sábado, 26 de maio de 2012

John Wayne: O Herói das Pradarias da Sétima Arte



Matéria com base no artigo UM TRIBUTO À JOHN WAYNE, de 12 de junho de 2010, agora revista e ampliada, em homenagem à um dos maiores astros da Sétima Arte, que deu muitas e eletrizantes aventuras e alegrias às plateias do mundo todo.

Paulo Telles. 


Cavalgando pelas pradarias do Oeste Cinematográfico, ele se tornou uma lenda imortal. Filho de Clyde e Mary Morrison, Marion Michael Morrison, que o mundo conheceria como JOHN WAYNE, nasceu a 26 de maio de 1907, em Wintenset, Iowa. Mas a vida teve de lá suas ironias. O nome Marion foi motivo de gozação por parte dos garotos de sua idade. Quem diria que o maior astro do cinema mundial, símbolo do machismo e virilidade, tinha em seu nome de batismo um nome de mulher.



SE MEDIRMOS a grandeza dos astros pelo número de pessoas que vai assistir aos seus filmes, Wayne talvez possa ser considerado o maior astro de cinema em todos os tempos. Na verdade, recuando a 1932 e verificando, daí em diante, o produto das bilheterias de todos os filmes produzidos no mundo, vamos perceber logo que ele é a maior atração do Cinema sonoro, tendo alcançado o estrelato e ficado entre os dez maiores sucessos de cada ano, a partir de 1949 até 1974.




Wayne também foi quem mais ganhou dinheiro com Cinema, entre os intérpretes - cerca de 400 milhões de dólares - e, perdendo apenas para Gary Cooper e James Stewart, entre os que trabalharam em maior número de clássicos de Hollywood, a deles, dirigida por John Ford e Howard Hawks.



A Trajetória de Wayne se confunde com a própria história do cinema americano, já que iniciou sua carreira em 1927. Ganhou um apelido tão logo ingressou na Meca do cinema, Hollywood, a alcunha de “Duke”. Isto porque o jovem Marion costumava passear com seu cachorro de estimação, que tinha aquele nome. Desde a tenra idade, Marion começou a lutar pela vida, depois de estudar na Universidade de Southern Califórnia. Daí sucedeu-se uma série de pequenos biscates: Foi motorista de caminhão, consertador de fios eletrônicos, carpinteiro de cenários cinematográficos, e até mesmo dublê. Assim, pagava seus estudos, pois tinha pretensão em se formar em direito.



Nessa época, conheceu John Ford (1895-1973), que acabou sendo um de seus maiores amigos e exerceria uma grande influência em sua vida e carreira. O diretor lhe arranjou trabalho nos estúdios da Fox e, pouco depois, um pequeno papel em Hangmans's House.



No entanto, quanto mais trabalhava nos estúdios de cinema, mas ficava fascinado com o mundo da chamada Sétima Arte. A essa época, seu físico avantajado, de 1m94 de altura, chamou a atenção dos produtores e diretores. Assim, ele foi aproveitado em pequenas pontas de filmes. Mas em 1930, o lendário diretor Raoul Walsh (1889-1980) que sugeriu que o ator tivesse o nome artístico de John Wayne, deu a ele o seu primeiro papel principal, no filme A GRANDE JORNADA (The Big Trail). Entretanto, a produção foi lançada em plena época de depressão americana, o que fez com que sua atuação não fosse notada, pois o filme não teve o retorno esperado nas bilheterias.




Logo, Wayne foi “rebaixado” para produções menores e baratas. Se tornou um astro de filmes de cowboys das matinês, trabalhando para pequenos estúdios, como a Lone Star, e atuando em filmes de pequena duração. Assim, “Duke” Wayne se tornou o ídolo infantil das crianças dos anos de 1930, notabilizando-se como um dos “Reis dos Cowboys” ao lado de Tom Mix, Buck Jones, e Tim McCoy. Graças também a Yakima Canutt (1895-1986), respeitado coordenador de cenas de ação e perito em cenas de perigo (ele seria o diretor de segunda unidade de Ben-Hur em 1959, supervisionando a famosa corrida de quadrigas) que John Wayne começou a aprimorar seu estilo Cowboy.




Sem ter ainda desenvolvido a personalidade que lhe trouxe fama anos depois, Wayne foi relegado a filmes de westerns de orçamento B, sendo que em 1935 foi o protagonista do primeiro filme da Republic (e, em 1945, ajudou o estúdio a celebrar 10 anos de sucessos). Na década de 30, foi um dos mais populares heróis ao estilo do Far-West. Padronizou a maneira de andar, e treinou um sotaque que se encaixava bem num herói do oeste.



Em 1939, acontece a grande chance de sua carreira: NO TEMPO DAS DILIGÊNCIAS (“Stagecoach”, 1939), considerado um dos maiores clássicos do Western. A Princípio, os produtores relutaram em aceitar um principiante saído de faroestinhos baratos e de orçamento duvidoso para o papel célebre de Ringo Kid. Mas John Ford decidiu que já havia dado o papel a Wayne e que jamais voltaria atrás, e que queria fazer um filme que não devia nada de seu sucesso à popularidade dos intérpretes, e sim o oposto, o filme que os tornaria populares. E não deu outra, pois além de Wayne, despontaram em celebridades Claire Trevor, Thomas Mitchell (ganhador do Oscar), e John Carradine.


Assim, John Wayne ingressou no rol dos artistas CLASSE A, e um dos que mais atraíam público aos cinemas, segundo a revista Motion Pictures Herald, se tornando assim uma estrela maior no mundo do entretenimento. Quando os Estados Unidos entraram para a Segunda Guerra, Wayne pediu dispensa do serviço de guerra alegando comprometimento com a carreira, casamento e filhos. No entanto, mesmo não atuando em fronts reais, contribuiu com suas atuações em filmes bélicos que eram praticamente propagandas de guerra americana contra o nazismo. Assim, muitos dos soldados americanos que iam para a guerra se inspiravam nos personagens heróicos, destemidos e dignos interpretados por John Wayne.



Nesta fase, muitos destes filmes vieram a se tornar clássicos de guerra, como Fomos os Sacrificados (They Were Expandable) e Iwo Jima, o Portal da Glória (Sands of Iwo Jima), respectivamente de 1945 a 1949, dirigidos por John Ford e Allan Dwan. Aliás, Wayne era um conservador na política, um republicano convicto, que bateu de frente na vida real com Robert Ryan (1909-1973) e Nicholas Ray (1911-1979) durante as filmagens de Horizonte de Glória (Flyng Leathernecks), outro filme de guerra dirigido por Ray para Howard Hughes (1905-1976) e RKO, já que tanto o cineasta de Juventude Transviada e o ator Ryan eram democratas.


Voltando aos westerns, é importante frisar a trilogia de John Ford sobre a Cavalaria americana (já tópico de artigo neste blog. Ao fim do artigo, vejam os links especiais sobre John Wayne)- são eles: Sangue de Heróis (Fort Apache, 1948), Legião Invencível (She Wore a Yellow Ribbon, 1949) e Rio Bravo (Rio Grande, 1950).

MAUREEN O’ HARA- PAR ROMÃNTICO PERFEITO NO CINEMA, AMIGOS NA VIDA REAL.



Em 1952, Nova parceria entre Ford e Wayne, neste considerado o melhor filme da Repúblic, Depois do Vendaval (The Quiet Man) cuja cena antológica é o beijo que o Duke dá em Maureen O' Hara, lenda viva do cinema. Antológica também é a Luta Livre entre Wayne e Victor McLaglen (1886-1959) neste sensacional clássico da Sétima Arte. 





Com ela, já havia feito Rio Bravo, e ainda faria Asas de águia (The Wings of Eagles), em 1957, sobre a vida do aviador e roteirista de cinema Frank Wead, que era amigo e colaborador de John Ford que resolveu dirigir esta fita em sua homenagem; e Quando um Homem é Homem (McLintock!), dirigido por Andrew V. McLaglen em 1963, filho do ator Victor McLaglen, versão da obra de William Shakespeare A Megera Domada transposta para o Velho Oeste, com muito ritmo e humor. Maureen ainda faria uma pequena participação em 1970, no western Jack Grandão (Big Jack), fazendo a esposa de Wayne. Verdadeiros amigos na vida real, a atriz irlandesa foi uma das que empenhou no Congresso Americano para que o velho astro recebesse a Medalha de Honra do Congresso. pelos feitos cinematográficos e pela sua honrosa contribuição ao país. Wayne recebeu a medalha pouco antes de seu falecimento.


RASTROS DE ÓDIO – FILME DE FORD E ATUAÇÃO DE WAYNE COMO OBRAS PRIMAS


Mas em 1956, veio a obra prima que consagraria de vez a estrela de John Wayne, considerado por muitos críticos (e por este editor também, me perdoem por me meter) como o melhor desempenho de sua carreira. Falo de RASTROS DE ÓDIO (The Searchers), ponto ápice não somente na sociedade John Ford/Wayne (uma das mais bem sucedidas parcerias entre um ator e diretor) como também foi o ponto clímax para o gênero western.

Mal recebido na época de seu lançamento (e muito mal interpretado por muitos críticos), Rastros de Ódio só veio a ser reconhecido como obra prima quase duas décadas depois, após ser incluso numa lista importante entre os dez melhores filmes de todos os tempos,quase no fim na década de 1970. Talvez pela mensagem aparentemente racista do filme, não veio inicialmente ter uma boa impressão, mas o cineasta francês Jean -Luc Godard, conhecido por seus trabalhos polêmicos, anárquicos e vanguardistas, assistiu esta obra de John Ford e reconheceu a esplendorosa atuação de John Wayne, que politicamente, Godard o odiava, mas acabou se emocionando e se derretendo as lágrimas pela atuação do Duke.




Provavelmente baseado na lendária história da jovem Cynthia Ann Parker (mãe do líder comanche Quanah Parker), que em 1836 foi raptada por guerreiros Comanches, Rastros de Ódio foi filmado no cenário favorito de Ford, o Monument Valley, Utah. Algumas cenas adicionais foram feitas em Mexican Hat, no México, Utah, e Bronson Canyon em Griffith Park, Los Angeles.



Wayne nos tributa com o que há de melhor em seu íntimo dramático. Em 1868, o veterano ex-oficial confederado Ethan Edwards (Great Wayne!) retorna da Guerra Civil Americana e vai para o rancho de seu irmão na zona rural do Texas. Pouco tempo depois de sua chegada, os Comanches matam seu irmão e sua cunhada e raptam as duas filhas, uma delas ainda menina. Com a ajuda do filho adotivo de seu irmão, Martin Pawley (Jeffrey Hunter, 1925-1969) mestiço índio com branco, Ethan, que odeia todos os índios, começa a perseguir os Comanches para resgatar as sobrinhas. Para ele e também para os que o cercam (exceto Martin), é melhor "certificar-se" de que elas estão mesmo mortas e não vivas e abusadas pelos selvagens (um dos temas do filme é a discussão do racismo).


Ethan se mostra obcecado e próximo de psicótico em sua perseguição, havendo suspeitas (não confirmadas) de que seu amor pelas sobrinhas se deve ao fato de ter amado a mãe delas, a esposa de seu irmão. Mais tarde, Ethan encontra o corpo assassinado da mais velha, Lucy. Recrudescem os esforços na busca da mais nova, Debbie (Natalie Wood, 1938-1981). A procura tomará mais cinco longos anos, mas ao longo desse tempo, tanto Ethan quanto Martin sabem que ela não faz mais parte da cultura dos brancos.



Ethan odeia os comanches mas, fiel ao mandamento militar de "conheça seu inimigo", se mostra um conhecedor do modo de vida dos nativos. Algumas "lições":

1) Ethan diz que os comanches amarram as montarias a si próprios, quando dormem, evitando que seus inimigos espantem os cavalos.

2) Ethan diz que um comanche em fuga, ao contrário de um homem branco que desmonta quando o cavalo está cansado, continua a cavalgada até escapar ou o cavalo morrer. E depois disso, come o cavalo.

3) Ethan atira nos olhos de cadáveres de índios. Explica que é uma vingança, pois segundo a crendice comanche isso é uma das piores coisas que podem acontecer, pois eles acreditam precisarem dos olhos intactos para se guiarem no "outro mundo".

RIO VERMELHO E A TRILOGIA DE HOWARD HAWKS


Wayne já havia feito um clássico ao estilo western para Howard Hawks (1899-1977), Rio Vermelho (Red River), em 1948, quando o Duke já estava solidado como astro de primeira grandeza. Como viria a ser com Ethan Edwards em Rastros de ódio, 8 anos depois, Wayne aqui atua como um homem igualmente cruel e amargo depois da morte da mulher que tanto amou (também pelos índios comanches).Depois dessa tragédia, Thomas Dunson (Wayne) e seu parceiro Groot (Walter Brennan, 1894-1974) adotaram um jovem órfão chamado Matthew Garth (Montgomery Clift, 1920-1966), também vítima dos índios. Juntos, e com apenas um par de cabeças de gado eles entraram no Texas atravessando o Rio Vermelho. Nesse local, Dunson declara que toda a terra que vê ali é sua. Mais tarde, dois mexicanos aparecem e alegam que a terra é de seu chefe. Dunson não quer saber disso, mata um dos homens e manda o outro voltar e contar ao tal chefe que ele era o novo dono. Ele chama sua propriedade de Red River D, marca de suas duas primeiras cabeças de gado.



Depois de quatorze anos e mais sete mortos que tentaram lhe tirar a terra, Dunson se torna um grande rancheiro (John Wayne, com uma maquiagem que o torna bem envelhecido). Com a ajuda de Matt e seu parceiro Groot, sua propriedade cresce, mas ele começa a ter prejuízos quando termina a Guerra Civil Americana. Com o preço do gado em baixa no Texas, Dunson decide levar uma grande manada até 1.000 kms ao norte, no Missouri, onde os preços são melhores em função de uma construção de ferrovia que precisa de alimentos para os trabalhadores. Ele contrata alguns homens extras e inicia a perigosa jornada. Durante o caminho, ele enfrentará estouro da boiada e ataque dos índios.



O tirânico líder Dunson começa a descontentar seus homens, especialmente Matt, que resolve tomar o controle da manada e levá-la junto com os demais homens para Abilene, Kansas, deixando seu pai adotivo para trás. Ele ainda salva uma mulher e outros viajantes de mais um ataque índio. A mulher é Tess Millay (Joanne Dru, 1923-1966), por quem Matt se apaixona, mas, assim como fez Dunson com sua amada no passado, ele a deixa para trás para conseguir levar o gado antes que fique cercado pelas águas da chuva.


Apesar desses contratempos e da fúria de Dunson, Matt chega ao seu objetivo e consegue da Ferrovia um excelente preço pelo gado, sendo também o primeiro homem a cruzar a trilha Chisholm. Mas Dunson não está satisfeito e chega à cidade junto com outros homens com o intuito de matar Matt. O jovem Matt e o velho e durão Dunson acabam saindo aos socos, no entanto, tudo se acaba por resolver e o afecto de ambos supera o desmando. Dunson trespassa a propriedade do rancho para Matt, que acabará por casar com Millay.

Red River foi filmado em 1946 mas lançado apenas em 1948, porque conta-se que Howard Hughes ameaçou mover uma ação contra Hawks e a United Artists, acusando o filme de se parecer com O Proscrito, e a fita marcou a estréia no cinema de Montgomery Clift, que nunca mais faria um Western.


Com Wayne, o Cineasta Falcão ainda realizou uma importante trilogia de western: Onde Começa o Inferno (Rio Bravo, 1959), El Dorado (Idem. 1967), e Rio Lobo (Rio Lobo, 1970), sendo que o primeiro é considerado por muitos críticos como o melhor western de todos os tempos.

O HOMEM QUE MATOU O FACÍNORA: ÚLTIMO WESTERN DE WAYNE COM JOHN FORD.

Um dos maiores clássicos do Western que registrou o último filme da parceria Wayne/Ford, onde o diretor reuniu seu compadre a James Stewart (1908-1997), outro ícone do cinema e bem identificado também com os Westerns, além da intensa presença de Lee Marvin (1924-1987) como um dos mais desprezíveis vilões do gênero.



A história começa quando as pessoas estão preparando um funeral. Um senador dos Estados Unidos da América e sua esposa estão de volta à pequena cidade de Shinbone, num território do Oeste não identificado (provavelmente o Colorado, com menções ao Rio Picketwire). O senador começa contar a um jornalista a razão de estar ali para o enterro. Na medida em que os fatos são relatados, aparecem as cenas em flashback.



O senador é Ransom Stoddard (Stewart), na sua juventude um advogado que acreditava na lei e na ordem, mas que se recusava a carregar um revólver. Ele era amigo de Tom Doniphon (Wayne), um pistoleiro que via nas armas a melhor forma de fazer justiça.

Doniphon e Stoddard mantiveram um tenso relacionamento, pois ambos se interessavam por Hallie (Vera Miles). Hallie acabou preferindo Stoddard, para desilusão de Doniphon.



Quando o fora-da-lei Liberty Valance retornou faminto à cidade, causou desordem nos saloons e restaurantes. Valance temia apenas um homem: Tom Doniphon. O bandido roubara e espancara Stoddard quando este chegara à cidade, obrigando-o a trabalhar no restaurante para pagar pela comida e estadia. Quando viu Stoddard, Valance o provocou, mas Tom intercedeu.



Valance continuou a aterrorizar a cidade. Stoddard decidiu fazer alguma coisa e acabou desafiando Valance para um duelo. Completamente desajeitado com uma arma, Stoddard era, porém, presa fácil para o bandoleiro.



Depois que deixou o bar para duelar com Ransom Stoddard, curiosamente Liberty Valance vencera uma rodada de pôquer com um par de "ases" e um par de "oitos". Esta é a famosa Dead man's hand (mão do homem morto), chamada assim porque eram essas cartas que estavam na mão de Wild Bill Hickok quando ele foi assassinado por Jack McCall em Deadwood, Dakota do Sul, em 2 de agosto de 1876.

Mas, quando chegou o duelo, coisas misteriosas e surpreendentes aconteceram. Ao final da narrativa para o jornalista Maxwell Scott (Carleton Young, 1905-1994), Stoddard revelou quem realmente matara Valance, e perguntou: “Vai usar essa história, Mr. Scott?”. A resposta foi a famosa frase: "This is the West, sir. When the legend becomes fact, print the legend". (“Este é o Oeste, senhor. Quando a lenda antecede os fatos, publique-se a lenda”).


JOHN WAYNE, O DIRETOR


John Wayne também incursionou na direção e dirigiu os filmes "O Alamo" e "Os Boinas verdes".



O Alamo (The Alamo), de 1960. foi um antigo projeto seu, patriótico, que contava a luta entre americanos e mexicanos pela posse do do Texas, em 1836. Um sonho de muitos anos devido a seu extremo interesse pelo episódio. Isso se refletiu numa quase que absoluta idealização, transformando-o numa ode a lealdade e fidelidade ao sonho de liberdade, com pouco respeito pela fidelidade histórica. 




Mas Wayne aprendeu alguma coisa observando os mestres e amigos Ford e Hawks e o filme funciona bem como aventura de guerra, com bom ritmo, sequencias de ação empolgantes e elenco eficiente (com toques de humor vindos dos coadjuvantes, exatamente como Ford fazia e usando alguns dos mesmos atores freqüentemente usados por ele). Durante um dia de filmagem, John Ford apareceu sem avisar no set, e resolveu "dar uma mão" à Wayne na direção, deixando este sem jeito (a amizade entre Ford e Wayne é muito discutida, já que este nutria profundo respeito pelo veterano cineasta). A produção teve uma série de incidentes, inclusive o assassinato de uma atriz pelo namorado ciumento pouco antes de encerrada as filmagens.





Além disso, apesar de suas conhecidas posições direitistas, Wayne fugiu de patriotadas e, a maneira de Ford, se concentrou mais nos aspectos humanos da situação e nas relações entre os personagens, inclusive evitando mostrar como vilões os mexicanos (até criando um inverídico momento onde o líder deles ordena uma trégua para que as mulheres e crianças saiam do local). O filme teve uma campanha publicitária para o Oscar desastrosa (que sugeria que assisti- lo ou não era uma questão de patriotismo) e foi um tremendo fracasso, uma grande decepção para Wayne (custou doze milhões de dólares e rendeu menos de oito).


O Segundo, Os Boinas Verdes (The Green Berets)de 1968, lhe causou grandes problemas. Tinha um roteiro pró-Guerra do Vietnã, o que causou a fúria dos opositores a essa intervenção militar norte-americana, que realizaram vários protestos contra a exibição do filme.

BRAVURA INDÔMITA – O ORIGINAL- E O OSCAR


JOHN WAYNE foi recordista em atuações cinematográficas, mais de 250 filmes (há quem diga que o ator brasileiro Wilson Grey o superou). Também foi dirigido por outros grandes diretores além dos já mencionados: William Wellman, Mark Rydell, John Farrow. Havendo, também, trabalhado ao lado de vários astros de sua época: Henry Fonda, Katharine Hepburn, Susan Hayward, James Stewart, Maureen O´Hara, Sophia Loren, Elsa Martinelli, Dean Martin, Kirk Douglas, Montgomery Clift, Robert Ryan, William Holden, Marlene Dietrich, Rock Hudson, Jeffrey Hunter, Natalie Wood, Lana Turner, Robert Mitchum, Lee Marvin, Richard Widmark, dentre outros, em seus 50 anos de cinema. 




A Academia jamais se lembrou de John Wayne antes para premia-lo com o Oscar  - apesar de seus bons desempenhos, como em Rastros de ódio - e acabou lhe dando por Bravura Indômita (True Grit, 1969), um faroeste outonal, em que o ator aparece como uma ruína de si mesmo, velho e gordo, mas com muita garra e seu habitual carisma.



Nesta época, os westerns americanos vinham sofrendo influencias dos westerns europeus, como os dirigidos por Sergio Leone em sua trilogia  (Um Punhado de Dólares, Por uns dólares a mais, Três Homens em Conflito). Wayne não gostava destas tendências de mudanças, mas seus westerns tradicionais ainda continuava sendo bilheteria. Com o sucesso estrondoso de Meu ódio será sua Herança (The Wild Bunch), em 1969, de Sam Peckimpah, os produtores acharam que era o momento oportuno para o veterano ator de 62 anos voltar ao seu habitat e experimentar o novo estilo. Wayne concordou, mas com uma condição: teria que ser a sua maneira.




O resultado foi Bravura Indômita (True Grit), dirigido por Henry Hathaway (1898-1985).Não era propriamente um western desmistificador e nem muito violento, mas certamente, era diferente dos filmes que o velho Duke vinha fazendo por quase 40 anos. Seja como for, Wayne ficou perfeito no papel do delegado gordo, bêbado e falastrão, usando um tapa-olho, tão perfeito que acabou ganhando o Oscar de melhor ator do ano (que mereceria muito mais por Rastros de ódio, 1956 caso fosse indicado). 


Wayne voltaria interpretar o personagem que lhe rendeu o prêmio de melhor ator pela Academia em 1970, seis anos depois, em Justiceiro Implacável (Rooster Cogburn), atuando com a Diva Katharine Hepburn (1908-2003)

VIDA PESSOAL: O MITO- E O HOMEM

Na vida pessoal , Wayne também tinha suas preferências. Com acentuada atração por mulheres latinas, John Wayne foi casado com duas mexicanas: Josephine Saenz (33/44) de quem teve os filhos Melinda, Michael (que se tornou produtor) e Patrick (ator) e Esperanza Bauer (46/53). Em 1954 casou-se com a peruana Pilar Palette, que lhe deu os filhos Aissa, Marisa e Ethan (nome de seu personagem em Rastros de ódio), e terminou em divórcio em 1973.











Mas o maior inimigo que teve em vida não foi no cinema, e sim, na vida real, e começou a caçá-lo em 1964. Era o Câncer, por ele chamado de Big C. Em 1964, Wayne foi obrigado a tirar um pulmão. Mesmo recuperado, voltou aos filmes e as cenas de ação. Isto pode ser notado em seu primeiro filme depois desta cirurgia, Os Filhos de Katie Elder (The sons of Katie Elder), em 1965, onde o veterano astro dispensou dublês nas cenas de lutas e arriscou um mergulho nas águas geladas de um rio na locação onde a produção foi realizada.


Com a chegada dos anos de 1970, o BIG C voltava a caça-lo, e desta vez parecia iminente uma guerra terrível entre eles, mas mesmo assim, nunca pensou em se aposentar: "A única coisa que sei fazer é trabalhar. A aposentadoria vai me matar", dizia ele, que lutou bravamente contra o câncer que se abateu sobre ele e sempre afirmava quando perguntado sobre seu estado de saúde: "Liquidei-o. Comigo não há câncer que aguente. Para o inferno com o Big C!". No final de sua carreira, já velho e cansado, Wayne deu uma entrevista para a revista de cinema Variety e afirmou: "É possível que não se interessem mais pelos serviços deste cavalo velho e o larguem no pasto, mas trabalharei até isso acontecer" Também brincou com o fato de algumas revistas afirmarem que estava ficando sem cabelos: "Não tenho vergonha da minha careca, mas não vejo por que obrigar as pessoas a vê-la".


JOHN WAYNE trabalhou para todos os estúdios de Hollywood e, apesar de não poder ser considerado um ator da estirpe de Laurence Olivier, com a técnica sofisticada de Marlon Brando, não podemos negar que ele possuía uma garra de interpretação fora do comum, uma personalidade marcante, uma presença envolvente na tela, e uma simpatia que o popularizou no mundo inteiro. É claro que esse alcance é limitado, mas dentro desses limites, ele expressou com muita habilidade, conseguindo excelentes efeitos.



Há uma grande confusão, por parte de muitos críticos, entre as interpretações de Wayne no Cinema, como um grande individualista, bem como as posições políticas e reacionárias do homem, como republicano de direita, onde realmente ele se opunha a qualquer atitude mais liberal.



Em 1976, Wayne daria ao mundo sua maior performance num duelo de vida e morte, onde se despediu das telas e realizou sua derradeira fita, O Último Pistoleiro (The Shootist), dirigido por Don Siegel (1912-1991), com Lauren Bacall e Ron Howard (que se tornaria um grande cineasta como bem o conhecemos), no papel de um velho caubói morrendo de câncer mas ainda lutando para sobreviver. O roteiro, que tinha muito a ver com a própria vida do astro trazia a história de um velho e lendário pistoleiro que sofria de câncer e procurava um local onde pudesse morrer em paz. Mas não conseguia escapar de sua reputação. Este foi o último filme da vida e fascinante carreira de John Wayne.


              TÚMULO DE JOHN WAYNE - CORONA DEL MAR- CALIFÓRNIA

Num último ato, o Velho Guerreiro Cowboy ainda pretendia derrotar o BIG C, mesmo que isso implicasse no sacrifício de sua própria vida: se ofereceu como cobaia para qualquer tipo de pesquisa no centro Médico da Universidade de Los Angeles. O mundo, estupefato, acolheu com lágrimas esta última declaração pública do ator.


Em 11 de junho de 1979, a doença conseguiu o que os bandido dos seus filmes sempre haviam tentado sem êxito - derrubá-lo do cavalo. O homem que melhor se identificou com os heróis do Oeste Americano morreu vítima de câncer nos pulmões, mas que naquele momento, mesmo perdendo a última batalha, entrava para sempre para a imortalidade. E Sempre será eterno nos corações de seus fãs, e nas reprises de seus filmes.
SALVE JOHN WAYNE!!!


Produção e pesquisa de Paulo Telles


Artigo dedicado in memorian  de:
Néry Telles Pereira (1904-1995)
Célia Clara Monteiro (+ 1999)


Produção e Pesquisa de PAULO TELLES.

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