sábado, 2 de outubro de 2010

"O Último Hurrah"- Obra política do Mestre John Ford

John Ford (1895-1973) é considerado por grande parte do público cinéfilo como o mestre dos Westerns e de sua parceria com seu compadre John Wayne (1907-1979), com quem se associou em diversas produções da História da Sétima Arte, como sua trilogia da Cavalaria americana: Sangue de Heróis (Fort Apache, 1948); Legião Invencível(She Wore a Yellow Ribbon, 1949); Rio Bravo(Rio Grande, 1950), e o hiper clássico Rastros de Ódio (The Searchers, 1956), considerado não somente um dos dez maiores westerns de todos os tempos como também um dos 50 filmes mais badalados de acordo com os críticos americanos.



Entretanto, este grande mestre da cinematografia mundial não realizou apenas westerns. Ao longo de sua carreira, que se iniciou desde os primórdios quando o cinema ainda era mudo, ele realizou também comédias, épicos, aventuras, e dramas. É sobre um destes dramas que este artigo vai abordar, um drama político (as vezes com pontas de humor) pelo qual considero, de certa forma, superior a Cidadão Kane de Orson Welles, não menosprezando evidentemente este grande alicerce do cinema.


Trata-se de O ÚLTIMO HURRAH (The Last Hurrah), produzido em 1958. O romance, publicado em 1956 e escrito por Edwin O'Connor (1918-1968) é considerado a mais popular das obras de O'Connor, em parte devido a produção do filme homônimo. A novela foi de imediato um best-seller nos Estados Unidos por 20 semanas, e também nas listas de mais vendidos daquele ano. The Last Hurrah ganhou o Prêmio Atlântico, e foi destacado pelo Book-of-the- Month Club e Reader's Digest, além de receber resenhas críticas muito positivas, incluindo um “êxtase”do New York Times Book Review. Não demorou muito para o lendário cineasta Ford, que leu o romance, projetá-lo para as telas. Para isto, a Colúmbia Pictures comprou os direitos do livro.

De origem irlandesa e fiel ao espírito dos imigrantes pioneiros, Ford se identificou com a figura do protagonista da trama, tanto que propôs a Colúmbia dirigir este filme mesmo sem receber salário.


A trama centra-se numa eleição para prefeito em uma pequena cidade de Bostom, EUA. O veterano político irlandês do Partido Democrata Frank Skeffington, interpretado pelo magistral Spencer Tracy (1900-1967), amigo de Ford, é um dos candidatos a prefeito desta cidade. Como um ex-governador, ele é normalmente chamado pelo título honorífico "Governador".



Skeffington é o personagem central de uma astuciosa e refinada crônica sobre os bastidores eleitorais da provinciana Nova Inglaterra. De truculento sangue irlandês, controla a máquina eleitoral â base de golpes baixos de suborno e "caridade".



Cercado por fiéis partidários que estão com ele por mais de 30 anos, Skeffington tenta se reeleger em um mundo que anda em transições. Para começar, a televisão que estava dando seus primeiros passos, começa desempenhar um papel maior na política. Os ideais de Skeffingnton, como a igualdade e o auxílio para os menos favorecidos e oprimidos, parecem pensamentos pueris por grande parte da Sociedade Americana. E isto sem contar a idade do personagem central, que de acordo com o romance de O’ Connor tem 72 anos (Tracy quando fez o papel tinha 58, mas parecia bem mais velho), isto é, sua idade seria um empecilho para sua reeleição, sem que a hipocrisia da sociedade visse nele um homem com idealizações e experiências adquiridas.



Entretanto, nosso maduro herói não esta só. Ele conta com a ajuda de um inteligente jornalista que também é seu sobrinho, Adam Caulfield (Jeffrey Hunter, 1925-1969). Caulfield é de um pensamento tão liberal e humanista quanto o tio. Outrora um jornalista esportivo, se dedica ao jornalismo político quando entra em atrito com seu chefe de redação, o corrupto Amos Force (John Carradine, 1906-1988), inimigo declarado de Skeffignton e republicano fanático.



Ao visitar seu tio, Adam fica sabendo dos sérios motivos que levam Amos a odiar Skeffignton, quando o pai de Amos, um burguês autoritário, na verdade humilhou publicamente a mãe de Skeffignton, que era sua empregada doméstica, pelo fato dela pegar sobras de comida, acusando-a de ladra. Deste encontro entre tio e sobrinho, nasceria daí um ideal em comum, e Caulfield se dedicaria a ajudar Frank em sua empresa.

Adam é casado com Mave (Dianne Foster), filha de Roger Sugrue (Willis Bouchey, 1907-1977, outro ator proeminente nos filmes de John Ford), que também detesta Skeffignton, e começa a ter diversos atritos com o genro, sem contudo abalar a relação em seu casamento, já que Mave também simpatiza com as idéias de Frank.


Frank Skeffignton tem um dom surpreendente. O único político que é verdadeiramente capaz de manipular os poderosos para defender os oprimidos. Ele é o líder indiscutível da cidade, ele controla a cidade com punho de ferro, mas ele sabe que seu show está quase no fim. O dia de compromissos em almoços e comícios políticos está dando lugar à televisão, que quase faz a máquina política do outrora tempo de Frank obsoleta.


Frank Skeffington é o tipo de político que realmente se preocupa com seus eleitores, mesmo que seus métodos sejam um tanto ilícitos. Ele muitas vezes ajuda-os pessoalmente (como na cena de um enterro, em que uma de suas eleitoras não tinha dinheiro para enterrar seu marido, e Frank pressiona o dono da funerária, ligado ao Partido Republicano,a fazer o enterro de graça). Mas há alguns problemas com a regra de Skeffington. Primeiro de tudo, ele muitas vezes muda vários negócios, obrigando mesmo aqueles que trabalham para ele a ter salários reduzidos para ajudar os eleitores. Skeffington e seus aliados, muitas vezes, transformam os funerais em reuniões políticas. Analisemos que Skeffington não é nenhum santo, mas em nome de seus ideais vale quase tudo, mesmo mexer com os alicerces da Igreja Católica.


Durante sua última e tétrica campanha para prefeito, representantes dos meios financeiros da Igreja e da imprensa aliam forças para enfrentar seus métodos, que já lhe valeram várias reeleições. 


Apesar de o próprio Skeffignton ser um católico, ele mesmo entra em atrito com a ideologia da Igreja, muito embora o Arcebispo da cidade, Cardeal Burke Martin (Donald Crisp, 1882-1974) simpatize com Frank.Na vida particular, Skeffignton tem problemas de relacionamento com seu filho único, Frank Skeffington Jr (Arthur Walsh, 1923-1995). Este é um imaturo e irresponsável, que só pensa em mulheres e badalações, ignorando por completo as idealizações do pai.

Frank surpreende a todos ao anunciar o que ele sempre pretendeu, concorrer para outro mandato para prefeito. O corpo principal do filme dá uma visão detalhada e criteriosa da política urbana, e o controle de Skeffington e de seu sobrinho Adam através de rodadas de aparições nas campanhas e eventos. Kevin McCluskey (Charles B. Fitzsimons,1924-2001), um jovem candidato com um rosto bonito e os “bons costumes norte-americanos”, com uma excelente ficha e registro da II Guerra Mundial, mas sem experiência política e nenhuma habilidade real para a política ou governo, acaba derrotando Skeffington nas eleições. É Importante aqui analisar uma situação que anda sempre em voga em qualquer eleição ou em qualquer situação política: que não importa sua experiência, suas propostas sérias, ou suas intenções sinceras e idealistas em prol da sociedade, pois esta sempre vai pender para a imagem de um candidato, afinal as aparências e os feitos de um “herói” ou celebridade é o que mais contam, e o que somente contam para uma sociedade falida e hipócrita.



Um dos amigos de Adam, John Gorman (Pat O’ Brian, 1899-1983) explica que a eleição foi "um último hurrah" para o estilo de máquina política de Skeffington. Mudanças na vida pública americana, incluindo as consequências do New Deal, mudou tanto a face da política norte-americana que Skeffington já não pode sobreviver. Imediatamente após sua derrota, Skeffington sofre um ataque cardíaco. Quando ele morre, ele deixa para trás uma cidade de luto por uma figura crucial na sua história, mas uma cidade que não tem mais espaço para ele ou o seu tipo.



Não obstante a todos os paradoxos do protagonista, Frank Skeffignton é um personagem interessante, que leva o espectador do filme a refletir se seria bom que tal personagem saísse das telas da ficção ou de um livro para transitar na vida real, ou se mesmo seria possível resgatar alguns sonhos e ideais há muito esquecidos. Por falar nisso, o personagem foi de fato baseado em um político real, chamado James Michael Curley (1874-1958), que foi Governador de Massachusetts, e era um político democrata.


John Ford, ele mesmo um irlandês-americano, leu e gostou do livro de O’Connor e resolveu adaptá-lo para o cinema. Muito do sucesso do filme deveu-se ao respeitável e bom desempenho do elenco que incluiu muitos veteranos que geralmente eram amigos do diretor (só Jeffrey Hunter, Dianne Foster, e Arthur Walsh compunham o cast mais jovem), como o próprio Tracy, Pat O'Brien, John Carradine, Wallace Ford, Basil Rathbone (quem diria, o Sherlock Holmes!), Jane Darwell, Anna Lee, e Willis Bouchey. A Columbia Pictures comprou os direitos para fazer este filme de O ' Connor por US $ 150.000. E decerto que cada centavo valeu à pena, numa história narrada segundo o estilo do diretor: intimista, lírica, bem humorada, sentimental e generoso, e apresenta Spencer Tracy numa de suas mais memoráveis performances da carreira.


O ÚLTIMO HURRAH

Título Original: The Last Hurrah
Gênero:Drama/Político
Direção: John Ford

Elenco: Spencer Tracy, Jeffrey Hunter, Pat O’ Brien, Basil Rathbone, Dianne Foster, John Carradine, Donald Crisp, Edward Brophy, Frank McHugh, James Gleason, Jane Darwell, Wallace Ford, Carleton Young, Ken Curtis.
Duração: 111 min.
Ano: 1958
País: Estados Unidos
Fotografia: Preto & Branco


Texto revisado em 2/10/2014
Produção e pesquisa:Paulo Telles

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Tributo a Tony Curtis (1925-2010)

Alguém conhece Bernard Schwartz? Talvez não por este nome, mas decerto que você conhece Tony Curtis, um dos grandes ícones do cinema, que chamou a atenção de muitas mulheres graças a sua beleza e porte físico, e mais do que isto, também ao seu carisma e bom humor, e mesmo ao longo dos anos que se seguiriam ele nunca perdeu seu charme, muito obstante ele enfrentou problemas sérios de álcool e drogas, mas tudo isto ele superou.

Filho de um ex-ator amador que se tornou mais tarde um alfaiate no Bronx, em Nova York, que Tony (ou melhor, Bernard) nasceu a 3 de junho de 1925. Após problemas com a lei aos 12 anos, serviu em submarinos durante a II Guerra.


Curtis serviu na marinha durante a Segunda Guerra Mundial e foi um espectador privilegiado da rendição japonesa na Baía de Tóquio em 1945. De volta aos Estados Unidos, passou a estudar teatro, e em 1948, devido a sua bela aparência e aos olhos marcantes que o tornariam ídolo do público feminino nos anos seguintes, foi contratado pelo estúdio Universal de Hollywood, que lhe colocou em aulas de esgrima, boxe, e montaria.
A sua estréia no cinema dá-se em 1949 num pequeníssimo papel no «film noir» Baixeza/Criss Cross, ao lado de Burt Lancaster (1913-1994). Nos anos seguintes foi ganhando tarimba em papéis de vilão e comprovando o talento em filmes como Serras Sangrentas/Sierra (com Audie Murphy, de quem era amigo e não aceitou a retratá-lo em um filme sobre suas experiências na II Guerra, Terrível como o Inferno/To Hell and Back, em 1955, com Audie retratando ele mesmo seu próprio papel) e, principalmente, Winchester 73, faroeste Classe A dirigido pelo excelente Anthony Mann (1906-1967) e estrelado por James Stewart.



O próprio Bernard assumia que foi a sua visível beleza que lhe valeu o primeiro contrato com a Universal Pictures, onde adotaria o nome artístico de Tony Curtis. O olhar azul e o rosto de feições perfeitas foram uma vantagem que o intérprete sempre soube usar a seu favor, tanto em papéis de galã como, muitas vezes, em comédias que parodiavam o próprio estereótipo.
A vida toda ele nunca perdeu um sotaque muito forte do bairro onde nascera, mesmo quando fazia filmes de época, como Spartacus. Quando foi para Hollywood, para a Universal, lhe mudaram o nome, primeiro Anthony, depois Tony Curtis, dando-lhe pontinhas que serviram como treinamento. O curioso é que foi o público, as fãs que os descobriram, enviaram cartazes para o estúdio e assim o transformaram em astro. Por uns tempos, foi o pretty boy por excelência, de olhos claros, cílios marcantes, e bom físico.





Fez fama como astro fanfarrão e musculoso em películas como O Príncipe Ladrão/The Prince Who was a Thief , em 1951, após ter recebido uma avalanche de cartas de inúmeras fãs, o que levou a Universal a reconhecer seu potencial. Mas com isto, o ego de Tony começava também a florescer. Mulherengo, ele transava com todas as mulheres possíveis, o que se tornou um problema quando se casou com a estrela da Metro, Janet Leigh (1927-2004) - entre 1951 a 1962, era o casamento perfeito para as revistas de cinema.

Mas nem tanto. Ele a deixaria por uma atriz alemã, Christine Kaufman, que conheceu no set na Argentina de Taras Bulba, e do primeiro casamento (com Janet) resultaria a filha Jamie Lee Curtis (de Halloween e outros filmes) que também virou estrela de cinema, mas que sempre teve com o pai uma relação tumultuada.O ator teve mais dois filhos com Leslie Allen, sendo que um deles, Nicholas, morreu de overdose de heroína em 1994. Ele se casou seis vezes e a última, com Jill Vanderberg, em 1998.

O primeiro filme em que Curtis teve realmente impacto enquanto protagonista surgiu em 1953 com Houdini, no papel do mítico ilusionista, na que foi a primeira das cinco películas em que contracenou com a sua então esposa Janet Leigh.




Mas foi trabalhando com atores de peso como Burt Lancaster (1913-1994) em A Embriaguez do Sucesso/Sweet Smell of Success, em 1957, que ele finalmente teve o devido reconhecimento de uma grande parte da crítica, o que o levou no ano seguinte a ser indicado ao Oscar por seu papel como um racista preso junto com Sidney Poitier em Acorrentados/The Defiant Ones, em 1958.

Seus melhores desempenhos incluem Quanto mais quente melhor/Some Like It Hot, de Billy Wilder (1906-2002), uma sublime comédia em que Curtis e Jack Lemmon (1925-2001) para fugir de gangsters se vestem de mulher e acabam se encontrando com Marilyn Monroe (1926-1962).
Ele era amigo íntimo de Frank Sinatra, Dean Martin e Sammy Davies Jr, de John Kennedy, de Kirk Douglas e Burt Lancaster, também produtores que o ajudaram quando preciso. Kirk em fitas como Spartacus, Burt dando-lhe o salto para o estrelato sério que foi Trapézio.
Como ator dramático, ele foi sempre subestimado e certamente isso o magoou. Fez ótimos trabalhos que a Academia desprezou ou ignorou, como em O Sexto Homem, onde fez um herói índio, como assassino em O Homem que Odiava as Mulheres, tendo apenas uma indicação como melhor ator por Acorrentados, aliás, merecida. Mas hoje todos concordam que seu melhor momento foi no filme A Embriaguês do Sucesso, onde era um agente sem escrúpulos que trabalhava para um colunista corrupto (Lancaster).
Ele também fez diversos trabalhos na televisão, o mais bem sucedido deles na série The Persuaders, com Roger Moore, bastante popular no início dos anos 70, que terminou porque Moore foi escolhido para fazer James Bond no cinema.
Tony tornou-se pintor nos anos 80 e conseguiu grande sucesso nesta segunda atividade, que segundo ele era o seu principal interesse há anos, com seus quadros sendo vendidos por até U$50.000 e um deles exposto no Metropolitan Museum of Art de Nova York.

Curtis lamentava nunca ter ganho um Oscar e considera que o mundo do cinema jamais reconheceu verdadeiramente seu trabalho, mas conquistou diversas honrarias e tem uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood, o que é uma recompensa para seus admiradores.
A popularidade pública de Curtis, porém, nunca diminuiu, quer pela relevante carreira como pintor que iniciou a sério no início dos anos 80, quer pelas várias relações amorosas que sempre foi tendo, dentro e fora dos seus seis casamentos. A sua última esposa, Jill Vandenberg Curtis, com quem casara em 1998, era 42 anos mais nova que ele.

Tony Curtis se despediu das telas em 2005, após fazer uma participação especial na série de TV CSI. Nos últimos anos de vida, cultivou uma de suas grandes paixões, a pintura. Em 2008, expôs uma coleção de 35 quadros nas lojas de departamento londrinas Harrods.


Tony Curtis, o eterno galã de todas as reprises de sessão da tarde (pelo menos a “sessão da tarde" ou matinê particular de cada um, graças ao DVD), herói, vilão, conquistador, engraçado, audacioso – tantos e tantos- morreu em sua casa em Las Vegas na noite de quarta feira, ao lado de sua esposa, Jill Vandebenger, de parada cardio-respiratória, depois de uma batalha longa contra uma doença pulmonar (em 2006, teve pneumonia muito grave que quase o matou) e em julho deste ano já havia sido hospitalizado. Tinha 85 anos. Mais uma lenda do cinema que morre, mas que se imortaliza para sempre na memória e no coração de seus fãs.


FILMOGRAFIA


Como Anthony Curtis: 1949 - How to Smuggle a Hernia Across the Border de Jerry Lewis (filme desconhecido sem confirmação). Almas Abandonadas (City Across the River, de Maxwell Shane). A Viciada (The Lady Gambles, de Michael Gordon). Baixeza (Criss Cross, de Robert Siodmak), Traficantes da Morte (Johnny Stool Pigeon de William Castle).

1950 - Entre o Amor e a Morte (Woman in Hiding, de M. Gordon. Só voz). E o Mulo Falou (Francis de Arthur Lubin). I Was a Shoplifter de Charles Lamont. Serras Sangrentas Sierra de Alfred E. Green. Winchester 73 (Idem) de Anthony Mann.

Como Tony Curtis em diante: Os Cavaleiros da Bandeira Negra(Kansas Raiders, de Ray Enright).

1951 - O Príncipe Ladrão (The Prince Who Was a Thief, de Rudolf Maté).

1952 - Tormento da Carne. Flesh and Fury de Joseph Pevney). E o Noivo Voltou (No Room for the Groom de Douglas Sirk). O Filho de Ali Baba(Son of Ali Baba de Kurt Neumann).

1953 - Houdini, o Homem Miraculoso (Houdini, de Rudolph Maté). Alma Invencível. (The All American de Jesse Hibbs). Lábios que Mentem(Forbidden, de Rudolph Maté). Cabeça de Praia (Beachhead de Stuart Heisler ).


1954 - A Um Passo da Derrota (Johnny Dark, de George Sherman). O Escudo Negro de Falworth (The Black Shield of Farworth, de Douglas Sirk).
1955 - Dominado Pelo Crime (Six Bridges to Cross, de Joseph Pevney).Três Marujos em Paris (So This is Paris de Richard Quine). No Reinado da Guilhotina (The Purple Mask de Bruce Humberstone). O Vício Singra o Mississipi (The Rawhide Years de Rudolph Maté). Brutos em Fúria (The Square Jungle, de Jerry Hopper).

1956 - Trapézio (Trapeze de Carol Reed).


1957- Hienas do Pano Verde (Mister Cory, de Blake Edwards). A Embriaguês do Sucesso (Sweet Smell of Sucess, de Alexander McKendrick). Os Olhos do Padre Tomasino (The Midnight Story, de Joseph Pevney).


1958 - Vikings, Os Conquistadores (The Vikings, de Richard Fleischer). Só Ficou a Saudade (Kings Go Forth, de Delmer Daves. Acorrentados (The Defiant Ones, de Stanley Kramer). De Folga Para Amar (The Perfect Furlough, de Blake Edwards)


1959 - Quanto Mais Quente Melhor (Some Like it Hot, de Billy Wilder).Anáguas a Bordo (Operation Pettitcoat, de Blake Edwards).

1960 - Quem Era Aquela Pequena? (Who Was That Lady? de George Sidney). A Taberna das Ilusões Perdidas (The Rat Race, de Robert Mulligan). Spartacus (Idem de Stanley Kubrick).


1961 - O Grande Impostor (The Great Impostor, de Robert Mulligan). O Sexto Homem(The Outsider, de Delbert Mann).

1962 - Taras Bulba (Idem, de J. Lee Thompson). Vinte Quilos de Confusão (40 Pounds of Trouble, de Norman Jewison).


1963 - A Lista de Adrian Messenger (The List of Adrian Messenger, de John Huston). Pavilhão 7 (Captain Newman M.D. de David Miller).

1964 - Quando Paris Alucina (Paris When it Sizzles de Richard Quine, sem crédito). Monsieur Cognac (Wild and Wonderful, de Michael Anderson).Um Amor do Outro Mundo (Goodbye, Charlie, de Vincente Minnelli).Médica, Rica e Solteira (Sex and the Single Girl, de Richard Quine).


1965 - A Corrida do Século (The Great Race, de Blake Edwards). Boeing Boeing (Idem de John Rich).


1966 - A Câmara dos Horrores (Chamber of Horrors, de Hy Averback , sem crédito). Com Minha Mulher, não Senhor (Not With My Wife, You Don’t , de Norman Panama). Um Marido de Morte (Arriverdeci , Baby! ouDrop Dead Darling, de Ken Hughes).




1967 - Não Faça Ondas (Don’t Make Waves, de Alexander MacKendrick)


1968 - O Cinturão da Castidade (La Cintura di Castitá, de Pasquale Festa Campanile). O Bebê de Rosemary (Rosemary’s Baby, de Polanski, só voz). O Homem que Odiava as Mulheres (The Boston Strangler, deRichard Fleischer).


1969 - Os Intrépidos Homens e seus Calhambeques Maravilhosos (Monte Carlo or Bust, de Ken Annakin).


1970 - Corruptos e Sanguinários (You Can’t Win’em All, de Peter Collinson). Vamos Fazer a Guerra (Suppose they Gave a War and Nobody Came, de Hy Averback).


1971/72 - The Persuaders (série de TV).


1973 - A Terceira Garota da Esquerda (The Third Girl on the Left, TV, de Peter Medak).


1975 - O Conde de Monte Cristo (The Count of Monte Cristo, de David Greene, TV). Lepke, o Assassino (Lepke, de Monahem Golan).


1976 - O Último Magnata (The Last Tycoon, de Elia Kazan).


1977 - Casanova & Cia (Idem, de Franz Antel).


1978 - Sextette a Grande Estrela (Sextette, de Ken Hughes). Manitou - O Espírito do Mal (The Manitou, de William Girdler). A Garotada vai ao Japão(The Bad News Bears Go to Japan, de John Berry).


1979 - Erro Fatal (Title Shot, de Les Rose). 1980 - Tremenda Enrascada(It Rained All Night the Night I Left, de Nicolas Gessner). A Maldição do Espelho (The Mirror Crack’d, de Guy Hamilton).

1978/81 - Vegas (série de TV).


1982 - Othello, El Comando Negro, de Max Boulolis.


1983 - Where is Parsifal?, de Henri Belman. Brainwaves, de Ulli Lommel.


1985 - Malicia Atômica (Insignificance, de Nicolas Roeg).


1986 - Balboa (Idem), de James Polakof. A Princesa da Máfia (The Mafia Princess, TV, de Robert E. Collins). O Rei da Cidade (Club Life, de Norman Vane). Banter, de Hervé Achuel. Tragédia em Três Atos (Murder in Three Acts, de Gary Nelson, TV).


1987 - O Piano Mágico, de Sparky (Sparky’s Magic Piano, só voz).


1988 - Der Passagier - Welcome to Germany de Thomas Brasch.


1989 - Charlie (TV, de Jack Bender). O Fim do Planeta Marte (Lobsterman from Outer Space, de Stanley Sheff). As Aventuras de Tarzan em Nova York (Tarzan in Manhattan, TV, de Michael Schultz). Midnight, de Norman Vane. Walter & Carlo I Amerika, de Stephensen e Mikkelsen.


1990 - Thanksgiving Day (TV), de Gino Tanascecu.


1991 - Alvo Mortal (Prime Target, de Heavener e Phillip J. Roth).


1992 - Um Natal Diferente (Christmas in Connecticut, de Arnold Schwarzenegger, TV). Trama da Lei (Center of the Web, de David A. Prior).


1993 - Vingança Eterna (The Mummy Lives, de Gerry O’Hara). Nu em Nova York (Naked in New York, de Daniel Algrant).


1994 - Bandit contra o Crime Organizado (Bandit: Beauty and the Bandit, TV, de Hal Needham),


1995 - Os Imortais (The Immortals, de Brian Grant).


1997 - Brittle Glory, de Stewart Schill. Caçadores de Perigo (Hardball, de George Eschbamer).


1998 - Stargames, de Greydon Clark. Lois & Frank, de Alexander Rockwell.


1999 - Por uma Boa Briga (Play it to the Bone, de Ron Shelton).


2002 - Reflections of Evil, de Damon Packard. 2007 - The Blacksmith and the Carpenter (so voz).


2008 - David and Fatima, de Alain Zaloum.


2011 - Morella


Produção e pesquisa de Paulo Telles

domingo, 26 de setembro de 2010

Hollywood e a Segunda Guerra Mundial


Durante a II Guerra Mundial, o Cinema Americano prestou notável contribuição para o esforço de guerra. Grande parte dos filmes de Hollywood produzidos entre 1942 a 1945 foram filmes de guerra ou com temáticas similares, pois inseriam um tema relacionado com a guerra objetivando estimular o patriotismo da Nação.

Nos anos que transcorreram entre a invasão da Polônia pelas tropas de Hitler e o ataque japonês a Peal Harbor, Hollywood já vinha combatendo o sentimento isolacionista que predominava na América fazendo filmes com temas anti-nazistas e, em 1940, formou-se o Motion Picture Commitee Cooperating for National Defense (Comitê do Cinema para Cooperação com a Defesa Nacional), com a finalidade de cuidar da distribuição e exibição gratuita dos filmes de propaganda, produzidos por várias agências governamentais.

APÓS o ataque japonês de 7 de dezembro de 1941, este grupo se tornou o War Actives Commitee (Comitê de Atividades de Guerra) e, entre os filmes que circulavam nessa ocasião, estavam os de recrutamento, procurando atrair voluntários para as forças armadas ou braços para a indústria de guerra. No meio de outros, incluíam-se películas como QUEM QUISER TER ASAS/Winning Your Wings, no qual aparecia James Stewart (1908-1997) convocando rapazes para a aviação; e A MULHER E A GUERRA NOS ESTADOS UNIDOS/Women In Defense, com Katharine Hpeburn (1907-2003) narrando um comentário escrito por Eleanor Roosevelt, destinado a encorajar a adesão feminina; FORÇA PARA A DEFESA/Power for Defense, mostrando como a energia do Vale do Tennessee era usada para movimentar as máquinas das fábricas.

Em junho de 1942, o governo institui o Office of War Information (Gabinete de Informação de Guerra) para servir de contato com a Indústria Cinematográfica. Através desta agência, Hollywood e Washington trabalharam juntos. Cópias de todos os filmes de ficção em longa metragem e Shorts foram postos à disposição das forças armadas. Perto do final da guerra, cerca de 43 mil cópias tinham sido embarcadas para que os soldados as vissem a bordo dos navios ou nos acampamentos de além-mar.

APOIADOS pelo Research Council of the Motion Picture Academy (Conselho de Pesquisa da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas), presidido pelo chefe da 20ªth Century-Fox, Darryl F. Zanuck (1902-1979), e em cooperação com o U.S.Signal Corps (Corpo de Sinaleiros dos Estados Unidos), os estúdios dedicaram-se aos filmes de treinamento, sem fins lucrativos.

Em 1944, a produção destes filmes tinham alcançado a percentagem de 20 por semana, segundo palavras do General Eisenhower, a fase de treinamento pôde ser abreviada, colocando os soldados prontos para entrarem em combate com maior antecedência. Os oficiais da Divisão Fotográfica do Corpo de Sinaleiros, sob os auspícios do Conselho, adestravam-se nos estúdios e atuavam como consultores a fim de se preservar a correção técnico-militar de cada filme. Os únicos custos para o Departamento de Guerra consistiam no pagamento da mão-de-obra e do filme virgem, e o Conselho ajudava na seleção de gente para trabalhar nas equipes cinematográficas.

OS FILM DALLY YEARBOOKS de 1942 e 1943 dão uma lista imensa do pessoal de cinema que prestava serviço às forças armadas naqueles anos, como Zanuck, Merian C. Cooper, James Stewart, Frank Capra, Lloyd Bacon, Robert Montgomery, Douglas Fairbanks Jr, John Ford, Gene Autry, John Huston, Clark Gable, Anatole Litvak, William Wyler, Tyrone Power, William Holden, George Brent, Robert Taylor, Victor Mature, Melvyn Douglas, John Payne, Robert Ryan, Robert Stack, Henry Fonda, Robert Mitchum, Burgess Meredith, Alan Ladd, George Stevens, Ronald Reagan (futuro Presidente dos EUA), Glenn Ford, entre muitos outros. E SEM CONTAR os artistas que no futuro iriam despontar nas grandes telas e que também deram sua imensa contribuição para a Pátria, como Lee Marvin, Charles Bronson, Rock Hudson, Paul Newman, Kirk Douglas, Charlton Heston, Ernest Borgnine, Telly Savalas, George Kennedy, James Arness, Jack Palance, Jeffrey Hunter, e Audie Murphy (foto), que foi o soldado mais condecorado na II Guerra Mundial, recebendo 24 medalhas, incluindo a Congressional Medal of Honor, a Medalha de Honra do Congresso Americano – e se tornaria um dos maiores cowboys do cinema nas décadas de 1950 e 60 e que iria falecer prematuramente em um desastre aéreo com apenas 46 anos em 1971.
ROBERT TAYLOR (1911-1969, foto), por exemplo, serviu como instrutor de vôo no setor de transporte aeronaval, chegando a dirigir 17 filmes de treinamento e narrou o documentário de longa-metragem Belonave/The Fighting Lady, vencedor do Oscar em 1944.
Clark Gable (1901-1960- foto), na aviação, cumpriu com bravura várias missões sobre a Alemanha e atingiu o posto de Major.




James Stewart, comandante de bombardeios, fez muitos vôos arrojados contra o inimigo e se reformou em 1968 como general-brigadeiro da Air Force Reserve (Reserva da Força Aérea).

Das 240 mil pessoas empregadas na produção, distribuição e exibição de filmes, mais de 40 mil ingressaram nas fileiras das forças armadas, incluindo Hollywood, 48 executivos e produtores, 230 membros do Sindicato de Roteiristas, 40 cameraman, 75 eletricistas e sonoplastas, 80 maquinistas, 453 técnicos em geral e cerca de dois mil músicos.

EM ACRÉSCIMO aos filmes de treinamento, um certo número de filmes não comerciais de propaganda patrocinados pelo governo americano, foi produzido pelo Corpo de Sinaleiros sob o Comandante Frank Capra (1897-1991), um dos 132 diretores membros do Screen Directors Guild (Sindicato dos Diretores). Aproximadamente 447 pessoas de Hollywood funcionaram como oficiais do Corpo de Sinaleiros, e entre eles estavam o lendário John Huston (1906-1987-foto), Anatole Litvak (1902-1974), e Darryl F. Zanuck (1902-1979). Incumbido de fazer AT THE FRONT, um documentário sobre a campanha do Norte da África, Darryl Zanuck arriscou a vida filmando sob intenso fogo no front, escreveu um diário, TUNIS EXPEDITION (onde relatou a expedição, e foi agraciado com a Legião de Honra por “bravura excepcional em combate”. Os pormenores das façanhas de John Huston e Anatole Litvak, salientando-se a trilogia Report from the Aleutians, The Battle of San Pietro, e o semi “fabricado” Tunísia Victory.




Dois outros brilhantes cineastas, William Wyler (1902-1981) e John Ford (1895-1973- Foto), também se consagraram ao esforço de guerra, resultando duas obras significativas: POR CÉUS INIMIGOS/Memphis Belle e A BATALHA DE MIDWAY/The Battle of Midway. Wyler, incorporado na aviação, se responsabilizou pela primeira e perdeu a audição de um ouvido por causa dos vôos em grande altitude, desligando-se como Tenente-Coronel. Ford, por sua vez, foi ferido no braço quando filmava a segunda produção, mas foi avante até o término. Além de A BATALHA DE MIDWAY, premiado com o Oscar de melhor documentário de 1942, Ford realizou Sex Hygiene, sobre os perigos e a prevenção das doenças venéreas, reduzindo para 8mm o material fotográfico por um dos cinegrafistas de sua equipe sobre a rotina num PT Boat, resultando daí Torpedo Squadron e mexeu um pouco em December 7th, documentário de curta-metragem feito por Gregg Toland a respeito do ataque a Pearl Harbor.

Outros profissionais da Sétima Arte de Hollywood que ficaram impossibilitados de ir ao front e de usar farda, contribuíram de outras maneiras para destruir o Nazismo e levantar o ânimo de seus compatriotas através do USO-United Organization Camp Shows (Serviços Unidos de Organização de Shows em acampamentos) e do Treasury Department Bond Sales Drives (Esforço para a venda de Bônus do Departamento do Tesouro). O primeiro se formou em 1941 para produzir recreação para os soldados- e vários atores, cantores, e outros profissionais do Show Business imediatamente se colocaram a disposição para cooperação. Mais tarde foi criado o Hollywood Victory Commitee (Comitê de Hollywood para a Vitória) com a finalidade de coordenar as atividades das personalidades do rádio, do teatro e do cinema nos diversos espetáculos.

Os Shows em acampamentos eram organizados em quatro circuitos: O Circuito da Vitória, com salas de primeira classe em cerca de 700 quartéis do Exército e bases navais; O Circuito Azul, com lugares para espetáculos em 1.150 acampamentos; O Circuito dos Hospitais e o Circuito Toca da Raposa (que era o circuito pelo exterior. Antes da guerra terminar, mais de dois mil artistas tinham cruzado os mares para divertir as tropas aliadas. Os dois que mais viajaram foram a atriz Paulette Goddard (1911-1990), que fora esposa de Charles Chaplin, e o comediante Joe E. Brown (1892-1973- foto), alcunhado de o “Boca-Larga”. A popularidade deste era seguida pela de Bob Hope (1904-2004), mas Joe foi o primeiro astro a ir ao Alasca, às Ilhas Aleutas, ao Sudoeste do Pacífico, e aos teatros de operações na China, Birmânia e Índia, e em 1944, o proclamaram de “O Pai de todos os Homens no Além-Mar”.


Frances Langford, Dinah Shore, Bing Crosby, Al Jolson, Laurel & Hardy, Martha Raye, Abbot & Costello, Edie Cantor, Kay Francis, Humphrey Bogart, James Cagney, Spencer Tracy, Randolph Scott, Gary Cooper, Errol Flynn, Ann Sheridan, Adolph Menjou, Jack Benny, Carole Landis, e tantos outros ofereceram algumas horas de alegria e emoção aos soldados. E nos três anos seguintes, cerca de 3.500 artistas fizeram mais de 35 mil apresentações correndo sério perigo perto das linhas inimigas.

Enquanto isso, na frente doméstica, inaugurava-se em outubro de 1942 a Hollywood Canteen (Cantina de Hollywood), concebida por Bette Davis (foto) e John Garfield. A Cantina acolheu mais de dois mil soldados. Toda noite uma grande orquestra tocava, e os homens de uniforme podiam dançar com Bette Davis, Bette Grable, Hedy Lamarr, Olivia de Haviland, Marlene Dietrich, Joan Crawford, e dezenas de outras estrelas glamourosas. As atrizes também serviam as mesas e lavavam pratos, sem receberem qualquer pagamento.
Outras atuavam como enfermeiras (como Jennifer Jones) ou visitavam os feridos nos hospitais, ouviam relatos dos soldados de licença ou que retornavam ao lar, e vendiam bônus de guerra, percorrendo todo país para incentivar os cidadãos a investirem na defesa. Carole Lombard (foto) morreu num desastre de avião numa dessas campanhas. Ela tinha apenas 33 anos de idade e estava casada com Clark Gable.

Em 1943, inúmeros artistas participaram das famosas excursões Stars Over America (Astros pela América), angariando 840 mil dólares, visitando 151 hospitais, 254 acampamentos, e 41 cidades. Milhares de pré-estréias tiveram lugar, com os distribuidores suprindo os filmes sem cobrarem nada e nelas os bônus eram vendidos pelo preço da entrada ou trocados por doação de sangue.

Esta era a Hollywood e seus astros e estrelas nos tempos da II Grande Guerra.



Produção e pesquisa de Paulo Telles


BIBLIOGRAFIA:REVISTA CINEMIN- ANO 1985- Página 23 a 27- de autoria de A.C.Gomes de Mattos.

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