sábado, 6 de agosto de 2011

Centenário de Nicholas Ray


Nicholas Ray tornou-se um cineasta de grande repercussão quando tratou da rebeldia dos adolescentes da década de 1950. Afinal, o rock and roll estava no auge, e grandes mitos dos jovens estavam começando a surgir, como Marlon Brando, James Dean, e Elvis Presley, que eram os referênciais de rebeldia, e num tempo em que isso era considerado um tabu no cinema norte-americano. Se por um lado não era tão admirado pela crítica hollywoodiana, pelo outro os europeus, sobretudo os franceses, o admiravam. Transparente e polêmico, seus trabalhos são reconhecidos graças a sua temática sobre os desajustados e os incompreendidos da Sociedade.

Contudo, Raymond Nicholas Kienzle, seu verdadeiro nome, nasceu a 7 de agosto de 1911, em Galesville, Wisconsin, e de início seu interessou em arquitetura e seu mestre foi o renomado Frank Lloyd Wright (1867 - 1959). Mas logo foi se interessar pelo teatro, atuando como ator em várias peças dirigidas por futuros cineastas que fariam história, como Elia Kazan (1909-2003) e John Houseman(1902-1988).

Começou a fazer cinema depois do término da Segunda Grande Guerra e seu primeiro filme data de 1948. Tornou-se rapidanmente um diretor com marcas distintivas fortes: heróis frágeis, palpáveis, que tentam sobreviver num mundo cuja chave de decifração eles não detêm. Nesse mundo, a onipresente violência física e mental convive com a possibilidade de uma paixão arrebatadora e irrestrita.


Seus primeiros filmes frequëntemente focalizavam tipos marginalizados como heróis. Em seu primeiro filme como diretor, o lírico Amarga Esperança, de 1948, Farley Granger (1925-2011) fazia o papel de uma asaltante de bancos indeciso em sua fuga com a namorada. Em No Silêncio da Noite, de 1950, Humphrey Bogart (1899-1957- foto) era um roterista auto-destrutivo acusado de assassinato. Em Cinzas que Queimam, de 1951, Robert Ryan (1909-1973) era um policial amargo, e Johnny Guitar, de 1954, trazia Joan Crawford (1905-1977) como uma conivente dona de saloon.


Em Cinzas que Queimam, a estrutura básica de Juventude Transviada estava montada: um policial (Robert Ryan), nitidamente afetado pelo desencanto e pelo ambiente em que vive, passa a agredir violentamente os criminosos que persegue. Depois do enésimo caso de violência acima do aceitável, ele é conduzido a uma investigação no campo onde encontrará uma mulher cega (Ida Lupino), por quem se apaixonará, mesmo que isso implique reconsiderar sua relação com a violência e seu poder auto-destrutivo. O talento e a fluência de Nicholas Ray para filmar essas cenas extremas, tanto os arroubos de violência quanto os delicados momentos da paixão nascente, não fascinou de primeira a crítica norte-americana, mas encantou os então jovens críticos da revista Cahiers du Cinéma, que trataram de classificá-lo como o mais importante cineasta do pós-guerra (Éric Rohmer, em sua crítica sobre Juventude Transviada, que em Portugal se chamou Fúria de Viver, Cahiers nº59). Jean-Luc Godard acreditava ser Ray a expressão pura do cinema.


Johnny Guittar foi outro ápice do grande cineasta. Não tendo boa receptividade nos EUA na época do lançamento (e foi lançado por um estúdio classe B em Hollywood, a Republic, responsável por muitos seriados de Cinema e pelos primeiros filmes B estrelados por John Wayne), mas aplaudido na França, o conflito central é em cima de duas mulheres fortes, que se odeiam. Joan Crawford e Mercedes McCambridge (1916-2004, premiada com o Oscar de Coadjuvante por "A Grande Ilusão", em 1949).

Ray sempre declarou que o sub-texto era lésbico, que elas haviam sido amantes e agora se enfrentam como inimigas. Somente o espectador poderá conferir e tirar suas próprias conclusões para julgar esta declaração.

Nicholas Ray vivia dentro de uma aparente contradição. Sob as poderosas e milionárias asas de Howard Hugues (1905-1976), ele passava ileso pela perseguição do Senado Americano aos comunistas (muito embora todos em Hollywood soubessem de suas tendências esquerdistas). Em contrapartida, o preço da liberdade era alto: Ray era obrigado a realizar trabalhos sob encomenda, de temáticas que pouco ou nada lhe diziam. Pertencem a essa fase filmes como Alma Sem Pudor (1950), estrelado por Joan Fontaine, amante da vez de Howard Hugues, e Horizonte de Glória (1951), veículo para John Wayne e cuja abordagem de extrema direita era diametralmente oposta às convicções políticas de Ray e de Robert Ryan, também astro do filme. Como uma espécie de funcionário de confiança da chefia, Ray também dirigiu vários trabalhos sem crédito para cineastas como Irving Reis, Chester Erskine, John Cromwell e Josef Von Stenberg.

Em Juventude Transviada, Nicholas Ray encontrou um ator perfeito para designar todos os estados de espírito com os quais mais gostava de trabalhar; James Dean (1931-1955) é ao mesmo tempo um rosto de criança abandonado pela vida e, inversamente, a possibilidade de uma explosão de violência quando menos se espera. Mal ou bem, os protagonistas mais importantes de Nicholas Ray, de 1949 a 1955, são adultos abandonados, como Sterling Hayden, Humphrey Bogart ou Robert Ryan, aliás, estes dois últimos eram os atores prediletos do diretor.


Ray era um dos poucos cineastas que se dava bem em trabalhar com jovens e adolescentes, e tão poucos eram os diretores que tentaram conpreendê-los. Desde seu primeiro filme, Amarga Esperança" /They Live by Night, com Farley Granger e Cathy O’Donnell (1923-1970), não exatamente adolescentes, mas já se defrontando com a inadequação em um mundo adulto. E veio Juventude Transviada, em que Nicholas Ray tentou tão inteiramente compreender os jovens que até manteve um tórrido relacionamento amoroso com Natalie Wood, não respeitando nem a berrante diferença de 27 anos entre suas idades. Ele tinha 43 e ela 16. Dennis Hopper (1936-2010) queria matá-lo pois Natalie era, então, sua namorada, e ela tinha um temperamento volúvel.


O mais curioso e estranho nesse affair, é que Ray não procurou compreender o jovem e já incompreendido e violento Dennis Hopper, mas se entendeu bastante bem com James Dean e com Sal Mineo (1939-1976), dos quais se tornou grande amigo e mentor e Juventude Transviada/Rebel Without a Cause, deu o que falar e praticamente abriu as portas do cinema para analisar o comportamento dos jovens.


Por falar em análises, um ponto curioso é que o renomado cineasta quis fazer um close-up em cima de uma lenda do Velho Oeste, nada mais e nada menos do que Jesse James (1847-1882), tema que já havia levado às telas por Henry King em Jesse James, tempos de uma era sem Lei, de 1939, estrelado por Tyrone Power e Henry Fonda.


Quem foi Jesse James?/The True Story of Jesse James, filmado em 1956 e lançado em 1957. Ray pretendia que James Dean interpretasse Jesse James, uma vez que o diretor queria dar um tom de rebeldia à vida do lendário fora-da-lei. Contudo, Dean morreu tragicamente em 30 de setembro de 1955 com apenas 24 anos de idade num acidente automobilístico fatal, logo, Robert Wagner, sem o carisma de Dean acabou protagonizando Jesse James, enquanto seu irmão Frank foi vivido por Jeffrey Hunter (1925-1969).

Na versão de Jesse James de 1939, estrelada por Tyrone Power (Jesse) e Henry Fonda (Frank), os irmãos James tornaram-se malfeitores devido aos acontecimentos sócio-econômicos que ocorriam nos estados do Sul derrotados pelas forças nortistas americanas na Guerra Civil. Em Quem foi Jesse James?, Ray tentou mostrar que os irmãos foram atraídos para a criminalidade por não conseguirem se enquadrar num mundo em que os jovens não tinham vez, restando a eles apenas obedecer. Portanto Ray descobriu uma causa para os irmãos sulistas jovens e rebeldes.


A 20th Century-Fox, que produzira a versão de 1939 dirigida por Henry King, também produziu esta nova versão da vida do bandoleiro apresentada por Ray, que antes de Juventude Transviada já havia chamado bastante a atenção da crítica, especialmente com western Johnny Guitar. Mas a Fox não ficou satisfeita com o trabalho de Nicholas Ray nesta nova releitura sobre Jesse James, e drasticamente editou o filme, tirando do mesmo a interpretação psicológica que Ray havia dado ao filme sobre os personagens interpretados por Wagner e Hunter. A Fox reduziu esse western de 105 minutos originais para 92, o que fez com que o diretor nunca aceitasse The True of Story Jesse James como um filme seu e o relegasse a um plano inferior na sua cinematografia. Uma pena.

Insatisfeito, Ray se sentia cada vez mais boicotado pelo cinema norte-americano, e possivelmente, como muito de seus heróis jovens ou maduros incompreendidos. Após rodar Jornada Tétrica (1957, com Christopher Plummer, foto) e A Bela dos Bas-Fond (1958), resolver fazer empreendimentos na Europa, e seus dois últimos filmes foram duas superproduções rodadas na Espanha, dos quais não teve o controle total da direção:


Rei dos Reis/King of Kings, de 1961, é um belo filme sobre a vida de Cristo, cujo ponto culminante é a cena do Sermão da Montanha, e que Ray dirigiu com muita competência, locomovendo, além dos atores, sete mil figurantes. O diretor posicionou uma postura cênica hierática e comovedora cuja projeção é de 168 minutos e tendo Jeffrey Hunter (com quem trabalhou em Quem foi Jesse James) no papel de Jesus, e curiosamente Robert Ryan, um de seus atores favoritos, como João Batista. Com um roteiro político (escrito pelo politizado Philip Yordan, amigo de Ray), colocando Jesus e outros personagens bíblicos do Novo Testamento em seu verdadeiro cenário , dando enfâse à dominação romana na Judéia nos tempos de Jesus Cristo. Na película bíblica de Ray, a figura de Cristo é posto de forma solene e até reverêncial, tendo como objetivo exaltar a figura do Filho de Deus. Mas Nicholas Ray, já um veterano na arte da direção e da análise de seus personagens, fazia questão de que estes tivessem uma força rebelde, buscando seu próprio destino. Então poderíamos esperar o Cristo de Ray um rebelde com causa (opostamente ao personagem de James Dean em Juventude Transviada) pela busca do amor ao próximo e pela Redenção, ou digamos, um Jesus com sangue, suor e lágrimas.


Contudo, apesar do cineasta fazer algumas pesquisas em bibliotecas e catedrais de Madrid e Espanha para compor o seu “Cristo”, se deixou levar pelos trâmites do produtor Samuel Bronston (1908-1994), que mais tarde iria falir seus estúdios em terras espanholas, e pelo amigo e roteirista Philip Yordan (1914-2003- que foi seu colaborador em outras obras), com quem se desentendeu durante as filmagens, rompendo definitivamente a amizade. O resultado acabou convencional, e muito embora o público tenha gostado (a trilha sonora de Miklos Rozsa garantiu a popularidade do filme) e algumas entidades católicas também, a crítica americana malhou cruelmente o filme apelidando como eu fui um Jesus adolescente.



55 Dias em Pequim/55 Days at Peking, de 1963, sobre a ocupação dos ingleses e norte-americanos na China, na época dos boxers. A narrativa constrói-se em torno nos três personagens centrais, interpretados por Charlton Heston, David Niven, e Ava Gardner. O soldado (Heston) é, homem de ação; o diplomata (David Niven, 1909-1983), um negociador; e a condessa russa (Ava Gardner, 1922-1990), uma condessa decadente. A condessa se sacrifica e Heston se humaniza ao estender a mão para receber uma menina chinesa. Em suma, esta última película dirigida pelo diretor foi mais uma produção conturbada (também por Samuel Bronston) filmada na Espanha com capital bloqueado pela lei de Remessas de Lucro. Houve problemas com falta de dinheiro, dificuldades para recrutar centenas de figurantes asiáticos por toda a Europa, e pela total falta de afinidade do elenco (causada em especial pelas bebedeiras de Ava Gardner, em papel para o qual Charlton Heston queria Jeanne Moureau).

Cansado das pressões do excêntrico Bronston, Ray abandonou a direção da fita após sofrer um ataque cardíaco durante as filmagens, deixando a finalização para os não-creditados Andrew Morton, o diretor de segunda unidade, e o fotógrafo Guy Green. O Resultado foi pior do que com o Rei dos Reis, não agradando nem crítica e nem público, e não demoraria muito tempo o excêntrico e dispendioso Samuel Bronston fecharia seus estúdios em Madrid (mesmo com sucessos como El-Cid e A Queda do Império Romano, que apesar de boas arrecadações nas bilheterias, não fez Bronston recuperar a perda com 55 dias em Pequim) e voltaria para o Estados Unidos, onde viveu em seus últimos anos de vida em Sacramento, na Califórnia, e sem as excentricidades de outrora, onde faleceu em 12 de janeiro de 1994, aos 86 anos.


NA VIDA PESSOAL, Nicholas Ray se casou 4 vezes. A primeira com Jean Evans, entre 1930 a 1940, de quem se divorciou.jovem escritora com quem já vivia desde o início da década. No ano seguinte, nasceu Anthony, o primeiro filho do casal. Ray, no entanto, não conseguia ser o protótipo do marido fiel. Durante o casamento, Evans se habituou a ver seu marido envolvido em inúmeros casos amorosos (e nem sempre com o sexo feminino). O casamento durou até 1940.
Segundo Casamento foi com a atriz Gloria Grahame (1923-1981, na foto), sua estrela de O Silêncio da Noite, entre 1948 a 1952, de quem também se divorciou.


Vale a pena contar para registro a relação entre Ray e Grahame.Tanto e tão imensamente Ray entendia os adolescentes que, quando encontrou seu filho do primeiro casamento, Anthony Ray (que se tornaria produtor), então com 13 anos, na cama com Gloria Grahame, Nicholas Ray não tomou nenhuma atitude passional, como teria tomado o personagem de Lee Marvin em Os Corruptos/The Big Heat que jogou café fervendo no rosto de Glória e deteriorou todo seu rosto.



Ray separou-se da inquieta atriz, e por felicidade ninguém saiu mortalmente ferido do escândalo. Contudo, podemos imaginar o quanto foi difícil para Ray ser trocado pelo filho já que Anthony Ray casou-se com Gloria Grahame em 1960 e com ela viveu por 14 anos, enquanto Gloria e Nick Ray ficaram casados apenas quatro anos. Gloria era uma madura mulher de 37 anos e o filho de Nicholas Ray mal tinha completado 20 anos quando se casaram. A única atitude de Nicholas foi pedir a guarda do filho Timothy que ele tivera com Gloria, para garantir sua segurança.


Terceira núpcias com a dançarina e coreógrafa Betty Utey, com quem se casou em 1958 e foi sua colaboradora também para alguns trabalhos do diretor que requeriam a dança, como A Bela do Bas Fond, de 1958, em que também atuou como atriz, e Rei dos Reis (1961) que coreografou a dança de Salomé, interpretada por Brigid Bazlen (1944-1989). Mais um casamento que acabou em divórcio. Sua última esposa foi Susan Ray, com quem se casou em 1969 e com quem viveu até o seu falecimento.

Abandonando a direção e Hollywood, Ray dedicou-se ao ensino universitário, lecionando Cinema e Direção até meados dos anos 70, quando descobriu que tinha câncer.

O antigo desafeto Dennis Hopper foi quem ajudou Nicholas Ray conseguindo que ele passasse a ministrar aulas na Universidade de Nova York. O homem que deu espaço para os jovens e seus problemas nas telas, era agora professor de cinema de alunos como Jim Jarmusch (diretor do controvertido western Dead Man, com Robert Mitchum). Como professor, Ray pedia aos seus alunos que fumassem maconha durante as aulas para melhor interpretar suas teorias. Aliás, drogas e cigarros foram minando cada vez mais a sua saúde ao longo do tempo.

Wim Wenders, que o admirava, o colocou em seu filme O Amigo Americano, de 1977, como ator, e co-dirigiu com ele o documentário Lightning Over Water, editado em 1980, e que reflete os últimos momentos de Nicholas Ray e sua luta contra o câncer, que finalmente o sucumbiu, em 16 de junho de 1979, aos 67 anos.Foi sepultado perto de sua mãe, em Wisconsin, Estados Unidos.

FRASES DO DIRETOR

Acredito que isso vem do sentimento segundo o qual nenhum ser humano, homem ou mulher, é sempre bom ou mal. O essencial em toda representação da vida é que o espectador, quando assiste, tenha o sentimento de que, nas mesmas circunstâncias, faria a mesma coisa que o personagem faz se estivesse na pele dele, sejam esses atos bons ou maus. As fraquezas do personagem devem ser humanas, pois se elas o são, os espectadores podem reconhecer nelas suas próprias fraquezas.

- sobre o mal existir em cada ser humano, em entrevista concedida a Charles Bitsch, Cahiers du Cinéma 89, novembro de 1958.

Existe violência em todos os meus personagens. Em todos nós, ela existe em potência. É por isso que eu prefiro os não-conformistas: o não-conformista é muito mais sadio do que aquele que por toda sua vida regula seu cotidiano, pois é aquele mais apto, no momento menos previsível, a explodir e matar o primeiro que aparecer.

- falando sobre a violência de seus personagens, em entrevista concedida a Charles Bitsch, Cahiers du Cinéma 89, novembro de 1958.


"O cinema é a melodia do olhar".
Nicholas Ray




FILMOGRAFIA
Segundo Wikipedia

1948 - They Live by Night (br: "Amarga esperança" / pt: "Filhos da noite")
1948 - A Woman’s Secret (br: "A vida íntima de uma mulher" / pt: "O íntimo segredo de uma mulher")
1949 - Knock on Any Door (br / pt: "O crime não compensa")
1950 - In a Lonely Place (br: "No silêncio da noite" / pt: "Matar ou não matar")
1950 - Born to Be Bad (br: "Alma sem pudor / pt: "A deusa do mal")
1951 - Flying Leathernecks (br: "Horizonte de Glórias" / pt: "Inferno nas alturas")
1951 - On Dangerous Ground (br: "Cinzas que queimam" / pt: "Cega paixão")
1952 - The Lusty Men (br: "Paixão de bravo" / pt: "Idílio selvagem")
1954 - Johnny Guitar (br / pt: "Johnny Guitar")
1955 - Run for Cover (br: "Fora das grades" / pt: "O fugitivo")
1955 - Rebel Without a Cause (br: "Juventude transviada" / pt: "Fúria de viver")
1955 - Hot Blood (br: "Sangue ardente" / pt: "Sangue cigano")
1956 - Bigger Than Life (br: "Delírio de loucura" / pt: "Atrás do espelho")
1956 - The True Story of Jesse James (br: "Quem foi Jesse James?" / pt: "A justiça de Jesse James")
1956 - Amère victoire (br: "Amargo triunfo" / pt: "Cruel vitória")
1958 - Wind Across the Everglades (br: "Jornada tétrica" / pt: "A floresta interdita")
1958 - Party Girl (br: "A bela do bas-fond" / pt: "A rapariga daquela noite")
1960 - The Savage Innocents (br: "Sangue sobre a neve" / pt: "Sombras brancas")
1961 - King of Kings (br: "O rei dos reis")
1963 - 55 Days at Peking (br / pt: "55 dias em Pequim)


Bibliografia: Revistas sobre cinema, site Cineplayers, Cinema de Hoje na TV com Paulo Perdigão, Site Wikipédia


Produção e pesquisa de Paulo Telles.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Robert Taylor: A Vida e a Obra de um Galã Inesquecível do Cinema.

A nossa saudosa escritora imortal, segunda mulher a ocupar uma cadeira na Acadêmia Brasileira de letras, Diná Silveira de Queiroz (1911-1982), escreveu certa vez um artigo em sua coluna no "Jornal do Commércio" intitulada "Jornalzinho pobre" sobre Robert Taylor. A crônica foi publicada em 29 de junho de 1969, poucas semanas depois da morte do grande astro do Cinema, e o título do artigo foi "Saudades de Robert Taylor". Assim dizia:

"Faz tanto tempo, meu Deus...nós vinhamos do Cine-Metro com aquela impressão de beleza de A Dama das Camélias, em que a grande Garbo esplendia com seu mistério jamais igualado ao lado de Robert Taylor. Então, uma amiga. depois de um silêncinho, deu uma gostosa risada e disse:

-Quando vejo Robert Taylor, nem gosto de voltar para casa
-Por que? - Perguntei-lhe sem atinar aquele riso
-Porque depois de ver um homem como Robert Taylor, acho meu marido muito feio.

E ainda nas palavras da Acadêmica escritora em seu artigo:

Robert Taylor era o o homem mais bonito do mundo, e além do mais personificava talvez o último galã e amoroso perfeito e bem amado de todas as mulheres, num tipo que o cinema moderno não produz mais hoje em dia.

ROBERT TAYLOR na verdade nasceu SPANGLER ARLINGTON BRUGH, a 5 de agosto de 1911, em Filley, Nebraska, EUA, filho único do Dr. Spangler Andrew Brugh, um médico, e de sua esposa, Ruth Stanhope Brugh. Quando jovem, Spangler Arlinghton era tímido e muito estudioso, e estudava violoncelo. Muitas vezes, acompanhava o pai nas visitas domésticas que fazia como médico e assistia todo o seu trabalho - desde partos até amputações - monstrando-se muito interessado na profissão de Hipócrates. As amigas da mãe faziam comentários sobre sua beleza, e ela lhes dizia que estava determinado a manter o jovem Arlinghton "puro" e "melhor do que os outros meninos", e sempre repetia: Mostre-me o que um menino de doze anos é, e eu lhe mostrarei o que ele será pelo resto de sua vida.

No tempo em que cursava a universidade, Arlinghton já atingira a 1m80 de altura, sendo dotado de esplendorosos olhos azuis e belos cabelos castanhos escuros. Sua bela aparência e habilidade no tênis, além de outros esportes, lhe valeram grande popularidade. Esforçou-se por superar seus problemas de fala, e acabou por se dar muito bem como orador, com uma voz muito boa e bem articulada.

Graduando-se em 1929, decidiu tornar-se médico como seu pai, matriculando-se no Colégio Doane, a contragosto da mãe, que o queria nas lições de violoncelo. Vencido pela determinação da mãe, Arlinghton estudou música, e logo foi transferido para o Colégio de Pamona, em Claremond, na Califórnia. Sua mãe o acompanhou durante a trajetória, determinada que o jovem Arlinghtom se tornasse um artista, fosse como fosse.

Mas quando chegou a Pamona, foi levado a estudos de arte dramática. Popular entre as garotas, sua boa aparência atingira o ápice, e todas queriam namorá-lo. Fez parte integrante de um grupo de teatro do colégio, participando de numerosa peças, entre as quais Camille(profético!) e Journey's End. Logo, um tal de Ben Piazza, um caçador de talentos da Metro-Goldwyn-Mayer(MGM), lhe fez uma proposta de teste ao vê-lo numa atuação teatral, mas de início o jovem Arlinghton não se empolgou, pois queria terminar seus estudos e pegar o seu diploma em 1933. Piazza pediu-lhe então que o procurasse mais tarde.

Formado, o jovem Arlighnton ambicionava ser ator profissional, para isso, matriculou-se na Escola Dramática Neely Dixon, que preparava atores para Hollywood. Porém, o pai ficou doente, vindo a falecer em outubro de 1933, sem chegar a conhecer as glórias do filho na meca do cinema. Logo, a mãe e o filho se mudaram para a Califórnia.

Continuando os estudos em Neely Dixon, conseguiu um teste cinematográfico nos estúdios de Samuel Goldwyn, que não resultou em nada. Acidentalmente, despertou a atenção de Oliver Tinsdell, um instrutor dramático da MGM. Trabalhou arduamente com Tinsdell e, em fevereiro de 1934, foi premiado com um contrato de sete anos com a MGM, começando com 35 dólares por semana, com escala prevista para aumentos periódicos.

Logo, surgiu a necessidade de um nome artístico para o novo ator. Ida Kiverman, secretária particular e braço direito de Louis B. Mayer, sugeriu Robert Taylor. A mãe - muito vaidosa - queria que fosse Robert Stanhope. Porém, prevaleceu a vontade de Mayer, e Robert Taylor foi o nome escolhido e mantido.

Nos estúdios, ninguém ignorava as pequenas possibilidades e o limitado talento do novo contratado, que tinha a seu favor um fato muito importante - fotografava excepcionalmente bem. Antes de arriscar um empréstimo à velha Fox, que necessitava de um ator jovem para fazer o namorado de Mary Carlisle, em Receita para a Felicidade/Handy Andy, em 1934, com o excelente Will Rogers, de quem Bob (apelido de Robert) Taylor diria mais tarde, que ele foi, em sua típica maneira americana, muito bondoso para com ele, e bastante encorajador.

Na MGM, logo vieram O Tesouro Enterrado/Buried Loot, em 1935; Especialistas em Amor/Society Doctor, 1935; Cadetes do Ar/West Point of The Air, 1935; O Cruzador Misterioso/Murder in the Fleet, também de 1935, onde se firmou em definitivo como o ídolo de todas as moças, recebendo um volume de cartas de fãs que já ultrapassavam Clark Gable, o que provava que ele estava agradando. Na ocasião, Robert Taylor já ganhava 450 dólares por semana. Veio então Melodia da Broadway de 1936/Broadway Melody of 1936, em 1936.

Nesta altura, a Universal Pictures estava a procura de um jovem e atraente ator, que pudesse com profundidade dar convicção ao papel de um médico em Sublime Devoção/Magnificent Obsession, versão cinematográfica do romance de Lloyd C. Douglas (o mesmo autor de O Manto Sagrado, levado às telas em 1953 com Richard Burton e Victor Mature). A grande Irene Dunne (1898-1990), estrela do filme, concordou em tê-lo como galã, e passou a ser considerada como sua madrinha no cinema. Isto provocou uma avalanche de cartas para Bob, que aumentaram tanto que os executivos de Culver City, onde ficavam os estúdios da Metro, perceberam que tinham um importante novo astro nas mãos.

Entre 1936 e 1939, Robert Taylor atuou ao lado de algumas das maiores estrelas de Hollywood: Janet Gaynor em Garotas do Interior/Small Town Girl (1936); Loretta Young em O Amor É Assim/Private Number (1936); Barbara Stanwyck em A Mulher que Eu Amo/His Brother's Wife (1936) e A Força do Coração/This Is My Affair (1936); Joan Crawford em Mulher Sublime/The Gorgeous Hussy (1937); Greta Garbo em A Dama das Camélias/Camillie (1937); Jean Harlow em Seu Criado, Obrigado/Personal Property (1937); Myrna Loy em Noite Feliz/Lucky Night (1939); e Hedy Lamarr em Flor dos Pântanos/Lady of the Tropics (1939).

Em razão dos trajes de época lhe caíram muito bem em Mulher Sublime, Louis B. Mayer e Irving Thalberg, chefes de produção da MGM, acharam que já era chegado a hora dele contracenar com a divina Greta Garbo (1905-1990). E isso aconteceu em A Dama das Camélias, filme dirigido por George Cukor (1899-1983). Taylor esteve impecável como Armand Duvall, o ardente apaixonado de Marguerite Gautier.

Dizem que foi Greta Garbo que o escolhera como galã, mas não foi bem isso. O que Mayer e Thalberg queriam mesmo era que o filme desse dinheiro e, para isso, nada melhor que reunir sua maior estrela, e o novo ator, cujo nome crescia a cada dia como uma das mais fortes rendas de bilheteria, e acertaram em cheio. Camille foi um dos campeões de bilheteria da década de 1930, e o segundo grande sucesso da carreira de Robert Taylor, valendo à Garbo a sua segunda indicação para o prêmio da Academia, na categoria de melhor atriz.

Virginia Bruce (1910-1982), então em processo de divórcio com John Gilbert, foi a primeira sophisticated lady a ensinar Robert Taylor como se livrar da ascendência da mãe. Depois de alguns meses, o romance com a loura atriz terminou, pois a MGM insistia para que não houvesse casamento, uma vez que o público feminino preferia ver o novo ídolo com a imagem de "disponível".

Bob contracenou com Barbara Stanwyck durante as filmagens de A mulher do meu irmão, mas eles já se conheciam pessoalmente, apresentados por Zeppo Marx, sócio de Stanwyck numa fazenda de criação de cavalos.

Ele, estava completamente desimpedido, e ela, em processo de divórcio com Frank Fay. Barbara havia passado por grandes dificuldades e era, em muitas coisas básicas, o oposto de Bob. Faltava-lhe uma sólida educação, havia perdido os pais muito cedo, e viera para Hollywood via Broadway. A Metro continuava a desaprovar qualquer idéia de casamento, e assim o namoro entre Barbara e Bob se estendeu por três anos, resultando em casamento somente em maio de 1939.

A sinceridade de suas cenas românticas em A Mulher do Meu Irmão e A Força do Coração era inequívoca, e emocionou os fãs. Quando indagada pelos repórteres, Barbara foi positiva na resposta: "O rapaz tem muito que aprender, e eu tenho muita coisa a ensinar". Dela, Bob disse: "Jamais encontrei em Nebraska uma mulher como Barbara".

Em 1940, Robert Taylor alcançou um dos seus maiores sucessos, num filme que ele havia considerado o melhor que havia feito, e no qual teve o seu desempenho preferido, A Ponte de Waterloo, sob a direção de Mervyn LeRoy (1900-1987). Vivien Leigh (1913-1967), que dois anos antes tivera um papel menor em um outro filme de Bob, Um Ianque em Oxford/A Yank at Oxford, de Jack Conway (1887-1952), tivera seu nome creditado antes do dele, devido ao resultado recente do magnífico triunfo de ... E o Vento Levou/Gone With the Wind, em 1939.

Foi neste filme em que Robert Taylor apareceu com os caprichados bigodinhos que tão bem o identificaram em outros filmes posteriores, embora vez ou outra, os raspasse caso o papel exigisse, como Gentil Tirano/Billy The Kid, em 1941, seu primeiro western, aliás, seria um dos grandes Man of the West da década de 1950 e 60.

Em 1942, Bob contracenou com Lana Turner (1921-1995), em Estrada Proibida/Johnny Eager, e onde teve uma de suas melhores interpretações, além de um de seus grandes sucessos comerciais, claro, com o apoio natural da atração que lana representava na época, como o maior símbolo sexual do cinema. Mas quem levou a melhor neste filme de Mervyn Le Roy foi Van Heflin (1910-1971), talentoso ator que abiscoitou o Oscar de melhor ator coadjuvante, por seu desempenho no filme.

Para horror de sua mãe e da esposa Barbara, Bob resolveu se alistar como piloto civil durante a II Guerra Mundial, interesse despertado durante as filmagens de Supremo Comando/Flight Command, em 1940. Em pouco tempo, estava pilotando seu próprio avião.

Em 1943 fez dois filmes sobre operações bélicas: As Pontes do Inferno/Stand By Action e A Patrulha de Bataan/Bataan. No mesmo ano, como piloto civil, alistou-se no corpo aéreo da marinha e, comissionado a tenente, solicitou que o escalassem para serviços de combate. Todavia, pelos seus 32 anos, foi considerado muito velho e foi recusado. O aproveitaram, porém, como instrutor de vôo, e por ter experiência em Hollywood, orientou o trabalho de diversos filmes sobre treinamentos, desligando-se do serviço.

Retornou a Hollywood em 1946, atuando ao lado de Katharine Hepburn (1907-2003) em Correntes Ocultas/Undercurrent, filme considerado razoável, quando ele precisaria de algo melhor para se recuperar dos três anos passados longe dos estúdios e do público.

O casamento de Bob e Barbara já não ia bem também, e raramente passavam o tempo juntos, pois ele ficava tanto tempo com os amigos como uma fuga pelo desgosto de seu último filme, caçando, pescando, e dirigindo motocicleta, o que abateu tanto a esposa quanto a mãe, que ainda tentava interferir em sua vida. A propósito, Barbara Stanwyck e Ruth Stanhoope jamais se gostaram.

Outros filmes foram feitos com Robert Taylor entre 1946 e 1950, porém nenhum que tivesse o grande impacto que servisse para a recuperação de seu prestígio anterior.
Lábios que Escravizam/The Bribe (1949), com Ava Gardner (1922-1990), com quem teve um romance fora das telas (e segundo a autobiografia da atriz, lançada na década de 1980, ela teria tirado a impotência de Bob devido ao consumo de cigarros), e ainda no auge da beleza, foi um razoável exemplar mediano de clássico noir. Sua co-estrela seguinte foi a jovem Elizabeth Taylor, então com 17 anos de idade. Uma história divertida revelou que ela o excitava tanto durante suas cenas de amor de Traidor/Conspirator, em 1950, que ele ordenou ao cameraman que o fotografasse da cintura para cima.





Em 1950, enquanto estava na Itália estrelando o épico religioso Quo Vadis, cujas as filmagens duraram sete meses, sob a direção de Mervyn LeRoy, em Hollywood os rumores sobre o seu divórcio enchiam as colunas de fofocas e jornais. Realmente, algo estava no ar, quando estourou de vez a notícia da "outra" com quem Bob Taylor se envolvera em Roma, a estrelinha italiana Lia de Leo, com uma diminuta participação no filme (identificada como a pedicure chutada por Nero/Peter Ustinov)

Barbara largou tudo e tomou o primeiro avião para Roma. Encontrou tudo bem, uma vez que a ninfeta já havia sido descartada por Bob. Todavia, foi confirmada in loco a infidelidade do marido, e Barbara entrou com uma ação de divórcio tão logo regressassem aos Estados Unidos e, no início de 1951, estavam legalmente separados. Após o divórcio, Bob teve rumorosos casos com mulheres, mas esse aspecto era mantido sob estrita privacidade, e sua vida sempre foi livre de escândalos. Seu cavalherismo e sua afabilidade para com o belo sexo, o fruto da vida anterior e da inflluência materna, mantinham-no fora das manchetes picantes.

Um dos casos de Bob foi com a atriz Eleanor Parker, então uma bela jovem de 31 anos, que se apaixonou por Bob Taylor. Contracenaram em três filmes como par romântico: Seu Nome e Sua Honra/Above the Beyound (1953); Vale dos Reis/Valley of the Kings (1954); e Sangue Aventureiro/Many Rivers to Cross (1955). Foi durante as filmagens desta última película que Robert Taylor, em 1955, se casou com Ursula Thiess. Eleanor Parker recebeu a noticia com tristeza e decepção, uma vez que ainda nutria esperanças de casar com ele. Mas Bob a via como uma "outra Barbara Stanwyck".

Com Ursula Thiess (falecida em 2010), que era divorciada do diretor alemão George Thiess, e mãe de dois filhos, Bob a tinha como o tipo ideal de mulher para casar. Depois de uma carreira como modelo fotográfico, ela virou atriz. Foi uma união feliz, e que deixou Bob sossegado e responsável. Com ela, Bob Taylor adorava viver em seu rancho, em Mandeville Canyon, e ainda tinha uma bela mansão, e alegre e feliz, criava galinhas, cuidava da plantação, e cavalgava ao lado da esposa. Sentia-se um rei em companhia de Ursula, de seus filhos, e dos filhos que ela lhe dera - Tery (1955) e Tessa (1959) - levando uma vida muito sadia.

Na década de 1950, Taylor se especializou também em faroestes, onde se destacaram A Bela e o Renegado/Ride Vaquero (1953); A Última Caçada/The Last Hunt (1956); Irmão contra Irmão/Saddle in the Wind (1958); Duelo na Cidade Fantasma/The Law and the Jake Wade (1958); O Mensageiro da Morte/The Hangman (1959); e Pistolas do Sertão/Cattle King (1963).

E foi o protagonista de filmes épicos além de Quo Vadis (1951); Ivanhoé, o Vingador do Rei/Ivanhoe (1952); Os Cavaleiros da Távola Redonda/Kinights of the Round Table (1954); e 'A Coroa e a Espada/Quentin Durward (1954).

Robert Taylor foi contratado da Metro-Goldwyn-Mayer por 25 anos ininterruptos (derrubando os 24 anos de Clark Gable). Ao expirar o prazo de seu último contrato com a MGM, fez nos estúdios de Culver City um thriller criminal razoavelmente bom, A Bela do Bas-fond/Party Girl, em 1958, sob direção de Nicholas Ray (1911-1979).

Em 1959, Taylor decidiu corajosamente ingresar na televisão, onde atuou como protagonista na série The Detectives, na ABC, interpretando o Capitão Matt Holbrook, que foi um sucesso imediato e total. Tranferiu-se para o canal NBC para fazer Robert Taylor's Detectives, variação do tema anterior.

Em 1964 voltaria a contracenar com Barbara Stanwick (1908-1990) no filme de horror The Night Walker. De 1966 a 1969, atuou ainda na televisão como anfitrião e astro ocasional em Death Valley Days, função que ele recebeu do amigo Ronald Reagan (1911-2004), que deixou a televisão para ingresar na política, onde se elegeria governador do estado da Califórnia, em 1966. Participou em filmes de televisão como astro convidado, na série Hondo, e também no western A Volta do Pistoleiro/Return of the Gunfighter (1966), para a MGM-TV, que marcou sua volta a Culver City, para uma despedida deifinitiva.
Entre 1964 e 1968, fez seus últimos filmes nos Estados Unidos e na Europa, nenhum porém com boa representividade para a carreira em declínio, consciente de que seus bons tempos já haviam passado.

Fumante inveterado, Bob consumia três maços de cigarros por dia, e a isso foi atribuído o câncer que o atacou nos pulmões. Diagnosticado o mal, teve extirpado o pulmão direito, em outubro de 1968. Abandonou o fumo, deixou de beber e passou a dormir mais cedo. Mas aí já era tarde demais. A doença continou a progredir e o consumia rapidamente. Na primavera americana de 1969, a deterioração era generalizada, e em 8 de junho do mesmo ano, Robert Taylor, um dos mais carismáticos galãs do cinema, morria no St. John's Hospital de Santa Monica, na Califórnia, aos 57 anos de idade.



Não obstante os estragos que o câncer havia lhe causado aos pulmões, ocasionando indescritíveis agonias durante seu último ano de vida, ele enfrentou o fim com resignação e coragem.

No necrológio feito durante os funerais, disse Ronald Reagan: Talvez cada um de nós tenha sobre ele lembranças próprias e diferentes, porém, de alguma forma, todas elas nos levam a um homem fino, delicado, e gentil.


FRASES DO ATOR
Tenho mais de 50 anos de idade. Meus cabelos ainda não estão grisalhos, mas as rugas já começam a aparecer. Cirurgia Plástica, nunca farei. Como gosto de trabalhar, aceito todo papel que venham a me oferecer, seja importante ou não, mas Galã, nunca mais. Detestaria me passar por ridículo.- 1966.

Trabalhar com ela foi uma experiência mágica. Eu era apenas um jovem e inexperiente rapaz de 25 anos, e ela estava com seus 31, e em plena florescência, e já uma lenda do cinema. Algumas pessoas disseram que minha atuação em "Camillie"(A Dama das Camélias)é a melhor de todas, e se for verdade mesmo, devo agradecer a ela e a George Cukor. Não se pode trabalhar com uma mulher como aquela sem captar um lampejo dela, e Cukor é um mestre em extrair o melhor de um ator.

- sobre sua colega Greta Garbo e o diretor George Cukor, sobre o filme "A Dama das Camélias".

Ela era ardente, talvez um pouco assanhada, mas profundamente gentil, longe de ser aquele monstro que alguns jornalistas fizeram dela.

- sobre sua colega, a atriz Jean Harlow (a 1ª loura platinada de Hollywood), em entrevista concedida em 1957.


JORNALISTA BRASILEIRO ENTREVISTOU ROBERT TAYLOR

SEU NOME: GILBERTO SOUTO


Sempre lembrado homem de cinema correspondente brasileiro em Hollywood da revista Cinearte, por muitos anos, Gilberto Souto (já falecido) contou em um de seus magníficos artigos publicados no Jornal O GLOBO em sua seção "Cinema, ontem e Hoje", ter almoçado com Robert Taylor, em 1936, quando seu namoro com Barbara Stanwyck era assunto em todas as rodas.

Logo, o Bob foi perguntando:
- De que vamos falar?- Nada receie - respondeu Souto - Não vou lhe pedir para que fale de Barbara.
Rindo muito, exclamou o ator:
- Meu Deus! até que enfim! Apareceu um que não quer se meter em minha vida privada.



FILMOGRAFIA
1934 - Handy Andy (br: Receita para Felicidade)
1935 - Buried Loot (br: Tesouro Enterrado)
1935 - Society Doctor (br: Especialistas de Amor)
1935 - West Point of the Air (br: Cadetes do Ar)
1935 - Magnificent Obsession (br: Sublime Obsessão)
1935 - Broadway Melody of 1936 (br: Melodia da Broadway de 1936)
1936 - His Brother's Wife (br: A Mulher de Meu Irmão)
1936 - Private Number (br: O Amor É Assim)
1936 - A Small Town Girl (br: Garotas do Interior)
1936 - The Gorgeous Hussy (br: Mulher Sublíme)
1937 - Camille (br: A Dama das Camélias)
1937 - This Is My Afair (br: A Força do Coração)
1937 - Broadway Melody 1938 (br: Melodia da Broadway 1938)
1938 - Three Comrades (br: )
1938 - A Yank at Oxford (br: Um Ianque em Oxford)
1938 - The Cross Roars (br: Fibra de Campeão)
1939 - Stand up the Fight (br: Amor de Espião)
1939 - Lucky Night (br: Noite Feliz)
1939 - Lady of the Tropics (br: Flor dos Trópicos)
1939 - Remember?
1940 - Flight Command (br: Supremo Comando)
1940 - Waterloo Bridge (br: A Ponte de Warteloo)
1941 - Billy The Kid (br: Gentil Tirano)
1942 - Johnny Eager (br: Estrada Proibida)
1943 - Bataan (br: A Patrulha de Bataan)
1944 - Song of Russia(br: A Canção da Rússia)
1946 - Undercurrent (br: Correntes Ocultas)
1949 - The Bribe (br: Lábios que Escravizam)
1950 - Conspirator (br: Traidor)
1950 - The Devil's Doorway (br: O Caminho do Diabo)
1951 - Quo Vadis (br: Quo Vadis?)
1952 - Ivanhoe (br: Ivanhoé, o Vingador do Rei)
1953 - Above and the Beyound (br: Seu nome e Sua Honra)
1953 - Ride, Vaquero! (br: A Bela e o Renegado)- 1953
1953 - All the Brothers Were Valliants (br: Todos os Irmãos Eram Valentes)
1954 - Knights of the Round Table (br: Os Cavaleiros da Távola Redonda)
1954 - Valley of the Kings (br: O Vale dos Reis)
1954 - Rogue Cop (br: Pecado e Redenção)
1955 - Many Rivers to Cross (br: Sangue Aventureiro)
1955 - Quentin Durward (br: A Coroa e a Espada)
1956 - The Last Hunt (br: A última caçada)
1956 - D-Day the Sixth of June (br: O Dia D)
1958 - Saddle the Wind (br: Irmão contra Irmão)
1958 - The Law of the Jake Wade (br: Duelo na Cidade Fantasma)
1958 - Party Girl (br: A Bela dos Bas-Fond)
1959 - The Hangman (br: O Mensageiro da Morte)
1959 - The House of the Seven Hawks (br: A Casa dos 7 Gaviões)
1960 - Killers of the Kilimanjaro (br: A Morte Vem do Kilimanjaro)
1963 - Castle King (br: Pistolas do Sertão)
1964 - The Night Walker (br: Quando Descem as Sombras)
1966 - Return of the Gunfighter (br: A Volta do Pistoleiro) (televisão)
1967 - Savage Pampas (br: O Selvagem dos Pampas)
1968 - The Glass Sphinx (br: A Esfinge de Cristal



Produção e pesquisa de Paulo Telles

BIBLIOGRAFIA: Robert Taylor, Galeria de Estrelas - Revista Cinemin, nº 54 em base em artigo escrito por João Lepiane.

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