domingo, 10 de fevereiro de 2013

Aventuras das "Mil e Uma Noites" no Cinema Antigo.


Que tal iniciarmos o presente tópico com esta marchinha de carnaval?

Allah-lá-ô, ô ô ô ô ô ô
Mas que calor, ô ô ô ô ô ô
Atravessamos o deserto do Saara
O sol estava quente
Queimou a nossa cara

Viemos do Egito
E muitas vezes
Nós tivemos que rezar
Allah! allah! allah, meu bom allah!
Mande água pra ioiô
Mande água pra iaiá
Allah! meu bom allah

Ao palpitar esta presente matéria, me lembrei desta marchinha de Haroldo Lobo (1910-1965) e Antonio Nassará (1910-1996), e fiquei a visualizar na mente os antigos filmes das mil e uma noites e Ali Babá. Confesso que não sou um perito neste estilo de fita, mas na infância assisti a muitos destes na TV quando a Sessão da Tarde era de qualidade e bom gosto (isso há até 20 anos atrás). Mas como recordar é Reviver, vamos revisitar algumas obras do gênero.



    ALI BABA E OS 40 LADRÕES (1944)

Quando eram pequenos, o príncipe Ali, filho do Califa de Bagdad (Moroni Olsen, 1889-1984) e Amara (Maria Montez, atriz prematuramente falecida em 1951, aos 39 anos, afogada acidentalmente em uma banheira) fazem juras de amor eterno. O exército mongol arrasa a cidade com a ajuda do príncipe Cassin (Frank Puglia, 1892-1975), pai de Amara. O jovem Ali consegue escapar refugiando-se numa gruta mágica onde uns ladrões guardam as riquezas que vão roubando. Integrado no bando, Ali (Jon Hall, 1915-1979) cresce e dispõem-se a vingar a morte dos seus, ao mesmo tempo que procura recuperar a sua amada Amara (Maria Montez) e devolver a liberdade ao seu povo. Dirigido por Arthur Lubin (1898-1995)



      AS MIL E UMA NOITES (1942)

A dançarina Sherazade (Maria Montez, 1912-1951) sonha em se tornar a esposa do califa Haroun (Jon Hall, 1915-1979). Ingênua, ela conta seu desejo ao irmão do califa, Kamar (Leif Erickson, 1911-1986), que logo depois realiza um golpe de estado e assume o poder. Haroun fica ferido e acaba sendo cuidado por Sherazade. Os dois se apaixonam. Mas ela é capturada por Kamar e vendida como escrava. Agora o califa Haroun precisa encontrar Sherazade e criar um plano para recuperar o poder. Dirigido por John Rawlins (1902-1997).


   SIMBAD O MARUJO (1947)

Simbad (Douglas Fairbanks Jr., 1909-2000) é um contador de histórias que tece grandes aventuras sobre si mesmo. Se elas são verdadeiras ou não, ninguém sabe. Em sua oitava peripécia, ele conta sobre o que aconteceu num navio, durante uma viagem diferente e misteriosa. Num dia muito especial, um mapa do tesouro que mostra o caminho para as riquezas de Alexandre, O Grande, desaparece sem deixar pistas. Os suspeitos são, a bela Shireen (Maureen O’ Hara, ainda vivíssima, graças à Deus!!!), a mulher que roubou o coração de Simbad, o diabólico Amir, obcecado pelo valioso artefato, e o mortal Melik, que fará de tudo para chegar ao tesouro, inclusive dar cabo da vida de quem o atrapalhar. Uma viagem perigosa para onde acreditam estar escondida uma das grandes riquezas deixadas pelo maior general da antiguidade. Dirigido por Richard Wallace (1894-1951).


    AS AVENTURAS DE HAJJI BABA (1954)

O galã John Derek (1926-1998) interpreta um príncipe árabe que lhe é dado a missão de escoltar a bela princesa Fakzia (Elaine Stewart, 1930-2011) através de um deserto para seu casamento. Hajji faz aposta com um amigo de que ele terá sucesso em seduzi-la até o final da viagem, até que é capturado pelos ladrões, que por sua vez são capturados por um grupo de amazonas renegadas. Dirigido por Don Weiss (1922-2000)


   O FILHO DE ALI BABÁ (1952)

A história de um príncipe persa, Kashma Baba (Tony Curtis, 1925-2010), filho do famoso Ali Baba, que desafiou a raiva das hordas do Califa, pelos lábios de uma bela mulher. Ele nasceu como um príncipe, mas viveu como um vagabundo. Dirigido por Kurt Neumann (1908–1958).



 A PRINCESA DO NILO (1954)

No Egito de 1249, após sair vitorioso de uma guerra, o Principe Hayde (Jeffrey Hunter, 1926-1969) volta à cidade de Hal-Wan, nas margens do Rio Nilo, para ajudar uma dançarina, Taura (Debra Paget, vivíssima), que na verdade é a Princesa Shalimar, a combater o despótico beduíno Rhama Khan (Michael Rennie, 1909-1971). Direção: Harmon Jones (1911-1972), que mais tarde iria para a TV, onde dirigiu episódios de séries como Tarzan, com Ron Ely, e Terra de Gigantes.


 HOMENS DO DESERTO (1951)

O sargento Mike Kincard (Burt Lancaster, 1913-1994) descobre através de um prisioneiro que o vilão Hussin (Gerald Mohr, 1914–1968) planeja um ataque ao forte de Tarfa. O sargento que faz parte da legião Estrangeira resolve se juntar a nove legendários para impedir o ataque do vilão. Os legionários acabam se envolvendo com odaliscas dos haréns do Saara. Direção de Willis Goldbeck (1898–1979).


           MULHER SATÂNICA (A MULHER COBRA) – (1944)

No dia de seu casamento, a bela Tollea é raptada e levada para a Ilha da Cobra, a fim de substituir no poder sua irmã má e sanguinária, Naja. Mas seu noivo e um jovem amigo vão tentar resgatá-la. Dirigido por Robert Siodmak (1900-1973).

Análise de Rubens Ewald Filho: Fantasia em Technicolor da Universal, exibido originalmente no Brasil como "Mulher Satânica", é hoje um pequeno cult do cinema 'camp', reunindo o casal romântico dos filmes das Mil e Uma Noites Maria Montez (1912-51) e Jon Hall (1915-79), mais o indiano Sabu (1924-63). É um delicioso delírio como só se fazia a sério naquela época, com Montez canastrona como sempre e sua inaptidão para dançar sensualmente que chega a ser cômica. Na trama, ela faz papel duplo, a meiga Tollea e sua irmã gêmea Naja, a cruel sacerdotisa da Ilha da Cobra. Lon Chaney Jr. (1906-73), em um intervalo dos filmes de Drácula, Frankenstein e Lobisomem, é o mudo que rapta Tollea, a mando da velha rainha (Mary Nash), para substituir sua pérfida irmã no poder. Há uma cobra sagrada, um chimpanzé amestrado, sacrifícios humanos e, no clímax, um vulcão em erupção. Ou seja, é um daqueles filmes divertidos de se ver pela total falta de vergonha de ser excessivo e kitsch. A cópia excelente ajuda. O diretor Siodmak (1900-73) seria depois imortalizado como um dos grandes nomes do cinema noir.


      A VÊNUS DE BAGDÁ (ou PRÍNCIPE DE BAGDÁ) – (1953)

Antar (Victor Mature, 1913-1999) é enviado para Bagdá por Suleiman (Guy Rolfe, 1911-2003), dirigente do Império Otomano, para prevenir Hammam, o paxá de Bagdá, de adquirir os serviços do líder local Mustapha, que deverá unir as tribos e derrubar o imperador. Há muitas intrigas e a paixão de Antar pela dançarina Selima (Mari Blanchard, 1923-1970). Dirigido por George Sherman (1908-1991).


O FILHO DE SIMBAD (1955)

Simbad (Dale Robertson, ainda vivo) é prisioneiro do Califa, mas pode ganhar sua liberdade desde que faça um trabalho para ele. Só assim Simbad poderá salvar Bagdá das forças do terrível Tamarlane. Kim Novak faz uma ponta. Direção: Ted Tetzlaff (1903–1995). 

11 comentários:

  1. Parabéns pela viagem histórica.

    Adoro Ali Babá e os 40 ladrões...imperdível e mágico.

    abs

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  2. Seguindo teu Blog! Também participo da Cia dos Blogueiros!
    Passando para desejar um ótimo feriadão de Carnaval!
    Um abraço!

    http://www.luceliamuniz.blogspot.com.br/


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    1. O mesmo para você, Lucélia. Seja bem vinda ao espaço. Grande abraço e obrigado pela visita!

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  3. Nery,

    Pode parecer inacreditável, porem, não assisti a nenhum dos filmes expostos na matéria, mesmo sendo todos com atores com quem vi muitas fitas e todos construidos numa época fertil de minha vida nos cinemas.

    Vi dois sobre Simbad, com o Kerwin Matheus; Simbad e a Princesa e O Matador de Gigantes.

    São obras diferentes, porem do mesmo tipo de fantasias.

    Li também o comentário do Rubens Ewald Filho sobre A Mulher Satânica. E confesso não dei aprovações ao que diz, sem o mesmo por qualquer respeito, principalmente a quem não mais está entre nós.

    Considero seu comentário agressivo e inoportuno, isto observando a forma como fazemos os nossos comentários e os comparando com o do mesmo.

    No entanto, cada um tem sua forma de colocar suas palavras, embora eu não me coloque em paralelo com o que diz.

    Sempre achei este tipo de filme uma forma de nos conduzir a sonhos, viagens e fantasias.
    Foram fitas que iluminaram nossas infancias e nos puseram adolescentes cheio das ilusões que eles nos trouxeram e distantes de mundos de perdições.

    Desta forma posso até assegurar que a eles, a estes tipos de filmes, nós devemos o que hoje somos.

    No mínimo, estas fitas cheias de luz, visões e belezas, interpretadas por estes atores e atrizes que tanto amávamos, nos são todos dignos de grande respeito.

    Parabens por esta matéria linda e composta por momentos que nos transportam a anos belissimos de nossas vidas.

    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Ju, gosto muito do Rubens Ewald Filho e sou um fã de seus comentários, mas claro também há apontamentos que nem sempre haverei de concordar com ele. Para falar a verdade, conheço muito pouco o trabalho de Maria Montez (que este ano faria seu centenário), só assisti “as mil e uma noites” e “Ali Baba”, e observando não achei que fosse mesmo uma boa atriz, embora de uma sensualidade que diria exótica.

      O que acontece, Jurandir, é que o crítico pela sua profissão tem esta característica, ele avalia de acordo com que ele próprio acredita e tenta de todas as maneiras tentar convencer o público, o que muitas vezes não acontece, pois afinal, o público de cinema e as bilheterias não depende de críticos, mas sim do público que esta lá para aplaudir ou vaiar. Mas a crítica em verdade tem tendência a crueldade.

      Um bom exemplo disso eu postei há alguns dias, sobre o Victor Mature, que não dava bola para críticos, e olha que ele recebia críticas apelidadas de “negativas”, ou seja, não havia limites para seus críticos, que o consideravam uma “dieta para os sábios” de tão ruim que consideravam seus desempenhos.

      Ju, tem outros filmes a mais deste estilo que não pude pautar, mas vc já acrescentou dois que também fazem parte do gênero, e de fato fitas cheias de luz, visões e belezas.

      Abraços nobres

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  4. Paulo, este artigo ficou muito legal!!! eu não sabia que havia tantos filmes desse gênero, vou correndo ver se acho ali babá e os quarenta ladrões pra assistir!!! e Jeffrey Hunter na princesa do Nilo... ahhh preciso ver esse filme rs...

    Grande Abraço Paulo

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    1. Olá Priscila, existem muitos mais como falei ao amigo Jurandir acima que não pude despontar na matéria. A Princesa do Nilo é espetacular, Jeffrey Hunter e Debra Paget formam um lindo par.

      Abraços nobres

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  5. Também era fascinado pelas histórias das 1001 noites. Até os trapalhões adaptaram Ali Babá e os quarenta ladrões nos anos 70. Abraços.

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    1. Bem lembrado, Gil, houve uma versão nossa com os Trapalhões no cinema, que eu assisti quando criança. Abraços nobres.

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  6. Vergonhosamente NÃO conheço NENHUM desses filmes! Não tive a sua sorte de pegar essa época de ouro da Sessão da Tarde e também, desde que me apaixonei pela sétima e comecei a frequentar as "vídeo-locadoras" esses filmes nunca foram fáceis de encontrar. Hoje em dia, mesmo com a popularidade dos relançamentos de clássicos em DVD percebo que esses filmes são ignorados pelas distribuidoras do País. Sobra-nos a Internet como consolo, mas no meu caso (que sou muito enjoado para ver filmes ripados ou on-line) esse gênero acaba passando despercebido. Uma pena.

    Parabéns pela ótima postagem mais uma vez Paulo.

    Grande Abraço!

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