anos e jamais esqueceu, pois segundo ela, Audie amava fazer coisas para as outras pessoas.


Audie Murphy se tornou uma respeitada celebridade. A Life, uma das revistas mais prestigiadas do mundo, homenageou o soldado com cara de bebê bravo, colocando-o na capa de sua edição de 16 de julho de 1945.  Foi essa fotografia que inspirou o ator James Cagney (1899-1986) a chamar Murphy e convidá-lo para um teste em Hollywood, e assim, ingressar na carreira de ator. 


James Cagney

INTRODUÇÃO EM HOLLYWOOD


James Cagney imediatamente percebeu o potencial do jovem herói de guerra como um ídolo do cinema, e convidou-o para a Hollywood, com a ideia de escala-lo em suas produções. Audie mudou-se para a Califórnia no verão de 1945, morando na casa de James Cagney e esposa por muitas semanas. Como nenhum contrato cinematográfico foi efetuado, ele foi embora. Depois de partir da casa dos Cagneys, Audie passou muitas noites dormindo em um ginásio de esportes que pertencia ao seu amigo Terry Hunt, onde lá mesmo ele se exercitava na arte do boxe.


Somente três anos depois, que o notável herói de guerra conseguiu seu primeiro papel, embora pequeno, no filme Código de Honra (Beyond Glory), estrelado por Alan Ladd (1913-1964) e Donna Reed (1923-1986). Mesmo num diminuto papel, ele conseguiu sua primeira crítica escrita:


Audie Murphy fez sua estreia e foi muito boa. Vocês o reconhecerão. Ele é o único com um sotaque do sul.


O casamento com wanda hendrix

WANDA HENDRIX
Um dia, Audie viu uma foto da atriz Wanda Hendrix (1928-1981) na capa da revista Coronet, de março de 1946. Ela era uma atriz aspirante despontando sob um contrato com a Paramount. Segundo se conta, foi ela que pediu para o estúdio das estrelas que Audie fosse escalado para um papel no filme Código de Honra. Enquanto trabalhava no seu primeiro filme, Audie conseguiu outra foto de publicidade na revista Life. Desta vez, a manchete da capa era a estreia de Murphy no cinema, e o seu romance com Wanda. Audie e Wanda se casaram no dia 8 de janeiro de 1949.


O segundo filme de Murphy, Viver Sonhando (Texas, Brooklyn & Heaven), de 1948, e dirigido por William Castle (1914-1977), foi conseguido graças ao amigo David McClure, que tinha o apelido de “Spec”. Audie conseguiu um papel através da associação entre “Spec” com a lendária fofoqueira de Hollywood Hedda Hopper (1885-1966), que foi prestativa em obter um pequeno papel para Murphy no filme. Audie apreciou muito essa ajuda, mas se sentia frustrado por não conseguir papéis melhores no cinema. Mais tarde, ele anunciaria que não tiraria mais nenhuma foto, a menos que tivesse ele um papel principal.


Mais filmes


Em breve, a sua grande oportunidade aconteceria quando ele, finalmente, estrelou no filme Caminho da Perdição (Bad Boy), dirigido por Kurt Neumann (1908-1958), e atuando ao lado de Jane Wyatt (1910-1986) e Lloyd Nolan (1902-1985). Foi seu primeiro papel principal.


Tudo começou no outono de 1948, quando Audie conseguiu esta oportunidade graças a James “Skipper” Cherry e ao produtor Paul Short, ambos conectados com a Interstate Theatres Incorporation .  Murphy  voltou ao Texas para uma visita, e como de costume, passou muito tempo com Skipper, seu consultor e amigo íntimo. Nessa época, Short estava escalando o elenco para Bad Boy em Hollywood.  Skipper contactou Short e pediu a ele para considerar um pedido seu e dar a ele um papel no filme. Apesar de algumas objeções do presidente da Allied Artist, Audie fez um teste de filmagem e conseguiu o papel principal.

O lançamento mundial do filme foi no dia 16 de fevereiro de 1948, 

A SAGA CONTINUA DAQUI A UMA SEMANA. BREVE A SEGUNDA PARTE, ONDE SERÁ FALADO DOS SEUS PRINCIPAIS FILMES. 

COMO O VERDADEIRO HERÓI DE GUERRA SE TORNOU UM DOS “MOCINHOS” DO FAR-WEST AMERICANO? AS DUAS FITAS QUE ESTRELOU E DIRIGIDAS POR JOHN HUSTON. 

O LIVRO QUE ESCREVEU SOBRE AS SUAS MEMÓRIAS NO FRONT E QUE ACABOU VIRANDO UM FILME QUE ELE MESMO VEIO A ESTRELAR. O SEGUNDO CASAMENTO E MUITO MAIS!!! NÃO PERCA A SEGUNDA PARTE DA


A SAGA DE AUDIE MURPHY
Produção e Pesquisa de Paulo Telles
Colaboração: Jorge Luis Nascimento
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EM TEMPO
In Memorian de
JAMES GARNER (1928-2014)

James Garner foi um dos atores que mais se identificaram com o cinema de aventuras, tendo protagonizado obras primas como FUGINDO DO INFERNO (1960), DUELO EM DIABLO CANYON (1965), A HORA DA PISTOLA (1966), entre tantos outros. Mas foi na televisão que conseguiu certamente maior notoriedade, graças às séries televisivas MAVERICK (1957-1962), e ARQUIVO CONFIDENCIAL (1974-1980). 

Um dos seus últimos trabalhos no cinema de grande repercussão foi em COWBOYS DO ESPAÇO, em 2000, ao lado de Clint Eastwood e Donald Sutherland, Garner era casado com Lois Fleishman Clarke Garner desde 1956 e teve dois filhos. Em 1994, participou de uma versão cinematográfica da série de TV que o consagrou, MAVERICK, atuando com Mel Gibson, que repetiu o seu papel. James Garner morreu em 19 de julho de 2014, aos 86 anos.

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