domingo, 11 de junho de 2017

Juventude Transviada (1955): Nicholas Ray e Sua Preocupação com a Delinquência Juvenil, em Uma das Trilogias do Mito James Dean.


Desde que estreou como diretor em 1949, com o clássico Amarga Esperança (They Live be Night) o cineasta Nicholas Ray (1911-1979) vinha se preocupando cada vez mais com a delinquência juvenil nos Estados Unidos.   Nessa fita, Ray analisou o assunto tendo como base um fato real, onde são analisados as reações de um jovem casal (vividos por Cathy O’ Donnell e Farley Granger). Em O Crime Não Compensa (Knock on Any Door), mostra a luta de um advogado (Humphrey Bogart) de origem pobre das periferias que tenta afastar alguns rapazes da influência de bandidos que são como “ídolos” para esses jovens.


JUVENTUDE TRANSVIADA (Rebel Without a Cause), fita dirigida por Ray em 1955, numa demonstrada tensão e gravidade quanto ao problema da juventude, retrata a trajetória de jovens pertencentes às elites dirigentes dos Estados Unidos. Formou assim uma espécie de tríptico do que considera as causas desse perigo que já afligia professores, psicólogos, sociólogos, e educadores na época de sua realização, isto é, há 62 anos. Um perigo que com o passar das gerações, se torna cada vez mais atual, seja nos Estados Unidos, no Brasil, ou em qualquer parte do mundo. 

O cineasta Nicholas Ray e o ator James Dean, passando o roteiro para JUVENTUDE TRANSVIADA (1955)
James Dean e Nicholas Ray
Nicholas Ray parece deixar bem claro que a “cura” para a doença da delinquência juvenil não esta nas “taras constitucionais” como o diretor bem definiu, mas com uma melhor distribuição social, e principalmente, a responsabilidade dos pais. Em Juventude Transviada, a culpabilidade dos pais é explicada por terem suas vidas voltadas para seus compromissos sociais e absorvida com trabalhos, deixando os filhos entregues ao próprio destino, e o que é mais grave, sem lhes dar ao menos uma demonstração de carinho, afeto, e a atenção de que tanto necessita a fase da adolescência, mostrando que a delinquência juvenil não é privilégio exclusivo apenas de pessoas oriundas de classes menos abastadas.

James Dean, o mito que se tornou uma lenda
A obra de Ray, que lhe deu a maior notoriedade de sua carreira como cineasta, foi estrelada justamente por um mito que se tornou símbolo da juventude rebelde da década de 1950, e sua mitologia ainda se tornou mais forte quando veio a morrer num trágico acidente automobilístico, a 30 de setembro de 1955: James Dean (1931-1955).Junto com Vidas Amargas (East of Eden), 1954, de Elia Kazan – e Assim Caminha a Humanidade (Giant), 1956, de George Stevens – JUVENTUDE TRANSVIADA forma a trilogia de filmes mais conhecidos, lembrados, e estrelados por este ícone da rebeldia. Antes mesmo de marcar ponto nestas três fitas, Dean já tinha passado outras experiências como ator. Foi inicialmente um dos alunos do Actor’s Studio, a conhecida escola de atores de Nova York, de onde saiu nomes famosos, como Marlon Brando. Em seguida, participou de produções menos faladas, como os filmes Baionetas Caladas, de Samuel Fuller, O Marujo foi na Onda, de Hal Walker, e Sinfonia Prateada, de Douglas Sirk – todas elas de 1951. 

James Dean, ícone da rebeldia nos anos de 1950.
Dean ainda apareceu em comerciais feitos para a TV (para fregueses tão diferentes quanto a Pepsi Cola e o Governo Americano), peças teatrais, e até para telefilmes, mas foi com Rebell Without a Cause que James Dean se tornou um ícone para a juventude na primeira metade da década de 1950, trazendo uma das cenas mais antológicas da história da Sétima Arte : o “pega” de carros próximos a um desfiladeiro. Foi assim que o precocemente falecido Dean se tornou a imagem do garoto rebelde, que Elvis Presley (que tanto o idolatrava) tentou imitar, mas nunca conseguiu.Muito embora hoje tenha o status de grande clássico do cinema, o filme nunca chegou a ser unanime entre os críticos. A crítica Pauline Kael (1919-2001) classificou Juventude Transviada no seu famoso livro, 5001 nights at the movies como uma “novela”, para em seguida lembrar contrariada que ela teve “mais impacto nos adolescentes da época do que muitos outros filmes melhores”. Certamente, o próprio argumento do cineasta Nicholas Ray, retocado pelos escritores Stewart Stern (1922-2015) e Irving Shulman (1913-1995) não chega a ser um dos mais primorosos, mas a atuação de James Dean contorna a trama, salvando com tranquilidade os pontos fracos do filme, e fazendo toda a diferença. A atuação de Dean sempre foi marcante, tendo peso nas produções de que participou, ao passo que fica difícil imaginar Carl Trask e Jim Stark, personagens respectivos de Vidas Amargas e Juventude Transviada interpretado por um mesmo ator que não seja James Dean.  Ele traduzia com perfeição e de maneira bastante particular os conflitos internos desses personagens, ao mesmo tempo em que conseguia desenha-los com toda uma riqueza de detalhes e aspectos. 

O Diretor Nicholas Ray e seus jovens astros Natalie Wood e James Dean.
O diretor Ray repassando o script para Sal Mineo, Natalie Wood, e James Dean

Ray e Dean em momento de intervalo das filmagens. O diretor lamentou muito em não poder mais trabalhar com o ator.
Já Nick Ray, através de sua obra em parceria com Dean (o cineasta lamentou não poder trabalhar novamente com o ator, pois Dean estava escalado para viver Jesse James em Quem Foi Jesse James, western dirigido por Ray em 1956 – com a morte de Dean o papel foi para Robert Wagner) ficou entre o reconhecimento e a negação do seu talento. O culto de sua pessoa data da época do Nouvelle Vague. Foram Godard e Truffaut, a princípio, dois cineastas a reverencia-lo, usando para tanto respaldo o famoso Chahiers du Cinema. Pouco antes de sua morte por câncer, em 1979, Ray ainda foi objeto de um documentário dirigido pelo alemão Wim Wanders, Um Filme para Nick (Lightning Over Water), onde é focalizada a agonia de Ray em relação à doença, e suas reflexões sobre a vida. Em Juventude Transviada, talvez o maior erro no trabalho de Nicholas Ray seja, provavelmente, se deixar envolver exageradamente pelos três jovens sofredores (principalmente com Jim Stark, que Ray considerava seu “alter ego” juvenil), fazendo com que o impacto da denúncia social se dilua numa torrente de psicologismo duvidoso. No entanto, este enfoque oferece ao diretor algumas vantagens, como por exemplo, do diretor poder obter dos intérpretes o máximo de rendimento dramático, e de quebra, um envolvente acabamento visual, já que é justamente a ação que deriva das emoções dos personagens. 



A TRAMA
Jim Stark (Dean), saindo da delegacia acompanhado pelos pais (Jim Backus e Ann Doran) na presença do inspetor Fremick (Edward Platt)
Incompreendido, Jim discute muitas vezes com sua mãe... 
...e seu pai, que deveria ser o pulso forte da família.
Toda a narrativa transcorre em 24 horas, com poucos cenários, sendo acionada com extrema funcionalidade (raramente Ray aproveitou tão bem o uso do Cinemascope), sobre a trajetória de três jovens delinquentes. O primeiro é Jim Stark (Dean), um adolescente complicado, um verdadeiro rebelde sem causa como condiz no título original da fita. Mas seria sua rebeldia mesmo sem causa? Os pais vivem em festas condizentes com o status social a que pertencem. Aparentemente, Jim tem tudo no quesito material – casa, carro, dinheiro, mas mesmo assim ele se sente solitário e procura esquecer na embriaguez seu pai, Frank (Jim Backus, 1913-1989), que deveria ser seu ídolo e que, no entanto, se revela um ser pusilânime, quando percebe que é manobrado pela mãe (Ann Doran, 1911-2000). 

Judy (Natalie Wood), outra desajustada que não consegue o amor de seu pai...
...e por isso, se envolve em péssimas companhias, com a gangue de Buzz (Corey Allen)
Judy (Natalie Wood) chocada com o acidente que matou Buzz, e Jim (Dean) lhe estende a mão.

Com Judy (Natalie Wood, 1938-1981) as coisas não são diferentes. Ela não consegue encontrar em casa a compreensão dos seus, principalmente do pai (William Hopper, 1915-1970), cujos negócios lhe tomam todo o tempo e que só lhe fala para repreendê-la ou castiga-la, fazendo com que a jovem se perca procurando divertimentos fáceis.

Na delegacia, Jim empresta seu paletó para Plato (Sal Mineo), amedrontado e com frio. 
Plato (Sal Mineo), em busca desesperada por um pai, tem na figura do ator Alan Ladd um modelo paterno. 
Plato, possivelmente o mais emocionalmente perigoso de todos os transviados.
Finalmente, Plato (Sal Mineo, 1939-1976), filho de uma divorciada que anda sempre fora de casa e que lhe envia dinheiro, sendo entregue aos cuidados de uma empregada. Ele procura desesperadamente um pai (que no imaginário do menino, seria o ator Alan Ladd, cuja foto ele guarda no armário da escola). Os problemas ligados aos três jovens são elementos básicos para um estudo extremamente cortante de transgressões e desvios de conduta moral, onde Nicholas Ray fustiga, de modo impiedoso, a inconsciência e a negligência dos pais. 

Dean, Mineo, e Natalie: mortes trágicas.
O trio perfeito de delinquentes para JUVENTUDE TRANSVIADA (1955)
James Dean e Corey Allen
O que dizer dos três jovens atores principais? James Dean, admirável no papel principal (muito embora tivesse 23 anos na época, “velho” para um adolescente), seguido de Natalie Wood na flor de sua juventude (aos 17 anos e perfeita no papel), e Sal Mineo (então com 16), este um jovem ator de qualidades excepcionais. Reunir um elenco jovem como Dean, Natalie, e Mineo, só veio ajudar a valorizar mais a obra de Ray, sendo talvez a mais significativa a utilizar como tema o chamado “conflito de gerações”. 


Jim Stark (Dean) em luta de canivetes com Buzz (Corey Allen)
Ray supervisionando Natalie e Dean durante as filmagens 
Entretanto, apesar das qualidades, Juventude Transviada apresenta uma grande falta: o malsucedido processo WarnerColor, que dá um tom estranho a bela fotografia do competente Ernest Haller (1896-1970), um dos mesmos fotógrafos de E O Vento Levou (1939). Entretanto, além dos mitos que cercam esta produção, uma curiosidade se faz pertinente observar: James Dean, Sal Mineo, e Natalie Wood, tiveram mortes trágicas. Dean morreu de acidente de carro em setembro de 1955. Mineo foi assassinado durante um assalto em 1976. E Natalie Wood morreu afogada em 1981, morte que ainda se cerca de muito mistério. 


Nick Ray (de costas) dirigindo James Dean para uma das cenas de JUVENTUDE TRANSVIADA (1955)
JUVENTUDE TRANSVIADA é um filme cuja homogeneidade e nobreza transcende ao próprio processo cinematográfico, ganhando uma amplitude humana digna de seu realizador. No Brasil, estreou nos cinemas cariocas, segundo o IMDB, em dezembro de 1955. 

James Dean e Sal Mineo
Divulgação do filme por um jornal carioca, em 1º de outubro de 1956.
FICHA TÉCNICA
JUVENTUDE TRANSVIADA
(REBEL WITHOUT A CAUSE)

ANO DE PRODUÇÃO: 1955
PAÍS: Estados Unidos
DIREÇÃO: Nicholas Ray
PRODUÇÃO: David Weisbart, em distribuição pela Warner Brothers
ROTEIRO: Stewart Stern, Irving Shulman (adaptação), baseado em uma história de Nicholas Ray
FOTOGRAFIA: Ernest Haller
MÚSICA: Leonard Rosenman
METRAGEM: 111 Minutos.


ELENCO
JAMES DEAN – JIM STARK
NATALIE WOOD – JUDY
SAL MINEO – JOHN “PLATO” CRAWFORD
JIM BACKUS – SR. FRANK STARK
ANN DORAN – SRª CAROL STARK
COREY ALLEN – BUZZ GUNDERSON
WILLIAM HOPPER – PAI DE JUDY
ROCHELLE RUDSON – MÃE DE JUDY
DENNIS HOPPER – GOON
EDWARD PLATT – RAY FREMICK
MARIETTA CANTY – CUIDADORA DE PLATO
IAN WOLFE – DR. MINTON
ROBERT FOULK – GENE
JACK SIMMONS – COOKLIE
TOM BERNARD – HARRY
NICK ADAMS – CHICK

PAULO TELLES
PESQUISA E PRODUÇÃO
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EM TEMPO

IN MEMORIAN
ADAM WEST
(1928-2017)

Ao final da confecção para a matéria sobre o filme Juventude Transviada, o mundo ficou sabendo na manhã deste último sábado (10 de junho de 2017) do falecimento do ator ADAM WEST, o famoso Batman da Série de TV (1966-1968). West morreu em sua casa na Califórnia vítima de leucemia que ele lutava havia poucos meses. Tinha 88 anos de idade. 

O jovem Adam West em publicidade antes de BATMAN
West personificando o milionário Bruce Wayne, alter ego de Batman.


Astro que fez parte de uma geração (principalmente a minha), West também realizou outros trabalhos, seja na TV e no Cinema, mas Batman o imortalizou, tanto que West participou de várias convenções ao longo de quatro décadas sobre seu personagem na TV e participou de inúmeros programas, onde se revestiu de Batman emprestando sua voz nos desenhos dos SUPERAMIGOS e também em OS SIMPSONS. 

West como Batman, ao lado de Burt Ward (Robin)
West em um evento de 2014
Adam West em seus últimos anos.
Recentemente, em 2015, usou sua voz para dublar o Homem Morcego, ao lado do colega Burt Ward (Robin) e de Julie Newmar (Mulher Gato) no também animado BATMAN E ROBIN: O RETORNO DA DUPLA DINÂMICA, desenho que restituiu com perfeição as características da série de 1966 a 1968, onde atualmente estava fazendo um segundo trabalho. Adam era casado com Marcelle Lear desde 1972. O ator deixa seis filhos (quatro com Marcelle e outros dois de dois casamentos anteriores), quatro netos e dois bisnetos. Em 2012, recebeu uma homenagem em Hollywood, recebendo uma estrela no Calçadão da Fama. Na ocasião, o Blog FILMES ANTIGOS CLUB – A NOSTALGIA DO CINEMA, fez uma matéria, que esta a disposição dos leitores neste link: http://articlesfilmesantigosclub.blogspot.com.br/2012/04/o-bom-e-veterano-batman-nobre-adam-west.html

PAULO TELLES

domingo, 4 de junho de 2017

Relembrando Roger Moore em uma Retrospectiva de Seus Filmes como 007.



Roger Moore (1927-2017), que faleceu no último dia 23 de maio aos 89 anos, além de outros trabalhos no cinema e na televisão ao longo de cinco décadas, ficou imortalizado na pele do mais famoso agente secreto do cinema (sempre a serviço de Sua Majestade), o agente britânico 007 – James Bond, ícone da espionagem de ação extraído dos romances de seu criador, o escritor inglês Ian Fleming (1908-1964), outrora ele mesmo um espião da Inteligência Britânica. 


Sean Connery: Primus Inter Pares entre todos os intérpretes.
Ian Fleming, o criador de James Bond.
É verdade que Sean Connery é considerado o primus inter pares entre todos os intérpretes, contudo, Connery dava ao seu James Bond um ar de implacabilidade e virilidade para o papel. Não que Moore não fosse implacável como 007, e muito menos não fosse viril. Mas Moore dava mais sofisticação ao papel, e, além disso, o charme que encantou todas as mulheres se tornou uma marca imprescindível na atuação do ator para com o personagem. Se por sua vez Connery era irônico em certas situações, Roger assumia uma postura debochada, se tornando muitas vezes, um simpático fanfarrão.

Roger Moore como IVANHOÉ (1958-1959), série de TV
Roger Moore e Carroll Baker: O MILAGRE (1959)
Roger Moore e Lana Turner: DIANA DE FRANÇA (1956)

Mas há quem não se lembre de como entrou James Bond na vida de Roger Moore. O que poucos sabem é que mesmo antes da convocação de Sean Connery, Moore já estava numa lista de indicados para interpretar o espião por volta de 1961. Depois de vários testes com atores britânicos e irlandeses (entre os quais Stephen Boyd, que foi quase escolhido, mas teve que recuar por conta de um compromisso para um novo filme) – os produtores pensaram logo num jovem ator inglês, de boa estampa, que já havia feito alguns trabalhos na televisão, entre os quais como protagonista da série Ivanhoé (1958-1959), e em Maverick (1959-1961), ao lado de James Garner. Este inglês era Roger Moore, que no cinema já havia feito A Última Vez que Vi Paris (The Last Time I Saw Paris, 1954), de Richard Brooks, com Elizabeth Taylor e Van Johnson, e Melodia Interrompida (Interrupted Melody, 1955), de Curtis Bernhardt, com Eleanor Parker e Glenn Ford.  Ainda foi galã de Lana Turner (1921-1995) em Diana de França (Diane, 1956), de David Miller, e de Carroll Baker no fascinante O Milagre (The Miracle, 1959), de Irving Rapper.



Roger Moore como Simon Templar, em O SANTO (1962-1969), série de TV
Feita a escolha dos produtores, estes trataram de localizar Moore, entretanto, o ator não pôde pegar de imediato o papel de James Bond, pois na época estava preso também a um contrato na TV, personificando Simon Templar na série O Santo (The Saint), personagem que também lidava com espionagem. Nos próximos sete anos, entre 1962 a 1969, Moore se encarregou de viver O Santo, enquanto que Sean Connery entrou para a história como o primeiro intérprete de James Bond no cinema, atuando nos primeiros cinco filmes da franquia entre 1962 a 1967: O Satânico Dr. No (Dr. No, 1962), Moscou Contra 007 (From Russia with Love, 1963) – Os dois primeiros dirigidos por Terence Young (1915-1994) – 007 Contra Goldfinger (Goldfinger, 1964), de Guy Hamilton (1922-2016); 007 Contra a Chantagem Atômica (Thunderball, 1966), de Terence Young; e Com 007 Só se Vive Duas Vezes (You Only Live Twice, 1967), de Lewis Gilbert.


George Lazenby, mal sucedido como 007
Com o insucesso de George Lazenby para viver James Bond em 007 a Serviço Secreto de Sua Majestade (On Her Majesty's Secret Service, 1969), de Peter Hunt - por sinal considerado o melhor filme de toda a série apesar da falta de carisma do atleta e ex-modelo australiano Lazenby – e da saída de Sean Connery do papel, depois de reviver o personagem em 007, Os Diamantes São Eternos (Diamonds Are Forever, 1971), de Guy Hamilton – os produtores novamente voltaram suas atenções para Roger Moore.


Roger Moore assumindo o papel de James Bond
Em 1973, quando Moore assumiu o papel, a Guerra Fria, pano de fundo por excelência das histórias originais de 007, já estava degelando, e a União Soviética já não provocava tanto medo. Logo, os produtores precisaram reinventar James Bond e o foco de suas ações.  Moore havia saído de uma série televisiva de apenas uma temporada, The Persuaders, ao lado de Tony Curtis (1925-2010), um seriado criminal que tinha muito de teor humorístico e sofisticado (com Moore no papel de Lord Sinclair), ponto que seria marcante para Roger viver seu James Bond, que ao contrário de seu antecessor, ofereceu ao personagem um estilo inconfundivelmente debochado. 



Curiosamente, Roger Moore foi o ator mais velho a personificar 007 (era dois anos mais velho que Sean Connery), e o que mais perdurou no papel do agente secreto britânico, ao longo de doze anos e sete filmes, entre 1973 a 1985. Vamos relembrar alguns trabalhos onde Roger Moore foi o astro desses sete filmes, com breves sinopses e ficha técnica.




007
FILMES COM ROGER MOORE




007 – VIVA E DEIXE MORRER
(Live and Let Die)


Inglaterra. Ano: 1973. Direção: Guy Hamilton. Elenco: Roger Moore, Yaphet Kotto, Jane Seymour, Clifton James, Bernard Lee, Lois Maxwell, Geoffrey Horder, David Hedison, Brad Dexter. 121 minutos. United Artists.


007(Roger Moore) e sua parceira (Jane Seymour) nas garras de um perigoso chefão, vivido por Yaphet Kotto
James Bond enfrenta as forças da magia negra nesta aventura cheia de adrenalina que o leva das ruas de Nova York à Louisiana. Com charme, inteligência e uma autoconfiança mortal. Roger Moore interpreta o Agente 007 e impede um poderoso chefão das drogas (Yaphet Kotto) de concluir seu plano diabólico para conquistar o mundo. Oitava aventura no cinema do Agente 007 e o primeiro com Roger Moore no estrelato. Em meio a todos os truques, uma sequencia divertida: James Bond escapa de crocodilos, correndo sobre eles, sem afundar na água. Trilha sonora: Live e Let Die, composta por Paul McCartney e Linda McCartney e interpretada por Paul McCartney e Wings.



007  CONTRA O HOMEM DA PISTOLA DE OURO
(The Man with the Golden Gun)

Inglaterra. Ano: 1974. Direção: Guy Hamilton. Elenco: Roger Moore, Christopher Lee, Britt Ekland, Maud Adams, Hervé Villechaize, Clifton James, Richard Loo, Marc Lawrence, Bernard Lee, Lois Maxwell, Desmond Llewelyn. 125 minutos. United Artists.

Maud Adams e Britt Ekland, as Bond Girls de 007 CONTRA O HOMEM DA PISTOLA DE OURO (1974)
007 e o vilão, vivido por Christopher Lee
James Bond está marcado para morrer e precisará de seus instintos mais letais aliados a seu charme irresistível para sobreviver a esta ação ininterrupta! Roger Moore assume o papel de Agente 007 e participa de um jogo mortal de gato-e-rato com o assassino Francisco Scaramanga (Christopher Lee, 1922-2015). Com uma fantástica perseguição automobilística por Bangcoc e com o eletrizante momento em que Bond enfrenta toda uma equipe perita em artes marciais. A partir desta produção, o produtor Albert R. Brocolli (1909-1996) se desligou de seu sócio Harry Saltzman (1915–1994) e continuou sozinho com os direitos do personagem. Música de John Barry (1933-2011), com a canção The Man With The Golden Gun, interpretada por Lulu.



007 – O ESPIÃO QUE ME AMAVA
(The Spy Who Loved Me)

Inglaterra. Ano: 1977. Direção: Lewis Gilbert. Elenco: Roger Moore, Barbara Bach, Curd Jurgens, Caroline Munro, Lois Maxwell, Bernard Lee, Desmond Llewelyn, Richard Kiel. 125 minutos. United Artists.

Barbara Bach, Curd Jurgens, e Roger Moore: 007, O ESPIÃO QUE ME AMAVA (1977)
Roger Moore e Barbara Bach em pré-estreia de 007, O ESPIÃO QUE ME AMAVA, a 20 de maio de 1977
Uma bela agente Russa, Anya Amasova (Barbara Bach), se une a James Bond Para impedir que o megalomaníaco Stromberg (Curd Jurgens, 1915-1982) leve cabo um terrível plano para dominar e destruir o mundo. O diretor Gilbert (O Proscrito de Hong Kong e Afundem o Bismarck) faz ironia com os outros filmes da série, levando tudo na mais pura gozação. Para começar, a abertura do filme, quando Bond salta de um precipício e abre o paraquedas com a bandeira da Inglaterra. O tema Nobody Does It Better, foi composta por Marvin Hamlisch e interpretada por Carly Simon.




007 – CONTRA FOGUETE DA MORTE
(Moonraker)

Inglaterra. Ano: 1979. Direção: Lewis Gilbert. Elenco: Roger Moore, Lois Chiles, Michael Lonsdale, Richard Kiel, Corinne Cléry, Bernard Lee, Geoffrey Keen, Desmond Llewelyn, Lois Maxwell. 126 minutos. United Artists.

James Bond em uma terrível luta com o gigante Jaws (Richard Kiel) em cima do bondinho do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro

Moore entre as Bond Girls Lois Chiles e Corinne Cléry
James Bond entra em órbita nesta ágil aventura que o leva de Veneza ao Rio de Janeiro e ao espaço sideral! Roger Moore interpreta o Agente 007 pela quarta vez e une forças com a cientista Holly Goodhead (Lois Chiles) da NASA para impedir um industrial obcecado pelo poder (Michael Lonsdale) de destruir toda a vida humana na face da Terra. Esta foi a 11ª aventura do agente britânico no cinema, onde conta com uma cena antológica: a luta do gigante com dentes de aço, Jaws (Richard Kiel, 1939-2014) contra Bond em cima do bondinho do Pão de Açúcar. As sequencias do carnaval, ainda no Rio de Janeiro, deixa a desejar (realizados próximos da Marquês de Sapucaí, antes do surgimento  do Sambódromo, que só seria erguido em 1983). Vale conferir também a presença cameo do saudoso comediante brasileiro Carlos Kurt (1933-2003) como um guarda alfandegário que tem o terrível dever de revistar Jaws em pleno aeroporto do Galeão. O personagem de Kiel já havia integrado no filme anterior de Bond, O Espião que me Amava. A canção Moonraker foi composta por John Barry (1933-2011) e interpretada por Shirley Bassey.

Com Carole Bouquet: 007 SOMENTE PARA SEUS OLHOS (1981)
007 – SOMENTE PARA SEUS OLHOS
(For Your Eyes Only)

Inglaterra. Ano: 1981. Direção: John Glen. Elenco: Roger Moore, Topol, Carole Bouquet, Lynn-Holly Johnson, Julian Glover, Cassandra Harris, Michael Gothard, Lois Maxwell, Desmond Llewelyn, Geoffrey Keen. 127 minutos – United Artists.

Com o vilão Julian Glover: 007 SOMENTE PARA SEUS OLHOS (1981)
Quando um navio britânico é afundado em águas estrangeiras, as superpotências mundiais começam uma corrida desesperada para achar sua carga: um sistema submarino de controle nuclear. James Bond é lançado a uma de suas mais eletrizantes aventuras ao participar da busca e evitar a devastação mundial. São emocionantes as sequencias de alpinismo nesta 12ª aventura de Bond no cinema, onde enfatiza constante ação sem muito uso de efeitos especiais. For Your Eyes Only foi composto por Bill Conti e interpretada por Sheena Easton. 




007 CONTRA OCTOPUSSY
(Octopussy)

Inglaterra. Ano: 1983. Direção: John Glen. Elenco: Roger Moore, Maud Adams, Louis Jordan, Kristina Wayborn, Kabir Bedi, Steven Berkoff, Desmond Llewelyn, Robert Brown, Lois Maxwell. 127 minutos – United Artists.

Louis Jourdan e Maud Adams, os vilões de 007 CONTRA OCTOPUSSY (1983)
O Agente James Bond vai à Índia e a África Central para frustrar os planos de um príncipe afegão (Louis Jourdan, 1921-2015) e de sua cúmplice (Maud Adams), que saqueiam tesouros do último Czar da Rússia espalhados pela Europa. Por trás deles manobra um general soviético (Steven Berkoff) que quer destruir Berlim com a Bomba Atômica. A canção All Time High, de John Barry, foi interpretada por Rita Coolidge. 

Com Tanya Roberts: 007 NA MIRA DOS ASSASSINOS (1985), último filme de Roger Moore no papel de James Bond.

007 NA MIRA DOS ASSASSINOS
(A View To a Kill)

Inglaterra. Ano: 1983. Direção: John Glen. Elenco: Roger Moore, Christopher Walken, Tanya Roberts, Grace Jones, Patrick Macnee, Patrick Bauchau, Fiona Fullerton, Alison Doody, Desmond Llewelyn, Robert Brown, Lois Maxwell . 127 minutos – United Artists.

Christopher Walken e Grace Jones, os vilões de 007 NA MIRA DOS ASSASSINOS (1985).
Max Zorin (Christopher Walken) elabora um plano para aniquilar o mercado mundial de microchips, e destruir o vale do silício, próximo a San Francisco, justamente com o intento de dominar o mercado de informática nos Estados Unidos. Mas o vilão terá James Bond em seu caminho, em sua 14ª aventura para o cinema (sem contar 007- Nunca mais Outra vez, em 1983 com Sean Connery, que não foi produzido por Albert Brocolli, então detentor dos direitos do personagem de Ian Fleming). Roger Moore confere humor, elegância e charme letal à sua última interpretação como o personagem. Com pouca agilidade (afinal, Moore já contava 58 anos de idade e já se iniciava a próxima “caçada” para o novo Bond, ocupado dois anos depois por Timothy Dalton), mas sem perder qualquer brilho. Destaque para a cantora Grace Jones, como a hercúlea e mortal parceira de Zorin, e para a beleza de Tanya Roberts. A trilha A View to a Kill, interpretada pelo grupo Duran Duran, definitivamente foi um marco nos filmes de 007, indo parar nas Paradas de Sucesso de todas as rádios em 1985. 

Roger Moore - Um 007 para ninguém botar defeito.
Paulo telles
Produção e Pesquisa. 


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