segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Deu a Louca no Mundo: Uma comédia para morrer de Rir.


Automóveis despencando por ribanceiras, postos de gasolina explodindo, casas pegando fogo, gente caindo de arranha-céus, catástrofes, aviões e vô rasante, perseguições espetaculares – uma crazy comedy inspirada nos Keeystome Cops, Mark Sennet, Harold Lloyd, Buster Keaton, a clássica e silenciosa escola cômica hollywoodiana. Assim, o produtor e diretor Stanley Kramer (1913-2001) pretendeu fazer Deu a Louca no Mundo (It’s a mad, mad, mad, mad word), e como ele mesmo definiu, uma comédia para acabar com todas as comédias.


Reunindo mais de 40 atores consagrados no cinema, no teatro, TV e rádio, e nove milhões de dólares de orçamento e três anos de filmagem (em Hollywood, Los Angeles, desertos de Coachela e Mojave, e Palm Springs), consumidos em 154 minutos de projeção.



Quando estreou nos Estados Unidos em novembro de 1963, inaugurando em Hollywood o cinema Paramount Dome, a superprodução tinha 192 minutos e lançava um novo e revolucionário processo de Cinerama – filmagens em Ultra Panavision 70 – rodagem e projeção com uma só lente, ao invés das três primitivas que antes provocavam duas incômodas faixas verticais, dividindo a imagem. Para o grande lançamento, Kramer executou a mais ambiciosa campanha de promoção jamais realizada para um único filme: convidou mais de 300 críticos de todo o mundo (aqui do BRASIL, seguiram o jovem Sérgio Augusto; o então crítico do Jornal O GLOBO- Octávio Bomfim, falecido em 2002;  Luiz Alípio de Barros, e Alberto Shatovsky), organizou festas e passeios, e até Jerry Lewis – que juntamente com Jack Benny (1894-1974), tem aparição não creditada no filme – dedicou ao evento uma emissão inteira em seu programa semanal de TV.


No entanto, pode-se  dizer que tão extravagante aventura registrou o início do declínio criativo de Kramer, até então altamente respeitado por sua folha-corrida de produtor (Matar ou Morrer, O Selvagem) e diretor (A Hora Final, Julgamento de Nuremberg, O Vento Será tua Herança). O novo Cinerama de uma só câmera não emplacou. A Crítica achou frustrada a tentativa de ressuscitar a arte e o estilo Golden Age da comédia silenciosa.




E a Academia de Hollywood lhe outorgou apenas um Oscar, quase de consolação, para melhores efeitos sonoros de 1963. Mas, ao estrear no Brasil, quase um ano e meio depois, em abril de 1965, DEU A LOUCA NO MUNDO já tinha compensando os esforços de Kramer, arrecadando 21 milhões de dólares nas bilheterias do mercado norte-americano.




O Enredo é simples: ao seguir para Las Vegas, um velho motorista, Smiler Grogan (Jimmy Durante, 1893-1980), sofre um acidente e, antes de morrer, revela aos ocupantes de outros quatro carros onde enterrou a fortuna de 350 mil dólares. Começa ai uma longa correria por montanhas, desertos, e cidades na busca do tesouro, enquanto a polícia se mantém vigilante, por ordens do Capitão C.G. Culpepper (Spencer Tracy, 1900-1967), o qual, secretamente, cogita de dar o golpe em todo mundo e apoderar-se do dinheiro.




Fotografado por Ernest Laszlo (1898-1984) e musicado por Ernest Gold (1921-1999), com títulos de abertura do famoso Saul Bass (1920-1996), o filme oferece seu principal atrativo no All-Star Cast, onde reúnem diversas celebridades já desaparecidas, como Ethel Merman (1908-1984), Phil Silvers (1912-1985), Jim Backus, a voz do Mr Magoo (1913-1989), Dick Shawn (1923–1987), Terry-Thomas (1911–1990) , Buddy Hackett (1924–2003), Jonathan Winters (1925–2013), Peter Falk (1927-2011),  Edie Adams (1927–2008), Dorothy Provine (1935–2010), Milton Berle (1908-2002), Willaim Demarest (1892-1983), Edward Everett Horton (1896-1970), Andy Devine, ator fordiano* (1905-1977), Zasu Pitts (1894-1963) – e os famosos comediantes Buster Keaton (1895-1965), Joe. E. Brown, o Boca Larga (1891-1973), e dois dos originais Três Patetas, Moe Howard (1897-1975) e Larry Fine (1911-1974). Ainda vivos do elenco principal, estão Mickey Rooney e Sid Caesar.




DEU A LOUCA NO MUNDO: Uma Comédia capaz até hoje, mesmo passados 50 anos, capaz de provocar gargalhadas e fazer qualquer um morrer de rir.

*Andy Devine era um dos atores que compunham a John Ford’s Stock Company,  e trabalhou em muitos sucessos do cineasta, entre eles No Tempo das Diligências (1939)


PRODUÇÃO E PESQUISA: PAULO TELLES
Com base em texto de PAULO PERDIGÃO, em sua coluna do Jornal O GLOBO, em 27 de dezembro de 1986, em ocasião de sua primeira exibição na TV brasileira.


O EDITOR DO BLOG DESEJA A TODOS OS SEGUIDORES E LEITORES, VOTOS DE UM ANO NOVO REPLETO DE LUZ, CORES, CÂMERA E AÇÃO – COM MUITA PAZ, AMOR, E HARMONIA, E SAÚDE PARA QUE POSSAMOS DESFRUTAR SEMPRE DE NOSSAS CONQUISTAS.
SINTAM-SE ABRAÇADOS, E ATÉ O PRÓXIMO ANO!
FELIZ 2014
Paulo Telles

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