quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Quo Vadis (1951): O Colossal Épico da Marca do Leão.


QUO VADIS (Quo Vadis), de 1951, dirigido por Mervyn LeRoy (1905-1987) iniciou um ciclo de épicos religiosos ou bíblicos que percorreria quase que toda década de 1950 até meados da década seguinte, produtos como "O Manto Sagrado" (1953), e sua seqüência "Demétrius e os Gladiadores" (1954); "O Cálice Sagrado"(1954), que foi a estréia de Paul Newman, que considerava um "Lixo"; "David e Bethsabé" (1951); "O Filho Pródigo"(1955), estrelado por Lana Turner; "Os Dez Mandamentos"(1956), de Cecil B. DeMille; "Ben-Hur"(1959) de William Wyler, campeão absoluto dos Oscars até empatar com Titanic, em 1999; "Rei dos Reis"(1961), belíssimo filme sobre a Vida de Jesus Cristo dirigido por Nicholas Ray; e entre outros, "Barrabás"(1962), com Anthony Quinn numa impressionante interpretação.



QUO VADIS foi um estrondoso sucesso de bilheteria. No Brasil então, principalmente no Rio de Janeiro, invadiu as salas dos saudosos Cine-Metro durante meses, onde estreou em grande circuito a 25 de fevereiro de 1952. Uma superprodução realizada pouco depois do surgimento da Televisão nos EUA (que ameaçava às salas de cinema e que só veio a ser amenizada com a criação da técnica Cinemascope, para não perder a concorrência).

Henryk Sienkiewicz (1846-1916), o autor da obra literária
Poster da versão de 1924, com Emil Jannings como Nero

Extraído da obra literária publicada em 1897 pelo polonês Henryk Sienkiewicz (1846-1916), prêmio Nobel de Literatura em 1905, e anteriormente levada às telas três vezes na era do cinema mudo, sendo a mais famosa a de 1924, estrelado por Emil Jannings (1884-1950), como Nero. A primeira versão data de 1902, de Ferdinand Zecca (1864-1947), o mesmo pioneiro que dirigiu, em 1905, La vie et la passion de Jésus Christ, mas hoje a película esta perdida e não há maiores informações. A Segunda versão cinematográfica do romance de Sienkiewicz é de 1912.



Peter Ustinov. como o obscuro Nero, numa brilhante
performance do ator na versão de 1951.
Peter Ustinov como Nero (sentado), e seu conselheiro Petronius
(Leo Genn), e o comandante da Guarda Pretoriana Tigelino.
(Ralph Truman)
Na versão de Mervyn Leroy, Nero é interpretado de forma soberba por Sir Peter Ustinov (1921-2004), que foi indicado ao Oscar de ator coadjuvante junto com Leo Genn (1905-1978), que faz a parte de Petronius, seu conselheiro e autor da Obra Satyricon (não mencionada nesta versão a autoria da obra pelo personagem, mas abordado por Federico Fellini num filme homônimo).


Robert Taylor é o comandante e tribuno Marcus Vinicius
Marcus Vinicius (Robert Taylor) e sua amada Ligia (Deborah Kerr)
Na Roma do Século I, o oficial Marcus Vinicius (Robert Taylor, 1911-1969), sobrinho de Petronius (Leo Genn, 1905-1978), conselheiro de Nero (esplêndida performance de Ustinov), apaixona-se por uma ex-escrava cristã, Lygia (Deborah Kerr, 1921-2007), filha adotiva de um general e adepta do cristianismo emergente. Através dela, Marcus acata aos poucos a fé religiosa e indispõe-se com o regime de Nero e o paganismo romano. Sobre os detalhes técnicos, podem parecer muito pueris para os padrões cinematográficos de hoje as seqüências do martírio dos cristãos sendo devorados pelas feras no circo romano, devidamente mal feitas, mas o filme em si ainda consegue prender o espectador se souber também dar asas a sua imaginação, e sem contar aqueles que poderão também assisti-lo sob a ótica religiosa, e se emocionar pelo olhar da fé.


Marcus e Ligia presos nos ergástulos do circo de Nero
Trata-se, antes de qualquer coisa, de uma história de Amor, Intriga, Poder, Loucura, e é claro, Fé e Religião. O Incêndio de Roma e a loucura de Nero são retratados de forma convincente, e é impressionante a Marcha Triunfal do Palácio do Imperador, uma multidão de figurantes e extras bem organizados sob a supervisão dos diretores de Segunda Unidade (que controlavam tudo com tiros de pistola), pois não se sonhava sequer em computação gráfica ou coisas deste tipo que hoje proporcionam truques simples e menos custosos (mas não menos eficientes).

Ursus (Buddy Baer) luta com o touro para salvar sua
ama Ligia.
Destaque também para a luta do Gigante Cristão Ursus (interpretado pelo Lutador Buddy Baer, 1915-1986) contra um touro no Circo romano, para salvar Lygia, sua protegida, amarrada num tronco . Embora fascinante luta entre o gigante e o animal, esta versão de Quo Vadis foi a única a não respeitar o romance de Sienkiewicz, no tocante à cena em que Ursus enfrenta o touro na arena do circo de Roma.

Ligia (Deborah Kerr) em perigo
Ursus (Buddy Baer) preparado para confrontar o touro
na arena de Nero.

Na obra de Sienkiewicz, a amada de Vinícius é amarrada ao corpo do animal, completamente despida. Para defendê-la, Ursus teria que lutar com o touro mas, ao fazê-lo, colocaria em risco a integridade física de sua protegida, o que tornava sua tarefa ainda mais difícil. Aliás, era essa a intenção de Popeia, esposa de Nero (no filme, interpretada pela exuberante inglesa Patricia Laffan) ao planejar o cruel espetáculo.

Nero (Peter Ustinov) e a imperatriz Poppea (Patricia Laffan)
A Imperatriz Poppea (Patricia Laffan)
Todas as demais versões cinematográficas respeitaram esse detalhe (salvo quanto à nudez da personagem, que nem mesmo a versão polonêsa de 2001 ousou adotar), menos a de Mervyn LeRoy, que preferiu colocar Lígia (convenientemente trajada) atada a um tronco fincado na arena, assistindo Ursus enfrentar o touro.


Os Apóstolos Pedro (Finlay Currie) e Paulo (Abraham Sofaer),
realizando uma missa nos arredores do Coliseu.

São Pedro (Finlay Currie) e sua benção urbi et orbi

A expressão Quo Vadis? é latina, e significa uma pergunta: “Aonde Vais?". Quando estavam na Via Appia (principal via de acesso a Roma) já fora da cidade, São Pedro (no filme de LeRoy, interpretado pelo irlandês Finlay Currie, 1878-1968) que estava com seu jovem discípulo Nazarius, avistou um homem que vinha em sentido contrário. Quando este se aproximou, Pedro reconheceu que era Jesus (segundo a tradição, apenas Pedro o viu), e perguntou para Jesus: “Dominus quo vadis”, que quer dizer: “Para onde vais, Senhor?”. Jesus respondeu que estava voltando para Roma para morrer com seu povo e ser crucificado pela segunda vez.


São Pedro (Finlay Currie) abençoa a união de Ligia (Deborah
Kerr) e Vinicius (Robert Taylor), que acaba se convertendo a
fé de Cristo.
Quando Pedro ouviu o que Jesus disse, entendeu que precisava voltar para Roma. Mesmo contrariando a vontade de seus amigos e seguidores, era mais importante atender a vontade do Senhor. Logo depois deste fato, Pedro foi capturado e morto, crucificado de cabeça para baixo na Colina Vaticana. Por curiosidade, esta passagem da visão de Jesus para Pedro se encontra no Evangelho apócrifo “Atos de Pedro”, que é um texto não oficial da Igreja, mas que serviu de base para Henryk Sienkiewicz compor sua obra literária.


Petronio (Leo Genn) exige de Nero que este assine seu
decreto contra os cristão para perpetuar na História.
Destaque também para a cena do incêndio em Roma que não deixa a desejar. Anthony Mann (1906-1967) dirigiu parcialmente esta sequência, infelizmente sem os créditos que lhe eram devidos.


Leo Genn, como o inesquecível Petronius.
Leo Genn dá vida a Petronius (ou Petrônio), em verdade um personagem histórico (Marcus Vinicius e Lygia são fictícios). Seu nome verdadeiro era Caius Petronius, e tinha o título dado pela corte imperial como o “Árbitro da Elegância”, devido ao seus modos refinados e educação esmerada. Petronius era um dos conselheiros do Imperador Nero, mas não nutria de amores pelo tirano.
Petronius e sua amada escrava Eunice (Marina Berti)
Nascido de uma família aristocrática e abastada, mostrou toda sua competência política ao ocupar os cargos de governador e depois o de cônsul da Bitínia, na atual Turquia. Depois ocupou o cargo de conselheiro de Nero, sendo nomeado arbiter elegantiae (árbitro da elegância), em 63. Dois anos mais tarde, acusado de participar na conspiração contra o imperador e caindo em desfavor, acabou com sua estranha vida, uma mistura de atividade e de libertinagem, no ano de 66 d.C., cometendo um lento e relaxado suicídio, abrindo e fechando as veias, enquanto discursava sobre temas joviais, mandando para Nero um documento no qual detalhava seus abomináveis passatempos.
A bela atriz italiana Marina Berti como Eunice
Henryk Sienkiewicz deu a Petronius uma legenda romântica em sua obra. Para ainda mais humaniza-lo, criou uma personagem fictícia, uma escrava das províncias da Espanha chamada Eunice, que no filme de 1951 foi interpretada pela bela atriz italiana Marina Berti (1924-2002), por quem o conselheiro imperial se apaixona. Tanto no romance de Sienkiewicz quanto nas versões cinematográficas da obra, ela comete suicídio junto com seu amado amo e senhor.


Eunice e Petronius, um amor que vai além da vida.
Sobre Petronius, na famosa obra Anais, o historiador Tácito (55 – 120 d.C) traçou uma imagem viva, que vale a pena ser lembrada e transcrita:

Petrônio consagrava o dia ao sono, e a noite aos deveres e aos prazeres. Se outros chegam à fama pelo trabalho, ele adquiriu-a pela sua vida descuidada.

Não tinha a reputação de dissoluto ou de pródigo, como a maioria dos dissipadores, mas a de um voluptuoso refinado em sua arte. A própria incúria, o abandono que se notava nas suas ações e nas suas palavras, davam-lhe um ar de simplicidade, emprestando-lhe um valor novo.


Contudo, procônsul na Bitinia e depois cônsul, deu prova de vigor e de capacidade. Voltando aos seus vícios ou à imitação calculada dos vícios, foi admitido entre os poucos íntimos de Nero e tornou-se na corte o árbitro do bom gosto: nada mais delicado, nada mais agradável do que aquilo que o sufrágio de Petrônio recomendava ao príncipe, sempre embaraçado na escolha.


Nero e sua corte, com uma maquete da "nova Roma".
Nasceu daí a inveja de Tigelino, o prefeito do pretório e poderoso conselheiro de Nero, que receava um concorrente mais hábil do que ele na ciência da volúpia. Conhecendo a crueldade do imperador, sua qualidade dominante, insinuou que Petrônio era amigo do conjurado Flávio Scevino; em seguida comprou um delator entre os escravos do acusado, sendo-lhe vedada qualquer defesa e mandando prender membros da sua família. O imperador encontrava-se então na Campânia e Petrônio tinha-o acompanhado até Cumes, onde recebeu ordem de ficar.

Ele, sabendo que o seu destino já estava marcado, repeliu tanto o temor quanto a esperança, mas não quis se afastar bruscamente da vida. Abriu as veias, fechou-as depois, abrindo-as novamente ao sabor da sua fantasia, falando aos amigos e ouvindo por sua vez, mas nada havia de grave nas suas palavras, nenhuma ostentação de coragem; não quis ouvir reflexões sobre a imortalidade da alma, nem sobre as máximas dos filósofos: pediu que lhe lessem somente versos zombeteiros e poesias ligeiras. Recompensou alguns escravos e mandou castigar outros; chegou a passear, entregou-se ao sono a fim de que sua morte, ainda que provocada, parecesse natural.


Não adulou no seu testamento Nero ou Tigelino ou qualquer outro poderoso do dia, como fazia a maioria dos que pereciam. Mas, em nome de jovens impudicos ou de mulheres perdidas, narrou as davassidões do príncipe e os seus refinamentos; mandou o escrito a Nero, fechado, imprimindo-lhe o sinete de seu anel, que destruiu a fim de que não fizesse vítimas mais tarde.”

Era esse o ambiente da corte de Nero. Porém havia nela um personagem desse mundo cheio de contrastes – Petrônio. A maioria de seus críticos admite que foi ele o “arbiter elegantiarum” da época, o autor do “Satiricon”.



E entre os muitos estudiosos interessados no assunto houve inclusive opiniões divergentes, mas o parecer mais acertado parece ter sido o do estudioso italiano Marchesi: “Petrônio, nos últimos momentos da vida, teria acrescentado alguma página ao seu romance, enviando-a ao imperador, feroz e desequilibrado, como presente de uma vítima aristocrática e refinada.

O filósofo Sêneca enviou alguma página de moral; Petrônio, a pintura e a descrição daquele mundo terrivelmente corrupto”. O Satiricon não nos chegou íntegro e sim fragmentário. Mesmo assim, o que ficou do mesmo basta para considerar as páginas de Petrônio como um monumento literário de incomparável beleza artística e de inestimável valor para a reconstrução da vida particular da antiga Roma.


Elizabeth Taylor chegou a ser Ligia nos primeiros takes de John Huston.
Gregory Peck, já escalado por John Huston, seria Marcus Vinicius.
Rodado nos estúdios de Cinecittá (o primeiro filme colorido saído desse estúdio), em Roma, pela Metro Goldwyn Mayer, então a mais poderosa Empresa de Cinema de Hollywood e a sua “Marca do Leão”, a versão cinematográfica de 1951 levou 12 anos em preparativos e começou a ser filmado em 1949, sob direção de John Huston, e os astros principais eram Gregory Peck (como Marcus Vinicius) e Elizabeth Taylor (como Lygia). Custou no total sete milhões de dólares, o mais caro filme produzido até então (E O Vento Levou, também da MGM, custou 4,5 milhões de dólares em 1939).  Porém, o Chefão da Metro, Louis B. Mayer (1884-1957), não gostou do roteiro, que queria um épico religioso aos moldes de Cecil B. DeMille, e não um tratamento moderno, no então momento, para Nero, assemelhando-o a Adolf Hitler em sua obstinada perseguição aos Cristãos, seu protótipo parceiro de loucura.


O lendário Louis B. Mayer, o chefão da MGM
B.Mayer chamou Huston à casa dele para uma reunião no café da manhã, e já que costumava buscar todos os argumentos nos bons tempos passados, começou a contar a Huston como tinha ensinado a fabulosa atriz e cantora Jeannete MacDonald a cantar “Oh, Sweet Mystery of Life” cantando “Eli, Eli” para ela. Em hebraico. Ela chorou. Mayer entoou aquela triste canção para o cineasta. Mais tarde, John Huston contou que Mayer havia dito que se ele pudesse dirigir Quo Vadis daquela maneira, que ele viria rastejando de joelhos e beijar suas mãos. Huston abandonou a direção, após uma série de diferenças com Louis B. Mayer, e gastos em Roma começaram a ficar dispendiosos (cerca de 2 milhões de dólares já haviam sido gastos e nada). Logo, Gregory Peck também abandonou o barco (acabou contraindo uma infecção nos olhos) e Liz Taylor (que alegou outros projetos mas acabou numa ponta de multidão no filme, com outra atriz que se tornaria famosa, Sophia Loren).


Nero mata sua esposa Poppea
As cenas principais foram todas rodadas em 1950, já com outros atores e diretor (Mervyn LeRoy), entretanto sequências adicionais e a montagem final retardaram a estreia nos cinemas americanos até novembro de 1951. Só Peter Ustinov e seu Nero foram mantidos. Mudados roteiro, diretor e atores centrais, a produção seguiu seu curso em Cinecittá durante 7 meses. 


O Diretor Mervyn LeRoy.
Assumindo Mervyn LeRoy a direção, este contratou 60 mil figurantes e os dirigiu com tiros de pistola, do alto de um guindaste sobre os estúdios de Cinecittá. Arranjou mais de 50 leões, todos que o pessoal da MGM conseguiu nos circos da Europa. LeRoy era um cineasta competente e admirado por Louis B. Mayer, que tinha supervisionado sucessos bem cuidados, como Alma do Lodo (Little Caesar), em 1931, o filme que decolou Edward G. Robinson ao estrelato.


Marcus Vinicius (Robert Taylor) alerta para o povo sobre
a corrupção de Nero.
Os Cristãos na arena, prontos para os leões.
Voltando a parte técnica da produção, foi dito que os efeitos da ação na sequência do martírio dos cristãos na arena sendo devorados pelos leões não é considerada das mais bem realizadas, o que é bem compreensível. O próprio diretor LeRoy, anos mais tarde, admitiu esta falha. Ele não conseguia fazer com que os leões simulassem a carnificina esperada, logo, ele teve que recorrer às mais antigas tradições de tapeação de Hollywood. Assim ele disse: “Enrolei, mandando os homens da equipe rechearem roupas com carne crua, de maneira que parecessem cristãos caídos no chão, então trouxemos os leões à força e eles comeram aqueles ‘corpos’. Reforcei com close-ups falsos de leões, feitos pelos técnicos, pulando sobre as pessoas de verdade. Funcionou, embora eu nunca tenha conseguido a cena exatamente como queria”.

Papa Pio XII
Mervyn LeRoy visitou o Papa Pio XII(1876-1958) e lhe chegou a pedir para que benzesse o roteiro de Quo Vadis, que foi escrito por John Lee Mahin (1902-1984), S. N Behrman (1893-1973), e Sonya Levien (1888-1960)- e que por acaso, tinha levado consigo, e o papa pôs suas mãos sobre o script, murmurou algumas palavras em latim e disse em inglês: “Que seu filme tenha muito sucesso”. E foi profética tal afirmação do Papa.


Ligia (Deborah Kerr), com Ursus (Buddy Baer), Nazarius (Peter
Milles), e sua mãe Miriam (Elspeth March).
Mesmo sendo um tanto opressor para conquistar Ligia, esta ama
Marcus Vinicius.
Um superespetáculo produzido por Sam Zimbalist (1904-1958), que produziria também 8 anos depois outro retumbante épico, Ben-Hur, produção definitiva esta que o talentoso Sam não pôde acompanhar o sucesso e a glória de seus louros, pois pouco antes de terminadas as filmagens do monumental épico de William Wyler (1902-1981) e estrelada por Charlton Heston, Zimbalist teve um fulminante ataque do coração, vindo a falecer, em Roma, a 4 de novembro de 1958.


O Apóstolo Paulo (Abraham Sofaer) e Marcus Vinicius (Robert
Taylor).
Marcus e Ligia: Um amor a desafiar todo o Império Romano.
Peter Ustinov, numa performance imortal como Nero.


 A partitura musical célebre de Miklos Rozsa (1907-1995) foi a primeira trilha sonora do cinema que obteve grande vendagem de discos, inclusive no Brasil, e ajudou a garantir a extraordinária popularidade desta refilmagem para o cinema contemporâneo.


QUO VADIS em grande circuito nos cinemas METROS do Rio
de janeiro em 1954.
Indicado para os Oscars de melhor fotografia, figurino, direção de arte, ator coadjuvante (para dois, Leo Genn e Peter Ustinov), montagem, e filme. O Romance ainda seria levado a tela por mais duas vezes. Em 1985, para a RAI, a Tv Italiana, em forma de minissérie, dirigido por Franco Rossi, tendo Klaus Maria Brandauer como o Imperador Nero, e Francesco Quinn, filho do ator Anthony Quinn, como Marcus Vinicius; e em 2001, na Polônia, terra natal do autor da obra literária, numa superprodução cinematográfica dirigida Jerzy Kawalerowicz e fidelíssimo ao livro, com 274 minutos de duração e exibida especialmente para o Papa João Paulo II e sua comitiva quando visitou a Polônia no mesmo ano.




A opulência deste superespetáculo reflete a qualidade do cinema hollywoodiano em seu período de ouro, contendo uma das mais grandiloquentes passagens já  registradas em filme épico, com a marcha triunfal das legiões romanas, os mártires cristãos do circo de Nero (baseado no Coliseu, onde Cinecittá reconstituiu com capacidade para 30.000 extras), e o incêndio de Roma.


FICHA TÉCNICA

QUO VADIS

(Quo Vadis)

País – Estados Unidos (filmado nos estúdios de Cinecittá, em Roma).

Ano: 1951

Direção: Mervyn Leroy, Anthony Mann (não creditado)

Produção: Sam Zimbalist, para a Metro Goldwyn Mayer.

Roteiro: John Lee Mahin, Sonya Levien, e S.N. Behrman, com base no romance de Henry Siemkiewicz.

Música: Miklos Rozsa

Fotografia: Robert Surtees, William V. Skall.

Metragem: 168 minutos.

ELENCO:

Robert Taylor – Comandante Marcus Vinicius
Deborah Kerr – Ligia
Leo Genn –Petronius
Peter Ustinov – Nero, o Imperador
Patricia Laffan – Poppea
Finlay Currie – Apóstolo Pedro
Abraham Sofaer – Apóstolo Paulo
Marina Berti – Eunice
Buddy Baer – Ursus
Felix Aylmer – Plautius
Nora Swinburne – Pomponia
Ralph Truman – Tigelinio
Norman Wooland – Nerva
Peter Miles – Nazarius
Nicholas Hannen- Seneca
Rosalie Crutchley – Acte
Arthur Valge – Croton
Elspeth March – Miriam
Pietro Tordi – Galba
Walter Pidgeon – Narrador.

PRODUÇÃO E PESQUISA DE
PAULO TELLES
Matéria atualizada em 11 de fevereiro de 2017.

23 comentários:

  1. Que texto cheio de riqueza e história.

    Parabéns. Concordo muito com a primeira parte quando diz que Gladiador foi um resgate rápido.

    ResponderExcluir
  2. Verdade, caro Renato. Foi um resgate bem passageiro, e duvido que venhamos a ter tão cedo um grande espetáulo com tais proporções. Obrigado pelos comentários. Saúde e paz.

    ResponderExcluir
  3. Grande lembraça a sua, desse clássico imperdível do cinema. Realmente a década de 50 foi dominada pelos filmes épicos, que antes eram exibidos frequentemente nos feriados religiosos na tv aberta, mas que hoje está relegado aos canais de filmes clássicos, Como Telecine Cult ou TCM, que infelizmente nem todos tem acesso. Tem também a opção dos DVDs ou blu-rays, mas são filmes que devem ser conhecidos. Eu tenho também o livro que deu origem a Quo Vadis. Abraço forte, Paulo.

    ResponderExcluir
  4. Certamente, Gil. Penso a mesma coisa, pois infelizmente nem todos tem acesso aos canais pagos, mas com a disposição dos DVDS e agora Blu-Rays (que ainda ta um pouco salgadinho o preço), os aficionados terão oportunidade de assistirem quando quiserem.

    O livro de Sienkiewicz já li em duas ocasiões, decerto é uma obra literária e tanto. Grande abraço Gil, e obrigado.

    ResponderExcluir
  5. É um grande épico. Vi inúmeras vezes. Só me chateia o fundo religioso.

    O Falcão Maltês

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Mas é impossível dissociar o fundo religioso do restante do filme. O enredo ficaria meio manco.

      Excluir
  6. Compreendo, Nahud. Entretanto, perderia, na minha opinião, um pouco de graça, de maneira que o próprio romance de Sienkiewicz tem apelo para a religião.

    Além disso, o público daquele período era outro, e certeiramente os temas religiosos e bíblicos ajudaram a multiplicar "os pães e peixes" da bilheteria. Hollywood lucrou com isso e vc sabe. Forte abraço e Obrigado, Nahud.

    ResponderExcluir
  7. Primoroso texto, Paulo. Pobre (e maravilhosa) Deborah Kerr em meio a tanta perversão. Há filmes que são inteiramente roubados por um único ator e este é o caso de Peter Ustinov como Nero. O azar de Quo Vadis é que nessa mesma década tivemos Ben-Hur e Spartacus, não é mesmo. Quanto à questão religiosa, filmes bíblicos eram pretextos para se mostrar aquilo que o Código Hays não permitia.
    Parabéns e um abraço.

    ResponderExcluir
  8. Olá Darci..é mesmo, não havia pensando nesta possibilidade. O CÓDIGO HAYS foi a representação de todo código moral e censura dos anos de 1930 até meados dos anos de 1960. Havia alguns diretores, que já em meados dos anos de 40 e 50 já ousavam afrontar o código, sem contudo, ir muito longe, porque espertos como eram, evitavam qualquer boicote.

    Já que vc leu o texto, deu para entender quem era este magnata chamado Louis B. Mayer. Era um moralista e assíduo defensor da moralidade e do código de censura então vigente, e faz muito sentido o John Huston ter entrado em uma série de divergências contra B. Mayer sobre o scripit (aliás, adaptar um livro como QUO VADIS não é uma tarefa fácil), e Huston já tinha uma visão mais liberal do que qualquer outro cineasta de seu tempo.

    Mas além de tudo isso, Darci, o espectador daqueles tempos era outro, o público era outro e as pessoas pareciam ter a tendência em assistir as histórias épicas da Bíblia por, no mínimo, dois motivos: 1- Transferir para as telas histórias sagradas em superprodução, em magnitude numa sala de cinema, o que justificou a criação do CINEMASCOPE, para assim vencer a concorrência da TV; 2- Viram que a Bíblia poderia ser uma fonte de renda nas bilheterias, mas que com o tempo, se ficassem para lá de "carolas", o gênero poderia ser desgastado, o que fatalmente veio à acontecer após o lançamento de BEN-HUR, em 1959. Já nesta fase, o público já não suportava tanto, muito embora o filme de Wylliam Wyler rendeu 11 Oscars, mas um épico cuja história não ficou apenas no fundo religioso, pois como sabemos o CLIMAX MAXIMUS do filme foi a espetacular corrida de quadrigas.

    Deborah Kerr é uma das minhas atrizes favoritas, e não vejo outra atriz daquela época que pudesse afzer tão bem a Lygia (ainda bem que não Elizabeth Taylor, rs).

    Abraços e obrigado por seu valoroso comentário, Darci.

    ResponderExcluir
  9. Que Loucura relembrar este filme tão espetacular;estava meio apagado na minha memória,mas quando dei início á leitura,começaram a estourar que nem pipocas na minha cabeça as imagens e lembranças deste épico.Sensacional.Grande abraço.

    ResponderExcluir
  10. Oi amiga, Suzane, tudo bem? Esté é um épico inesquecível, e já tem a disposição em DVD e Blu-Ray.

    Já que vc gosta muito de trilhas, é imbatível a presença do grande maestro e compositor da Sétima Arte, o Dr. Miklos Rozsa, que além de outras composições para obras de outros gêneros, também deu o ar de sua imensa graça compondo outras trilhas para épicos, como BEN HUR, EL CID, OS CAVALEIROS DA TÁVOLA REDONDA, e o REI DOS REIS. Aqui foi publicado um artigo sobre este grande nome do Score cinematográfico.

    Forte abraço, Su. Saúde e sucesso para vc sempre.

    ResponderExcluir
  11. Paulo,sabe quando vc se depara com uma prateleira repleta de clássicos em uma loja e pega 20 na mão e não sabe qual comprar? Pois bem, sempre que visito a AMERICANAS em minha cidade, ou até mesmo sites na net para comprar filmes, sempre vejo QUO VADIS lá e sempre penso comigo, hoje eu vou leva-lo mas sempre me aparece algum outro e acabo trocando.... gosto dos épicos religiosos mas não é a minha primeira opção entende... e dessa forma até hoje não vi esse filme, assim como outros épicos famosos que também ainda nao vi, Maaas graças a sua ótima matéria, cheia de detalhes, curiosidades não tenho como resistir, quero esse filme agora. Vou compra-lo sem duvidas. Curso História na Universidade e ja estudei sobre Roma, o que me fez interessar mais ainda pelo Filme.

    Parabéns pelo ótimo Blog, cada vez melhor, sua página é sem dúvidas uma das mais completas que temos sobre esse assunto....

    Abração

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Saudações, Jefferson, eu sei exatamente o que vc esta falando. Como primeira opção minha não fica também os épicos, sejam eles de teor religioso, mitológico ou histórico. Gosto muito das aventuras e dos faroestes, entretanto vale uma conferida nesta obra de Mervyn LeRoy, estrelada por Robert Taylor e Deborah Kerr.

      Também curto História. Quem gosta de História Antiga, Roma, curte sobre o período clássico romano,a difusão do Cristianismo, enfim, o filme QUO VADIS é uma referência precisa.

      Não deixe de assistir, Jefferson, pelo menos uma vez na vida.

      Forte abraço e um ótimo fim de semana

      Paulo Néry

      Excluir
  12. Falhas à parte, cenas concluidas não de acordo com desejos de diretor, situações prontas de divergencias e desacordos,e etc,etc.
    Enfim, nada disso tira o enorme mérito desta super produção maravilhosa e muito bem feita para a época (1951), onde apenas Cecil B de Mille ousava incursões. E olhe-se que sua melhor obra, Sansão e Dalila/49, é centenas de vezes inferior e esta grandiosa produção da Metro.
    Um espetáculo para ver e rever e ainda te-la em casa. Um filme com qualidades incontestáveis e com um elenco que, se não obteve os Oscar's merecidos, ao menos podem se considerar injustiçados, como é constante com a Academia de Hollywood cometer estes deslizes.
    Um filme enorme em beleza, grandeza e espetáculo, que somente neste blog consegui ver um trabalho sobre o mesmo. E um trabalho muito bem arquitetado, onde tirei todas as duvidas que tinha sobre esta obra maior do perfeito Mervin Le Roy.
    jurandir_lima@bol.com.br

    ResponderExcluir
  13. Realmente, Jurandir, estes problemas sempre vem a acontecer nas maiores superproduções do cinema, mas quando conseguem seu êxito, tais problemas são considerados "café pequeno" em vista de tanto sucesso alcançado nas bilheterias, e não somente, mas também no entusiasmo do público.

    Obrigado por mais este comentário, meu nobre. Forte Abraço.

    Paulo Néry

    ResponderExcluir
  14. PAULO, MAIS UMA VEZ RENDO-LHE VASSALAGEM. GRANDE POST.
    QUO VADIS É UM GRANDE ÉPICO, QUER QUEIRAM QUER NÃO. PETER USTINOV E A TRILHA SONORA DE MIKLOS ROSZA DOMINAM O FILME.
    ALGUMAS CURIOSIDADES:ALÉM DA LIZ, SOPHIA LOREN E BUD SPENCER TAMBÉM FAZEM PONTAS;SERGIO LEONE, ASSISTENTE DE SEGUNDA UNIDADE; NA CENA QUE BUDD BAER DEFENDE LYGIA, PUDE PERCEBER QUE NA CENA QUE ELE APARECE DE COSTAS PARA SEGURAR O TOURO, ELE,EVIDENTEMENTE, TEVE UM DUBLÊ!
    OS "CINEMEIROS DA ÉPOCA" JÁ CASADOS DERAM O NOME DE LYGIA ÀS SUAS FILHAS, UMA HOMENAGEM A GRANDE E MARAVILHOSA DEBORAH KERR. O MESMO FENOMENO ACONTECEU NA DÉCADA ANTERIOR COM O FILME GILDA, QDO OS FÃS DE CINEMA HOMENAGEARAM A GRANDE RITA HAYWORTH, DANDO O NOME DE GILDA ÀS SUAS FILHAS. NEVER WAS A WOMAN LIKE GILDA, DIZIAM OS CARTAZES DA ÉPOCA.
    UMA OUTRA HOMENAGEM FOI DADA AO GRANDE HELENO DE FREITAS,QDO OS INVEJOSOS O CHAMAVAM DE GILDA.
    O MAIS ENGRAÇADO QUE NÓS TUPINIQUINS PRONUNCIAMOS GILDA QDO AO CERTO A PRONUNCIA É "GUILDA'...E POR AÍ VAI...
    A REALÇAR, AINDA, A BELEZA DA MARINA BERTI, QUE,INFELIZMENTE, NÃO FEZ CARREIRA!
    BEN-HUR FOI FILMADO EM CÂMERA 65(MGM CAMERA 65).
    FINALIZANDO QUERO PARABENIZÁ-LO PELO ÓTIMO TRABALHO, E MORMENTE POR SALIENTAR QUE UM DOS PONTOS ALTOS DO FILME É A CORRIDA DE "GUADRIGAS". VOCÊ É A PRIMEIRA PESSOA QUE FALA CORRETAMENTE. TODAS AS PESSOAS DIZEM CORRIDAS DE BIGAS! BIGAS SERIA COM DOIS CAVALOS, LOGO QUADRIGA É COM QUATRO CAVALOS! QUE DIRIGIU ESSA NOTÁVEL SEQUENCIA FOI O GRANDE YAKIMA CANUTT!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sabe Eddie, sem querer parafrasear o grande A.C Gomes de Mattos, este gigante da informação da Sétima Arte em nosso país, mas já o fazer: Seus comentários enobrecem, enriquecem ainda mais meu espaço. Obrigado pelas informações adicionais quanto ao post, que até o momento, ignorava.

      Sabia sim das participações de Liz Taylor e Bud Spencer, que foi cortado aqui injustamente, mas fazendo uma ressalva, Spencer era um dos guardas de Nero. A cena mais marcante de Bud foi quando estando com Nero (Ustinov) e outros soldados, eles caminham no coliseu depois da carnificina dos cristãos, e surpreso, Nero vê os corpos mutilados dos cristãos, cujas faces sorriem, e o soldado interpretado por Bud Spencer segurando uma tocha, já que a cena é a noite.

      Sobre BEN HUR foi escrito um artigo em 2009, onde também expresso a correção. Bigas são apenas dois cavalos (BI, dois), Quadrigas vem de quatro, logo o carro que Ben Hur e Messala conduzia nas corridas eram quadrigas.
      Veja lá: UM POUCO SOBRE BEN HUR!

      http://articlesfilmesantigosclub.blogspot.com/2010/09/um-pouco-sobre-ben-hur.html

      Excluir
  15. Tenho o dvd e a trilha sonora de "Quo Vadis" em Lp e Cd.

    ResponderExcluir
  16. Filme Genial! O fundo religioso o torna especialmente diferente de outros filmes. Este e um filme com sentimento. E na minha opniao as cenas do massacre dos crist'ao foram as melhores. N'ao caberia naquela epoca mostrar em detalhes pessoas sendo devoradas por leoes. A trilha sonora, as locacoes, o rotereiro e os atores sao estupendos. Fui assistir este de 2011 com toda a tecnologia atual nao consegui assistir 10 minutos de tao ruim.

    Jannsen

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Jannsen, sem dúvida a maior e mais famosa versão do romance de Sienkiewicz foi produzida em 1951 e vem sendo referência ao longo de 6 décadas. Muito embora as versões de 1985 e de 2001 sejam mais fiéis ao livro, e com todo equipo das novas produções, ainda assim não superam a versão estrelada por Deborah Kerr e Robert Taylor.

      O editor.

      Excluir
  17. Na cena do touro, eis quem de fato o segura pelos chifres: Nuno Salvação Barreto.

    http://farpasblogue.blogspot.com.br/2015/12/a-nossa-homenagem-nuno-salvacao-barreto.html

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Luiz! Sim, é verdade. Me informaram que era um toureiro português, e que dublou Buddy Baer na cena.

      Saudações.

      Excluir

NOTAS DE OBSERVAÇÃO PARA PUBLICAÇÃO DE COMENTÁRIOS.

1)Os Comentários postados serão analisados para sua devida publicação. Não é permitido ofensas ou palavras de baixo teor. É Importante que o comentarista se identifique para fins de interação entre o leitor e o editor. Comentários postados por "Anônimos" sem uma identificação ou mesmo um pseudônimo não serão publicados e serão tratados como spam

2)Anúncios e propagandas não são tolerados neste setor de comentários, pois o mesmo é reservado apenas para falar e discutir as matérias publicadas no espaço. Caso queira fazer uma divulgação, mande um email para filmesantigosclub@hotmail.com. Grato.

O EDITOR


“Posso não Concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte seu direito de dize-la”

VOLTAIRE

Outras Matérias

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...