segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Duelo ao Sol: Um Western de Ousadia e Erotismo.


Quem poderia imaginar que a “sacrossanta “ Jennifer Jones (1919-2009), que encantou os corações religiosos revivendo o milagre de Lourdes em A Canção de Bernadette – pelo qual chegou a ganhar um Oscar de melhor atriz de 1943 – agora escandalizando tanta gente, prevaricando, totalmente lasciva de corpo e alma, nas imagens extravagantes no imortal clássico do Western DUELO AO SOL (Duel In The Sun).


Na estreia do filme, em dezembro de 1946, as ligas da decência americana preferiram denomina-lo Lust in the Sun (traduzindo: Luxúria ao Sol). Era mais do que um Super Western de 5,2 milhões de dólares, a celebração descabelada do erotismo, das paixões encolerizadas, dos pendores sadomasoquistas e da brutalidade glamurizada (adultério, assassinato, violação). 




No afã de superiorizar seu E O Vento Levou (1939), o produtor David O Selznick (1902-1965) ultrapassara os limites do Código Hays – A censura Hollywodiana – e, após muitos arranjos, teve de suprimir três minutos de metragem final, modificando uma cena em que Jennifer Jones, ameaçada por  Gregory Peck (1916-2003) – um cowboy cínico e atrevido- resiste aos avanços sensuais e por fim se rende com visível prazer, ao estupro.




O autor da novela original, Niven Busch (1903-1991, foto), negociava os direitos do seu livro para a RKO, em 1944, e cogitava de produzir o filme, tendo sua mulher, Teresa Wright (1918-2005) no papel que coube a Jennifer Jones, a sensual e selvagem mestiça Pearl (Perla) Chavez. Mas grávida, Teresa ficou de fora do projeto, e a RKO pediu a Selznick que cedesse Jennifer Jones, para contracenar com John Wayne (1907-1979), o primeiro escalado para o papel de Lewt McCanies. Em vez disso, Selznick comprou os direitos do filme e a lançou em uma superprodução, ao seu estilo.


A produção, como no caso de E O Vento Levou, foi atribulada. O próprio Selznick, em parceria com Oliver H.P. Garrett (1894-1952), escrevia e reescrevia o roteiro em plena filmagem, cujas as externas se iniciaram em março de 1945, perto de Tuckson, Arizona, com locações extras rodadas em San Fernando Valley, Califórnia. A 10 de agosto, o diretor King Vidor (1894-1982, foto) irritou-se com as constantes intervenções do produtor e largou o filme no meio. Para completa-lo, Selznick convocou William Dieterle (1893-1972)  -que foi o responsável pela sequencia de abertura da dança de Tilly Losch (1903-1975) num cabaré - William Cameron Menzies (1896-1957), este o planificador da produção, e Josef Von Sternberg (1894-1969), que foi o consultor visual.


Após nove meses de filmagem, foram rodadas 26 horas e meia de filme, afinal, reduzidas para 136 minutos. Ao todo, atuaram 8 cineastas, que além dos citados, os responsáveis pela segunda unidade, Otto Brower (1895-1946), B. Reeves Eason (1886-1956), e Chester Franklin, e o próprio Selznick, que dirigiu pessoalmente quatro cenas. No fim, Vidor ganhou na justiça o direito de figurar nos créditos como o único diretor.


Selznick tudo fez para perpetuar algo como um outro E O Vento Levou, mas desta vez passado no Oeste, mantendo vários elementos da equipe técnica do eterno clássico de 1939- Menzies como o designer, Jack Cosgrove (1902-1965) nos efeitos especiais, Hal C. Kern (1894-1965) na edição, e Ray Rennahan (1896-1980) no acabamento fotográfico.



Sua nova “Scarlett O’ Hara”, Perla Chavez, foi produto de verdadeira paixão: Selznick, que tinha colocado Jennifer Jones em Desde que partiste, em 1943, estava tão interessado na atriz, que acabou se divorciando da mulher Irene para casar com sua nova Estrela, em 1949. Não logrou, como pretendia, projetar Jennifer Jones como mito sexual. Em compensação, DUELO AO SOL ficou na história como o filme que introduziu o chamado “beijo francês” no cinema americano.  Com esta obra, Selznick arrebatou o prêmio especial de melhor conjunto de produção no festival de Veneza de 1948.



A História é a seguinte:

Scott Chávez (Herbert Marshall,1890–1966) mata sua mulher adúltera (Tilly Losch) e o amante. Enquanto aguarda na prisão sua execução por enforcamento, ele conforta sua filha Pearl, dizendo-lhe que já acertou para que ela vá morar com sua prima e ex-noiva, Laura Belle McCanles (Lillian Gish, 1893-1993), agora casada com um senador e rico barão de gado, Jackson McCanles (Lionel Barrymore, 1878-1954).


Assim, após a morte do pai, Pearl viaja até Paradise Flats, no Texas, onde é bem recebida no rancho por Laura Belle e por seu filho mais velho, o advogado Jesse (Joseph Cotten, 1905-1994), e com certa hostilidade pelo senador, preso a uma cadeira de rodas.



Logo ao chegar, Pearl passa a ser o centro de uma luta entre Jesse e seu irmão Lewt (Gregory Peck), ambos atraídos pela bela mestiça.  Certa manhã, ao vê-la nadando nua num pequeno lago, Lewt fica até o fim da tarde esperando que ela saia d'água para vê-la.  Ao chegarem atrasados para o jantar, Laura Belle suspeita, pelos cabelos molhados de Pearl, que os dois estiveram nadando juntos.


Ao tomar conhecimento que a ferrovia pretende se expandir através de suas terras, o senador e outros barões de gado se juntam para tentar impedi-la.  Como Lewt encontra-se fora, em El Paso, Jesse é obrigado a acompanhar o pai.  No encontro com o presidente da ferrovia, Jesse se posiciona contra o pai, sendo por este expulso de casa.


Quando Lewt retorna ao rancho, descobre que Pearl encontra-se sozinha em seu quarto e a estupra.  Mais tarde, ao se preparar para deixar a casa do pai, Jesse ouve a voz do irmão vindo do quarto de Pearl.  Antes de sair, confessa seu amor por ela, embora acredite que seja tarde demais.

Os meses se passam e todos agora admitem que Lewt e Pearl são amantes.  Perguntado se ele se casaria com ela, Lewt responde que sim.  Por trás, entretanto, assegura ao pai que Pearl  é apenas um passatempo.


Durante um baile, Pearl pretende anunciar seu noivado com Lewt, mas este a menospreza.  Ao sair do local em lágrimas, encontra Sam Pierce (Charles Bickford, 1891-1967), um homem bem mais velho com idade para ser seu pai.  Este se diz atraído por ela e lhe propõe usar suas economias para comprar um rancho para eles, caso ela o aceite.  Momentos depois, ela concorda em se casar com Sam, embora admita que não o ame.


Na noite anterior à data do casamento de Pearl, Lewt procura Sam e o mata, tornando-se um fora-da-lei cuja captura será recompensada com US$ 2000.  Embora foragido, Lewt procura Pearl, mas esta inicialmente o rejeita.  Depois, quando ele lhe diz que pretende comprar um rancho no México, ela lhe pede para que a leve consigo.  Desapontando-a, ele lhe diz que não pretende se casar, mas que, uma vez ou outra a procurará como naquela noite.


Laura Belle adoece e morre pouco tempo depois.  Ao tomar conhecimento da doença da mãe, Jesse retorna ao rancho, onde não a encontra mais com vida.  Na ocasião, ele pede à Pearl para que ela vá morar em Austin com ele e com Helen Langford (Joan Tetzel, 1921-1977), a filha do presidente da ferrovia, com quem ele pretende se casar.  Pearl agradece o convite mas não o aceita.


Jesse envia um bilhete para Lewt, propondo um duelo por causa de Pearl.  Lewt encontra-se com ele na rua de Paradise Flats, ferindo à bala seu irmão desarmado.  Pearl cuida de Jesse até a chegada de Helen.


Chocada com o ato praticado por Lewt, e com receio de que mais tarde ele volte para matar o irmão, Pearl decide ir ao seu encontro e enfrentá-lo.  Depois de uma viagem a cavalo de dois dias, ela o encontra.  Ao vê-lo de longe, começa a atirar.  Ele responde da mesma forma.  O duelo continua até que os dois são mortalmente feridos.


Arrastando-se, ela consegue chegar até ele.  Abraçados, os dois confessam seu amor mútuo, morrendo ambos em seguida.


Por este enredo, tão bem elaborado e avançado para sua época, que DUELO AO SOL se tornou um grande clássico, não apenas no gênero Western, mas em geral para o Cinema, capaz de prender a atenção do espectador do começo ao fim, onde inovou ousadia e erotismo como nunca visto antes em Hollywood. A imponente trilha sonora foi magistralmente composta por Dimitri Tiomkin (1894-1979).


O Filme em cartaz nos cinemas do Rio de Janeiro em Setembro de 1961.


FICHA TÉCNICA



DUELO AO SOL
(duel in the sun)
Ano de Produção: 1946
Gênero: Western
Direção: King Vidor
Produção: David O’ Selznick, para os estúdios Selznick e Vanguard Films.
Roteiro: David O’ Selznick, Ben Hecht, Oliver H.P. Garrett, e Niven Busch (baseado em seu livro)
Fotografia: Lee Garmes, Ray Rennahan, Harold Rosson – em cores
Música: Dimitri Tiomkin
Metragem: 144 minutos/ 125 minutos pela TV
ELENCO
Jennifer Jones – Perla Chavez
Joseph Cotten – Jesse McCanles
Gregory Peck – Lewton “Lewt” McCanles
Lionel Barrymore –  Senador Jackson McCanles
Herbert Marshall –  Scott Chavez
Lilian Gish –  Laura Belle McCanles
Walter Huston –  O Pregador
Charles Bickford –  Sam Pierce
Harry Carey -  Lem Smoot
Joan Tetzel –  Helen Langford
Tilly Losch –  Senhora Chavez
                 
Butterfly McQueen – Vashti
Otto Kruger – Sr. Langford
  Scott McCay – Sid
  Sidney Blackmer – O Amante
   Charles Dingle – Xerife Hardy

Produção e Pesquisa de PAULO TELLES.

14 comentários:

  1. Olá Paulo, excelente matéria , descobri um pouco mais deste filme que amo tanto. ♥
    Um dos filmes do meu coração, desde a primeira vez que vi não pude deixar de me encantar com a personagem de Jennifer Jones ( Pearl Chavez ). Um filme realmente produzido para ela pelo seu "Amado" David Selznick. É um forte western de King Vidor, mas com grande influência do produtor Selznick -
    Joseph Cotten e Gregory Peck estão perfeitos neste faroeste-drama.
    Verdadeiro furor Jenny e Gregory, típico dos filmes de King Vidor a tela pega fogo, como nos filmes "Vontade Indômita" com Gary Cooper e Patricia Neal e " Fúria do desejo" tb estrelado por Jenny , só que desta vez incendiando as telas com Heston, rs
    Uma pena que King Vidor não suportou terminar o filme, creio que teria sido mais abrasador ainda, rs
    Tantos diretores e na verdade é um típico filme do King Vidor.
    Impagável ver o Gregory Peck fazendo este papel que para mim é de um homem mau. rs
    Também considero um grande clássico.

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    1. Minha querida Sibely, mas de fato Gregory é o homem 100% mau do filme. Um dos clássicos absolutos do western feita a tantas mãos mas só Vidor acabou merecendo os devidos créditos.

      O objetivo de Selznick era de fato transformar sua esposa Jennifer Jones em Símbolo Sexual, e bem pertinente sua lembrança em um de seus excelentes filmes, A FÚRIA DO DESEJO em que ela seduz Charlton Heston, e nota-se mesmo o volume de seu busto, não é mesmo? Um filme considerado para a década de 1950 bem erotizante.

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  2. Bravo meu amigo! Texto muito informativo do jeito que eu gosto de ler.
    Infelizmente este é um clássico que ainda não conferi. Gosto de muitas das produções do Selznick (E O Vento Levou, o Retrato de Jennie e também quando trabalhou com Hitchcock), grande,ousado, era um homem a frente de seu tempo e é claro, o produtor dos memorandos!!!! rsrsrs

    Do King Vidor, só assisti A Turba (Magistral) e Guerra e Paz.

    Curiosidades interessantes de bastidores e a linda da Jennifer Jones.

    Preciso achar e assistir....

    Abrç.

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    1. Jovem Rodrigo, vc é, literalmente, como bom conhecedor de cinema e amante dos grandes clássicos, OBRIGADO a assistir, e com urgência!

      Grande abraço!

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  3. Realmente é um grande filme, com uma sensual e quase diabólica Jennifer Jones enfeitiçando os astros Peck e Cotten.

    Abraço

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    1. "quase diabólica", contudo, inconsciente creio de seu poder de sedução, Hugo! rsrs

      Abraços do editor

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  4. Excelente! PARABÉNS POR MAIS ESTE EXCELENTE POST!
    French Kiss, fazia tempo que não "ouvia"...

    ENTRE OS DOIS IRMÃOS – O BOM E O MAU –ELA ESCOLHEU O MAU. DUELO AO SOL (Duel in the Sun) -1946, baseado na novela de Niven Busch, foi dos primeiros westerns a tratar abertamente o tema da sexualidade e da lascívia. Com doses elevadas de sexo e erotismo o produtor David Selznick desafiou a censura da época. Os personagens interpretados por Jennifer Jones e Gregory Peck - a mestiça Pearl Chavez e seu amante Lewt McCanles, são produtos de uma paixão avassaladoramente carnal: UMA PAIXÃO VIOLENTA COMO O VENTO DAS PRADARIAS diziam os cartazes da época... DUELO AO SOL é o tipo de filme que se ama ou se pode odiar. Diante desta premissa DUELO AO SOL foi um western massacrado pela crítica, mas foi sucesso de público... Desta forma - DUELO AO SOL - mesmo sendo subestimado, na sua essência é um western vigoroso, tal qual o seu clímax, quando, no deserto, sob um sol abrasador, o amor se transforma em ódio e vice-versa. E é somente nesse momento crucial que os amantes baleados e ensanguentados tardiamente conseguem distinguir e visualizar cristalinamente a verdade... DUELO AO SOL tem sequências memoráveis e inesquecíveis, entre outras, podemos salientar as seguintes: o duelo de interpretações entre os legendários Lionel Barrymore, no papel do racista e cruel senador McCanles, e Lilian Gish, no papel da doce e mal amada Laura Belle; a dança no saloon de Tilly Losch é sensacional; a sequência final de DUELO AO SOL é provavelmente uma das mais populares sequências do cinema - pura magia! Esta sequência de um amor tresloucado, que pode parecer exagerada ou até mesmo ridícula, como alguns dizem, já apareceu em filmes memoráveis, e nunca ouvimos ninguém dizer que era ridícula ou mesmo extravagante. Por exemplo: O amor dos amantes do belo filme Um Lugar ao Sol é diferente desse western? Claro que não é! A única diferença é que no filme Um Lugar ao Sol, o amante ama duas mulheres, mas, como não pode ficar com as duas, mata a moça pobre para ficar com a rica - uma loucura total! Isto é cinema, e a Sétima Arte é uma fantasia que às vezes atinge às raias de uma sublime loucura! O elenco de DUELO AO SOL é grandioso, onde avultam as interpretações de Jennifer Jones, então casada com o produtor David Selznick e Lilian Gish, que concorreram ao Oscar de melhor atriz, e melhor atriz coadjuvante. Ambas perderam para Olivia De Havilland e Anne Baxter, respectivamente. Jennifer Jones está bonita como nunca, e a legendária Lilian Gish está maravilhosamente magistral! Ainda no ótimo elenco, Walter Huston, Lionel Barrymore, Charles Bickford, Joseph Cotten, Herbert Marshall, Harry Carey e Butterfly MacQueen, a espevitada Prissy de E O Vento Levou... Também destacamos a soberba, estrondosa e tempestuosa trilha sonora de Dimitri Tiomkin, pontuada por excelentes trechos de musicas tradicionais do folclore estadunidense, tais como; Beautiful Dreamer, de Stephen Foster; Gotta Get Me Somebody To Love, de Allie Wrubel;Give Been Working on the Railroad, cantada por Gregory Peck;First Party Music; Cowboy's Dream (My Bonnie Lies Over the Ocean); Varsoviana;e, The Rye Waltz(Coming'Thru' the Rye). A lindissima música de Stephen Foster Beautiful Dreamer, que faz parte de centenas de filmes, é o tema do casal McCanles;A excelente fotografia em suntuoso Technicolor de Lee Garmes, Ray Rennahan e Harold Rosson é um dos pontos altos de DUELO AO SOL.

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  5. CONTINUANDO...
    Participaram ainda da direção deste grande western, William Dieterle(cena de dança, coreografada pela dançarina Tilly Losch - que no filme faz o papel de mãe da mestiça Pearl Chávez), Josef Von Sternberg -diretor de segunda unidade, Sidney Franklyn, Otto Brower, William Cameron Menzies e David Selznick. Todavia o resultado final é todo do grande King Vidor, que dirigiu DUELO AO SOL com extrema habilidade e perícia... In fine, uma curiosidade: apesar de não estar creditado, o grande Orson Welles é o narrador deste grande e subestimado western
    Este comentário foi feito há algum tempo...
    PARABÉNS NOBRE AMIGO - GO AHEAD!!!!!!!!!!!!!!!

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    1. Nobre Major, seus comentários só incrementaram ainda mais o artigo, que foi de fato, parcialmente extraído do texto de Paulo Perdigão em uma de suas extintas colunas do Jornal O Globo dos Filmes da Tv. Só posso agradecer sempre por mais esta soma de informações amigo Edivaldo. Grande abraço!

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  6. Paulo, muita boa matéria para esse grandioso western. Sem dúvida, Duelo ao Sol é um dos principais faroestes feitos e, se observarmos bem, parece muito com um produto artesanal, aquele feito com as próprias mãos, cuidadossamente, com muita atenção, com muito cuidado. King Vidor foi um grande artesão. Um verdadeiro craque. E o resultado foi essa obra prima do cinema, sem ressalvas de qualquer espécie. Bem lembrado que a crítica andou torcendo o nariz para o filme, simplesmente por implicância com David Selznick e Jennifer Jones. Mas o público soube captar a grandiosidade desse filme, com um elenco impecável. Um abraço, amigo.

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    1. É verdade, José!

      Jennifer Jones foi, por muito tempo, massacrada pela mídia da época, pois ela havia sido casada com o ator Robert Walker, e maldosamente alegavam que ela havia abandonado Walker para casar com Selznick por interesse.

      O filho de Jennifer com Walker, o também ator Robert Walker Jr, ficou anos sem falar com a mãe, já que a culpava pela morte do pai, que morreu devido ao álcool e as drogas, contudo, a verdade parece que Walker e Jennifer já enfrentavam problemas no casamento antes mesmo que David O’ Selznick pudesse entrar na vida da atriz.
      Jennifer só não foi descriminada em Hollywood como Ingrid Bergman, que abandonou o marido para viver com Roberto Rossellini, porque Selznick moveu seus pauzinhos e que Jones era uma popular atriz americana, ao contrário da bela Ingrid, que era estrangeira.

      Afinal, as duas atrizes nem só tinham isso em comum, como também, as duas haviam sido “santas” nas telas: Uma foi Santa Bernadette, e a outra, a imortal Joana D’Arc.

      Abraços do editor!

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  7. Telles,

    Na abertura de Giant podemos captar com emoção e sensibilidade extrema a criação que Tiomkim originou para aquela pelicula.
    Um mestre que sabe criar e que suas criações participam de forma decisiva nos filmes onde são encaixadas.

    Tal qual Giant, Tiomkim colocou seu trabalho em prol do filme de King, fazendo dele o estrondoso espetáculo que ressoou nas telas como um furacão, que chegou para arrebatar tabus, criar mitos e desmistificar modelos de comportamentos impostos por puritanismos exagerados.

    Os fortes acordes de sua criação exerce enorme e valiosissima contribuição para a parte final da pelicula, onde Pearl e Lewt se digladiam, num dos mais belos instantes desta pelicula.

    Aquele momento, que muitos julgam piegas e clicheirizado, pode-se observar que nada disto é verdadeiro, já que simplesmente as coisas naquele desfiladeiro vão acontecendo, enquanto cada um dos participantes vão tomando, paralelo às suas ações, ciencia do mal que fazem a si mesmos, expondo seus após seus atos, os espantos e arrependimentos em seus rostos suados e crispados. Ou seja, a cada disparo que fazem. algo lhes toca nos intimos, como se acabassem de acabar com suas vidas próprias.
    Notável, perfeita, muito plástica, bonita e até sensual aquela cena final.

    De fato, Duelo ao Sol é tudo, e muito mais, que se pode emoldurar como um filme feito para alterar comportamentos e regras.

    Nunca se viu um Peck rebelde, indulgente, moleque, irresponsável, assassino, amante, amado, frio e malicioso como o vimos numa pelicula como Duelo ao Sol, titulo perfeitamente criado em cima do climax da pelicula.

    Quem vê seu desempenho no ótimo Virtude Selvagem, também de 1946, e não conhece-lo como muitos cinéfilos, é incapaz de correlaciona-lo com o ator de Duelo ao Sol.
    Magnifica interpretação e doação a um papel, este totalmente fora dos padrões de outros trabalhos seus.

    Joseph Cotten nunca foi um ator capaz de transmitir grandes notabilidades.
    Sempre discreto em seus papéis, este bom astro nunca deixou de fazer o corretissimo em suas atuações.
    E em Duelo ao Sol pode-se observar que seu desempenho é enorme, perfeito, no entanto natural e, como sempre, feito com uma naturalidade quase que anormal.

    O comando exercido a mão de ferro por Barrymore sobre sua propriedade e familia, é um papel que não se entrega a qualquer ator e sim a alguém como este grandioso astro, pois pode-se anteceder que resultados positivos se irá obter de seu desempenho.

    Sua voz estrondosa citando ordens, seu amor anormal pelo filho Lewt, seu quase que escancarado desamor por Jesse e sua visível antipatia por Pearl, tudo desempenhado com a alta classe de um ator de sua qualidade, também dá seu tom para que Duelo ao Sol se tornasse o classico que foi e continua sendo.

    Estou citando algumas personalidades que também contribuiram para o sucesso do magistral Duelo ao Sol, apenas para que este filme não se mire e agigante apenas nas pessoas de Jenifer Jones e Selznick.

    A positividade e a grandiosidade de Duelo ao Sol existe porque, no conjunto de sua criação estiveram grandes astros e colaboradores e que, sem estas mãos, mentes e talentos este filme não seria tão grande se apenas exaltassemos exageradamente Selznick e Jenifer Jones.

    Duelo ao Sol e perfeito porque tudo foi gerido para que ele assim o fosse. Ele é gigante porque pessoas gigantes se doaram para que ele assim se tornasse.

    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Jurandir, meu amigo, o que dizer depois de um comentário tão elaborado e primoroso como este? Tirou-me as palavras da boca!

      Grande abraço meu nobre baiano!

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  8. Lancaster,

    Fico observando a maneira diferente de como cada comentarista põe suas palavras sobre determinada pelicula, ator ou qualquer post.

    Nunca deixo de ler seus trechos porque eles são sempre úteis para se ganhar mais e novos conhecimentos.

    Falaste, fato que eu cortei de meu texto por este já estar demasiadamente extenso, do Dieterle.
    E isso foi muito bom, porque este diretor é um cineasta de mão cheia, embora os outros nomes citados eu desconheça, assim como desconhecia que ajudaram a criar esta grande obra.

    Exaltaste também o Tiomkim, este compositor magistral e como a grandiosidade de seu tema fortaleceu o filme do King.

    E, de uma forma alternada, falando ainda de comentários, pode-se observar que todos os criticos terminam dizendo as mesmas coisas de uma pelicula ou postagem, embora façam seus trabalhos com palavras e maneiras diferentes de se expor.

    E, quando citaste que Clift matou uma de suas amantes para ficar com a outra, não sei se posso considerar que ele a eliminou verdadeiramente, como, aliás, era sua legitima intenção.

    Por outro lado, não consigo deixar de estar concordado com seus dizeres, já que quem tem a intenção férrea de consumar um ato como o que Clift foi para consumar, tem o assasínio na mente.
    E quem o tem na mente como ele tinha, e como ele foi ali para tal fim, o resultado de tudo o que aconteceu se deu, exclusivamente, porque ele caminhou para a cena para efetuar, de fato, a maldade.

    São coisa às vezes difíceis de se aceitar e, às vezes, de entender. Porém nós, com nossas cabeças calejadas de filmes e filmes, de cenas e mais cenas, de desfeiches e mais desfeiches, temos um certo equilibrio para por no papel sempre coisas mais sensatas e verdadeiras.

    Porém, como falei e como de certo modo corroboraste, Duelo ao Sol é muito um filme do Selznick e da Jones. Porém, não apenas eles conseguiram fazer deste filme ele tão grande, já que muitas coadjuvanças trabalharam com perfeição para que a obra se tornasse o que ela se tornou.
    Duelo ao Sol, como outras grandes obras, são resultados de muitas cabeças, mãos e talentos trabalhando em paralelo.

    Um abraço grande do bahiano

    jurandir_lima@bol.com.br

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