sábado, 6 de agosto de 2011

Nicholas Ray - Vida e Obra de um Cineasta.


Nicholas Ray tornou-se um cineasta de grande repercussão quando tratou da rebeldia dos adolescentes da década de 1950. Afinal, o rock and roll estava no auge, e grandes mitos dos jovens estavam começando a surgir, como Marlon Brando, James Dean, e Elvis Presley, que eram os referênciais de rebeldia, e num tempo em que isso era considerado um tabu no cinema norte-americano. Se por um lado não era tão admirado pela crítica hollywoodiana, pelo outro os europeus, sobretudo os franceses, o admiravam. Transparente e polêmico, seus trabalhos são reconhecidos graças a sua temática sobre os desajustados e os incompreendidos da Sociedade.

Contudo, Raymond Nicholas Kienzle, seu verdadeiro nome, nasceu a 7 de agosto de 1911, em Galesville, Wisconsin, e de início seu interessou em arquitetura e seu mestre foi o renomado Frank Lloyd Wright (1867 - 1959). Mas logo foi se interessar pelo teatro, atuando como ator em várias peças dirigidas por futuros cineastas que fariam história, como Elia Kazan (1909-2003) e John Houseman(1902-1988).

Começou a fazer cinema depois do término da Segunda Grande Guerra e seu primeiro filme data de 1948. Tornou-se rapidanmente um diretor com marcas distintivas fortes: heróis frágeis, palpáveis, que tentam sobreviver num mundo cuja chave de decifração eles não detêm. Nesse mundo, a onipresente violência física e mental convive com a possibilidade de uma paixão arrebatadora e irrestrita.


Seus primeiros filmes frequëntemente focalizavam tipos marginalizados como heróis. Em seu primeiro filme como diretor, o lírico Amarga Esperança, de 1948, Farley Granger (1925-2011) fazia o papel de uma asaltante de bancos indeciso em sua fuga com a namorada. Em No Silêncio da Noite, de 1950, Humphrey Bogart (1899-1957- foto) era um roterista auto-destrutivo acusado de assassinato. Em Cinzas que Queimam, de 1951, Robert Ryan (1909-1973) era um policial amargo, e Johnny Guitar, de 1954, trazia Joan Crawford (1905-1977) como uma conivente dona de saloon.


Em Cinzas que Queimam, a estrutura básica de Juventude Transviada estava montada: um policial (Robert Ryan), nitidamente afetado pelo desencanto e pelo ambiente em que vive, passa a agredir violentamente os criminosos que persegue. Depois do enésimo caso de violência acima do aceitável, ele é conduzido a uma investigação no campo onde encontrará uma mulher cega (Ida Lupino), por quem se apaixonará, mesmo que isso implique reconsiderar sua relação com a violência e seu poder auto-destrutivo. O talento e a fluência de Nicholas Ray para filmar essas cenas extremas, tanto os arroubos de violência quanto os delicados momentos da paixão nascente, não fascinou de primeira a crítica norte-americana, mas encantou os então jovens críticos da revista Cahiers du Cinéma, que trataram de classificá-lo como o mais importante cineasta do pós-guerra (Éric Rohmer, em sua crítica sobre Juventude Transviada, que em Portugal se chamou Fúria de Viver, Cahiers nº59). Jean-Luc Godard acreditava ser Ray a expressão pura do cinema.


Johnny Guittar foi outro ápice do grande cineasta. Não tendo boa receptividade nos EUA na época do lançamento (e foi lançado por um estúdio classe B em Hollywood, a Republic, responsável por muitos seriados de Cinema e pelos primeiros filmes B estrelados por John Wayne), mas aplaudido na França, o conflito central é em cima de duas mulheres fortes, que se odeiam. Joan Crawford e Mercedes McCambridge (1916-2004, premiada com o Oscar de Coadjuvante por "A Grande Ilusão", em 1949).

Ray sempre declarou que o sub-texto era lésbico, que elas haviam sido amantes e agora se enfrentam como inimigas. Somente o espectador poderá conferir e tirar suas próprias conclusões para julgar esta declaração.

Nicholas Ray vivia dentro de uma aparente contradição. Sob as poderosas e milionárias asas de Howard Hugues (1905-1976), ele passava ileso pela perseguição do Senado Americano aos comunistas (muito embora todos em Hollywood soubessem de suas tendências esquerdistas). Em contrapartida, o preço da liberdade era alto: Ray era obrigado a realizar trabalhos sob encomenda, de temáticas que pouco ou nada lhe diziam. Pertencem a essa fase filmes como Alma Sem Pudor (1950), estrelado por Joan Fontaine, amante da vez de Howard Hugues, e Horizonte de Glória (1951), veículo para John Wayne e cuja abordagem de extrema direita era diametralmente oposta às convicções políticas de Ray e de Robert Ryan, também astro do filme. Como uma espécie de funcionário de confiança da chefia, Ray também dirigiu vários trabalhos sem crédito para cineastas como Irving Reis, Chester Erskine, John Cromwell e Josef Von Stenberg.

Em Juventude Transviada, Nicholas Ray encontrou um ator perfeito para designar todos os estados de espírito com os quais mais gostava de trabalhar; James Dean (1931-1955) é ao mesmo tempo um rosto de criança abandonado pela vida e, inversamente, a possibilidade de uma explosão de violência quando menos se espera. Mal ou bem, os protagonistas mais importantes de Nicholas Ray, de 1949 a 1955, são adultos abandonados, como Sterling Hayden, Humphrey Bogart ou Robert Ryan, aliás, estes dois últimos eram os atores prediletos do diretor. Ray era um dos poucos cineastas que se dava bem em trabalhar com jovens e adolescentes, e tão poucos eram os diretores que tentaram conpreendê-los. Desde seu primeiro filme, Amarga Esperança" /They Live by Night, com Farley Granger e Cathy O’Donnell (1923-1970), não exatamente adolescentes, mas já se defrontando com a inadequação em um mundo adulto. E veio Juventude Transviada, em que Nicholas Ray tentou tão inteiramente compreender os jovens que até manteve um tórrido relacionamento amoroso com Natalie Wood, não respeitando nem a berrante diferença de 27 anos entre suas idades. Ele tinha 43 e ela 16. Dennis Hopper (1936-2010) queria matá-lo pois Natalie era, então, sua namorada, e ela tinha um temperamento volúvel.


O mais curioso e estranho nesse affair, é que Ray não procurou compreender o jovem e já incompreendido e violento Dennis Hopper, mas se entendeu bastante bem com James Dean e com Sal Mineo (1939-1976), dos quais se tornou grande amigo e mentor e Juventude Transviada/Rebel Without a Cause, deu o que falar e praticamente abriu as portas do cinema para analisar o comportamento dos jovens.


Por falar em análises, um ponto curioso é que o renomado cineasta quis fazer um close-up em cima de uma lenda do Velho Oeste, nada mais e nada menos do que Jesse James (1847-1882), tema que já havia levado às telas por Henry King em Jesse James, tempos de uma era sem Lei, de 1939, estrelado por Tyrone Power e Henry Fonda.


Quem foi Jesse James?/The True Story of Jesse James, filmado em 1956 e lançado em 1957. Ray pretendia que James Dean interpretasse Jesse James, uma vez que o diretor queria dar um tom de rebeldia à vida do lendário fora-da-lei. Contudo, Dean morreu tragicamente em 30 de setembro de 1955 com apenas 24 anos de idade num acidente automobilístico fatal, logo, Robert Wagner, sem o carisma de Dean acabou protagonizando Jesse James, enquanto seu irmão Frank foi vivido por Jeffrey Hunter (1925-1969).

Na versão de Jesse James de 1939, estrelada por Tyrone Power (Jesse) e Henry Fonda (Frank), os irmãos James tornaram-se malfeitores devido aos acontecimentos sócio-econômicos que ocorriam nos estados do Sul derrotados pelas forças nortistas americanas na Guerra Civil. Em Quem foi Jesse James?, Ray tentou mostrar que os irmãos foram atraídos para a criminalidade por não conseguirem se enquadrar num mundo em que os jovens não tinham vez, restando a eles apenas obedecer. Portanto Ray descobriu uma causa para os irmãos sulistas jovens e rebeldes.


A 20th Century-Fox, que produzira a versão de 1939 dirigida por Henry King, também produziu esta nova versão da vida do bandoleiro apresentada por Ray, que antes de Juventude Transviada já havia chamado bastante a atenção da crítica, especialmente com western Johnny Guitar. Mas a Fox não ficou satisfeita com o trabalho de Nicholas Ray nesta nova releitura sobre Jesse James, e drasticamente editou o filme, tirando do mesmo a interpretação psicológica que Ray havia dado ao filme sobre os personagens interpretados por Wagner e Hunter. A Fox reduziu esse western de 105 minutos originais para 92, o que fez com que o diretor nunca aceitasse The True of Story Jesse James como um filme seu e o relegasse a um plano inferior na sua cinematografia. Uma pena.

Insatisfeito, Ray se sentia cada vez mais boicotado pelo cinema norte-americano, e possivelmente, como muito de seus heróis jovens ou maduros incompreendidos. Após rodar Jornada Tétrica (1957, com Christopher Plummer, foto) e A Bela dos Bas-Fond (1958), resolver fazer empreendimentos na Europa, e seus dois últimos filmes foram duas superproduções rodadas na Espanha, dos quais não teve o controle total da direção:


Rei dos Reis/King of Kings, de 1961, é um belo filme sobre a vida de Cristo, cujo ponto culminante é a cena do Sermão da Montanha, e que Ray dirigiu com muita competência, locomovendo, além dos atores, sete mil figurantes. O diretor posicionou uma postura cênica hierática e comovedora cuja projeção é de 168 minutos e tendo Jeffrey Hunter (com quem trabalhou em Quem foi Jesse James) no papel de Jesus, e curiosamente Robert Ryan, um de seus atores favoritos, como João Batista. Com um roteiro político (escrito pelo politizado Philip Yordan, amigo de Ray), colocando Jesus e outros personagens bíblicos do Novo Testamento em seu verdadeiro cenário , dando enfâse à dominação romana na Judéia nos tempos de Jesus Cristo. Na película bíblica de Ray, a figura de Cristo é posta de forma solene e até reverêncial, tendo como objetivo exaltar a figura do Filho de Deus. Mas Nicholas Ray, já um veterano na arte da direção e da análise de seus personagens, fazia questão de que estes tivessem uma força rebelde, buscando seu próprio destino. Então poderíamos esperar o Cristo de Ray um rebelde com causa (opostamente ao personagem de James Dean em Juventude Transviada) pela busca do amor ao próximo e pela Redenção, ou digamos, um Jesus com sangue, suor e lágrimas.


Contudo, apesar do cineasta fazer algumas pesquisas em bibliotecas e catedrais de Madrid e Espanha para compor o seu “Cristo”, se deixou levar pelos trâmites do produtor Samuel Bronston (1908-1994), que mais tarde iria falir seus estúdios em terras espanholas, e pelo amigo e roteirista Philip Yordan (1914-2003- que foi seu colaborador em outras obras), com quem se desentendeu durante as filmagens, rompendo definitivamente a amizade. O resultado acabou convencional, e muito embora o público tenha gostado (a trilha sonora de Miklos Rozsa garantiu a popularidade do filme) e algumas entidades católicas também, a crítica americana malhou cruelmente o filme apelidando como eu fui um Jesus adolescente.



55 Dias em Pequim/55 Days at Peking, de 1963, sobre a ocupação dos ingleses e norte-americanos na China, na época dos boxers. A narrativa constrói-se em torno nos três personagens centrais, interpretados por Charlton Heston, David Niven, e Ava Gardner. O soldado (Heston) é, homem de ação; o diplomata (David Niven, 1909-1983), um negociador; e a condessa russa (Ava Gardner, 1922-1990), uma condessa decadente. A condessa se sacrifica e Heston se humaniza ao estender a mão para receber uma menina chinesa. Em suma, esta última película dirigida pelo diretor foi mais uma produção conturbada (também por Samuel Bronston) filmada na Espanha com capital bloqueado pela lei de Remessas de Lucro. Houve problemas com falta de dinheiro, dificuldades para recrutar centenas de figurantes asiáticos por toda a Europa, e pela total falta de afinidade do elenco (causada em especial pelas bebedeiras de Ava Gardner, em papel para o qual Charlton Heston queria Jeanne Moureau).

Cansado das pressões do excêntrico Bronston, Ray abandonou a direção da fita após sofrer um ataque cardíaco durante as filmagens, deixando a finalização para os não-creditados Andrew Morton, o diretor de segunda unidade, e o fotógrafo Guy Green. O Resultado foi pior do que com o Rei dos Reis, não agradando nem crítica e nem público, e não demoraria muito tempo o excêntrico e dispendioso Samuel Bronston fecharia seus estúdios em Madrid (mesmo com sucessos como El-Cid e A Queda do Império Romano, que apesar de boas arrecadações nas bilheterias, não fez Bronston recuperar a perda com 55 dias em Pequim) e voltaria para o Estados Unidos, onde viveu em seus últimos anos de vida em Sacramento, na Califórnia, e sem as excentricidades de outrora, onde faleceu em 12 de janeiro de 1994, aos 86 anos.


NA VIDA PESSOAL, Nicholas Ray se casou 4 vezes. A primeira com Jean Evans, entre 1930 a 1940, de quem se divorciou.jovem escritora com quem já vivia desde o início da década. No ano seguinte, nasceu Anthony, o primeiro filho do casal. Ray, no entanto, não conseguia ser o protótipo do marido fiel. Durante o casamento, Evans se habituou a ver seu marido envolvido em inúmeros casos amorosos (e nem sempre com o sexo feminino). O casamento durou até 1940. Segundo Casamento foi com a atriz Gloria Grahame (1923-1981, na foto), sua estrela de O Silêncio da Noite, entre 1948 a 1952, de quem também se divorciou.


Vale a pena contar para registro a relação entre Ray e Grahame.Tanto e tão imensamente Ray entendia os adolescentes que, quando encontrou seu filho do primeiro casamento, Anthony Ray (que se tornaria produtor), então com 13 anos, na cama com Gloria Grahame, Nicholas Ray não tomou nenhuma atitude passional, como teria tomado o personagem de Lee Marvin em Os Corruptos/The Big Heat que jogou café fervendo no rosto de Glória e deteriorou todo seu rosto.


Ray separou-se da inquieta atriz, e por felicidade ninguém saiu mortalmente ferido do escândalo. Contudo, podemos imaginar o quanto foi difícil para Ray ser trocado pelo filho já que Anthony Ray casou-se com Gloria Grahame em 1960 e com ela viveu por 14 anos, enquanto Gloria e Nick Ray ficaram casados apenas quatro anos. Gloria era uma madura mulher de 37 anos e o filho de Nicholas Ray mal tinha completado 20 anos quando se casaram. A única atitude de Nicholas foi pedir a guarda do filho Timothy que ele tivera com Gloria, para garantir sua segurança.

Terceira núpcias com a dançarina e coreógrafa Betty Utey, com quem se casou em 1958 e foi sua colaboradora também para alguns trabalhos do diretor que requeriam a dança, como A Bela do Bas Fond, de 1958, em que também atuou como atriz, e Rei dos Reis (1961) que coreografou a dança de Salomé, interpretada por Brigid Bazlen (1944-1989). Mais um casamento que acabou em divórcio. Sua última esposa foi Susan Ray, com quem se casou em 1969 e com quem viveu até o seu falecimento.

Abandonando a direção e Hollywood, Ray dedicou-se ao ensino universitário, lecionando Cinema e Direção até meados dos anos 70, quando descobriu que tinha câncer.

O antigo desafeto Dennis Hopper foi quem ajudou Nicholas Ray conseguindo que ele passasse a ministrar aulas na Universidade de Nova York. O homem que deu espaço para os jovens e seus problemas nas telas, era agora professor de cinema de alunos como Jim Jarmusch (diretor do controvertido western Dead Man, com Robert Mitchum). Como professor, Ray pedia aos seus alunos que fumassem maconha durante as aulas para melhor interpretar suas teorias. Aliás, drogas e cigarros foram minando cada vez mais a sua saúde ao longo do tempo.

Wim Wenders, que o admirava, o colocou em seu filme O Amigo Americano, de 1977, como ator, e co-dirigiu com ele o documentário Lightning Over Water, editado em 1980, e que reflete os últimos momentos de Nicholas Ray e sua luta contra o câncer, que finalmente o sucumbiu, em 16 de junho de 1979, aos 67 anos.Foi sepultado perto de sua mãe, em Wisconsin, Estados Unidos.

FRASES DO DIRETOR

Acredito que isso vem do sentimento segundo o qual nenhum ser humano, homem ou mulher, é sempre bom ou mal. O essencial em toda representação da vida é que o espectador, quando assiste, tenha o sentimento de que, nas mesmas circunstâncias, faria a mesma coisa que o personagem faz se estivesse na pele dele, sejam esses atos bons ou maus. As fraquezas do personagem devem ser humanas, pois se elas o são, os espectadores podem reconhecer nelas suas próprias fraquezas.

- sobre o mal existir em cada ser humano, em entrevista concedida a Charles Bitsch, Cahiers du Cinéma 89, novembro de 1958.

Existe violência em todos os meus personagens. Em todos nós, ela existe em potência. É por isso que eu prefiro os não-conformistas: o não-conformista é muito mais sadio do que aquele que por toda sua vida regula seu cotidiano, pois é aquele mais apto, no momento menos previsível, a explodir e matar o primeiro que aparecer.

- falando sobre a violência de seus personagens, em entrevista concedida a Charles Bitsch, Cahiers du Cinéma 89, novembro de 1958.



"O cinema é a melodia do olhar".
Nicholas Ray




FILMOGRAFIA
Segundo Wikipedia

1948 - They Live by Night (br: "Amarga esperança" / pt: "Filhos da noite")
1948 - A Woman’s Secret (br: "A vida íntima de uma mulher" / pt: "O íntimo segredo de uma mulher")
1949 - Knock on Any Door (br / pt: "O crime não compensa")
1950 - In a Lonely Place (br: "No silêncio da noite" / pt: "Matar ou não matar")
1950 - Born to Be Bad (br: "Alma sem pudor / pt: "A deusa do mal")
1951 - Flying Leathernecks (br: "Horizonte de Glórias" / pt: "Inferno nas alturas")
1951 - On Dangerous Ground (br: "Cinzas que queimam" / pt: "Cega paixão")
1952 - The Lusty Men (br: "Paixão de bravo" / pt: "Idílio selvagem")
1954 - Johnny Guitar (br / pt: "Johnny Guitar")
1955 - Run for Cover (br: "Fora das grades" / pt: "O fugitivo")
1955 - Rebel Without a Cause (br: "Juventude transviada" / pt: "Fúria de viver")
1955 - Hot Blood (br: "Sangue ardente" / pt: "Sangue cigano")
1956 - Bigger Than Life (br: "Delírio de loucura" / pt: "Atrás do espelho")
1956 - The True Story of Jesse James (br: "Quem foi Jesse James?" / pt: "A justiça de Jesse James")
1956 - Amère victoire (br: "Amargo triunfo" / pt: "Cruel vitória")
1958 - Wind Across the Everglades (br: "Jornada tétrica" / pt: "A floresta interdita")
1958 - Party Girl (br: "A bela do bas-fond" / pt: "A rapariga daquela noite")
1960 - The Savage Innocents (br: "Sangue sobre a neve" / pt: "Sombras brancas")
1961 - King of Kings (br: "O rei dos reis")
1963 - 55 Days at Peking (br / pt: "55 dias em Pequim)



Bibliografia: Revistas sobre cinema, site Cineplayers, Cinema de Hoje na TV com Paulo Perdigão, Site Wikipédia


Produção e pesquisa de Paulo Telles.

16 comentários:

  1. Não sou contra quem o detesta, assim como a seus filmes. Para mim ele escolheu seu modo de viver e, se o seguiu assim, era porque ele lhe dava prazer no que fazia.
    Quanto aos seus filmes não existe um deles em que eu me sinta à vontade para por qualquer tipo de critica, já que gostei muito de todos.
    Portanto, um bom diretor e um homem como muitos outros que andaram ou andam por aí, trilhando o destino definido para ele.
    jurandir_lima@bol.com.br

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  2. Nicholas Ray foi um cineasta a frente de seu tempo. Se ele vivesse aos nossos dias, certamente ele não enfrentaria os SISTEMAS DE ESTÚDIOS, e não enfrentaria o boicote de muitos dos "cartolas" de Hollywood.

    Percebe, Jurandir, que não foi a toa que os franceses, cujo o cinema ja vem de uma linha mais avançada e sem os códigos de censura que tinha os americanos, reverenciavam e davam o merecido valor a este grande cineasta?

    Talvez hoje,muitos críticos de cinema renomados do mundo, incluindo os americanos como Leonard Maltin reconheçam a obra de Ray, que precisa não somente de uma análise profunda, mas que o espectador se sinta que os filmes de Ray tem cada um de nossa própria personalidade, seja ela transparente ou não. Não é possível que ninguém se identifique com uma obra deste Mestre que foi Nicholas Ray.

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  3. PAULO,BELO POST!
    INFELIZMENTE A MULHER DE NICHOLAS RAY ESTEVE AQUI EM SÃO PAULO, NUMA RETROSPECTIVA EM HOMENAGEM AO SEU MARIDO O NOTÁVEL NICHOLAS RAY, PORÉM POR MOTIVOS IMPERIOSOS À MINHA VONTADE EU NÃO PUDE COMPARECER QUANDO DE SUA APRESENTAÇÃO.
    NICHOLAS RAY É REALMENTE UM GRANDE CINEASTA,QUE AO MEU MODO DE VER, TEVE UM RECONHECIMENTO TARDIO. ISSO TUDO GRAÇAS AOS FRANCESES. ANTES TARDE DO QUE NUNCA...
    NICHOLAS REALIZOU GRANDES FILMES NOTADAMENTE WESTERNS, SENDO O MAIOR DELES, SEM DÚVIDAS, JOHNNY GUITAR,QUE ASSIM COMO VERA CRUZ, ERA UM WESTERN QUE ESTAVA ALÉM DO SEU TEMPO...
    QUANTO À DECLARAÇÃO DE NICHOLAS AFIRMANDO QUE TENHA INSINUADO UMA RELAÇÃO LÉSBICA ENTRE AS DUAS PERSONAGENS, VIENNA E EMMA, FOI PARA AGRADAR A CERTOS CRÍTICOS ESTADUNIDENSES QUE VIAM NESSE WESTERN ESSA INSINUAÇÃO LÉSBICA.AO CERTO É QUE DE INICIO ESSES CRÍTICOS NÃO ACEITARAM JOHNNY GUITAR COMO UM GRANDE WESTERN, MAS QUE TIVERAM QUE SE RENDEREM QUANDO GRANDES CINEASTAS FRANCESES PERCEBERAM MARAVILHAS NESSE ESTUPENDO WESTERN.CONCERNENTE AO RELACIONAMENTO ENTRE VIENNA E EMMA SMALL,O QUE PODEMOS VER E PERCEBER É PURO ÓDIO E INVEJA QUE EMMA NUTRIA POR VIENNA...
    QUANTO A CAÇA ÀS BRUXAS DO COMUNISMO, NESSE WESTERN ANTI-MACARTHISMO - "THE LINCH MOB" - O SAGAZ RAY SINTETIZOU SUA IRÔNICA VINGANÇA ESCALANDO WARD BOND COMO CABEÇA DO GRUPO DE LINCHADORES,E STERLING HAYDEN COMO JOHNNY GUITAR...

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    1. Eddie, Nick Ray é, ao meu ver, um dos maiores cineastas do Século XX, e somente mesmo os franceses para reconhecerem seu imenso valor, assim como sua obra.

      Eu soube da visita de sua viúva em São Paulo e aqui no CCBB do Rio de Janeiro, mas infelizmente soube bem depois que publiquei este artigo. Se soubesse, não hesitaria de ver esta mostra, e conhece-la também.

      Nick era um cineasta hollywoodiano por excelência, mas os americanos ficavam com “um pé atrás” pelos temas que ele abordava, ao contrário dos franceses que sempre foram mais liberais.

      É mister dizer que Ray foi profundamente admirado tempos depois pelos americanos, que não querendo serem taxados de “burros”, reavaliaram sua obra que é de grande importância para a cinematografia mundial.

      Falando em Westerns...

      JOHNNY GUITAR certamente deu abertura aos westerns com profundidades de “tragédia grega”, e é certamente isto que se vê também neste grande clássico, Eddie.

      Certamente que Ray não declarou isto de maneira gratuita, e sendo para agradar os críticos americanos que viam a relação entre as personagens de Crawford e McCambridge como “lésbicas mal resolvidas”, fico imaginando como deve ter sido engraçado, uma vez que me pareceu tom de brincadeira por parte da crítica americana, ao que Ray embarcou e daí lançou tal declaração. Mas sem dúvida, em minha concepção, nada tinha a ver, e como vc bem mesmo disse, pura e simplesmente um ódio mortal que Emma sentia por Vienna. Interpretação soberba de duas grandes atrizes!

      Quase todas as fitas de Ray tem uma alegoria política, e sem dúvida, com “Johnny Guittar”, não deixou barato. Ward Bond personificou um xerife que é a lá de Joseph McCarthy, literalmente, rsrsrs....

      Paulo Néry

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  4. Amigo Lancaster,

    Tenho meu ponto vista formado sobre o que penso e acho do Nicholas. E concordo contigo quanto aos franceses. Normalmente eles são o estopim para enlevação de fitas que muitos deixam passar sem o merecimento necessário.

    Entretanto, não consigo achar qualquer coerencia no posicionamento do diretor quanto ao fato de Viena e Emma. Na fita o que fica muito claro é que ela, Emma, ama o Brady, que ama Viena. E conhecendo o pouco que conheço do Nicholas, não vejo ali homem para agradar ninguém e dizer coisas que eles queriam ouvir.

    Quando ele diz que detesta Quem Foi Jesse James, o faz com toda razão. Mutilaram seu filme e ainda assim ele segue uma fita de faroeste de intenso respeito. Posso até dizer, no gosto meu, que aquele foi o melhor filme que já assisti sobre a historia de Jesse James.
    E olhe-se; com toda mutilação que fizeram e com alterações impostas na fita por produtores, que dissecaram a fita, pois não queriam aquela estigmatização para um anti-heroi para o qual já haviam feitos (inclusive a mesma Fox), outros faroeste sobre o mito e que não era nada daquilo que Nicholas punha no seu filme.
    Durma com uma desta!

    Portanto, falas acertado ao dizer que ele era um homem à frente de seu tempo, no que eu concordo. Fez filmes intensos, bons, embora com sua marca, mas filmes inteiramente do agrado do publico como;

    - Juventude Transviada, um marco da década de 50 no genero,
    - O Rei dos Reis, fita que melhor e mais ponderávelmente aborda a vida de Cristo,
    - Sangue Sobre a Neve, fita onde tonaliza um tema muito pouco existente no cinema,
    - A Bela do Bas Fond, um papel entregue e bem feito por Taylor onde há muito este não o tinha
    - No Silencio da Noite, filme noir que dispensa muitos comentários, dentre muitos outros que não se consegue esquecer.

    Quanto ao fato do Ward Bond, eiste sim uma coerencia no tangente ao fato que aborda. Ele pode ter feito o que fez, com o papel do Bond, para atingir o nucleo maligno de Hollywood, na questão marcartismo. Porém, quanto ao Hayden, não vejo a coisa posta desta maneira. Ele era um bom ator e provou isto fazendo um filme que vive na historia do cinema.
    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Amigo Jurandir, vc colocou uma parte muito importante em se tratando das obras deste grande mestre. QUEM FOI JESSE JAMES é um filme que, de fato, consegue abordar melhor a trajetória desta lenda. Fico imaginando como seria um clássico caso os produtores não tivessem cometido este "pecado" de mutilar uma obra que hoje certamente seria reconhecido de imensa importância na filmografia do diretor.

      Outro trabalho que nem Ray pôde ter tão tamanho acesso foi em REI DOS REIS. É um filme belo, ainda mais realçada com a magnífica trilha sonora de Miklos Rozsa.

      Tudo porque houve um senhor chamado Samuel Bronston, um pequeno homem com manias de grandeza. Ele também produziu os espetaculares EL CID e A QUEDA DO IMPÉRIO ROMANO. Aliás, este último, foi a queda dele também.

      Bronstom atrapalhava tanto a concentração de todos os cineastas com quem trabalhou em seus estúdios cinematográficos em Madrid, que com Ray não foi diferente.

      Ray de inicio ficou muito interessado pelo projeto e fez até pesquisas, chegando a conversar com religiosos ou peritos sobre a vida de Jesus. Ray não aguentou tanta pressão e abandonou as filmagens pouco antes do previsto.

      Sabe a cena final, onde os discípulos se reúnem, e depois vão se dispersando até aparecer a gigantesca sombra sobre a areia da praia, com a rede deitada, formando uma cruz? este final não seria assim, mas com Jesus se despedindo de seus discípulos e subindo a uma montanha, onde subiria aos céus.

      Mas Ray voltou a trabalhar com Bronstom, no pior 55 DIAS EM PEKING, pior porque a pressão foi ainda maior para o grande cineasta, que não suportou e chegou a enfartar.

      Paulo Néry

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  5. Nery,

    A liberalidade mais expontanea e mais imediata dos franceses, atinente a obras americanas, assim como a muitos de seus cineastas,foi sempre uma realidade e um modo de mexer com os tradicionais pudores e resguardo dos americanos, principalmente no referente a alguns diretores, como o Nick, que era um homem de pensamentos e posicionamentos próprios e um tanto controverso àqueles padrões meio rigidos.

    Que Nicholas foi um diretor extraordinário e modificador de padrões, todos sabemos, conforme cito, individualmente, alguns de seus filmes no meu comentário dirigido ao bom e querido amigo Lancaster.

    O grande problema de "Johnny Guitar" é que ele foi, é e continuará sendo um grande faroeste. E que, por isto, e por ser de Ray, vai seguir incomodando a muita gente e fazendo eles sempre terem o que falar.

    Que vao seguindo encontrar defeitos na pelicula que os liguem ao fantastico e mal compreendido Ray, irão. Jamais pararão. A critica á assim. Mexem numa ferida e, quando ela começa a sangrar, seguem cutucando-a até não poderem mais. E com isso nada mais fazem do que promover cada vez mais a obra, como é o caso desta pelicula.

    Guitar é um filme diferente, bem tramado e dirigido, com um tema inédito entre os tradicionais faroestes, dotado de interpretes que deram a ele uma tonalidade especial, tem uma fotografia e cenários totalmente anverso a qualquer faroeste que já vi, é um filme magnifico e até com cor diferenciada (trucolor). Guitar é um filme que mexe com muita gente e egos que, em busca de desabafos e vinganças, ficam criando rumores sobre uma obra que incomoda demais por sua qualidade excepcional.

    No fundo, no fundo, caro Nery, o enorme problema está em um ponto unico; o Ray era um homem inteligente, sabia fazer cinema e escolha o que fazer para fazer bem, ao ao seu gosto e modo, fato que incomodou e segue incomodando a muitos.

    Observemos sua cinematografia e veremos que, se assistida hoje, iremos ver a sua grandiosidade e diferenciamento na forma de visão do diretor nos seus temas.

    O homem não tornou-se mistico à toa. Ele tornou-se assim porque foi um diretor diferenciado.

    Acabei de assistir ao Bom Dia Brasil. E o tema de hoje sobre o samba era falar de uma cantora bahiana chamada Mariene. Vejam o que ela falou sobre o samba; " O POVO CANTA O SAMBA DE BRAÇOS ABERTOS E OLHOS FECHADOS. ISTO QUER DIZER QUE ELES CANTAM COM A ALMA"
    Um dizer muito apropriado para o momento, não?
    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. "No fundo, no fundo, caro Nery, o enorme problema está em um ponto unico; o Ray era um homem inteligente, sabia fazer cinema e escolha o que fazer para fazer bem, ao ao seu gosto e modo, fato que incomodou e segue incomodando a muitos"

      Absoluta verdade, mas Ray não viveu o tempo que vivemos, e bem possível que hoje, ele moveria céus e terras para demonstrar seu pensamento e sua visão perante as platéias. Lembre-se que Ray ainda vivia sob os sistemas de estúdios, mesmo com inteira disposição para enfrentar o Código Hays e seus produtores, ele era apenas um único homem. Sem dúvida, o cinema é a melodia do olhar, que somente um cineasta como Nicholas Ray pôde, sem dúvida, conceber.

      Paulo Néry

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  6. GRANDE JURA: A VINGANÇA QUE ME REFERI É QUE WARD BOND SEMPRE FOI DE EXTREMA DIREITA E STERLING, UM BOM ATOR, TERIA DEDURADO AMIGOS DURANTE A CAÇA ÀS BRUXAS DO MACARTHISMO.COMO O PAULO DISSE, NICHOLAS RAY, QUE NÃO MOLESTADO, TINHA TENDÊNCIAS ESQUEDIASTAS, DAÍ...

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  7. Lancaster,

    Não estou indo de encontro às suas falas, assim como pouco conheço sobre o malfalado e malfadado macartismo, esta péssima mancha que brotou no seio de quem produzia a melhor arte do mundo.

    Desconhecia sobre o problema do Hayden. Porém, como citou o Nery, o Nicholas vivia à parte de tudo isso e, portanto, livre dos donos dos EUA com esta lei absurda. Referente ao Bond, para mim ele era apenas um excelente ator, desconhecendo coisa sobre se ele era de esquerda ou de direita.

    Porém, posso dizer com convicção; sua posição social não deve nunca ter interferido no seu trabalho, já que tudo o que fez foi muito bem feito.

    E o Sterling Hayden também. Foi um bom ator e, mesmo sem jamais atingir o topo do estrelato, fez peliculas de bom agrado do publico.

    Abraço de coração meu bom e querido amigo.
    Estes pontos de vistas, que muitas vezes se opõem, nada têm a ver com a estabilização da amizade pura que nutrimos pelo outro.
    Sem estes deliciosos debates e pontos de ver as coisas, nada teria muita graça.É ou não é?
    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Nobre Ju! Ward Bond sem dúvida foi um artista muito querido por parte de nós fãs do cinema antigo. Nenhum ator atuou diversificadamente em tantos clássicos. No entanto a notícia que tenho sobre este nobre ator, é que politicamente não era lá tão nobre assim. Não sei se ele entregou colegas ou amigos, mas ele sempre foi um reacionário, e de certa forma, era até um pouco mais que John Wayne. Era um convicto "anti-intelectual", e muitas vezes, falava absurdos contra o partido democrata.

      A título de curiosidade: O grande HENRY FONDA era democrata. Tanto Ward Bond quanto o "Duke", durante os anos que estavam juntos com John Ford, o criticavam sobre sua convicção política. Fonda era um "estranho no ninho" com aquela patota de Ford, grande em parte republicanos, que sempre nas folgas, saiam de velejo e aproveitavam o que a vida pudesse lhes descontrair.

      Isto era a Hollywood Classic!

      Paulo Néry

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  8. Nery,

    Gosto de ouvir suas verdades quando falas que o Ray vivia, como outros diretores, nas mãos dos grandes estudios, que faziam com eles o que desejavam, não dando aos cinegrafistas seus livres poderes de criação.

    No atinente à cena de Cristo, no final de O Rei do Reis, quando sua sombra aparece na prais e ela nos fornece um formato de cruz, achei que aquilo havia sido mais uma idéia fantastica de Nicholas, pois a achei sugestiva.

    Referente ao Bronston, o homem deveria ser um piolho. E, claro, que ninguém consegue dar tudo de si com um sugador daqueles fungando no grugumilho de qualquer que fosse o cineasta.

    E quando o bom A Queda do Imperio Romano caiu,
    (sem merecer, pois é um filme diferente, mas uma pelicula espetacular e bem feita), o pestinha desmoronou com ela. Claro, o filme deu um prejuizo terrivel e os Estudios viviam de lucros. E lucros que A Queda não deu.
    Abraço, companheiro. E não se furte, hora alguma, de me mandar mensagens seja sobre que tema venha a ser.
    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Jurandir, esta informação obtive num site em inglês. É Tremendamente possível que a idéia até partisse de Ray, mas não significa que foi ele que dirigiu. Realmente foi uma idéia bastante sugestiva.

      Sobre Bronston, pretendo escrever breve um artigo. Ele, um pequeno homem, com mania de grandeza, fez de tudo e de tudo para atingir seus objetivos, e conseguiu, mas financeiramente, ele era muito desorganizado. Mesmo assim, fez de tudo para que seus filmes atingissem uma escala de mega superprodução.

      A QUEDA DO IMPÉRIO ROMANO também aprecio, e teve a direção daquele que gostamos muito, Anthony Mann. Vc acha que Mann agiu diferente de Ray quanto a prepotência de Bronston? negativo, Mann se irritava constantemente, e tempo depois, veio a enfartar na Alemanha enquanto dirigia O ESPIÃO DE DOIS MUNDOS, com Lawrence Harvey, mas ao contrário de Ray, que enfartou e sobreviveu, o nobre Mann não teve a mesma sorte, e o filme foi terminado por Harvey. Embora nesta altura, Mann já não estava com Samuel Bronston, as sequelas de tantos aborrecimentos certamente contribuíram para seu fim, em 1967, com apenas 60 anos.

      Obrigado Jurandir, um forte abraço

      Paulo

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  9. Droga, Nery:

    Então o homenzinho era um matador!
    Ser ele fez sucumbir em definitivo o grande Mann e pôs um limite, também definitivo, na vida do excelente Ray, então ele era um criminoso em potencial.

    Vamos ter agora que rever seu passado e descobrir quantos outros mais diretores sucumbiram em suas mãos. Seria uma tarefa dificil, nobre amigo?

    Pois então, se não era, vamos por os podres deste infeliz para fora. Assim, os cinéfilos que apreciam os grandes épicos, irão descobrir a que custo eles chegaram assim aos seus olhos.
    Jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Amigão Ju, sem dúvida é um ponto de vista bastante radical de sua parte, que não censuro tendo em vista que ele poderia mesmo estressar qualquer um, até o mais nobre dos santos.

      Bom, pelo que vim a saber, são estes dois problemas com diretores que o baixinho fez acontecer. Bronstom era um homem difícil, mas se pensar bem, também acabou pagando pelos seus erros. Poderia ter sido um produtor de primeira com uma longa carreira, mas fez muita coisa errada, seja por excentricidade, burrada, ou megalomania. Morreu em janeiro de 1994, sem grandes repercussões.

      Ninguém é perfeito, certo? todas as produções, sobretudo as mega e super, enfrentam seus problemas, que são tão grandiosos quanto as próprias superproduções. Sei que Nicholas Ray já estava cansado de dirigir e Bronstom foi apenas um adicional para que ele enfartasse. Ray nunca recuperou 100% a saúde e depois, ele ainda se envolveu com drogas e não parava de fumar, morrendo de câncer em 1979.

      Paulo Néry

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