segunda-feira, 27 de outubro de 2014

O Planeta dos Macacos – Como tudo começou.


É verdade que O PLANETA DOS MACACOS (Planet of the Apes), de 1968, revolucionou não somente a Ficção Científica como também a própria história do cinema. Não foi por menos: além da saga que levou muitos aficionados do gênero às salas de projeção em todo mundo, também originou mais quatro longas metragens, uma série de TV live action, uma série em desenhos animados, Histórias em Quadrinhos, um Remake não bem sucedido dirigido por Tim Burton em 2001, e uma franquia recente que tem feito sucesso e que resgatou esta fantástica saga, que começou com Planeta dos Macacos, a Origem (2011) e teve continuidade com Planeta dos Macacos- O Confronto (2014). O terceiro (e final) episódio será lançado em julho de 2016. Faremos uma retrospectiva dos primeiros cinco filmes da série original e abordaremos as versões mais recentes, além de outras curiosidades, onde o editor, além de outras fontes de pesquisa, se utilizou de artigo do jornalista e escritor SAULO ADAMI, da saudosa revista Cinemim, para compor este tópico.

Paulo Telles.


O PLANETA DOS MACACOS-COMO TUDO COMEÇOU.

       LIVRO, ROTEIRO, E FILME


Richard Darryl Zanuck (1934-2012), filho do lendário chefe da 20ª Century Fox Darryl Zanuck (1902-1979), foi o único produtor executivo de Hollywood a acreditar no projeto de Arthur Jacobs (1922-1973) de levar ao cinema o romance do francês Pierre Boulle (1912-1994) La Planete des Singes. O livro foi um estrondoso sucesso de vendas, inclusive nos Estados Unidos, mas os produtores de diversos estúdios pareciam não ter nenhum interesse de filmar uma história que pudesse ser na visão deles tão “pessimista”, visto que a trama trata do holocausto da Humanidade.

PIERRE BOULLE
Contudo, levar um filme baseado em uma obra literária não é fácil, já que literatura e cinema são duas expressões artísticas bastante diferentes. A primeira lida com as linhas e a palavra escrita a partir da imaginação do leitor. Já o cinema manipula com imagens em movimento. Logo, o primeiro desafio de um roteirista ou argumentista é de adaptar corretamente um trabalho literário para o cinema e conseguir transformar em um bom filme, tão bom ou melhor que o livro, mas isso não é uma tarefa fácil. Geralmente, os adeptos da leitura tendem a dizer que “gostam mais do livro” ou que “o livro é melhor do que o filme”, e isso se torna uma das piores frases que um cineasta pode ouvir, e nada é mais frustrante para quem se dedica a dirigir ou produzir uma obra cinematográfica baseada em uma obra literária.


Primeiramente, o roteiro apresentava os astronautas chegando aos arredores de uma grande cidade, com todos os aspectos de Nova Iorque. Edifícios grandiosos, carros, supermercados, ruas, avenidas, casas de família, tudo igual. O que diferenciava é que os habitantes seriam não seres humanos, mas macacos, e os seres humanos não passariam de animais de estimação, escravos ou cobaias.



No livro de Pierre Boulle, a história começa casualmente, quando dois tripulantes de uma nave encontram uma garrafa vagando pelo espaço, e dentro desta, havia uma mensagem. Era a história de um astronauta chamado Ulysse Merou (uma alusão a Ulisses) do século XXVI. Ulysse conta todos os momentos de desespero a partir do dia em que aterrissou num estranho planeta governado por símios inteligentes, onde o homem não passava de uma fera. Toda estrutura deste planeta era a mesma da Terra, com apenas uma angustiante diferença de que os homens eram escravos e zumbis de gorilas, chimpanzés, e orangotangos.


Depois de passar por várias dificuldades, Ulysse Merou encontra um pouco de paz ao conhecer Zira e Cornelius, dois simpáticos chimpanzés-cientistas. Através de pesquisas arqueológicas e antropológicas, os três descobrem que o planeta era governado primeiramente pelos homens, e estes mesmos criaram o seu próprio fim.


De acordo com o romance original, Ulysse é uma ameaça para os macacos. Em vista disso, ele resolve fugir na sua nave espacial com sua nova companheira. Com gritos de alegria, Ulysse volta a Terra e, principalmente, a sua amada Paris. Enquanto vibra de felicidade e chora emocionado, sua companheira Nova grita de pavor, pois ela acabara de ver um carro dirigido por um chimpanzé. Ulysse foge. A garrafa é o seu último e dramático pedido de socorro. Os dois astronautas acabavam de ler esta mensagem, e sorriem um para o outro, e um deles diz: “Isso só pode ser uma piada. Não existem homens inteligentes”. Assim termina o livro de Boulle.


No filme, Ulysse vira o capitão George Taylor (Charlton Heston), astronauta, um homem individualista e cínico, que não acreditava em nada a não ser nele mesmo. Mas, com o decorrer das atribulações, ele vê o quanto pode ser vulnerável e choca-se ao encontrar o Planeta dos Macacos e descobrir que foi a sua própria raça humana que destruiu o planeta.


Um dos únicos paralelos entre o filme e o livro é a parte que toca os símios. No livro, Boulle conseguiu através da narração projetar uma intensa carga de humanismo nos macacos, fazendo assim que o leitor esquecesse a real situação. No filme, através da maquiagem, o espectador esquece de que são atores interpretando macacos, devido também a excelente atuação deles, principalmente de Roddy McDowall, Kim Hunter e Maurice Evans.

ROD SERLING
Rod Serling (1924-1975), o criador e anfitrião da série clássica de TV Além da Imaginação, foi escalado para redigir o roteiro, mas para isso, ele entrou em contato com uma equipe que se dedicava à produção de filmes com elefantes indianos, e foi esquematizando cena por cena o seu script.  Entretanto, a tal equipe depois rejeitou em ajudar Serling devido à “população de macacos que teria de aparecer”. Blake Edwards (1922-2010) entrou em contato com Serling e se propôs a dirigir e produzir o filme.  Mas o roteiro foi ficando muito extenso e certamente o custo não seria inferior a 100 milhões de dólares, e isto sem contar que uma “população de macacos” exigiria de atores e figurantes a se vestirem como tais, além da “cidade dos macacos”, que teria de ser edificada e o custo também não seriam dos mais baratos.

ARTHUR P. JACOBS
Arthur P. Jacobs se uniu a Serling e percorreu diversos estúdios de Hollywood e fora dela, em outros países, para buscar apoio, mas ambos fracassaram na empreitada. Jacobs sugeriu que reescrevesse o roteiro, onde se pudesse pensar numa sociedade “metade primitiva, metade civilizada”. Desta vez, funcionou.

MICHAEL WILSON
Segundo Serling, a adaptação que ele fez foi livre do romance original. Jacobs e Serling mantiveram contato durante certo período, mas depois o roteiro foi passado para Michael Wilson (1914-1978), que por sua vez mudou a ambientação (de uma cidade do século XX para uma cidade troglodita) e retirou todo o diálogo de Serling e fez o seu próprio. Wilson fez com que seu script fosse uma “sátira da raça humana”, e de suas atitudes na sociedade. Para Wilson, O Planeta dos Macacos não era uma Ficção Científica, pois “quem ri do macaco, está rindo do seu próprio modo de ser”.


No caso de O Planeta dos Macacos de 1968, um grande número de pessoas saiu impressionada das salas de projeção. Houve quem discutisse sobre se o filme superava o livro, mas em grande parte, chegavam à conclusão que o livro era melhor, e nada seria realmente mais natural, pois o romance atinge o leitor de modo mais pessoal, sugerindo a ele ao invés de dramaticidade, formar seu próprio universo. No filme, as imagens estão na tela, em movimento, com largura e comprimento, mas sem profundidade. As imagens não podem ser modificadas conforme o desejo do espectador. O cinema é lindo e emocionante, alegre e dramático, mas não é orgânico.


Além do roteiro brilhante de Wilson, a grande diferença entre os dois trabalhos é de que o livro tratava tanto de Ficção Científica quanto de fantasia, e o filme é, ao mesmo tempo, Sci Fi e uma trama de aventuras.


OS PRIMEIROS TESTES DE CENA E MAQUIAGEM
CHARLTON HESTON CUMPRIMENTANDO EDWARD G. ROBINSON DURANTE OS PREPAROS DA PRODUÇÃO.
Os primeiros trabalhos exigiam que fossem feitos testes de cena. O primeiro apontado para um dos papéis principais foi Edward G. Robinson (1893-1973) no papel do Dr. Zaius, e Charlton Heston como o astronauta George Taylor. Numa questão de meses, se desenvolveu todo o processo de maquiagem dos macacos, criando um guarda-roupa e edificando a “cidade dos macacos”, num terreno da 20ªCentury Fox.


JOHN CHAMBERS
John Chambers (1922-2001) foi o responsável pelo processo de maquiagem dos atores para se caracterizarem de macacos, e convenhamos, foi um processo revolucionário, pois nunca antes o cinema havia avançado no setor dos Make-up.  Esta novidade e avanço rendeu a Chambers, merecidamente, um Oscar honorário pelo desenvolvimento do design da maquiagem, mas ao mesmo tempo, dor de cabeça para os atores que tinham que se vestir como símios. Precisavam em média de 5 horas para a aplicação e três para a retirada das máscaras, aplicada em etapas diferentes: cabelos, focinho, queixo, e orelhas. Quando a produção do primeiro filme já estava bem adiantada, era possível encontrar desenhos de maquiagens prontos, como a dos chipanzés, gorilas, e orangotangos. Com o tempo, a aplicação foi evoluindo, e tudo podia ser feito em 3 horas e meia.

KIM HUNTER



A maquiagem mais flexível era a de Kim Hunter (1922-2002), que exigia um tratamento adicional, ficando o mais delgada possível para não atrapalhar os movimentos. Depois veio a maquiagem de Roddy McDowall (1928-1998). Edward G. Robinson se retirou do cast pois não se adaptou a maquiagem e passou mal, e em seu lugar entrou Maurice Evans (1901-1989), que não diferentemente, esbarrou com dificuldade em relação aos lábios superiores de seu personagem, o Dr. Zaius. Todo o seu diálogo foi dublado em estúdio.

RODDY McDOWALL



Roddy McDowall costumava dizer que trabalhar em Planet of the Apes foi um “sacrilégio tanto físico quanto mental”. E ainda dizia mais: “Tenho que me conscientizar de que sou um macaco e, como tal, andar arrastando os pés, meio curvado. A maquiagem é pesada, incômoda, e impede que os movimentos faciais sejam feitos com naturalidade, exigindo um esforço maior de minha parte. Para que o resto do meu corpo fique parecido com a de um macaco, no meu caso um chipanzé, tinha que vestir uma pesada espécie de macacão. Agora. Imaginem vocês o calor que eu tinha que suportar embaixo de toda aquela indumentária? E ainda, tomar sucos de canudinho?” – disse Roddy depois das filmagens. O ator chegou a perder quatro quilos em apenas uma semana, e o filme fora rodado em parte no verão americano.


O maquiador John Chambers disse a respeito de todo o processo de maquiagem: “Tínhamos três turmas que trabalhavam na maquiagem em tempo corrido, revezando-se, e trabalhando com a borracha, porque borracha não é como uma operação de máquina de perfurar, onde você tem tudo perfurado em sequências. Tudo é feito por sensibilidade artística”. O trabalho de  Chambers rendeu a ele uma citação do Guinness Film, que é o livro de recordes do cinema: o maior orçamento já destinado para um trabalho de maquiagem cinematográfica – Um Milhão de Dólares, isto é, 17% do custo total da produção, onde reuniu 78 profissionais de maquiagem. 


                                      A CIDADE DOS MACACOS- CENÁRIOS E LOCAÇÕES.

Surgiu um problema para a produção. Para filmar uma cidade, seria necessário fazer filmagem de locação. Logo, daria bastante trabalho da equipe de produção afastar curiosos ou então proteger os menos avisados que levariam um tremendo susto ao ver símios andando pelas ruas.

Para solucionar estes pequenos e até hilários problemas, teriam que filmar nas primeiras horas da manhã e ainda preparar um grande aparato para afastar pessoas estranhas ou impedir que alguns moradores aparecessem nas filmagens.


Com a finalidade de fazer uma cidade, estaria fora de cogitação fazer uma cidade qualquer, logo foi começado a surgir ideias. Em vez de modernas construções, os arquitetos da Fox resolveram pensar como macacos, e deste soberbo esforço de imaginação, surgiu A Cidade dos Macacos, e todos os edifícios, desde construções particulares até importantes museus do governo e centros científicos foram moldados em uma maquete para a apreciação dos produtores. A cidade parecia mais uma montanha rochosa escavada pela erosão. E isso tudo construído num terreno da 20th Century-Fox. Para ter uma ideia da enorme importância da Cidade dos Macacos, o pessoal de Hollywood o alcunhou como Century City (a cidade do século), pois nunca um cenário para um filme fora construído com grande trabalho e proporção ao longo de toda a história da Sétima Arte.

OS ASTROS PRINCIPAIS E A EQUIPE TÉCNICA PARANDO AS FILMAGENS PARA UMA FOTO.
As cenas externas, como o deserto do leste, a Zona Proibida (que foi a caverna descoberta pelo arqueólogo Cornelius), foram rodadas na região desértica de Utah, no Arizona (cenário considerado a “terra de John Ford”, onde o cineasta realizou seus westerns obras primas da Sétima Arte, como No Tempo das Diligências e Rastros de Ódio).

DIVULGAÇÃO DE "O PLANETA DOS MACACOS" DURANTE SEU LANÇAMENTO NO BRASIL, EM 1968. CORTESIA DE SAULO ADAMI.

          OS FILMES CINEMATOGRÁFICOS
1-O PLANETA DOS MACACOS/
Planet of the Apes (1968)


Dirigido com todo vigor pelo cineasta de Patton e Papillon, Franklin J. Schaffner (1920-1989), o filme inaugural da série clássica é uma espécie de “Viagem de Gulliver”, repleta de alusões, ironias políticas, e blasfêmias. O Coronel astronauta George Taylor (Charlton Heston) passa do mais alto avanço tecnológico à situação de homem das cavernas ao viajar a dois anos na velocidade da luz e descobrir um mundo dominado por símios, no qual os últimos remanescentes da raça humana são mantidos enjaulados ou empalhados em museus arqueológicos.



Com sardônico humor, o filme imagina uma reviravolta ao evolucionismo, misturando Darwin e Jonathan Swift (autor de “As Viagens de Gulliver”), para provar que, por culpa da insensatez e ganância humana, chimpanzés, gorilas, e orangotangos, herdarão o reino da Terra.




Taylor é um homem individualista, frio e calculista. Ele deixou a Terra em 1972 para explorar o futuro. Avançando no futuro. Sua nave aterrissa num lugar muito parecido com a Terra, mas vê que o transporte é tragado pelas águas de um rio, levando o corpo de Stewart (Dianne Stanley), única mulher da tripulação morta durante a viagem devido a um escapamento de gás.



"TIRE SUAS PATAS DE CIMA DE MIM SEU MACACO SUJO"
Taylor e seus colegas astronautas Landon (Robert Gunner, 1931-2001), e Dodge (Jeff Burton, 1925-1988) encontram humanos selvagens, e logo se envolvem numa caçada de gorilas. Taylor é ferido e levado à cidade dos macacos com um tiro na garganta, que o faz perder a fala. Zira (Kim Hunter) percebe se tratar de um caso excepcional da espécie humana e apresenta Taylor ao arqueólogo Cornelius (Roddy McDowall) que busca descobrir a verdade sobre as origens da civilização Símia.




Taylor recupera a voz e se torna uma ameaça aos macacos, principalmente ao Dr. Zaius (Maurce Evans), um magistrado que já havia descoberto a origem da civilização símia, e que a raça humana era outrora dominante. Zaius fazia de tudo para ocultar este segredo dos símios.



Zira e Cornelius se tornam renegados quando resolvem libertar o Coronel Taylor e sua companheira (ou fêmea na concepção dos macacos), a muda Nova (Linda Harrison), e todos se dirigem a Zona Proibida, onde Cornelius mostra a Taylor os achados. Ao analisar cada peça, o astronauta concluiu que, antes dos macacos, os seres humanos dominavam o planeta.




Zaius aparece por lá, mas é rendido por Taylor, que exige a liberdade para si e para Nova, além de cavalos, arma, munição, e provisões.




É antológica e imortal a cena final. Na orla marítima, Taylor se depara com a Estátua da Liberdade, soterrada na areia. O astronauta cai de joelhos, chora de raiva e soca na areia, observada por Nova, espantada, que não entende aquele gesto.  Taylor acabava de descobrir que não estava em outro planeta, mas sim na própria terra, em sua própria casa, a dois mil anos no futuro.



O primeiro filme é um espetáculo inteligente, rico em reflexões éticas, e também atraente como cinema de aventuras. Destaque para o “selinho” de despedida do Coronel Taylor na Drª Zira, motivando um pouco o ciúme do macaco Cornelius. Música de Jerry Goldsmith (1929-2004).


2- DE VOLTA AO PLANETA DOS MACACOS/
Beneath the Planet of the Apes (1970)

Continuação de O Planeta dos Macacos de 1967, repetindo nos papéis Heston como George Taylor, Linda Harrison como sua companheira Nova, Maurice Evans como o Dr. Zaius, e Kim Hunter como Zira. O arqueólogo Cornelius aqui desta vez é interpretado por David Watson, já que Roddy McDowall estava às voltas com sua estreia na direção de um filme na Inglaterra.



Depois de se perder na Zona Proibida em companhia de Nova (Harrison), o astronauta Taylor (Heston) é seguido por um colega, Brent (James Franciscus, 1934-1991), enviado para apurar seu paradeiro.



Descobrem a existência de mutantes nos subterrâneos de que outrora foi o metrô de Nova Iorque. Os macacos que dominam a superfície do planeta investem sobre os homens-toupeiras, os quais além de poderes telepáticos, ainda prestam culto a uma apocalíptica Bomba Atômica.



A exemplo do filme anterior, foi também criada várias versões para o roteiro desta sequência. O primeiro a se cogitar foi escrito por Rod Serling, passando por Pierre Boulle, até chegar a Paul Dehn (1912-1976). Entre os não creditados no script, estão Serling (pelas primeiras ideias, algumas aproveitadas), Boulle (que involuntariamente deu a Arthur P. Jacobs o ponto de partida para o terceiro filme), o diretor Ted Post (1918-2013) que dirigiu esta sequência, e o ator James Franciscus, que interpreta aqui o personagem Brent, que escreveu uma versão própria em cima da hora, enviando para Mort Abrahams (1916-2009) e Jacobs, mas em vez de ajudar, os fez enfurecer.


Finalmente, cerca de 56 das suas 60 páginas foram aproveitadas por Abrahams e Paul Dehn, que assinaram o roteiro e cujos nomes aparecem nos créditos deste filme.


3- FUGA DO PLANETA DOS MACACOS/
Escape from the Planet of the Apes (1971)


Dirigido por Don Taylor (1920-1998), teve o título inicial de Secret of Planet of the Apes (Segredo do Planeta dos Macacos), mas alterado e lançado como Fuga do Planeta dos Macacos – Escape from the Planet of the Apes, foi criado a trama de uma fuga de Zira (Kim Hunter novamente repetindo o papel), Cornelius (Rody McDowall, de volta) e Milo (Sal Mineo, 1939-1976), depois da explosão da Zona Proibida, onde morreram o Coronel Taylor, Brent, e Nova, durante um último confronto com os macacos, que ocorreu na Zona Proibida. Milo resgatou a nave de Taylor, estudou-a e a recuperou, fugindo com os amigos cientistas antes da destruição da Terra pela bomba dos mutantes.




Vindo a parar em Los Angeles de 1973, os três símios descobrem que suas raças são de meras atrações para os humanos, até se tornarem ameaças para o futuro da raça humana. Nem mesmo a proteção de dois esclarecidos psiquiatras de animais, Lewis Dixon (Bradford Dillman) e Stefanie Branton (Natalie Trundy) os livrará de ameaças e perigos de morte. Milo já havia morrido num acidente de laboratório. Zira e Cornelius haviam viajado no tempo para advertir a Humanidade sobre os riscos da destruição nuclear.



Armando (Ricardo Montalban,1920-2009) dono de um circo, fez o parto de Zira, que dá a luz a um macho, a quem batizam de Milo. Os filhotes de Zira e da macaca Heloise são trocados, e o falso filhote de Zira morre com ela e Cornelius, numa sequência considerada uma das mais emocionantes da série. Numa jaula do circo de Armando, o filhote dos macacos inteligentes, pronuncia sua primeira palavra: “mamãe”.


Para este terceiro filme, o compositor Jerry Goldsmith fez uma paródia á sua própria trilha sonora de 1968. Rodaram-se cenas externas pelo centro e arredores de Los Angeles, e desta vez, a equipe de maquiadores (sob o comando de John Chambers) estava mais a vontade: apenas quatro atores para maquiar como macacos. 


4-A CONQUISTA DO PLANETA DOS MACACOS
Conquest of the Planet of the Apes (1972)

O quarto filme, dirigido por J. Lee Thompson (1914-2002) foi lançado para mostrar A ORIGEM do Planeta dos Macacos. Quase vinte anos depois da morte de Zira e Cornelius, em 1991, um vírus espacial mata todos os cães e gatos do planeta Terra, e os homens passam a adotar macacos como animais de estimação, chegando a utiliza-los para pequenos serviços em regime de escravidão.



A polícia os adestra a força. Armando (repetindo novamente Ricardo Montalban, do filme anterior) esconde seu inteligente chimpanzé, César (Roddy McDowall), filho de Zira e Cornelius. Quando as autoridades desconfiam, César finge ser um macaco normal e é levado para a sala de condicionamento e acaba por ser arrematado em leilão pelo tirânico governador Breck (Don Murray), passando a trabalhar no centro de comunicações.


Enquanto Armando é interrogado e morre ao tentar fugir, César organiza uma guerrilha com os macacos solidários, preparando assim o terreno para o futuro mundo dos símios.

Contratou-se uma nova multidão de figurantes, que desfilava pelos bastidores com o rosto marcado pela maquiagem, além de exigir contratar novos maquiadores. Destaque para a marcante trilha sonora de Tom Scott.


        5-  A BATALHA NO PLANETA DOS MACACOS
Battle for the Planet of The Apes (1973)

 O quinto e último filme da série clássica, também dirigida por J. Lee Thompson, exigiu a construção de uma nova “cidade dos macacos”. Foram construídas três ou quatro casas no alto de árvores num terreno da Fox, além de uma escola e um lugar para reuniões. A bomba atômica voltou à cena, em poder dos homens de Breck, remanescente da revolta dos macacos em 1991, que foi tema do quarto filme.



Doze anos após o início do reinado de César (Roddy McDowall), foi constituída uma sociedade rural pacífica de macacos, em que a mais valiosa lei é "macaco jamais matará macaco". Eles vivem em paz com alguns humanos sobreviventes da Guerra Nuclear que devastou a sua sociedade.


Porém, o general Aldo (Claude Akins, 1926-1994), líder dos gorilas, acha que os macacos devem ter armas para matarem os humanos. E conspira com os outros da espécie para que César não continue no poder. Ele acaba matando o filho de César, Cornelius (Bobby Porter).


Descobrindo o verdadeiro assassino do filho, César luta com Aldo no alto das árvores, culminando com a morte do líder dos gorilas. A fita termina com macacos e seres humanos vivendo em paz. Destaque para a participação do cineasta John Huston (1906-1987) numa ponta como um macaco legislado. 


          PLANETA DOS MACACOS NA TV – SERIADO E ANIMAÇÃO


Em 1974, Stan Hough (1918-1990) encomendou a Anthony Wilson e a criação de um seriado televisivo tendo por base os filmes O Planeta dos Macacos, de 1968, e De Volta ao Planeta dos Macacos, de 1970. A série de TV se chamou Planeta dos Macacos e teve 14 episódios estrelados por Roddy McDowall interpretando o chimpanzé renegado Galen, companheiro de aventuras dos astronautas humanos do século XX, Alan Virdon (Ron Harper, escolhido de uma lista de 50 atores inscritos, por sua semelhança com o ator Charlton Heston, astro do primeiro filme do cinema) e Peter “Pete” J. Burke (James Naughton).



Na série de TV, o poder símio estava representado pelo orangotango conselheiro Zaius (Booth Colman) e o chefe de segurança, o general gorila Urko (Mark Lenard, 1924-1996). Como a “cidade dos macacos” já existia, foram criados apenas para a série alguns vilarejos e novas aldeias para os macacos.

DIVULGAÇÃO DE UM JORNAL DA ESTRÉIA DA SÉRIE DE TV NO BRASIL
A diferença dos dois primeiros filmes da antiga franquia com o seriado televisivo consistia no fato de que, na série de TV, os seres humanos podiam falar. Isto não agradou, pois embora a série tivesse tido um relativo sucesso (aqui no Brasil, a série estreou pela Rede Globo em 1975, nas noites de segunda), os fãs mais exaltados dos primeiros cinco filmes para o cinema não gostaram dessa mudança.


Logo, a série não passou de 14 episódios, mesmo tendo o brilhante e veterano Roddy McDowall a frente da produção, encantando com seu personagem Galen. A série teve participação de grandes nomes em alguns episódios, como William Smith, Norman Burton, Royal Dano, John Ireland, Sondra Locke (então mulher de Clint Eastwood), David Sheiner, Jay Robinson, Richard Devon, Joanna Barnes, Beverly Garland e Anne Seymour. Destaque também para a trilha de Lalo Schifrin.



Em 1975, surgiu o desenho animado De Volta ao Planeta dos Macacos. Ao mesmo tempo em que existem fãs da série que o prestigiam, já outros não se empolgam. O desenho foi um fiasco de proporções absurdas, pois só serviu para confundir o espectador. Misturaram-se os personagens do cinema e da TV, e a criatividade beirou ao ridículo, e a grande maioria dos fãs se decepcionaram.



          O REMAKE DE 2001, DE TIM BURTON

A           A Intenção em refilmar O Planeta dos macacos pela 20ª Century Fox vem desde 1993, quando primeiro nome cogitado para assumir a direção foi de Oliver Stone. Depois, o ator Arnold Schwarzenegger mostrou interesse em interpretar o personagem que foi de Charlton Heston no filme original, o que fez  com que Stone desistisse do projeto. Schawrzenneger chegou a aprovar a escolha de Phillip Noyce para a direção, mas este esteve as voltas para dirigir O Santo. 

CHARLTON HESTON E TIM BURTON DURANTE AS FILMAGENS
Logo depois, a Fox contratou Chris Columbus e Sam Hamm para reescrever o roteiro do filme, havendo ainda boatos de que James Cameron assumiria a direção. Apenas em 2000 foi escolhido o diretor definitivo da nova versão de O Planeta dos Macacos, que viria a ser Tim Burton. Charlton Heston, que estrelou O Planeta dos Macacos original, aparece neste filme fazendo uma pequena ponta, interpretando justamente um macaco velho e sábio que está em seu leito de morte.

MARK WAHLBERG E CHARLTON HESTON DURANTE A PREMIERE DO FILME DE TIM BURTON EM 2001
O filme, porém, foi destruído pela crítica, mas fez uma bilheteria mundial US$  360 milhões, tendo custado US$ 100 milhões. A crucificação do filme pela crítica certamente foi uma das razões pelas quais a Fox decidiu não seguir adiante com uma franquia, pelo menos para os próximos dez anos.


O filme difere de praticamente tudo da versão original de 1968. Na versão de Tim Burton, o astronauta é Leo Davidson (Mark Wahlberg), a versão de George Taylor, que, acidentalmente, abre um portal para um mundo habitado por macacos humanóides falantes. Leo lidera uma rebelião como líder dos humanos.


Helena Bonham Carter é Ari, uma chimpanzé que protesta contra o modo como os humanos são tratados. Ela ajuda Leo a liderar a rebelião e também sente uma atração romântica por ele. É inspirada na personagem Zira, do filme original de 1968 e feita pela saudosa Kim Hunter.


Tim Roth como General Thade, um chimpanzé militar sádico, comandante do exército e que quer ter controle sobre a civilização dos macacos. Thade também pretende se casar com Ari, mas ela o rejeita. Ele é vagamente inspirado no General Ursus, um personagem gorila do segundo filme da antiga franquia, De Volta ao Planeta dos Macacos, em 1970, que foi vivido por James Gregory (1911-2002).  


Estella Warren é Daena: uma humana escrava que, assim como Ari, tem uma atração romântica por Leo. Daena é inspirada na personagem Nova, interpretada por Linda Harrison no filme de 1968.


No ano de 2029, a bordo da estação espacial Oberon, da Força Aérea dos Estados Unidos, o astronauta Leo Davidson trabalha em estreita colaboração com os primatas, que são treinados para missões espaciais. Seu parceiro favorito de trabalho é um chimpanzé chamado Péricles.

Com uma forte tempestade eletromagnética aproximando-se da estação, uma pequena nave espacial pilotada por Péricles é usada para sondar a tempestade. A nave de Péricles entra na tempestade e desaparece. Contra as ordens de seu comandante, Leo entra em outra pequena nave e sai em busca de Péricles.


Ao entrar na tempestade, Leo perde contato com o seu comando e cai em um planeta desconhecido no ano 3002. Ele descobre que tal mundo é dominado por macacos humanóides com uma comunidade bem estruturada, que podem falar a linguagem humana e que caçam e escravizam os seres humanos.


Leo é logo capturado, junto com outros humanos nativos, por um grupo de macacos que os levam a uma cidade para serem vendidos por Limbo (Paul Giamatti), um orangotango comerciante de escravos. Leo conhece então a chimpanzé Ari, que protesta contra o tratamento horrível que os humanos recebem. Ari decide comprar Leo e uma mulher chamada Daena para que eles trabalhem como empregados na casa de seu pai, o senador Sandar (o veterano David Warner). Leo escapa de sua jaula e liberta outros seres humanos.


Ari percebe a fuga, mas Leo consegue convencê-la a ajudá-lo em sua causa. Leo faz uma rebelião humana contra os macacos e desenvolve um triângulo amoroso com Ari e Daena. O general Thade e o coronel Attar (Michael Clarke Duncan, 1957-2012) convocam exércitos de macacos e saem em busca dos humanos fugitivos. Leo descobre Calima um local proibido, porém sagrado para a religião dos macacos, que o reverenciam como templo deles.

Sem concordar com a opressão imposta aos homens, Leo torna-se uma ameaça potencial ao estatuto dos primatas e dá início a uma revolução nada social no planeta. Ao fim, ele descobre que não salvou o planeta do general Thade.


A NOVA FRANQUIA, O REBOOT.

Após o fracasso do remake de Tim Burton em 2001, os produtores resolveram arquivar O Planeta dos Macacos pelos próximos dez anos. Não adiantaria fazer uma sequência a partir do filme dirigido por Burton. Logo, foi idealizado em 2011, um reboot (releitura ou reinício) da saga. Iniciaria assim, uma nova franquia sobre o tema.


Planeta dos Macacos: A Origem (2011)

Dirigido por Rupert Wyatt e distribuído pela Fox, essa é a décima produção sobre o livro de Pierre Boulle. Rise of the Planet of the Apes (título original), se trata de um reboot da série de filmes Planeta dos Macacos, funcionando como a origem de toda a história, reiniciando assim uma franquia nova. Logo, a partir desta saga, as cinco produções anteriores desde o primeiro filme estrelado por Charlton Heston além do remake de Tim Burton, estão isoladas desta produção e da seguinte que foi lançada este ano, Planeta dos Macacos- O Confronto.


Os roteiristas se inspiraram no quarto filme da série clássica, Conquista do Planeta dos Macacos, de 1972, se tornando um enredo parecido, mas não um remake direto, visto que não se encaixa na continuidade da antiga franquia.

O longa foi lançado a 5 de agosto de 2011, nos Estados Unidos, tornando-se um sucesso comercial e de crítica. Planeta dos Macacos- A Origem foi indicado ao Oscar de Melhores Efeitos Visuais. Foi indicado também a cinco Saturn Awards, incluindo Melhor Diretor (Rupert Wyatt) e Melhor Roteiro (Amanda Silver e Rick Jaffa), vencendo a categoria de Melhor Filme de Ficção Científica, Melhor Ator Coadjuvante (Andy Serkis, o sucessor de Roddy McDowall) e Melhores Efeitos Especiais. O desempenho de Serkis, como César, foi muito elogiado, o que lhe rendeu muitas indicações de várias associações que não costumam reconhecer o desempenho de personagens por captura de movimento como atores tradicionais.


Will Rodman (James Franco) é um cientista, que na procura de uma cura para o mal de Alzheimer motivado pela doença de seu pai, cria uma droga chamada ALZ-112. Porém, essa droga possui um efeito curto, e depois de algum tempo o corpo consegue produzir anticorpos que acabam com o efeito do vírus ALZ-112. O efeito desse vírus é completamente diferente nos símios. Nesses últimos, o vírus causa uma neurogênese, aumentando o QI dos macacos.

Rodman testa a droga em uma chimpanzé com sucesso, porém, em meio a apresentação da sua nova criação, a chimpanzé enlouquece, destrói o laboratório e quase faz com que o cientista perca o emprego.


O cientista descobre, ainda confuso com a reação da chimpanzé, que ela há pouco estava grávida e apenas estava tentando proteger o filhote recém-nascido. Rodman leva a cria para sua casa, onde descobre que a mutação exercida pelo vírus ALZ-112 é hereditária. Assim, a pedidos do seu pai o batiza de César. Rodman, percebendo que o vírus é um sucesso nos símios, decide testá-lo, sem nenhum tipo de aprovação, em seu pai (John Lithgow), que com única dose fica curado do Alzheimer.


Seguindo sua vida normalmente com César, Will descobre uma veterinária, Caroline Aranha (Freida Pinto), por quem, com a ajuda de César, começa um relacionamento. Após cinco anos de uma aparente estabilidade, os problemas começam a aparecer.


César (Andy Serkis) começa a se questionar se ele é um membro da família ou apenas um animal de estimação. O pai de Will começa a reapresentar sinais de Alzheimer, e após uma confusão com a vizinhança, César tenta defendê-lo de um vizinho perigoso. César é mandado para um abrigo para macacos chefiado por John Landon (Brian Cox) e seu filho Dodge Landon (Tom Felton). Lá percebe os maus tratos e o verdadeiro comportamento humano perante sua espécie e é onde decide mudar a situação dos macacos.



Paralelamente, na busca de uma cura definitiva para a doença de seu pai, Rodman desenvolve uma nova versão do vírus com a intenção de que o composto chegue mais rapidamente ao cérebro, o ALZ-113. Porém o resultado dessa experiência é um vírus que torna os macacos mais inteligentes, mas que tem efeito oposto em humanos.


Esse composto é roubado por César, que foge do abrigo, mas volta com o ALZ-113 e distribui para seus espécimes. Assim, os símios fogem do abrigo, e vão para a cidade em direção ao parque das sequoias, tendo que atravessar a Golden Gate, onde acontece a luta principal entre humanos e símios. Ao final do filme, o cientista Will Rodman consegue alcançar César, já no parque das sequoias, e despede-se do chimpanzé estupefato, pois ao abraçá-lo César consegue falar: Caesar is home (César está em casa).


O vírus se espalha no final do filme, demonstrando que são os símios quem herdarão o planeta Terra. Durante o filme, é constantemente apresentada uma expedição a Marte, que se perdeu no espaço. É presumível que seja essa expedição que dará origem ao filme original (apesar de que no primeiro filme da antiga série não se tratava de uma expedição ao planeta vermelho).

Planeta dos Macacos: O Confronto (2014)


Dirigido por Matt Reeves e distribuído também pela 20º Century Fox, esta produção é estrelada por Andy Serkis, Gary Oldman, Jason Clarke e Keri Russell, sendo a sequência de Planeta dos Macacos- A Origem, de 2011.

O filme foi lançado nos Estados Unidos e Canadá a 11 de Julho de 2014 (no Brasil, estreou no dia 24), Dawn of the Planet of the Apes (título original) foi recebido com aclamação da crítica, com os críticos elogiando seus efeitos visuais, história, direção, atuação, e profundidade emocional. O filme também foi um sucesso de bilheteria, tendo arrecadado mais de US$ 668 milhões mundialmente.


O filme se inicia com uma montagem de reportagens que mostram o colapso da civilização humana, na esteira do vírus ALZ-113. Dez anos após a epidemia, o macaco César (Andy Serkis) agora lidera e governa uma nova geração de macacos, incluindo alguns de seus companheiros que ficaram presos junto com ele no santuário dos macacos.


César lidera os macacos em uma caçada a veados, onde seu filho adolescente, Olhos Azuis (Nick Thurston), ganha profundas cicatrizes sendo atacado por um enlouquecido urso. César é convocado para sua nova casa na floresta Muir, onde sua esposa doente, deu à luz a um filho. Depois de dez anos sem contato com os seres humanos, um pequeno grupo de sobreviventes de San Francisco se depararam com os macacos. Depois de um dos seus membros entrar em pânico, ele atira e fere um jovem macaco, César leva os macacos ao encontro dos humanos na cidade de São Francisco e proíbe os seres humanos de entrar na floresta.


O líder do grupo de reconhecimento, Malcolm (Jason Clarke), convence o líder do agrupamento humano, Dreyfus (Gary Oldman), a dar-lhe três dias para fazer as pazes com os macacos e obter acesso a um gerador hidrelétrico em uma barragem dentro do território símio, o que poderia fornecer energia para a cidade.


Dreyfus fica desconfiado dos macacos, e começa a armar os sobreviventes, em preparação para a guerra. Enquanto isso, Koba (Toby Kebbell) primeiro tenente de Cesar, que havia sido cobaia dos seres humanos no passado, incentiva César a exterminar todos os seres humanos, enquanto eles estão enfraquecidos e desesperados. César, vendo uma chance para a paz com os seres humanos, se compromete a conceder o acesso à barragem. Com Malcolm, sua esposa e filho trabalhando no gerador, eles começam a formar um vínculo com os macacos, apesar de várias situações de tensão decorrentes da desconfiança mútua.


Koba toma conhecimento do armamento dos seres humanos, e confronta César sobre sua tolerância para com os seres humanos. César esmurra Koba por sua insolência, fazendo este arquitetar planos para usurpá-lo da liderança símia. Koba convence Olhos Azuis a acreditar que Malcolm e os seres humanos são perigosos, enquanto rouba uma arma do arsenal humano. Na noite em que a energia é restaurada para a cidade, Koba usa a arma humana clandestinamente para atirar em César, aparentemente matando-o e o corpo cai de uma laje.


Olhos Azuis encontra a arma, e Koba aproveita a confusão resultante do resto dos macacos para colocar a culpa nos seres humanos e insuflar um frenesi em suas forças, e ele ordena uma pilhagem ao arsenal dos humanos. Usando armas humanas, eles invadem o assentamento de São Francisco, rompendo as portas e aprisionando todos os seres humanos.


Malcolm e sua família encontram César ainda vivo na floresta, e o transportam para São Francisco enquanto procuram suprimentos médicos para ajudá-los a operar César. No meio do caos, Olhos Azuis e os outros macacos mais jovens se recusam a tirar vidas, levando Koba a matar um amigo de Olhos Azuis, chamado Ash (Larramie Doc Shaw). Malcolm encontra os suprimentos, juntamente com Olhos Azuis, e leva-o a César, onde os dois fazem planos de retomar a cidade e impedir Koba de seus planos.


Esta produção utiliza de base o filme A Batalha no Planeta dos Macacos, em 1973, contudo, como na origem, realizado em 2011, não se trata de uma refilmagem, já que esta bem sucedida parte está dentro do contexto da nova franquia.

Embora a nova franquia inicia uma nova saga sobre o tema, as duas últimas bem sucedidas produções trazem reminiscências da antiga série. Nesta produção O Confronto, o nome do filho do líder César se chama Olhos Azuis. Olhos Claros era como a macaca Drª Zira chamava carinhosamente o astronauta George Taylor, no clássico filme dirigido por Franklin J. Schaffner em 1968, e possivelmente, os roteiristas quisessem homenagear a Charlton Heston, o herói inaugural de toda a saga. O próprio nome do grande protagonista, o símio César, já é uma referência dos filmes A Conquista do Planeta dos Macacos (1972) e A Batalha do Planeta dos Macacos (1973), onde basicamente o mesmo personagem (feito nos dois filmes por Roddy McDowall) se chama César. O bordão macacos não matam macacos também é uma referência extraída do quinto filme da antiga franquia.



CONSIDERAÇÕES FINAIS

O PLANETA DOS MACACOS, inegavelmente, não foi somente um marco para a ficção científica, como também para toda a trajetória da cinematografia mundial. O sucesso se deveu, sobretudo, ao empenho e ponto de partida de Richard Darryl Zanuck, citado logo no início deste tópico, que acreditou que um livro tão polêmico, mas lido massivamente, poderia render um ótimo e rendoso filme.


RODDY McDOWALL, KIM HUNTER, E CHARLTON HESTON, NUMA CONVENÇÃO SOBRE "PLANETA DOS MACACOS" EM 1998, ESTADOS UNIDOS.
Talvez tanto ele, quanto Arthur P. Jacbos, ou ainda o próprio autor do livro, Pierre Boulle, nem imaginariam que não renderiam apenas um, mas cinco filmes, uma série de TV, gibis, um desenho animado (não tão bem sucedido), um remake, e agora, uma nova e bem sucedida franquia que está prometendo perpetuar toda esta incrível epopeia, que tem fãs espalhados em todo o mundo.

SAULO ADAMI
No Brasil, não seria diferente. Para a confecção desta matéria, tive a colaboração de um dos mais respeitados entendidos sobre Planet of The Apes do país: o escritor Saulo Adami, autor dos livros O único humano bom é aquele que está morto! (1996), Diários de Hollywood: Um brasileiro no Planeta dos Macacos (2008) e Perdidos no Planeta dos Macacos (2013 – este com o quadrinista Angelo Júnior) e que também escreveu um artigo especial, em duas partes, para a saudosa revista Cinemim, nos números 60 e 61, 5ª série, em 1990. Meus sinceros agradecimentos ao Saulo por se propor a me ajudar na elevação deste artigo, que certamente, encherão não somente os olhos dos fãs da série, como também de nossos amigos e leitores neste espaço dedicado a Sétima Arte.


PRODUÇÃO E PESQUISA: PAULO TELLES.
Colaboração: SAULO ADAMI.

14 comentários:

  1. ...NOBRE AMIGO, NADA MAIS ACRESCENTAR, A NÃO SER DÁ-LHE OS PARABÉNS POR MAIS UM GRANDE POSTAGEM.
    AVANTE...

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    1. Obrigado Edivaldo. Agradeço também pelo envio da programação do mês de novembro da Caw, parabéns pela seleção. Abraços do editor.

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  2. Olá, amigo, O FALCÃO MALTÊS está de volta ao antigo espaço/ blog.
    Vamos voltar a trocar ideias cinéfilas?
    Abraços
    http://ofalcaomaltes.blogspot.com.br/

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    1. Saudações Nahud. Seja bem vindo de volta ao seu primoroso espaço. Adorei a matéria sobre as atrizes suecas. Um forte abraço e sucesso.

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  3. Ola caro amigo,sabes que nunca havia me interessado pela historia e nem filme sobre "O Planeta dos Macacos",tanto que não cheguei a assistir nada sobre o assunto.Talvez por fazer alguma negação involuntária de termos sido descendentes destes bichinhos tão feiosos.Ao aqui chegar fiquei"electrizada"com tua fenomenal postagem e por tanto,meus grandiosos cumprimentos.Grande abraço.SU

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    1. Olá minha querida amiga, como tem passado? Grato com sua participação e um forte abraço do editor.

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  4. Telles,

    Gosto de sempre por em evidencia frases ou palavras que me chamam a atenção, como esta; Holocausto da Humanidade. Muito bela e de efeito.

    O Schaffner sempre foi um grande cineasta. Quem pode negar os valores reais de Pappillon/73, A Ilha do Adeus/77 e Patton/70, ambos com George C Scott, Vassalos da Ambição/64? São todas boas e muito bem feitas peliculas.

    E com uma historia desta em mãos ele não poderia negar sua qualidade. E fez o filme que fez um complet rebuliço em termos de ficção, além de um filme muito bem administrado e com o Heston no cimo de sua carreira.

    Não aprovei muito as continuações, historias soltas e sacadas de imaginações demais, mas sempre com alguma novidade, além de fitas até que feitas com alguma qualidade.
    Porém sem o Schaffner e sem o Heston, o que partiu um tanto quanto a linha da franquia.

    Sobre o publico sempre preferir os livros sobre os filmes, isto é antigo e também cheio de realidade.
    Apesar de na leitura, que é sempre muito mais completa e mais cheia de detalhes, os leitores bolam as imagens à sua imaginação.

    Já no cinema as imagens são apresentadas belas e cheias de qualidades técnicas.
    No entanto, aí entra uma outra realidade; os filmes são, normalmente, partes do livro que o originou, o que faz com que estes sejam os preferidos pelos mais exigentes.

    Sobre o James Franco, que trabalha na Origem, já o conheço de muitos filmes e acabo de ver um filme com ele chamado Doce Tentação. É um ator jovem, porém muito promissor e com o qual já vi outros diversos e bons trabalhos seus, estando com É o Fim na agulha para ver.

    O que tento dizer que é ele teve um papel fundamental em A Origem/11, do Rupert Wyatt, a quem imputo o sucesso do mesmo e quem creio que deveria ter ministrado O Confronto, pois este seguimento perdeu-se um pouco na qualidade do primeiro.

    Assim como o Franco poderia muito bem estar presente nesta nova ficção, embora o Jason Clarke (um excelente ator e que está perfeito em Os Infratores/12, Confiar/10 e muito melhor ainda em De Caso com o Inimigo/08, ao lado da lindidissima Paz Vegas (SUGIRO VEREM), e o Oldman, ator que dispensa comentários.

    Porem, O Confronto perde em surpresas, em expectativas e em termos de inovação para A Origem, dando, no entanto, um banho de tecnologia.

    De um modo amplo são duas boas fitas a serem vistas e até revistas.

    jurandir_lima@bol.com.br

    Vi A Origem e, para ser muito sincero, acabo de ver o novo seguimento, O Confronto, e considero A Origem mais original, com mais base, mais teor, mais surpresas

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    1. Bom dia amigo baiano.

      Tudo indica que dentro de dois anos, segundo informações do Saulo Adami, que gentilmente se ofereceu para revisar esta matéria (nos contactamos pelo Facebook) haverá a terceira continuação da nova franquia e deverá ser o último filme. Gostei dos dois primeiros filmes, entretanto gostei mais da segunda continuação devido as cenas de ação e o roteiro que reminiscência o último filme a antiga franquia, e com o bordão “macacos não matam macacos”.

      Sem dúvida, não temos um diretor como Scheaffer e nem um astro como o querido Charlton Heston.

      Por falar nesse, devo dizer que justamente o segundo filme seja a mais fraca continuação da antiga série, talvez devido ao chatérrimo James Franciscus que não ajudou muito e ainda se fez de roteirista para o horror e a fúria de Arthur Jacobs que não gostou. Tudo indica que o segundo filme que não foi estrelado por Charlton Heston (que aparece apenas no início e no fim da fita) e sim por Franciscus e Linda Harrison foi mal elaborado.

      Excelente comentário sobre James Franco, realmente um ator que tem feito ótimos trabalhos.

      Um grande abraço do editor carioca

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  5. adorei o artigo, eu não conhecia todas as filmagens , (me lembro perfeitamente e acho que como a maioria a cena final qdo Charlton Heston descobre que estava o tempo todo na terra a mais emocionante e fantástica supressa, depois me lembro do episodio do planeta com o circo, e depois de anos vi a origem e o confronto); é enriquecedor poder entender toda a saga, trabalho, filmagem e técnicas que envolvem o cinema enquanto estou sentado na poltrona comendo pipoca, Parabéns a todos vcs , abs. valéria

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    1. Eu, e em nome também do Saulo Adami, é que agradecemos sua participação e seus comentários, Valéria. Abraços do editor do blog!

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  6. Apesar de preferir o filme do Charlton Heston , gostei das versões atuais . È muito bom saber da história de cada filme , parabenizo os autores .

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    1. Nós que agradecemos seu comentário, Iza Maria, eu (Paulo Telles) e o companheiro Saulo Adami. Cumprimentos dos autores.

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  7. Como faço para abaixar os filmes antigos? Amava esse seriado e sempre vem em minhas lembranças de infância queria muito assistir todos eles. Os atuais já assisti mais não se compara aos antigos. Que saudade da minha infância 🙄. Abraco

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    1. Claudia, aqui é um blog com matérias e publicações sobre cinema, não um point para baixar filmes. Para isso, sugiro que vá a este link: http://baixarfilmesjogostorrent.blogspot.com.br/p/antigos-classicos.html. Boa sorte! Abraços!

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