domingo, 13 de abril de 2014

O Cinema Religioso Cristão – Parte 1


Por Paulo Telles

Ao longo de mais de cem anos de cinema, a Sétima Arte levou para as plateias desde os primórdios, os episódios dos evangelhos, do Antigo Testamento, das histórias dos santos, e diversos temas religiosos que caíram no agrado do público, pelo menos, o público de outrora.

Uma história bem curiosa a respeito dos filmes religiosos é que muitos, foram baseados em histórias bíblicas, e a Bíblia Sagrada foi fonte não apenas de inspiração, mas também de renda para grande parte dos cineastas que resolveram investir nesta fórmula tão bem sucedida, cujo auge aconteceu principalmente nos anos de 1950. Diretores como William Wyler, Nicholas Ray, Mervyn Le Roy, George Stevens, Robert Aldrich, Henry King, e claro, Cecil B. DeMille deixaram também seus registros neste estilo cinematográfico, e graças ao talento de cada um, muitas destas obras são conhecidas pelo público mais moderno, público este de cinéfilos, e mesmo, os que se interessam apenas por religião.

HARRY COHN

JACK COHN

O dirigente da Colúmbia Pictures, Harry Cohn (1891-1958) odiava seu irmão Jack Cohn (1889-1956), que era o presidente da companhia, e claro que Jack retribuía o sentimento da mesma forma. Certo dia, Jack ligou para Harry e disse: “Acho que devo lhe contar quem acabou de me visitar”. Claro que Harry não foi perceptivo quanto a este telefonema, mas Jack foi ao gabinete do irmão no dia seguinte e sugeriu que a Columbia tentasse fazer um filme bíblico.


-Não meta o nariz nos meus negócios – gritou Harry
-Só pensei que podíamos fazer um filme bíblico, só isso – disse Jack- Tem um monte de histórias boas na Bíblia.
-Que diabos entende você da Bíblia? – desafiou Harry – Aposto que você não sabe nem o Pai Nosso.
-Claro que sei – disse Jack
-Sabe uma ova – grita Harry – Aposto cinquenta paus que você não reza o Pai Nosso. Aposte ou cale-se!

E Apostaram cinquenta dólares.

-Tudo bem, reze – desafiou Harry
-Santo Anjo do Senhor, meu Zeloso guardador... – Começou Jack com alguma hesitação
-Chega!!!! Achei que você não soubesse – disse Harry, entregando os cinquenta dólares com relutância ao irmão.


Entretanto, Jack Cohn estava certo, não a respeito do Pai Nosso, mas sobre as possibilidades comerciais da Bíblia. Contudo, bem antes de Jack, outro visionário bem aventurado também previa as mesmas possibilidades só quem em proporção ainda maior, já que seu nome veio a se tornar sinônimo de superprodução, e estaria ligado ao cinema épico religioso: Cecil B DeMille (1881-1959).  A verdade que Hollywood investiu no cinema religioso logo no início da década de 1920, depois que o escândalo do comediante Fatty Arbuckle (1887-1933), em 1921, pôs em risco todo o futuro da promissora capital do cinema. 

Logo, os produtores tiveram que inovar para trazer de volta as salas de exibição (que estavam vazias por este e diversos escândalos) o público que agora estava voltado aos cultos religiosos ou em ir às missas dominicais. Mas afinal de contas, quem disse que o Cinema, além de arte, também não pode ser religião, cujas salas são magníficos templos do entretenimento e dos sonhos? Pois foi a partir daí que o grande DeMille liderou o processo de reparação, liderando uma procissão de penitentes de volta à semi-esquecida mina de ouro.

I-A INFLUÊNCIA DE DEMILLE

Cineasta visionário tido como um ás do profissionalismo e do perfeccionismo, Cecil B DeMille foi um dos pioneiros não somente do cinema americano, mas um dos primeiros profissionais a promover a Sétima Arte através de grandes espetáculos cinematográficos de cunho religioso onde muitas vezes também poderia haver uma leve pitada de erotismo, justamente para segurar as plateias nas salas de exibição, contudo, sem ultrapassar os limites.



DeMille tinha ciência dos escândalos hollywoodianos, e como se não bastasse, ele próprio não admitia este tipo de comportamento em seus atores e empregados de equipe técnica. Isto tudo fez com que o cineasta filmasse dramas religiosos e admitir que gostasse de fazê-lo: “A Bíblia sempre foi um Best-Seller ao longo dos séculos. Por que iria eu desperdiçar dois mil anos de publicidade gratuita?”-  DeMille não estava blefando quando escreveu isso em suas memórias.


Mas ao mesmo tempo em que o próprio cineasta gostasse de filmar as histórias da Bíblia e que exigisse que seus atores se comportassem quase como que os próprios personagens nos filmes bíblicos que produzia, podemos dizer que DeMille descobriu, como a fé além de remover montanhas, também pode produzir o milagre da multiplicação de renda nas bilheterias.



As Sagradas Escrituras inspiraram tanto respeito que o cinema durante muitos anos não ousava mostrar sequer o rosto de Cristo. Um truque dramático que a versão de Ben-Hur, de 1926 (Direção de Fred Niblo, estrelado por Ramon Novarro no papel título) colocou em moda, e hoje ficou muito em desuso. Aliás, não mostrar o rosto de Cristo nas telas de cinema também foi usado nos religiosos O Manto Sagrado, de 1953 (dirigido por Henry Koster), Quo Vadis, de 1951 (dirigido por Mervyn Le Roy), Barrabás, de 1961( de Richard Fleischer), e também na versão de 1959 de Ben-Hur, dirigido por William Wyler e estrelada por Charlton Heston.


A presença do Nazareno era anunciada por gestos de sua mão, ou mostrado de costas para o público, sua voz fora de cena, ou ainda efeitos avassaladores, tais como imensos raios solares.  DeMille acreditava que uma imagem ausente poderia causar impacto mais poderoso pelo próprio mistério que encerra. Mas o próprio cineasta tinha seus escrúpulos: “Jamais filmei a figura de Deus por uma questão de respeito”- disse DeMille – “Como Deus esta fora de cogitação, contentei-me com seu substituto, Jesus Cristo”. E o que fez, há que se admitir fez com exemplar austeridade.


Quando realizou O Rei dos Reis, em 1927, DeMille impôs nos sets de filmagem um clima de retiro religioso, obrigando toda equipe a assistir as missas celebradas todas as manhãs, e num requinte de veneração, fez questão de filmar a crucificação de Cristo em plena noite de natal. O efeito, na época, chegou a comover, e The King Of Kings é até hoje um dos mais importantes trabalhos na cinematografia religiosa.



Espetáculo de grandiosidade cênica, colocou no elenco 156 atores e atrizes notórios, e milhares de figurantes. O intérprete de Jesus nesta sacra fita é um ator de envergadura: H. B. Warner (1876-1958), que cumpriu a missão com habilidade. Warner, durante a produção do filme, se envolveu num sério escândalo com uma mulher que ameaçou arruinar sua carreira e a própria reputação do trabalho de DeMille caso o ator não a assumisse. Acredita-se que para evitar maiores problemas, DeMille teria pagado a esta mulher para que ela deixasse Warner em paz e saísse dos Estados Unidos, e assim, não atrapalhar o andamento das filmagens.



DeMille usou outros grandes nomes para compor sua obra sacra, como Dorothy Cummings (1899-1983), como Maria; Ernest Torrence (1878-1933) como Pedro; Victor Varconi (1891-1976) como Pilatos; William Boyd (1895-1972), o futuro cowboy Hoppalong Cassidy das nostálgicas matinês, como Simão Cireneu; o futuro ganhador do Oscar Joseph Schildkraut (1896-1964) como Judas, e seu pai, Rudolph Schildkraut (1862–1930), como Caifás; e (Jacqueline Logan, 1901–1983) como Maria Madalena.

Anos depois, um padre confessou a H. B Warner: “Vi o senhor no filme quando eu era criança. Hoje, toda vez que penso em Jesus, é o seu rosto que encontro”. 



O próximo épico religioso de De Mille foi O Sinal da Cruz, de 1932, originário de peça teatral escrita por Wilson Barrett (1846-1904) livremente inspirada no romance célebre de Henryk Sienkiewicz Quo Vadis?. Considerada uma adaptação “não oficial” do livro publicado pelo escritor polonês em 1896, a peça de Barrett tem muitas semelhanças marcantes  com o romance de Sienkiewicz em seu enredo e algumas características de seus personagens.

Em apenas seis semanas, sem ultrapassar o orçamento de 650 mil dólares imposto por Adolph Zukor (1873-1976), DeMille realizou um espetáculo na tradicional fórmula como ficou bem caracterizado em toda a sua carreira, de unir o erotismo e a religião, distorcendo assim a História, e mais uma vez, obteve ótima posição nas bilheterias.



Por motivo de economia (ainda época da Depressão Americana), cenários e figurinos foram feitos com muita improvisação, por Mitchell Leisen (1898-1972). Também para poupar despesas, o fotógrafo Karl Struss (1886-1981) usou uma lente prismática para duplicar o tamanho da multidão e filmou todas as cenas noturnas à luz de tochas.




Construiu-se uma Roma em miniatura no rancho da Paramount, e 12 câmaras focalizaram o pânico das massas na cena do incêndio de Roma, ordenado por Nero (Charles Laughton, 1899-1962). O banho de Popéia (interpretada por Claudette Colbert) foi feito com leite de verdade, e após dois dias de filmagem, transformou-se em queijo exalando um odor insuportável.




Pola Negri e Norma Talmadge foram cogitadas para o papel da imperatriz romana que acabou nas mãos da brilhante Claudette Colbert (1903-1996), e Fredric March (1897-1975) e Elissa Landi (1904-1948) é o casal central da história - o soldado romano que se apaixona pela cristã Mercia, mas que é alvo da sedução de Popéia, e mesmo com o risco de sua posição social, ele é capaz de se oferecer ao holocausto juntamente com a mulher amada. Este exemplar de drama religioso foi filmada através de uma gaze vermelha, para dar impressão de tempo passado. Outra ideia que só mesmo a originalidade inconcebível de DeMille poderia ter, e mais uma vez conseguiu comover as plateias, que ficaram impactados com as cenas do sacrifício dos mártires cristãos no Coliseu.



No final dos anos de 1940, DeMille queria filmar algo que dizia ser “uma das maiores histórias de amor da História e da Literatura, que é também um comovente drama de fé: a história de Sansão e Dalila”. Parece que outros executivos demonstraram ceticismo quanto à geração pós-guerra, supostamente mais sofisticada, querer ver um filme bíblico. Então, o cineasta mandou um desenhista da equipe fazer o croqui de um cartaz com um “atleta alto e robusto e uma jovem esguia, atraente e encantadora olhando para ele com ar ao mesmo tempo sedutor e friamente calculista”. 



Numa reunião com executivos céticos, segundo contou em suas memórias, DeMille mostrou o desenho e disse: “Senhores, isto é Sansão e Dalila”. Todos ficaram impressionados. DeMille contratou como o protagonista para este novo drama religioso Victor Mature (1913-1999, e último nome a pensar, pois queria Burt Lancaster no papel, e depois Steve Reeves, o Mr América, mas a Paramount o achou jovem demais para o papel) e Hedy Lamarr (1914-2000) como a atraente Dalila.  





Um elenco memorável que ainda reuniu George Sanders (1906-1972) como o Saran de Gaza; Henry Wilcoxon (1905-1984), ator da trupe demiliana, no papel do Príncipe Artur; Angela Lansbury, a Dama do Cinema e uma lenda viva da Sétima Arte, como Semadar; o jovem (15 anos de idade) Russ Tamblyn, que ainda assinava o nome de Russel Tamblyn, como o menino Saul; e numa pequena ponta, George Reeves (1914-1959), o futuro Super-Homem da TV, como um mensageiro ferido.



A Lux Radio Theatre, popular programa de rádio nos Estados Unidos dirigido e apresentado por Cecil B. DeMille, onde transmitiam em versão radiofônica adaptações de grandes clássicos do cinema, transmite também uma adaptação de 60 minutos do seu famoso clássico bíblico, na segunda-feira, dia 19 de novembro de 1951, com Hedy Lamarr e Victor Mature reprisando seus papéis como haviam feito nas telas. 



O Imortal Soundtrack de Victor Young (1899-1956) de fundo exuberante é considerado uma das mais marcantes trilhas musicais para o cinema épico, em seu hino à Canção de Dalila. Sansão e Dalila foi o antepenúltimo filme de DeMille e mais um superespetáculo religioso que custou três milhões de dólares, com 600 extras, arrecadando 12 milhões de dólares, ainda conquistando os Oscars de melhor cenografia em cores e melhor vestuário em cores de 1950.




De Mille havia dirigido a primeira versão de Os Dez Mandamentos em 1923, produção espetacular que arrecadou 14 milhões de dólares com um investimento de 1,5 milhão. A primeira versão, na verdade, é um filme mais voltado para o tema moral do título, tanto que é dividida em duas partes: um prólogo contando brevemente a história de Moisés, aqui interpretado por Theodore Roberts (1861-1928), desde as pragas do Egito, a morte do primogênito do Faraó, até o recebimento das Tábuas da Lei, e tudo isso num espaço de uma hora de projeção; e um conto moral nos então tempos modernos dos anos de 1920, década quando foi realizada esta primeira versão, uma parábola sobre o bem e o mal, personificado por dois irmãos, numa clara alusão de Caim e Abel da Bíblia.


Mais de 30 anos depois, em 1956, o cineasta refilmaria a história de Moisés, com recursos mais avançados e de maneira esplendorosa, mas para isso, precisava de ajuda dos executivos da própria Paramount, estúdio este que o próprio diretor ajudara a fundar.


Um belo dia, DeMille se dirigiu à mesa dos “cartolas” da Paramount, e disse: “Vejam bem, eu faço o que me pedem durante anos. Já trouxe boa bilheteria para esta empresa, e agora é minha vez de vocês me ajudarem. Vou fazer um novo filme sobre os Dez Mandamentos e será filmado no Egito, e não sei quanto vai custar, mas quero que me deem cada centavo a investir ou nunca mais faço um filme para este estúdio”.


Cumprido o trato por parte da estúdio, DeMille começou a por mãos na massa. Tornou-se o filme mais caro da história da empresa, custando 13,5 milhões de dólares, mas acabou se tornando o maior êxito comercial do estúdio, que faturou 43 milhões de dólares só no mercado norte-americano.




A história se inicia quando o Faraó Ramsés I (Ian Keith,1899-1960), ordena a matança dos meninos recém-nascidos para evitar o nascimento de um libertador. Uma mulher, Yochabel (Martha Scott, 1912-2003) salva seu filho que é adotado pela irmã do faraó, Bitiah (Nina Foch, 1924-2008), e cresce como herdeiro do trono.



Torna-se este menino, Moisés (Charlton Heston), braço-direito de Sethi (Cedric Hardwicke, 1893-1964), enciumando o filho legítimo deste, Ramsés (Yul Brynner, 1920-1985, em um desempenho fantástico). Descoberta sua origem hebraica graças as conspirações de Ramsés, Moisés é banido da corte. Casa-se com Séphora (Yvonne De Carlo, 1922-2007), filha do pastor Jethro (Eduard Franz, 1902-1983). Anos depois, Moisés recebe do Sinai a missão divina de voltar ao Egito e libertar o povo hebreu da escravidão. 

Tornou-se também o mais longo filme da carreira de DeMille, 220 minutos (a versão de 1923 tem 136 minutos), e o último de sua longa trajetória, e um Mega Cast de astros, onde também incluem  Edward G Robinson (1893-1973), Vincent Price (1911-1993), John Derek (1926-1998), Debra Paget, e grande elenco. 


Rendeu um Oscar de efeitos especiais e marcou para sempre a longa e vasta filmografia deste que é considerado um dos maiores gênios da Sétima Arte. A marcante trilha de Elmer Bernstein (1922-2004) se tornou um dos mais marcantes comentários musicais já feitas para o cinema. O nome de Cecil B DeMille ficou definitivamente na História  da cinematografia como sinônimo de grandeza e opulência, influenciando mesmo alguns cineastas a realizar trabalhos de estilos semelhantes.


II-A FÉ CATÓLICA SOB A ÓTICA DO CINEMA

Apesar nos Estados Unidos serem os católicos em menor número, exerciam eles grande influência em Hollywood, afinal, foram eles que elaboraram o Código Hays, dispositivo de censura que perdurou por mais de 30 anos na capital do cinema americano. O protestantismo nos EUA é mais formal e cultural do que religioso, aliás, como toda religião que se torna oficial e que é massificada, como aqui no Brasil, onde culturalmente falando, grande parte dos brasileiros se declara católico.Mas os filmes com teor religioso e os dramas bíblicos não seriam apenas exclusividade de Cecil B. DeMille, que exerceria grande influencia em outros produtores e cineastas como veremos ao longo da matéria, que terá um segmento.


Franz Werfel (1890-1945) era um exilado tcheco de nascimento, e vivia perto de Toulon quando o governo francês fugiu de Paris e ele também iniciou uma fuga típica de refugiados, isto é, de nenhum lugar para lugar nenhum. Werfel e a mulher, a célebre Alma Mahler (1879-1864), que era onze anos mais velha do que ele, dirigiram-se primeiro a Marselha, em vão tentaram obter vistos de saída e por caminhos, e por caminhos tortuosos, chegaram a Bordeaux, onde o governo francês se tinha refugiado dos invasores alemães. 

Os Werfel finalmente alcançaram Lourdes, na zona desocupada, onde ficaram semanas a fio presos num hotel tentando mais uma vez conseguir documentos para embarcar. Franz prometeu à santa local, Bernadette Soubiurous (1844-1879), que, se escapasse daquele pesadelo, escreveria um livro para sua maior glória. E ele e sua esposa escaparam. Werfel começou a cumprir a promessa feita a Santa Bernadette.



A Canção de Bernadette foi um estrondoso sucesso literário. O Clube do Livro do Mês o escolheu logo no início de 1942, e a edição normal vendeu 350 mil exemplares. A 20th Century-Fox comprou os direitos por 100 mil dólares, originando assim um dos filmes religiosos de maior sucesso da empresa, A Canção de Bernadette, lançado em 1943.




Conta a trajetória de Santa Bernadette e suas visões da Virgem Maria na gruta de Massabielle, o que significa, no dialeto local - "pedra velha" ou "rocha velha" - junto à margem do rio Gave, aparição que de outra vez se lhe apresentou como sendo a Imaculada Conceição, segundo o seu relato. Jennifer Jones (1919-2009) interpretou a comovente menina com toda a emoção que pôde extrair de si mesma, que era enorme, ganhando o prêmio de melhor atriz do ano.


O drama religioso é um dos mais relembrados, onde despontam ainda no elenco nomes como Anne Revere (1903-1990) como a mãe de Bernadette, Charles Bickford (1891-1967) como o Padre Peyramale, Lee J Cobb (1911-1976) como o médico, Gladys Cooper (1888-1961) como a irmã Maria Teresa Vauzous ,e Vincent Price (1911-1993) como o promotor público. Linda Darnel (1923-1965) não creditada, fez a parte da Virgem Maria, para desgosto de Franz Werfel, que conhecia a má reputação da atriz. A fita abre com uma frase célebre muito divulgada para os peregrinos de Lourdes: Para aqueles que creem em Deus não é necessário explicações, mas para aqueles que não creem, nenhuma explicação é possível. Dirigido por Henry King(1886-1982), e música de Alfred Newman (1901-1970).



O mesmo estúdio lançou no ano seguinte As Chaves do Reino, outro popular drama religioso baseado em Best Seller de A.J.Cronin (1896-1981), adaptado à tela por Joseph L. Mankiewicz (1909-1993), que também foi o produtor, e Nunnally Johnson (1897-1977), elevando ao estrelato o jovem Gregory Peck (1916-2003), então com 28 anos e em seu segundo filme (estreou no ano anterior com Dias de Glória).


Em flash-backs, o Monsenhor Sleeth, vivido por Sir Cedric Hardwicke (1893-1964) recapitula a longa carreira do já idoso Padre Francis Chisholm (Peck), que esta para se recolher a um asilo de velhos missionários na Escócia. Quando criança, Francis (interpretado por Roddy McDowall, 1928-1998) viu o pai ser assassinado pelos protestantes por suas convicções católicas. Adulto, torna-se padre e vai à China levar uma existência abnegada, dedicado a fé e à miséria, suportando inúmeras provações, inclusive a guerra civil.




Aos poucos, Monsenhor Sleeth vai constatando a vasta contribuição do padre à causa da Igreja e sua inestimável influência. Prestes a se aposentar, padre Francis acaba encontrando na amizade das crianças de seu vilarejo escocês um novo propósito de vida. No elenco, estão nomes como Thomas Mitchell (1892-1962), Edmund Gwenn (1877-1959), e Peggy Ann Garner (1932-1984).



As aparições Marianas, tal como retratadas em A Canção de Bernadette já foi tema de outras obras, muitos deles realizados na Espanha e no México. Mas em 1952, Hollywood, através da Warner lançou A Virgem de Fátima (ou O Milagre de Fátima), dirigido por John Brahm (1893-1982), que retratou as aparições de Nossa Senhora em Fátima, Portugal, para três pastorinhos, ocorrido entre 13 de maio de 1917 a 13 de outubro do mesmo ano.




Com elementos de ficção somados aos fatos ocorridos, a fita foi rodada em Portugal, e teve em Gilbert Roland (1905-1994) uma atuação simpática e bem humorada, na pele do vigarista (mas de bom coração) Hugo da Silva, amigo das três crianças que viram a Virgem Maria.  Ex-aristocrata, vagabundo, e ateu, Hugo se converte a religião após o milagre que traz a Fátima milhares de peregrinos. Na verdade, o personagem feito por Roland é fictício, introduzido para suavizar o impacto da trama e não se tornar “carola” demais para o público. Contudo, realizado em plena Guerra-Fria, a fita serviu-se do episódio para alertar os riscos do comunismo (Fátima e o milagre surgem aqui como uma cidadela e um alerta contra o regime socialista dominante em Portugal em 1917, e a câmara focaliza a violenta regressão das forças do poder contra a legião de fiéis).



O mais interessante ainda é que, quase na mesma época, outro filme sobre o tema também foi realizado na Espanha, Senhora de Fátima, dirigido por Rafael Gil (1913-1986), onde as três crianças eram interpretadas, na verdade, por atores adolescentes.



No filme de Brahm, Lúcia Abobora dos Santos (interpretada por Susan Whitney), de 10 anos, e seus primos Francisco Marto (interpretado por Sammy Ogg), e Jacinta Marto (interpretada por Sherry Jackson, que teria notoriedade na TV, mais lembrada como a sensual Andreia no episódio de que são feita as meninas, na série clássica Jornada nas Estrelas, em 1966), filhos de camponeses do vilarejo português de Fátima, afirmaram ter visões da Virgem Maria na Cova da Iria. Jay Novello (1904-1982), conhecido rosto em muitos filmes de Hollywood, e Angela Clark (1909-2010), são os pais de Lúcia (Angela dublou também a voz da Virgem Maria). Richard Hale (1892-1981) é o Padre Ferreira, pároco de Fátima. E Frank Silvera (1914-1970) é o delegado administrador do vilarejo, o implacável Arturo dos Santos, que persegue as três crianças.  A trilha sonora é assinada pelo inesquecível Max “E O Vento Levou” Steiner (1888-1971).

Francisco e Jacinta viriam a morrer em 1919 e 1920 respectivamente, e foram beatificados pelo Papa João Paulo II a 13 de Maio de 2000.

A verdadeira Lúcia dos Santos mais tarde viraria religiosa. Em 17 de Junho de 1921, o Bispo de Leiria, Dom José Alves Correia da Silva, proporcionou a sua entrada no colégio das irmãs doroteias em Vilar, Porto, alegando protege-la dos peregrinos e curiosos que acorriam cada vez mais à Cova da Iria e pretendiam falar com ela. Professou como doroteia em 1928, em Tui, Espanha, onde viveu alguns anos. Em 1946 regressou a Portugal e, dois anos depois, entrou para a clausura do Carmelo de Santa Teresa em Coimbra, onde professou como carmelita a 31 de Maio de 1949. Ela chegou a assistir o filme de John Brahm sobre o Milagre de Fátima numa exibição especial, mas não gostou, alegando fugir dos eventos verdadeiros.



Não podemos deixar de citar um dos mais sublimes dramas de religião que também é uma história infantil, Marcelino Pão e Vinho, de 1955, adaptação para o cinema do livro homônimo de José Maria Sanchez Silva (1911- 2002), que comoveu o público nas salas exibidoras aos prantos. É difícil não se deixar contagiar pelo carisma do menino Marcelino, interpretado pelo ator Pablito Calvo (1948 - 2000), que virou estrela internacional graças a este papel (pelo qual ficou marcado pela vida toda), vindo inclusive visitar o Brasil. O filme é ao seu modo um marco na cinematografia melodramática internacional.



Produção espanhola rodada na Espanha e na Itália, e dirigida pelo húngaro Ladislao Vajda (1906 - 1965), foi realizada com recursos parcos e em preto e branco, com produção modesta, o longa apresenta a história do menino Marcelino, que é abandonado ainda bebê na porta de um mosteiro, e que, após frustradas tentativas dos frades de entregá-lo para adoção, acaba sendo criado por 12 monges sem uma mãe (os 12 monges é uma alusão aos 12 discípulos de Jesus). Marcelino cresce como um menino levado, sempre fazendo travessuras e levando todos no mosteiro à loucura com sua desobediência e imaginação, até tornar-se o protagonista de um milagre que marcará para sempre o vilarejo espanhol onde se passa a história.



A fita de Vajda marcou a infância de tantas pessoas no mundo, inclusive inspirando muitos a seguir o sacerdócio. No Brasil, a obra cine-religiosa de Vajda encontrou a resposta em 1961 com o longa de Lima Barreto (1906-1982) A Primeira Missa. Neste raro filme nacional (que foi um grande sucesso na época, glória do cinema brasileiro), um menino chamado Bentinho encontra sua vocação para o sacerdócio e a vida em devoção a Deus em meio à vida solitária e hostil.



Mas se Hollywood tratou a fé contando histórias sobre Jesus ou dos santos através de seus dramas religiosos, o mesmo tratou de contar histórias que tinham algum elo com a fé e cujo assunto era de abnegação e renúncia. É o exemplo de O Milagre, produzido em 1959 e dirigido por Irving Rapper (1898-1999), baseado em peça de Karl Vollmöller (1878-1948), tratando-se de uma história de amor entre uma noviça, Teresa (Carroll Baker) e um capitão inglês, Michael Stuart (Roger Moore). Ferido em Salamanca, durante a guerra franco-inglesa em 1812, Michael é cuidado pelas religiosas no convento do vale de Miraflores, Espanha.




Teresa, apaixonada pelo belo oficial inglês, vacila em sua fé religiosa, e como ela não havia feito os votos ainda por ser uma noviça, fez um pedido perante a imagem da Virgem Santíssima para que pudesse sair do convento e que a santa tomasse o seu lugar. O pedido foi atendido, e Teresa foge e abandona o hábito, onde se reúne a ciganos liderados pela matriarca La Roca (Katina Paxinou, 1900-1973), e envolvendo-se com o filho fora da lei dela, Guido (Vittorio Gassman, 1922-2000). A vida de Teresa toma muitas reviravoltas, pois acredita que seu amado Michael fora morto em combate, quando abandona o campo dos ciganos para viver em Madrid como cantora famosa, tornando-se amante de um toureiro (Gustavo Rojo), que não demora tem um fim trágico. O “Milagre” como aqui retratado se trata da renúncia da noviça, que mesmo perdendo sua fé volta atrás, abre mão do homem que ama e volta ao convento, onde as freiras oravam pela volta da imagem da Santíssima Virgem, que com o retorno de Teresa, sobrenaturalmente volta ao seu altar. A  trilha sonora é de Elmer Bernstein (1922–2004).




A vida dos Santos da Igreja foi retratada inúmeras vezes para as telas cinematográficas, e são incontáveis as versões sobre a saga de tantos deles transpostas para o cinema produzido em muitos países. Mas cabe listar os principais neste tópico, que são os mais conhecidos pelo público moderno, como São Francisco de Assis, de 1961, penúltimo filme do lendário cineasta de Casablanca e As Aventuras de Robin Hood, Michael Curtiz (1886-1962), numa superprodução de Plato A. Skouras (1930–2004) para a 20th Century-Fox, em Cinemascope.




Bradford Dillman faz o personagem título (São Francisco de Assis, 1182-1226). Seu verdadeiro nome era Francisco Bernadone, o filho de um rico mercador (Eduard Franz, 1902-1983), que ao ouvir o chamado de Deus decide servi-lo na extrema miséria. Francisco funda uma Ordem Religiosa e vive em dificuldades, pregando os ensinamentos de Cristo. A vida santa deste homem, o milagre da estigmatização, e sua morte são reconstituídas nesta obra de Curtiz (rodada na Itália, nos estúdios de Cinecittá e também em Assis) a partir do romance de Ludwig Von Wohl (1903–1961). 



A vida do Amato Fratello de Assis já havia sido levada ao cinema nas produções Francisco, Arauto de Deus, de 1950 dirigido por Roberto Rosselini (1906-1977) e realizado com atores não profissionais, e Aldo Fabrizzi (1905-1990) como o tirano Nicolas – e em 1972 viria em outra cinebiografia do santo, em forma de um singelo musical, Irmão Sol, Irmã Lua, de Franco Zeffireli.




A versão de Michael Curtiz sobre o santo de Assis tem um elenco principal em que os três atores principais (Dillman, Stuart Whitman e Dolores Hart) ainda estão vivos. Whitman interpreta um nobre que outrora amigo de Francisco se vira contra ele, porque se apaixona pela amiga dele, Clara (Dolores Hart), que resiste às investidas do nobre para se tornar freira enclausurada e, como São Francisco, também dedicar sua vida a pobreza, como Santa Clara de Assis. Na vida real, Dolores Hart (que era sobrinha do grande tenor Mario Lanza) abandonou Hollywood para tornar-se freira, ingressando na ordem das Irmãs Beneditinas, em Connecticut, onde vive até hoje, no Convento Regina Laudis. Na época, estava noiva de Don Robinson (que nunca casou), e até a morte dele, em 2011, foram amigos muito próximos.



O Santo Relutante é outro grande exemplar da vida de um santo transposta para o cinema, onde relata a vida de São José de Cupertino (1603-1663), vivido pelo recém-falecido e brilhante ator ganhador do Oscar (Julgamento de Nuremberg, 1960) Maximilian Schell (1930-2014). Giuseppe (José) era apenas um jovem que, para muitos entre os moradores de seu vilarejo, não passa de um retardado mental.



Todos o pressionam a entrar num monastério, inclusive sua mãe (Lea Padovani, 1920–1991) que querem se ver livre dele. E é isso o que ele faz, mas surpreende a todos quando passa no exame para ingressar no sacerdócio. Realizado sob os auspícios de um dos maiores e mais bem sucedidos cineastas de todos os tempos, Edward Dmytryk (1908–1999), o “autor” de Rancor (1947) e A Lança Partida (1953) em produção europeia, traz ainda no elenco Ricardo Montalban (1920-2009), Akim Tamiroff (1899–1972), Elisa Cegani (1911-1996), e Luciana Paluzzi. 


Como não poderia deixar de ser, a vida dos santos católicos também foi retratada nos épicos europeus, com padrões muito diferentes das de Hollywood. É o caso de Fabíola, de 1949, dirigido por Alessandro Blasetti (1900–1987), e estrelado pela diva Michèle Morgan (uma lenda viva do cinema mundial hoje com 94 anos) e seu futuro marido, o prematuramente falecido Henri Vidal (1919-1959). 




Baseado no livro (publicado em 1854) escrito pelo Cardeal Nicholas Wiseman (1802-1865), que também tem o título de A Igreja das Catacumbas, conta a trajetória de uma jovem patrícia de Roma, Fabíola (Morgan), filha do nobre Fábio (Michel Simon, 1895-1975), que acaba se apaixonando por um escravo, Rhual (Vidal). A jovem aristocrata tem como amigo o jovem e bem sucedido militar, comandante das guardas imperiais, São Sebastião (Massimo Girotti, 1918-2003). 

Fabíola juntamente com seu amado Rhual, são capturados devido a intrigas dos inimigos, e são encarcerados para serem mortos juntos com os outros mártires (as feras ou a espada dos gladiadores). Aos poucos, Fabíola acaba abraçando a mesma fé em Cristo, enquanto o tribuno Sebastião é condenado à morte a flechadas por expressar suas iguais convicções.  O enredo do filme também narra vários martírios baseados no hagiológio e lendas de santos cristãos reais. Ali estão incluídos, além de São Sebastião, Santa Agnes,  São Pancrácio, São Cassiano, Santa Emereciana, e São Tarcísio.




Basicamente, a mesma história seria refilmada em 1960, sob o título de A Revolta dos Escravos, com produção ítalo-espanhola dirigida por Nunzio Malasomma (1894-1974) e estrelado por Rhonda Fleming  (outra lenda viva do cinema) no papel que foi de Morgan (nesta versão, a heroína se chama Cláudia Fabíola), e coincidentemente como ocorrera com esta em relação a Henri Vidal, Rhonda se casou depois com seu galã no Remake, o inexpressivo Lang Jeffries (1932-1987), que fez a parte do escravo por quem Fabíola se apaixona (que aqui tem o nome de Víbio). 




Como nesta época a moda dos Pepluns estava em alta (os épicos Espadas & Sandálias), trataram de produzir uma história de religião com clima de aventura, já que os escravos, ao título da fita, são na verdade cristãos que não dão a outra face, capazes de pegar em armas para expressarem sua fé. São Sebastião é aqui interpretado por Ettore Manni (1927-1979), que se utiliza de sua posição como Tribuno e Comandante da Guarda Pretoriana para ajudar os cristãos encarcerados e até mesmo a enfrentar fisicamente os guardas africanos quando estes agridem seus irmãos na fé.




No elenco, a bela Wandisa Guida como a mártir Santa Inês, Fernando Rey (1917-1994) como Valério, o homem responsável por intensificar a perseguição aos cristãos, e o notável Serge Gaisnbourg (1928-1991) como o vilão Corvino, que aqui nesta versão, é o chefe da polícia secreta do Imperador Maximiniano (Darío Moreno, 1921-1968).


Como não podemos deixar de analisar, a ótica da Sétima Arte em relação à Igreja Católica não foi apenas voltada a vida dos santos ou a temáticas mais profundamente religiosas. Foi mister para o cinema elaborar um aprofundamento sobre a fé e os mistérios que a maior religião do mundo cerca. Em 1968, o diretor inglês Michael Anderson realizou As Sandálias do Pescador, baseado no espetacular Best Seller de Morris West (1916-1999), publicado em 1963 e cinco anos depois adaptado para as telas de cinema pelo próprio autor e mais dois roteiristas (John Patrick e James Kennaway). West havia sido um frade e fora correspondente de um jornal inglês no Vaticano.


O fato curioso é que West não fazia  vaga ideia que sua historia seria profética, pois praticamente previu 15 anos antes a eleição de um Papa vindo de um país comunista (em 1978 com a eleição do polonês Karol Wojtyła, Papa João Paulo II, o primeiro Papa não italiano depois de muitos anos e vindo de um regime comunista como era a Polônia).


As Sandálias do Pescador conta a história de Kiril Lakota (Anthony Quinn, 1915-2001- numa brilhante atuação), um arcebispo da Ucrânia (país comunista). Depois de passar 20 anos como prisioneiro político em seu país, Lakota é libertado e eleito Papa, o primeiro não italiano em muitos anos e também o primeiro vindo de um país comunista. Isso acontece quando é eminente uma grande guerra provocada pelos chineses que passam fome.

O que mais chama a atenção do filme além do tema da Guerra-Fria, ainda muito em voga em 1968, é a eleição do Papa, ou Conclave. O relato é de extrema cobertura jornalística quase em tom de semidocumentário, através do repórter americano vivido por David Janssen (1930-1980), George Faber, que cobre o evento. George Faber, através da narração brilhante de David Janssen, prende o espectador ao dar detalhes de cada item do conclave, incluindo as menções das chaminés e as cores das fumaças que definem a eleição ou não de um papa. No elenco, estão nomes consagrados como Vittorio De Sica (1901-1974), Leo McKern (1920–2002), Oskar Werner (1922-1984) que interpreta um padre filósofo e progressista que tem seus livros retidos pela Santa Sé, e claro, Sir Laurence Olivier (1907-1989), Primeiro-Ministro da União Soviética.

A MATÉRIA SEGUE EM MAIS DUAS CONTINUAÇÕES, CONFORME OS LINKS ABAIXO:

1- O Cinema Religioso Cristão - Parte 2

http://articlesfilmesantigosclub.blogspot.com.br/2014/04/o-cinema-religioso-cristao-parte-2.html

2- O Cinema Religioso Cristão - Parte 3

http://articlesfilmesantigosclub.blogspot.com.br/2014/04/o-cinema-religioso-cristao-parte-final.html


PRODUÇÃO E PESQUISA: PAULO TELLES

12 comentários:

  1. Caro Paulo,
    impressionante a matéria, uma verdadeira Enciclopédia do Cinema Religioso Cristão. Muito extensa, penso que deve ter dado um trabalho enorme compilar todas essas informações. Fico aguardando a 2a. parte para fazer um comentário mais abrangente, mas pelo visto, será outro precioso documento sobre os filmes de temática religiosa.
    Excelente trabalho esta primeira parte.

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  2. Obrigado José. Sim, dá um pouco de trabalho mas nada como amor e dedicação para poder compor este artigo, onde farei uma retrospectiva de filmes religiosos, onde estão destacados épicos bíblicos e dramas que tem como pano de fundo a Igreja, mas cuja mensagem é voltada para os ensinamentos do Evangelho, como é o caso de MARCELINO PÃO E VINHO e O MILAGRE. No próximo Domingo é a conclusão deste tópico e aguardo seu retorno. Um forte abraço do editor.

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  3. Jesus!
    Marcelino, Pão e Vinho!
    Como está distante este momento, mas muito vivo na minha mente.
    Que fila interminável cruzei para assistir a esta beleza de filme!
    Recordo tudo, tudo, daquele dia e o que passei para ve-lo.
    Mas valeu a pena.
    Lamento que nossas crianças não sintam por filmes assim o que nós, em nossa época, sentiamos.
    Mas...é que os tempos mudam tudo!

    Que matéria, amigo Telles, que matéria!
    Não vou dizer que vi tudo o que consta aqui, mas vi sim muitos e muitos destes. Aliás, a maioria.
    Afora os westerns, filmes religiosos são os meus preferidos.

    Muito sagaz este momento dos Cohen. E bem colocado também. Normalmente cultura não é um dom de todos, mesmo dos muito poderosos. E aí está a prova de um momento deste.

    De tantos filmes religiosos existentes, tres deles que eu muito gostaria de ver são as versões anteriores de Os 10 Mandamentos, de Ben Hur e de O Rei dos Reis. Nem na Internet consigo acha-los.
    Principalmente o Rei dos Reis, do De Mille, filme bastante elogiado neste trabalho.
    Pelas fotos mostradas acho a caracterização do Warner bem melhor que a do Hunter. Me parece mesmo uma fita feita com extremo bom gosto e perfeição.
    Isto se chama cinema. E cinema do bom, da melhor qualidade possível.

    No entanto, não sei se o cinema fez ou fará algo que se assemelhe a Ben Hur/59. Acho que o Wyller ali se mostrou totalmente como o enorme mestre que era ou, talvez, o roteiro fosse de uma precisão tamanha que o Willer nada mais fez senão segui-lo à risca.
    Para mim esta fita é meu filme de cabeceira. Já o vi mais 70 vezes e o estou sempre revendo. É o maior espetáculo que o cinema já fez.

    Muito lindo e muito caracteristico isso de ver no rosto de alguém a imagem do Senhor, já que eu só o imagino na imagem de Hunter, do também maravilhoso filme do Ray, O Rei dos Reis.

    Uma outra aula de cinema, de informação e de belas lembranças.
    Nunca imaginei ouvir alguém falar de O Milagre, o belo filme que o Moore tão bem interpretou e tão bem dirigido pelo Irwing Happer.
    Pena que so vi esta fita uma unica vez. Mas que ficou um registro inesquecível.

    Não posso aqui falar de fita por fita, mas posso alimentar minhas lembranças com este rosário de belos filmes, e belos filmes que contornaram minha pós infancia e minha adolescencia.
    Fitas construidas por grandes mestres e que nos trouxeram historias que não as saberíamos se o cinema não nos mostrasse.

    Esta é a razão maior de eu amar tanto esta significativa arte.

    Novo parabens pela intensidade desta matéria, onde o velho e o muito velho ressurge novo como o redemoinho de minhas lembranças.

    jurandir_lima@bol.com.br



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    1. Grande Ju! Somente hoje que vi este comentário que estava armazenado na liberação dos comentários. Abril foi um mês de tanto agito que nem prestei atenção e somente agora pude liberar esta opinião tão importante e primorosa não só para mim, mas também para o leitor.

      Nós andamos de acordo com o tempo, e ainda peguei um pouquinho quando os cinemas aqui no Brasil, em época de Páscoa, exibiam constantemente estes filmes bíblicos e religiosos. Como diz o nosso amigo Eddie, eram “outros tempos, outros ventos”.

      Muito obrigado meu amigo baiano. Seus comentários sempre bastante pertinentes e primorosos como sempre, meu amigo. Abração do editor carioca.

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  4. Talles,

    Fiz dois comentários, observei no momento, porém deixei de lamentar profundamente as viagens do nosso querido Wilker e do nonagenário e muito querido Rooney.

    Aliado à perda do querido Paulo Goulart, estamos presenciando com rapidez exausperada o desaparecimento de tudo o quanto valorizavamos e que somente os rastros do que fizeram nos sobrará.

    Vamos ficar coesos em preces para que o tempo nos evite de tantas dores por algum tempo, já que o que nos sobraram dos nossos astros queridos são anos se amontoando em cima de anos, o que significa que a qualquer momento poderemos ter novos desapontamentos, novas dores por mais perdas.

    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Verdade meu amigo. A vida segue. Eles já cumpriram a missão. Grande abraço.

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  5. Texto maravilhoso! Tive o prazer de assistir alguns desses filmes (não todos) e, com certeza, Marcelino Pão e Vinho é o que mais tenho lembrança, pois é emocionante e já assisti várias vezes. Minha filha e eu chorávamos ao assisti-lo.

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    1. Olá Elisabete! Seja bem vinda novamente ao blog, pois seus comentários já faziam falta no espaço. Com certeza, MARCELINO é um filme que vem encantando até hoje, e como a grande maioria destas fitas, esta disponível no mercado de DVD. Obrigado Elisabete e cumprimentos do editor!

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  6. Adorei essa matéria! Cheia de informação sobre a produção,atores,enredo etc.
    Tenho uma queda por esse gênero de filme e vi a maioria desses da sua lista. "Marcelino Pão e Vinho" e "A canção de Bernadette" são maravilhosos.
    Parabéns pela matéria. Amo o site!

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  7. Obrigado Yara. Seja bem vinda. Abraços do editor.

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  8. Olá, Paulo!
    Foi com imensa satisfação que li esta ótima matéria. Tenho e vi muitos destes filmes com minha mãe como o meu preferido "A Canção de Bernadete", "Marcelino Pão e Vinho" e " A Virgem de Fátima". Todos maravilhosos, assim como "São Francisco de Assis" e "Irmão Sol, Irmã Lua". É importante que tais obras-primas sejam expostas de maneira tão abrangente em um blog, como você o fez. Estes filmes têm um objetivo mais importante do que simplesmente nos entreter, eles nos tornam mais humanos. E faço minhas as palavras de meu mais recente amigo, o ilustre baiano Jurandir, que teve o privilégio de conferir "Marcelino Pão e Vinho" no cinema.
    Um abraço!

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    1. Salve nobre Thomaz!!!

      São filmes que nos entretém de uma maneira espiritualizada, que de fato valem ser revistos e comentados, sempre. Esta matéria ainda tem duas continuações, onde são abordados outras obras na temática. Quanto ao ilustre baiano, realmente foi um contemporâneo no lançamento destas fitas nas grandes salas de cinema de todo o Brasil.

      Obrigado meu amigo, uma ótima semana e um abraço deste editor!

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