sexta-feira, 18 de maio de 2012

O Dia em que a Terra Parou – O Original: A Obra Utópica de Robert Wise.


Robert Wise (1914-2005) era um cineasta promissor desde que ficou conhecido como o montador de Cidadão Kane, de Orson Welles, iniciando sua carreira na direção em 1944, mas foi em 1949, com Punhos de Campeão (The Set-Up), considerado o melhor filme sobre a máfia do boxe na história do cinema, e estrelado por Robert Ryan, que Wise conseguiu sua consagração inicial. 


Como sabemos, em seu currículo há obras primorosas de admiração pública, como A Noviça Rebelde (The Sound of Music), Amor sublime Amor (West Side Story),  O Enigma de Andrômeda (The Andromeda  Strain), e Jornada nas Estrelas, o filme (Star Trek – The Motion Picture). Portanto, a obra em tópico aqui apresentada não é menos primorosa, pelo contrário, pois de maneira inteligente e em forma de utopia, aborda a questão nuclear de forma muito séria e competente: O DIA EM QUE A TERRA PAROU (The Day The Earth Stood Still).


Sem sombra de dúvidas, a década de 1950 foi a mais fértil para a ficção científica. Monstros atômicos e invasões interplanetárias refletiam nas telas a paranoia do governo norte-americano com sua fobia de comunismo e sua corrida nuclear armamentista. Mas mesmo assim, em meio a todo este transloucado Marcartismo doente, Wise lança em 1951 esta que é considerada a obra mais importante da Ficção Científica, estampando a defasagem entre as aspirações pacifistas da opinião pública, os riscos do militarismo americano, os riscos na era nuclear, a necessidade do desarmamento atômico, e a atmosfera do medo que assolava então os EUA.


Um emissário do espaço chega à Terra num disco voador e aterrissa em Washington. Klaatu (Michael Rennie, 1909-1971), o alienígena recém chegado, vem com o objetivo de prevenir os habitantes de nosso planeta a pararem de usar armas nucleares, pois isso pode afetar todo o universo. Se os líderes políticos e militares insistirem nisso, as consequências poderão ser as piores possíveis, culminando com a destruição total do nosso planeta.




Auxiliado por Gort, um implacável robô policial programado para desintegrar toda fonte de violência, Klatu tenta dar seu recado de forma pacífica, mas é alvejado por um tiro e pela histeria coletiva. Levado para um hospital, ele foge e mistura-se a classe média, sendo ajudado por uma viúva de guerra, Helen Benson (Patricia Neal, 1926-2010) e um professor, o físico Jacob Barnhardt (Sam Jaffe, 1891-1984).



A única forma que ele encontra de impressionar o povo da Terra é através de um efeito choque, pois durante meia hora, ele neutraliza a eletricidade no mundo todo. Depois disso, Klaatu é descoberto, perseguido, e morto, mas o robô Gort consegue ressucita-lo a fim de que possa, finalmente, anunciar a mensagem antibelicista (em verdade a mensagem que o filme de Wise expressa) para os Povos da Terra.




Muito respeitado pelos críticos, O Dia em que a Terra Parou foi não somente um marco na Ficção Científica, como também na Sétima Arte em geral. Além disso, foi a primeira vez que um extraterrestre não era apresentado como uma ameaça à vida na Terra, mas sim como um conselheiro pacifista. A fotografia de Leo Tover (1902-1964) procura realçar os contrastes de luz e sombra, como nos filmes do Expressionismo Alemão. Outro ponto alto são os diálogos, com frases brilhantes de Klaatu:

Minha missão não é resolver seus mesquinhos problemas de política internacional. Não falarei com nenhuma nação ou grupo de nações. Não pretendo trazer minha contribuição aos seus ciúmes ou suspeitas infantis”.

Ou, ainda, ao responder ao secretário- geral americano, quando este lhe diz que todos os líderes do mundo não se sentariam a mesma mesa:

A Burrice me deixa impaciente. Meu povo aprendeu a viver sem ela”.



O Dia em que a Terra Parou é um clássico que vem a provar que a ficção científica tem muito mais coisas a dizer e a mostrar do que batalhas galácticas ou monstros devastadores.  O filme retrata, sem subterfúgios, o conflito entre a ciência e o militarismo, e como uma fábula política, é um dos exercícios mais fascinantes já realizados no gênero, com o impactante comentário musical de Bernard Herrmann (1911-1975), o compositor preferido do Mestre do Suspense Alfred Hitchcock.



As palavras finais de Klaatu, no seu ultimato dos humanos, são bem mais significativas e devastadoras do que qualquer arma laser de algum herói intergaláctico. Um clássico que há exatos 61 anos vem demonstrando ao mundo sua durabilidade, o que torna ainda ser bem atual devido a muitos confrontos políticos e sociais que ainda vivemos. A refilmagem, de 2008, dirigido por Scott Derrickson e estrelado, por Keanu Reeves, além de ter sido um fracasso de bilheteria, foi imperdoável para os fãs do cinema antigo e seus apreciadores. Ainda bem que Robert Wise não viveu para tomar conhecimento, pois falecera três anos antes.

FICHA TÉCNICA
O Dia em que a Terra Parou - (The Day the Earth Stood Still)
Ano: 1951. Direção: Robert Wise.

Elenco:
·         Michael Rennie …. Klaatu/Carpenter
·         Patricia Neal …. Helen Benson
·         Hugh Marlowe …. Tom Stevens
·         Sam Jaffe …. Prof. Jacob Barnhardt
·         Billy Gray …. Bobby Benson
·         Frances Bavier …. Sra. Barley
·         Lock Martin …. Gort
·         H.V. Kaltenborn …. H.V. Kaltenborn
·         Elmer Davis …. Elmer Davis
·         Drew Pearson …. Drew Pearson
·         Gabriel Heatter …. Gabriel Heatter
·         
·         Título no Brasil: O Dia em que a Terra Parou
·         Título Original: The Day the Earth Stood Still
·         País de Origem: EUA
·         Gênero: Ficção
·         Tempo de Duração: 92 minutos
·         Ano de Lançamento: 1951

·         Direção: Robert Wise

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