sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Django em Retrospectiva


Hoje estreia em todos os cinemas brasileiros o novo filme de Quentin Tarantino, Django Livre (Django Unchained). Através dos trailers vistos, constatei que não era um remake do clássico estrelado por Franco Nero em 1966 (que por sinal faz uma participação no novo filme), mas sim de uma releitura deste personagem que foi explorado em outros westerns spaghetti  entre 1966 e 1972, com um retorno em 1987. 


Certamente, Tarantino se consumiu assistindo a este grande gênero estritamente feito pelos americanos, mas que moldado pelos cineastas europeus (entre eles, Sergio Leone, talvez o maior de todos), trazendo ao mundo um novo conceito, bem mais realista, do Velho Oeste Americano. Logo, acho importante recordarmos alguns destes filmes em que Django é o centro da fita, afinal, nossos extintos cinemas de rua tinham como atração na década de 1970 tantos cartazes divulgando um bang bang a italiana que ao escrever este artigo me apeteceu a saudade. Mas como o assunto no momento é sobre Django Livre, que tal fazermos um  on tour e recordarmos alguns filmes antigos protagonizados por este herói?


Django (1966)

Django (Franco Nero) é um homem que arrasta consigo um caixão, onde dentro está escondida uma poderosa metralhadora. Na fronteira do México, ele está disposto a vingar a morte da sua esposa, e parte para uma luta sangrenta contra duas gangues rivais que agem na região, isso depois de fazer um acordo com o bandido local Hugo Rodriguez (José Bódalo, 1916-1985)). Só que desconfiado das intenções de Rodriguez, ele resolve se juntar a Maria (Loredana Nusciak, atriz que sumiu a partir dos anos 70), uma mulher que havia salvo, e os dois serão perseguidos pelo mexicano.




Foi o filme que deu a Franco Nero o reconhecimento mundial como um dos maiores ícones do gênero western europeu, e dirigido por Sergio Corbucci (1926-1990), que conseguiu fazer deste western um cult, proporcionando inspiração ao próprio Quentin Tarantino para fazer seu novo filme.

O Pistoleiro das Balas de Ouro (Matar para Viver e Viver para Matar) (1967)

Nesta trama de avareza, o cubano Tomas Milian interpreta Django, um fora-da-lei membro de uma quadrilha que depois de assaltar uma carruagem que carregava uma fortuna em ouro, foi enganado pelos companheiros e deixado para morrer, no entanto, Django se levanta da cova rasa para buscar a desforra. Entretanto, quando em sua busca ele chega numa bizarra cidade, ele mergulha em uma horrenda viagem de tortura, brutalidade e uma impiedosa realidade sexual. Dirigido por Giulio Questi.



O Filho de Django (1967)

A visão de seu pai Django sendo covardemente assassinado o fez amargar, por toda sua vida, o desejo de vingança. Agora seu filho Jeff Tracy (Gabriele Tinti-1936-2009) está prestes a encontrar o homem que matou a lenda chamada Django. E só a morte do assassino o fará encontrar a paz. Dirigido por Osvaldo Civirani (1917–2008). Participação do americano Guy Madison (1922-1996) como um padre.

Django Mata em Silêncio (1968)

Django (George Eastman, um italiano cujo verdadeiro nome é Luigi Montefiori, nascido em 1942) salva caravana de bando de mexicanos. E junto com uma mulher (a bela Liana Orfei), cujo o marido fora assassinado, por traficantes de armas, parte em busca desses assassinos. Dirigido por Massimo Pupillo.



Viva Django! (1968)

O misterioso pistoleiro Django (aqui interpretado pelo Trinity Terence Hill, nascido Mario Girotti em 1939 na Itália) consegue com um político corrupto o emprego ideal: carrasco de inocentes proprietários de terras, que não se submetem às suas ordens. O que o chefão não imagina é que Django não está enforcando ninguém. Na realidade, ele está usando suas -vitimas- para treinar uma gangue guiada apenas por vingança. A maior vingança é a de Django, cuja morte da esposa foi causada pelo seu atual empregador. E o dia de vingar a morte de sua amada se aproxima. Dirigido pelo competente Ferdinando Baldi (1917–2007), que ficou conhecido por dirigir muitos épicos Sandálias & Espadas no início da década de 1960.



Django, o Bastardo (1969)

Durante a Guerra Civil Americana, três oficiais do exército confederado, líderes de um regimento, se vendem aos rivais ianques, matam os sentinelas e permitem que a tropa inimiga massacre todo seu regimento. Porém Django (o ítalo-brasileiro Anthony Steffen, nascido Antonio de Teffé em 1929 no consulado brasileiro na Itália, e falecido em 2004, aos 74 anos de idade, no Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro), que é um dos soldados, não morre. E anos depois, como que surgido do inferno, ele começa sua caçada de sangue aos homens que o deixaram à beira da morte. Será que ele é um fantasma ou simplesmente um homem com sede de vingança? Ele é Django, que voltou do inferno, e agora ninguém vai fugir de seu gatilho. Dirigido por Sergio Garrone.



Django Desafia Sartana (1970)

O temido Sartana (George Ardisson , italiano nascido em Turin em 1931) chega a Black City para tornar-se o novo xerife, porém a cidade está dominada pelo traficante de armas Bud Wheeler (Jose Torres) e seu capanga Sanches (Augusto Pescarini), tudo sob o olhar de Django (Tony Kendall, ou o italiano Luciano Stella, nascido em 1936 e falecido em 2009) , que busca vingança contra os assassinos de seu cunhado. Dirigido por Pasquale Squitieri. 

Um Homem Chamado Django (1971)

Quatro homens invadem uma fazenda e tentam estuprar uma jovem, ela reage e se defende, mas acaba sendo assassinada, Um homem chamado Django (novamente Anthony Steffen no papel), chega a cidade de La Puerta, um lugar abandonado, refúgio de facínoras, bandidos e assassinos.
Django chega exatamente na hora de um enforcamento, o bandido chama-se Carranza (Stelio Candelli), homem procurado por Django por ser o único a saber a identidade dos quatro homens que no passado mataram. Django salva o homem da morte e o obriga a revelar os nomes dos assassinos. Django, auxiliado por Carranza, parte em sua caçada. Uma surpresa espera Django no acerto final. Dirigido por Edoardo Mulargia (1925–2005). 




Django - A Volta do Vingador (1987)

O pistoleiro Django (Franco Nero) cansado de tanta violência passa a viver num convento. Contudo, seu descanso é interrompido ao descobrir que é pai de uma bela adolescente e que ela foi capturada por um inescrupuloso e cruel bandido, El Diablo (Christopher Connelly, 1941-1988). Esta fita, com base em roteiro original escrito por Sergio Corbucci (que dirigiu o 1º Django com Nero, 1966), e dirigido por Nello Rossati, traz Franco de volta ao papel, ainda em ótima forma, contudo esta sequencia não faz jus a obra de Corbucci, chegando até mesmo a fugir um pouco da característica original do personagem.

E agora...


Django Livre (2012)

O filme estreia hoje nos cinemas, e todas as apostas já foram lançadas, pois é um dos grandes cardápios para o Oscar deste ano, indicado para 5 Oscars.  Um dos grandes destaques do filme é a presença de veteranos do cinema que há muito não apareciam, como Russ Tamblyn, o ex dançarino acrobata dos antigos clássicos musicais da Metro (O Pequeno Polegar, Sete Noivas para Sete Irmãos), junto com sua filha, Amber Tamblyn. Russ desempenha O Filho do Pistoleiro, nome de um western italiano em que ele atuou em 1965. Outras presenças veteranas também são de Bruce Dern (o único “bandido” que conseguiu “matar” John Wayne), Don Johnson (Miami Vice), James Remar, Michael Parks, e é claro, do próprio Franco Nero, o Django clássico italiano de 1966, onde atua com Jamie Foxx (o novo Django), e ambos  têm um diálogo divertido, como pronunciar o nome com D mudo.

O NOVO E O ANTIGO DJANGO: Jamie Foxx e Franco Nero
A trilha sonora homenageia Morricone e outros compositores do estilo,  enquanto a publicidade deu a entender que era coragem abordar a escravidão, já que é um tema pouco mostrado pelo cinema. Logo, o novo Django é um escravo negro, que consegue sua liberdade e parte para a ação. 



Django é um escravo negro liberto que, sob a tutela de um caçador de recompensas alemão, torna-se um mercenário e parte para encontrar e libertar a sua esposa (Kerry Washington) das garras de Monsieur Calvin Candie (Leonardo DiCaprio), charmoso e inescrupuloso proprietário da Candyland, casa no Mississippi onde escravas são negociadas como objetos sexuais e escravos são colocados pra lutar entre si. O filme condena os abusos e castigos físicos, sendo definitivamente a favor dos negros.



Nota do Rubens Ewald Filho sobre o filme em seu blog: A grande qualidade de Tarantino realmente é a escolha do elenco, porque ele não tem medo de ousar e escalar contra o tipo. Então, Leonardo Di Caprio está ótimo como o fazendeiro que aposta na luta livre de mendigos até a morte, que é dono de bordel de escravas negras e também dono da mulher (Kerry Washington) do herói (Jamie Foxx, que tem sido injustamente esquecido nas premiações, mas esta atlético e convincente). Com muita explosão muito tiroteio, várias sacadas e surpresas (principalmente mortes feitas com humor) Django vai bem de bilheteria  já tendo chegado aos US$ 106 milhões de renda.

No Brasil não deverá ser diferente, portanto, vamos todos assistir a este espetáculo tão esperado e eu estou pronto para  também assistir, afinal, não é sempre que o cinema moderno tem produzido westerns.

Paulo Telles

ASSISTA AO TRAILER DE DJANGO LIVRE.
A PARTIR DE HOJE, 18 DE JANEIRO, NOS CINEMAS



9 comentários:

  1. Excelente artigo meu caro. Arrasou! Sem mais.
    Adorei a linha do tempo e o resumo que fez da saga deste personagem tão cult que assina com D mudo, rs!

    Não assisti a todos os filmes, exceto os estrelados por Nero, evidente, que é um ícone neste papel. O último produzido em 87 é fraquinho mesmo. Ótimas curiosidades como a de Anthony Steffen que faleceu no Brasil, desconhecia, aliás, também assisti a fita que estrelou e dos demais também já vi o "Viva Django!" que pode não ser uma obra prima como a de 66, mas é um dos mais divertidos e Terence Hill esta em boa forma.

    Sergio Corbucci descansa em paz e aonde estiver deve estar satisfeito com a discussão de sua obra mais querida entre os amantes do gênero. E graças a Tarantino, com seu faro cinéfilo, traz de volta um dos personagens mais inspiradores. Seu grande amigo, o também cineasta independente Robert Rodriguez, certamente assistiu ao filme quando realizou o interessante "El Mariachi" que virou série!

    Não sou fanático, mas adoro um bom faroeste nos Velhos Oestes! rs

    Abraço.

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    1. Saudações Rodrigo. Vc é muito jovem e acho que vc não faz ideia da repercussão nos cinemas de bairro (aqui no Rio de Janeiro, como em São Paulo principalmente) quando exibiam ou mesmo reprisavam estes bang bangs a italiana, e incluíam muitos filmes sob o título de Django e não somente estes que despontei na linha do tempo como vc tão bem classificou. Também eram exibidos nos cinemas poeirinhas (sim assim eram chamados as salas praticamente abandonadas que para manter o circuito investiam em filmes de western ou épicos italianos) nos meados das décadas de 1970 e início de 80.

      Falando do Django de Terence Hill, claro que é uma interpretação cômica do personagem, já que o eterno Trinity esta na praia mais do humor, isto é, Terence Hill é ótimo para comédia mas em papéis mais sérios não convence.

      O Tarantino é um cineasta cinéfilo sem dúvidas, e pode ser considerado o primeiro de uma trupe que, quem sabe, poderá vir ao longo do tempo para a Sétima Arte. Ele chegou a ser empregado de uma video-locadora antes de sua chegada a Hollywood e praticamente, pelas entrevistas que pude acompanhar um pouco, ele gosta praticamente de tudo quando se trata de cinema e televisão. E uma coisa que acho bacana da parte dele é ele enquadrar em seus filmes presenças marcantes do cinema ou da televisão que já estavam ofuscados pelo ostracismo, como o saudoso David Carradine, com quem fez KILL BILL 1 e 2, e sendo fã do ator e da série KUNG FU que ele protagonizou, o cineasta fez questão de fazer brilhar novamente a estrela de Carradine, que infelizmente, veio a falecer em 2009. Um dos projetos de Tarantino seria refilmar KUNG FU para a tela grande, mas a morte de Carradine acabou por anular este projeto já que ele faria participação.

      SERGIO CORBUCCI, ao lado de Leone, outro Sergio, foi um dos mais notáveis cineastas do western europeu, e outra boa de Tarantino é resgatar a memória de tão ilustre diretor. Também não sou fanático por westerns, só gosto muito deles, e sobretudo, quando muitos destes são verdadeiros clássicos do gênero.

      Obrigado pela participação meu nobre. Abraços do editor.

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  2. boa-noite, Paulo!

    O meu nome é Rita Lavoyer.

    Sou da cidade de Araçatuba- São Paulo

    Sou blogueira e membro da Cia dos blogueiros.

    Há um projeto na Cia dos blogueiros que pretende reunir o maior número possível de pessoas para compor um poema. Por isso o nome "O maior poema"

    Estamos convidando todas as pessoas que têm blogs, por esta razão participo aqui.

    Para acessar a Cia dos blogueiros o endereço é:
    www.ciadosblogueiros.blogspot.com

    ou no meu blog também encontrará informações de como participar.

    www.ritalavoyer.blogspot.com

    Inscreva-se! Participe!

    Muito obrigada. Muito obrigada. Muito obrigada!
    Rita Lavoyer

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    1. Saudações, um bom dia prezada Rita.

      Agradeço seu convite. Também sou membro da Cia dos blogueiros e me sinto deveras honrado com este chamado. Mas meu forte não é poema, é cinema. Parabenizo por sua iniciativa mais uma vez e um forte abraço deste editor. Êxito!

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  3. Nery,

    Por não ter sido assistente das obras do cinema italiano, em se falando de westerns, vou me privar de fazer um comentário, embora tenha acompanhado o trabalho de Leone e pouco, muito pouco mais.

    Entretanto, estou ansioso e à espera de ver esta fita de Tarantino, que sempre tem surpresas a nos revelar.

    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Também estou na ansiedade de assistir a este trabalho de Tarantino. Mas como eu disse a amiga Siby, são obras que diferem. De fato, não se trata de uma refilmagem do clássico com Franco Nero e dirigido por Sergio Corbucci, mas de uma releitura e por que não dizer, uma homenagem aos westerns spaghette, a Leone, a Corbucci, e a tantos outros que exploraram este estilo?

      Quem sabe não estamos perante a um novo clássico dos westerns? se for assim, Tarantino ecoará pela história.

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  4. Franco Nero é Django, Django é Franco Nero... Cresci amando este filme e este ator que acho belíssimo.
    Do Tarantino o que vale é a homenagem que faz ao filme, muitas pessoas que conheço passaram a ver o filme antigo por conta deste novo que o Tarantino fez. rs

    Excelente matéria amigo, só faz com que os faroestes sejam fortalecidos ainda mais. Obrigada! :)

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    1. Verdade Siby, no entanto esta revisita ao personagem vale a pena conferir, e por sinal, volta a revigorar os westerns que nos últimos anos tem sido postos de lado(salvo OS IMPERDOÁVEIS, TOMBSTONE, WYATT EARP, 4 MULHERES E UM DESTINO).

      Estou certo que é mais do que uma homenagem que Tarantino faz ao gênero, contudo não será uma obra prima, tal qual dirigida por Corbucci em 1966. Ambos são fitas diferentes. Se será um clássico a película de Tarantino, possivelmente só o tempo dirá.

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  5. Assisti Django Livre na semana passada e gostei bastante. Quentin Tarantino é tão talentoso que conseguiu transformar um tema dramático como a escravidão em um filme por vezes muito engraçado. Sem contar que os momentos típicos do diretor como sangue jorrando a todo momento, são maravilhosos. A vingança de Django contra os vilões são soberbos.

    Não conheço os Django's produzidos anteriormente, mas fiquei muito interessado naquele protagonizado por Gabrielle Tinti, que fez no Brasil Noite Vazia.

    Abraços.

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