sexta-feira, 1 de agosto de 2014

A Saga de Audie Murphy – Parte 1.


A um longo tempo que um verdadeiro amigo meu, de longa data, me pede para publicar uma matéria exclusiva sobre um dos mais famosos cowboys do cinema. Talvez ele não seja tão popular às plateias mais jovens, pois não era tão famoso como John Wayne, ou Randolph Scott, ícones do faroeste americano. Mas é conhecido pelos amantes do gênero WESTERN e conquistou fãs pelo mundo todo, inclusive no Brasil, graças as suas exibições em nossa telinha nas sessões Western e Bang Bang por aqui, tão reprisadas em nossa televisão brasileira.

O amigo a quem me refiro se chama Jorge Luis Nascimento, fã de carteirinha deste cowboy, e o ídolo a ser focado nesta matéria (que terá ainda mais três sequencias) é nada mais do que AUDIE LEON MURPHY (1924-1971), cuja memória nos Estados Unidos é mais lembrada como Herói americano da II Guerra Mundial, e tão pouco como cowboy de Hollywood. 

É verdade que nunca foi um astro de primeira grandeza na Meca do Cinema, mas fez seu nome na Sétima Arte conseguindo gerar admiradores de seu trabalho e de suas eletrizantes fitas de aventuras. Aliás, aventuras não faltam na vida deste astro, fossem dentro ou fora das telas.

Vamos falar de sua vida nos campos do Texas como meeiro de algodão na infância e adolescência, sua entrada na II Guerra, suas conquistas por bravura, a entrada em Hollywood, seus dois casamentos, traumas pós-guerras, sua briga num bar onde foi acusado de tentar matar um homem, tendo que responder processo, e seu trágico fim num acidente aéreo, que acabou por lhe tirar a vida a 28 de maio de 1971, com apenas 47 anos de idade.

Esta matéria tem como coautor o amigo Jorge, que graças a ele, foi fornecido vasto material para a implantação deste tópico, que vai passar a homenagear desde já um juvenil ídolo cowboy das antigas matinês. Com vocês:


Audie murphy


AUDIE LEON MURPHY nasceu a 20 de junho de 1924, filho de pobres meeiros de algodão no Texas, mas ganhou fama nacional como o mais condecorado soldado de combate dos Estados Unidos da América na Segunda Guerra Mundial. Entre seus 33 prêmios e condecorações, esta a Medalha de Honra do Congresso Americano, a mais alta condecoração militar por bravura que pode ser dado a qualquer americano, por "bravura e intrepidez visível com o risco de por sua vida acima e além do cumprimento do dever".


Ele também recebeu condecorações fora dos Estados Unidos, incluindo cinco delas da França e Bélgica. Foi a ele creditado matando mais de 240 inimigos enquanto ferido e capturando outros mais, se tornando uma lenda dentro da divisão da 3ª infantaria, sua companhia.


Começando seu serviço como um soldado no Exército, Audie rapidamente subiu para o posto de Sargento, recebendo uma comissão do "campo de batalha", como 2 º Tenente, já que foi ferido três vezes, lutando em 9 grandes campanhas em todo o território europeu, e sobrevivendo à guerra.

Uma fase de transição

O PEQUENO AUDIE, AOS CINCO ANOS
Filho de Emmet e Josie Bell Murphy, Audie nasceu numa fazenda de agricultores, perto da pequena cidade de Kingston, no Texas - e nos seus primeiros meses, passava muito tempo preso à um balanço de bebê enquanto sua mãe trabalhava em um cultivo de algodão perto de casa. Desde pequeno, ajudava carregando madeira para casa e caçando animais para que eles pudessem ter o que comer.

Algumas vezes, ele se dava ao luxo de ter um cartucho no seu rifle para trazer comida para uma família de nove irmãos. Sua precisão em atirar tinha de ser exata ou eles não teriam o que comer. Isto foi muito importante para sua futura carreira militar, pois mais tarde, no front da II Guerra, nos piores combates que travou, a sua precisão em atirar no alvo não somente salvou sua vida, mas também as vidas de seus companheiros de luta.

O PEQUENO AUDIE com seus dois outros irmãos
A irmã de Audie, chamada Billie, conta uma história um tanto cômica que ocorreu durante a fase de crescimento dele. Segundo ela, Audie gostava de fazer piadas e brincadeiras. Ela se lembrou de que, um dia, Audie ofereceu aos parentes alguns pedaços de doces. Quando as pessoas provaram, descobriram que era um pedaço de sabão chamado Lifebowy.

Quando Audie tinha 12 anos, seu pai abandonou a família, e por isso, teve que deixar a escola, estudando até o 5º grau, e foi trabalhar nas lavouras. Em 1941, quando Audie tinha 16 anos, sua mãe faleceu. Isso foi um choque para ele, pois ele adorava de imenso a Srª Josie Murphy, sua genitora.  Pouco tempo depois, ele foi trabalhar num posto de gasolina onde havia uma loja de conveniências. Tendo que trabalhar, não tinha ninguém que pudesse cuidar dos seus três irmãos menores, o que levou Audie a tomar uma extrema decisão difícil de coloca-los em um orfanato, já que não havia outra opção. Audie chorou a morte de sua mãe durante toda sua vida. Mas fez uma promessa: que quando tudo se endireitasse, ele tiraria seus irmãos menores do orfanato. 


A carreira militar

Na bomba atirada pelos japoneses, em Pearl Harbor, a 6 de dezembro de 1941, surtiu o estímulo de muitos americanos a serem voluntários e entrar na II Guerra. O jovem Audie tentou se alistar no dia 20 de junho de 1942 na Marinha, já que tinha 18 anos. Não foi aceito porque o peso dele estava abaixo do permitido. Tentou depois se alistar como paraquedista, porque segundo ele, eles “usavam lindas botas”, mas de novo foi rejeitado pelo mesmo motivo anterior. Finalmente, ele tentou a infantaria. Lá, eles não fizeram perguntas e deixaram ele se alistar. Ao contrário das instituições anteriores que o rejeitaram para o serviço militar, a Infantaria alegou que Audie era leve sobre os pés e que ele seria um bom soldado.



Murphy nunca tinha estado a mais de cem milhas longe de casa e ele foi de ônibus para o centro de iniciação e treinamento de infantaria. Durante uma sessão de treinamento no acampamento, ele sofreu derrotas e humilhações, chegando mesmo a passar mal ou a desmaiar. Os comandantes da corporação tentaram transferi-lo para a cozinha e para o treinamento dos padeiros por causa de sua “cara de bebê tão jovem”, mas Audie insistiu em se tornar um soldado de batalha.

Depois de 13 semanas de treinamento intensivo básico ele foi enviado para o Forte Meade em Maryland, para um treinamento avançado na infantaria.


Em fevereiro de 1943, em Casablanca, na África do Norte, ele fez a sua 1ª viagem de missão como substituto. Ele foi transferido para as respectivas Companhias B, 1º batalhão, 15º Regimento de Infantaria, e 3ª Divisão de Infantaria do porto Lyautey. Nesta última, Audie ficou por toda a guerra. Mais ou menos um ano depois, ele foi promovido comandante de sua unidade.


NO FRONT


Ao chegar a Sicília, na Italia, ele teve o seu 1º encontro com a morte.

Audie matou dois soldados italianos que tentavam escapar em magníficos cavalos brancos. Quando questionado pelo líder do seu pelotão porque ele tinha feito isso, ele respondeu:

“Isto é meu trabalho!”


Não demorou muito, Audie contraiu malária quando esteve ainda pela Sicília, e isso foi muito incomodativo para ele durante toda sua vida. A doença o levou para o hospital em Salerno e, em algumas ocasiões eventuais durante a guerra que as sequelas da doença o pegavam de surpresa.

Em agosto de 1944, a divisão de Murphy se mudou para o sul da França como parte da Operação Dragoon. Foi lá que seu melhor amigo, Lattie Tipton, foi atraído para campo aberto e foi morto por um soldado alemão que fingia rendição.


Enfurecido por este ato, Murphy matou o alemão que tinha matado seu amigo. Ele então comandou uma ação arriscada quando subiu num tanque em chamas e metralhou todos os soldados alemães (estima-se em 240) que vinham atacar sua companhia. Por este feito heroico, Murphy recebeu o Distinguished Service Cross, a primeira de muitas de suas condecorações.



Antes do seu 21º aniversário e depois de mais de 2 anos e meio no mar, a maioria em linha de missão a frente de combate, Audie Murphy voltou para sua casa no final da II Guerra Mundial, com todas as condecorações de valor que um país pode conceder a um soldado.


Audie testemunhou a morte de centenas de companheiros e soldados inimigos. Dotado de grande coragem diante desses horrores, ele foi premiado com 33 condecorações nos Estados Unidos, incluindo três Purple Hearts – medalhas concedidas pelos Estados Unidos aos seus soldados feridos em batalha (como no caso de Audie). Murphy participou em nove campanhas de batalha, incluindo o ataque aos desembarcadores na Sicília e sul da França. A sua fama lhe deu o título de “o mais condecorado soldado americano da II Guerra Mundial”.



PÓS-GUERRA

A volta de Audie para sua casa em Fammersville, Texas, em 1945, foi completamente cheia de excitação. A família dele e todos os amigos lhe deram boas vindas de herói. Audie nunca gostou de falar em público e fugiu para não ser o centro das atenções. Em uma ocasião em um jantar cerimonial, oferecido em sua honra em San Antonio (Texas), Audie sorrateiramente saiu e se instalou em um hotel local, e dormiu a noite inteira.


Quando estava em Nova York, ele teve um dia inteiro de homenagem no Elbet’s field. Ele estava perplexo com toda gratidão americana. Visitou hospitais e deu apoio aos soldados feridos. Audie não se sentia confortável junto dos civis e ainda dedicou bastante tempo para as pessoas que se relacionava. Os soldados e a guerra ainda estavam bem profundos no coração e na mente de Audie, e isto impregnou por quase toda sua vida.


Audie retornou a Europa em 1948 em nome do Exército e ofereceu seus respeitos para aqueles que tinham morrido. Enquanto ele esteve lá, ele provou emoções diferentes, estando entristecido pela futilidade da guerra, tudo isso pela consideração que tinha pelas crianças. Audie amava crianças e demostrava isso.


Aqui uma pequena nota da irmã mais nova de Audie, pouco tempo depois dele ter voltado da guerra para casa. Ela relata que Audie adquiriu uma casa de 2 pisos para a irmã mais velha Corine viver com o marido e seus filhos.  Isso possibilitou que os três irmãos mais novos de Audie fossem tirados do orfanato e voltassem a se reunir com os outros membros da família. Murphy tinha jurado fazer isso antes de ir para o Exército e ele conseguiu cumprir a promessa.

Enquanto Audie esteve na casa dos seus familiares, sua irmã Billie lembra que o irmão condecorado comprou para ela o seu 1º par de meias de nylon, sapatos de couro envernizado para os domingos, e o mais bonito vestido do mundo. Isto era uma coisa que a irmã costumava se lembrar por todos os anos e jamais esqueceu, pois segundo ela, Audie amava fazer coisas para as outras pessoas.


Audie Murphy se tornou uma respeitada celebridade. A Life, uma das revistas mais prestigiadas do mundo, homenageou o soldado com cara de bebê bravo, colocando-o na capa de sua edição de 16 de julho de 1945.  Foi essa fotografia que inspirou o ator James Cagney (1899-1986) a chamar Murphy e convidá-lo para um teste em Hollywood, e assim, ingressar na carreira de ator. 


James Cagney

INTRODUÇÃO EM HOLLYWOOD


James Cagney imediatamente percebeu o potencial do jovem herói de guerra como um ídolo do cinema, e convidou-o para a Hollywood, com a ideia de escala-lo em suas produções. Audie mudou-se para a Califórnia no verão de 1945, morando na casa de James Cagney e esposa por muitas semanas. Como nenhum contrato cinematográfico foi efetuado, ele foi embora. Depois de partir da casa dos Cagneys, Audie passou muitas noites dormindo em um ginásio de esportes que pertencia ao seu amigo Terry Hunt, onde lá mesmo ele se exercitava na arte do boxe.


Somente três anos depois, que o notável herói de guerra conseguiu seu primeiro papel, embora pequeno, no filme Código de Honra (Beyond Glory), estrelado por Alan Ladd (1913-1964) e Donna Reed (1923-1986). Mesmo num diminuto papel, ele conseguiu sua primeira crítica escrita:


Audie Murphy fez sua estreia e foi muito boa. Vocês o reconhecerão. Ele é o único com um sotaque do sul.


O casamento com wanda hendrix

WANDA HENDRIX
Um dia, Audie viu uma foto da atriz Wanda Hendrix (1928-1981) na capa da revista Coronet, de março de 1946. Ela era uma atriz aspirante despontando sob um contrato com a Paramount. Segundo se conta, foi ela que pediu para o estúdio das estrelas que Audie fosse escalado para um papel no filme Código de Honra. Enquanto trabalhava no seu primeiro filme, Audie conseguiu outra foto de publicidade na revista Life. Desta vez, a manchete da capa era a estreia de Murphy no cinema, e o seu romance com Wanda. Audie e Wanda se casaram no dia 8 de janeiro de 1949.


O segundo filme de Murphy, Viver Sonhando (Texas, Brooklyn & Heaven), de 1948, e dirigido por William Castle (1914-1977), foi conseguido graças ao amigo David McClure, que tinha o apelido de “Spec”. Audie conseguiu um papel através da associação entre “Spec” com a lendária fofoqueira de Hollywood Hedda Hopper (1885-1966), que foi prestativa em obter um pequeno papel para Murphy no filme. Audie apreciou muito essa ajuda, mas se sentia frustrado por não conseguir papéis melhores no cinema. Mais tarde, ele anunciaria que não tiraria mais nenhuma foto, a menos que tivesse ele um papel principal.


Mais filmes


Em breve, a sua grande oportunidade aconteceria quando ele, finalmente, estrelou no filme Caminho da Perdição (Bad Boy), dirigido por Kurt Neumann (1908-1958), e atuando ao lado de Jane Wyatt (1910-1986) e Lloyd Nolan (1902-1985). Foi seu primeiro papel principal.


Tudo começou no outono de 1948, quando Audie conseguiu esta oportunidade graças a James “Skipper” Cherry e ao produtor Paul Short, ambos conectados com a Interstate Theatres Incorporation .  Murphy  voltou ao Texas para uma visita, e como de costume, passou muito tempo com Skipper, seu consultor e amigo íntimo. Nessa época, Short estava escalando o elenco para Bad Boy em Hollywood.  Skipper contactou Short e pediu a ele para considerar um pedido seu e dar a ele um papel no filme. Apesar de algumas objeções do presidente da Allied Artist, Audie fez um teste de filmagem e conseguiu o papel principal.

O lançamento mundial do filme foi no dia 16 de fevereiro de 1948, 

A SAGA CONTINUA DAQUI A UMA SEMANA. BREVE A SEGUNDA PARTE, ONDE SERÁ FALADO DOS SEUS PRINCIPAIS FILMES. 

COMO O VERDADEIRO HERÓI DE GUERRA SE TORNOU UM DOS “MOCINHOS” DO FAR-WEST AMERICANO? AS DUAS FITAS QUE ESTRELOU E DIRIGIDAS POR JOHN HUSTON. 

O LIVRO QUE ESCREVEU SOBRE AS SUAS MEMÓRIAS NO FRONT E QUE ACABOU VIRANDO UM FILME QUE ELE MESMO VEIO A ESTRELAR. O SEGUNDO CASAMENTO E MUITO MAIS!!! NÃO PERCA A SEGUNDA PARTE DA


A SAGA DE AUDIE MURPHY
Produção e Pesquisa de Paulo Telles
Colaboração: Jorge Luis Nascimento
***************************

EM TEMPO
In Memorian de
JAMES GARNER (1928-2014)

James Garner foi um dos atores que mais se identificaram com o cinema de aventuras, tendo protagonizado obras primas como FUGINDO DO INFERNO (1960), DUELO EM DIABLO CANYON (1965), A HORA DA PISTOLA (1966), entre tantos outros. Mas foi na televisão que conseguiu certamente maior notoriedade, graças às séries televisivas MAVERICK (1957-1962), e ARQUIVO CONFIDENCIAL (1974-1980). 

Um dos seus últimos trabalhos no cinema de grande repercussão foi em COWBOYS DO ESPAÇO, em 2000, ao lado de Clint Eastwood e Donald Sutherland, Garner era casado com Lois Fleishman Clarke Garner desde 1956 e teve dois filhos. Em 1994, participou de uma versão cinematográfica da série de TV que o consagrou, MAVERICK, atuando com Mel Gibson, que repetiu o seu papel. James Garner morreu em 19 de julho de 2014, aos 86 anos.

11 comentários:

  1. Belo artigo ,Paulo estou ansioso para ver a segunda parte !!!!

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    1. Logo logo, mano!!!! rs Abraços do editor!

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  2. Fascinante história de vida do ator Audie Murphy. Eu tbm estou ansiosa para ler a segunda parte dessa magnífica saga. Parabéns Paulo Telles pelo artigo. Mais uma vez vc surpreendendo com trabalho rico em informações redigido com tamanha riqueza de detalhes que ao ler nos deixa com gostinho de quero mais! Estou orgulhosa de vc!

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    1. Querida Neusinha Coutinho - Pode estar certa que Audie tem fãs espalhados no Brasil e no Mundo. Desde já agradeço sua participação e seja sempre bem vinda. Obrigado pelo cumprimento e incentivo. Abraços do editor!

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  3. Primeiramente voltar a sentir a viagem derradeira do excelente J Garner.
    Está sendo assim: os estamos perdendo todos, todos. Dolorido demais!
    É o caminho de nós todos, mas nunca se acostuma com a ocorrencia.

    O Audie Murphy pode não ter ter sido um Duke, um Cooper, um Lancaster ou mesmo um Randy, ou pode não ser um astro tão popular para os mais jovens, realmente.
    Porém, na década de 1950 ele esteve muito presente em nossas salas de cinema. E quem viveu aquela época ficava a cada fim de sessão assistida ansiando pela nova pelicula do Audie a chegar.
    Era um alvoroço, uma alegria enorme e uma corrente de fãs que não paravam de falar em seu nome e nas suas fitas.

    As informações sobre a vida do astro não me soou muito estranha, dado a algumas coisas sobre o mesmo que já andei lendo. Porém, sobre ele ter matado um civil, ainda que em legitima defesa, tornou-se um fato completamente novo para mim.

    Uma pessoa familia, na mais procedente das palavras. Não teria como, um jovem como ele, com pensamentos firmes sobre os seus, não ter algum triunfo na vida. Que terminou por vir, com toda justiça e heroismo seu.

    Seu ato de presentear sua irmã, não apenas com a casa, mas com bens pessoais foi tão importante para ela que jamais esqueceu o fato.
    Belo, muito belo um homem olhar para os seus, com os olhos que precisam ser, verdadeiramente, olhado para estes.

    Quanto à sua carreira cinematográfica, tudo no inicio é sempre muito dificil, meio tumultuado e a dependencia de um ou de outro.

    Um lindo gesto do Cagney sua tentativa de arrasta-lo para o seu mundo e ainda lhe dar hospedagem em seu lar.
    Nem assim a coisa acontece como se quer, mesmo o Cagney já sendo um ator muito conhecido e visto.

    Assisti a muitos filmes com o Murphy. Três deles sem serem faroestes; Terrível Como o Inferno, acho que de 1955 e do Aldrich (o primeiro filme que vi dele), O Mundo Entre Cordas e Um Americano Tranquilo, dos quais nada me recordo.

    Nada vi do mesmo do seu inicio de carreira nem mesmo seu primeiro filme como astro principal.

    Belissimo rosto o se sua esposa Wanda, que na foto se parece muito com a Gene Tierney.

    Um verdadeiro heroi, nosso jovem e bravo soldado Murphy. Como ele mesmo citou, cumpriu sua missão, fez seu trabalho.
    Apenas o fez além de todas as expectativas, principalmente por ser muito franzino, por ter cara de menino, mas que tinha a gana da obrigação impregnada em si.

    Vamos aguardar a segunda parte desta saga, ao tempo em que mostro aqui os meus parabéns ao amigo Jorge Luiz por seu amor ao nosso idolo e por sua enorme colaboração na confecção desta matéria.

    Vê-se de cara que é um cinéfilo fervoroso como nós, caro Telles.
    Abrace-o em nome do bahiano quando uma oportunidade lhe surgir.

    jurandir_lima@bol.com.br



    Uma pessoa de olhar até tenro, de modos pacificos, sem o telento que nem era preciso se ter para fazer todos aqueles muito modestos faroestes que fez, mas que se enraizou forte em nossas memórias e em nosso arquivo de ídolos.

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  4. Nobre amigo baiano JURANDIR! Prazer em revê-lo em mais um de seus brilhantes comentários! O Assunto é Audie Murphy finalmente, meu velho!!! O Herói querido tão esperado, finalmente chega em sua primeira parte, numa saga de proporções épicas. Mas esta era a vida de Audie, tanto dentro como fora das telas. Aliás, foi dentro do campo de combate foi onde ele mais se notabilizou.

    Não, grande Ju, Audie não era nenhum Gary Cooper, nenhum Randolph Scott, e muito menos, nenhum John Wayne. Audie era outro estilo de cowboy, talvez mais identificado com a juventude (sim, pelo seu ar tão juvenil), e era bilheteria garantida, sobretudo, em nossas extintas salas de cinema em todo o Brasil.

    Sua trajetória é em realidade uma verdadeira saga. Saga esta que o blog FILMES ANTIGOS CLUB traz para cá graças aos auspícios do material que o meu amigo Jorge me emprestou, e pode ter certeza que ele é um verdadeiro cinéfilo cowboy, e adora faroestes como vc, nobre baiano. Ele vai ficar feliz com seus comentários, querido Jurandir.
    Só uma ressalva: Murphy não matou um civil, ele foi acusado de tentar mata-lo, mas alegou legítima defesa. Só que este fato será abordado mais tarde, na última parte desta série.

    Tem muito mais coisa pela frente. Grande abraço do editor carioca!!!

    PS- JURANDIR
    Vou reproduzir este pensamento sobre Audie no prólogo da segunda parte da matéria e o creditarei!!!! ADOREI, CARA!!!

    “Uma pessoa de olhar até tenro, de modos pacíficos, sem o talento que nem era preciso se ter para fazer todos aqueles muito modestos faroestes que fez, mas que se enraizou forte em nossas memórias e em nosso arquivo de ídolos”.




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    1. EM TEMPO:

      Jurandir, realmente no texto original estava entendido que Audie tinha matado um homem numa briga de bar, no entanto, o erro do editor foi corrigido. Audie não chegou a mata-lo. Ele sofreu uma acusação de tentativa de assassinato, e Murphy alegou que foi em legítima defesa.

      O ator e herói de guerra respondeu a um processo, do qual foi absolvido. Mais detalhes teremos ao longo das continuações.

      Peço desculpas ao amigo Ju e aos demais leitores! O prólogo já foi reeditado.

      O EDITOR.

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  5. PARABÉNS NOBRE AMIGO PELO GRANDE TRIBUTO PRESTADO AO ASTRO AUDIE MURPHY , O HERÓI ESTADUNIDENSE MAIS CONDECORADO DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL.
    ESPERO PODER DAR ALGUMA CONTRIBUIÇÃO PARA ESTE SEU EXCELENTE TRABALHO!
    QUERO DIZER INICIALMENTE QUE LIFEBOUY ERA UMA MARCA DE SABONETE; RECENTEMENTE RELANÇARAM ESTA MARCA NO BRASIL COM A PARTICIPAÇÃO DE NEYMAR. TRATA-SE DE UM SABONETE ANTIBACTERIANO.
    VOCÊ DISSE QUE O AUDIE JÁ TINHA 18 ANOS QUANDO SE ALISTOU NO GUARDA NACIONAL. ALGUMAS FONTES AFIRMAM QUE ELE MENTIU A RESPEITO DE SUA IDADE...
    O NOBRE AMIGO ESCREVEU TAMBÉM QUE AUDIE ERA UM JUVENIL IDOLO COWBOY DAS ANTIGAS MATINÊS. DEVO-LHE DIZER QUE AUDIE NÃO FAZIA PARTE DO GRUPO QUE EU CHAMO DE HERÓIS AÇUCARADOS, QUE INFESTAVAM AS MATINÊS DOS DOMINGOS À TARDE. A MAIORIA DOS FILMES DO AUDIE ERAM DE MÉDIO ORÇAMENTO, POR ISSO MESMO TINHAM “STATUS” DE CLASSE “A”, FILMES ESTES EXIBIDOS EM CINEMAS DE SEGUNDA CATEGORIA, NOS GRANDES CENTROS DO BRASIL, MORMENTE NO RIO DE JANEIRO E SÃO PAULO. OS FILMES EXIBIDOS NAS MATINÊS ERAM PARA UM PÚBLICO POUCO EXIGENTE! AS CARACTERISTICAS BÁSICAS DOS WESTERNS “B”,ERAM AÇÃO E SIMPLICIDADE, QUE CONTINHAM UMA SÉRIE DE PERSEGUIÇÕES, RESGATES, TIROTEIO E BRIGAS, E NADA DE SANGUE. OS CHAMADOS "MOCINHOS", SEMPRE SAIAM DESTAS BRIGAS, COMO ENTRARAM. SEM UM ESCORIAÇÃO, SEM MARCAS NO ROSTO, ROUPAS SEU UM RASGO SEQUER, ETC.
    EM 1950, MESMO ANO QUE SURGIA AUDIE MURPHY, A TV VENCIA O DUELO CONTRA OS FAROESTES TIDOS COMO “B”, MAS QUE OS CHAMO COMO “C” OU “D”. DESTARTE, ROY ROGERS, HOPALONG CASSIDY, GENE AUTRY E CLAYTON MOORE, FORAM PARA TV, OUTROS COMO, ALLAN ‘ROCKY” LANE, JOHNNY MACK BROWN, MONTE HALE,WHIP WILSON, SUNSET CARSON, E OUTROS AÇUCARADOS SAIRAM DE CENA.
    A MAIORIA DOS WESTERNS DO AUDIE ERAM PROIBIDOS PARA MENORES DE 14 ANOS, QUE VOCÊ ESCREVERÁ A RESPEITO FUTURAMENTE. PARA ELUCIDAR VOU CITAR ALGUNS: CAVALEIROS DA BANDEIRA NEGRA, DUELO SANGRENTO, A MORTE TEM SEU PREÇO, TRAIÇÃO CRUEL, O RENEGADO DO FORT PETTICOAT, MATAR POR DEVER, ETC., ETC. OUTROS ERAM PROIBIDOS PARA MENORES DE 18 ANOS, TAIS COMO, O ULTIMO DUELO, BALAS QUE NÃO ERRAM E QUARILHA DO INFERNO. LOGO NÃO ERAM EXIBIDOS NAS MATINÊS, DOS DOMINGOS À TARDE, UMA VEZ QUE AS MATINÊS, ERAM FREQUENTADAS PELA CRIANÇADA. OS FILMES E SERIADOS ERAM LIVRES, OU PROIBIDOS ATÉ 10 ANOS...MESMOS OS FILMES LIVRES, OU PROIBIDO PARA MENORES DE 10 ANOS, TIDOS COMO "A", NÃO ERAM EXIBIDOS NAS MATINÊS E SIM À NOITE. VOCÊ DISSE QUE TERIA SIDO JAMES GAGNEY QUE DESCOBRIU O HERÓI AUDIE MURPHY, ALGUMAS FONTES DIZEM QUE FOI O SEU IRMÃO O PRODUTOR WILLIAM CAGNEY.
    SABEDOR QUE NÃO ERA UM GRANDE ATOR, ELE DIZIA QUE SEUS WESTERNS ERAM SEMPRE IGUAIS, SÓ MUDAVA OS CAVALOS....

    EDIVALDO MARTINS - CAW

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    1. Boa tarde nobre Eddie!

      Algumas fontes citam como 1925 o ano de nascimento de Audie Murphy, o que fortalece a teoria dele ter mentido sua idade para poder se alistar. Mas para composição do artigo que continuará em mais duas sessões, preferi o ano de 1924 por se tratar oficialmente de seu ano de nascimento e constar na sua pedra tumular.

      Amigo Edivaldo...

      Quando me referi a “herói das matinês”, sugeri apenas que fosse não mais do que um dos grandes ídolos que poderíamos assistir nos vesperais dos sábados e domingos, ou mesmo em qualquer dia da semana desde que estivesse desocupado e com dinheiro (rs). Mas realmente, se vc se refere sim, a típicos Durango Kid, Roy Rogers, Gene Autry e outros, definitivamente Audie não foi. Se acompanharmos todos os westerns que Murphy atuou, talvez só em ANTRO DOS DESALMADOS fez algo perto de um “mocinho”, pois o personagem era movido de tanta ingenuidade que não há como não traçar um elogio por esta atuação. Os demais, eram heróis ou anti heróis, e pelo menos um vilão como foi em BALAS QUE NÃO ERRAM.

      Mas agora sabendo de vc que os filmes com Murphy não eram exibidos as tardes e sim à noite, este fato eu desconhecia, mas como sempre dou brecha a um adendo ao leitor, agradeço pelo esclarecimento.

      Sobre esta observação de alguns filmes de Audie serem proibidos para menores de 14 anos, irei elucidar na parte 3 da saga, visto que ainda vou enquadrar outros filmes que na segunda parte só pautei os da década de 1950. Na terceira serão apontados os filmes da década de 1960.

      Acho interessante como a violência nas telas ela evolui ao longo dos anos. Algumas cenas de violência com Audie em muitos filmes ainda chegam a impressionar, como o duelo de facas que ele tem com um homem em CAVALEIROS DA BANDEIRA NEGRA, onde Jesse James (Audie) mata sem dó e nem piedade seu oponente após derruba-lo.

      Sobre o fato de James Cagney tê-lo descoberto, isto é traçado no livro de Sue Gossett- THE FILMS AND CARERR OF AUDIE MURPHY. Seja como for, devemos imaginar que James pode tê-lo apresentado ao irmão William para fazer os primeiros testes, mas ao fim, a influencia de Cagney foi tão pouca, na minha opinião, que Audie já desanimado queria sair de Hollywood. Se não fosse pelo seu amigo “Skiper” e pela colunista Hedda Hooper, as chances de Murphy na Meca do cinema certamente seriam exauridas, como certamente também ficaríamos sem um cowboy que tão bem aprendemos a admira-lo não é mesmo, Eddie?

      Obrigado por estas informações adicionais. Forte abraço do editor!

      Excluir
  6. Olá, Paulo!

    Bom, muito bom o texto dessa primeira parte. Já sei que a segunda está publicada e espero apreciá-la logo, daqui a pouco. Espanta que sendo uma vida tão movimentada a do personagem, você tenha conseguido a proeza de estabelecer uma ligação afetiva entre o leitor e o biografado. Pelo menos, foi o que senti. Ou, vai ver, parte dessa sensação se deve ao meu pai, que tanto falava de Audie Murphy, de forma emocionada, com carinho. Nos meus tempos de garoto, os filmes protagonizados por ele ainda eram exibidos nos cinema. Vi muitos, com meu pai.

    Seu Guimarães, de certa forma, no apego que tinha por Audie Murphy, tentava se curar da frustração de não ser aceito como membro da FEB nos anos de guerra. Ele tentou, mas não foi aprovado no exame de saúde. Parece que a ligação afetiva que ele cultivou com o ator ao longo de toda a vida - sabia tudo a respeito dele - visava a cura de uma angústia, a de não ter ido lutar na Itália.

    Adora a história do doce de sabonete. Humanizou o personagem em sua infância difícil e pobre, na narrativa que você ofereceu. Essa arte do garoto Audie lembra algo parecido e de maior alcance, praticado pelo garoto Darcy Ribeiro, em Montes Claros. Depois de uma aula sobre as propriedades do Azul de Metileno, Darcy passou numa farmácia e comprou um vidro do produto, um volume muito concentrado. E correu para o reservatório de água da cidade, despejando tudo lá dentro. A água ficou toda azul. Ele deveria ter dez anos. Voltou correndo, assustado, para a cidade. Todos os esperavam, inclusive a mãe, que lhe deu uma surra. Foi fácil saber que a arte partira dele. O farmacêutico deu com a língua nos dentes: "Uai! A água das torneiras está azul? Gozado! O filho da Dona Fininha passou lá na farmácia depois de aula e comprou um vidro cheio de azul de metileno".

    Grande abraço.

    José Eugenio Guimarães
    Eugenio em Filmes
    http://cineugenio.blogspot.com

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  7. Boa tarde amigo Eugenio!

    Impressionante o que me conta do "doce de sabonete" e do então garoto Darcy Ribeiro, uma das mentes mais brilhantes que o nosso Brasil já teve. E vc deve entender o por que de tanta admiração de seu pai para com este pequeno notável. Aí esta!!!

    Mas tem muito mais, meu nobre...muito mais! Aguarde!

    Forte abraço do editor!

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