sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Estudo Acurado Sobre os Westerns de Anthony Mann.

Difícil comentar quem seria o maior de todos os diretores do gênero Western: John Ford ou Anthony Mann? Contudo, como estamos a falar na categoria genuinamente norte-americana, nos concentramos em fazer uma breve comparação entre os cineastas.

John Ford (1895-1973) era um artesão, um mestre contador de histórias, que iniciou sua carreira ainda na fase muda do cinema, e todas suas obras contém uma mensagem de heroísmo, honra, coleguismo, amizade, e patriotismo, que futuramente seria representado por ninguém mais e ninguém menos do que Marion Michael Morrison, o “The Duke” John Wayne.

Através de Ford, Wayne personificou o herói americano por excelência. Entretanto, os heróis de Ford tendem a ser em alguns filmes personagens firmes e decididos, intocáveis e indestrutíveis, nada parece abalá-los, o que vem a diferenciar dos mocinhos apresentados nos westerns de Anthony Mann (1906-1967). É dele e de seus westerns que faremos uma análise acurada. Críticos atribuem a Mann o papel de renovador do gênero, por construir personagens mais realistas do que os compostos por John Ford e Howard Hawks, dois cineastas que servem de referência para o que há de melhor do gênero.

Anthony Mann, cujo nome verdadeiro era Emil Anton Bundmann, nasceu em 30 de junho de 1906. Após terminar o colegial em 1925, juntou-se uma trupe Off-Broadway como gerente de palco e ator, direcionando para o estágio no início dos anos de 1930. Em 1938 ele deixou Broadway para trabalhar para David O. Selznicks como diretor de elenco e supervisor dos testes de tela, depois de se mudar para a Paramount como diretor assistente. A partir de 1942, agora conhecido como Anthony Mann, começou a dirigir filmes de baixo orçamento para a RKO e República.Faleceu em Berlim, em 29 de abril de 1967, de um ataque do coração fulminante, enquanto dirigia “O Espião de Dois Mundos”, que foi terminado por seu astro principal, Laurence Harvey (1928-1973).

É sabido que, além de faroestes, Mann também dirigiu outras obras, inclusive grandes espetáculos épicos, como “El-Cid” e “A Queda do Império Romano” (também chegou a dirigir algumas cenas de “Quo Vadis” em 1951, mas sem créditos, que ficou a cargo de Mervyn Le Roy). Estava escalado para dirigir “Spartacus” e chegou a iniciar os trabalhos, mas se desentendeu com o astro Kirk Douglas (que era o produtor), que colocou no lugar o jovem Stanley Kubrick (1928-1999).

Sua segunda esposa foi a atriz e cantora espanhola Sara Montiel (também conhecida como Sarita Montiel), com quem ficou casado entre 1957-1963 e que a dirigiu no drama musical “Serenata” estrelado por Mario Lanza (1921-1959).

Se de uma maneira John Wayne (1907-1979) representou através de John Ford o estereotipo do herói americano em suas produções, James Stewart (1908-1997) representou para Anthony Mann o herói de natureza simples, com uma fortaleza que poderia ser abalável, e mesmo desajustado sob as regras da sociedade ou vítimas de preconceito, como no caso do índio interpretado por Robert Taylor em “O Caminho do Diabo”. Certa vez, ouvi de um estagiário de direito em meus tempos de funcionário público, que não apreciava os faroestes, porque todos eles faziam apologias ao massacre contra os índios americanos. Se ele soubesse quantos filmes americanos vieram a defender a causa indígena desde que esta película foi lançada (sendo que “Flechas de Fogo”, de Delmer Daves, iniciou esta fase do western) ele não falaria tal bobagem.

Mann declarava ser fã de John Ford : “O diretor que mais tenho estudado – meu diretor favorito – é John Ford. Em um só plano ele apresenta, mais rápido do que qualquer outro, o ambiente, o conteúdo, o personagem; Ford tem a maior concepção visual das coisas e eu acredito nisso. O choque de um só pequeno plano que possa fazer-nos entrever toda uma vida, todo um mundo, é muito mais importante do que o mais brilhante dos diálogos”. Podemos entender não somente a admiração de um diretor para com outro, mas como Mann, além de entender Ford como seu modelo, acrescentou algo inexistente nas obras fordianas: o teor psicológico dos personagens, motivando o espectador a estuda-lo e analisa-lo. Mann, com isso, veio a renovar o gênero, ao construir seus protagonistas menos heroicos do que os fordianos.

Os heróis de Mann foram bem desempenhados e cada um dos atores mereceu sem sombra de dúvida méritos por suas atuações. James Stewart, Gary Cooper, Henry Fonda, e Victor Mature destacaram-se pelo empenho que deram em suas dignas performances.


A SÉRIE DE CINCO FILMES ESTRELADOS POR JAMES STEWART

Só com James Stewart, Mann realizou cinco westerns, todos excelentes e obras CLASSE A no gênero:: Winchester 73 / Winchester 73 / 1950, E o Sangue Semeou a Terra / Bend of the River / 1952, O Preço de um Homem / The Naked Spur / 1953, Região do Ódio / The Far Country / 1954, Um Certo Capitão Lockhart / The Man from Laramie / 1955. Todos eles tinham em Stewart o herói simples e sofrido, justo, mas ao mesmo tempo, com sede de vingança e vontade implacável de mudar todo o sistema.

1)WINCHESTER 73- Idem (1950)
Raramente é lembrado pelos fãs de faroestes como um grande clássico do estilo. Talvez esse desprezo aconteça porque Mann jamais logrou alcançar a fama de um John Ford, e na verdade nem tinha tais pretensões, uma vez que era admirador do grande mestre. Mas os verdadeiros especialistas têm consciência da importância crucial da produção de filme e na renovação de um gênero que, após a II Guerra Mundial (1939-1945), já estava entrando em franca decadência. Esta obra de Mann flerta com a mitologia do Velho Oeste sem romper com ela, mas delineia um novo tipo de personagem que se tornaria fundamental nos faroestes dos vinte anos seguintes.
Lin McAdams (James Stewart, 1908-1997), um caubói sem casa, acostumado a viajar sem parar pelas grandes pradarias, junto com o parceiro Spade Frankie Wilson (Millard Micthell, 1900-1953)). Lin é um homem remoído pelo ódio e pelo desejo de vingança. Ele aporta em Dodge City, em 1876, à procura de um inimigo, que reconhece na figura de Dutch Henry Brown (Stephen McNally, 1913-1994). O nome do vilão é falso, mas o resto é conhecido; os dois quase se esmurram ao ver-se pela primeira vez, em um bar. Logo ambos estão disputando o lendário e caríssimo rifle do título, em um concurso de tiro ao alvo.
Lin vence a disputa, após uma contagiante briga com o inimigo, mas não fica com a arma durante muito tempo. Ele é emboscado no hotel por Dutch, que foge da cidade carregando o rifle que onze entre dez pistoleiros dariam um braço para ter. Passa, então, a ser perseguido por Lin, muito mais por um motivo que permanece um enigma para o espectador, e pertence ao passado em comum de ambos, do que pela arma. O filme não acompanha exatamente a trajetória de Lin, mas sim a do rifle, que troca de mãos várias vezes durante uma jornada imprevisível e excitante.

ESTUDO ACURADO: Um ponto que chama a atenção de imediato no filme é a maneira como Anthony Mann trata a mitologia do Velho Oeste. A mítica Dodge City, por exemplo, não é uma cidade segura tal como reza a lenda – senão, como um bandido como Dutch teria conseguido roubar Lin e fugir ileso? Da mesma forma, o xerife da cidade, o lendário Wyatt Earp (Will Geer, 1902-1978), é retratado pelo filme como um homem distraído, que se apóia mais na aura mítica de que desfruta para se impor aos pistoleiros do que pela habilidade no gatilho, uma fama que jamais tem a oportunidade de comprovar (se bem verdade, o Earp verdadeiro esta muito longe de ser um herói laureado de virtudes, como que retratado nos filmes como “Paixão dos Fortes” de John Ford, e “Sem Lei e Sem Alma”, de John Sturges, mas isto é uma outra história).

Em outras palavras, Anthony Mann foi o primeiro cineasta a questionar, ainda que de forma sutil, os mitos do Velho Oeste. Além disso, foi o primeiro western na história a introduzir o chamado western psicológico, filão do gênero caracterizado pela composição de personagens mais densos e profundos do que o comum. Reparem na fisionomia de James Stewart acima, é de assustar o mais temível dos facínoras.

2)O PREÇO DE UM HOMEM (The Naked Spur) - 1953
É um clássico tido por muitos críticos (e venho a concordar) como o melhor western de Mann da série de cinco estrelados por James Stewart. Com apenas cinco atores no elenco (Stewart, Janet Leigh, Robert Ryan, Millard Mitchell e Ralph Merker), e engendrando a trama na geografia dramática do Colorado, o relato do filme é inexorável tenacidade.

Stewart é Howard Kemp, um homem que perdeu tudo na Guerra Civil Americana (1861-1865) e que vai atrás do fugitivo da lei Ben Vandergroat (Robert Ryan, 1909-1973) como meio de receber recompensa por sua captura (cujo prêmio é de 5 mil dólares) e assim recuperar suas perdas e reaver seu rancho. Ben escapa em companhia da filha de um pistoleiro, Lina Patch (Janet Leigh, 1927-2004).

Consegue encurralar Ben nas montanhas, mas Howard se vê na contigência de aceitar dois novos caçadores de prêmio: Jesse Tate (Millard Mitchell, 1900-1953) e Roy Anderson (Ralph Merker, 1920-1988). Logo, desentendimentos e ambições desenfreadas não faltam nesta trama, que somente o toque de Midas de Mann saberia conduzir com maestria.

Durante a viagem até a cidade, semeada de incidentes, o malfeitor incita uma guerra de nervos entre seus guardiães, servindo-se de Lina para distrair a atenção de Kemp. Após uma tentativa frustrada de fuga, Ben convence Tate a soltá-lo, com a promessa de indicar-lhe o local de uma mina de ouro, mas, assim que se vê livre, mata-o sem piedade.

Em seguida, Ben arma uma cilada para Kemp e Roy; porém, graças a Lina, que por fim compreende o verdadeiro mau caráter de Ben, o plano fracassa. Abatido por Kemp, o corpo de Ben cai nas correntezas de um rio e, pensando na recompensa, Roy tenta resgatar o cadáver, sendo tragado pelas águas turbulentas. Kemp resgata o corpo, mas, diante das súplicas de Lina, o abandona. Com o apoio e o amor da jovem, constituirá uma nova vida, sem recorrer àquele dinheiro, causa de tantos crimes.

ESTUDO ACURADO: É notada a fragilidade do protagonista, Howard Kemp. No decorrer de toda fita percebe-se que ele não esta atrás do vilão (por sinal, bem interpretado pelo sempre competente Robert Ryan) objetivando justiça, mas um resgate de tudo que ele perdeu durante os anos de guerra civil. Para ele, é uma questão de honra, já que o futuro é incerto para ele. Ele não pensa de início em dividir com ninguém a recompensa pela captura de Ben, e suas intenções são escusas. Mas se vê necessitado, e reflete que não poderia capturar o bandido sozinho se são fosse a ajuda de Tate e Roy, e estes vem a saber do verdadeiro motivo de Kemp, que se apresenta a eles como um homem da lei.

Kemp carregava um cartaz de Wanted com o rosto impresso de Ben, entretanto ele havia rasgado parte do material, que mencionava o valor da recompensa, e para seu azar, o próprio Ben tinha uma cópia fidedigna com a recompensa exposta, sob os olhares espantados de Roy e Tate. Kemp de início se recusa a dividir a recompensa e quer agir por conta própria, mas não vê solução. Nosso herói foi, inicialmente, um mau caráter? Só o ponto de vista do espectador para fazer ele mesmo uma análise bem aprofundada, já que a interpretação é pessoal. Contudo, podemos ver que houve a redenção do protagonista. O tempo todo, apesar de toda esta fortaleza que aparentava ter, Kemp é frágil. Em um momento que é ferido e contraí febre, ele tem delírios e sonhos com a esposa que morrera. Lina, que tinha tudo para não entender a fragilidade do personagem de Stewart, aos poucos vem a entendê-lo, como também vai perceber quem é, de fato, até então seu companheiro Ben Vandergroat.

É verdade, Kemp tem sua redenção, graças a ajuda de sua amada Lina, e ele vem a perceber que não seria o dinheiro da recompensa que traria novamente sua felicidade, mas a paz consigo mesmo e uma nova vida ao lado da mulher que, por fim, lhe abriu os olhos.

Talvez o mais pungente de todas as obras de Mann nesta fase seja “O Preço de um Homem”, que prova ser um acurado estudo sobre a ambição humana, que repete o tema já levado por John Huston no seu clássico “O Tesouro de Sierra Madre”, de 1948, contudo com a mitologia e os símbolos dramatúrgicos sempre presentes em seus westerns.


Robert Ryan foi, possivelmente, gente da pior espécie que “o diabo colocou sobre a terra” nas obras de Mann, ou se não, empata com o igualmente talentoso Arthur Kennedy (1914-1990). Se Ryan foi o desprezível Ben Vandergroat em “O Preço de um Homem”, Kennedy foi vilão em dose dupla em duas películas do diretor, e antagonizando em ambas com James Stewart: “E O Sangue Semeou a Terra” e “Um Certo Capitão Lockhart”, ambas obras de primeira grandeza do cineasta.

3)E O SANGUE SEMEOU A TERRA (Bend of the River) 1952
Glynn McLintock (James Stewart), guia de uma caravana de pioneiros, salva Emerson Cole (Arthur Kennedy) de ser enforcado como ladrão de cavalos, estabelecendo-se entre os dois uma estima recíproca. Glynn, que já havia sido um fora da lei, já havia passado por situação parecida e, apesar de suas suspeitas, espera que Cole, como ele próprio, se regenere. Contudo, Cole cede à tentação do dinheiro.

ESTUDO ACURADO: Esta obra incita um questionamento: a de que se um homem pode ou não realmente se regenerar. O personagem de Jay C. Flippen questiona ao próprio Glynn sobre a improvável transformação no ser humano, comparando homens maus e sem caráter a “maçãs podres” que colocando junto com as maçãs boas, colocam risco de contaminar as demais, tal como a sociedade que muitas vezes se deixa enganar por homens corruptos.

Mas segundo o ponto de vista de Glynn, existe uma brutal diferença entre as maçãs e os homens, e quem acaba se convencendo disso é o próprio personagem de Flippen, que até então ignorava o passado do amigo quando este lhe salva a vida. Sem dúvida, um dos melhores westerns de Anthony Mann.

A trama teria, basicamente, um remake num dos episódios da série de Tv DANIEL BOONE, estrelada por Fess Parker, em 1964, intitulado “Caravana para Camberland”, em duas partes, onde coloca Boone na mesma situação de James Stewart, ou melhor dizendo, de Glynn.

4) UM CERTO CAPITÃO LOCKHART (The Man From Laramie) 1955
Outra obra, talvez com a tenacidade bem mais dramática do que os demais westerns de Mann com Stewart, que aqui interpreta Will Lockhart, que vai de Laramie, Wyoming, até Coronado, Novo México, em busca daqueles que venderam armas aos apaches que mataram seu irmão, um militar.

Novamente, Arthur Kennedy é o vilão, dessa vez mais acovardado do que Emerson Cole de “O Sangue Semeou a Terra”, que era mau caráter, porém ousado. Kennedy interpreta Vic Hansbro, capataz da fazenda e filho adotivo do poderoso dono da região, Alec Waggoman (Donald Crisp, 1880-1974), tio de Bárbara (Cathy O’ Donnell, a linda e eterna Tirzah de Ben-Hur, com Charlton Heston, prematuramente falecida aos 47 anos de câncer em 1970), noiva de Vic mas que acaba sendo o interesse romântico de Will – e pai biológico de Dave (Alex Nicol, 1916-2001), um mimado desordeiro que ataca o acampamento de Will. Este lhe dá uma bela surra.

ESTUDO ACURADO: Como menciona o Professor A.C.Gomes de Mattos em seu artigo sobre o grande cineasta numa das edições da saudosa revista Cinemin, sobre esta obra, a figura trágica do velho é de inspiração shakespereana, pois a analogia com o Rei Lear é evidente. Alec, cego, pensando em repartir o império, não percebe que é o filho adotivo quem mais o ama e pratica atos insensatos, provocando sua própria queda – dá enorme dramaticidade ao filme, que apresenta, sob o plano formal, uma inteligente utilização do CinemaScope.

O grande segredo deste western está em não ter aqueles momentos magníficos e nem um grande herói como costumeiramente esperaríamos ver nos westerns de Ford e Howard Hawks. Apenas homens comuns em busca de alguma coisa, seja por vingança, por conquista ou reconhecimento.

Aproveitando a simplicidade e o natural talento de Stewart em fazer homens comuns e do bem, Mann investe na vida dos personagens no presente, sem dar muita ênfase ao passado deles, que apesar de importante, não precisa ser um grande mistério. O que importa é ali, aquele momento e suas decisões sobre as armadilhas que a vida emprega.

5)REGIÃO DO ÓDIO (The Far Country) 1954
O vaqueiro Jeff Webster (Stewart) e o amigo Ben Tatum (Walter Brennan, 1894-1974). Eles chegam com seu gado a Skagway, no Alasca, onde enfrentam a ira do “juiz” Gannon (John McIntire, 1907-1991), que os manda prender e lhes confisca o rebanho. Pela intervenção de uma dona de saloon, Ronda Castle (Ruth Roman, 1922-1999), os dois são libertados e, sem dinheiro, aceitam servir como guia no comboio de Ronda até Dawson, onde ela pretende abrir um novo estabelecimento. No meio do percurso, Jeff e Ben voltam a Skagway, recuperam o gado e, já em Dawson, resolvem explorar uma concessão aurífera para, com o lucro, adquirirem uma fazenda no Utah. Porém Gannon e seus capangas vão atrapalhar os planos dos dois amigos.

ESTUDO ACURADO: Mann expõe nesta obra a dinâmica interação dos conceitos de individualismo e responsabilidade social. Obediente apenas as suas próprias convicções, Jeff a princípio não quer se envolver com os problemas dos outros e só saca do revólver quando se vê ameaçado; porém, no fim, ele vem a compreender valor da amizade sincera e, para o bem de todos e pelo bem da comunidade, elimina Gannon num lance de grande astúcia.


VICTOR MATURE - O HERÓI PRIMITIVO DE ANTHONY MANN
Esta obra registra uma das raras boas atuações do eterno (porém querido) canastrão Victor Mature (1913-1999). Como Mann conseguiu arrancar dele uma excelente interpretação, talvez jamais saibamos. O que sabemos é que Mann tinha o poder de arrancar boas interpretações em atores limitados, mas é fato que Mature conseguiu um desempenho primoroso na pele do caçador Jed Cooper, que junto com seus dois outros amigos também caçadores, Gus (James Whitmore, 1921-2009), e o índio Mungo (Paul Hogan), chegam a um forte avançado de cavalaria comandado pelo Capitão Riordan (Guy Madison, 1922-1996), que os contrata como batedores.

Jed fica interessado na esposa de um arrogante e racista coronel, Frank Marton (Robert Preston, 1918-1987). A esposa, Corina, é interpretada pela eficiente Anne Bancroft (1931-2005), que neste western esta de cabelos louros. O Coronel Marton usurpa o comando de Riodan e prepara seus soldados para um sanguinário embate contra os peles vermelhas.

ESTUDO ACURADO: Jed é simples e ignorante, e é visível nele inexperiência de vida, desprovido de conhecimento das armadilhas que a civilização pode impor, em suma, um selvagem que age por instintos e não por regras, sem contudo, perder uma certa inocência. Tem como orientador seu amigo Gus, bem mais velho e um pouco mais experiente, que o aconselha sempre e desaprova o interesse de Jed por Corina. O que é interessante na temática deste excelente western é a critica da civilização, muitas vezes hipócrita, feita por um selvagem e inocente.Outro ponto que podemos destacar é a desmistificação do General Custer (1839-1876), aliás é a primeira vez que o cinema viria por um fim no mito, quando o coronel Marton passa a sublinhar sua obstinação de combater os índios. Jed percebe que Marton não é bem quisto por seus comandados, e quando o deixa para morrer em um bosque, inocentemente ele retorna ao Fort com o que ele poderia achar estar dando boas notícias, mas logo percebe que foi reprovado por tal conduta, e claro que o lado primitivo de Jed não consegue compreender isto.

Vale ainda registrar o excelente roteiro de Philip Yordan (1914-2003), que foi colaborador de outros cineastas além de Mann (escreveu o roteiro de Os que Sabem Morrer, outra obra de Mann no gênero Guerra, estrelado por Robert Ryan), como Nicholas Ray (Johnny Guitar) e Edward Dmytryk (A Lança Partida).


UMA HEROÍNA DE MANN: MISS BARBARA STANWYCK.
Barbara Stanwyck (1908-1990) é considerada a Rainha dos Westerns, título este bem recebido. Ousada, versátil, e dinâmica, Stanwyck conquistou fãs por tais gabaritos. Sabia cavalgar muito bem, atirar, e em algumas ocasiões, dispensava até dublês nas cenas mais perigosas. Na década de 1960, já madura, mas ainda uma mulher atraente esbanjando todo charme, foi estrela da série de Tv “The Big Valley”, onde interpretava Victoria Barkley, matriarca e dona de um grande rancho, viúva, e que vivia com seus filhos. Entre inúmeros westerns em que ela atuou, Barbara foi a heroína de “Almas em Fúria”.


ALMAS EM FÚRIA (The Furies)- 1950
É um western freudiano sobre as relações entre a heroína, Vance Jeffords (Stanwyck) e seu pai, T.C. Jeffords (Walter Huston, 1884-1950), latifundiário do Novo México. Ela é expulsa de casa, após ter desfigurado com uma tesoura o rosto da madrasta (Judith Anderson, 1897-1992), que viera usurpar o lugar de Vance na imensa propriedade. Logo, o desejo de vingança impera em sua alma contra a madrasta.

Vance procura refúgio junto a um amigo de infância mexicano, Juan Herrera, (Gilbert Roland, 1905-1994); porém o pai cerca o reduto onde ele vive com a mãe e os irmãos e manda enforcar o rapaz. A filha jura então tomar a fazenda do velho, o que consegue, com a ajuda de um antigo pretendente, Rip Darrow (Wendell Corey, 1914-1968), também interessado na vingança, por outros motivos. Reconhecendo a derrota, o pai faz as pazes com a filha, mas vem a ser morto pela mãe (Blanche Yurka, 1887-1974), cuja morte havia ordenado.

ESTUDO ACURADO: Mann mantém a atmosfera dramática durante todo o desenrolar da narrativa. A tensão é realçada nos momentos de agressão à madrasta e do tiroteio no cerco à família dos mexicanos no alto do morro, fotografada com perfeitos contrastes de claro-escuro e efeitos de silhueta. O cineasta teve um grande apoio do elenco, todo ele irrepreensível, destacando-se naturalmente Walter Huston (pai de John Huston) e Bárbara Stanwyck . Produção de Hal Wallis para a Paramount Pictures, com roteiro de Charles Schnee do livro de Niven Busch. Foi o último filme de Walter Huston. O título em inglês se refere ao mito grego das Fúrias e é o nome da fazenda onde se passa a história. Na citada mitologia as Fúrias eram a personificação da vingança, o principal tema do filme.


O HERÓI INDÍGENA E TRÁGICO DE MANN COM ROBERT TAYLOR


O CAMINHO DO DIABO (Devil's Doorway)- 1950
Considerado um dos filmes que iniciou a fase de defesa dos índios no cinema americano. Aqui Mann, com sua sensibilidade inteligente, conduziu de maneira solene a trajetória de Lance Poole (Robert Taylor, 1911-1969), pele-vermelha da tribo soshone, condecorado por bravura durante a Guerra Civil, retorna à terra natal no Wyoming, onde enfrenta o ódio e a discriminação. Instigados por um oportunista, Verne Coolan (Louis Calhern, 1895-1956), criadores de ovelhas pretendem desalojá-lo do seu rancho de criação de gado, travando-se uma luta feroz, ao fim da qual o índio, mortalmente ferido, se entrega às forças da cavalaria, convocadas para impor a ordem.

ESTUDO ACURADO: Além da denúncia à injustiça social e ao preconceito, evidente inclusive no relacionamento do protagonista com uma advogada, Orrie Masters (Paula Raymond, 1924-2003), há o conflito de identidade refletido nos trajes híbridos que ele usa. A possibilidade da união entre as duas raças também é apresentada ao fim do filme, quando Lance, que de certa forma se interessa romanticamente por Orrie, diz a ela quando esta se declara: “Para nós, é impossível. Quem sabe daria certo entre nós daqui a cem anos, quando todos pudessem nos entender".

Tudo que há para ser dito sobre esta obra de Mann é dito pela câmera, que como indicado inicialmente, atravessa a superfície de cada situação e penetra a um nível de onisciência, compartilhando com o espectador a sensação pura e genuína de ler mentes. É assim que Mann vai construindo o ódio e preconceito, através daquela velha habilidade sobre-humana pra compor planos. Trazendo o público para a ótica do índio em oposição ao homem branco (o que por si só já é um verdadeiro evento no gênero), Mann capta todos os sinais de atrito racial e falhas de caráter (possivelmente invisíveis aos olhos de um branco) como manifestações físicas em cena.

Robert Taylor consegue aqui uma interpretação sóbria. Uma das características de Anthony Mann para com atores era arrancar deles, o máximo de potencialidade em suas interpretações, e ele poderia conseguir isso mesmo com atores limitados, como o próprio Taylor e Victor Mature.


HERÓIS EM DOSE DUPLA: HENRY FONDA & ANTHONY PERKINS

O HOMEM DOS OLHOS FRIOS (The Tin Star) 1957
Morg Hickmann (Henry Fonda, 1905-1982), ex-homem da lei que, ressentido contra a sociedade por causa de um acontecimento no passado, se torna caçador de recompensas, trazendo para o xerife Ben Owens (Anthony Perkins, 1932-1992) o corpo de um bandido e cobrando a recompensa. Ben é novato e um tanto inexperiente no ofício e, depois que Hickmann o tira de encrencas, os dois ficam amigos. O homem mais velho e experiente passa então a atuar como professor e conselheiro do jovem xerife, até que este adquire a confiança necessária para exercitar seu trabalho, dominando sozinho Bart Bogardus (Neville Brand, 1920-1992- na vida real herói americano condecorado na II Guerra e também uma cara conhecida como vilão em westerns), o maior desordeiro da cidade. Ao orientar o Xerife principiante, Hickmann se reeduca e a sua lassidão se transforma em ardor.

ESTUDO ACURADO: Novamente aqui temos um herói idealista (todos os cowboys-heróis de Mann são, e todos eles tem um passado comprometedor). Mas ao contrário dos demais personagens, que precisavam provar sua regeneração, este apenas se preocupa em passar sua experiência de vida a um jovem homem da lei, que exerce sua função bem timidamente. O que incomoda em Hickmann é o fato de não ser correspondido pela sociedade, afinal como homem da lei que fora, o mínimo que poderia receber é o reconhecimento pelo seu trabalho.
Achou mais fácil ser um Caçador de Recompensas. Estes, não eram necessariamente bandidos, mas era um meio de sobrevivência no Velho Oeste. Se o herói protagonizado por Fonda fosse um individualista por completo, não se incomodaria em ensinar a Ben (Perkins) os segredos do ofício (e muitas vezes, ingrato) de Homem da Lei. Ao menos, Ben não se demonstra ingrato.


GARY COOPER, O HERÓI AMARGURADO DE MANN

Anthony Mann já havia retratado a questão da regeneração humana em O Sangue Semeou a Terra. Dessa vez, o cineasta optou por colocar o herói não como alguém que confia na regeneração do ser humano seguido de sua própria experiência, mas também era preciso o protagonista tentar viver em paz e esquecer a qualquer custo o seu passado. No entanto, seus fantasmas voltam, e isto faz que ele não se sinta redimido por inteiro. Precisa, de alguma maneira, encontrar sua redenção.


O HOMEM DO OESTE (Man of The West) - 1958
Link Jones (Gary Cooper, 1901-1961) abandonou seu passado criminoso para ter uma vida mais cômoda e honesta com sua esposa; anos depois, por uma fatalidade de destino, reencontra seu antigo tutor (que o tratava como filho) com outra gangue, mais jovem, contudo, menos interessante; dadas às circunstâncias, Link Jones é forçado a acompanhar a gangue em um crime mais ambicioso – terá que encarar de maneira mais intensa do que nunca, porque agora ele tem consciência de quem realmente era em seu passado sujo e violento e, talvez, expugná-lo de uma vez por todas em sua última missão.

Nos westerns anteriores, Mann já vinha se dedicando a desconstruir os mitos do Velho Oeste, como o xerife Wyatt Earp (em “Winchester 73”). Aqui, ele vai além e ataca a mitologia da época. Os bandidos são os mais reais que se aproximam dos westerns contemporâneos desde “Os Imperdoáveis” de Clint Eastwood, em 1992.

O perfil da gangue de malfeitores é construído como um triste comentário: Eles são homens proscritos, que vivem à margem da civilização, isolados em um rancho a 150 quilômetros de distância da cidade mais próxima.

Largado por engano na vastidão do deserto junto a uma cantora de cabaré, Billie Ellis (Julie London, 1926-2000) e um trapaceiro, Sam Beasley (Arthur O’Connell, 1908-1981), Link é obrigado a reviver um passado nada agradável de assaltante de bancos e se reunir à antiga quadrilha do tio.

ESTUDO ACURADO: Anthony Mann recicla mais uma vez seu herói predileto do gênero, o homem amargurado que tenta fugir de um passado condenável, em uma trama que enfoca mais uma vez os embates entre ex-amigos que agora se encontram em lados distintos da lei. Vale para registro a presença de outros talentos que muito contribuíram em outros filmes do gênero e que são caras conhecidas de muitos bons cinéfilos apreciadores dos westerns, como John Dehner (1915-1992), Royal Dano (1922-1994), e Robert J. Wilke (1922-1989), notáveis vilões que mereceram todo crédito pelo grande desempenho que cada um exerceu em suas performances. E na companhia desses “famigerados” esta Jack Lord (1920-1998) que seria mais conhecido como o Detetive Steve McGarrett na famosa série de TV HAVAI 5-0 (1968-1980).

O papel de Lord é de extrema importância no filme, onde interpreta Coaley, um dos bandidos de Dock Tobin, também criado como filho por ele. Podemos também analisar a cena em que Coaley humilha Billie (Julie London), forçando-a a tirar a roupa, sob o olhar de Link (Cooper), que impotente e sem defesa naquele momento, tem uma faca encostada na sua garganta por Coaley
.
Mas Link não deixa barato, e é ai que entra o senso de justiça (e vingança) muitas vezes retratado nos westerns de Mann, quando o protagonista resolve dar o troco durante uma briga com Coaley. Além de sair vencedor, Link resolve humilhar Coaley da maneira igual com quem ele havia feito com Billie, tirando-o toda sua roupa perante Dock e seus comparsas, que acham graça.

Link esta disposto a matar Coaley, estrangulando-o (e já alquebrado pela surra que levou de Link), mas depois, Link percebe o quanto havia se transformado, deixando se igualar a Dock e seus capangas. Apesar desta momentânea mudança, Link mantém seus ideais. Coaley, humilhado por Link perante os demais, resolve mata-lo, mas é impedido por Dock, que o liquida.


MANN E O HERÓI IDEALISTA DE EDNA FERBER
CIMARRON (idem) - 1960
Mais para uma saga épica do que um western, Cimarron na verdade é um remake de um clássico dirigido em 1931 por Wesley Ruggles (1889-1972), baseada no famoso Best-Seller escrito por Edna Ferber (1885-1968) e publicado em 1929, autora de outra obra literária também já levada às telas, Giant (Assim Caminha a Humanidade), em 1956, com Rock Hudson, Elizabeth Taylor, e James Dean.

Anthony Mann utilizou-se de muitas mudanças, tanto em relação ao livro quanto da primeira versão cinematográfica, que foi estrelado por Richard Dix (1883-1949) no papel de Yancey. Com o "Movimento dos Direitos Civis" ganhando corpo na década de 1960, o roteiro de Arnold Schulman introduziu na história o tema da luta pelo reconhecimento dos direitos dos nativos americanos, e não deixando de esquecer também da emancipação feminina em voga e que também estava no seu auge, através da personagem de Sabra Cravat, esposa do protagonista da obra.

Em 1889, o advogado, jornalista, e aventureiro Yancey "Cimarron" Cravat (Glenn Ford, 1916-2006) se casa com uma dama do Sul, Sabra Cravat (Maria Schell, 1926-2005) e resolve retornar ao Oeste, tentando conseguir as terras com as quais sonhara construir um rancho e criar gado, aproveitando a "Corrida pela terra" iniciada com a concessão do governo americano de vários hectares de Oklahoma para a colonização, adquiridos dos índios.

Dentre os vários competidores pelas terras, Yancey reencontra antigos amigos, como o dono de jornal Sam Pegler (Robert Keith, 1898-1966 – pai de Brian Keith, também já falecido), a prostituta Dixie Kee (Anne Baxter, 1923-1985), que outrora foi interesse romântico de Yancey, e o filho de um falecido conhecido, que agora se tornara o jovem arruaceiro "Cherokee Kid" (Russ Tamblyn).


E também faz alguns amigos novos, como a família pobre de Tom Wyatt (Arthur O’ Connell, 1908-1981) e o judeu Sol Levy (David Opatoshu, 1918-1996). Dixie, que sabia do desejo de Yancey, o engana e fica com as terras que ele queria, com isso tentando fazer com que o aventureiro abandone a esposa e fique com ela. Yancey desiste da terra, mas permanece com a esposa no território, fundando um jornal no nascente povoado de Osage.

Idealista, Yancey se envolve em várias disputas e tiroteios inclusive por se revoltar contra as injustiças cometidas com os índios. Sua esposa teme pela sua segurança e Yancey acaba deixando-a sob o pretexto de uma nova "corrida de terras", a da "Faixa Cherokee" em 1893.

Depois vai para o Alasca e para Cuba, na guerra contra os espanhóis. Sabra aguarda seu retorno junto do filho do casal e cuida do jornal, com a ajuda de Jessie Rickey e do agora financista judeu Sol Levy. Depois das corridas pelas terras, a descoberta de petróleo traz novas mudanças à sociedade de Osage.

ESTUDO ACURADO: Um painel épico da história de Oklahoma a partir de 1889, quando o governo abriu à colonização aquele território em lotes de 160 acres, provocando uma desesperada corrida de pioneiros.

Como foi dito aqui, todos os personagens principais nos westerns de Mann são idealistas. Esperam um mundo perfeito e sem corrupções; as atitudes de um ser humano tem que ser incondicionais. Nada escapa para Yancey Cravat. Apesar de não ser fidedigno ao texto original de Ednar Ferber, o espírito do romance é bem caraterizado nesta última obra de Mann no Gênero, ao longo de seus 147 minutos de projeção.

Existe uma transformação considerada na esposa de Yancey, Sabra. Ela vem de uma família refinada e da elite social, e se casa com Yancey a contragosto de seus pais. Apaixonada pelo marido, ignora os riscos de explorar uma terra selvagem ao seu lado. Ela aprende tudo sobre a rudeza dos pioneiros, que a princípio fica chocada, mas ao longo do tempo, as próprias divergências entre ela e o marido a fazem crescer. Com a ausência do marido, ela se torna uma mulher independente e, praticamente, cria o filho só enquanto Yancey esta em busca de aventuras. Esta independência faz com que ela anos mais tarde se torne uma conceituada empresária bem sucedida. Da mulher outrora sonhadora com a nova “Terra Prometida” que o marido idealizou, ela se tornou realista e com os pés no chão.

Quanto a Yancey, não houve nenhuma mudança ou regeneração. O idealismo de Yancey chega a ser utópico (e por que não dizer egocêntrica as vezes?). Nem o futuro do filho e no bem estar familiar ele poupa quando recebe uma recompensa de agradecimento por ter liquidado o malfeitor da região – um cheque que ele acaba rasgando deixando Sabra enfurecida. Também se recusa a se candidatar a governador. Nesta fase, Yancey e Sabra já estavam bem posicionados e ricos, mas ao contrário de Sabra que é mais ambiciosa e se importa com status, Yancey é mais radical com suas convicções, odeia hipocrisias, e vê na política uma máquina de corrupção moral, onde os ricos também se banqueteavam em suas próprias ilusões.Não chega, evidentemente, ser um western ao velho e bom estilo que se espera à moda de Mann, pois o decorrer da história, tal como a própria obra original de Edna Ferber, sofreu mudanças ao longo do seu enredo.

Anthony Mann nos deixou um legado de obras inteiramente inesquecíveis em todos os gêneros cinematográficos, mas seus westerns são obras obrigatórias para todo bom cinéfilo que se preze ou amantes da Sétima Arte.


Produção e pesquisa de Paulo Telles

Fonte de Pesquisa: Revista Cinemin- nº 85- Ano: 1993- Autor: A. C. Gomes de Mattos.

100 Anos de Western - Autor: Primaggio Mantovi.

20 comentários:

  1. Interessante! Tenho boas lembranças de westerns, filmes que mais assisti na TV quando menina. Adorei a leitura!

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  2. Oi Elizabeth. Recordar é viver! Grato e uma ótima semana.

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  3. Muito bom o seu texto, Paulo. Um tributo detalhado ao mestre Anthony Mann, um dos meus diretores mais queridos. Só esta semana vi BORRASCA e revi O HOMEM DOS OLHOS FRIOS. Parabéns.

    O Falcão Maltês

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  4. BORRASCA é sensacional, embora não seja um Western, é um drama de aventuras, mas um dos muitos trabalhos primorosos de Mann. Difícil na verdade avaliar qual o melhor trabalho deste diretor ao estilo. Grato Nahud e boa semana.

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  5. Aindã não vi nenhum faroeste de Anthony Mann. Devo confessar que tinha um pouco de preconceito com o gênero, mas depois de assistir a alguns clássicos como Rio Violento (1948), isso acabou. Hoje gosto do gênero e dou prioridade aos mais conhecidos e comentados.

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  6. Ainda não viu, Gil? então esta na hora de assistí-los. Mann é um verdadeiro maestro e seus westerns introduziram o teor psicológico no gênero que viria a ser explorado por outros diretores, como Zinnemmann em "Matar ou Morrer" (1952).

    Só um detalhe: Rio Violento é de 1960 e não é um western, é um drama de Elia Kazan e estrelado por Montgomery Clift. Talvez esteja se referindo a RIO VERMELHO, que é de 1948 e dirigido por Howard Hawks, tendo de fato Montgomery Clift mas a astro é John Wayne

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  7. Darci Fonseca - CINEWESTERNMANIA8 de novembro de 2011 08:32

    Belíssima resenha, Paulo. Penso porém que nenhum outro diretor norte-americano possa ser comparado a John Ford, especialmente falando-se de faroestes. Ford está para o cinema num plano muito superior aos demais. Quando muito poderíamos dizer que Mann foi o mais importante diretor de westerns dos anos 50, década de Rastros de Ódio, Matar ou Morrer e Shane, para citar só alguns, o que não é pouco não é mesmo?

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  8. Saudações Darci. Vc é uma das grandes presenças que enobrece ainda mais meu blog.

    Não existe realmente comparação mesmo, contudo penso que ainda assim não tem como avaliarmos um profissional e outro no âmbito do gênero. Ford é o MESTRE SUPREMO, e influenciou o próprio Mann, como podemos ver ao longo do post. Sergio Leone nas obras européias, o Western Spaghetti, também teve influência de Ford e era fã do grande Mestre.

    logo, podemos até dizer, que se não fosse John Ford, as demais obras sequenciais de outros grandes diretores no gênero não existiriam. Ford abriu caminhos tanto para Anthony Mann quanto para Sergio Leone, e estes, cada um a sua forma, apresentaram suas visões. Esta é minha opinião.

    A Década de 1950 foi bastante produtiva nos westerns de fato, e listá-los, seria quase impossível, pois são muitas e muitas obras, e cada uma delas, com a marca registrada de eu autor.

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  9. Nossa, que vergonha! Realmente me confundi com os "Rios" feitos por Montgomery Clift. Queria citar era Rio Vermelho mesmo que ele fez ao lado de John Wayne.

    Matar ou morrer é outro faroeste que eu adoro. Não dá nem pra respirar de tanta ansiedade.

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  10. Normal Gil. Estes dias também cometi uma confusão com dois filmes de Burt Lancaster no blog do Darci Fonseca, o Cinewestermania, em artigo que ele posta sobre o ator Neville Brand.

    Matar ou Morrer vou para breve escrever um artigo, pois este filme, além de ser um clássico, é de importância extrema para os americanos.

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  11. Acho que vou me alongar um pouco, Nery. Não tem jeito. O assunto requer muita reflexão.
    Vamos lá; Eu tenho 5 grandes diretores de faroestes e nunca, no meu p.de vista, Ford jamais esteve em primeiro lugar. Mann. Hawk's, Ford, Sturges, Daves e Walsh. Está aí minha lista preferencial.
    Não sei o que deu errado com Cimarrom. Não é um filme insignificante e nunca será um Da Terra Nascem os Homens ou Giant. Mas algo se perdeu no seu desenrolar que não saiu, suponho até, como o grande Mann desejaria.
    Acho que E o Sangue Semeou a Terra é seu menos classico filme, apesar de não ser ruim, claro, pois Mann jamais fez algo sem significancia.
    No meu ver Homem do Oeste, Almas em Furia e Winchester 73 são suas tres melhores obras no genero, seguido de O Preço de Um Homem.
    Ford, Mann e os demais que citei são homens diferentes nos temas que apanham para transformar em fitas. Isto fica claro e, por isso, fica difícil comparações.
    Hawk's fez fabulosos faroestes. Daves não fica atrás. Sturges nos deu presentes fantásticos e Walsh pouco decepcionou com sua obra.
    Infelizmente tudo isso, de preferencias por diretores, é uma questão somente de gosto e de estilo individual (porque todos são faroestes, porém são muito opostos uns aos outros em termos de qualidade de estilos).
    Mann foi magnifico com sua caracteristica nos dando faroestes que, mais de 50 anos depois, ainda estamos falamos deles. Fantástico, não? Porém Ford não foi diferente. E assim todos os demais foram grandes mestres em suas profissões. Nós sim, somos os privilegiados.
    Escolhas se melhor ou menos melhor não passa de contornos preferenciais, e até pessoais, porque todos eles foram grandes criadores de faroestes e nos deram aquilo que mais desejávamos, que criaram fitas dignas de ainda estarmos falando deles.
    jurandir_lima@bol.com.br

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  12. Olha nós de novo aí, Jurandir. Bem, vamos lá, amigão!

    Particularmente, considero todos os westerns de Mann, sem nenhuma exceção, obras pilares do gênero, mas evidentemente como qualquer amante dos bons filmes, eu tenho que ter meus preferidos, e gosto muito de UM CERTO CAPITÃO LOCKHART e O PREÇO DE UM HOMEM, por exemplo. Tenho um amigo que ele acha que o melhor é O SANGUE QUE SEMEOU A TERRA, entretanto acho este faroeste também exemplar, pois ele proporciona um estudo acurado sobre o caráter e a mudança do ser humano, e só aí já acho uma obra prima.

    Aliás, todos os westerns de Mann tem uma mensagem de reflexão se poder notar.

    CIMARRON se nota um pouco o desinteresse de Mann, mas também não sei os motivos. Se diz que Mann já estava exausto de dirigir westerns e queria excursionar em outros gêneros, principalmente o épico. Ele ia dirigir SPARTACUS no mesmo ano, mas Kirk Douglas, que além de astro era também o produtor executivo, o demitiu por uma diferença de opiniões.Logo ele assumiu a direção da fita baseada na obra de Edna Feber e transformou a saga de Yancey Cravat como um verdadeiro épico passado no velho oeste, mas o romance (que já li) já é por si mesmo uma saga épica. Não é um mau filme, mas nota-se perfeitamente a pouca empolgação de Mann em dirigir a película. Mas teria compensado o fracasso de CIMARRON com EL-CID, que decerto foi bem mais popular e de êxito de crítica e bilheteria.

    Cada diretor tem seu estilo próprio. Ford era mais mitológico. Mann mais realista. Hawks era um pouco das duas coisas, e Sturges foi inovando. Mas todos eles, sem dúvida, nos legaram grandes obras não somente no gênero, como também na Sétima Arte em geral.
    Forte abraço, amigão.

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  13. PAULO, MAIS UM EXCELENTE TRABALHO, PARABÉNS! QUANDO PERGUNTOU E FICOU EM DÚVIDA - QUEM É O MELHOR DIRETOR DO GÊNERO WESTERN? EU RESPONDO:JOHN FORD É O O NUMBER ONE, PORÉM NOS ANOS 50, A DÉCADA DE OURO DO GÊNERO WESTERN, O MAIOR DE TODOS É ANTHONY MANN, E EM SEGUNDO LUGAR BUDD BOETTICHER! ALIÁS BUDD REALIZOU UMA SÉRIE DE WESTERNS COM RANDOLPH SCOTT, TODOS ELES NOTÁVEIS, MORMENTE RESGATE DE BANDOLEIRO E 7 HOMENS SEM DESTINO UM DOS MAIORES WESTERN DE TODOS OS TEMPOS -ANDRÉ BAZIN ASSINA EM BAIXO!VOLTANDO AO GRANDE ANTHONY MANN GOSTARIA DE SALIENTAR QUE ELE E JAMES STEWART BRIGARAM DURANTE AS FILMAGENS DO WESTERN A PASSAGEM DA NOITE, E MR. MANN ABANDONOU AS FILMAGENS E JAMES NIELSEN ASSUMIU A DIREÇÃO. NÃO SEI O QUE PENSA, MAS A PASSAGEM DA NOITE FILMADO EM TECHNERAMA É UM BELO WESTERN, COM UMA BELA FOTOGRAFIA DE WILLIAM H. DANIELS;ROTEIRO EXCELENTE DE BORDEN CHASE E TRILHA SONORA ESPETACULAR DE DIMITRI TIOMKIN.IMPORTEI UM DVD EM WIDESCREEN E PUDE CHEGAR A CONCLUSÃO QUE É UM WESTERN SUBESTIMADO.PUDE TAMBÉM PERCEBER QUE POR TRÁS DE NIELSEN ESTAVA ANTHONY MANN... COMO NA DIREÇÃO CONSTAVA O NOME DE JAMES NIELSEN UM ILUSTRE DESCONHECIDO OS CRITICOS ASSISTIRAM AO FILME COM OS NARIZES TORCIDOS.ALIÁS OUTROS BELOS WESTERNS QUE SE FOSSEM ASSINADOS POR JOHN FORD, ANTHONY MANN, E OUTROS GRANDES CINEASTAS, SERIAM VISTOS COM OUTROS OUTROS OLHOS PELA CRÍTICA E PELOS FÃS...
    FINALIZANDO, VOCÊ TEM RAZÃO FOI COM ANTHONY MANN QUE SE INICIOU OS WESTERNS COM A TEMÁTICA DA REABILITAÇÃO DO ÍNDIO - MAS QUEM CAPTALIZOU A IDEIA FOI FLECHAS DE FOGO DE DELMER DAVES!

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    1. Eddie, Delmer Daves era um ótimo diretor e merece mesmo uma retrospectiva de seus filmes aqui neste blog. Entretanto, Ford foi o começo, mas deu abertura para outros gênios criativos, que vieram a realçar ainda o gênero, como tão bem conhecemos. Daves introduziu a defesa indígena no cinema, seguido por Mann e outros mais, como Robert D. Weeb, que dirigiu o espetacular A LEI DO BRAVO, em 1955, com Robert Wagner e Jeffrey Hunter.

      Mas é novidade para mim saber que Anthony Mann e James Stewart brigaram durante as filmagens de A PASSAGEM DA NOITE, aliás, vi certas peculiaridades muito encontradas nos westerns de Mann neste filme, dirigido por James Nielsen, que não é conhecido por grande parte do público a não ser pelos cinéfilos.

      Uma pena, pois é um dos melhores filmes com Stewart, e o primeiro Western CLASSE A com Audie Murphy. Particularmente não vejo o porque de tanta subestimação a este western, tendo em vista o nome de um outro diretor no crédito, e seja como for, há “sombras das mãos” de Mann neste trabalho. Fico pensando que se fosse dirigido de fato por Mann, vigoraria como um dos grandes clássicos do gênero, e seria o sexto filme da parceria tão bem sucedida entre o grande Jimmy e Anthony.

      Assisti inúmeras vezes a PASSAGEM DA NOITE, e é mesmo impressionante o formato e a fotografia, mesmo pela TV (hoje com o sistema digital é possível ver ainda com mais precisão). Borden Chase foi um roteirista de primeira (Vera Cruz, com Gary Cooper), e Dimitri Tiomkin no campo das trilhas sonoras significou tanto para os westerns assim como Miklos Rozsa para os épicos.

      FALANNDO EM PARCERIAS, considero SETE HOMENS SEM DESTINO um dos melhores westerns da parceria Scott/Boetticher.

      Valeu por mais este comentar. Um forte abraço

      Paulo Néry

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  14. Telles,

    Como não existe nada de novo no ar, resolvi dar uma olhada nas postagens mais para trás de seu trabalho.

    E parei nos filmes de Mann, onde acho que fiz um ótimo comentáriom, porém longo demais e, ainda assim, sem citar tudo o que precisava e desejava.

    Entretanto, não consigo pensar em se fazer um COMENTÁRIO sendo ele com tres, quatro ou cinco linhas.
    Para mim satisfazer plenamente, comentar é comentar de fato o que está escrito na postagem. Por isso escrevo sempre um pouco além do normal de outros queridos companheiros.

    Podemos ver estilo igual ao meu em todos os ditos pelo Lancaster, que faz sempre ótimas e longas incursões em vossas postagens,e as quais eu leio a todas.
    E o que é pior: as leio com avidez, como um devorador de informações, com uma voracidade de espantar até a mim mesmo.

    De fato, e como disse também o Lancaster, este trabalho seu foi "mais um belo trabalho", nos dando um painel cheio de profundos e reais fundamentalismo (que eu desconhecia) da obra do grande Mann.

    Em sintese, o que desejo acrescentar com este comentário é que nós, que achamos que conhecemos cinema demais e que nada mais tem para se saber, na verdade nada sabemos.

    E lendo espaços bem postados como este nós vamos nos punindo mentalmente e nos dizendo; "olha quanta coisa eu não conhecia e agora conheço! Olha como pensava uma coisa e, verdadeiramente, ela é outra! Veja como em comentários, como os de Lancaster, acrescidos de mais outros ótimos, e vossa explanação geral da obra, nós nos sentimos mais fortalecidos e com condições de chegar num meio qualquer de bons cinéfilos e expor nossas palavras sem sustos.

    Isso é fenomenal, isto é uma grandeza que obtemos fazendo participações em espaços como estes, que falam do que amamos que é o cinema e seus criadores.

    E eu com tudo isso me sinto na obrigação de abrir meu coração e dizer o quanto sou grato a tudo isto aqui por me fazer um homem mais sábio nesta adorada arte, uma pessoa com mais qualidade e qualificação para entender coisas que eu achava que já entendia quando, na verdade, eu não entendia nem sabia quase que nada.

    Fico grato a este blog por me ceder espaço para citar instâncias como esta agora, assim como meus largos comentários.
    E tudo isso sem falar no apanhamento geral sobre a arte, e imensa, que tudo isto aqui imprime em minha pessoa.

    Grande abraço

    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Jurandir

      Os agradecimentos também são meus por me darem tamanho incentivo em continuar com este laborioso prazer. Eu amo dar e trocar saber. Não sou nenhum expert ou entendido maior sobre cinema, mas o que sei faço questão de dividir com vcs, meus amigos e seguidores.

      Vcs todos, todos mesmo, fazem parte deste processo comigo, de enriquecimento e de profundidade mútua do conhecimento sobre esta que chamamos de Sétima Arte. Muito obrigado mesmo meu amigo baiano, e fique com o Grande Arquiteto do Universo (GADU para os nobres maçons) – Sempre!

      Paulo Telles, Editor

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  15. Caro Paulo,
    Anthony Mann, sem dúvida, está entre os maiores diretores do gênero faroeste, não só pelos excelentes filmes que fez com James Stewart. É uma tarefa quase impossível ordená-los de melhor para pior e vice-versa, tal a alta qualidade de cada um. São, os cinco, verdadeiras preciosidades. Mas Mann já havia feito O Caminho do Diabo, obra monumental sobre os índios, com um Robert Taylor em uma de suas melhores interpretações. E também o teatral Almas em Fúria, talvez seu filme mais carregado de emoção.
    Vieram depois O Homem do Oeste, O Homem dos Olhos Frios e Cimarron. Isto sem contar A Passagem da Noite, sobre o qual não me convenço de que Mann não seja o verdadeiro diretor. O filme tem o carimbo de Mann. Tem a sua cara. Pode ser que Mann tenha se desentendido com mais alguém do estúdio e, aí sim, seu nome teria sido simplesmente cortado, apagado, desprezado.
    Mas, para mim, Mann realizou seis filmes com James Stewart. E não vacilo em colocar A Passagem da Noite bem alto na classificação entre os seis, possivelmente em terceiro lugar após O Preço de um Homem e Winchester 73, seguidos de Região do Ódio, E o Sangue semeou a Terra e Um Certo Capitão Lockhart. Ao listá-los podemos perceber a grande dificuldade em dizer este é melhor, este é pior. Todos são obras de altíssima qualidade.
    Mas gostaria de falar um pouco de Cimarron. Perdoe-me se não concordo muito com o que li a respeito de Cimarron, porque eu tenho especial carinho por esse filme. Já o assisti incontáveis vezes.
    Aliás, creio que foi um dos melhores papéis de Glenn Ford. O filme, até porque se baseou em romance de Edna Ferber, tido como um dos principais "documentos" da colonização americana, mostra de forma extremamente honesta como foi a epopéia vivida pelo Estado de Oklahoma, desde seu início. E Yancey Cravat (Glenn Ford) personifica o herói que se julgava imbatível: corajoso, honesto, audacioso, generoso e protetor. Mas que se sente abatido e impotente, ante a morte prematura de um jovem que via como se fosse seu filho (interpretado por Russ Tamblyn). Note-se que Yancey estava sempre onde precisavam dele. E não vacilava em sacar sua arma e enfrentar quem quer que fosse de peito aberto.
    Mas ao deparar com a triste realidade, e impulsionado pelo pouco entendimento com Sabra, sua mulher (vivida por Maria Schell), Yancey desaparece, vai lutar outras lutas, vai se expor e talvez morrer.
    Nesse tempo, com sua ausência, Sabra ganha brilho próprio, evolui, cresce. E ao crescer distancia-se mais e mais do marido. Yancey retorna para casa, mas nunca mais a vida seria a mesma. O final de Cimarron, se observarmos bem, é uma cruel verdade da vida - a solidão final - independentemente do tempo em que se situar a história.
    Considero Cimarron uma obra importantíssima e de valor inestimável. Um digno representante de Mann.
    Não pretendia me alongar tanto.
    Abraços.

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    1. OLÁ JOSÉ, nós ai de novo!
      Já tinha visto um comentário seu no tópico do Alan Ladd onde vc também tocou no ponto sobre o filme CIMARRON, dirigido por Mann, em 1960.

      CIMARRON não deixa de ser uma obra admirável de Anthony Mann, eu mesmo me convenço disso. É um western diferente dos demais do cineasta. Não sei se sabe, mas há a versão de 1931, estrelada por Richard Dix e Irene Dunne, que ganhou o Oscar de melhor filme (o único western a ganhar nesta categoria até 1993, quando OS IMPEREDOÁVEIS, de Clint Eastwood, quebrou este tabu) que é considerada a melhor versão, dirigida por Wesley Ruggles, quando o cinema falado começava a dar seus primeiros passos.

      A versão de Mann é espetacular, mas na minha concepção, faltou alguma coisa que não havia nos outros trabalhos do cineasta. Vc pos a resenha do filme de Mann, que não é a mesma da versão estrelada por Richard Dix, que segue fielmente ao romance escrito por Edna Ferber. No romance, assim como na 1ª versão cinematográfica, Yancey não morre na 1ª Guerra Mundial, mas se torna um andarilho e acaba morrendo num acidente, numa explosão de um dos poços das empresas da amada Sabra, que ao saber do incidente, vai correndo e encontra o marido foragido agonizando. Yancey morre em seus braços.

      José, o próprio romance de Ferber se vc for ler é uma própria verdade da vida. O tema, independente das versões cinematográficas que teve, é de mister importância, seja ela dirigido por Mann ou por Ruggles, que recomendo que assista se já não o fez. E todos os trabalhos de Anthony Mann, seja os westerns e mesmo os dramas, aventuras, e épicos (El-Cid) estão no patamar dos grandes clássicos, não tenhamos dúvidas.


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    2. Anthony Mann também era reconhecido por ser um diretor que seriamente discutia com atores e produtores. Ele acabou discutindo com o produtor e com o próprio James Stewart durante as filmagens de NA PASSAGEM DA NOITE. Dizem que ele sequer dirigiu um terço do filme. Mann também chegou a dirigir algumas cenas do famoso épico da Metro QUO VADIS, de 1951, inclusive, o famoso incêndio de Roma, sem ser creditado.

      Estava Mann para dirigir SPARTACUS com Kirk Douglas que era um dos produtores quando este discutiu feio com o cineasta, e este acabou sendo despedido por Douglas, que o substituiu por Stanley Kubrick.

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    3. José, se vc estiver On line, me procure pelo email para uma prosa, ok?

      filmesantigosclub@hotmail.com

      Abraços do editor e obrigado pela sua participação, de verdade!

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