quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Burt Lancaster e suas Três Performances Atléticas no Cinema de Aventura.


Não é novidade dizer que o notável Burt Lancaster (1913-1994) além de um ator inigualável a altura de seu próprio talento, também em seus bons tempos foi um notável atleta, e não foi à toa que em seus primeiros papéis veio a desempenhar heróis de porte viril, mais notadamente quando desempenhou o atleta campeão olímpico Jim Thorpe em O Homem de Bronze (Jim Thorpe – All American), de Michael Curtiz, em 1952.




Burt viveu sua infância no Spanish Harlem, um bairro pobre da cidade de Nova York e os seus pais eram descendentes de protestantes Irlandeses. Seus dotes atléticos certamente vieram na juventude, quando foi craque no basquete e tinha um físico musculoso e 1m88 de altura.  Mais tarde, como é sabido por muitos, começou no picadeiro como acrobata e durante dez anos se apresentou em feiras, circos e em shows de variedades com o Ringling Brothers.




Estreou no cinema em 1946, trabalhando com o diretor Robert Siodmak (1900-1973), com quem faria ao todo três filmes. Atuando em filmes de ação, thrillers e westerns, e movendo-se gradualmente para papéis mais exigentes e sérios, sendo introduzido brilhantemente para o cinema europeu, à medida que ia ganhando prestígio. Participou em dezenas de filmes dos anos 1940 aos anos 1980 e seu talento foi reconhecido quando ganhou o Oscar de melhor ator em 1960 pela interpretação de um caixeiro-viajante e ex-estudante de Teologia no filme Entre Deus e o Pecado. Nesse mesmo ano, trabalhou com John Huston em O Passado não Perdoa.


Mas como o assunto são as três performances atléticas mais notáveis de Burt Lancaster no cinema, quero dizer que nestas três películas o nobre astro não precisou de dublês para as cenas de acrobacias e nas lutas, muito embora não demostrou ser um bom espadachim em O Gavião e a Flecha. Em todas as três atuações, Lancaster demonstra sagacidade, virilidade, e ousadias combinadas, seguidas de um sorriso mercenário e convidativo para as mulheres. O físico privilegiado seguido de muita malhação (onde o termo sequer existia em seu tempo), combinando com seu talento nato de ator, revelaram neste grandioso ator seu merecido reconhecimento e respeito artístico.
Vamos lá


     O GAVIÃO E A FLECHA (1950)
The Flame and the Arrow- Dir: Jacques Tourneur

Dardo (Burt Lancaster) lidera os camponeses na luta para encontrar o filho raptado pelos invasores do rei Frederico. Dono de uma flecha certeira, Dardo faz de tudo para vencer seu principal inimigo, o Conde Ulrich (Frank Allenby, 1898- 1953), chamado de Gavião e responsável pelo rapto de seu filho. Entre uma batalha e outra, Dardo também anseia conquistar a linda donzela Anne (Virginia Mayo, 1920-2005), que está aprisionada no castelo do inescrupuloso Conde.




Com seu humor inigualável e acrobacias malucas, Dardo e sua trupe deixam o inimigo completamente enlouquecido. Neste ambiente heróico, repleto de grandes batalhas, cenários gigantescos e palácios colossais, Dardo revive as aventuras de capa-e-espada de um modo mais irreverente.



Destaque para o ator e também acrobata Nick Cravat (1912-1994) amigo de longa data de Lancaster, amizade esta conservada até a morte de ambos, em 1994, e juntos vieram do picadeiro. Cravat media apenas 1m63 de altura, mas era forte como um touro, e quando perdia do sério, levava muitos homens para segura-lo. Burt convidou o amigo a desempenhar Piccolo, o amigo mudo de Dardo.


Dirigido por Jacques Tourneur (1904-1977), notável cineasta de "Sangue de Pantera" e "Farsa Trágica”. 



O PIRATA SANGRENTO (1952)
 The Crimson Pirate- Dir: Robert Siodmak

Mais um exemplar de capa & espada, desta vez em ritmo contagiante e humorístico, considerado um dos mais sensacionais espetáculos do gênero que Hollywood produziu. Com ele, o diretor Robert Siodmak (1900-1973) explorou o filão aberto por O Gavião e a Flecha  em 1950, além de repetir a dupla Burt Lancaster & Nick Cravat numa aventura de pirataria acrobática e tom de comédia pastelão. 




Cravat novamente desempenha um parceiro mudo, chamado Ojo. Isto porque Nick tinha um sotaque fortemente carregado do Brooklyn, e para não abalar uma trama de época, resolveram novamente “calar a boca” de Cravat.


Lancaster é Vallo, um pirata audaz que, auxiliado por um acrobata surdo-mudo (Cravat) desafia as forças de um tirânico agente do Rei de Espanha, o Barão Gruda (Lesley Bradley, 1907-1974), apoiando assim o revolucionário Sebastian (Frederick Leister 1885–1970) e sua filha Consuelo (Eva Bartok, 1927- 1998), numa ilha do Caribe, em 1750. O próprio Lancaster, com sua arte circense, concebeu e encenou muitas das cenas atléticas de perseguição e combate em galeras, verdadeiramente antológicas, nesta produção rodada em locação na Itália. Uma obra prima do gênero.

SUA MAJESTADE O AVENTUREIRO (1953)
His Majesty O’ Keefe – Dir: Byron Haskin

O capitão David O'Keefe (Lancaster) parte em busca de uma fortuna no século 19 em terras do Pacífico Sul. Decide alistar nativos da ilha para a missão, mas enfrenta vários problemas culturais. A aventura foi rodada boa parte em locações no sul do Pacífico. Outra parte na Austrália, e contou com atores locais no elenco.



Nas cenas, o aventureiro tenta seduzir a população com presentes. A história mostra a ação de um colonialista simpático, que conta com o auxílio de um dentista chinês para conseguir que os nativos trabalhem barato para extrair óleo de copra. Mais um exemplar de cinema aventura protagonizada por Lancaster, que não só demonstra ser um verdadeiro artista, como também demonstra ser um autêntico galante herói das telas, aos moldes de Douglas Fairbanks.  Destaque para a luta entre Lancaster e Charles Horvath (1920–1978), que interpreta o lendário e real pirata dos 7 mares  Bully Hayes. Dirigido por Byron Haskin (1899-1984)


Todos estes três exemplares são, sem dúvida, protagonizadas por Burt Lancaster em boa forma física e artística, caracterizando uma de suas fases mais marcantes nas telas.


22 comentários:

  1. Paulo Adorei o artigo,não conhecia Burt Lancaster mais passei a conhece-lo em seu artigo e estou curiosissima pelos filmes que vc postou.. o problema é acha-los kkkk
    Grande Abraço

    Priscila

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    1. Olá Priscila, vc foi bem rápida no gatilho, hein??? rs! Pelo que sei, O GAVIÃO E A FLECHA e O PIRATA SANGRENTO já foram lançados em DVD. SUA MAJESTADE, O AVENTUREIRO, ainda não estou certo.

      Abraços minha amiga!

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  2. Oi Paulo querido, que maravilha de matéria. Mostra todo valor deste nosso grande astro. Só falta para mim ver o filme "SUA MAJESTADE O AVENTUREIRO (1953)", que como os outros deve ser muito bom.
    O GAVIÃO E A FLECHA e O PIRATA SANGRENTO eu baixei faz tempão, mas tb já tinha visto quando criança. Burt é ótimo e super divertido.
    Vamos torcer para lançarem o outro que falta em DVD.
    Beijinhusssssssssssssscinéfilos*

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    1. SUA MAJESTADE O AVENTUREIRO já passa de um outro estilo, diferente de qualquer "Capa e Espada", trata-se mais de uma aventura de aventureiros do mar e nativos de ilhas, mas igualmente delicioso de se assistir como os demais. Beijos minha amiga, muito bom vc estar aqui.

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  3. Menino Nery:

    De tudo o que já foi dito e que já li sobre este dragão da sétima arte (Lancaster), acho que muito pouco mais se tem a acrescentar.
    No entanto, catando aqui e ali, terminamos sempre por localizar mais uma ou duas coisinhas para acrescedntar a tudo que já foi falado em todas estas mais de seté décadas.

    A respeito do Cravat, passei a saber de algo que desconhecia: sempre achei, e soube, que ele era, de fato, mudo. E agora tenho esta novidade, que vou acrescentar aos meus modestos conhecimentos dentro desta inigualável arte..

    O primeiro filme que vi do bom Lancaster foi o eletrizante O Pirata Sangrento/52,,mesmo antes de O Gavião e a Flecha/50, que foi feito antes deste.
    Veio então Assasinos, acho que de 46, e com a lindissima Ava Gardner, no pico de sua mocidade e exuberancia.

    Seguiu-se Sua Majestade, Vera Cruz, e mais um rosário de belezas onde o homem e ator sensacional desfilou a essencia de seu talento, nos inebriando com cada atuação.

    Vou por um encarramento por aqui, mas sem jamais deixar de expor meu preferencial filme do ator, que foi Entre Deus e o Pecado/60, onde o Elmer Gantry de R Brooks oferta ao maravilhoso ator a oportunidade de interperetar um dos mais delirantes papéis de sua vida, coisa que ele faz com sua habitual maestria e onde arrebata um Oscar por tal trabalho.Sensacional o Lancaster nesta fita!

    Um Elmer Gantry ladino, mentiroso, interesseiro, beberrão, mulherengo, enfim, um cara que nada valia, mas que sua lábia fenomenal e inigualável, lhe abre portas que ele tenta aproveitar da melhor forma que sua perversão lhe mostra.

    Uma beleza de um papel quase que inigualável em toda a historia do cinema. Parabens a este monstro por nos presentear com uma performance deste quilate.Nunca vimos nada que se parecesse com seu trabalho nesta fita!

    A Um Passo da Eternidade? Perfeito, muito bom, um filme magnificamente bem feito, com locações qualificadas, com um elenco de estrelas, um diretor marcante e uma historia empolgante e real.

    Mas vai ficar um pouco atrás de Entre Deus e o Pecado no conceito deste comentarista e fã ardoroso deste homem da setima arte.
    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Nobre Menino Ju.

      Poucos sabem que Nick Cravat realmente não era mudo, e já que tocou nele, sou obrigado a colocar um adendo que não foi acrescentado na postagem. Cravat infelizmente não sabia atuar, e tinha uma voz horrível com sotaque bravamente carregado, mas ele comprovou ser bom em mímica, que poder ser bem visto em O GAVIÃO E A FLECHA e O PIRATA SANGRENTO.

      Ele ainda tentou atuar em muitos outros filmes, mas sempre foi colocado em último plano, quase como que um figurante. O que é sabido, é a amizade íntegra entre ele e Lancaster, que parecia ter um pouco mais de cultura do que Nick.

      Breve vou postar ENTRE DEUS E O PECADO, pois é um filme ainda atual, principalmente hoje que vemos tantos líderes religiosos se beneficiando com a ingenuidade das pessoas que é merecido tópico a ser analisado.

      Um forte abraço do editor

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  4. Paulo, que bom ver seu espaço novamente em atividade. Estávamos preocupados, mas sabíamos que quem, como você, conhece e ama o cinema tão bem, era uma questão apenas de esperar a hora do retorno. Agradecemos e torcemos para que 2013 seja um grande ano para você e para este espaço.
    Excelente matéria sobre Lancaster, um dos grandes do cinema mundial em todos os tempos.

    Abraço e Boas Festas!

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    1. Vinicius Lemarc, é uma honra sua visita ao meu espaço mais uma vez, e sinceramente, conto com o ano vindouro cheio de postagens neste blog, e outras novidades. Mas o mais importante sempre é a saúde, que deve vir em primeiro lugar. Mas que 2013 seja um ano repleto de alegrias para todos nós neste círculo de alegrias e entretenimento.

      Um ótimo natal e um ano novo repleto de realizações para vc tb, Lemarc. Saúde e paz!

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  5. Nobre amigo,inicialmente eu pensava e tinha a intenção de fazer apenas um curto comentário. Todavia, com a devida vênia, extrapolei, esperando, é claro, ilustrar o seu excelente trabalho.
    Na minha concepção Burt Lancaster é um dos mais completos atores de todos os tempos, quiçá o mais completo. Digo mais completo, porque ele era capaz de fazer qualquer tipo de papel. O que não ocorreu com outros grande atores, tais como: Spencer Tracy, James Cagney, Marlon Brando, James Stewart, Henry Fonda, Gary Cooper e outros. Burt só não participou de filmes musicais. Talvez os atores citados poderiam até estrelar os três filmes em questão,mas todos teriam que fazer uso de dublês, algo que não aconteceu com o grande Burt, que pouco ou quase nunca precisou do chamado stunt. Para se ter uma ideia o quão bom era o Burt Lancaster, que já com 53 anos de idade não precisou de stunt no excelente western Os Profissionais. Numa das cenas mais perigosas deste western, ele teve que escalar uma montanha, subindo por uma acorda, ele fez questão de não usar dublê, contrariando o grande diretor Richard Brooks, que queria que ele usasse dublê, pois era uma cena muito perigosa. O mesmo podemos dizer do filme Dilema de Uma Vida. Burt não nadava muito bem, todavia ele teve aulas de natação e pode estrelar o filme citado sem o uso de dublês...
    No Cineclube dos Amigos do Western, às vezes, tenho algumas discussões acirradas com alguns amigos a respeito da forma de interpretar dos atores. Alguns preferem a interpretação minimalista à forma dinâmica de interpretação, a qual eu prefiro. A própria palavra cinema vem do grego kinema – movimento, por isso mesmo cinema é antes de tudo movimento. Afirmo mais: o aparelho Cinematógrafo inventado em 1895, pelos irmãos Lumiere , é um instrumento capaz de reproduzir numa tela o MOVIMENTO, por meio de uma sequencia de fotografias. E movimento era com o grande Burt Lancaster, algo que não acontecia, com atores cuja interpretação era minimalista, como Gary Cooper, Henry Fonda, etc., etc. Por exemplo, no grande Western Vera Cruz, o Gary Cooper não poderia fazer o papel do Joe Erin, interpretado por Burt Lancaster, ao passo que Burt Lancaster poderia fazer o papel de Benjamin Trane, interpretado por Gary Cooper. Em suma quem rouba o filme é Burt Lancaster, apesar da presença do grande Gary Cooper.

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    1. Nobre Edivaldo, é um imenso prazer (e não importa o tamanho do comentário) que insira demais acréscimos além do que esbocei, mesmo porque considero um profundo conhecedor da antiga Sétima Arte.

      Falemos de Burt...

      Sem sombra de dúvidas, foi um dos mais notáveis atores do cinema, um ator a frente de seu próprio tempo. Uma consideração bem pertinente porque foi um ator que se alongou por quase seis décadas. Admirado por muitos cineastas e respeitado por seus colegas, para se ter uma idéia ele nunca fez uma aula de interpretação em toda sua vida. Sua “escola de arte dramática” foi o circo. Nós vimos Lancaster atleta, aventureiro, cowboy, militar, sério, triste, deprimido, viril, impotente...isto é, um artista que fazia tudo de tudo nas telas, não importasse seu papel.

      A interpretação dinâmica não era algo comum na época áurea de Burt, e acho uma pena que todos os demais astros que gostamos muito, não pudessem ter esta modalidade de atuar. Se me perguntassem quais os quatro atores mais talentosos na arte de interpretar que eram realmente soberbos, diria que foram Burt, Spencer Tracy, Robert Ryan, e Van Heflin. Falando de Tracy, lembro bem da atuação dos dois em JULGAMENTO DE NUREMBERG, onde deram um show de interpretação e talento, e onde Burt teve que envelhecer.

      Sobre o Western de Aldrich, VERA CRUZ teve uma produção tumultuada. Burt apesar de excelente artista, era na realidade um tanto individualista e arrogante, e não poucas vezes já teve atritos com seus colegas de profissão. Para um democrata que sempre dizia acreditar nos ideais humanos, ele muitas vezes adorava humilhá-los, como foi o caso de Jack Elam, com quem se envolveu numa briga séria de socos durante as filmagens de VERA CRUZ, quando chamou Elam de “homemzinho engraçado e esquisito”, e isto perante os filhos dele que o visitavam no set de filmagem. Imagine o quão duro foi separa-los e Lancaster teve um hematoma no rosto, que precisou de um recurso de maquiagem especial para poder disfarçar.

      Burt ser o vilão deste filme também pareceu ser pretensão dele, pois sabia muito bem que a vilania poderia atrair muitos olhos em sua direção. Lancaster inovou uma espécie de vilania através de seu Joe Erin, o velhaco simpático, com sorriso penetrante (aliás, uma das marcas registradas de Burt, e ele passou por um processo de encapamento nos dentes para o papel, por sua conta), daqueles que “amamos odiar”.

      Jamais seria o mesmo se Gary Cooper resolvesse interpretar Erin e Burt como o mocinho Benjamin Trane, muito embora reconheçamos que ele convenceria muito bem como o herói deste magnífico western, mas ele optou por ser um vilão inovador porque sabia que poderia ofuscar o brilho de Gary, contudo não conseguiu roubar tanto as atenções, já que equiparado, os dois receberam as devidas atenções tanto do público quanto da crítica. Impossível não tirar o chapéu para ambos notáveis cada qual seu estilo de interpretar.

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  6. CONTINUANDO... Outra discussão acirrada foi a respeito do duel
    interpretação entre Burt Lancaster e o grande ator inglês Paul Scofield, no que diz respeito ao grande filme O Trem. Quando o meu opositor elogiava sobremaneira a interpretação do inglês. Eu em resposta disse: Concordo com tudo que disse, mas uma coisa é certa, o Burt Lancaster faria traquilamente o papel do Paul Scofield, porém o inglês não faria o papel de Burt Lancaster,digo mais: Este filme só teve o tremendo sucesso que teve graças as grandes interpretações de Paul Scofield, e principalmente do grande Burt Lancaster que dá toda dinâmica ao filme.

    As cenas atléticas de perseguição e combate em galeras, verdadeiramente antológicas citadas por você, foram dirigidas pelo próprio Burt Lancaster. Esta obra-prima foi toda filmada no Mar Mediterrâneo, tendo a participação de vários atores ingleses, entre eles em começo de carreira o grande ator Christopher Lee, que ainda está em atividade, fazendo o papel de um soldado. Salientando que esta obra-prima, bem como outros filmes de pirata, serviram de base para série Os Piratas do Caribe, que teve várias cenas chupadas.
    Para minha surpresa, uma agradável surpresa, você citou o ator-dublê Charles Horvath. Olhe que mesmo lá CAW, poucas pessoas,ou quase ninguém sabe quem foi Charles Horvath. E olhe que Charles Horvath estrelou vários westerns. A briga citada por você no filme Sua Majestade o Aventureiro é realmente excelente, e bem coreografada.
    Não sei se tem conhecimento, Charles Horvath era dublê de Burt Lancaster, que o usava em algumas cenas, pois em sua maioria era o Burt Lancaster que as fazia...No filme O Pirata Sangrento, Charles aparece de frente numa cena lutando nas galés com Burt Lancaster, porém sem ser creditado.
    Burt Lancaster foi um dos primeiro atores que se tornaram independente, fundando a sua própria produtora. No caso de Burt Lancaster, a Norma Produções, em homenagem a sua esposa.
    Concernente ao filme O Gavião é a Flecha devo realçar a excelente e marcante trilha sonora de Max Steiner. Para se ter uma ideia assisti a este filme na minha adolescência e até hoje sou capaz de assobiar e cantarolar essa trilha.
    O climax desse excelente filme de aventuras é antológico, culminando com a sequencia nas barras aéreas feitas por Burt Lancaster sem dublê - PURA MAGIA!

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    1. Considero mais divertido O PIRATA SANGRENTO, muito embora goste de O GAVIÃOE A FLECHA, e a música de Max nunca me sai da cabeça. Ambos os filmes são o ápice da fase de ouro de Burt, mas O PIRATA tem de fato cenas eletrizantes do começo ao fim, e prende o espectador.

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  7. Curiosidades sobre o excelente Burt Lancaster:
    Nunca ninguém teve um olhar tão marcante e penetrante como Burt Lancaster na obra-prima O Pirata Sangrento(John Frankeheimer); Escolhido pela Revista Empire como um das 100 mais sexi estrelas da história do cinema;Ele foi a primeira escolha de Cecil B. DeMille para estrelar o filme Sansão e Dalila;Conhecido por suas simpatias políticas liberais foi uma das estrelas de Cinema de Hollywood, junto com Marlon Brando, Sammy Davis Jr., Charlton Heston, Harry Belafonte, Paul Newman, Sidney Poitier, que participou da Marcha de Martin Luther King, em Washington, em agosto de 1963;Recusou o papel principal do filme Ben-Hur, segundo dizem por ser ateu. Messala seria interpretado por Charlton Heston. Segundo se sabe a oferta foi de 1 milhão de dólares;Foi eleito pela American Film Institute, entre as 50 maiores lendas da tela. Conquistou o 19º lugar; Como parecia, ele e Kirk Douglas, não eram amigos próximos. A proximidade, foi em grande parte, fabricada pela Douglas Publicidade, quando na verdade, eles eram muito competitivos, e por vezes desprezo mútuo pessoal, apesar de um respeito mutuo; Recusou o papel de Patton, por contra a guerra do Vietnã; Foi um militante ativo para campanha de George McGovern à presidência dos Estados Unidos, pó isso fez parte da lista de inimigos do Presidente Nixon. Dessa lista constavam 575 pessoas, entre eles os colegas, Gene Hackman e Paul Newman;Lancaster perdeu dois papeis que ajudaram Marlon Brando a se tornar uma Lenda. Stanley Kowalski(Um Bonde Chamado Desejo), que ele recusou e de Don Corleone, em o Poderoso Chefão. Ambos se ofereceram para o papel e fizeram teste, mas o papel acabou ficando com Marlon Brando;Luchino Visconti queria Laurence Olivier no papel do príncipe italiano, no excelente filme O Leopardo(1963), mas seu produtor rejeitou, pois este queria uma estrela de bilheteria para justificar o alto orçamento do filme. E o fez muito bem.

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    1. Sobre ele e Kirk Douglas, publiquei uma matéria aqui neste espaço há dois anos sobre o filme OS ULTIMOS DURÕES , o último que fizeram encerrando um ciclo de sete filmes em que atuaram juntos, e nem nesta última película os dois não deixavam de trocar farpas, sobretudo Burt que criticava o modo de desempenhar de Kirk. No entanto, a “amizade” dos dois não ia apenas de um golpe publicitário promovido por seus agentes, e isso rendeu de fato muito dinheiro para eles. Burt sempre tratou Kirk com desprezo e desdém.

      É sabido que Lancaster é um dos campeões de “recusa” de papéis. Ele já havia recusado o papel de Sansão no filme de DeMille, e quanto a BEN-HUR, há mesmo rumores que recusou o papel que deu o Oscar a Charlton Heston por não querer divulgar o Cristianismo, muito embora anos depois personificou Moisés num filme bíblico homônimo de 1975.


      O LEOPARDO foi, definitivamente, o reconhecimento internacional, os cineastas europeus se renderam ao talento nato deste nova-iorquino que depois o convocaram para outros trabalhos na Europa. Este reconhecimento o favoreceu muito nos anos posteriores.


      Na década de 1980, Lancaster também aderiu a televisão como muitos colegas seus de longa data, mas ainda era requisitadíssimo no cinema. Tanto que um dos seus mais belos contos de cisne foi O ROCHEDO DE GIBRALTAR, em 1988, obra para o cinema em que fazia o avô de Macaulay Culkin, na época ainda desconhecido (antes do sucesso de ESQUECERAM DE MIM). Este filme teve pouca repercussão nos cinemas por aqui, sendo lançado direto no mercado de vídeo (VHS) no Brasil, mas confesso ao nobre amigo que foi um dos mais belos trabalhos de Burt Lancaster, que se revela um verdadeiro poeta da vida neste filme igualmente belo.

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  8. COMPLETANDO...
    Sua performance como J.J. Hunsecker em a Embriaguez do Sucesso(1957), está classificado em 76º lugar, no Premiere Magazine – 100 maiores Perfomances de Todos Os Tempos;Quando o candidato republicano George Bush referiu-se à American Civil Liberties Union, como “anti-americano”, durante a eleição presidencial de 1988, Lancaster respondeu em um anuncio de televisão, em que disse:Meu nome é Burt Lancaster e eu tenho uma confissão a fazer. Eu sou membro de carteirinha da ACLU;Ele estava na lista negra no final de 1940, devido a suas crenças liberais políticas, e que o FBI mantinha um arquivo detalhado de suas atividades; Lancaster, juntamente, com Gregory Peck, James Stewart, Liza Minelli,e Orson Welles eram contra a colorização de filmes antigos por Ted Turner, em meados de 1980;Nos anos 50 John Wayne se aproximou de Burt Lancaster, sugerindo que eles estrelassem um western juntos. Lancaster riu da ideia, sugerindo que seria necessário Kirk Douglastambém no filme. Na realidade, Lancaster não iria trabalhar com Wayne, o mais proeminente defensor republicano envolvido na caça às bruxas do comunismo, do Senador McCarthy, e depois como membro fundador,e, posteriormente, presidente da Aliança Imagem de extrema direita, Movimento de Preservação de ideais americanos. Lancaster apenas concordou em co-estrelar ao lado de Gary Cooper, um republicano moderado que deu um vago testemunho a HUAC, em 1947. Depois Cooper estrelou o western anti-macarthismo Matar ou Morrer, em 1952. Apesar disso Lancaster respeitava Wayne, tanto é que, fez um minuto de silencio para Wayne, em junho de 1979, durante as filmagens de Ana e os Bandidos, depois que Wayne morreu em Los Angeles;Auto descrito como “homem Kennedy”, Lancaster jantou com o presidente John F. Kennedy, na Casa Branca. Ele atrasou a liberação de Sete Dias de Maio, quando o presidente foi assassinado e mais tarde, juntamente com companheiros ativistas Robert Ryan e Will Geer, estrelou Assassinato de Um Presidente, o primeiro filme de conspiração do assassinato de Kennedy;Ele se uniu ao grande John Huston para fazer um Passado Não Perdoa, uma resposta da esquerda a Rastros de Ódio, de John Ford; Recusou o papel de Clint Eastwood, como Harry Callahan, em Perseguidor Implacável. Cujo enredo tem algo de fascista chamado de homem da lei que vai além dos limites da lei para matar um criminoso.Contradizendo sua crença em uma responsabilidade coletiva para justiça penal e social e da proteção dos direitos individuais...

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    1. Sobre as convicções políticas de Burt Lancaster, sem dúvida foi um grande ativista, mas as vezes fico a pensar se não deixou de ser um pouco profissional ao trabalhar ao lado do Duke, mesmo se o filme fosse rendoso e desse bilheteria. Mas vejamos: Kirk Douglas e Robert Ryan que são duas figuras democratas como Burt, trabalharam com Wayne. Ryan atuou em HORIZONTES DE GLÓRIA e O MAIS LONGO DOS DIAS ao lado de Duke, e Kirk em A PRIMEIRA VITÓRIA, GIGANTES EM LUTA e A SOMBRA DE UM GIGANTE. Ambos tiveram, cada um, seu limite de paciência com Wayne, que nos intervalos de filmagem, vomitava rancores com quem pensava diferente dele.

      Talvez Burt tenha perdido a chance de fazer um filme de arrebentar nas telas com o Duke, nós imaginamos o quanto esta parceria poderia render frutos e eletrizar plateias, mas Hollywood não vive apenas de sonhos, mas também de convicções, e os seus astros e estrelas são seres humanos com qualidades e também muitos defeitos, e é bem possível que Burt se conhecesse muito bem para não aceitar uma parceria com aquele que representa o ideal americano. HOJE, os tempos são outros em Hollywood, e Wayne seria um anacronismo nos nossos dias se esta fosse sua época. Já um convicto como Burt é bem atual.

      Vc fez menção de PERSEGUIDOR IMPLACAVEL, cujo enredo segundo Burt tinha algo de fascista. Mas não esqueçamos que ele fez um western (e vc é o perito!!!) em igual tom, o MATO EM NOME DA LEI. Jared Maddox (Lancaster) era mil vezes pior que Harry Callahan. Por onde ele passava inseria medo em todos e matava sem fazer perguntas, e lembro que na última cena, ele até mata um homem pelas costas de tanto rancor.

      Acho estranho ele recusar ser Harry Callahan e achar o roteiro fascista, uma vez que o personagem que ele interpretou em MATO EM NOME DA LEI , realizado no ano anterior por Michael Winner (de DESEJO DE MATAR) é justamente chamado de homem da lei que vai além dos limites da lei para matar um criminoso. Muito estranho, amigo Eddie.

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  9. Me lembro de me impressionar com sua atuação no filme "O Homem de Alcatraz", excelente atuação. Um filme que me incomoda muito por vê-lo sofrer . Sempre tive Burt como o "mocinho" dos filmes, rs

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    1. Ele sofreria muito mais se optasse por ser BEN-HUR, rs. Mas em O HOMEM DE ALCATRAZ, de fato interpreta um personagem real e humano, e nem sempre foi o "mocinho" com o sorriso fascinante que tão bem empolgou as plateias (e sobretudo o mulheril) do mundo todo. Em BRUTALIDADE, um de seus primeiros trabalhos, ele fez um papel sofredor.

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  10. Parabéns pelo Blog. Estava pesquisando pela net sobre um nome de um filme de Burt Lancarter que eu não lembrava o nome, então vi uma foto e aqui estou, e o nome é O Pirata Sangrento. São tantos filmes bons, que alguns esquecemos os nomes, mas não esquecemos deles. Tenho uma página no Facebook para recordar bons tempos. Um abraço. Laura

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    1. Saudações Laura. Se vc quiser divulgar sua página no Face, estou certo que seria de muito interesse para nossos leitores que amam e apreciam o cinema antigo.

      O PIRATA SANGRENTO é curtição garantida!

      Um abraço do editor.

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  11. EM NOVEMBRO, uma matéria especial sobre o centenário de BURT LANCASTER, a não perder!!!!

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  12. Caro Paulo, li atentamente sua ótima matéria sobre os três filmes de aventura de Burt Lancaster. matéria que se ampliou vigorosamente, face aos também excelentes comentários feitos, além dos complementos sempre pertinentes que vc produz ao responder comentários. Realmente tudo que tenho lido por aqui é de muito bom nível e demonstra que vc tem um real conhecimento do que produz.
    Vinha lendo os comentários e já me preparava para dizer que Burt interpretou um delegado violentíssimo em MATO EM NOME DA LEI, quando deparei com suas observações, exatamente na linha do que eu pretendia dizer. Além de tudo, Burt, segundo consta, era extremamente temperamental e de difícil trato com os diretores com os quais se relacionou. Impunha sua vontade e acabava conduzindo o filme como ele queria.
    Mas não há dúvida de que Burt Lancaster foi um dos grandes atores americanos. Já assisti O TREM por incontáveis vezes e a cada vez que o vejo fico mais impressionado com o trabalho de Burt nesse filme. Gostaria de lembrar, também, um filme um tanto desprezado de Burt - O DISCÍPULO DO DIABO, mais um com Kirk Douglas, além de Laurence Olivier.
    Outro filme de Burt que merece ser lembrado e visto, é TRAPÉZIO em que ele demonstra também suas qualidades de atleta ao lado de Tony Curtis e Gina Lolobrigida.
    Mas para mim, a melhor performance de Burt Lancaster foi em VERA CRUZ, com um desempenho surpreendente do "bandidão" Joe Erin, deixando, com todo respeito, o grande Gary Cooper em plano inferior.
    Infelizmente, um dos filmes onde ele poderia ter se evidenciado mais, e isto não ocorreu, foi em SEM LEI E SEM ALMA, de John Sturges, em que interpreta um Wyatt Earp contido e, vamos dizer, "politicamente correto". O próprio John Sturges, alguns anos depois, fez outro filme com a mesma temática - A HORA DA PISTOLA, em que James Garner interpreta Wyatt, com um papel muito mais adequado a Burt do que aquele desempenhado por ele no filme anterior.
    Enfim, concordo plenamente com vc sobre as qualidades de Burt Lancaster como ator. Foi um gigante da tela.

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O EDITOR


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