quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Quo Vadis (1951): O Colossal Épico da Marca do Leão.


QUO VADIS (Quo Vadis), de 1951, dirigido por Mervyn LeRoy (1905-1987) iniciou um rosário de épicos religiosos que percorreria quase que toda década de 1950 até meados da década seguinte, produtos como "O Manto Sagrado" (1953), e sua seqüência "Demétrius e os Gladiadores" (1954); "O Cálice Sagrado"(1954), que foi a estréia de Paul Newman, que considerava um "Lixo"; "David e Bethsabé" (1951); "O Filho Pródigo"(1955), estrelado por Lana Turner; "Os Dez Mandamentos"(1956), de Cecil B. DeMille; "Ben-Hur"(1959) de William Wyler, campeão absoluto dos Oscars até empatar com Titanic, em 1999; "Rei dos Reis"(1961), belíssimo filme sobre a Vida de Jesus Cristo dirigido por Nicholas Ray; e entre outros, "Barrabás"(1962), com Anthony Quinn numa impressionante interpretação.



QUO VADIS foi um estrondoso sucesso de bilheteria. No Brasil então, principalmente no Rio de Janeiro, invadiu as salas dos saudosos Cine-Metro durante meses, onde estreou em grande circuito a 25 de fevereiro de 1952. Uma superprodução realizada pouco depois do surgimento da Televisão nos EUA (que ameaçava às salas de cinema e que só veio a ser amenizada com a criação da técnica Cinemascope, para não perder a concorrência).

Henryk Sienkiewicz (1846-1916), o autor da obra literária
Poster da versão de 1924, com Emil Jannings como Nero

Extraído da obra literária publicada em 1897 pelo polonês Henryk Sienkiewicz (1846-1916), prêmio Nobel de Literatura em 1905, e anteriormente levada às telas três vezes na era do cinema mudo, sendo a mais famosa a de 1924, estrelado por Emil Jannings (1884-1950), como Nero. A primeira versão data de 1902, de Ferdinand Zecca (1864-1947), o mesmo pioneiro que dirigiu, em 1905, La vie et la passion de Jésus Christ, mas hoje a película esta perdida e não há maiores informações. A Segunda versão cinematográfica do romance de Sienkiewicz é de 1912.



Peter Ustinov. como o obscuro Nero, numa brilhante
performance do ator na versão de 1951.
Peter Ustinov como Nero (sentado), e seu conselheiro Petronius
(Leo Genn), e o comandante da Guarda Pretoriana Tigelino.
(Ralph Truman)
Na versão de Mervyn Leroy, Nero é interpretado de forma soberba por Sir Peter Ustinov (1921-2004), que foi indicado ao Oscar de ator coadjuvante junto com Leo Genn (1905-1978), que faz a parte de Petronius, seu conselheiro e autor da Obra Satyricon (não mencionada nesta versão a autoria da obra pelo personagem, mas abordado por Federico Fellini num filme homônimo).


Robert Taylor é o comandante e tribuno Marcus Vinicius
Marcus Vinicius (Robert Taylor) e sua amada Ligia (Deborah Kerr)
Na Roma do Século I, o oficial Marcus Vinicius (Robert Taylor, 1911-1969), sobrinho de Petronius (Leo Genn, 1905-1978), conselheiro de Nero (esplêndida performance de Ustinov), apaixona-se por uma ex-escrava cristã, Lygia (Deborah Kerr, 1921-2007), filha adotiva de um general e adepta do cristianismo emergente. Através dela, Marcus acata aos poucos a fé religiosa e indispõe-se com o regime de Nero e o paganismo romano. Sobre os detalhes técnicos, podem parecer muito pueris para os padrões cinematográficos de hoje as seqüências do martírio dos cristãos sendo devorados pelas feras no circo romano, devidamente mal feitas, mas o filme em si ainda consegue prender o espectador se souber também dar asas a sua imaginação, e sem contar aqueles que poderão também assisti-lo sob a ótica religiosa, e se emocionar pelo olhar da fé.


Marcus e Ligia presos nos ergástulos do circo de Nero
Trata-se, antes de qualquer coisa, de uma história de Amor, Intriga, Poder, Loucura, e é claro, Fé e Religião. O Incêndio de Roma e a loucura de Nero são retratados de forma convincente, e é impressionante a Marcha Triunfal do Palácio do Imperador, uma multidão de figurantes e extras bem organizados sob a supervisão dos diretores de Segunda Unidade (que controlavam tudo com tiros de pistola), pois não se sonhava sequer em computação gráfica ou coisas deste tipo que hoje proporcionam truques simples e menos custosos (mas não menos eficientes).

Ursus (Buddy Baer) luta com o touro para salvar sua
ama Ligia.
Destaque também para a luta do Gigante Cristão Ursus (interpretado pelo Lutador Buddy Baer, 1915-1986) contra um touro no Circo romano, para salvar Lygia, sua protegida, amarrada num tronco . Embora fascinante luta entre o gigante e o animal, esta versão de Quo Vadis foi a única a não respeitar o romance de Sienkiewicz, no tocante à cena em que Ursus enfrenta o touro na arena do circo de Roma.

Ligia (Deborah Kerr) em perigo
Ursus (Buddy Baer) preparado para confrontar o touro
na arena de Nero.

Na obra de Sienkiewicz, a amada de Vinícius é amarrada ao corpo do animal, completamente despida. Para defendê-la, Ursus teria que lutar com o touro mas, ao fazê-lo, colocaria em risco a integridade física de sua protegida, o que tornava sua tarefa ainda mais difícil. Aliás, era essa a intenção de Popeia, esposa de Nero (no filme, interpretada pela exuberante inglesa Patricia Laffan) ao planejar o cruel espetáculo.

Nero (Peter Ustinov) e a imperatriz Poppea (Patricia Laffan)
A Imperatriz Poppea (Patricia Laffan)
Todas as demais versões cinematográficas respeitaram esse detalhe (salvo quanto à nudez da personagem, que nem mesmo a versão polonêsa de 2001 ousou adotar), menos a de Mervyn LeRoy, que preferiu colocar Lígia (convenientemente trajada) atada a um tronco fincado na arena, assistindo Ursus enfrentar o touro.


Os Apóstolos Pedro (Finlay Currie) e Paulo (Abraham Sofaer),
realizando uma missa nos arredores do Coliseu.

São Pedro (Finlay Currie) e sua benção urbi et orbi

A expressão Quo Vadis? é latina, e significa uma pergunta: “Aonde Vais?". Quando estavam na Via Appia (principal via de acesso a Roma) já fora da cidade, São Pedro (no filme de LeRoy, interpretado pelo irlandês Finlay Currie, 1878-1968) que estava com seu jovem discípulo Nazarius, avistou um homem que vinha em sentido contrário. Quando este se aproximou, Pedro reconheceu que era Jesus (segundo a tradição, apenas Pedro o viu), e perguntou para Jesus: “Dominus quo vadis”, que quer dizer: “Para onde vais, Senhor?”. Jesus respondeu que estava voltando para Roma para morrer com seu povo e ser crucificado pela segunda vez.


São Pedro (Finlay Currie) abençoa a união de Ligia (Deborah
Kerr) e Vinicius (Robert Taylor), que acaba se convertendo a
fé de Cristo.
Quando Pedro ouviu o que Jesus disse, entendeu que precisava voltar para Roma. Mesmo contrariando a vontade de seus amigos e seguidores, era mais importante atender a vontade do Senhor. Logo depois deste fato, Pedro foi capturado e morto, crucificado de cabeça para baixo na Colina Vaticana. Por curiosidade, esta passagem da visão de Jesus para Pedro se encontra no Evangelho apócrifo “Atos de Pedro”, que é um texto não oficial da Igreja, mas que serviu de base para Henryk Sienkiewicz compor sua obra literária.


Petronio (Leo Genn) exige de Nero que este assine seu
decreto contra os cristão para perpetuar na História.
Destaque também para a cena do incêndio em Roma que não deixa a desejar. Anthony Mann (1906-1967) dirigiu parcialmente esta sequência, infelizmente sem os créditos que lhe eram devidos.


Leo Genn, como o inesquecível Petronius.
Leo Genn dá vida a Petronius (ou Petrônio), em verdade um personagem histórico (Marcus Vinicius e Lygia são fictícios). Seu nome verdadeiro era Caius Petronius, e tinha o título dado pela corte imperial como o “Árbitro da Elegância”, devido ao seus modos refinados e educação esmerada. Petronius era um dos conselheiros do Imperador Nero, mas não nutria de amores pelo tirano.
Petronius e sua amada escrava Eunice (Marina Berti)
Nascido de uma família aristocrática e abastada, mostrou toda sua competência política ao ocupar os cargos de governador e depois o de cônsul da Bitínia, na atual Turquia. Depois ocupou o cargo de conselheiro de Nero, sendo nomeado arbiter elegantiae (árbitro da elegância), em 63. Dois anos mais tarde, acusado de participar na conspiração contra o imperador e caindo em desfavor, acabou com sua estranha vida, uma mistura de atividade e de libertinagem, no ano de 66 d.C., cometendo um lento e relaxado suicídio, abrindo e fechando as veias, enquanto discursava sobre temas joviais, mandando para Nero um documento no qual detalhava seus abomináveis passatempos.
A bela atriz italiana Marina Berti como Eunice
Henryk Sienkiewicz deu a Petronius uma legenda romântica em sua obra. Para ainda mais humaniza-lo, criou uma personagem fictícia, uma escrava das províncias da Espanha chamada Eunice, que no filme de 1951 foi interpretada pela bela atriz italiana Marina Berti (1924-2002), por quem o conselheiro imperial se apaixona. Tanto no romance de Sienkiewicz quanto nas versões cinematográficas da obra, ela comete suicídio junto com seu amado amo e senhor.


Eunice e Petronius, um amor que vai além da vida.
Sobre Petronius, na famosa obra Anais, o historiador Tácito (55 – 120 d.C) traçou uma imagem viva, que vale a pena ser lembrada e transcrita:

Petrônio consagrava o dia ao sono, e a noite aos deveres e aos prazeres. Se outros chegam à fama pelo trabalho, ele adquiriu-a pela sua vida descuidada.

Não tinha a reputação de dissoluto ou de pródigo, como a maioria dos dissipadores, mas a de um voluptuoso refinado em sua arte. A própria incúria, o abandono que se notava nas suas ações e nas suas palavras, davam-lhe um ar de simplicidade, emprestando-lhe um valor novo.


Contudo, procônsul na Bitinia e depois cônsul, deu prova de vigor e de capacidade. Voltando aos seus vícios ou à imitação calculada dos vícios, foi admitido entre os poucos íntimos de Nero e tornou-se na corte o árbitro do bom gosto: nada mais delicado, nada mais agradável do que aquilo que o sufrágio de Petrônio recomendava ao príncipe, sempre embaraçado na escolha.


Nero e sua corte, com uma maquete da "nova Roma".
Nasceu daí a inveja de Tigelino, o prefeito do pretório e poderoso conselheiro de Nero, que receava um concorrente mais hábil do que ele na ciência da volúpia. Conhecendo a crueldade do imperador, sua qualidade dominante, insinuou que Petrônio era amigo do conjurado Flávio Scevino; em seguida comprou um delator entre os escravos do acusado, sendo-lhe vedada qualquer defesa e mandando prender membros da sua família. O imperador encontrava-se então na Campânia e Petrônio tinha-o acompanhado até Cumes, onde recebeu ordem de ficar.

Ele, sabendo que o seu destino já estava marcado, repeliu tanto o temor quanto a esperança, mas não quis se afastar bruscamente da vida. Abriu as veias, fechou-as depois, abrindo-as novamente ao sabor da sua fantasia, falando aos amigos e ouvindo por sua vez, mas nada havia de grave nas suas palavras, nenhuma ostentação de coragem; não quis ouvir reflexões sobre a imortalidade da alma, nem sobre as máximas dos filósofos: pediu que lhe lessem somente versos zombeteiros e poesias ligeiras. Recompensou alguns escravos e mandou castigar outros; chegou a passear, entregou-se ao sono a fim de que sua morte, ainda que provocada, parecesse natural.


Não adulou no seu testamento Nero ou Tigelino ou qualquer outro poderoso do dia, como fazia a maioria dos que pereciam. Mas, em nome de jovens impudicos ou de mulheres perdidas, narrou as davassidões do príncipe e os seus refinamentos; mandou o escrito a Nero, fechado, imprimindo-lhe o sinete de seu anel, que destruiu a fim de que não fizesse vítimas mais tarde.”

Era esse o ambiente da corte de Nero. Porém havia nela um personagem desse mundo cheio de contrastes – Petrônio. A maioria de seus críticos admite que foi ele o “arbiter elegantiarum” da época, o autor do “Satiricon”.



E entre os muitos estudiosos interessados no assunto houve inclusive opiniões divergentes, mas o parecer mais acertado parece ter sido o do estudioso italiano Marchesi: “Petrônio, nos últimos momentos da vida, teria acrescentado alguma página ao seu romance, enviando-a ao imperador, feroz e desequilibrado, como presente de uma vítima aristocrática e refinada.

O filósofo Sêneca enviou alguma página de moral; Petrônio, a pintura e a descrição daquele mundo terrivelmente corrupto”. O Satiricon não nos chegou íntegro e sim fragmentário. Mesmo assim, o que ficou do mesmo basta para considerar as páginas de Petrônio como um monumento literário de incomparável beleza artística e de inestimável valor para a reconstrução da vida particular da antiga Roma.


Elizabeth Taylor chegou a ser Ligia nos primeiros takes de John Huston.
Gregory Peck, já escalado por John Huston, seria Marcus Vinicius.
Rodado nos estúdios de Cinecittá (o primeiro filme colorido saído desse estúdio), em Roma, pela Metro Goldwyn Mayer, então a mais poderosa Empresa de Cinema de Hollywood e a sua “Marca do Leão”, a versão cinematográfica de 1951 levou 12 anos em preparativos e começou a ser filmado em 1949, sob direção de John Huston, e os astros principais eram Gregory Peck (como Marcus Vinicius) e Elizabeth Taylor (como Lygia). Custou no total sete milhões de dólares, o mais caro filme produzido até então (E O Vento Levou, também da MGM, custou 4,5 milhões de dólares em 1939).  Porém, o Chefão da Metro, Louis B. Mayer (1884-1957), não gostou do roteiro, que queria um épico religioso aos moldes de Cecil B. DeMille, e não um tratamento moderno, no então momento, para Nero, assemelhando-o a Adolf Hitler em sua obstinada perseguição aos Cristãos, seu protótipo parceiro de loucura.


O lendário Louis B. Mayer, o chefão da MGM
B.Mayer chamou Huston à casa dele para uma reunião no café da manhã, e já que costumava buscar todos os argumentos nos bons tempos passados, começou a contar a Huston como tinha ensinado a fabulosa atriz e cantora Jeannete MacDonald a cantar “Oh, Sweet Mystery of Life” cantando “Eli, Eli” para ela. Em hebraico. Ela chorou. Mayer entoou aquela triste canção para o cineasta. Mais tarde, John Huston contou que Mayer havia dito que se ele pudesse dirigir Quo Vadis daquela maneira, que ele viria rastejando de joelhos e beijar suas mãos. Huston abandonou a direção, após uma série de diferenças com Louis B. Mayer, e gastos em Roma começaram a ficar dispendiosos (cerca de 2 milhões de dólares já haviam sido gastos e nada). Logo, Gregory Peck também abandonou o barco (acabou contraindo uma infecção nos olhos) e Liz Taylor (que alegou outros projetos mas acabou numa ponta de multidão no filme, com outra atriz que se tornaria famosa, Sophia Loren).


Nero mata sua esposa Poppea
As cenas principais foram todas rodadas em 1950, já com outros atores e diretor (Mervyn LeRoy), entretanto sequências adicionais e a montagem final retardaram a estreia nos cinemas americanos até novembro de 1951. Só Peter Ustinov e seu Nero foram mantidos. Mudados roteiro, diretor e atores centrais, a produção seguiu seu curso em Cinecittá durante 7 meses. 


O Diretor Mervyn LeRoy.
Assumindo Mervyn LeRoy a direção, este contratou 60 mil figurantes e os dirigiu com tiros de pistola, do alto de um guindaste sobre os estúdios de Cinecittá. Arranjou mais de 50 leões, todos que o pessoal da MGM conseguiu nos circos da Europa. LeRoy era um cineasta competente e admirado por Louis B. Mayer, que tinha supervisionado sucessos bem cuidados, como Alma do Lodo (Little Caesar), em 1931, o filme que decolou Edward G. Robinson ao estrelato.


Marcus Vinicius (Robert Taylor) alerta para o povo sobre
a corrupção de Nero.
Os Cristãos na arena, prontos para os leões.
Voltando a parte técnica da produção, foi dito que os efeitos da ação na sequência do martírio dos cristãos na arena sendo devorados pelos leões não é considerada das mais bem realizadas, o que é bem compreensível. O próprio diretor LeRoy, anos mais tarde, admitiu esta falha. Ele não conseguia fazer com que os leões simulassem a carnificina esperada, logo, ele teve que recorrer às mais antigas tradições de tapeação de Hollywood. Assim ele disse: “Enrolei, mandando os homens da equipe rechearem roupas com carne crua, de maneira que parecessem cristãos caídos no chão, então trouxemos os leões à força e eles comeram aqueles ‘corpos’. Reforcei com close-ups falsos de leões, feitos pelos técnicos, pulando sobre as pessoas de verdade. Funcionou, embora eu nunca tenha conseguido a cena exatamente como queria”.

Papa Pio XII
Mervyn LeRoy visitou o Papa Pio XII(1876-1958) e lhe chegou a pedir para que benzesse o roteiro de Quo Vadis, que foi escrito por John Lee Mahin (1902-1984), S. N Behrman (1893-1973), e Sonya Levien (1888-1960)- e que por acaso, tinha levado consigo, e o papa pôs suas mãos sobre o script, murmurou algumas palavras em latim e disse em inglês: “Que seu filme tenha muito sucesso”. E foi profética tal afirmação do Papa.


Ligia (Deborah Kerr), com Ursus (Buddy Baer), Nazarius (Peter
Milles), e sua mãe Miriam (Elspeth March).
Mesmo sendo um tanto opressor para conquistar Ligia, esta ama
Marcus Vinicius.
Um superespetáculo produzido por Sam Zimbalist (1904-1958), que produziria também 8 anos depois outro retumbante épico, Ben-Hur, produção definitiva esta que o talentoso Sam não pôde acompanhar o sucesso e a glória de seus louros, pois pouco antes de terminadas as filmagens do monumental épico de William Wyler (1902-1981) e estrelada por Charlton Heston, Zimbalist teve um fulminante ataque do coração, vindo a falecer, em Roma, a 4 de novembro de 1958.


O Apóstolo Paulo (Abraham Sofaer) e Marcus Vinicius (Robert
Taylor).
Marcus e Ligia: Um amor a desafiar todo o Império Romano.
Peter Ustinov, numa performance imortal como Nero.


 A partitura musical célebre de Miklos Rozsa (1907-1995) foi a primeira trilha sonora do cinema que obteve grande vendagem de discos, inclusive no Brasil, e ajudou a garantir a extraordinária popularidade desta refilmagem para o cinema contemporâneo.


QUO VADIS em grande circuito nos cinemas METROS do Rio
de janeiro em 1954.
Indicado para os Oscars de melhor fotografia, figurino, direção de arte, ator coadjuvante (para dois, Leo Genn e Peter Ustinov), montagem, e filme. O Romance ainda seria levado a tela por mais duas vezes. Em 1985, para a RAI, a Tv Italiana, em forma de minissérie, dirigido por Franco Rossi, tendo Klaus Maria Brandauer como o Imperador Nero, e Francesco Quinn, filho do ator Anthony Quinn, como Marcus Vinicius; e em 2001, na Polônia, terra natal do autor da obra literária, numa superprodução cinematográfica dirigida Jerzy Kawalerowicz e fidelíssimo ao livro, com 274 minutos de duração e exibida especialmente para o Papa João Paulo II e sua comitiva quando visitou a Polônia no mesmo ano.




A opulência deste superespetáculo reflete a qualidade do cinema hollywoodiano em seu período de ouro, contendo uma das mais grandiloquentes passagens já  registradas em filme épico, com a marcha triunfal das legiões romanas, os mártires cristãos do circo de Nero (baseado no Coliseu, onde Cinecittá reconstituiu com capacidade para 30.000 extras), e o incêndio de Roma.


FICHA TÉCNICA

QUO VADIS

(Quo Vadis)

País – Estados Unidos (filmado nos estúdios de Cinecittá, em Roma).

Ano: 1951

Direção: Mervyn Leroy, Anthony Mann (não creditado)

Produção: Sam Zimbalist, para a Metro Goldwyn Mayer.

Roteiro: John Lee Mahin, Sonya Levien, e S.N. Behrman, com base no romance de Henry Siemkiewicz.

Música: Miklos Rozsa

Fotografia: Robert Surtees, William V. Skall.

Metragem: 168 minutos.

ELENCO:

Robert Taylor – Comandante Marcus Vinicius
Deborah Kerr – Ligia
Leo Genn –Petronius
Peter Ustinov – Nero, o Imperador
Patricia Laffan – Poppea
Finlay Currie – Apóstolo Pedro
Abraham Sofaer – Apóstolo Paulo
Marina Berti – Eunice
Buddy Baer – Ursus
Felix Aylmer – Plautius
Nora Swinburne – Pomponia
Ralph Truman – Tigelinio
Norman Wooland – Nerva
Peter Miles – Nazarius
Nicholas Hannen- Seneca
Rosalie Crutchley – Acte
Arthur Valge – Croton
Elspeth March – Miriam
Pietro Tordi – Galba
Walter Pidgeon – Narrador.

PRODUÇÃO E PESQUISA DE
PAULO TELLES
Matéria atualizada em 11 de fevereiro de 2017.

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