sábado, 12 de junho de 2010

Um Tributo a John Wayne


Cavalgando pelas pradarias do Oeste Cinematográfico, ele se tornou uma lenda imortal. Filho de Clyde e Mary Morrison, Marion Michael Morrison, que o mundo conheceria como JOHN WAYNE, nasceu a 26 de maio de 1907, em Wintenset, Iowa. Mas a vida teve de lá suas ironias. O nome Marion foi motivo de gozação por parte dos garotos de sua idade. Quem diria que o maior astro do cinema mundial, símbolo do machismo e virilidade, tinha em seu nome de batismo um nome de mulher.

A Trajetória de Wayne se confunde com a própria história do cinema americano, já que iniciou sua carreira em 1927. Ganhou um apelido tão logo ingressou na Meca do cinema, Hollywood, a alcunha de “Duke”. Isto porque o jovem Marion costumava passear com seu cachorro de estimação, que tinha aquele nome. Desde a tenra idade, Marion começou a lutar pela vida, depois de estudar na Universidade de Southern Califórnia. Daí sucedeu-se uma série de pequenos biscates: Foi motorista de caminhão, consertador de fios eletrônicos, carpinteiro de cenários cinematográficos, e até mesmo dublê. Assim, pagava seus estudos, pois tinha pretensão em se formar em direito.



No entanto, quanto mais trabalhava nos estúdios de cinema, mas ficava fascinado com o mundo da chamada Sétima Arte. A essa época, seu físico avantajado, de 1m94 de altura, chamou a atenção dos produtores e diretores. Assim, ele foi aproveitado em pequenas pontas de filmes. Mas em 1930, o lendário diretor Raoul Walsh (1889-1980) que sugeriu que o ator tivesse o nome artístico de John Wayne, deu a ele o seu primeiro papel principal, no filme A GRANDE JORNADA (The Big Traill). Entretanto, a produção foi lançada em plena época de depressão americana, o que fez com que sua atuação não fosse notada, pois o filme não teve o retorno esperado nas bilheterias.



Logo, Wayne foi “rebaixado” para produções menores e baratas. Se tornou um astro de filmes de cowboys das matinês, trabalhando para pequenos estúdios, como a Lone Star, e atuando em filmes de pequena duração. Assim, “Duke” Wayne se tornou o ídolo infantil das crianças dos anos de 1930, notabilizando-se como um dos “Reis dos Cowboys” ao lado de Tom Mix, Buck Jones, e Tim McCoy. Graças também a Yakima Canutt, respeitado coordenador de cenas de ação e perito em cenas de perigo (ele seria o diretor de segunda unidade de “BEN HUR” em 1959, supervisionando a famosa corrida de quadrigas) que John Wayne começou a aprimorar seu estilo Cowboy. Padronizou a maneira de andar, e treinou um sotaque que se encaixava bem num herói do oeste. No entanto, sua carreira vertiginosa só começou quando conheceu um cineasta que mudaria sua vida para sempre. Seu nome: John Ford (1895-1973). Ford simpatizou-se com Wayne a primeira vista, e ambos se tornaram grandes amigos por toda vida, apesar de Ford sempre tentar impor palpites na vida e carreira do “Duke”.



Em 1939, acontece a grande chance de sua carreira: NO TEMPO DAS DILIGÊNCIAS (“Stagecoach”, 1939), considerado um dos maiores clássicos do Western. A Princípio, os produtores relutaram em aceitar um principiante saído de faroestinhos baratos e de orçamento duvidoso para o papel célebre de Ringo Kid. Mas John Ford decidiu que já havia dado o papel a Wayne e que jamais voltaria atrás, e que queria fazer um filme que não devia nada de seu sucesso à popularidade dos intérpretes, e sim o oposto, o filme que os tornaria populares. E não deu outra, pois além de Wayne, despontaram em celebridades Claire Trevor, Thomas Mitchell (ganhador do Oscar), e John Carradine.

Assim, John Wayne ingressou no rol dos artistas CLASSE A, e um dos que mais atraíam público aos cinemas, segundo a revista Motion Pictures Herald.



Na vida pessoal , Wayne também tinha suas preferências. Com acentuada atração por mulheres latinas, John Wayne foi casado com duas mexicanas: Josephine Saenz (33/44) de quem teve os filhos Melinda, Michael (que se tornou produtor) e Patrick (ator) e Esperanza Bauer (46/53). Em 1954 casou-se com a peruana Pilar Palette, que lhe deu os filhos Aissa, Marisa e Ethan (nome de seu personagem em Rastros de ódio).



Quando os EUA entraram para a Segunda Guerra, Wayne pediu dispensa do serviço de guerra alegando comprometimento com a carreira, casamento e filhos. No entanto, mesmo não atuando em fronts reais, contribuiu com suas atuações em filmes bélicos que eram praticamente propagandas de guerra americana contra o nazismo. Assim, muitos dos soldados americanos que iam para a guerra se inspiravam nos personagens heróicos, fortes e dignos, interpretados por John Wayne. Aliás, Wayne era um conservador na política, um republicano convicto.





Passada esta fase da Segunda Guerra, os papéis que Wayne tipicamente representava estavam decaindo, assim, o escritor Borden Chase lançou em 1948 um scripit que o lendário Howard Hawks (1899-1977) dirigiu especialmente para Wayne: RIO VERMELHO (Red River), trazendo de volta o prestígio do ator, mesmo que quase ofuscado pelo estreante Montgomery Clift (1920-1966), que para deleite do público feminino, estava em sua estréia cinematográfica.



Em RASTROS DE ÓDIO (The Searchers), obra-prima dirigida por John Ford em 1956, o eterno caubói John Wayne encarna com perfeição o herói amargurado Ethan Edwards, violento e até preconceituoso que percorre vales e desertos em busca da sobrinha raptada pelos índios (Natalie Wood, 1938-1981) ao lado de seu sobrinho de criação Martin Pawley (Jeffrey Hunter, 1925-1969) que por ser mestiço não tem boas relações com Ethan, muito embora ambos esqueçam suas diferenças por um obstinado objetivo comum. Clássico do cinema, belo e ao mesmo tempo cruel e que, sem a presença madura do velho Duke, não teria a intensidade necessária. Um pungente retrato da solidão humana.



Wayne fez grandes filmes com outros cineastas, como Cecil B. De Mille (no filme Vendaval de paixões, de 1942) e até sob a batuta do progressista e existencialista John Huston (autor de O Bárbaro e a Gueixa, de 1957). Com Howard Hawks atuou ainda em Onde começa o inferno (1958), El Dorado (1966) e Rio Lobo (1971) e na aventura ambientada na África, Hatari (1961).



Dirigiu os filmes "O Alamo" e "Os Boinas verdes". O primeiro, de 1960. foi um antigo projeto seu, patriótico, que contava a luta entre americanos e mexicanos pela posse do território do Texas, em 1836. Fracasso nas bilheterias que quase arruinou a carreira de Wayne, mesmo ganhando o Oscar de melhor som. O Segundo, de 1968, lhe causou grandes problemas. Tinha um roteiro pró-Guerra do Vietnã, o que causou a fúria dos opositores a essa intervenção militar norte-americana, que realizaram vários protestos contra a exibição do filme.

Foi recordista em atuações cinematográficas, mais de 250 filmes (há quem diga que o ator brasileiro Wilson Grey o superou). Também foi dirigido por outros grandes diretores além dos já merncionados: William Wellman, Mark Rydell, John Farrow. Havendo, também, trabalhado ao lado de vários astros de sua época: Henry Fonda, Katharine Hepburn, Susan Hayward, James Stewart, Maureen O´Hara, Sophia Loren, Elsa Martinelli, Dean Martin, Kirk Douglas, Montgomery Clift, Robert Ryan, William Holden, Marlene Dietrich, Rock Hudson, Robert Mitchum, Lee Marvin, Richard Widmark, dentre outros, em seus 50 anos de cinema.







A Academia jamais se lembrou de John Wayne antes como candidato para o Oscar - apesar de seus bons desempenhos, como em Rastros de ódio - e acabou lhe dando por BRAVURA INDÔMITA, um faroeste outonal, em que o ator aparece como uma ruína de si mesmo, velho e gordo, mas com muita garra e seu habitual carisma.



Mas o maior inimigo que teve em vida não foi no cinema, e sim, na vida real, e começou a caçá-lo em 1964. Era o Câncer, por ele chamado de Big C. Em 1964, Wayne foi obrigado a tirar um pulmão. Mesmo recuperado, voltou aos filmes e as cenas de ação. Isto pode ser notado em seu primeiro filme depois desta cirurgia, OS FILHOS DE KATIE ELDER (The sons of Katie Elder), em 1965, onde o veterano astro dispensou dublês nas cenas de lutas e arriscou um mergulho nas águas geladas de um rio na locação onde a produção foi filmada.

Com a chegada dos anos de 1970, o BIG C voltava a caça-lo, e desta vez parecia iminente uma guerra terrível entre eles, mas mesmo assim, nunca pensou em se aposentar:


"A única que sei fazer é trabalhar. A aposentadoria vai me matar", dizia ele, que lutou bravamente contra o câncer que se abateu sobre ele e sempre afirmava quando perguntado sobre seu estado de saúde: "Liquidei-o. Comigo não há câncer que agüente. Para o inferno com o Big C!". No final de sua carreira, já velho e cansado, Wayne deu uma entrevista para a revista de cinema Variety e afirmou: "É possível que não se interessem mais pelos serviços deste cavalo velho e o larguem no pasto, mas trabalharei até isso acontecer" Também brincou com o fato de algumas revistas afirmarem que estava ficando sem cabelos: "Não tenho vergonha da minha careca, mas não vejo por que obrigar as pessoas a vê-la".



Em 1976, Wayne se despediu das telas e fez seu derradeiro filme, O ÚLTIMO PISTOLEIRO (The Shootist) , com Lauren Bacall e Ron Howard (que se tornaria um grande cineasta e realizou os sucessos “Código da Vinci” e o mais recente “Anjos e Demônios”), no papel de um velho caubói morrendo de câncer mas ainda lutando. O roteiro, que tinha muito a ver com a própria vida do astro trazia a história de um velho e lendário pistoleiro que sofria de câncer e procurava um local onde pudesse morrer em paz. Mas não conseguia escapar de sua reputação. Este foi o último filme da vida e fascinante carreira de John Wayne.
TÚMULO DE WAYNE
Num último ato, o Velho Guerreiro Cowboy ainda pretendia derrotar o BIG C, mesmo que isso implicasse no sacrifício de sua própria vida: se ofereceu como COBAIA para qualquer tipo de pesquisa no centro Médico da Universidade de Los Angeles. O mundo., estupefato, acolheu com lágrimas esta última declaração pública do ator.

Em 11 de junho de 1979, o homem que melhor se identificou com os heróis do Oeste Americano morreu vítima de câncer nos pulmões, mas que naquele momento, mesmo perdendo a última batalha, entrava para sempre para a imortalidade. E Sempre será eterno nos corações de seus fãs, e nas reprises de seus filmes.


Paulo Néry Telles Pereira

Bibliografia: A VIDA E A OBRA DE JOHN WAYNE- EDITORA BLOCH, com ilustrações do talentoso desenhista JOSÉ MENEZES, amigo querido a quem dedico esta matéria - e o documentário JOHN WAYNE, UM HERÓI AMERICANO- do canal Mundo.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Tarzan: Cinema, Televisão e Quadrinhos


Ele foi durante muito tempo o personagem que mais deu brecha para a imaginação tanto de leitores quanto de cinéfilos, muito embora o perfil original ainda esteja bem distante daquela projetado na Sétima Arte, e imortalizado principalmente pelo ator e ex campeão olímpico de natação Johnny Weissmuller (1904- 1984, foto). Falo de Tarzan, o herói órfão que perdeu os pais num trágico destino e acabou sendo criado por Kala, à grande macaca e viveu seus primeiros anos entre os gigantescos símios. Diferente dos traços que os filmes protagonizados por Weissmuller deram ao herói, Tarzan era sensível, inteligente, e auto didata, e seu eminente criador, Edgar Rice Burroughs, até falecer em 1950, jamais gostou das adaptações cinematográficas que os roteiristas davam a sua idealização.

Muito antes da televisão, dos quadrinhos, e do cinema investir no personagem, Tarzan foi investido abastadamente na imaginação de um escritor, que com mais de 30 anos de idade, casado e com filhos, tinha um futuro incerto. Seu nome era Edgar Rice Burroughs (1875-1950). De origem humilde, através de Tarzan formaria um Império pessoal, que originaria muitos produtos relacionados ao herói, e até uma cidadezinha na Califórnia, Tarzana, foi batizado em honra ao seu criador. Burroughs sabia descrever vividamente a ação em seus livros, possuía muita imaginação, e sabia contar histórias, como demonstra seu trabalho no mundo todo.

Tarzan foi criado por esse norte americano numa época em que os Estados Unidos estavam a buscar um tipo diferente de herói, e o Senhor das Selvas parecia enquadrar esse perfil, pois mesmo não tendo super-poderes e armas de fogo, conseguia sempre um jeito de triunfar sobre seus inimigos. E Tarzan nasceu em 1º de outubro de 1912.

A LENDA DE TARZAN é uma das grandes experiências da literatura na natureza humana. Uma criança é criada por grandes macacos numa região isolada da costa africana, depois que seus pais, abandonados lá por amotinados, morreram. A criança aprende a usar sua inteligência humana para sobreviver no mundo hostil dos macacos. Ele recebe da macaca Kala, sua mãe adotiva, o nome de “Tarzan”, que significa, “Pele branca” na linguagem símia. Ao atingir 10 anos, Tarzan descobre uma cabana onde seus pais haviam morado, e aprende a ler (sozinho) de livros que encontra lá.

TARZAN é um jovem que provou sua superioridade em seu domínio na selva, quando encontra Jane Porter e o pai dela, os primeiros brancos que ele via. Quando Jane é raptada por um dos grandes macacos, o Homem Macaco vem ao seu resgate. Vale notar que o Tarzan literário não é um super-homem, é um ser humano que desenvolveu sua inteligência e capacidade mental ao limite máximo humano. Ele é o exemplo do melhor que o homem pode aspirar. A Sofisticada Dama Jane e o Rei das Selvas descobrem que estão apaixonados, se casam, e ele descobre que na realidade é de origem nobre, Lorde Greystoke.

ELE VIAJA PARA A INGLATERRA, onde herda uma propriedade, mas após experimentar a civilização pela primeira vez, fica desgostoso com a maldade e a ganância da “selva de pedra” dos humanos. Ele decide deixar Jane e sua fortuna, e volta para a Selva africana. Assim termina a história original.

Burroughs achou que seria a última história do Senhor das Selvas, porque achou que a história era inverossímil demais para vender. Mas como seu próprio personagem, Edgar também era um idealista. Seu pai tinha sido oficial da cavalaria da União que se tornou comerciante depois da Guerra Civil Americana (1861-1865). Edgar Rice nasceu em 1º de setembro de 1875, em Chicago, EUA. Quando criança era um sonhador irrequieto, e um empreendedor ativo com grande censo de humor. Depois de crescer e entrar para a Escola Militar passou mais de 12 anos de uma carreira fracassada para outra. Tentou ser soldado, vaqueiro, contador, vendedor de porta em porta, policial ferroviário, e garimpeiro. Casou-se com sua namorada de infância em 1900, tiveram três filhos e passaram dificuldades para viver.

SE NÃO FOSSE PELOS APONTADORES DE LÁPIS, bem capaz que Tarzan só ficasse na imaginação de Burroughs. Em 1911, ele tentava lançar uma empresa para vender estas pequenas maravilhas mecânicas. Enquanto esperava vender os apontadores, começou a preencher seu tempo ESCREVENDO. Os apontadores, por sua vez, nunca foram vendidos, mas o que escreveu, lhe garantiu imortalidade literária. Através de Tarzan, Edgar viveu a aventura que nunca esteve ao seu alcance na realidade e nos levou junto nesta viagem. Contrastando com Tarzan, que nos desafios e embates sempre se saía vitorioso, Burroughs fracassou no exame de admissão da Academia Militar de West Point e foi dispensado da Cavalaria dos EUA por seu coração fraco. Depois de seu casamento, as coisas pioraram tanto que ele teve que penhorar as jóias de sua esposa para comprar comida. Mas foi através dos personagens fantásticos que habitavam a sua imaginação que finalmente Burroughs encontrou fama e fortuna. Acabou escrevendo 71 livros, incluindo 26 de Tarzan. Nenhum dos outros personagens de Edgar foi comparado ao sucesso de Tarzan. Entretanto, a intenção de Burroughs originalmente era apenas escrever uma trilogia do herói, mas ao fim do quarto livro, Tarzan é um homem idoso, um avô aposentado em seu rancho na África. Mas seus leitores exigiam mais aventuras de Tarzan, não queriam ver seu herói sumir ou ter um substituto. 

TARZAN representa, além de coragem e ousadia, a defesa dos fracos e oprimidos, o amor pela natureza e pelos animais, e também pela liberdade. Seus livros são publicados até hoje em 37 idiomas e estão em todos os cantos do mundo. Mas a aventura mais imprevisível do Homem Macaco só veio em 1918, quando o personagem foi para o cinema.

TARZAN criou vida própria, saiu do controle de Burroughs, e muito diferente do perfil criado em seus livros.

ELMO LINCOLN estrelou em “TARZAN DOS MACACOS”, um dos primeiros 6 filmes mudos do personagem a faturar um milhão de dólares. Críticos e historiadores do cinema reconheceram que Lincoln interpretou o papel esplendidamente, tanto que um confronto simulado transformou-se em realidade. Numa cena em que ele lutaria com um leão para salvar a amada Jane, ele agarrou a fera pelo rabo e o puxou para si. O leão não gostou e se virou para Elmo e começou a morder. Elmo pegou sua faca e lutou com ele. Acabou matando, de verdade, o leão no set de filmagem. Foi uma experiência chocante para o ator.

Já nesta época também, as aventuras de Tarzan já estavam nas paginas dominicais, em quadrinhos, nos jornais. No início do ano de 1929, "Tarzan" passa também a ser adaptado para os quadrinhos, aparecendo as suas aventuras oficialmente nos jornais diários americanos, distribuídos pelo "Metropolitan Newspaper Syndicate" (um ano mais tarde integrado no "United Features Syndicate"), sob a forma de tiras diárias assinadas por Harold Foster, um prestigiado publicitário reconvertido, entretanto, ao realismo figurativo das histórias em quadrinhos.



Harold Foster, o primeiro autor das tiras diárias, que aparecem pela primeira vez a 7 de Janeiro de 1929, desenha, assim, as 60 primeiras tiras, seguindo-se a este na série (que termina em 1973) os seguintes artistas: Rex Maxon (1929-36), William Juhré (1936-38), novamente Rex Maxon (1938-47), Burne Hogarth (1947), Dan Barry (1948-49), John Letti (1949), Paul Reinman (1949), Nicholas Viskardy (1950), Bob Lubbers (1950-54), John Celardo (1954-67) e Russ Manning (1967-73).

Relativamente às "sunday pages" (páginas dominicais), surgidas pela primeira vez a 15 de Março de 1931, com a assinatura de Rex Maxon, obrigatórias, ainda hoje em dia, nos jornais americanos de domingo, estas foram desenhadas sucessivamente por Rex Maxon (1931), Harold Foster (1931-1937), Burne Hogarth (1937-1945), Reuben Moreira (1945-47), Burne Hogarth (1947-50), Bob Lubbers (1950-54), John Celardo (1954-68), Russ Manning (1968-79), Gil Kane (1979-81), Mike Grell (1981-83) e Gray Morrow (de 1983 até ao presente).

Em 1920, sem contar com a presença de Lincoln, um novo ator vestiu a pele do Homem Macaco. Um bombeiro de Nova York, de 1m90 e sem nenhuma experiência em artes cênicas, foi escolhido para viver Tarzan. Seu nome era GENE POLAR, em “A VINGANÇA DE TARZAN”e seu salário era de 100 dólares por semana. Já nesta época, a censura estava bem de perto vigiando os passos da indústria cinematográfica, e um peito masculino nu não era aceitável num filme. Logo, Polar foi o primeiro Tarzan a usar uma pele de leopardo sobre o ombro, que cobria mais o corpo. Desiludido com os maquinismos da indústria de cinema por trás dos bastidores, e um contrato em discussão, o segundo Tarzan do cinema se demitiu, e voltou a ser bombeiro.

No mesmo ano, o novo livro de Burroughs, “O FILHO DE TARZAN”, se transformava em película. E novamente a imagem do Rei das Selvas sairia perdendo. DEMPSEY TABLER é considerado a mais péssima escolha para o papel. Barrigudo, e careca feito um ovo, era inexperiente no cinema e provinha da Broadway. O pior físico de todos os interpretes de Tarzan.

O próprio Edgar Rice Burroughs descobriu o próximo Tarzan para as telas. Numa festa em seu rancho, avistou jovem chamado JAMES PIERCE, 15 cm mais alto que todos os intérpretes, e tão logo o viu, gritou para todos os convidados: “Vejam, lá está o Tarzan”. Pierce era enorme, bonito e musculoso. Em 1927, Pierce em “TARZAN E O LEÃO DE OURO”, que foi desaprovado pela crítica, em parte, devido a atuação de Pierce. Este nunca mais interpretou Tarzan no cinema, mas casou com Joan Burroughs, filha do criador do personagem, e juntos gravaram mais de 500 programas de Tarzan na rádio, escritos e produzidos por Edgar.

EM 1928, FRANK MERRIL, que tinha sido dublê de Elmo Lincoln, assumiu o papel. Era um ginasta convicto, e era verdadeiramente bom quando se tratava em viajar nos cipós, uma coisa que se tornou a verdadeira marca registrada dos filmes de Tarzan. “TARZAN, O TIGRE” foi lançada nas versões muda e falada, e Merril nos ofereceu uma outra inovação: o primeiro GRITO DE TARZAN, o grito de vitória dos grandes macacos. Mas Merril e seu grito não vieram a sobreviver no cinema falado., e em 1931, começou a caçada para o próximo Tarzan.

No mesmo ano, após uma das maiores buscas de Hollywood, equiparado apenas a busca para Scarlet O’Hara em “E o Vento Levou”, seta anos depois, o invicto campeão olímpico de natação, JOHNNY WEISSMULLER foi escolhido para ser o novo Tarzan, e MAUREEN O’ SULLIVAN, uma atriz irlandesa, para ser a primeira Jane do cinema falado. Edgar Rice gostou dos atores, mas a característica de Tarzan levada para as telas não é a mesma que ele criou, um nobre inglês que se sentia a vontade na selva, ou num traje de gala numa ópera em Paris. Burroughs não estava feliz com o seu senhor das selvas reduzido a um homem macaco monossilábico, e ele o queria da forma como havia realmente descrito. Uma nova dinâmica estava se formando porque os cinéfilos adoravam o Tarzan descrito pela interpretação de Weissmuller, e seus produtores chegaram a extremos para defender seu novo símbolo sexual. A maioria dos fãs de Weissmuller eram mulheres, e ele era casado. Louis B Mayer, troglodita chefão da Metro Goldwyn Mayer (MGM), achou que a esposa seria prejudicial a carreira dele, e o convenceu disso. Os estúdios por essa época controlavam a vida privada de seus astros e estrelas, e trataram de fazer um acordo com a esposa de Weissmuller, pagando a ela US$ 10 mil para ela dar o divórcio a ele.


A MGM alegou pagar a Burroughs US$ 40 mil pelos direitos autorais, e mais um adicional de US$ 5 para ser consultor de roteiro. Mas a verdade seja dita, Edgar teve pouco a ver com o Tarzan interpretado por Weissmuller. Enquanto isso, Edgar publicava mais livros onde Tarzan enfrentava alemães da primeira guerra, uma raça de pigmeus selvagens, e antepassados de uma antiga legião romana em uma cidade perdida na selva, além de animais pré históricos no centro da terra. Mas os cineastas continuavam a retratar como o primitivo homem macaco.

Havia outra complicação dos inícios dos anos de 1930. Através de uma divisão, dois direitos distintos estavam disponibilizados para produzir Tarzan no cinema. Após o lançamento de “TARZAN, O HOMEM MACACO”, primeira película de Weissmuller, um produtor independente, SOL LESSER, obteve essa opção que estava solta no ar, e anunciou que faria um filme de Tarzan, e naturalmente, não podia ter Wiessmuller que tinha contrato com o estúdio da Marca do Leão. Logo, ele precisava de um Tarzan. Ele pensou: “já que um nadador campeão estava se dando bem na MGM, por que não um outro nadador campeão?” LARRY “BUSTER” CRABBE, ou BUSTER CRABBE, medalha de ouro em natação nas olimpíadas, e que ficaria mais tarde famoso como o herói Flash Gordon em três seriados para a Universal com base no personagem dos quadrinhos, e que competiu contra o próprio Weissmuller na água, fora agora contratado para derrubá-lo do pódio de campeão de bilheteria. TARZAN, O DESTEMIDO, realizado em 1933 com Crabbe, não afastou os cinéfilos que amavam a interpretação de Johnny, e este retornou no ano seguinte com “TARZAN E SUA COMPANHEIRA”. Weissmuller e Maureen O’ Sullivan se firmaram como o Rei e a Rainha da Selva nos filmes, e o público exigiu mais aventuras com os dois. Por essa época, Burroughs decidiu produzir o seu próprio filme de Tarzan. Estrelado por HERMAN BRIX (mais tarde, Bruce Bennett) e realizou a filmagem na Guatemala. Edgar estava determinado a mostra Tarzan do seu jeito para o mundo. Em 1938, pela primeira vez depois de muitos anos, o público via um Tarzan bem diferente, mais educado e articulado, o personagem que Edgar Rice Burroughs havia criado em seus livros. “AS NOVAS AVENTURAS DE TARZAN”, seguido de seu complemento, “TARZAN E A DEUSA VERDE”, fracassou no destronamento de Weissmuller. Este, ainda ficaria mais dez anos no trono, muito embora depois o personagem e seu intérprete fossem para a RKO pictures. Mesmo em declínio físico depois dos 40 anos de idade, mais gordo e pesado, o público em geral adorava o Tarzan de Weissmuller. Foi o ator que mais durou no papel, 15 anos.

TAMBÉM EM 1938, o campeão olímpico de luta GLENN MORRIS foi escalado pelo produtor Sol Lesser para desafiar Weissmuller em “TARZAN, O VINGADOR". Mais um que não foi páreo. De 1939 a 1948, doravante, o público aceitou apenas um Tarzan: Johnny Weissmuller.


Já cansado pelo papel, e querendo atuar em outros trabalhos, Weissmuller passou o bastão para LEX BARKER. Por coincidência ou não, Johnny foi escalado para viver um outro herói das selvas, JIM DAS SELVAS – JUNGLE’S JIM, mas bem diferente, com roupas e personificando um herói universitário e bem articulado, tal qual os quadrinhos, tanto no cinema quanto numa série de TV, exibido aqui no Brasil pela extinta Tv Tupy, Canal 6, Rio de Janeiro/Urca, em meados da década de 1950.


LEX BARKER assumiu o papel em 1948. Barker era um homem de cultura, falava fluentemente cinco idiomas e era major de infantaria. Interpretou para a RKO cinco filmes para o personagem até 1953. Barker depois casou-se com a atriz Lana Turner, e uma história tenebrosa surge em sua vida, quando ele teria tentado violentar a filha de Lana, então com 12 anos.


É considerado o Tarzan mais belo das telas. Na década de 1960 filmou na Europa e filmou mesmo até no Brasil, e na Alemanha interpretou o personagem dos livros de Karl May “Old Shatterhand” na série Winnetou. Morreu de um ataque cardíaco em 11 de maio de 1973, numa rua de Nova York, apenas dois dias depois de completar 54 anos.


EM 1954, um salva vidas de um hotel de Las Vegas, que tinha sido instrutor de armas e de lutas durante a II Guerra, instrutor de musculação, policial, vaqueiro, e lutador profissional, e com 19 cm de bíceps, foi descoberto e escolhido para ser o novo Tarzan – seu nome era GORDON SCOTT. Foi o primeiro intérprete também a filmar realmente na África. Scott fez cinco filmes como Tarzan, mas nunca se sentiu a vontade com animais, pois achava que os animais não gostavam dele. Um leão já o tinha mordido e arrancado o naco da perna, e um rinoceronte praticamente passou por cima dele. Trabalhar com animais ficou mais perigoso a medida que o público exigia mais realismo nas cenas.

Certa vez, Scott contracenava com uma serpente constritora. De repente, houve um rebuliço, e serpente estava enrolada no pescoço do ator, e ele estava roxo, morrendo de asfixia. Após seu último filme, Scott, que era um fisiculturista e fora casado com a atriz Vera Miles, foi trabalhar na Europa na década seguinte, e interpretou também heróis de força como o mitológico Hércules, Maciste, e outros similares em épicos de “Sandálias e espadas”, ou épicos B, que se tornaram populares no início dos anos de 1960. Scott morreu em 30 de abril de 2007, aos 80 anos.

DENNY MILLER foi escolhido pela MGM para interpretar o personagem na refilmagem do primeiro filme de Weissmuller, de 1932, TARZAN O HOMEM MACACO”. Miller era um jogador de Basquete. Disse Miller numa entrevista: “Era como estar num circo. Monte naquele elefante, mergulhe daquela árvore no lago, balance os cipós e beije a garota. Por que eu, Deus?” Em vez de filmarem na África, filmaram num terreno logo atrás dos estúdios da Metro. E como aconteceu com Scott, Miller também teve que se defrontar com animais imprevisíveis. Um leão o arranhou nas costas, e Miller teve que ir a enfermaria levar pontos, e passaram colódio, voltando imediatamente ao trabalho. Mas apesar de todos os perigos, os produtores e roteiristas continuavam a colocar Tarzan em situações difíceis, porque o público esperava aventuras mais ousadas e maiores.

Nunca os perigos de se interpretar Tarzan foram tão evidentes na década de 1960. Um astro cowboy de faroestes classe b e ex-dublê JOCK MAHONEY, de 42 anos, foi escolhido para ser o novo Homem Macaco. Mahoney tinha a mesma idade de Lex Barker, o intérprete que sucedeu Johnny Weissmuler, e estranhamente fora cotado em 1949 para a vaga na época que Barker finalmente foi colocado para o papel, e doravante Mahoney partiu para filmes de Cowboy baratos, inclusive a série “Durango Kid”, onde além de atuar, fazia ele mesmo as cenas de ação e perigo.

Dois anos antes, Mahoney havia sido um vilão no último filme de Tarzan de Gordon Scott, TARZAN O MAGNÍFICO, onde sem o apoio de dublês, os dois no fim tem uma luta feroz em plena cachoeira africana. Ao assumir o posto, Mahoney, que fez apenas dois filmes, TARZAN VAI A ÍNDIA e OS TRÊS DESAFIOS DE TARZAN, embora experiente em cenas de perigo, feriu-se seriamente durante as filmagens, e acabou perdendo 20 quilos depois de uma disenteria e pneumonia.
Veio depois um ex-jogador de futebol americano, MIKE HENRY, este talvez o mais azarado, mas o mais próximo do physique du role do personagem traçado por Burroughs, e fiel aos traços dos desenhistas dos quadrinhos, como Burne Hogart e Russ Manning. Talvez, depois de Gordon Scott, foi o de melhor físico para o papel, e estava fortemente cotado para uma série de TV produzida por Sy Weintraub, que nos últimos dez anos era o detentor das produções cinematográficas do personagem. Mas alguns problemas no Brasil e no México fizeram com que ele desistisse da série, interpretando o herói em apenas três filmes: TARZAN E O GRANDE RIO, TARZAN E O MENINO DA SELVA, e TARZAN E O VALE DO OURO – ambos com participações de atores brasileiros, como Paulo Gracindo e José Lewgoy.

A maré de azar de Henry ficou ainda mais bravia depois que o ator, no Rio de Janeiro, mas propriamente na Quinta da Boa Vista, estava dando autógrafos quando repentinamente, uma vaca que não se sabe de onde saíra, foi correndo em sua direção, que saiu fugindo em correria. Henry foi motivo de gozação, e para completar, um macaco lhe mordeu o queixo, que precisou de uma cirurgia reconstrutiva. Henry chegou a mover um processo por danos físicos e morais contra os produtores, pois alegou que ficara com febre e não recebeu nenhuma assistência. Henry ainda hoje vive, e se recusa a falar de Tarzan.

Fora Henry para a série televisiva, o escalado foi um texano de 28 anos chamado RON ELY. Mas corajoso que Henry, insistiu em fazer ele mesmo todas as cenas de ação nos 57 episódios e duas temporadas filmados no Brasil e no México. Por pouco Ely escapou da morte com cenas de luta entre um tigre e um leão. O Tarzan de Ely parecia resgatar os traços originais de Edgar Rice Burroughs, pois era inteligente, articulado, bem educado, com formação acadêmica, e de quebra, perito em Karatê. Ron conhecia muito bem os livros de Edgar Rice Burroughs, e talvez entre todos os atores, é o que conhecia melhor o personagem. O diretor James Komack, que dirigiu alguns episódios da série, numa entrevista dada para a revista TV Guide, disse certa vez ter ouvido de Ron Ely a seguinte frase: "Essa é a minha grande chance. Eu nunca tive um papel de destaque. Eu nunca estive numa série de qualidade. É uma boa sensação, tão boa que, de certo modo, custo muito a acreditar que me machucarei seriamente". A palavra "seriamente" era utilizada de forma muito subjetiva por Ron Ely.

Na verdade, freqüentes suturas múltiplas, costumeiros pontos no corpo todo, ossos quebrados constantemente e músculos repetidas vezes distendidos era o que mais se via no ator. Não só para mim, mas para qualquer pessoa em sã consciência, tais conseqüências podem traduzir realmente graves ferimentos e terríveis machucados. E essa não foi uma observação isolada do diretor. Uma outra observação no mesmo sentido também veio do próprio Ron Ely. "Se é algo que eu sinto que posso fazer, eu devo fazer sozinho", disse Ely. "Não é bom vender algo que não seja verdade. Eu quero fazer com que o telespectador acredite que eu sou Tarzan". E Ron Ely realmente convenceu, não obstante as escoriações, os hematomas, os tombos, as fraturas, os cortes, os machucados e os inúmeros riscos à sua integridade física e à própria vida. Um ator extremamente profissional, preocupado com o respeito e a opinião de seus fãs e dos envolvidos nas filmagens. Hoje, com 73 anos, Ron Ely é um respeitado escritor de livros policiais e de terror.

Em 1984, veio GREYSTOKE, A LENDA DE TARZAN, O REI DAS SELVAS, protagonizado por CHRISTOPHER LAMBERT, até hoje a mais fiel adaptação para o cinema da obra de Edgar Rice Burroughs. No início dos anos de 1990, uma nova série de TV com o personagem protagonizado pelo surfista WOLF LARSON, e uma outra, intitulada TARZAN, AS AVENTURAS ÉPICAS, com JOE LARA, em meados da mesma década, resgatando a fidelidade dos livros de Burroughs.

Tarzan é talvez o maior mito do século XX e a mais duradoura referência da moderna cultura popular, surgida do cruzamento do sonho com as técnicas de marketing. Com efeito, não será exagero considerar "Tarzan" o mais célebre herói de ficção do século XX, ultrapassando em popularidade outros super heróis.




TARZAN garantiu sua imortalidade porque é o modelo perfeito da natureza indomável do espírito humano.

Bibliografia: BASE DOCUMENTÁRIO TARZAN-O LEGADO DE EDGAR RICE BURROUGHS (Canal Mundo- 1996). RETRÔ- TV SITE.

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