sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Da Terra Nascem os Homens – Um dos Melhores Westerns de Todos os Tempos, Obra Prima de William Wyler.


Raramente, na década de 1950, época bem recheada de westerns, que Hollywood divulgava o gênero em tons pacifistas, muito embora alguns cineastas mais avançados como Anthony Mann (que dirigiu 5 grandes clássicos com James Stewart, como podem ver no meu artigo datado de 4 de novembro do ano retrasado, Estudo Acurado Sobre os Westerns de Anthony Mann) lançavam uma nova leitura ao estilo cinematográfico genuinamente americano. Contudo, o clássico que abordaremos aqui foi dirigido por outro grande diretor, que ficou muito famoso por ser o portador dos genuínos clássicos do cinema por excelência, e seu nome é sinônimo disso:  O Senhor William Wyler (1902-1981).



Wyler certamente foi um dos maiores cineastas de todos os tempos, mas  nunca se considerou um autor de filmes e nunca foi esta a sua pretensão, e por isso era ignorado pela turma francesa do Cahiers du Cinéma, legião esta que, justamente, inventou o conceito do “cineasta ser o artesão da obra”. Trabalhava por encomenda sim, muitas vezes para produtores independentes (como Samuel Goldwyn). Não é possível se detectar um estilo de narrativa, um tipo de fotografia, ou sequer um ângulo favorito, em que não haja a participação de Wyler. A única identidade comum entre seus filmes era a excelência, nas palavras de Rubens Ewald Filho. Em verdade, nunca fez um filme ruim, muito embora haja películas umas melhores do que as outras, mas certamente, grandes obras cinematograficamente culturais tem seu legado. 


Foi o primeiro Western a ser, de fato, uma superprodução, já que, em 1958, a televisão invadia os lares americanos, lançando muitas séries de faroestes, como As Aventuras de Rin Tin Tin, The Lone Ranger (Zorro & Tonto), Paladino do Oeste, Gunsmoke, o Homem do Rifle, entre outros - e no entanto, seria imperioso um investimento alto para não perder a concorrência com a telinha.  Para isto, nada como reunir um cineasta premiado e de renome internacional, atores consagrados, um compositor que pudesse prender o espectador com a trilha sonora, e um fotógrafo que pudesse dar todo o panorama que nenhum televisor poderia enquadrar.




O resultado deste esforço épico foi uma obra de 165 minutos de duração e que custou cinco milhões de dólares, causando grande impacto e levando o público aos cinemas e definitivamente marcou aqueles que o assistiram por suas cenas de inigualável e impressionante beleza visual.

Baseada no conto Ambush at Blanco Canyon de Donald Hamilton (o mesmo autor de  Pecado em Cada Alma e os livros do espião Matt Helm) e adaptada por Jessamyn West (1902-1984, autora Sublime Tentação, obra de Wyler, com Gary Cooper), Da Terra Nascem os Homens- The Big Country, 1958- é tido pelo editor deste espaço como um dos DEZ MAIORES WESTERNS DE TODOS OS TEMPOS!


DA TERRA NASCEM OS HOMENS
(THE BIG COUNTRY)
Até então, foi bem possível que o público americano não percebesse do tamanho choque cultural que vive o enredo deste grandioso Western, mas o fato é que o filme justamente narra isso.  James “Jim” McKay (Gregory Peck , 1916-2003) está  longe de sua casa no Leste, cujos os costumes são bem mais refinados do que o do pessoal do Velho Oeste, seja pelo jeito de se vestir ou de trato fino. Por isso, os habitantes do Oeste, tão logo quando o veem sair da diligência, o tratam com preconceito.



McKay é um homem do mar, capitão de navio – mais que isso, é também o herdeiro de uma companhia de navegação do Leste, um homem culto e educado. Tal refinamento é absurdamente mal interpretado pelo pessoal do Oeste que, aos poucos, o cerca, contudo ele de inicio não parece ligar, pois esta mais preocupado em ver sua namorada, Patricia “Pat”  Terrill (Carroll Baker), que a havia conhecido em Baltimore.


Pat é a filha única do manda-chuva da região, o major Henry Terrill (Charles Bickford, 1891-1967). Filha única, e o “xodó” da vida do pai viúvo. Pat é, como se vê, o protótipo da garota rica e mimada.



Pat, com seus trajes femininos apropriados para o Velho Oeste e seu noivo Jim enfiado em um terno limpo e chapéu redondinho que choca a visão de todo o pessoal do primitivo Oeste, fazem a longa viagem entre a suntuosa sede da fazenda dela e do pai em uma carroça. Quando estão no meio do caminho, são abordados pelos quatro irmãos Hannassey, chefiados pelo mais velho, Buck (Chuch Connors, 1921-1992, que nesta ocasião fazia sucesso na TV com a série O Homem do Rifle).

Os quatro humilham Mckay. Laçam-no como se fosse um novilho, atiram no seu chapéu e o humilham das piores formas. Mas ele reage? Não.  Apenas sorri, ao conhecer as maneiras do povo da tão Grande Terra, literalmente, The Big Country.



Chegando o casal a fazenda, o major Terrill (Bickford) recebe bem o homem rico do Leste que a filha ama e com quem pretende se casar em breve. Já seu capataz, Steve Leech (Charlton Heston), de imediato se antipatiza com o “almofadinha” que chega para se casar com a bela Pat. Segundo sua ideologia pessoal, Steve acha que Pat mereceria se casar com um macho como ele. Assim ele pensa.


O capataz sugere ao forasteiro que dê uma cavalgada em Trovão, o mais belo cavalo da fazenda. McKay olha o animal, percebe a emboscada, e declina do convite. Vendo que seu namorado não reagiu à humilhação dos irmãos Hannassey, e sequer tenta enfrentar o teste de cavalgar Trovão, e mais tarde, que fugiria de uma briga de punhos com Steve. Pat começa a ter dúvidas se escolheu o homem certo para casar.


No dia seguinte à chegada de McKay à fazenda dos Tirrell, Steve Leech sai com uma grande tropa de vaqueiros a mando do patrão, para agredir os Hannassey pela ofensa que fizeram ao futuro genro. No entanto, isto foi apenas um grande pretexto, pois na realidade, existe uma rivalidade de longa data entre o Major Tirrel e o patriarca Rufys Hannasey (Burl Ives, 1909-1995, que arrebatou o Oscar de ator coadjuvante pelo seu brilhante desempenho pelo papel), pai dos quatro irmãos baderneiros. A rivalidade era por conta de uma propriedade, chamada Big Muddy.



Havia um terceiro proprietário de muitas terras na região, um sujeito decente e respeitado por todos, Maragon, que havia morrido alguns meses antes, deixando sua propriedade, Big Muddy, para a neta, Julie Maragon (Jean Simmons, 1929-2010). A questão de fundo, ali, é que o bem mais raro, mais fundamental, de todo o território, é a água, e ela se concentra exatamente em Big Muddy, a propriedade de sua família. O  avô dela havia garantido que tanto os Tirrell quanto os Hannessey poderiam usar a água de sua propriedade para dar de beber ao gado. Julie era grande amiga de Pat Tirrell, mas mantivera a palavra do avô.


Os dois grandes fazendeiros se defrontam pela propriedade da água como duas grandes corporações rivais lutam por matéria prima e espaço no mercado. Mas, no meio de toda esta confusão, esta James Mckay, que acha tremendamente absurdo esta disputa, pois ambos poderiam receber a água, tanto que para isso, ele chega a comprar o Big Muddy de Julia para favorecer a ambos os lados.



Mckay esta agora com as mãos atadas. Não importe o que pensem dele, o que é sabido é que é um homem de fibra à sua maneira, onde não precisa provar nada para ninguém e é bem afirmado em suas convicções. Embora na presença de Pat ele recuse a brigar com Steve Leech, no meio da madrugada Jim vai ao quarto de Leech para se “despedir”, já que estava determinado a ir embora da propriedade do Major. Steve não hesita nem uma só vez, e empolgado, se veste e sai com Jim para fora no meio da noite, onde tem muito espaço para tamanha “despedida” Não passa de um dos mais belos espetáculos de luta livre ao ar livre entre Gregory Peck e Charlton Heston. Façam suas apostas, Senhoras e Senhores!!!



Leech nota que não é mole o “almofadinha” e vê que Jim sabe usar os punhos, e não deveria tê-lo subestimado. Mas Jim também não subestima seu adversário e também apanha. No fim, os dois já muito alquebrados, decidem parar com a briga, e é neste momento que Mckay lança uma pergunta para Steve: “Afinal, o que provamos com isso? Me responda, Sr. Leech?”. Ambos vão embora, sem que Steve responda a pergunta para Mckay, mas mesmo assim, passará a respeitá-lo.



Mckay esta resolvido em acabar com a briga entre o Major Tirrell e Rufus, e já neste meio tempo, ele se desinteressa por Pat e começa a ter uma afinidade maior por Julia Maragon, que é uma professora, mulher esclarecida e humana, tudo a ver com Jim. Tão humana que trata bem ao verme Buck Hannasey (Chuck Connors), que não compreende e interpreta como um interesse amoroso por parte da professora.




Uma noite, quando Julia é prisioneira dos Hannassey, Buck tenta violenta-la, mas ela é salva por Rufus, que começa a humilhar seu filho. Buck é o fruto da ignorância e da falta dos valores em família, graças a um pai omisso cujo o único pensamento estar em combater o Major Tirrell. Quando é Mckay que vai resgatar Julia das mãos dos Hannassey, ele trava uma luta com Buck, que havia agredido a professora.


Buck é tão covarde e desprezível, além de ser um péssimo lutador, já que leva a pior na briga com Jim, e por isso, por um dado momento, o covardão saca de seu revólver para atirar em Mckay, mas Rufus o impede, e propõe que os dois tenham um duelo de “cavaleiros”. O Cavaleiro do Leste carregava em sua bagagem uma caixa luxuosa de pistolas, que ele havia presenteado ao Major Tirrell, mas que com o rompimento do noivado com Pat, fora a ele devolvido. Ao chegar para salvar Julia, Jim havia sido revistado e Buck encontrado esta caixa com o par de pistolas.


Rufus comanda o duelo, e Jim e Buck ficam de costas um para o outro, armados e prontos para o comando do pai de Buck. Contudo, este covarde se vira e atira em Mckay antes que o pai  desse o sinal para ambos atirarem. Jim é ferido de raspão na testa, e Buck não contava que houvesse apenas uma bala na pistola. Quando Rufus diz que é a vez de Jim atirar, seu filho se amedronta e foge, para desapontamento de seu pai, que lhe dá um cuspe de escárnio.  Tão logo o patriarca dos Hannassey libera Mckay e Julia para saírem da propriedade, Buck ainda pega uma arma com um dos irmãos para novamente tentar matar Jim, mas novamente Rufus impede, atirando e matando o próprio filho, numa das cenas mais impressionantes e chocantes talvez nunca vistas antes no cinema americano, ou mesmo no gênero western: pai matar filho (isto só veio a se repetir em Sangue de Pistoleiro/Gunman's walk, de 1958, faroeste dirigido por Phil Karlson, e estrelado por Van Heflin e Tab Hunter)



Rufus se arrepende, e como num ímpeto primitivo, se agarra ao corpo do filho e chora de uma maneira selvagem.  Mas por incrível que pareça, foi neste momento doloroso que fez com que o rústico patriarca pensasse que esta guerra tola com o Major Tirrel não era uma briga entre famílias, mas uma briga pessoal, e que precisava resolver isso de  uma vez por todas. Por isso, o patriarca foi atrás de Mckay  e disse que enfrentaria o Major. Quando chega a asada hora, Rufus e Tirrel ficam frente a frente, e cospem fogo um no outro. É o fim dos dois tiranos.


Steve Leech, o capataz do Major, que a esta altura já parecia estar mudado, se encontra novamente com Mckay quando ambos, junto com outros envolvidos, assistem aos corpos de Rufus e Tirrell. Leech olha para Jim de uma maneira meio tímida, possivelmente reconhecendo o quanto valoroso é aquele homem do leste. Quanto a este, revida o olhar para Steve de forma humana e, talvez, de perdão por entender que o capataz era um ser tão ignorante quanto os demais homens que trabalhavam para o finado major.



Mckay por fim, se identifica tanto com Julia Maragon que a obra de Wyler não esclarece com exatidão se os dois se apaixonaram, muito embora houvesse uma troca de olhares, contudo por serem duas almas semelhantes, não é difícil que pudessem encontrar afinidades mútuas, já que ambos eram personagens humanamente altruístas e contrários a qualquer tipo de confronto, verdadeiros amantes da paz num período tão conturbado como foi o Velho Oeste Americano.


E assim Da Terra Nascem os Homens, é um western que, na verdade, retrata o choque cultural, vigente em qualquer época e mesmo agora, com uma mensagem pacifista como nunca houve na história do gênero, em formato grandioso (Big como dizia os anúncios da época), que só um elenco de primeira grandeza e um cineasta ainda maior puderam então conceber.

DESTAQUES & CURIOSIDADES


William Wyler e Gregory Peck eram grandes amigos, inclusive é o próprio astro de “A Princesa e o Plebeu” (outra obra de Wyler) que co-produziu este fascinante superespectáculo Western. Porém, durante as filmagens, Peck e Wyler se desentenderam feio. Tudo porque Wyler, um perfeccionista ao extremo, fazia questão de repetir muitas cenas as quais Gregory Peck, como co-produtor, reprovava e achava que estavam perfeitas. O cineasta disse a jornalistas – e fez questão de dizer que estava falando em on, para publicar – que não voltaria a dirigir o ator nem por um milhão de dólares. Com efeito, ambos jamais voltariam a se falar, até Wyler falecer em 1981.


CAST de DA TERRA NASCEM OS HOMENS. Notem que Jean Simmons não esta nada sorridente!
Jean Simmons acabou por aceitar o papel de Julia Maragon, mesmo não tendo simpatias por William Wyler. Tudo porque Simmons foi a primeira escolha do diretor para ser a princesa em A Princesa e o Plebeu , mas Wyler voltou atrás e preferiu Audrey Hepburn. Simmons considerou a atitude de Wyler deselegante, mesmo não havendo ainda um contrato firmado. Contudo, por razões profissionais, Jean acabou pegando o papel de Julia, mas nunca reatou amizade com o diretor. A relação era estritamente profissional e ao longo de sua vida sempre se recusou a falar do cineasta.

Jerome Moross
Franz Planer e Gregory Peck
Da Terra Nascem os Homens é um western espetacular, valorizado por marcante comentário musical de Jerome Moross (1913-1983), uma das mais belas trilhas do gênero que segura todo o espetáculo. E é um filme valorizado também pela bela fotografia do austro-húngaro Franz Planer (1894-1963), o mesmo que fotografou Bonequinha de Luxo, A Princesa e o Plebeu, e Rei dos Reis.


Charlton Heston, que já era um ator consagrado após o clássico Os Dez Mandamentos, dirigido por Cecil B De Mille, teve que se submeter a um “teste” com Wyler. DeMille sempre gostou de Heston e sugeriu a Wyler que desse ao astro de O Maior Espetáculo da Terra um dos papéis. Até então, Charlton havia feito sempre papéis de heróis, inclusive em westerns, e sem contar que o ator ainda estava estigmatizado pela crítica como canastrão comparado a Victor Mature, no início da carreira.


Wyler deu a Heston o papel do antipático e rude Steve Leech, quase vilão do filme. De início, Charlton queria recusar o papel do capataz, por achar que era pequeno, mas seu agente o convenceu de que valeria a pena pela oportunidade de trabalhar ao lado de Gregory Peck, e sob a direção de William Wyler. Felizmente, Heston aceitou o conselho de seu agente (abençoado agente!), e para sua felicidade, Wyler gostou tanto de seu desempenho, que o pôs no ano seguinte para seu próximo trabalho e talvez um dos mais importantes do cineasta, Ben-Hur, onde Charlton Heston seria o astro principal e outorgaria grande responsabilidade.


Valeu a pena duplamente para o nobre Chuck, pois tanto ele (como melhor ator) quanto Wyler (como melhor diretor) arrebatariam o Oscar por este grandioso épico. Conheçam mais no artigo Um Pouco sobre Ben-Hur, publicado em 2010. Com o Oscar conquistado, Charlton Heston ganhou reconhecimento e prestígio do público e provou que não era “canastrão”, já que sua carreira se estenderia por mais de 50 anos, até partir para o Olimpo em 2008.



Carroll Baker chegou a ter também uma carreira longa, e anos depois, confessou que se tornou amante de produtor para subir em Hollywood, mas depois se arrependeu e foi estudar no Actor´s Studio onde encantou Elia Kazan que a usou como Baby Doll (1955), filme polêmico. Teve muitas chances no cinema, foi dirigida por John Ford (Crepúsculo de Uma Raça, 1962) e mesmo pelo nosso Hector Babenco (Ironweed, 1987), Muito estranho porque seu personagem fica ausente da luta final, mas há uma possibilidade que a personagem de Baker, a sentir o peso da solidão após a morte do pai, queria que Steve Leech prosseguisse como capataz e ficasse com ela, mas ele abandonaria a propriedade, e Pat ficaria só. Devido certamente a tanta confusão durante a sua produção, este final foi deletado.


Destaque também para o ator mexicano  Alfonso Bedoya (1904-1957), falecido aos 53 anos por problemas relacionados ao álcool, que sequer chegou a ver o filme ser lançado, ele que foi o melhor de todos os atores mexicanos fazendo tipos característicos no cinema norte-americano, o primeiro deles em O Tesouro de Sierra Madre, em que roubou muitas cenas.

Na obra The Big Country, ele faz o papel do empregado dos Tirrell, Ramón Guiteras, que acaba se tornando uma espécie de “Sancho Pança” para o personagem de Gregory Peck, James McKay. Ramón abandona os Tirrell para servir a Mckay e lhe avisar dos perigos que corre, e na última cena, ocorre que ele segue com Jim e Julia, dando a entender que servirá aos dois doravante. Esta ultima cena, quando os três estão a cavalo e tomam rumo desconhecido, nota-se um dublê no lugar de Bendoya, que morreu certamente antes da conclusão do filme.



Burl Ives era um ator de múltiplos talentos, pois também era radialista, cantor, escritor, e músico. Começou a vida como esportista, sendo jogador de futebol americano, mas foi inserido no mundo da música, tornando-se um cantor de Folk e baladas, gravando mais de 30 álbuns para Decca e 12 para a gravadora Colúmbia. Sua carreira de ator começou na Broadway, onde é mais lembrado pelo público americano no papel de Big Daddy na versão de Gata em Teto de Zinco Quente, em 1938, papel que repetiria na versão cinematográfica de 1959 com Elizabeth Taylor e Paul Newman - mas somente em 1946 foi introduzido em Hollywood com a 1ª versão de Smoky, o Cavalo Selvagem, com Fred MacMurray e Anne Baxter (a 2º versão é com Fess Parker e Diana Hyland).



Ives ficou notável como o rústico patriarca Buck Hannassey, o que lhe valeu o Oscar de ator coadjuvante do ano por este precioso western. Nesta época, ele já se encontrava semi-aposentado do  show business, mas com o Oscar conquistado, muitas outras oportunidades se abriram para este gigante em todos os sentidos, seja na estatura física e no talento. Quando em 1989, aos 80 anos de idade, anunciou definitivamente sua aposentadoria, veio a se estabelecer em Anacortes, Washington, com sua família, muito embora fizesse até quase ao fim da vida shows beneficentes. Um ano antes de seu falecimento, foi introduzido no Hall da Fama DeMolay, pois era um Grão Mestre da Maçonaria, grau 33 (o máximo), e toda sua família era vinda de maçons. Assim ele dizia:

Tive a sorte de nascer em uma família de maçons. Na verdade, minha irmã mais velha, Audrey, era matrona Grande da Ordem da Estrela do Oriente, em Illinois. Minha experiência DeMolay veio muito naturalmente por causa do meu pai e irmãos. Assim foi a minha juventude reforçada.

Burl Ives morreu em 14 de abril de 1995 aos 85 anos.



Sem dúvida, Da Terra Nascem os Homens é um clássico magistral não somente do Western, mas também da Sétima Arte. Big, Grandioso em todos os sentidos.

Paulo Telles

Da Terra Nascem os Homens/The Big Country

De William Wyler, EUA, 1958

Com Gregory Peck (James McKay), Jean Simmons (Julie Maragon), Carroll Baker (Patricia Terrill), Charlton Heston (Steve Leech), Burl Ives (Rufus Hannassey), Charles Bickford (major Henry Terrill), Alfonso Bedoya (Ramon), Chuck Connors (Buck Hannassey), Chuck Hayward (Rafe), Buff Brady (Dude), Jim Burk (Cracker)

Roteiro Robert Wilder, James R. Webb, Sy Bartlett

Baseado em uma adaptação feita por Jessamyn West e William Wyler, do romance Donald Hamilton

Fotografia: Franz Planer

Música: Jerome Moross

Produção: Originalmente, United Artists, William Wyler.

Cor, 165 min

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